sábado, 1 de maio de 2021

COMO RECUPERAR A NORMALIDADE DEMOCRÁTICA

(Public em DIABO nº 2313 de 30-04-2021 pág 16 por António João Soares) ~

O Chega, com os votos adquiridos nas eleições presidenciais, assustou o PS que estava a agir contra a normalidade democrática, com o esbanjamento do dinheiro público em benefício dos muitos ocupantes de cargos públicos desde o governo megalómano, aos observatórios e outras invenções, camufladas apenas com vantagem para os “boys” e as “girls” sem capacidade para obter emprego normal, e o “deixa andar” da lavagem de dinheiro e da corrupção e outras irregularidades toleradas por juízes das simpatias dos notáveis afeiçoados ao PS.

 Esse susto agravou as dificuldades da democracia e, agora, com a numerosa manifestação nacional, em Lisboa em 18 de Abril, contra a pretendida ilegalização do partido do deputado André Ventura, o sobressalto tornou-se mais desagradável para o PS. Realmente tal partido, com o seu índice de engrandecimento, pode alterar de sobremaneira o actual regime, pressioná-lo a combater a corrupção e evitar o esbanjamento do dinheiro público, saído dos bolsos dos cidadãos mais desfavorecidos.

Mas que solução menos má pode ser aplicada pelo actual poder para garantia de melhor segurança da população, nos seus direitos, liberdades e garantias?

À falta de melhor, será preferível deixar o povo decidir sobre a continuação do Chega. Já chega de tanto esbanjamento do dinheiro sacado aos cidadãos com a vida mais difícil e mais desprotegidos das “amizades” dos donos do poder, que o aplicam em benefício de novos-ricos e do maior enriquecimento daqueles que já o eram e viviam principescamente.

Não é por acaso que o PR considera que “já se esperou tempo demais para criminalizar o enriquecimento injustificado”.

Já há quem compare o regime de Costa à actual anormalidade da Venezuela. Mas se a intenção de ilegalizar o partido de Ventura for para a frente, há que temer a reacção popular que pode ser violenta. Nada dura sempre e a sonolência tolerante e o despertar forçado podem produzir demasiados estragos.

A prudência aconselha ao cumprimento das boas regras de ética, da moral, do civismo, traduzidas no devido respeito pelas pessoas que constituem a nação multissecular.

A manifestação em apoio do Chega foi mantida em bom recato o que mostra a qualidade de educação dos seus simpatizantes. Mas, se o partido for ilegalizado, depois de terem sido permitidos pequenos partidos que não se apoiam em perfeita organização, nem conseguiram suficiente apoio popular, nem líderes eleitos por significativa quantidade de votos, então, será de recear uma reacção violenta, proporcional ao vasto apoio popular de dia 18.

Como observador independente e neutro, tenho verificado que o líder do Chega tem dado provas suficientes do seu valor como representante dos cidadãos, bom analista de várias situações preocupantes, sem promessas, nem fantasias exageradas, evidenciando valor para defender e liderar muitos portugueses.

Os votos obtidos nas eleições presidenciais e a quantidade de pessoas de todo o país que participaram na manifestação constituíram uma expressão muito significativa.

As diferenças de ideologias e mesmo de simples opiniões devem ser convenientemente conduzidas por argumentação civilizada, de forma educada, orientada para o interesse nacional, em vez de violências, mesmo que apenas verbais. Do diálogo podem ser aproveitadas ideias positivas que contribuam para um futuro mais agradável para os cidadãos poderem beneficiar de segurança, progresso e justiça social. Em suma, para o desenvolvimento do país dos pontos de vista económico, cultural, social e outros.

Cada português tem o sublime dever de contribuir para um Portugal melhor e este texto, como muitos outros que já publiquei, procura contribuir para tal objectivo. O somatório de opiniões dos bons portugueses, se bem aproveitadas são um manancial inesgotável para a definição da rota estratégica para uma boa recuperação da nova imagem do país que, em tempos idos, “deu novos mundos ao Mundo”. ■


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sexta-feira, 23 de abril de 2021

PARA SERMOS FELIZES

(Public em DIABO nº 2312 de 23-04-2021, pág 16.Por António João soares)

Cada pessoa deve orientar a sua vida por meio de um comportamento gerador de felicidade. Esta é fruto da forma como planeamos permanentemente os actos da vida, independentemente da riqueza material, porque esta tem pouca importância na vida espiritual. Por vezes, a riqueza financeira e de outros bens materiais trazem mais preocupações do que felicidade e quando falecemos isso fica cá tudo e nem sempre para bem dos herdeiros, que não estão isentos de discórdias, por vezes dramáticas geradas pelas partilhas.

