domingo, 12 de julho de 2009

Promessas até ao fim

O IP2, que vai ligar Celorico da Beira a Macedo de Cavaleiros, atravessa o Rio Douro no Pocinho e os estudos em curso ainda não permitem concluir qual a melhor solução, se aproveitar as passagens existentes ou fazer uma nova. Porém, o Governo garante que não vai atrasar a conclusão da via.

Oxalá que a pressa a imprimir às obras, não cause futuros transtornos como os agora conhecidos nas na zona da barragem da Aguieira - Pontes do IP3 precisam de obras – para o que devem ser bem revistos os projectos e bem fiscalizadas as obras de construção e analisadas as características da água e das massas de betão para evitar o «envelhecimento precoce» e outras maleitas possíveis.

O dinheiro público deve ser bem gerido e não gasto de ânimo leve por mero capricho ou teimosia apressada por eleições.

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Mistérios no ajuste directo?

Os ajustes directos, sem concurso público, sem transparência, sem garantias de defesa dos interesses do Estado (Nação politicamente organizada), têm efeitos muito positivos para as empresas» ou indivíduos contratados e eventualmente para os outorgantes por eventuais «atenções» que possam receber ou vir a receber.

Mas não há a mínima garantia de o Estado receber uma qualidade de serviço correspondente ao dinheiro despendido, ou a despender com as habituais derrapagens consentidas pelos representantes do interesse público no contrato.

As notícias surgem com demasiada frequência o que não deixa de causar preocupações aos cidadãos mais atentos. Agora veio a público (ver aqui e aqui) que os serviços de consultadoria dos sistemas de informação do recenseamento eleitoral, foram contratados a uma empresa por ajuste directo em Fevereiro de 2008, pela Direcção-Geral da Administração Interna – Administração Eleitoral (DGAI-AE), e estão sendo notadas irregularidades não explicáveis numa época em que a informática permite um controlo rigoroso na acção de coligir os dados para os cadernos eleitorais.

São também referidos dois aspectos irregulares que continuam por resolver conforme críticas feitas pela CNPD: a base de dados estar sediada no Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) e ainda o facto de a empresa informática, de Coimbra, ter acesso a dados reais do recenseamento. A utilização das instalações do SEF faz lembrar a FCM que, sendo também particular, funciona em instalações do MOP.

Não é o primeiro caso de ajuste directo e cito de memória a adjudicação dos contentores de Alcântara, o negócio mediatizado do «notebook» Magalhães, a adjudicação às empresas de águas, de resíduos sólidos e outras em muitos concelhos, a compilação de legislação no ministério da Educação.

Surgem sempre dúvidas quando se depara com imbricações pouco claras entre servidores públicos e empresas que contratam com o Estado, principalmente quando nestas há interesses de políticos ou ex-políticos e seus familiares e ou amigos. Tudo seria mais claro com a utilização de concursos públicos abertos a todos os potenciais concorrentes.

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sábado, 11 de julho de 2009

Pontes do IP3 precisam de obras

Segundo notícia com este título, cinco pontes do IP3, na zona da Barragem da Aguieira, de construção relativamente recente, carecem de obras nos pilares. «Segundo a análise feita por especialistas, com o acompanhamento de técnicos do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), o problema foi detectado nos pilares que estão em contacto com a água, atacados por uma espécie de "envelhecimento precoce", que tem origem na conjugação da fraca qualidade do betão utilizado na construção e da composição da água.»

Esta notícia sugere várias dúvidas sobre as quais se esperam esclarecimentos de comentadores afectos ao Poder que por aqui surgem ocasionalmente com insinuações nada clarificadoras sobre os temas.

Como se justifica que ainda existam pontes romanas com utilização segura enquanto estas precisam de obras após poucos anos de existência?
Como foi feita a fiscalização do projecto e da construção, em interesse do «dono da obra», que não verificou a má qualidade da construção?
Qual a idoneidade e o sentido da responsabilidade dos fiscais? Que interesses provocaram a sua eventual negligência?
No que respeita à «conjugação da fraca qualidade do betão utilizado na construção e da composição da água», parece nada haver de imprevisível, pois tanto um factor como o outro eram determináveis no momento do projecto e da construção. Isto faz pensar qual seria a derrapagem dos custos e dos prazos da obra, o que pode levar a concluir por eventual conivência ou cumplicidade de construtor, dos fiscais e da entidade pagadora.

Estas dúvidas sugeridas por um raciocínio lógico e preocupado com os prejuízos para o Estado e, mais directamente, para os utilizadores da via, merecem ser esclarecidas com meticulosidade. Por outro lado, o facto de esta situação ter sido detectada durante a elaboração do caderno de encargos para a construção da auto-estrada Coimbra-Viseu, pode ter a ver com o interesse em justificar custos mais elevados para esta via.

Quando há dúvidas, são exigidos esclarecimentos transparentes que nada deixem na penumbra.

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sexta-feira, 10 de julho de 2009

Obama e o Irão

Obama enfrenta um desaire iraniano

“Manifestamente, Londres está ansiosa por sair de cena o mais rapidamente possível, e espera que tudo possa voltar ao que era antes com o Irão. Obama tem pela frente um desafio muito mais complexo. Não pode imolar Brown e tem de se aproximar do Irão. O desafio que está diante de Obama não é apenas o regime iraniano não ter vergado, mas o facto de ele ter mostrado uma incrível resistência”.
M K Bhadrakumar* - 06.07.09

Agora, Twitter já pode voltar ao seu plano de suspensão dos seus serviços no Irão e entrar em manutenção. Twitter entra em recessão, satisfeito por ter, provavelmente, envergonhado uma potência regional ressurgente. O governo dos EUA deve um enorme favor a Twitter por ter feito algo onde, nas últimas três décadas, todos os seus restantes estratagemas de guerra e paz fracassaram.

No entanto, as histórias persas têm finais muito compridos. O regime iraniano apresenta todos os sinais de estar a cerrar fileiras e a organizar-se perante o que classificou como uma ameaça existencial ao sistema Vilayat-e faqih (governo do clero). Inclusivamente, se os EUA e a Grã-Bretanha quiserem desistir da sua desagradável altercação com Teerão, o que seria muito sensato e lógico, pode ser que este último não o consinta.

O Supremo Líder, o Ayatola Ali Kamenei, utilizou uma significativa expressão persa para caracterizar os funcionários europeus e estadunidenses, e sublinhou que o chão sobre o qual se pára «suja-se». Inevitavelmente deixou claro que Teerão não esquecerá facilmente as mentiras em catadupa que os EUA, e particularmente a Grã-Bretanha, lançaram nas últimas semanas para manchar o seu crescente prestígio regional. Numa advertência velada, Kamenei afirmou: «Alguns responsáveis europeus e estadunidenses, com as suas observações idiotas sobre o Irão, falam como se os seus próprios problemas (leia-se Iraque e Afeganistão) estivessem todos resolvidos e como se não houvesse outros assuntos para além do Irão».

O Irão teve uma história tortuosa, sobrecarregada com o que o presidente Barack Obama dos EUA lembrou no seu discurso do Cairo: «a tensão foi alimentada pelo colonialismo que negou direitos e oportunidades a muitos muçulmanos, e uma Guerra-Fria em que, amiúde, se utilizavam os países de maioria muçulmana como peões, sem ter em conta as suas próprias aspirações». Ao longo das últimas três décadas, a «linha vermelha» para Teerão foi sempre uma tentativa estrangeira de impor uma mudança de regime. Essa linha foi agora violada.

O establishment iraniano da segurança começou a aprofundar cada vez mais o que na realidade sucedeu.

Gholam Hussein Mohseni Ejehei, o poderoso ministro da inteligência, afirmou que, com base nos dados existentes, houve uma tentativa concertada de incitar os distúrbios por parte de potências mundiais, «incomodadas por um Irão estável e seguro», e conspirações para assassinar dirigentes iranianos.

As afirmações não corroboradas não colhem. Mas nos próximos dias e semanas irão surgir perguntas pouco confortáveis. Há dúvidas sobre a misteriosa morte de Neda Aqa-Soltan. Novamente, nos mortos incluíam-se oito bem treinados milicianos Basiji. Quem os matou? E certamente, quem dirigiu a carga da brigada ligeira?

É uma parte pouco conhecida da história na contagem regressiva até ao golpe anglo-estadunidense em Teerão, em 1953, contra Mohamed Mossadegue, que foi a Agência Central de Inteligência (CIA) quem perdeu o valor do que é justo quando estavam a ser montadas protestos de rua em Teerão – misteriosamente semelhantes aos recentes distúrbios – e foi o posto avançado da inteligência britânica em Chipre, quem coordenou toda a operação, manteve-se firmemente, forçou o ritmo e terminou por criar um facto consumado para Washington.

Em todo o caso, Teerão não larga a Grã-Bretanha – «a mais traiçoeira das potências estrangeiras», para usar as palavras de Kamenei. Dois diplomatas acreditados em Teerão foram expulsos, e quatro empregados iranianos da embaixada britânica continuam detidos para interrogatórios. Tudo isto, apesar das enérgicas declarações de Londres que não intensificou nada nas ruas de Teerão. Uma declaração do Foreign Office em Londres alegou que o que incentiva o primeiro-ministro Gorden Brown é programa nuclear do Irão, e não a sua indignação pelos direitos cívicos ou a morte de inocentes.

