A guerra estará iminente?
(Publicada no Semanário O DIABO em 26 de Dezembro de 2018)
Li, há dias. O artigo “Fukuyama enganou-se redondamente”, do Major-General Carlos Branco, no ‘Jornal Económico’. Gostei da análise elaborada, mas acho que o título é demasiado duro para o filósofo que deixou à Humanidade uma possibilidade desejável, uma sugestão e uma proposta às grandes potências, para orientarem todos os seus projectos e planos no sentido da Paz e da Harmonia universal.
Mas, infelizmente, os destinos dos Estados não estão em mãos de competentes e com boa formação ética, e nada as levou à rejeição dos maus instintos primários da vaidade e da ambição de poder financeiro e de imagem social de ostentação e arrogância sobre os mais fracos.
O maior obstáculo surgiu logo após a II Guerra Mundial quando, com a aparência de uma estranha interpretação de democracia, foi criada a ONU, com um Conselho de Segurança em que, entre 193 parceiros, foi dado poder ditatorial a 5 (cinco), que se consideraram vencedores da II GM, a quem é permitida a arrogância de serem membros permanentes do CS, com direito a veto. Isto significa que nada poderá ser decidido para bem da paz mundial sem a concordância destes cinco imperadores.
Uma decisão tomada sem que a maioria dos restantes membros se tivesse oposto, foi a imposição da “desnuclearização” a todos os Estados, excepto aos cinco. Não se pode pôr em dúvida o enorme perigo do emprego de armas nucleares, principalmente após as modernizações e aumentos de potência que têm recebido. Mas, como qualquer lei, esta decisão devia ter sido geral e obrigatória, devendo os cinco dar o exemplo, destruindo as que tinham, de forma bem testemunhada por grupos de cientistas nomeados pelo conjunto dos restantes estados membros da ONU, com liberdade ilimitada para observação de todos os possíveis esconderijos e com a máxima segurança, para dar credibilidade ao assunto. Mas os cinco não caem nessa e, daí, a conclusão do artigo atrás referido de que a próxima guerra mundial pode ocorrer dentro em pouco, dada a agressividade já em curso entre os poderosos, quer com ofensas verbais quer com ostentação de poderio militar.
Perante esta aberração, em ambiente que pretende ser democrático, a Coreia do Norte quis evidenciar tal erro e mostrou ter direito a ter uma arma nuclear. Por esta denúncia da anormalidade atrás referida, feita por este pequeno país sem grande poder financeiro, bem merecia o Prémio Nobel, não pelo fabrico da bomba mas pela atitude de evidenciar a caricata decisão do Conselho de Segurança com discriminação entre os cinco e os restantes, Se a arma é perigosa nas mãos dos outros, não o é menos na mão de cada um dos cinco.
Não esqueçamos as ameaças à Coreia do Norte, com exercícios militares de grande poderio nos mares seus vizinhos. Não devemos esquecer: a “bomba mãe de todas as bombas”, recentemente explodida pelos EUA no Afeganistão, sem depois serem referidos quaisquer efeitos benéficos de tal arrogância; a Guerra contra o Iraque e a Líbia, com efeitos altamente nocivos para ambos estes Estado que ainda não recuperaram; os bombardeamentos à Síria com apoio da Grã-Bretanha e da França a pretexto de pretenso uso de gases tóxicos; as saídas ostensivas da América dos acordos de Paris, do Tratado Norte-Americano de Livre Comércio (NAFTA), do acordo comercial com a China, do acordo nuclear com o Irão, etc. E, pelo outro lado, não esqueçamos o recente agravamento entre a Rússia e a Ucrânia, e a criação de uma completa base aérea russa na Venezuela, na proximidade dos EUA. Qualquer guerra pode eclodir devido a qualquer erro de interpretação e pequeno incidente.
As convulsões sociais que estão a ocorrer no Ocidente, consequentes da “ideologia de género” e completa e artificial igualdade de todas as pessoas, podem complicar todas as análises e vir em apoio da conclusão retirada no referido artigo. ■
António João Soares
11 de Dezembro de 2018
quarta-feira, 26 de dezembro de 2018
A GUERRA ESTARÁ IMINENTE!
Publicada por
A. João Soares
à(s)
06:40
3
comentários
Etiquetas: diálogo, guerra, negociação
terça-feira, 15 de maio de 2018
PASSOS PARA ELIMINAR A VIOLÊNCIA
Passos para a eliminação da violência
(Publicado no semanário O DIABO em 15-05-18)
Na última Páscoa fui presenteado com motivos de felicidade. Não posso dizer que foi um prémio, mas foi um estímulo para perseverar na utopia que teimei em expor em 8 artigos entre 01Nov20116 e 06Fev2018, de que irei escrevendo os títulos sublinhados. Comecei por afirmar que a paz é o bem maior e cheguei ao ponto de sentir que há perspectivas de a violência diminuir. De repente, chegaram notícias que me provam não estar errado, como a de que a China considera que o diálogo facilita a convergência e, para isso, «comprometeu-se com o Vietname a manter a paz no mar do Sul da China». E também defende que deve haver negociação em vez de guerra e, para isso, «propõe cedências à Coreia do Norte e ao EUA para amortecer a crise».
Também a Coreia do Norte se mostra consciente de que bom entendimento gera harmonia e paz e, nessa ordem de ideias, «Kim Jong-un deu passos decisivos para estabelecer a paz com o vizinho do Sul. E, por seu lado, a Coreia do Sul, aceitando que a paz é um bem apreciável, «propõe a contenção nos jogos de guerra anuais dos EUA e da Coreia do Sul», para terminar com provocações, ameaças de violência, e troca de ofensas pessoais entre Trump e Kim Jong-un e os riscos que daí poderiam advir.
Foi importante para as duas Coreias a realização dos Jogos Olímpicos de Inverno na Coreia do Sul, que proporcionaram a participação do Norte e criaram um ambiente de apaziguamento entre as duas. No dia 27 de abril, houve o encontro histórico entre o líderes norte-coreano, Kim Jong-un, e sul-coreano, Moon Jae-in o primeiro em 11 anos, em que foi declarada a desnuclearização da península coreana.
Está previsto para breve o encontro entre o Presidente dos EUA e da Coreia do Norte. Este momento histórico será um grande passo em frente dadas as decisões já tomadas por este Estado.