Sendo mais realistas e conscientes, concluímos que, para vivermos com felicidade, são fundamentais três factores, a amizade, a sensação de autoestima e a ausência de “stress”.

A amizade, para este efeito, não se mede pela quantidade de amigos mas, principalmente, ela é movida e engrandecida pelo bom relacionamento, harmonioso, pacífico, compreensivo, tolerante, com solidariedade, disponibilidade para dar bons conselhos e opiniões sensatas, etc. Convém saber perdoar e evitar ódios, mal-entendidos e retaliações ou vinganças que não beneficiam a desejada convivência indispensável à pretendida harmonia, em que a amizade deve ser desenvolvida.

A sensação de autoestima resulta das boas acções efectuadas habitualmente, com a precaução de serem convenientes e sensatas e de obterem bons resultados. O comportamento orientado para o bem público e a justiça social, bem como os afectos referidos no parágrafo anterior, criam em nós uma paz interior, que em muitos pode ser interpretada como vaidade, mas que na verdade é a satisfação de viver feliz. Constitui o prémio de amar os outros como a si próprio e de não viver ao acaso, mas de agir de forma bem ponderada.

 O terceiro factor, a ausência de “stress”, está ligado às decisões sensatas perante os factos menos agradáveis e, por vezes, inesperados da nossa realidade. Tudo deve ser resolvido com oportunidade e da melhor forma e, quando algo inesperado ocorre, é conveniente procurar solução lógica. Se a não conseguirmos, será melhor pôr de lado, sem enervamento, e esperar inspiração para nova tentativa.

Tenho conhecido pessoas que vivem permanentemente infelizes, atormentadas por minúsculos problemas seus e de outros, de mínima importância que, por vezes, se resolvem por si ou pelo efeito de pequenas intervenções de técnicos de saúde. Lamentar-se de pequeno mal-estar, acaba por ser um acto infantil de criança mimada que procura carinhos.

A aceitação das pequenas dificuldades e de contrariedades que ocorram na vida deve servir para tomar precauções que evitem novas ocorrências semelhantes e não devem servir para gerar um “stress” permanente, que traz graves inconvenientes e elimina a felicidade que devemos merecer.

Não quero competir com o meu amigo Armando R, que age como um autêntico apóstolo bíblico, mas sem semelhante ênfase sinto conveniência em todos procurarmos agir da forma mais correcta, segundo os bons princípios da moral social, do civismo, da solidariedade, por isso ser um contributo positivo para a paz global de que a humanidade está a necessitar, para bem das gerações futuras.

Aliás, tenho materializado estes propósitos na generalidade dos textos quetenho publicado através da “Internet”, quer neste semanário, quer em “posts” e comentários no “facebook”, nos “blogs” e na troca de mensagens pelo “gmail”.

Não uso linguagem insultuosa contra políticos ou jornalistas menos cuidadosos, procuro dar sugestões para melhorar e, quando não domíno o tema e não quero arriscar-me a sugerir, exponho dúvidas com intenção de incitar a reflexão e desenvolvimento de outras formas melhores de actuar. E os comentários elogiosos que tenho recebido reforçam, de forma muito agradável, a autoestima atrás referida como um dos três factores da felicidade. Essa minha maneira de pensar e de agir é que me levou a aproveitar o tema que originou este texto.

Aprendamos a ser felizes e a difundir felicidade em nosso redor. ■ 

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domingo, 18 de abril de 2021

O QI ESTÁ A BAIXAR

(Public em DIABO nº 2311 de 16-04-2021, pág 16. Por António João Soares)

Há psicólogos dedicados à investigação que, com base em dados estatísticos, afirmam que o QI (quociente de inteligência) está a baixar nas novas gerações, em relação às dos seus pais. Consideram que isso se deve ao actual sistema de vida social, com as gerações jovens mais isoladas, entretidas com as novas tecnologias e o uso intensivo da Internet, exigindo menos esforço de memória e de raciocínio em busca da compreensão da realidade e, por isso, com menos actividade do cérebro.