Manifestamente, Londres está ansiosa por sair de cena o mais rapidamente possível, e espera que tudo possa voltar ao que era antes com o Irão. Obama tem pela frente um desafio muito mais complexo. Não pode imolar Brown e tem de se aproximar do Irão. O desafio que está diante de Obama não é apenas o regime iraniano não ter vergado, mas o facto de ele ter mostrado uma incrível resistência.

O regime cerra fileiras

Corria o boato que o desconcertante silêncio do ex-presidente Akbar Hashemi Ransajani se devia ao facto de ele estar a conspirar na cidade sagrada de Qom e a questionar o mandato de Kamenei. Não é verdade. Domingo, Rafsanjani tornou pública uma declaração de apoio a Kamenei, ond se nota a inconfundível forma de entendimento:

«Os acontecimentos que ocorreram depois da eleição presidencial foram uma complexa conspiração tramada por elementos suspeitos, com o objectivo de criar uma ruptura entre o povo e os establishment islâmico e levá-lo a perder a sua confiança no sistema [Vilayat-e faqih]. Tais confabulações foram sempre neutralizadas quando o povo vigilante entrou em cena», disse Rafsanjani.

Elogiou Kamenei por alargar a acção do Conselho de Guardiães ao ampliar o prazo durante cinco dias para estudar os temas relacionados com a eleição e eliminar ambiguidades: «Esta valiosa acção do líder para restaurar a confiança das pessoas no processo eleitoral foi real», sublinhou Rafsanjani. Numa reunião aparte, na passada quinta-feira, com uma delegação de membros do Majlis (Parlamento), Rafsanjani disse que o seu afecto a Kamenei é «infinito», que goza de uma estreita ligação com o Supremo Líder e que cumpre plenamente com o Velayat-e faqih.

Sábado, o Conselho de Conveniência, dirigido por Rafsanjani, apelou aos candidatos derrotados a que «respeitassem a lei e que resolvessem os conflitos e as disputas através dos canais legais». Entretanto, quer Moshen Rezai, candidato da oposição e ex-chefe do Corpo de Guardas da Revolucionários Iranianos, quer o ex-presidente do Majlis, Nateq Nouri, o principal pilar da política iraniana, também se reconciliaram.

A realidade é que Mir Hussein Mousavi está isolado. Fazendo orelhas moucas aos reparos de Mousavi, o Conselho de Guardiães ordenou uma recontagem parcial de 10% das urnas de voto, escolhidas aleatoriamente em todo o país, perante as câmaras da televisão estatal. A recontagem confirmou, segunda-feira à tarde, o resultado de 12 de Junho e informou o Ministério do Interior que «o Conselho de Guardiães, depois de examinar os problemas, rejeita todas as queixas recebidas, e aprova a correcção da 10ª eleição presidencial».

A recontagem de 2ª feira mostrou um ligeiro aumento dos votos do presidente Ahmadinejad na província de Kerman. A Mousavi, agora, resta-lhe a pouco segura opção de recorrer à «desobediência civil», mas não o fará – para consternação de comentaristas ocidentais a quem, ao que parece, ele impressionou como o «Gandhi do Irão».

Se o vaticínio era que o presidente do Majlis, Ali Larijani, parecia prometedor como potencial líder dissidente, também prognóstico foi desacreditado. Segunda-feira, quando se dirigia à reunião do comité executivo da Organização da Conferência Islâmica, em Argel, Larijani atacou a política dos EUA por «interferir» nos assuntos internos dos países do Médio Oriente. Aconselhou Obama a abandonar esta política: «essa mudança será benéfica tanto para a região como para os próprios Estados Unidos».

O governo de Obama tem de tomar algumas decisões difíceis. Obama foi obrigado a endurecer a sua posição pelas críticas permanentes e pela pressão montada por redes anti-iranianas e poderosos lobbys ocultos no Congresso dos EUA e na classe política – aparte os círculos do establishment da segurança, que tem contas velhas a saldar com o Teerão mas têm um abominável historial de erradas interpretação das vicissitudes da política iraniana.

A mudança dessa posição monolítica será um processo difícil e politicamente embaraçoso. Ela requer uma enorme habilidade como estadista. O melhor resultado será Washington fazer uma pausa e renovar os seus esforços de aproximação ao Irão, depois de um intervalo decente.

Parece pouco provável que nas próximas semanas tenha lugar um diálogo significativo. Entretanto, mesquinhices como a recusa de visto para a visita a Nova Iorque do vice-presidente iraniano Parviz Davoudi a fim de participar na Conferência das Nações Unidas sobre a crise económica mundial não ajudam até porque Davoudi é um defensor de perspectivas económicas liberais. Também não ajudará a provável decisão dos EUA de continuar pelo caminho das sanções contra o Irão na próxima reunião do G8, em Trieste, Itália, de 8 a 10 de Julho. Em Maio, o Irão ultrapassou a Arábia Saudita como maior exportador de petróleo do Golfo Pérsico.

Em suma, o governo de Obama andou às cegas, depois de um magnífico começo ao encarar frontalmente a situação das relações com o Irão. Como argumenta o conhecido político e comentarista Leslie H Gelb no seu novo livro: «Power Rules: How Common Sense Can RescueAmerican Foreign Policy», Obama tinha uma opção: «utilizar o modelo líbio, através do qual Washington e Tripoli puseram as cartas na mesa e trocaram-nas de forma muito satisfatória».

O Irão fará represálias

O ambiente regional também só pode dar vantagens ao Irão. O Iraque continua num equilíbrio perigoso. O destino dos EUA no Afeganistão vai de uma provável derrota a como evitar uma derrota. A Turquia distanciou-se da posição europeia sobre os recentes acontecimentos no Irão. O Azerbeijão, o Turquemenistão, o Afeganistão e o Paquistão saudaram a vitória de Ahmadinejad. Moscovo acabou por concluir que o regime não estava ameaçado.

A China emerge como «ganhador» absoluto ao avaliar correctamente, desde o primeiro dia, as correntes subjacentes da política revolucionária do Irão. Pequim nunca antes tinha expressado tão abertamente uma inquebrantável solidariedade com o regime iraniano, rejeitando as pressões ocidentais. Nem a Síria, nem o Hezbollah no Líbano e o Hamas em Gaza mostraram qualquer inclinação para se afastarem do Irão.

É verdade que os vínculos da Síria com a Arábia Saudita melhoraram nos últimos seis meses e Damasco saúda as recentes tentativas de aproximação do governo de Obama. Mas longe de adoptar a agenda saudita ou estadunidense para com Teerão, o ministro dos Estrangeiros sírio, Walid al-Moallem, questionou a legitimidade dos protestos de rua em Teerão.

E advertiu quando as ruas de Teerão presenciavam os distúrbios: «Quem apostar na queda do regime iraniano será um perdedor. A revolução islâmica [de 1979] é uma realidade profundamente arreigada no Irão», e a comunidade internacional [leia-se EUA] deve conviver com essa realidade. Do mesmo modo, o êxito de Saad Hariri como recém primeiro-ministro do Líbano – e a estabilidade geral do país – dependerá da sua reconciliação com os rivais aliados da Síria e do Irão.

Tendo em conta todas as circunstâncias, houve uma crise política em Washington. O paradoxo é que o governo de Obama negociará agora com um Kamenei que está no auge do seu poder político das suas duas décadas como supremo líder. Quanto a Ahmadinejad, agora negociará a partir de uma posição de força sem precedentes.

Ahmadinejad não deixou quase nada em aberto para outras interpretações quando declarou em Teerão no sábado: «indubitavelmente, o novo governo do Irão terá uma atitude mais decisiva e firme para com o Ocidente. Desta vez a resposta iraniana será mais dura e mais decisiva» e levará a que o Ocidente lamente a sua «atitude intrometida». Não restam quaisquer dúvidas que Teerão não responderá através do Twitter.

* M K Bhadrakumar foi diplomata de carreira da União Indiana, tendo prestado serviço, entre outros países, na ex-URSS, Alemanha, Paquistão e Turquia.

Este texto foi publicado em www.atimes/Middle_East/KG01Ak03.html em 30 de Junho de 2009.
Tradução de José Paulo Gascão

NOTA: As origens do actual Irão estão no antigo Império Persa, fundado em 539 a.C. por Ciro, O Grande. A invasão árabe, em 635 da nossa era, trouxe consigo a conversão dos seus habitantes ao islamismo. Depois da invasão turca no século XI e dos mongóis no século XIII, recuperou a independência, passou por várias dinastias e no século XIX foi cenário de dis+puta entre o Reino Unido e a Rússia que, em 1906, dividiram o território em áreas de influência, cabendo aos ingleses explorar o petróleo, s~descoberto em 1908. Em 1921 o general Reza Khan derrubou o í~´ultimo sultão Kajar coroando-se Xá em 1926, com o nome de Reza Shah Pahlev. Em 1935, um decreto real mudou o nome do país para Irão. Em Janeiro de 1979 o Xá Mohamed Reza Pahlevi abandonou o país que entrou na procura de novo rumo sob grande influência dos Ayatollas que exercem um forte poder religioso.