E do Médio Oriente, onde a guerra tem sido persistente, veio a notícia de que a Síria, por acordo entre o Governo e uma fação islamita, tornou possível que «Mais de mil pessoas abandonassem Ghouta oriental nas últimas horas» poupando-as aos efeitos das operações seguintes. Foi um sinal de que a Síria consciente de que a violência gera mais violência, ódios e vinganças, procurou dar segurança a pessoas inocentes e criar condições mais adequadas a uma vida mais segura e salutar.
Estas referências a notícias recentes, não significam que são efeito dos meus artigos. Longe disso. Poucas pessoas os lerão e, quanto a políticos, não querem perder tempo que precisam para preparar a propaganda para as eleições seguintes. Mas a minha utopia pretende apenas contribuir para os cidadãos normais se convencerem de que a guerra e a violência devem ser evitadas, e a Humanidade (eu e os meus leitores) deve reagir a tais tentações mefistofélicas.
Um exemplo maravilhoso e encorajador veio há dias da América em que jovens estudantes reagiram, de forma muito ordeira, visível e convincente, contra a violência brutal sofrida nas escolas e vinda de pessoas mal-formadas portadoras de armas que usam de forma irracional. Dessas manifestações surgiu a iniciativa para a alteração da legislação de uso e porte de armas e já há notícias de que casas fornecedoras de tais meios de violência iam fechar por baixa do negócio. Será desejável que os detentores de cargos com funções ligadas à segurança dos cidadãos assumam a sua responsabilidade de acabar com tudo o que constitua perigo para as pessoas pacatas e sossegadas.
Gostava de ver mais «lunáticos» a defender esta ideia e a difundi-la à semelhança dos jovens estudantes americanos e do próprio Papa Francisco.
António João Soares
8 de Maio de 2018
Publicada por
A. João Soares
à(s)
14:12
0
comentários
Etiquetas: diálogo, guerra, negociação, paz, violência
quarta-feira, 1 de março de 2017
O DIÁLOGO FACILITA A CONVERGÊNCIA
«O diálogo facilita a convergência»
(Publicado em O DIABO de 28 de Fevereiro de 2017)
O diálogo facilita a convergência para as grandes decisões. É frequente ouvir e ler alguns políticos mais esclarecidos que referem a necessidade de reformas estruturais na Administração para fazer face ao crescimento da economia, à melhoria da qualidade de vida das pessoas e à harmonia social. Para isso, é preciso não alimentar as pequenas divergências, que até ocorrem nas famílias e nos pequenos clubes. Dialogando, pode conseguir-se a convergência nos pontos essenciais, abrir horizontes e alargar as vistas para o desenrolar de soluções bem analisadas, planeadas e promissoras de resultados benéficos para o Futuro de Portugal, numa época, que cada vez se antevê mais confusa. Para sobreviver num futuro imprevisível, é preciso encaminhar bem os passos e «festejar» cada acto correcto e, a partir dele, continuar a avançar racionalmente na busca de soluções para os mais altos objectivos. Todos seremos poucos para as grandes convergências no essencial. Quem, em vez de colaborar, na medida do possível, se deleitar em lançar areia na engrenagem, não pode ser considerado patriota, pois não passará de um inimigo do colectivo.
O diálogo, as conversações, são uma ferramenta indispensável par a transparência democrática. Merece ser citada a disponibilidade do PR, do PM e do ministro das Finanças para esclarecer o caso da CGD que tantas tricas e acusações maldosas levantou na oposição com perda de tempo que seria melhor empregue na análise dos problemas essenciais em sectores como a economia, a saúde, a educação, a justiça e a situação dos mais carentes de apoio social.
Também tem significado a visita realizada pelo Secretário Geral da ONU, António Guterres a cinco países do Médio Oriente, região onde a população tem sido tão martirizada pela violência e tantos refugiados tem originado. Oxalá seja produtiva esta tentativa de estimular o diálogo e a negociação em vez da guerra e deve ser levada a cabo adequada ajuda humanitária aos refugiados que tiveram de abandonar as suas casas para procurar refúgio seguro noutras terras.
Mas o diálogo para resolver pequenos desentendimentos exige humildade para ouvir os desabafos dos outros e fazer cedências a fim de convergir para uma solução aceite pelas partes. Não estão preparados para o diálogo e a negociação aqueles que acreditam fanaticamente nas suas próprias virtudes, que confiam obstinadamente na sua racionalidade e caem na arrogância de considerar que têm o exclusivo da verdade, da bondade e da compaixão. Estes caem por sua própria responsabilidade, porque enfraquecem, porque se dividem, porque perdem tempo e energias com quezílias idiotas e porque deixam que o sistema político perca de vista as populações.
Um caso típico de erro, por recurso à força ocorreu recentemente no Estado Espírito Santo do Brasil, onde apenas mais de uma semana depois de iniciada a paralisação da polícia e do recurso a militares do Exército, foi iniciada a conversação com os causadores dos distúrbios que tiraram a vida a mais de 100 pessoas e destruíram e vandalizaram lojas, haveres e outros tipos de património. O diálogo devia ter sido utilizado logo que os polícias se queixaram da sua situação, a qual nem sequer devia ter chegado ao ponto crítico se as hierarquias tivessem o cuidado de observar e analisar com humanidade e sensatez os pormenores antes que se tivessem tornado insuportáveis. Comandar ou governar não pode limitar-se a ser mandar, impor e exigir obediência.
No diálogo, deve ser tida em atenção a transparência e o respeito pela própria imagem e credibilidade, para o que não convém mentir nem deixar dúvidas sobre a verdade das afirmações proferidas, o que parece não ter acontecido nas diversas sessões de âmbito parlamentar a propósito da baralhada e das tricas sobre o problema da CGD.
Nos antípodas do diálogo bem intencionado e construtivo estão uma gotas de veneno, sob o pretexto de memórias, lançadas contra o legítimo chefe do Governo a quem, nas suas funções, devia ser garantida serenidade para reflectir nos complexos problemas nacionais, ser dado apoio e sugestões para poder gerir da melhor forma os interesses nacionais para bem dos cidadãos. Sendo o tempo um recurso irrecuperável, é pena ver como está a ser desperdiçado com tricas e peixeiradas.