O cérebro é uma parte do corpo que, à semelhança das mais visíveis, como os músculos das pernas e dos braços, precisa de actividade e exercício para não perder energia e capacidade. Em 13-11-2020 publiquei um texto intitulado “manter o cérebro activo aumenta a longevidade” e reduz ou adia o risco de demência senil e da doença de Alzheimer. O cérebro exige muitos cuidados.

Agora, a par da referência feita no início deste texto, aparece a argumentação de que a baixa do QI se deve em grande parte ao pequeno esforço exigido ao cérebro, quer no ensino, quer nos meios da comunicação social, quer no uso do computador com a Internet e a ausência de contactos sociais, de conversas e de diálogos sérios.

Quanto ao ensino, vi há dias um conselho aos professores de crianças pequenas: não se lhes deve dizer algo que já se lhes ensinou, nem lhes ensinar algo que já têm capacidade para saber com base e dedução daquilo que já lhes foi ensinado. Assim se contribui para lhes desenvolver a memória e o raciocínio.

Mas tem havido acções governamentais, tendentes reduzir o QI dos cidadãos. É, por exemplo, o caso da reforma do alfabeto, com a eliminação de letras como o “c” e o “p”, que fazem parte da origem etimológica latina e que ainda continuam a permanecer em palavras da mesma origem usadas em alguns países europeus. Como perceber, numa leitura rápida, o significado de fato, de ação, de seção, de Egito e de egípcio. O facilitismo que pretenderam com tal eliminação contribuiu para diminuir a acção do cérebro e, portanto, para a redução da sua actividade e a consequente queda do QI.

Mas, curiosamente, ao mesmo tempo que vemos este facilitismo, notamos a manifesta vaidade dos donos do poder quando aumentaram palavras, talvez para se mostrarem eruditos ou para que o povo menos conhecedor perceba o significado de palavras que eram pequenas e agora aparecem com acrescentos desnecessários.

Como podemos compreender o ambiente em que vivemos, se nos são mostradas versões falseadas pelas vantagens do “politicamente correcto”. Como podemos compreender o funcionamento do nosso corpo se nos são impingidos medicamentos cujo interesse principal é a ganância do negócio dos grandes fabricantes à custa do consumidor. A “tintura de iodo” era um medicamento de efeito rápido para curar pequenos ferimentos mas, como era barato e não dava lucro a quem o fabricava e vendia, foi retirado do mercado e substituído por produtos de preço mais elevado, que se limitam a ir melhorando o ferimento, deixando passar alguns dias até sarar. É a intenção de preferir doenças crónicas e evitar resultados rápidos. Por exemplo, perante a actual pandemia houve uma corrida ao fabrico de vacinas, mas não houve o mesmo interesse em criar um medicamento para a sua cura. Não foi divulgado o medicamento usado em Portugal com bom resultado, nem foi muito conhecida a preparação de medicamentos no Japão e em Israel. Iriam prejudicar os ganhos de grandes produtores mundiais de vacinas.

Defendamos o nosso cérebro, mantendo-o activo até ao fim, enquanto nos for possível. Procuremos evitar a chegada do Alzheimer e da demência senil. Tal como devemos usar e exercitar os músculos e as articulações, exercitemos também a nossa mente, para não deixarmos morrer o QI. 

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sexta-feira, 9 de abril de 2021

SITUAÇÃO CLIMÁTICA

(Public em DIABO nº 2310 de 09-04-2021, pág.16.  Por António João Soares)

Há vários políticos em altas posições do poder internacional que pretendem tomar decisões sobre as alterações climáticas. É certo que as notícias recentes mostram que o clima está muito agressivo em várias partes do Mundo. Também aparecem opiniões de que a vida da humanidade é resultado dos comportamentos humanos.

Os cuidados com o ambiente acabam por ter incidência nas condições de vida local. Mas o clima surge, em todas as suas mais graves manifestações, por “decisão” da Natureza: sismos, granizo, inundações, ventos, tempestades, frio, calor, etc. 