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Honduras. Queda pacífica do ditador

Testimonio de un Hno Marista que reside en Honduras

Queridos familiares y amigos:

Escribo estas líneas con una manifiesta indignación por las informaciones que están circulando por Europa, por España sobre la situación que está viviendo Honduras. Siento que se está mandando una información tendenciosa y espero llamar a la Embajada de España dentro de unos minutos para preguntarles cómo es posible que ellos permitan una tan falsa información en España!!!! La Embajada tiene que saber todavía mejor que nosotros lo que está pasando y entonces? Cómo podemos ser tan papanatas!!! Aquí no ha habido un golpe de estado. Aquí ha habido un Presidente que nos llevaba acelerada e inexorablemente a ser un nuevo país que entraba en el área "chavista" y por tanto, marxista y dictatorial a ejemplo de su mentor Hugo Chavez. Mel Zelaya, nuestro ex-Presidente quería, antes de terminar su mandato, cambiar la Constitución para poder perpetuarse él en el poder, como han venido haciendo exactamente Chávez, Evo, Correa, Ortega .... Infringió las leyes que le dio la gana para poder llevar esto a efecto a través de una llamada "encuesta" que debía realizarse ayer y que camuflaba sus manifiestas intenciones. El Congreso le dijo que no era legal.

Todas las altas instancias judiciales le dijeron que no era legal, su propio Partido le dijo que no era legal (se dice en Europa que su partido político rompió con él?), pero siguió despreciando a todos y constituyéndose en norma suprema a ejemplo de su padre espiritual Hugo Chávez. Todas las instancias del país estaban en su contra: el Comisionado para los Derechos Humanos, el Congreso, toda la Judicatura, la Fiscalía, todas las iglesias católicas y protestantes, el partido y los mismos alcaldes de su partido político y al final, hasta el ejército. A pesar de recibir la prohibicición expresa, por inconstitucional, de realizar esa mal llamada encuesta, prohibición emanada de los más altos tribunales de justicia, él siguió adelante porque se tenía que perpetuar fuese como fuese en el poder y además no decepcionar las ansias expansionistas de Chávez. Dio orden al General Jefe de las FF.AA.. para que distribuyese las urnas, pero éste había recibido orden de los jueces de no hacerlo por la razón de siempre: ilegalidad manifiesta. El general se negó con documento al apoyo y aquí empezó a explotar la situación porque nuestro sujeto Presidente veía que se le escapaba la ocasión ya que termina su mandato dentro de seis meses. En un abuso más de poder destituyó al general por desobediencia, cosa que repudió el pleno del Congreso y las más altas instancias judiciales demostraron la nulidad de es destitución.

El Congreso le invitó a que rectificase y el señor Mel dio una imagen esperpéntica, junto con un reducido grupo de seguidores yendo a recuperar las urnas para distribuirlas en coches particulares .... Ni había mesas constituidas, ni había listas de votantes ... El Congreso a la unanimidad menos 4 votos (los dos grandes partidos se unieron para no aceptar la dictadura que se nos venía encima) aprobaron su destitución por desobediencia a la Constitución y los jueces dieron orden a las FF.AA. para que le arrestasen y le sacasen del país. Las FF. AA. se ejecutaron.

Es esto un golpe militar? En ningún momento el ejército ha tomado el poder ni ha pegado un solo tiro. Siguiendo la Constitución el Congreso nombró al nuevo Presidente ad ínterin por seis meses y siguen los tres poderes institucionales en pleno funcionamiento: el Legislativo, el Ejecutivo y el Judicial. Es esto un golpe de estado? Y como los gobiernos democraticos de Europa pueden ser tan papanatas y no ver el régimen dictatorial de Chavez y su pandilla, que es al que íbamos nosotros de cabeza? Y como no ven que el señor Mel Zelaya estaba terminando de arruinar al país, sembrando el odio y .... sin haber presentado hasta la fecha los presupuestos del Estado para el año 2009 porque así malgastaba a su antojo el poco dinero que tiene el país? Se puede ser tan ciegos? No hay peor ciego que el que no quiere ver. Pero por qué? Y ya el eminente Hugo Chavez ha amenazado con invadirnos con su ejército para derrocar al nuevo Gobierno. Y esa amenaza pública por la T.V. pasa desapercibida? Quién le da el poder y el derecho de amenazar con una guerra a un país con el que EN PRINCIPIO él no tiene nada que ver? O empieza a ver las orejas al lobo y que este "mal ejemplo de Honduras" pueda cundir y se le hundan sus ansias imperialistas? Y eso no lo ve ni la UE, ni los EE.UU. ni España en particular?

Tanto les ciega el petróleo? Dónde queda la defensa de los derechos humanos? Termino porque tengo otras cosas que hacer, pero por favor, si podeis difundir esta versión hacedlo. Yo voy a llamar ahora mismo a la Embajada de España para decirles mi indignación.

Un fuerte abrazo
Antonio Rieu

NOTA: Esta carta de um espanhol residente nas Honduras para os sesus familiares foi recebida por e-mail de diversas origens. Anda a circular e muito bem!

Segundo o comentário de José Morais Silva que acompanha um dos e-mails, ficam interrogações:
Porque será que de cada vez que um Presidente é corrido, os outros Presidentes mesmo os de países que se dizem democráticos (a república Popular Democrática da Coreia diz sê-lo) vão todos em fila cerrada apoiar a “vítima” sem cuidar das razões?
Será que estão a pensar que um dia lhes pode acontecer o mesmo e que a prudência obriga a que se finjam muito solidários?
Eles lá sabem porque reagem daquela maneira!
Parece que os políticos no poder, em todo o mundo, salvo uns poucos, seguem o lema «Unidos venceremos». Acham que é bom ter as costas quentes.
Sintomaticamente, neste caso, os Militares limitaram-se a cumprir as ordens legais e legítimas do Supremo Tribunal de Justiça!
Recordando o post ONU, crise e paz internacional ficamos com mais dúvidas sobre a forma como a ONU está a desempenhar o papel que dela era esperado.

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Porque não usufruímos a vida e o ambiente?

Transcrição do blog Sempre Jovens de uma canção cantada por uma criança. Embora haja legendas, são em inglês e a autora do post, consciente da importância de uma profunda reflexão sobre o tema, teve o cuidado de fazer a tradução e publicar em separado para que possamos ler calmamente e meditar a letra. Uma bela lição.


Digam-me porquê?
No meu sonho, as crianças cantam
uma canção de amor para cada um de nós.
O céu é azul, os campos verdes e o riso é a língua do Mundo.
Depois eu acordo, e tudo o que vejo
é um Mundo cheio de gente com necessidades,
Digam-me porquê? Tem que ser assim?
Digam-me porquê? Será que há algo que eu não entendi?
Digam-me porquê? Porque eu não entendo
quando alguém precisa de alguém
nós não damos as mãos para ajudar, digam-me porquê!

Todos os dias me pergunto,
o que tenho que fazer para ser um homem.
Terei que me erguer e lutar
para provar a toda a gente quem sou eu?
Será para isso que serve a minha vida?
Para desperdiçá-la num mundo cheio de guerras?
Digam-me porquê? Tem que ser assim?
Digam-me porquê? Será que há algo que eu não entendi?
Digam-me porquê? Porque eu não entendo
quando alguém precisa de alguém
nós não damos as mãos para ajudar, digam-me porquê!
Digam-me porquê? Será que há algo que eu não entendi?

Digam-me porquê?
Porquê? Porquê? os tigres fogem
Porquê? Porquê? Nós disparamos armas
Porquê? Porquê? Nós nunca aprendemos
Pode alguém dizer-nos porque deixamos a floresta arder?
Porquê? Porquê? Dizemos que nos importamos
Porquê? Porquê? Nos erguemos e espantamos
Porquê? Porquê? Os golfinhos choram
Pode alguém dizer-nos porque deixamos o mar morrer?
Porquê? Porquê? Se somos todos iguais
Porquê? Porquê? Nós passamos a culpa aos outros?
Porquê? Porquê? Isto nunca mais acaba
Pode alguém dizer-nos porque não podemos ser só amigos
Porquê? Porquê?

Tradução adaptada da autora do post.
Fernanda Ferreira

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quinta-feira, 9 de julho de 2009

«Combate de atitude»

Uma campanha eleitoral, principalmente para as legislativas é um pleito por um prémio apetecido por todos os partidos, nomeadamente por aqueles que têm aspirações a formar governo ou a entrar em coligações. Seria de boa norma cada concorrente mostrar a sua «forma física» e utilizá-la através de ideias, linhas estratégicas, medidas, planos, programas, projectos de reformas destinadas a melhorar as condições de vida dos portugueses e o progresso de Portugal na sua posição relativa entre os seus pares.

A definição dos principais problemas do País mostrará aos portugueses a consciência que os candidatos a governantes deles têm e, a seguir, mostrar as melhores soluções para os resolver. Depois de anos a avolumar problemas, tornando as soluções cada vez mais difíceis, é importante que seja captada a boa vontade e a motivação de todos os portugueses, principalmente daqueles que tiverem uma intervenção mais activa no sector a que se encontram ligados. A táctica formada pela informação, a captação de vontades, o diálogo e a transparência quando praticada com seriedade, está fadada para o sucesso.