A João Soares
21 de Fevereiro de 2017
Publicada por
A. João Soares
à(s)
04:48
0
comentários
Etiquetas: convergência, diálogo, entendimento, harmonia
terça-feira, 22 de novembro de 2016
PALAVRAS; PROMESSAS OU FANTASIAS ?
Palavras, promessas ou fantasias?
(Publicado em O DIABO em 22 de Novembro de 2016)
Trump, após saber o resultado das eleições, falou de coisas construtivas como «sarar as feridas da divisão» e disse que estende a mão à orientação e ajuda daqueles que não votaram nele, para poderem trabalhar juntos e unificar o seu grande país. Disse que, sem deixar de colocar os interesses da América à frente, vai procurar parcerias e evitar o conflito. Não posso deixar de me congratular por as suas intenções coincidirem com a filosofia de convivência universal que aqui tenho defendido repetidamente.
Mas as minhas palavras, sendo de um simples cidadão, sem responsabilidades especiais, não podem, por si só, originar acções conducentes à concretização de boas intenções. Mas, num governante, será bom que tais palavras sejam fruto de adequado estudo e análise e possam ser semente de decisões e projectos práticos e eficazes para bem do seu povo e da humanidade.
Por isso, ficamos à espera de ver notícias sobre as medidas que reforcem a união de todos os americanos em torno dos seus interesses nacionais e que sejam extensivos e benéficos para a harmonia mundial, através de diálogo franco e sincero que reforce a tolerância mútua e a cooperação, fazendo uso de eficaz actividade diplomática para a progressiva eliminação de guerras e outros tipos de violência, a fim de que todas as pessoas passem a viver em paz e com bem-estar.
Embora toda a pessoa deva dar aquilo que lhe for possível para tal tarefa social, como não dispõe de poder, de capacidade de influência suficiente, as iniciativas mais eficazes têm de vir dos Estados mais poderosos, de posse de informações e de pareceres e sugestões vindas de todos os recantos do planeta, porque é em tais potências que a humanidade tem os olhos fixos para lhes imitar as virtudes.
Porém, a julgar pelas palavras proferidas durante a campanha eleitoral, começa mal em relação ao seu vizinho do Sul, México, a Cuba, à Europa, ao Médio Oriente, etc. É certo que os EUA estavam habituados a influenciar a segurança de muitos Estados menos poderosos, o que lhes dava despesas, mas também daí lhes vinha, como contrapartida, a maior capacidade internacional em comparação com outras potências de mais reduzida influência. Se agora passam a distanciar-se de antigos aliados e protegidos, estes passarão a ceder ao «namoro» que lhes será feito pela Rússia, pela China ou outros Estados emergentes da sua área, o que resultará na redução do poder de influência dos Americanos e poderá levar ao endurecimento de hostilidades ou, no mínimo, a redução do bom entendimento internacional.
Esperemos que Trump seja assessorado por pessoas sabedoras e sensatas a fim de evitar fracassos do seu bom intento de engrandecer o seu país e de reforçar a paz e a harmonia mundial. Será desejável que haja orientação e ajuda para que todos os Estados membros da ONU possam trabalhar juntos e criar o tão desejado ambiente de paz, harmonia e progresso. Por exemplo, seria maravilhoso ver uma mudança do género propor a todos os detentores de Armas Nucleares a desactivação de todas as existentes. E, para não haver um ou mais aldrabados, seria constituído um grupo de trabalho com técnicos de todos esses países e, numa primeira fase, desactivariam 10% das existentes num e depois noutro e noutro; depois voltavam ao primeiro e continuavam, com mais 10% para não haver um que ficasse sem nada e os outros depois desistissem e ficavam poderosos e outros sem nada. É que, se houver um louco que lance uma arma, o que for alvejado responderá mais fortemente e o efeito será a aniquilação da vida no planeta. HAJA QUEM, PACIFICAMENTE, CONSIGA DESACVTIVAR TODAS ESSAS ARMAS.
A João Soares
16 de Novembro de 2016
Publicada por
A. João Soares
à(s)
21:30
3
comentários
Etiquetas: conversação, diálogo, harmonia, negociação, paz
segunda-feira, 1 de agosto de 2016
EM PAZ E HARMONIA CONTRA ÓDIOS E VIOLÊNCIAS
O Papa Francisco aconselhou a não criar ódio a outras religiões por actos hediondos que pessoas sem maturidade nem civismo cometem em seu nome.
Esta posição está em consonância com a atitude sensata da comunidade muçulmana de Saint-Etienne-du-Rouvray, na Normandia, que «recusa proceder à cerimónia fúnebre e ao enterro de um dos terroristas que levou a cabo um atentado numa igreja local» em que, dentro do templo, degolou um sacerdote. «O jihadista não terá direito a ser enterrado como muçulmano.
“Não vamos manchar o Islão com essa pessoa. Não vamos participar nem na higiene mortuária, nem no enterro”, afirmou Mohammed Karabila, presidente da associação cultural muçulmana da região.»
Na sua essência, não há religiões que defendam crimes. Quanto ao terrorismo, há que, com urgência, estudar as causas e circunstâncias a fim de evitar ou, no mínimo, reduzir a frequência com que estão a ocorrer.
O Mundo tem que iniciar a preparação dos diplomatas para fomentar e desenvolver a paz a fim de evitar a violência de terrorismo e de guerras. É altura para a humanidade aprender a viver em harmonia e diálogo, sem ambições exageradas, nem ódios nem agressões violentas. Substituam isso pela competição desportiva.
Publicada por
A. João Soares
à(s)
11:19
2
comentários
domingo, 29 de junho de 2014
COMO SE DOMINA A FERA
Lição a aprender pelos políticos. O êxito consegue-se COM O POVO e não CONTRA O POVO. Pelo POVO, ao lado do POVO e não hostilizando-o.
Publicada por
A. João Soares
à(s)
06:52
0
comentários
Etiquetas: consenso, convergência, convicção, diálogo, sem força
quarta-feira, 25 de junho de 2014
O OPOSTO À JUNTA DE BOIS
Foto realizada por A.Gomes. Não considero seguro que se quisesse referir ao conflito entre os dois Antónios!!!