Mas há cientistas que atribuem a maior parte desses fenómenos desagradáveis à actividade humana, pouco citada, da alteração das condições do espaço astral que nos circunda, por efeito de grande excesso das radiações electromagnéticas que recentemente têm inundado o espaço de forma muito acrescida. Os automatismos, os telecomandos e outras emissões de radiações para telecomunicações constituem um veneno que afecta todos os seres vivos de forma infelizmente muito desprezada e desrespeitada, talvez mesmo por ignorância e inconsciência. 

Disse-me há dias um cidadão bem informado que cada ponto da Terra, cada pessoa, está permanentemente a ser atingido por radiações diversas vindas de milhões de pontos do planeta ou de pequenos satélites artificiais que foram colocados a circular em redor da Terra. Em qualquer sítio, o nosso telemóvel pode receber mensagens e estas podem ter vindo de qualquer local, de onde foram emitidas, em todas as direcções. 

Os sistemas de automatismos são dotados de sensores ou radares, que emitem indiscriminadamente em contínuo. Há dias foi-me descrito um caso do Centro de Apoio Social de Oeiras, do IASFA, que dispõe de um túnel a fazer a ligação entre cinco edifícios, agora com muita utilização devido ao confinamento imposto em defesa da pandemia do Covid-19, que impede a circulação pelo exterior. 

Além de permitir o percurso entre os quartos e o refeitório, é utilizado para os diversos serviços e para o exercício físico da marcha de residentes que precisam de evitar a estagnação. Nesse corredor há uma porção de portas e de luzes que se abrem e fecham automaticamente à passagem de pessoas, o que significa que os sensores, radares, estão permanentemente a funcionar, emitindo as suas radiações electromagnéticas. Como estes, nas cidades, existem por todo o lado inúmeros casos. 

Será que os bem-intencionados que querem condicionar os climas conseguem reduzir este tipo de poluição do espaço astral? Um automóvel moderno tem vários sensores permanentemente activos (sempre que o motor está ligado) que avisam o seu condutor sempre que se aproxima, de qualquer dos lados, um corpo estranho. 

Isto significa que toda a atmosfera que nos cerca está poluída, contaminada por milhões de radiações e a Cintura de Van Allen, que é um conjunto de astros de pequena dimensão que vigiam as condições do espaço astral circundante do sistema solar, reage por “ordem da Natureza” às suas condições higiénicas. Daí as tempestades, as reacções climatéricas e as pandemias. 

É pena que a comunicação social não publique os vídeos que por vezes surgem, com palestras ou entrevistas de cientistas que se preocupam com estes temas sérios e a que devia ser dada mais atenção, devido à importância que têm para a cultura geral e para podermos contribuir de forma mais adequada para a continuidade da humanidade. Tem havido vários “entusiastas” a prometer lutar contra as alterações climáticas e, por vezes, a ignorância de políticos com elevada responsabilidade sociopolítica é chocante, por darem mais credibilidade à sueca Greta Thunberg do que a cientistas catedráticos. ■

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sábado, 3 de abril de 2021

PROCURAR MELHOR ENTENDIMENTO E HARMONIA

(Public em DIABO nº 2309 de 02-04-2021, pág 16. Por António João Soares)

Tem havido bons sinais de harmonia e tolerância entre países com ideologias ou regimes políticos diferentes. Isso não é muito difícil, nem exige sensatez extraordinária, já que acontece entre animais selvagens que convivem pacificamente, mesmo pertencendo a espécies diferentes.

Através das redes sociais da internet, tenho recebido vídeos diversos com casos que merecem ser considerados como exemplares para os humanos, especialmente entre estados considerados civilizados e respeitáveis em ambiente internacional. Mas grande parte dos responsáveis pelos governos são altamente condicionados pelo egoísmo, por interesses inconfessados e por ambição de mais riqueza, e menos pela moral, pela ética e pelo respeito pelas pessoas, esquecendo o seu próprio dever, assumido ao tomar posse do cargo, de procurar melhorar a qualidade de vida dos seus concidadãos.

Muitos destes tais carentes de capacidade e de sensatez têm desencadeado actos de violência inqualificável, usando potentes meios letais contra monumentos, edifícios religiosos, de utilidade pública, sem olhar a perdas de vidas de pessoas, sem repararem que são inocentes e inofensivas, que são transformadas em vítimas da brutalidade por gente sem a mínima sensibilidade.