Quem agir desta forma, evitando hostilizar os outros com golpes baixos, esperando elevar-se relativamente aos outros que tentou derrubar, quem agir pela positiva apresentando linhas de acção e evidenciando valor, competência e capacidade, granjeará elementos para a vitória.
As acusações e difamações aos adversários acabam por sujar com salpicos de lama os seus autores. Não deve ser esquecida a atitude do cabeça de lista do PS às europeias que focou o seu discurso em repetidas suspeitas ou acusações ao principal opositor, o que nada o beneficiou e, provavelmente, pode ter sido o principal factor da sua derrota. Ter-lhe ia sido mais proveitoso explicar ao eleitorado a importância da Europa para Portugal e vice-versa, o mesmo para a UE e o mundo, e esboçar projectos de propostas em benefício dos portugueses, das pessoas de Portugal e dos europeus.

É preciso um «combate de atitude», da atitude de estudar todos os problemas, devidamente priorizados, analisando todos os factores que os definem, esboçar as hipóteses de solução e mostrar a sua preferência pela julgada melhor. Esta atitude democrática de transparência em que se pode pedir a opinião dos eleitores e a sua adesão à melhor escolha é uma forma muito positiva para captar votos, conscientes, por vontade do eleitor, sem este agir como ovelha que avança condicionado pelo cajado do pastor.

Portugal precisa de políticos que actuem com sinceridade e dedicação ao País e às pessoas, e com a máxima abertura e transparência. No post Que futuro teremos? e noutros da mesma época são alinhadas algumas sugestões que deverão ser meditadas a fim de a política se tornar mais bem vista pelos cidadãos que, hoje, dela têm tão triste imagem. Também seria uma atitude democrática esboçar, em diálogo com todos os partidos com representação parlamentar, um Código de bem governar, o qual contivesse regras de diálogo e consulta para as decisões mais marcantes da evolução da nação, as reformas com efeitos prolongados através de várias legislaturas, tendo sempre em mente os interesses nacionais e das pessoas. Com tal código, a baixa politiquice seria substituída por uma convergência construtiva de esforços para bem de Portugal, a colocação em primeiro plano dos interesses nacionais acima das ambições dos partidos.

A. João Soares

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Pandemia do lucro

Que interesses económicos se movem por detrás da gripe porcina???

No mundo, em cada ano morrem milhões de pessoas vitimas da Malária que se
podia prevenir com um simples mosquiteiro.
Os noticiários, disto nada falam!

No mundo, por ano morrem 2 milhões de crianças com diarreia que se poderia
evitar com um simples soro que custa 25 cêntimos.
Os noticiários disto nada falam!

Sarampo, pneumonia e enfermidades curáveis com vacinas baratas, provocam a
morte de 10 milhões de pessoas a cada ano.
Os noticiários disto nada falam!

Mas há cerca de 10 anos, quando apareceu a famosa gripe das aves...
...os noticiários mundiais inundaram-se de noticias...
Uma epidemia, a mais perigosa de todas...Uma Pandemia!
Só se falava da terrífica enfermidade das aves.
Não obstante, a gripe das aves apenas causou a morte de 250 pessoas, em 10
anos...25 mortos por ano.
A gripe comum, mata por ano meio milhão de pessoas no mundo. Meio milhão
contra 25.
Um momento, um momento. Então, porque se armou tanto escândalo com a gripe
das aves?

Porque atrás desses frangos havia um "galo", um galo de crista grande.
A farmacêutica transnacional Roche com o seu famoso Tamiflú vendeu milhões
de doses aos países asiáticos.
Ainda que o Tamiflú seja de duvidosa eficácia, o governo britânico comprou
14 milhões de doses para prevenir a sua população.
Com a gripe das aves, a Roche e a Relenza, as duas maiores empresas
farmacêuticas que vendem os antivirais, obtiveram milhões de dólares de
lucro.

-Antes com os frangos e agora com os porcos.
-Sim, agora começou a psicose da gripe porcina. E todos os noticiários do
mundo só falam disso...
-Já não se fala da crise económica nem dos torturados em Guantánamo...
-Só a gripe porcina, a gripe dos porcos...
-E eu pergunto-me: se atrás dos frangos havia um "galo"... ¿ atrás dos
porcos... não haverá um "grande porco"?

A empresa norte-americana Gilead Sciences tem a patente do Tamiflú. O
principal accionista desta empresa é nada menos que um personagem sinistro,
Donald Rumsfeld, secretario da defesa de George Bush, artífice da guerra
contra Iraque...
Os accionistas das farmacêuticas Roche e Relenza estão esfregando as mãos,
estão felizes pelas suas vendas novamente milionárias com o duvidoso
Tamiflú.
A verdadeira pandemia é de lucro, os enormes lucros destes mercenários da
saúde.

Não nego as necessárias medidas de precaução que estão a ser tomadas pelos
países.
Mas se a gripe porcina é uma pandemia tão terrível como anunciam os meios
de comunicação.
Se a Organização Mundial de Saúde se preocupa tanto com esta enfermidade,
porque não a declara como um problema de saúde pública mundial e autoriza o
fabrico de medicamentos genéricos para combatê-la?
Prescindir das patentes da Roche e Relenza e distribuir medicamentos
genéricos gratuitos a todos os países, especialmente os pobres. Essa seria
a melhor solução.

PASSEM ESTA MENSAGEM POR TODOS LADOS, COMO SE SE TRATASSE DE UMA VACINA, PARA QUE TODOS CONHEÇAM A REALIDADE DESTA "PANDEMIA".

NOTA: Recebida por e-mail sem indicação do autor. Devemos estar alertados para as manobras impúdicas dos donos do capital. Não olham a meios para aumentarem os lucros. Cá como lá fora.

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Revolução é...

Revolução

Revolução!?
Mas o que é revolução?
É passares o tempo
De jornal na mão,
Condenares partidos,
Criares confusão?
É chamares aos outros
Nomes, sem perdão?
É clamares por algo
Que tu não criaste?
Não sentires teu erro,
Não veres que falhaste?
Não!

Revolução ...
É pores no que fazes
O teu coração.
Destruíres o mal.
Dares nova razão
À existência humana,
Sem ódio ou aversão.

Revolução,
É amares os outros,
Sentires bem as dores
Daqueles que anseiam
Condições melhores.

Revolução,
É tu combateres
Toda a exploração,
Dares realidade
À palavra "irmão".
É criares um mundo
Sem desunião.

Revolução,
É não permitires
Qualquer distinção
Entre ti e ele.
Sim, irmão,

Revolução,
É abrires caminhos
Para a Paz no mundo.
Não a falsa paz
Feita de acordos,
Mas a Paz de Espírito,
Sem ver cair corpos
Nessas guerras frias,
Vãs, cruéis ...
Não fazendo mais
Do que assinar papéis.

Revolução,
É fazeres o bem,
É reivindicares
Uma condição:
A de haver AMOR
Na tua nação,
Em troca de tudo
O que possas dar
P'ra nunca matares.
Depois ...
Conservares o bem
De poderes sentir
Que, co'a tua força,
Fizeste surgir
Uma nova vida
Em todos os seres.

Amar com carinho,
Sem nada pedires.
Dares ..., sem receberes.
Então ... verás que isso é Vida
Poderás viver!
FOI REVOLUÇÂO!!!

Porto, Junho de 1975
Maria Letra

NOTA: Este poema, escrito há 34 anos, foi-me enviado agora pela sua autora que, nessa data, era muito jovem (agora pertence ao clube dos Sempre Jovens), mas já dolorida ao ver os desmandos que grassavam na sociedade e que colidiam com a sua apurada noção de civismo arreigada numa educação bem estruturada cujos efeitos não são abaláveis. Para ela, um Bem haja e o meu reconhecimento pela sua noção de cidadania e de civismo.

Não posso deixar de publicar estas reflexões porque a revolução no sentido em que é entendida neste poema é permanente e os ensinamentos aqui expendidos devem ser aplicados no período que atravessamos.

Se o actual Governo tivesse cumprido com êxito as suas promessas eleitorais, teria levado a cabo uma revolução bem sucedida, em paz, no ensino, na saúde, na justiça, na segurança interna, etc. Mas o fracasso deve ser encarado como um atraso de percurso, que se espera venha a ser superado pelo próximo governo, com os melhores resultados, para bem dos portugueses.

Aos aspectos referidos deverá acrescentar-se a normalização dos serviços públicos da administração central e autárquica, actuando no combate à burocracia, à corrupção, ao enriquecimento ilícito, às excessivas despesas do Estado, às nomeações ilimitadas de «boys» para cargos injustificados e muitas vezes criados para lhes dar emprego (quando necessários devem ser preenchidos por concurso público).

À querida Amiga Mizita, peço desculpa pela extensão desta nota.

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quarta-feira, 8 de julho de 2009

ONU, crise e paz internacional

O Papa Bento XVI divulgou hoje a sua primeira encíclica social, “Caritas in veritate”, com 150 páginas onde aborda as grandes questões que se colocam actualmente à sociedade. Ali defende a criação de uma “autoridade política mundial” para “sanear as economias afectadas pela crise” e considera urgente uma reforma da Organização das Nações Unidas. (ver artigo do Público).

Segundo o Papa, “para governar a economia mundial, sanear as economias afectadas pela crise, prevenir o seu agravamento e maiores desequilíbrios,” é “urgente que seja criada uma verdadeira ‘autoridade política mundial’”.