Publicada por
A. João Soares
à(s)
10:03
0
comentários
Etiquetas: consenso. colaboração, diálogo, entendimento
domingo, 6 de abril de 2014
COMO SE DOMINA A FERA
Uma lição para os do Poder:
Publicada por
A. João Soares
à(s)
11:38
0
comentários
sexta-feira, 8 de novembro de 2013
CONSENSO POR PORTUGAL?
Quando há um objectivo colectivo, ou nacional, exige a colaboração activa de muita gente, muitas instituições. No caso de objectivo nacional como é o da Reforma do Estado, todos os partidos políticos, os parceiros sociais e outras colectividades, devem colaborar no seu estudo, nas possíveis soluções para cada sector, com uma adequada metodologia de preparação da decisão, mas não devem ser obrigados a corresponsabilizar-se, a consentir em soluções que contrariem gravemente as suas convicções e ideologias.
O consenso é uma espécie de compromisso voluntário, negociado, um conluio, uma conivência, uma cumplicidade, pelo que tudo deve iniciar-se precocemente no estudo do problema, na listagem das possíveis hipóteses de solução e na escolha da que for considerada mais adequada. Trata-se de trabalho de equipa com muito diálogo franco, com cedências e compromissos. A negociação e as cedências mútuas consubstanciam sentido de Estado, sentido de responsabilidade, patriotismo e espírito de missão. Por isso é estranho o que representa o título da notícia PSD quer obrigar PS a participar na comissão de reforma do Estado, o qual faz compreender a resposta lógica do principal partido da oposição e que constitui potencial alternância de governo “Não assinaremos cheques em branco”, diz António José Seguro, com a explicação de que Seguro demarca-se de um novo programa com a natureza do actual. Assim se criou uma crispação indesejada num tema cujos efeitos se devem suceder durante muitos anos ou mesmo décadas e, por isso, naturalmente, Governos de diversos partidos, o que justifica que a Reforma seja obra conjunta de vários partidos e força públicas.
O pedido de negociação dum consenso, devia ter começado antes da elaboração do «guião» já apresentado publicamente pelo Governo. Agora, a chamada da oposição cheira ao desejo de aprovação e aplauso e não a uma corresponsabilização consciente e construtiva do documento final. Foi por erro semelhante que fracassou o «compromisso de salvação nacional» desejado pelo PR na sua comunicação de 10 de Julho.
Ninguém pode exigir que outro se corresponsabilize por uma decisão já tomada e publicamente divulgada, com que não concorde integralmente.
Imagem de arquivo
Publicada por
A. João Soares
à(s)
22:05
2
comentários
Etiquetas: consenso, diálogo, negociação
sexta-feira, 9 de agosto de 2013
«IRÃO ESTÁ PRONTO PARA O DIÁLOGO»
Transcrição de notícia seguida de NOTA:
Presidente do Irão garante estar pronto para o diálogo
Expresso. 22:52 Terça feira, 6 de agosto de 2013 Liliana Coelho
Hassan Rouhani diz esperar um diálogo construtivo com os EUA sobre o programa nuclear.
O presidente do Irão, Hassan Rouhani, garantiu hoje que o país está disposto a iniciar conversações "sérias e substantivas" com o Ocidente sobre o programa nuclear.
"Como presidente do Irão, eu anuncio que a república islâmica está determinada a resolver este assunto e a pôr fim às preocupações do outro lado, desde que os direitos do povo iraniano sejam preservados", afirmou Hassan Rouhani, citado pela CNN, na primeira conferência de imprensa no palácio presidencial do Teerão.
"Estamos determinados e prontos para iniciar sérias e substantivas negociações com o outro lado, se estiverem preparados como nós. Estou confiante de que as preocupações de ambos os lados acabarão durante as negociações, num período não muito longo", acrescentou.
Segundo o governante iraniano, se os Estados Unidos demonstrarem "boa-vontade" e "respeito" pelo Irão estão criadas todas as condições para o diálogo. Hassan Rouhani defendeu, contudo, que as sanções internacionais são desnecessárias e contraproducentes.
"As sanções e as ameaças são sempre uma sombra sobre as negociações e nós poderíamos resolver as velhas queixas num ambiente de paz e calma", afirmou.
A eleição de Hassan Rouhani, um clérigo moderado, de 64 anos, veio reforçar a ideia de que o Irão parece querer finalmente resolver este impasse.
NOTA: Esta afirmação demonstra que não é utópico nem despropositado o tema desenvolvido em
NEGOCIAÇÃO E DIÁLOGO EM VEZ DE GUERRA e nos diversos posts nele linkados
O Irão pode iniciar uma era de recuperação da sua grandeza histórica da antiguidade, do Império Persa, de Ciro o Grande, no século VI aC.
Alguns eventos:
- Nabucodonosor II da Babilônia conquistou o Reino de Judá
- Os persas derrotaram os medos sob o comando de Ciro II
- Os persas conquistaram a Babilônia e libertaram os hebreus
- Os persas derrotaram os egípcios na Batalha de Pelusa
- Revolta depôs o último rei etrusco de Roma.
- Pérsia tomou controle da Fenícia.
- Abecásia é colonizada pelos gregos antigos.
- Surgimento da Filosofia Ociental.
Curiosamente, esta notícia vem num momento importante devido a posição parecida do Papa Francisco acerca da «revolução social global».
Imagem de arquivo
Publicada por
A. João Soares
à(s)
10:33
2
comentários
Etiquetas: diálogo, Irão, negociação, Nuclear, Pérsia, sanções
quarta-feira, 7 de agosto de 2013
NEGOCIAÇÃO E DIÁLOGO EM VEZ DE GUERRA
Olhando agora para o passado, embora lamentando a trágica morte de tantos milhares de pessoas durante a guerra e neste acto final, a forma brutal como ela terminou, verifica-se que o bom-senso dos homens fez que fosse extraída uma lição, embora ainda imperfeita, da catástrofe. E quando um desastre serve de lição pode dizer-se que ele não foi inútil, pois ainda não voltou a haver uma guerra tão mortífera como a II Guerra Mundial que tinha sido precedida por outra também muito dura. O que é lamentável é que ela não tivesse sido evitada.
Há males que trazem o benefício de melhorar a mente humana e oxalá esta lição perdure e evite que apareça outra guerra, agora com armas mais letais e, portanto mais trágicas. Mas, infelizmente, embora com incidência geográfica mais limitada, o mundo ainda não pode gabar-se de viver em paz.