Os cidadãos de países africanos asiáticos e da América Latina têm sido as maiores vítimas de tal violência selvagem. Agora, tem chamado mais atenção o agravamento da violência no Iémen, com a utilização de meios aéreos não tripulados, com o apoio técnico oferecido pelo Irão, país que parece estar com a ambição de recuperar a capacidade territorial do antigo Império Persa, uma ambição lunática, como se fosse viável recuar tantos séculos depois de a Humanidade ter dado tantas voltas, por efeito da evolução das sociedades, das culturas e das tecnologias. Para mais usando tanta brutalidade e tão destruidora de vidas humanas. O responsáveis por estas situações precisam de ser aconselhados a visitar as reservas de caça do centro de África, hoje exploradas pelos turistas e manter-se por lá o tempo suficiente para aprenderem o bom convívio entre animais muito diferentes.

Nos tempos de hoje em que já, praticamente, não há memória dos impérios Romano ou Persa, temos uma autoridade internacional respeitada por todos, a Organização das Nações Unidas, ONU, que algo tem feito para melhoria da PAZ de que os seres humanos sentem uma necessidade permanente. Mas os seus esforços não têm sido tão eficazes como é desejável. Há que reforçar os processos de terminar com o terrorismo, reduzir o risco de guerra e o emprego de armas letais contra populações pacíficas e ordeiras.

O respeito pelas pessoas e pelos seus legítimos direitos e liberdades deve constituir um dogma para qualquer detentor de autoridade. E este deve zelar para que todas as pessoas compreendam os limites dos seus direitos, de forma moral e ética, a fim de contribuírem activamente para que a vida possa ser vivida da melhor forma, para felicidade de todos.

Ninguém, nem outro estado, deve passar uma fronteira e ir impor um regime diferente contra a vontade dos residentes. Nem deve, por meios ocultos, forçar a uma mudança contra os interesses colectivos do Estado, com inconfessada intenção de o tornar uma aquisição fácil e útil.

Não é por acaso, antes por sensatez e amor ao seu país, que no Sudão, o líder do Comité Supremo para a Recolha de Armas anunciou, há poucos dias, o início de uma campanha de “recolha forçada de armas” – que se estimam em cerca de quatro milhões nas mãos de cidadãos –, a fim de desarmar a população civil e terminar com o flagelo de conflitos tribais no país.

A ONU deve tornar esta medida generalizada, de forma que só possam ser usadas armas por militares e forças policiais, de maneira moderada, bem justificada e controlada. Assim se evitarão os múltiplos actos de violência que ocorrem diariamente pelo mundo. ■


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sexta-feira, 26 de março de 2021

PENSAR NO FUTURO É INDISPENSÁVEL


 (Public em DIABO nº 2308 de 26-03-2021.pág. 16. Por António João Soares)

O ser humano vulgar, não se preocupa muito com a inovação, com a evolução, com a mudança, dando mais importância à rotina, aos hábitos, às tradições e deixando o futuro a um palpite, a uma aventura e não a uma decisão bem pensada e preparada, seguida de uma acção bem planeada. Na realidade, o acaso e a esperança na sorte originam os palpites e as falsas decisões.

Por isso gostei de aprender a metodologia para preparar a decisão e que consta no artigo que publiquei neste semanário, em 29-09-2016, pouco depois de ter sido convidado para nele colaborar.

O facilitismo e o improviso usado em muitas gestões de que costumamos esperar sentido das responsabilidades, rigor e respeito por aqueles que vão ser as vítimas das imperfeições do trabalho de preparação, só criam desilusão, desagrado e perda de respeito por quem dirige.

 Mas quando se refere “pensar no futuro” não se trata apenas de planos, programas ou projectos que se prolongam por muitos meses ou anos, pois a ideia aplica-se a qualquer tarefa de que se deseja um bom resultado. Significa que não devemos perder tempo a trabalhar ao acaso, justificando “depois se verá”. Cada passo deve ser dado com vista ao objectivo pré-definido.

Uma situação que merece ser considerada ao abordarmos este tema é a forma como as autoridades têm encarado a actual pandemia. Quase toda a humanidade se enamorou da propaganda de muitos milionários ligados à indústria químico-farmacêutica que, com os olhos no lucro, apenas falou em negócios de máscaras e vacinas. No entanto, há países que focaram seriamente o sofrimento das pessoas e pensaram em medicamentos que combatessem o mal.