Se a ONU funcionasse com a desejada eficiência e fosse respeitada por todos os Estados, a humanidade seria feliz e , por não consumir tão grande parte dos recursos em armamento e guerras, teria um elevado grau de desenvolvimento e de comodidade e, certamente, maior justiça social sem tanta diferença entre os mais ricos e os mais pobres.

Se os amigos leitores pedirem neste blogue uma pesquisa com a simples sigla ONU, encontrarão quatro dezenas (40) de posts referindo a ONU e a sua necessidade de reforma, dos quais retiro os seguintes

Ausência de autoridade internacional. ONU ineficaz
Caxemira, um caso pendente
Myanmar, China e a ONU
Pirataria no Corno de África e inacção da ONU
Vulnerabilidades da ONU
ONU desrespeitada
Sara Ocidental, Polisário
Ausência de autoridade internacional. ONU ineficaz

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terça-feira, 7 de julho de 2009

Ventos Fortes de Mudança

Vento que bate, insistente,
Em frágeis corpos, sem norte.
Leva tudo à sua frente,
Na sua fúria de morte.
Ninguém sabe o que fazer.
Desistir, não são capazes.
Acreditam no vencer
E na sorte dos audazes.
Alguns, de força incansável,
Estudam o mal na raiz,
Na procura de travar
Os ventos do seu país.
Ventos loucos, sem control,
Que sopram todos os anos,
Anos escuros, sem sol,
Que causam penas e danos.
Uns esperam a calmia,
Vão recolhendo a folhagem,
Outros, mais em sintonia,
Juntos, lutam com coragem.
Procuram travar o vento,
Lutam p'rá acalmar a dor.
Acreditam no bom tempo
E na força do amor.
De tronco sólido e duro,
Fogem de ventos e lodos.
Têm 'sperança num futuro:
Todos por um, Um por todos.
E, nesse esperar sem fim,
Sentindo a força do vento
Que sopra, dentro de mim,
Vou-me 'squecendo do tempo,
Esse factor meu rival,
Que sei ser muito importante,
Nesta luta desigual
Contra o mau tempo constante.
Venham os corpos com norte
E coragem p'rá mudança
Desta injustiça tão forte.

Maria Letra

NOTA: Este poema foi transcrito do blogue Sempre Jovens e vem reforçar a mensagem contida no post Que futuro teremos?

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Defesa individual ou colectiva???

A insegurança de pessoas e bens está a preocupar muita gente. As notícias não dão esperanças de melhoria. Um grupo, de entre muitos, que «estava a ser investigado por pelo menos meia centena de assaltos», atreveu-se agora a assaltar uma ourivesaria, Ladrão abatido por ourives,
em que deparou com a legítima defesa do comerciante que abateu um e feriu outro elemento do grupo.

Estes rapazes de entre 16 e 18 anos costumavam visar preferencialmente estabelecimentos como cafés para furtar as máquinas de tabaco. Muitas vezes, terão efectuado os furtos através do arrombamento das montras, mas, nos últimos tempos, começaram a ser associados a roubos à mão armada. Isto vem confirmar que o grau de violência tem tendência a aumentar.

Perante isto, o MAI que tem sob a sua tutela uma máquina pouco eficiente e mal equipada para fazer frente a situações violentas, como se viu em notícias recentes referentes a falta de viaturas, e sobre a agressão a tiro de dois polícias, alegou, em entrevista na SIC Notícias, teorias relacionadas com a Revolução Francesa, há mais de dois séculos, sem apresentar raciocínios aplicáveis ao caso real.

Logicamente, as soluções adoptadas há séculos e as preferidas actualmente noutros países podem e devem servir de referência para as análises da presente situação local, mas não dispensam raciocínios pragmáticos que ajudem a compreender o problema real e a delinear as possíveis soluções aplicáveis, para delas ser escolhida a melhor. (Pensar antes de decidir)

O problema não é fácil e exige estudo reflectido para suprir as dificuldades que se depreendem das palavras Secretário-geral admite "alguma impotência" face à criminalidade

E não pode esquecer-se que, para fazer face ao problema, é preciso observar com rigor e dedicação o que se passa no âmbito do ministério da Justiça, cuja acção está a jusante da acção das Forças de Segurança, em que as alterações mais recentes não foram de modo a eliminar as preocupações citadas no início deste texto.

Comparando os resultados da PSP na Amadora e do ourives, parece que estamos a ser empurrados para aceitar a ideia da conveniência de uma defesa local e individual paralela à das Forças de Segurança.

Onde iremos parar? Que futuro teremos?

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segunda-feira, 6 de julho de 2009

Burocracia ou empatocracia?

Os trâmites que antecedem a efectiva execução da obra para reabilitar um edifício na baixa do Porto absorvem 30 meses (dois anos e meio) em burocracias que bem podiam ser aliviadas e reduzidas ao mínimo indispensável. Tudo isso é exigido por uma lei central que a Porto Vivo - Sociedade de Reabilitação Urbana (SRU) propôs à tutela governamental ser alterada para encurtamento dos prazos.

Perto de minha casa há situações semelhantes em prédios novos, cujos tapumes estão sinalizados com letreiros há anos, sem ver mexer uma palha. O espaço de onde foi retirada a praça de touros de Cascais está limpo para iniciar a construção de projecto urbanístico já discutido antes da demolição, há anos.

E apesar de tanto tempo para licenciar as obras a coisa sai torta e são precisas emendas, obras novas não previstas no projecto, etc. E, como a memória não é tão curta como os governantes chegam a pensar, ficamos espantados com a rapidez como o Freeport foi licenciado apesar de se encontrar em área protegida por efeito de defesa do ambiente. E daí não ser fácil convencer as pessoas de que não houve corrupção, ou no mínimo, ‘reconhecimento’ pelos favores com ‘atenções’ mais ou menos significativas e discretas!!!

Dizem que o melhor Estado é aquele que menos interfere na vida dos cidadãos. E que quando tudo se quer controlar, menos se controla efectivamente.

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A lei da Selva

As notícias que vão chegando mostram que devido à incompetência do poder central o País está transformado num sistema desorganizado, ao sabor dos parasitas que vivem á custa dos produtores e dos consumidores. Para 5% de trabalhadores produtivos, há 95% de parasitas a sugar o suor daqueles poucos. Se os números não forem mesmo estes não devem andar muito longe deles.

Pela leitura da notícia do Jornal de Notícias Intermediários anulam lucro de fruto milionário, fica a saber-se que os produtores de Sever do Vouga vendem o mirtilo a 3,5 euros o quilo, mas o fruto chega ao consumidor a preços entre os 35 e os 40 euros!!! Isto só seria de esperar num país de loucos em que, havendo um ministério, da agricultura, os agricultores e fruticultores não dispõem de apoios em informação para se organizarem e fazerem a distribuição do produto de forma racional e eficiente de maneira a terem mais lucro e beneficiarem o consumidor a preços mais acessíveis. Há que eliminar as sanguessugas que, sem aumentarem valia ao produto, lhe aumentam o preço 10 vezes mais.

Mas o povo não é desprovido de raciocínio e a Associação para a Gestão, Inovação e Modernização do Centro Urbano de Sever do Vouga (AGIM ), criada pela Câmara e pela SEMA- Associação Empresarial, está a ajudar os produtores a conseguirem mais lucro e a atingirem o mercado nacional que, neste momento, quase não tem expressão (5% contra 95% de exportações para a Holanda e a França). Está em vias de aprovação de uma candidatura ao programa MODCOM (modernização do comércio) que é a porta para o desenvolvimento de uma nova política de comercialização do mirtilo de Sever do Vouga.

Oxalá os esforços surtam efeito e o exemplo seja depois seguido por todos os produtores agrícolas. Consta que a mesma parasitose ataca a distribuição da batata e de outros produtos agrícolas.

Agricultores de todo o País unam-se, organizem-se e não deixem que o vosso trabalho enriqueça habilidosos que nada produzem.

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domingo, 5 de julho de 2009

Que futuro teremos?

Achei interessante coligir uma série de respostas a comentários num post recente e, desta forma, elaborar este post. Espero que ele contribua para reflexão dos leitores e obter comentários com a qualidade daqueles que aqui tem havido em assuntos como este.

As pessoas que observam com imparcialidade a sociedade actual preocupam-se com a ausência de valores que há poucos anos eram considerados o esteio da sociedade, das relações humanas, em todos os estratos sociais. Nacionalmente, as sucessivas «crises» políticas de promessas não cumpridas seguidas de outras promessas incumpríveis, os recuos devidos a decisões tomadas imponderadamente, sobre o joelho, a arrogância apoiada por uma teimosia vazia de racionalidade, agravaram-se com a crise financeira mundial. Mas o problema parece generalizado internacionalmente, o que não admira, dados os maus efeitos da globalização.

Esta crise nasceu de um sistema internacional condenado ao fracasso, da liberdade incondicional do poder financeiro e económico, sem supervisão, sem controlo e sem responsabilização por erros graves contra a estabilidade e sustentabilidade, com prejuízo para toda a humanidade em geral, particularmente, para os que vivem no limiar da pobreza e que não podem perder o pouco que já não tinham.