Como seria bom que as pessoas, principalmente os governantes, se habituassem a resolver os pequenos conflitos pelo diálogo e a negociação em vez de usarem a selvajaria da guerra. E para isso a prevenção deve agir ao menor desentendimento antes que ele inche e ecluda. Se a negociação directa entre os implicados nem sempre é possível, deve recorrer-se a mediadores e, para isso nada mais apropriado do que as Nações Unidas Estou esperançado que o Papa Francisco consiga dar uma volta à humanidade através de uma Revolução Social Global, que desperte as consciências das pessoas com mais poder na Humanidade.
Sobre este tema sugiro a leitura de:
- Dia Internacional da Paz
- Ausência de autoridade internacional. ONU ineficaz
- A crise deve ser estímulo para nova etapa de civilização
- ONU. Qual o seu papel nas Coreias?
- Médio Oriente e ajuda humanitária !!!
- Qualquer guerra é uma tragédia evitável
- Pela paz, todo o esforço é útil
- O Quarto Reich. A guerra pode ter já recomeçado
- A paz do mundo sujeita a irresponsáveis
- EUA preferem a diplomacia à guerra com o Irão
- ONU Paz e Justiça Social global
- A guerra do futuro ???
- Vulnerabilidades da ONU
- Paz. Ocidente. Continentes. Futuro
- Negociação em vez de guerra
- Conflitos evitáveis
- Terceira Guerra Mundial? A quem interessa?
- A hipótese de guerra nuclear não desapareceu
- A Paz pelas conversações
- A Paz como valor supremo
- Guerra a pior forma de resolver conflitos
- Relações internacionais mais pacíficas?
- Diálogo em vez de guerra
- O Mundo pela Paz
- A Paz é possível
- A guerra do futuro ???
- Coreia pode ser detonador
- Próxima Guerra Mundial. Sinais de perigo
- Excesso de confiança pode matar
- Eliminação das armas nucleares
- Qualquer guerra é uma tragédia evitável
- ONU, crise e paz internacional
- A Paz no Mundo será possível?
- Paz pela negociação
- Conversações em vez de Confronto
Imagem de arquivo
Publicada por
A. João Soares
à(s)
11:55
2
comentários
segunda-feira, 29 de julho de 2013
PAPA FRANCISCO ENSINA
Preceitos do Papa Francisco, no Brasil, retirados de notícias da Comunicação Social
Diálogo
"Entre a indiferença egoísta e o protesto violento, há uma opção sempre possível: o diálogo. O diálogo entre as gerações, o diálogo com o povo, a capacidade de dar e receber, permanecendo abertos à verdade".
Sentido ético
Aos presentes (responsáveis políticos, culturais, económicos, sociais e líderes e de outras religiões), o Papa pediu que fossem “firmes sobre os valores éticos”. "O futuro hoje exige reabilitar a política. O sentido ético é um desafio sem precedentes".
"É impossível imaginar um futuro para a sociedade, sem uma vigorosa contribuição das energias morais numa democracia que evite o risco de ficar fechada na pura lógica da representação dos interesses constituídos".
Justiça social
“Queria lançar um apelo a todos que possuem mais recursos, às autoridades públicas e a todas as pessoas de boa vontade comprometidas com a justiça social: não se cansem de trabalhar para um mundo mais justo e solidário. Não é a cultura do egoísmo, do individualismo aquela que constrói e conduz a um mundo mais habitável, mas sim a cultura da solidariedade.”
“Nenhum esforço de pacificação será duradouro, não haverá harmonia e felicidade para uma sociedade que ignora, que deixa à margem, que abandona na periferia parte de si mesma.” Sublinha: “Porque somos irmãos, ninguém é descartável.”
"Eles vendem o justo por dinheiro, o indigente, por um par de sandálias; esmagam a cabeça dos fracos no pó da terra e tornam a vida dos oprimidos impossível". "Os gritos por justiça continuam ainda hoje",
Jesus junta-se ao silêncio das vítimas da violência que não podem gritar, sobretudo aos inocentes e àqueles que estão desamparados”, referiu, acrescentando: “Jesus une-se às famílias que estão em dificuldades, que choram a morte dos seus filhos ou que sofrem, vendo-os presos em paraísos artificiais, como a droga”.
“Jesus une-se também a todas as pessoas que sofrem de fome num mundo que a cada dia joga no lixo toneladas de comida”, afirmou.
“Jesus une-se àqueles que são perseguidos pela sua religião, pelas suas ideias, ou simplesmente pela cor da sua pele”.
Corrupção
Jesus “se une aos numerosos jovens que não confiam nas instituições políticas, porque vêm egoísmo e corrupção”.
Recado para os jovens que “muitas vezes se desiludem com notícias que falam de corrupção”: “não percam a confiança” porque “a realidade pode mudar, o homem pode mudar”.
Papel dos jovens
“Transmitir aos nossos jovens os valores que farão deles construtores de um país e de um mundo mais justo, solidário e fraterno”.
A juventude é “um motor potente para a Igreja e para a sociedade”.
“Por favor, não deixem que outros sejam os protagonistas da mudança, vocês são os que têm o futuro, através de vocês entra o futuro no mundo".
"Peço-lhes que sejam construtores do futuro e se envolvam no trabalho por um mundo melhor". Essa mudança tem de começar por cada pessoa.
Animou por isso os jovens católicos para que continuem a “superar a apatia” e lutem pela mudança nos seus países.
Os jovens “querem ser um terreno bom, cristãos a sério, não querem ser cristãos pela metade, nem ‘engomadinhos’" nem "cristãos de fachada, mas sim autênticos”.
As novas gerações sejam "protagonistas da história" e "construam um mundo melhor, um mundo de irmãos".
“Os jovens nas ruas querem ser actores de mudança. Por favor, não deixem que sejam os outros os actores da mudança. Não fiquem à margem da vida, não foi [à margem] que Jesus permaneceu. Ele comprometeu-se. Comprometam-se tal como fez Jesus!”
“O vosso jovem coração quer construir um mundo melhor. Sigo as notícias do mundo e vejo tantos jovens que saem à rua para exprimir o seu desejo de uma civilização mais justa e fraterna”.