Em Portugal, vários médicos confirmam, ao semanário Expresso, que têm usado a substância Ivermectina para tratar “centenas” de doentes com Covid-19 e com resultados positivos. Trata-se de um antiparasitário usado contra piolhos e lombrigas. Os médicos que a prescrevem também a tomam a título preventivo, embora não esteja aprovada pela demorada burocracia como terapêutica contra a infecção, que tem semelhanças com a gripe em complicações respiratórias.

Também o Japão acaba de anunciar a disponibilidade de Avigan, um anti-inflamatório na fase final de experiência para tratar a infecção Covid-19, já com bons resultados e que pretende disponibilizar gratuitamente aos países que o solicitarem para testes.

Mas, quanto a novos medicamentos, quando o seu preço é baixo, a grande indústria dificulta a sua venda. Os grandes capitalistas querem controlar os seus lucros. Não esqueçamos, por exemplo, a saída do mercado da tintura de iodo por ter um preço baixo e ser muito eficaz na cura rápida de pequenos ferimentos, tendo sido substituída por novos medicamentos que, em vez de tratamento rápido, apenas acompanham as melhoras fazendo adiar a cura uma porção de dias. Esses homens de negócio odeiam resultados rápidos e pretendem tornar coisas pequenas em doenças com tendência crónica.

É a sua maneira de preparar o futuro, sem olhar ao interesse dos clientes. Isto faz pensar nas excepções a esta realidade. Como numa mensagem que recebi, vinda de Israel, que enumera dez boas notícias para a Humanidade. Cada uma destas contém uma inovação no âmbito da saúde, que torna a detecção de doenças mais expedita e simples e a sua cura mais oportuna e rápida, tudo com menos intervenção de médicos e mais acção da informática.

Estas dez notícias, e outras que aparecem a citar variados aparelhos informáticos para detecção e cura de diversos males, fazem prever a redução de médicos, o que constituirá uma ameaça para o futuro de muitos jovens.

A preparação do futuro está difícil, pelo que exige muita análise, que deve ser cuidadosa e aberta à inovação, de forma bem ponderada e olhando para todos os factores reais e potenciais.

A apatia deve ser posta de lado e a tolerância deve ser bem ponderada. ■


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sexta-feira, 19 de março de 2021

RESPEITAR A NOSSA HISTÓRIA

Respeitar a nossa história

(Public em DIABO nº 2307 de 19-03-2021, pág 16, Por António João Soares)

 Portugal foi grande no mundo, mas não conseguiu manter a sua posição.

Do contacto dos nossos navegadores com a China, esta arrancou para o desenvolvimento e tem continuado em ritmo acelerado. Mas, pelo contrário, no Ocidente temos verificado um adormecimento, ou um exagerado repouso, no gozo de êxitos obtidos, esquecendo a conveniência de os continuar e tornar extensivos a novas situações e oportunidades, para bem das gerações vindouras. Em Portugal não se conseguiu evitar a queda nas listas em relação aos outros países, onde temos vindo a baixar de nível económico. Esta nossa queda tem sido aproveitada por jovens que se consideram “donos da verdade absoluta”, para condenar todos os nossos valores, história e tradições, esquecendo os pontos altos e dignificantes do passado, que errar é humano e que tais erros ocasionais não devem eliminar os actos positivos que dignificam a nossa história e devem ser motivo de orgulho dos nossos compatriotas.

Um dos pontos altos da nossa história, além de termos sido o farol que ajudou a despertar a China para o seu desenvolvimento, é a referência ao facto, citado pelos historiadores recentes, de que Portugal foi o autor das condições básicas para a criação da globalização, ao dobrar o Cabo das Tormentas, depois denominado da Boa Esperança, que permitiu a ligação entre o Atlântico e o Índico ou, na prática, entre a Europa e o Oriente, dando “Novos Mundos ao Mundo”. Este nosso passo histórico, e o conjunto de outros com ele relacionados, deve ser recordado com prazer, vaidade e orgulho das coisas grandiosas da nossa História. E não devemos pactuar com migrantes sem vergonha que nos pretendem enxovalhar e que se comportam como colonialistas que nos querem privar do nosso património histórico, das nossas tradições e valores éticos e chegam ao ponto de dizer que “deve ser morto o Homem Branco”.