A bolha especulativa e de exploração de lucros por qualquer meio, com prejuízo fosse de quem fosse, rebentou e, para espanto dos mais optimistas, em vez de dar lugar a um esforço de reparação dos erros estruturais existentes e que estiveram na causa do desastre, tem originado um reforço do sistema, recuperando as perdas dos grandes financeiros, reabilitando indústrias que o próprio mercado vinha condenando ao seu ocaso, como o excesso de bancos e a indústria automóvel, inimigo perigoso da poluição e das alterações climáticas, em prejuízo dos consumidores, dos menos protegidos pelo Estado, das pequenas empresas, da agricultura, das pescas, e das produções que garantam a subsistência nacional e regional das respectivas populações.

Perante a crise, os governos evidenciaram a sua impreparação, incompetência, dedicação à sua função de Governar e falta de vistas largas e de capacidade de decisão e, por isso, acentuaram a parte mais negativa da globalização, em vez de aproveitarem o que ela tem de positivo para construir um novo sistema isento dos defeitos daquele que originou a crise internacional.

A nível nacional, corre-se insensatamente para obras megalómanas, sem olhar a custos, aumentando o endividamento externo, sem previsão da capacidade de amortização dos custos iniciais, sem olhar para a possibilidade de exploração rentável, sustentável, acabando por fazer cair nas gerações futuras um fardo insuportável, por mero capricho do poder que as antecedeu.

Paralelamente, assiste-se à degradação dos valores, do civismo do respeito pelas pessoas, individual e colectivamente. Na AR todos os políticos sem hesitações adjectivam os seus opostos de mentirosos e desonestos intelectualmente, evita-se combater a corrupção e o enriquecimento ilícito, aprova-se por unanimidade uma lei de financiamento dos partidos com dinheiro verde sem cuidarem do perigo de abrir caminho para um sistema estatal de lavagem de dinheiro proveniente das piores actividades criminosas.

Sintomaticamente, tal unanimidade nunca foi obtida em assuntos de interesse geral em defesa dos interesses nacionais no sentido mais lato. Ainda agora, para exemplo, não houve unanimidade em criminalizar a utilização de animais em lutas de espectáculo e apostas. Ignora-se quais os grandes interesses que estarão por detrás deste negócio que levou os partidos a não se unirem, como o fizeram no problema do «dinheiro vivo».

E perante estes dislates, o povo deixou de respeitar os políticos seguindo o exemplo que recebem das «touradas» na AR, das acções de «malhar» referidas na Comunicação Social e nas declarações á imprensa pelos políticos que desfrutam de maior visibilidade as quais desmascaram aquilo que realmente os preocupa. E o que os preocupa prioritariamente não são os grandes problemas de Portugal que eles raramente tentam definir ou sequer referir, mas a conquista de votos, de regalias de «tachos» para os seus «boys». A campanha para as recentes eleições para o PE foi um exemplo elucidativo. Atiraram-se as piores ofensas aos outros partidos mas nada se falou da importância da UE para Portugal ou de Portugal para a UE ou desta para o mundo e o futuro da humanidade. Não houve ideias tácticas e muito menos estratégicas, no que foi exímio o cabeça-de-lista do partido governamental.

Fica provado, e a última sessão na AR tirou qualquer dúvida que ainda existisse, que os interesses nacionais não são encarados a sério e que os governantes não têm a maturidade que seria desejável para as funções. Há quem defenda a entrega do Poder a jovens mais puros de sentimentos e intenções, mas há quem a receie por falta de experiência política. Mas, na realidade, tal experiência não significa mais do que estarem cristalizados nos vícios e manhas de que os actuais eleitos padecem. Com tais experiências nada melhorará. Terá de haver uma rotura de procedimentos, de metodologia na equação dos problemas com os olhos postos em interesses e objectivos nacionais acima de egoísmos e ambições sem ética.

Com os recursos humanos actualmente no activo, pessoas com cerca de 40 anos já viciadas nas maleitas existentes não iremos longe e só podemos alimentar esperanças de que de entre os agora ainda crianças surja uma elite com capacidade de organização e de concretização que consiga dar um novo rumo à humanidade, sem grandes sofrimentos. Para isso a juventude necessitaria de uma Educação adequada às grandes tarefas a que está destinada. Mas esse aspecto também está muito descurado. Toda a mudança obriga a sacrifícios de hábitos e de rotinas, bem como de alteração da escala de valores. Mas, realmente, a humanidade, em geral, não só o nosso País, está a precisar de uma correcção da rota para evitar o abismo irremediável, tendo de enfrentar as dificuldades inerentes.

A minha esperança de um futuro mais promissor não é em interesse pessoal, porque o prazo que prevejo, já não me trará benefícios pessoais. Penso na humanidade como se estivesse a olhar de um outro planeta e, dessa forma, procuro não me deixar prender por casos isolados, mas sim por tendências gerais ou erros com efeitos alargados que ultrapassam a área local.

Por outro lado, a esperança é o antídoto da depressão e da angústia, uma espécie de higiene mental que ajuda a viver em equilíbrio, perante o cenário de grave desagregação ética e social.

Mas esta esperança utópica tem bases reais. A Natureza funciona segundo o movimento sinusoidal com descidas e subidas, altos e baixos. As estações do ano são um belo exemplo disso. Na primavera nascem as folhas às árvores, depois as flores e os frutos e, no outono amarelecem e começam a cair, para no inverno as árvores ficarem nuas. Depois tudo recomeça.

O nosso planeta teve épocas glaciares, diluvianas, etc. Agora estamos em época seca e quente. A humanidade também tem passado por fases e não é necessário recuarmos à pré-história, pois basta irmos à época dos descobrimentos em que Portugal foi dono dos mares, sendo depois substituído pelos ingleses, e em parte pelos holandeses, franceses, belgas e os espanhóis com quem se partilhou a América do Sul. Todos recolheram ao espaço inicial deixando as colónias em liberdade.

A China foi o Império do Meio, com todo o mundo à sua volta. Depois a Europa liderou o chamado mundo ocidental, «cargo» que depois passou a ser desempenhado pela América do Norte. Nada permanece imutável e há na Natureza um regresso periódico a situações anteriores. Como o homem é o único ser vivo que constrói ferramentas e aperfeiçoa tecnologias não deixará que algo venha a ser igual a ontem, mas isso nem sempre é vantajoso, porque as próprias tecnologias começam a dificultar ser controladas pelo homem. A propósito da queda do avião em viagem entre Rio de Janeiro e Paris, houve técnicos que afirmavam que o sistema do avião é de tal forma perfeito que se auto-repara sem necessidade de intervenção do piloto. Mas se este vir que a coisa não corre bem, tem dificuldade, muitas vezes impossibilidade, de intervir. Passamos a ser sequestrados, vítimas indefesas da máquina.

Mas, quanto a uma evolução da vida social e política, a esperança não pode ser alimentada pela observação da generalidade dos jovens que têm crescido no ambiente doentio que lhes foi legado pela geração anterior; temos que esperar que, de entre eles, surja uma elite de «génios» que usem o raciocínio, concluam que muita coisa está errada e que é indispensável regenerar o sistema para que o Homem continue na Terra, e que tenham coragem de organizar e levar a cabo a mudança. A revolução francesa surgiu assim, a independência americana também.

O ideal seria que tudo se conseguisse com as palavras dos filósofos sem violência, mas, provavelmente, terá de haver violência para desalojar os actuais donos da humanidade (políticos, banqueiros, multinacionais e outros capitalistas exploradores que estiveram na origem da actual crise financeira global). Mas a violência por vezes, apesar de sofrimento, traz benefício, porque é sucedida de clarificação e concentração de esforços para objectivos claros. A Alemanha depois de ter ficado destruída pela II GM, foi bem sucedida no rápido trabalho de reconstrução e tornou-se depressa na locomotiva da Europa. Pelo contrário, Portugal, com os seus brandos costumes, não teve violência mas, em vez de reconstrução da Democracia, gerou o PREC cujos maus efeitos ainda se reflectem no caos em que vegetamos. Enfim, irá haver mudanças, sem sabermos quando nem como, mas a esperança em dias melhores para os nossos netos não deve desaparecer!!!

Efectivamente, tudo leva a crer que o mundo irá sofrer profundas alterações que, provavelmente, serão violentas. Há quem preveja que a hegemonia irá deixar de pertencer à América e passar para o Extremo Oriente (China). A Europa que, durante séculos, foi o centro da humanidade, irá perder essa regalia, esmagada por imigrantes, na maior parte vindos do Norte de África onde não há ocupação laboral para a população crescente. Os muçulmanos irão criar agitação com o Ocidente, embora não tenham organização para dominar a civilização, mas o petróleo continuará a dar-lhes alguma força por mais uns anos.

A esperança num futuro melhor é a última coisa a morrer. Mas é preciso alimentá-la. E é isso que estou aqui a fazer, procurando contribuir com a minha quota-parte para uma humanidade mais feliz e próspera, apesar das infantilidades de políticos sem formação ética.

A. João Soares

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sexta-feira, 3 de julho de 2009

País agradável para viajar

Transcrevo este bela jóia literária que recebi repetidamente por e-mail de vários amigos e encontrei-a no blog A Tulha do Atílio. O autor faz uma boa análise das razões que conduzem aos investimentos gigantescos com vista a colocar o País na modernidade. «Éramos só doidos e fizemos algumas coisas notáveis por esse mundo fora; depois, disseram-nos que afinal éramos ricos e desatámos a fazer todas as asneiras possíveis cá dentro; em breve, voltaremos a ser pobres e enlouqueceremos de vez».