Os jovens devem combater a “apatia e oferecer uma resposta cristã às inquietudes sociais e políticas que surgem nas diferentes partes do mundo”. “Peço-vos que sejam os construtores do futuro.”
Ídolos efémeros.
“É verdade que hoje as pessoas experimentam o fascínio de tantos ídolos que se colocam no lugar de Deus e parecem dar esperança: o dinheiro, o poder, o sucesso, o prazer”. “Frequentemente, uma sensação de solidão e vazio conduz à busca dessas compensações, esses ídolos passageiros”. “Mas tenhamos uma visão positiva sobre a realidade”.
“Sei que vocês não querem viver na ilusão de uma liberdade que se deixe arrastar pelas modas e as conveniências do momento. Sei que apostam em algo grande, em decisões definitivas que dêm pleno sentido”.
Imagem de arquivo
Publicada por
A. João Soares
à(s)
18:21
0
comentários
Etiquetas: Corrupção, diálogo, ética, Francisco, ídolos efémeros, jovens. futuro, justiça social
segunda-feira, 22 de julho de 2013
AS CRISES DEVEM SERVIR DE LIÇÃO E DE VACINA
A crise política. embora esteja ainda à espera de remodelação do Governo, parece que já pode considerar-se terminada, depois de três semanas de «paragem» da actividade governativa.
O que se esperava e o que esteve na causa do falhanço do Compromisso de Salvação Nacional?
A conclusão do processo mostrou que o objectivo esperado não era realista. O interesse de Portugal é coisa que parece estar muito distante dos ideais dos partidos políticos que estão habituados a colocar os seus próprios interesses à frente de tudo, com o olho nas próximas eleições. E se, em conversa, podem referir os interesses nacionais, eles são sempre vistos como eventual resultado da aplicação das suas normas ideológicas e não estão dispostos a contrariar estas, declaradamente. Basta serem esquecidas quando os interesses particulares de políticos, ou interesses de oportunidade do próprio partido os levem a manobras heterodoxas.
E, apesar do muito que se tem ouvido, pois ser político tem muito de papagaio, difícil de fazer calar, não têm faltado afirmações que virão a ser relembradas em momentos futuros adequados mas que, se bem interpretadas, pouco ou nada esclarece.
Mas peneirando toda essa poeira ou fumaça, poderá concluir-se que, por um lado, o Governo não podia aderir com sinceridade ao diálogo proposto pelo PR. Não podemos esquecer que, repetidamente, dizia que as suas soluções dos problemas estavam correctas e iriam para a frente «custe o que custar, não aceitando propostas e sugestões da oposição, nem a indignação de manifestantes ou de grevistas nem reclamações e sugestões de parceiros sociais, etc. Estas atitudes de arrogância e de «quero, posso e mando» não podiam augurar bons resultados de qualquer simulação de diálogo.
Pelo outro lado, o partido da oposição, depois de tantas sugestões e propostas apresentadas na AR terem sido recusadas, deverá ter alimentado a vã esperança de ver agora o Governo fazer um ajustamento do rumo por forma a se aproximar da redução da austeridade e do alívio dos sacrifícios dos portugueses mais indefesos e, por isso, depois do desprezo de dois anos, persistiu nas suas normas ideológicas e nos seus ideias de democracia. Assim se deu um duelo entre guerreiros demasiado couraçados contra as armas do adversário e nenhum se sentiu forçado a fazer cedências, como seria lógico em qualquer negociação normal e interessada em atingir um objectivo comum: o de unir esforços para a Salvação Nacional, coisa que parece desconhecerem totalmente.
Esta simples tentativa de destrinçar a meada não responde a grande parte das dúvidas, principalmente as de mais pormenor. Deixo aos intelectuais meticulosos que completem a análise mas sem aumentar a complexidade dos nós e contra-nós do emaranhado que confunde as pessoas de boa-fé.
E façamos uma prece para que os portugueses com responsabilidades na governação aprendam a lição da crise e esta sirva de vacina, para melhores decisões no futuro.
Imagem de arquivo
quinta-feira, 23 de maio de 2013
ELITES IGNORAM A CRISE QUE ALIMENTAM
Transcrição de artigo seguida de NOTA:
A crise e as elites
Correio da Manhã. 22-05-2013. Por: Eduardo Dâmaso, Director-Adjunto
O discurso dominante sobre a crise penaliza o povo que viveu acima das suas posses.
Ora, tanto o discurso como a crise foram criados pelas elites que atravessam os partidos e todos os outros poderes, formais ou informais, que se entretêm em Conselhos de Estado inócuos, opacos, sem o respeito social devido às instituições e às pessoas que realmente trabalham contra a crise.
Com estas elites – muito parecidas com as que viviam confortáveis no domínio filipino –, Portugal não enfrenta nem o presente nem o pós-troika. Têm uma visão tutelar sobre o povo que julgam conhecer mas, na verdade, estão a léguas do País, da rua e das soluções necessárias à modernização da economia.
NOTA: As elites lusitanas não cessam de mostrar a sua alta competência, como no caso do deputado que apelidou a geração dos seus pais, tios e avós de «peste grisalha» e um outro, candidato a autarca, que usa de xenofobia e racismo contra os que não são adeptos do seu clube de futebol e os trata de «magrebinos». Mesmo que aleguem distracção ou brincadeira, dão uma triste ideia daquilo que são e prestam muito mau exemplo a uma Nação que pode encontrar na união a sua força para vencer a crise.
Imagem de arquivo
Publicada por
A. João Soares
à(s)
17:47
0
comentários
Etiquetas: competência, dedicação sensatez, Democracia, diálogo, patriotismo
segunda-feira, 4 de março de 2013
Governo tem de mudar de rumo
Apesar de Passos Coelho ter dito que o país está na direcção certa, O professor Marcelo diz que Passos devia admitir que Governo tem de mudar de rumo. Segundo o professor, «o primeiro-ministro em vez de discutir a mudança de rumo no meio do temporal disse como é que vai ser Portugal depois do temporal». E disse mais «Eu acho preferível sempre pôr as cartas na mesa e dizer que isto mudou na Europa e em Portugal e por isso temos de mudar algumas coisas. Só lhe ficava bem dizer isso, admitir que é preciso mudar de rumo, e só perde com o não fazer».
Confirma que Passos é muito teimoso, o que vem reforçar aquilo que tem sido aqui referido por diversas vezes como se pode ver numa rápida visita aos posts mais recentes.
Imagem de arquivo.
Publicada por
A. João Soares
à(s)
16:13
0
comentários
Etiquetas: diálogo, governar, rumo, transparência, verdade
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013
Verdade e competência ou o quê?
Encontramo-nos numa situação muito crítica em que os eleitos têm que se concentrar, com todas as suas capacidades, na vida dos portugueses. Governar é isso. Mas agora a sensibilidade da situação exige que se mexa nos problemas com pinças, que se olhe para os problemas quase simultaneamente com microscópio e com binóculos, para dar atenção aos mínimos pormenores, sem perder de vista os objectivos distantes com todos os factores internos e externos.
Para isso, os partidos devem deixar de se entreter e desperdiçar energias com tricas entre si, e devem unir esforços para bem de Portugal, para encontrar a melhor solução, a melhor estrutura do Poder e da administração pública, a todos os níveis, etc. Nisso é interessante ver que o Ministro da Defesa desafia secretário-geral do PS a debater reforma do Estado e que Seguro desafia Passos Coelho para debater alternativa para o país, pois será bom que todos colaborem na preparação da Reforma do Estado que deve ser efectuada para durar algumas décadas sem necessidade de recuos e avanços que desnorteiam os cidadãos e os leva a desprezarem os políticos e cantarem a Grândola. Oxalá estes desafios não sejam apenas jogos florais como as guerras do alecrim e da manjerona.
O país está em crise e não suporta mais erros. É preciso que surjam, sem demora, decisões globais e sectoriais, progressivas, bem estudadas, com a colaboração de pessoas capazes, idóneas, isentas e conhecedoras dos problemas do pais (dos portugueses). A situação tem piorado imparavelmente como mostram os seguintes artigos:
- Gaspar reconhece que desemprego será ainda maior
- António Borges: Falta de equidade leva a sentimentos de revolta
- António Borges critica desigualdades na repartição dos sacrifícios
- Desemprego dispara, défice derrapa, dívida cresce e crescimento encolhe
- Marcelo: "Persistir na atual solução é suicida"
- Marcelo Rebelo de Sousa diz que vai ser mais difícil ao governo ganhar as eleições em 2015
- "Zigue-zague" de Gaspar "retira confiança à política"
- Seguro faz duras críticas às políticas de austeridade do Governo
Mas apesar deste quadro nada calmante, surgem notícias que mostram a persistência no voluntarismo, na teimosia obsessiva, na crença de que ideias são realidades que resolvem problemas sem que «haja acção eficaz, que mostram desprezo pela realidade e desconhecimento dos maus resultados das medidas tomadas nos 20 meses que empobreceram a população não abastada, criaram desemprego, paralisaram a economia, encerraram empresas, etc. Essas notícias centram-se na seguinte: Passos Coelho: País está na direcção certa.
Homem honesto não diria uma coisa que não é suportada por qualquer indicador da realidade, não condiz com os textos atrás referidos. Homem inteligente teria mais cuidado em captar a confiança das pessoas de forma mais aceitável. Se a direcção está certa quando se verificam os dados referidos no título desta notícia, tem que se concluir que o objectivo para que ela conduz será o mais profundo abismo de onde não há regresso. Ora, não creio que Passos queira, conscientemente, levar os portugueses para um suicídio colectivo, logo será absolutamente necessário dar umas guinadas no volante e mudar de direcção para evitar o buraco. Gerir é como conduzir um carro, não se pode fixar o volante e cruzar os braços, pois é preciso corrigir a direcção a cada instante.
Por outro lado, se durante 20 meses temos vindo a sofrer crescentes sacrifícios sem que se tenha obtido qualquer melhoria, qualquer resultado positivo e compensador, não podemos esperar que a mesma equipa consiga inverter os resultados, pois a receita está a ser a continuação do uso do mesmo tóxico, maas agora em dose reforçada. Isso não cura dos efeitos negativos do tratamento anterior com dose mais ligeira. Só pode agravar.
Também não parece sensato desprezar os sinais que chegam do descontentamento, da indignação popular, como se vê pelo título da notícia Passos defende que protestos "não são representativos da sociedade portuguesa”.
Será que os responsáveis esperam por um milagre? Ou será que em vez de serem cumprimentados pelo som de uma canção popular passem a ser por outro som diferente e de efeitos mais dolorosos? Estamos numa encruzilhada difícil que exige competência nas decisões e verdade na informação dirigida aos cidadãos. E devem ser tomados em consideração, nas devidas proporções, todos os sinais dele advindos.
Imagem de arquivo
Publicada por
A. João Soares
à(s)
10:21
2
comentários
Etiquetas: apelo, Democracia, diálogo, Grândola, indignação, manifestação, protesto
domingo, 24 de fevereiro de 2013
Grândola para mais governantes
Depois de Passos Coelho, Miguel Relvas, Paulo Macedo, Paula Teixeira da Cruz, Vítor Gaspar, foram contemplados com o som da canção «Grândola Vila Morena, o ministro Álvaro Pereira e os secretários de Estado Franquelim Alves e Sérgio Monteiro.
Os portugueses estão a tomar gosto por esta música, e os governantes devem rever o seu estilo com que tratam os assuntos que afectam os cidadãos, porque o que custa é começar e, depois, pode aumentar o risco de o som vir a ser diferente. E, nestas coisas, mais vale prevenir, porque, às vezes, já não é possível remediar…
Imagem de arquivo
Publicada por
A. João Soares
à(s)
10:28
0
comentários
Etiquetas: apelo, Democracia, diálogo, Grândola, indignação, manifestação, protesto
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013
Miguel Macedo ouviu «Grândola»
Trinta pessoas entoam Grândola na chegada de Miguel Macedo à Guarda
Público. 22/02/2013 - 19:07. LUSA
O ministro da Administração Interna, Miguel Macedo, foi hoje recebido na Guarda com vaias e ao som de Grândola, vila morena, por cerca de 30 manifestantes, momentos antes de entrar na biblioteca municipal, onde participou numa palestra.