Eis o texto:

Esta noite sonhei com Mário Lino
Miguel Sousa Tavares

Segunda-feira passada, a meio da tarde, faço a A-6, em direcção a Espanha e na companhia de uma amiga estrangeira; quarta-feira de manhã, refaço o mesmo percurso, em sentido inverso, rumo a Lisboa. Tanto para lá como para cá, é uma auto-estrada luxuosa e fantasma. Em contrapartida, numa breve incursão pela estrada nacional, entre Arraiolos e Borba, vamos encontrar um trânsito cerrado, composto esmagadoramente por camiões de mercadorias espanhóis. Vinda de um país onde as auto-estradas estão sempre cheias, ela está espantada com o que vê:
- É sempre assim, esta auto-estrada?
- Assim, como?
- Deserta, magnífica, sem trânsito?
- É, é sempre assim.
- Todos os dias?
- Todos, menos ao domingo, que sempre tem mais gente.
- Mas, se não há trânsito, porque a fizeram?
- Porque havia dinheiro para gastar dos Fundos Europeus, e porque diziam que o desenvolvimento era isto.
- E têm mais auto-estradas destas?
- Várias e ainda temos outras em construção: só de Lisboa para o Porto, vamos ficar com três. Entre S. Paulo e o Rio de Janeiro, por exemplo, não há nenhuma: só uns quilómetros à saída de S. Paulo e outros à chegada ao Rio. Nós vamos ter três entre o Porto e Lisboa: é a aposta no automóvel, na poupança de energia, nos acordos de Quioto, etc. - respondi, rindo-me.
- E, já agora, porque é que a auto-estrada está deserta e a estrada nacional está cheia de camiões?
- Porque assim não pagam portagem.
- E porque são quase todos espanhóis?
- Vêm trazer-nos comida.
- Mas vocês não têm agricultura?
- Não: a Europa paga-nos para não ter. E os nossos agricultores dizem que produzir não é rentável.
- Mas para os espanhóis é?
- Pelos vistos...
Ela ficou a pensar um pouco e voltou à carga:
- Mas porque não investem antes no comboio?
- Investimos, mas não resultou.
- Não resultou, como?
- Houve aí uns experts que gastaram uma fortuna a modernizar a linha Lisboa-Porto, com comboios pendulares e tudo, mas não resultou.
- Mas porquê?
- Olha, é assim: a maior parte do tempo, o comboio não 'pendula'; e, quando 'pendula', enjoa de morte. Não há sinal de telemóvel nem Internet, não há restaurante, há apenas um bar infecto e, de facto, o único sinal de 'modernidade' foi proibirem de fumar em qualquer espaço do comboio. Por isso, as pessoas preferem ir de carro e a companhia ferroviária do Estado perde centenas de milhões todos os anos.
- E gastaram nisso uma fortuna?
- Gastámos. E a única coisa que se conseguiu foi tirar 25 minutos às três horas e meia que demorava a viagem há cinquenta anos...
- Estás a brincar comigo!
- Não, estou a falar a sério!
- E o que fizeram a esses incompetentes?
- Nada. Ou melhor, agora vão dar-lhes uma nova oportunidade, que é encherem o país de TGV: Porto-Lisboa, Porto-Vigo, Madrid-Lisboa... e ainda há umas ameaças de fazerem outro no Algarve e outro no Centro.
- Mas que tamanho tem Portugal, de cima a baixo?
- Do ponto mais a norte ao ponto mais a sul, 561 km.
Ela ficou a olhar para mim, sem saber se era para acreditar ou não.
- Mas, ao menos, o TGV vai directo de Lisboa ao Porto?
- Não, pára em várias estações: de cima para baixo e se a memória não me falha, pára em Aveiro, para os compensar por não arrancarmos já com o TGV deles para Salamanca; depois, pára em Coimbra para não ofender o prof. Vital Moreira, que é muito importante lá; a seguir, pára numa aldeia chamada Ota, para os compensar por não terem feito lá o novo aeroporto de Lisboa; depois, pára em Alcochete, a sul de Lisboa, onde ficará o futuro aeroporto; e, finalmente, pára em Lisboa, em duas estações.
- Como: então o TGV vem do Norte, ultrapassa Lisboa pelo sul, e depois volta para trás e entra em Lisboa?
- Isso mesmo.
- E como entra em Lisboa?
- Por uma nova ponte que vão fazer.
- Uma ponte ferroviária?
- E rodoviária também: vai trazer mais uns vinte ou trinta mil carros todos os dias para Lisboa.
- Mas isso é o caos, Lisboa já está congestionada de carros!
- Pois é.
- E, então?
- Então, nada. São os especialistas que decidiram assim.
Ela ficou pensativa outra vez. Manifestamente, o assunto estava a fasciná-la.
- E, desculpa lá, esse TGV para Madrid vai ter passageiros? Se a auto-estrada está deserta...
- Não, não vai ter.
- Não vai? Então, vai ser uma ruína!
- Não, é preciso distinguir: para as empresas que o vão construir e para os bancos que o vão capitalizar, vai ser um negócio fantástico! A exploração é que vai ser uma ruína - aliás, já admitida pelo Governo - porque, de facto, nem os especialistas conseguem encontrar passageiros que cheguem para o justificar.
- E quem paga os prejuízos da exploração: as empresas construtoras?
- Naaaão! Quem paga são os contribuintes! Aqui a regra é essa!
- E vocês não despedem o Governo?
- Talvez, mas não serve de muito: quem assinou os acordos para o TGV com Espanha foi a oposição, quando era governo...
- Que país o vosso! Mas qual é o argumento dos governos para fazerem um TGV que já sabem que vai perder dinheiro?
- Dizem que não podemos ficar fora da Rede Europeia de Alta Velocidade.
- O que é isso? Ir em TGV de Lisboa a Helsínquia?
- A Helsínquia, não, porque os países escandinavos não têm TGV.
- Como? Então, os países mais evoluídos da Europa não têm TGV e vocês têm de ter?
- É, dizem que assim entramos mais depressa na modernidade.
Fizemos mais uns quilómetros de deserto rodoviário de luxo, até que ela pareceu lembrar-se de qualquer coisa que tinha ficado para trás:
- E esse novo aeroporto de que falaste, é o quê?
- O novo aeroporto internacional de Lisboa, do lado de lá do rio e a uns 50 quilómetros de Lisboa.
- Mas vocês vão fechar este aeroporto que é um luxo, quase no centro da cidade, e fazer um novo?
- É isso mesmo. Dizem que este está saturado.
- Não me pareceu nada...
- Porque não está: cada vez tem menos voos e só este ano a TAP vai cancelar cerca de 20.000. O que está a crescer são os voos das low-cost, que, aliás, estão a liquidar a TAP.
- Mas, então, porque não fazem como se faz em todo o lado, que é deixar as companhias de linha no aeroporto principal e chutar as low-cost para um pequeno aeroporto de periferia? Não têm nenhum disponível?
- Temos vários. Mas os especialistas dizem que o novo aeroporto vai ser um hub ibérico, fazendo a trasfega de todos os voos da América do Sul para a Europa: um sucesso garantido.
- E tu acreditas nisso?
- Eu acredito em tudo e não acredito em nada. Olha ali ao fundo: sabes o que é aquilo?
- Um lago enorme! Extraordinário!
- Não: é a barragem de Alqueva, a maior da Europa.
- Ena! Deve produzir energia para meio país!
- Praticamente zero.
- A sério? Mas, ao menos, não vos faltará água para beber!
- A água não é potável: já vem contaminada de Espanha.
- Já não sei se estás a gozar comigo ou não, mas, se não serve para beber, serve para regar - ou nem isso?
- Servir, serve, mas vai demorar vinte ou mais anos até instalarem o perímetro de rega, porque, como te disse, aqui acredita-se que a agricultura não tem futuro: antes, porque não havia água; agora, porque há água a mais.
- Estás a dizer-me que fizeram a maior barragem da Europa e não serve para nada?
- Vai servir para regar campos de golfe e urbanizações turísticas, que é o que nós fazemos mais e melhor.
Apesar do sol de frente, impiedoso, ela tirou os óculos escuros e virou-se para me olhar bem de frente:
- Desculpa lá a última pergunta: vocês são doidos ou são ricos?
- Antes, éramos só doidos e fizemos algumas coisas notáveis por esse mundo fora; depois, disseram-nos que afinal éramos ricos e desatámos a fazer todas as asneiras possíveis cá dentro; em breve, voltaremos a ser pobres e enlouqueceremos de vez.
Ela voltou a colocar os óculos de sol e a recostar-se para trás no assento. E suspirou:
- Bem, uma coisa posso dizer: há poucos países tão agradáveis para viajar como Portugal! Olha-me só para esta auto-estrada sem ninguém!

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Manuel Pinho o rufião do bairro

Não é fácil deixar de publicar a foto que vem em todos os jornais, mas não ocuparei espaço com ela, por tais porcarias «insólitas e lastimáveis não merecerem demasiada atenção. Porém não se pode deixar de reflectir sobre o que representa a atitude indecorosa de um membro do Governo (terceiro órgão de soberania) na sede do Parlamento (segundo órgão de soberania) e num momento de grande solenidae e interesse para o País e para o Governo por estar a ser analisado o «Estado da Nação». Se os governantes não respeitam quem está acima de si na hierarquia do Estado democrático, mesmo em acto oficial, protocolar, como pode querer que alguém o respeite?

Manuel Pinho comportou-se em local que lhe exigia respeito, como um vulgar carroceiro entre iguais, como o rufião que quer mostrar que é o «gajo mais valentão» do seu bairro. Ele que aconselhou um chefe de bancada da oposição a tomar muita «papa maizena» precisa de um espelho para ver que ele é que precisa de muita papa de farinha amparo, para ser amparado de cometer criancices despropositadas e inoportunas. Mas cada um usa e mostra o que tem, cada um diz o que sabe e age conforme a sua educação, cultura e saber.

Porém, segundo as notícias, isto é apenas a ponta do iceberg, pois os políticos não primam pela cortesia pela compostura nas palavras e nos gestos entre si, em actos oficiais públicos.
Mas este caso, embora de características mais visíveis, não é invulgar, pois a sessão legislativa prestes a terminar foi fértil em cenas de trocas de insultos e até de palavrões. José Sócrates disse a um chefe de bancada: "Senhor deputado, esteja caladinho e ouça", (repito: um deputado é elemento do órgão de soberania de hierarquia superior à do Governo). José Sócrates, em desrespeito pela organização e funcionamento do Parlamento, disse à deputada do PEV: «o seu partido é um embuste». O PM ainda ontem chamou «mentiroso e intelectualmente desonesto» a um líder partidário. Um dia disse ao mesmo líder : «o Sr deputado não tem experiência nem currículo e, no dia seguinte, circulou por e-mail o currículo do referido líder que é o infinito ao lado do zero de Sócrates. Em Março, o deputado José Eduardo Martins disse ao deputado Afonso Candal: "Vai para o c...".

Mas a lista , incluindo palavras mais ofensivas, pode tornar-se muito mais extensa, o que nos leva a perder todo o respeito pelos políticos, os tais que deixam muitos problemas graves do País sem solução mas que se unem todos para votarem a vergonhosa lei do financiamento dos partidos com «dinheiro vivo», felizmente vetada pelo PR. Perante isto o único voto que realmente merecem é o VOTO EM BRANCO.

Seguem-se links para artigos de jornal sobre este caso:

Manuel Pinho demitido em pleno debate
Manuel Pinho demite-se
Episódio não é "insólito" no Parlamento
Imagem do Governo sai afectada
As reacções à demissão de Manuel Pinho

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quinta-feira, 2 de julho de 2009

«Novas Oportunidades» será isto???

Custa-me acreditar que isto seja mesmo assim. Será que, ao menos, o diploma terá expresso que as habilitações são uma farsa e nada têm a ver com as dos estudos normais? Como este texto da Drª Marta me chegou através de e-mails de pessoas que considero, publico-o, mas com dúvidas que espero ver esclarecidas pelos comentários que, certamente, surgirão.

Novas Oportunidades. A ignorância certificada
Marta Oliveira Santos

O país encontra‐se com uma taxa muito baixa de escolaridade em relação aos países da EU (União Europeia). Logo há necessidade de colmatar esta situação e, para isso foram criadas “As Novas Oportunidades”, uns cursinhos intensivos de três meses, no fim dos quais os “estudantes”(agora com o nome pomposo de formandos) obtêm o certificado de equivalência ao 9º ou 12º anos. Fantástico, se os cursinhos fossem a sério! ...

Perante a publicidade aos referidos cursos, aqueles que abandonaram a escola ou, por qualquer razão não concluíram um dos ciclos de escolaridade, esfregaram as mãos de contentes, uma vez que agora se lhes oferece a oportunidade de obterem um certificado de habilitações que lhes poderá vir a ser útil. E como diz o ditado ”mais vale tarde do que nunca”, eles lá se inscreveram. Por outro lado, três meses das 7.00 as 10.00 horas, horário pós‐laboral, uma vez por semana, era coisa fácil de realizar. Coitados daqueles que andam 3 anos (7º, 8º e 9º anos) para concluírem o 3º ciclo!!! Isso é que é difícil!

Na rua, no café, nos locais públicos em geral ouve‐se: “Ah! Agora, ando a estudar! Ando afazer o 9º ou 12º ano! Aquilo e porreiro, pá!”

Entretanto, há pessoas com quem contactamos no dia‐a‐dia, mais próximos de nós, o cabeleireiro, o sapateiro, a empregada doméstica, etc. que também nos confidenciam com ar feliz: “Agora, com esta idade, ando a estudar! Ando a fazer o 9º!” E nós, simpaticamente, sorrimos, abanamos a cabeça e dizemos que fazem bem, sempre é uma mais valia… contudo, numa dessas conversas, tentei descobrir que disciplinas constavam do curso, ficando a saber que eram Português, Matemática, Informática e Cidadania para o 9º ano; e indaguei ainda como eram as aulas e a avaliação final.

E fiquei atónita. Em Português o formando teria que escrever a história da sua vida e a razão por que se inscreveu no curso, sendo o texto corrigido aula a aula pela respectiva formadora; Matemática consistia em efectuar cálculos básicos e apresentar, por exemplo, a receita de um bolo e duplicá‐la; para Informática apercebi‐me que seria a apresentação do trabalho escrito e, posteriormente, quem quisesse apresentá‐lo‐ia em “powerpoint”; em Cidadania, os formandos apresentavam os diferentes resíduos e diziam em que contentor os deveriam colocar. A nível de Português ainda foi pedida a leitura de um livro e seu comentário, sendo a selecção ao critério do formando o que deu origem a autores “light”, nada de autores portugueses de renome; a acrescer a este comentário teriam também de fazer a apresentação crítica a um filme e a uma reportagem. Todos estes elementos seriam entregues num dossier, cuja capa ficaria ao critério de cada formando.

Três meses passaram num abrir e fechar de olhos, por isso um destes dias, enquanto aguardava a minha vez para ser atendida no consultório médico, fui brindada com o dossier do curso da recepcionista e respectivo certificado de 9º ano. Engoli em seco aquelas páginas recheadas de erros ortográficos e de construção frásica, desencadeamento de ideias e falta de coesão, (…), entremeados por bonitas fotografias; na II parte, umas contitas simples e duas tábuas de multiplicação; e em Cidadania, os contentores do lixo coloridos com a indicação dos resíduos que se põem lá dentro.

Em seguida, com um sorriso muito branco (nem o amarelo consegui!) e, como bem educada que sou, felicitei a dona do dossier cuja capa estava realmente bonita, original, revelando bastante criatividade e ouvi‐a alegre dizer: “A formadora disse‐me que tinha hipóteses de fazer o 12º ano. Logo que possa, vou fazer a minha inscrição!”

Fiquei estarrecida, sem palavras para lhe dizer o que quer que fosse. “As Novas Oportunidades” são isto? Está a gastar‐se tanto dinheiro para passar certificados de ignorância? Será que todos os formadores serão iguais a estes? E o 9º ano e escrever umas tretas e ler um Nicholas Sparks e um artigo da revista “Simplesmente Maria”? E o 12º ano será a mesma coisa (queria dizer chachada) acrescida de uma língua?

Continuando assim o país a tapar o sol com a peneira, teremos em poucos anos a ignorância certificada!

Marta Oliveira Santos – Licenciatura em Filologia Românica; colaboradora de várias publicações

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Corrupção condenada, quando pequena

Um militar da GNR, de 51 anos, de Ourém, foi condenado a dois anos de prisão e à pena acessória de proibição de exercer as suas funções durante o mesmo período, pelo crime de corrupção passiva para acto ilícito, tendo o colectivo dado como provado que o militar, em 22 de Junho de 2007, recebeu 100 euros para não proceder ao levantamento do auto de contra-ordenação de uma condutora que passou um sinal vermelho.

Trata-se de um acto de combate à pequena corrupção que seria desejável que o seu exemplo fosse seguido nos casos em que o volume de euros transitado poderá ter sido muitos milhares superior.

Outra reflexão daqui decorrente refere-se ao facto de o processo ter demorado dois anos a ser julgado, enquanto, por outro lado, o caso Freeport e outros de muito mais grave corrupção duram há imenso tempo e não se vê luz ao fundo do túnel.

Esta «velocidade» do andamento da Justiça deixa Portugal muito mal colocado em comparação com o caso americano de Bernard Madoff que foi julgado e condenado a 150 anos de prisão num espaço de pouco mais de meio ano.

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Lei da droga, drogada

Segundo notícia do DN de hoje, «Lei da droga alvo de mexida misteriosa», a lei da droga foi objecto de uma alteração que ninguém consegue explicar. A "mexida" aconteceu numa recente republicação integral da legislação, de 1993. O "erro" foi entretanto corrigido e classificado como "lapso fortuito".

Este «lapso fortuito» que, sendo assim lavado, amaciado, não irá causar a merecida punição ao seu autor, facto que não deixa de causar polémica no meio judicial. Não se compreende como pôde um artigo (o 40.º) ser modificado substancialmente, à margem do funcionamento normal do Poder Legislativo, o que não deveria acontecer e nem é permitido.

Vale a pena clicar aqui para ler toda a notícia.

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