A palestra sobre “Automóvel, turismo, segurança – desafios do futuro” está integrada nas comemorações dos 40 anos do programa radiofónico Escape Livre e dos 65 anos da Rádio Altitude.
Os manifestantes estavam identificados como elementos da comissão de utentes contra as portagens na A23, A24 e A25, da União dos Sindicatos da Guarda e do Sindicato dos Professores da Região Centro.
“Está na hora do Governo ir embora” foi uma das palavras de ordem usadas pelos manifestantes, para receber Miguel Macedo.
NOTA: O ministro Miguel Macedo está a aumentar a lista onde já constam Passos Coelho, Miguel Relvas, Paulo Macedo, Vítor Gaspar e Paula Teixeira da Cruz. Dizia o PM Pinheiro de Azevedo que «o povo é sereno», se não houver por parte do Governo um gesto apaziguador, com esclarecimento sobre a situação do País, as medidas a tomar e o porquê de serem essas e não outras, as manifestações podem deixar de ser folclóricas e serenas para usarem outras ferramentas mais perigosas.
Imagem de arquivo
Publicada por
A. João Soares
à(s)
21:49
2
comentários
Etiquetas: diálogo, manifestação Grândola
Ministra não muda agenda
Na reunião de Paula Teixeira da Cruz, ministra da Justiça com a comissária europeia Viviane Reding no Hotel da Quinta das Lágrimas, em Coimbra, ocorreu interrupção por cidadãos que cantavam "Grândola Vila Morena", de Zeca Afonso, à semelhança do que já acontecera com Passos Coelho, Miguel Relvas, Paulo Macedo e Vítor Gaspar.
A Srª ministra reagiu com serenidade e disse que não muda agenda nem se choca com "Grândola".
Plagiando uma frase de Henrique Monteiro, «sempre que ouvimos as razões do outro lado, descritas com racionalidade e calma, mudamos um pouco. [Pelo contrário,] sempre que as ouvimos no rugir de uma guerra de palavras, enquistamos no nosso preconceito». Espero que a Srª ministra, tenha também aprendido alguma coisa com aqueles portugueses que, a cantar, expressaram o seu apelo.
É lógico que no momento não pudesse decidir fazer qualquer mudança na sua agenda. Mas não deve afirmar que não a muda porque isso pode enquistar a indignação que motiva o cântico, e deve utilizar o apelo da população como incentivo a rever as suas decisões e a preparar melhor as que se seguem. A condução da política deve ser uma actualização permanente tal como a condução de um carro em que o volante é accionado a cada momento a fim de não sair da estrada que o conduz ao objectivo, ao destino da viagem. Não teria ficado mal à Srª Ministra dizer que vai analisar os problemas que tem em mão a fim de escolher as soluções mais correctas em relação aos interesses dos portugueses.
Imagem de arquivo
Publicada por
A. João Soares
à(s)
18:16
0
comentários
Etiquetas: diálogo, Grândola, manifestação, serenidade
sábado, 22 de dezembro de 2012
Greves. Porquê tantas ?
Ultimamente, apesar de a situação de crise aconselhar a aumentar a produtividade, em benefício da economia nacional, isto é, do aumento do bem-estar dos portugueses, tem-se usado e abusado das greves, algumas que nada prejudicam os causadores do mal-estar, mas que provocam sérios incómodos aos inocentes utentes dos serviços públicos.
A notícia intitulada Tribunal intima administração da RTP a reunir-se com trabalhadores sugere meditação sobre as relações entre trabalhadores e entidades patronais.
Primeiro a interrogação: porque será que, dizendo-se que estamos em democracia, essa reunião entre administração e trabalhadores não teve já lugar, de forma espontânea, sem ser necessário a imposição do tribunal? A resposta não pode afastar-se da qualidade dos administradores e gestores de instituições e empresas públicas e ou dependentes de dinheiro público.
Geralmente, salvo eventuais excepções, eles não ocupam os cargos por reconhecida competência técnica e de liderança, mas apenas por troca de favores, compadrio, cumplicidade ou conivência com os detentores do Poder político. Como estão ali para receber um bom salário e pouco ou nada sabem, não têm possibilidade de dialogar com os representantes dos trabalhadores.
Por estas razões, o diálogo, que deve ser uma análise das realidades e dos pontos de vista dos litigantes e consta de cedências de ambas as partes para encontrar o ponto de entendimento, nunca é concludente, porque há um grande desequilíbrio entre as capacidades das partes dialogantes: dum lado, está o sindicato, com profundo conhecimento dos problemas em litígio, e experiência de argumentação, obtida ao longo de anos de luta. Do outro lado, está o administrador sem a mínima capacidade, interessado em agradar ao Poder para manter o tacho, com a agravante de usar da arrogância devida ao apoio que a política lhe concede, e não está disposto a fazer cedências. O resultado é o sindicato suspender a fantochada das negociações e ir para a greve.
A greve constitui o último degrau da escalada de conflito entre a entidade laboral e a entidade patronal, como a guerra o é nos conflitos entre Estados. Muitas vezes a guerra é dispensada por ter havido acordo, em diálogo directo ou por intermédio de mediadores aceites pelos dois lados. No diálogo há sempre cedências de ambas as partes, as quais são maiores ou menores conforme a capacidade de diálogo, os argumentos utilizados pelas partes.
Há dias, um amigo salientava a ausência de greves nas instituições militares, mas há uma explicação para isso. É uma questão da reconhecida competência e valor da autoridade patronal, neste caso dos comandantes das unidades e da instituição. Entre os militares, normalmente o comandante, pela sua preparação inicial e continuada, a experiência adquirida ao longo do tempo de serviço, o ascendente que tem sobre o pessoal e, porque não, a disciplina por todos assumida, compreendida e aceite, tornam desnecessária a greve. Esta só poderá acontecer com a conivência do comando contra a tutela política (só em situação pré-revolucionária).
O militar, desde os primeiros postos, aprende o trabalho de equipa e a compreensão dos subordinados, por forma a que no combate, quando olhar para os lados e para trás veja que os seus colaboradores estão consigo e não se encontra isolado em frente do inimigo.
Nas empresas com características públicas ou municipais, os responsáveis, muitas vezes, não possuem saber, sensibilidade e experiência para liderar a equipa em cuja chefia foram colados artificialmente.
Imagem de arquivo