E ao falarmos da História, não devemos limitar-nos aos séculos mais antigos. Pois é curiosa a comparação feita por alguns escritores entre o pós-25 de Abril e igual período anterior. Até 1974, não havia dívida externa e foi deixado um bom pecúlio, que depois foi esbanjado sem deixar rasto e substituído por dívida, por crises que obrigaram a ajuda externa, como na solução da criada pelo Governo de Sócrates. No período anterior enriqueceu-se o património público, criando-se hospitais, estabelecimentos de ensino superior, escolas primárias em muitas aldeias, palácios de Justiça em muitas cidades, novos quartéis militares e instalações para forças de segurança e bombeiros, construíram-se pontes, estradas, etc. E depois? Houve aumento de impostos e o benefício daí resultante foi mais emprego nos governos, em ministros, secretários de Estado e inúmeros “boys” e “girls” das jotas, cuja vantagem foi reduzir o desemprego de quem não tinha preparação para se empregar, e que obtiveram amizade com pessoas interessadas nos seus favores como intermediários. Assim, se aumentou a corrupção.

O esbanjamento, com 119 observatórios e outros tachos parecidos, sem utilidade visível, chegou ao ponto de alguém do PS pedir o encerramento de observatórios para desenvolvimento, por custo exagerado e ausência de resultados.

A reeleição do PR e a actual responsabilidade do PM na gestão da EU devem ser aproveitados pelos mais altos responsáveis para aperfeiçoarem os actos públicos na preparação das decisões oportunas para corrigir muitas coisas erradas e organizar as funções públicas, de forma a tornarem- -se menos burocráticas, com menos gastos, com mais rapidez e eficácia, enfim, mais úteis aos interesses nacionais. Para este efeito, será necessário que o sistema de controlo garanta correcta execução, a todos os níveis, das decisões tomadas, evitando duplicações e corrupção, com o máximo respeito pelos interesses dos contribuintes, isto é, do interesse nacional. ■


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sexta-feira, 12 de março de 2021

RESPEITO PELO PASSADO

Sem respeito pelo passado não há futuro

(Public em DIABO nº 2306 de 12-03-2021, pág 16. Por António João Soares)

A loucura de brincalhões inconscientes e irresponsáveis, que querem destruir a História e os monumentos que respeitam e honram a memória dos heróis que tornaram Portugal no “maior” País ocidental, que deu novos mundos ao Mundo, fazem-nos pensar seriamente, nesse período de glória e compará-lo com a miséria actual, em que estamos na cauda da Europa. Houve alguém com sabedoria e amor ao seu povo que contribuiu para que o mundo desse um grande passo em frente, para que o saber que estava concentrado na Europa se expandisse para lá dos oceanos.

A própria China, que vivia numa antiguidade adormecida, totalmente artesanal, despertou para o saber do Ocidente, após o contacto com os portugueses, e deu os primeiros passos para a ciência, a arte e a cultura, de forma tão consciente e resiliente que não mais abrandou a velocidade do seu avanço e, agora, está no auge da vida científica, tecnológica e económica mundial. Permitam que cite do artigo no Diabo de 05-06-2018: “A China que cresceu como Império do Meio, ... e que procurou a defesa pacífica, bem traduzida na Grande Muralha para evitar a invasão pela Mongólia. Depois, aproveitou a abertura ao Ocidente, originada pelos portugueses, e conseguiu ser hoje uma potência comercial de grande importância em todo o mundo, sem ter necessidade de usar violência nem o poder de armas de grande poder destrutivo do agrado de outras potências”.

Mas acerca da destruição do monumento aos descobrimentos, houve um humorista que sugeriu a substituição das fisionomias dos 16 heróis que nele constam pelas de políticos actuais. Foi um incentivo muito interessante que nos leva a pensar na comparação desses antigos heróis nacionais, ali representados e venerados ao longo de cinco séculos, com os de hoje que não durarão muitos dias na mente dos futuros portugueses e nunca com saudades – a dívida pública, a ausência de obras públicas e de melhorias das vidas dos cidadãos, além das vendas de instituições públicas e das promessas da continuidade do empobrecimento – que não serão motivadoras de veneração pelos vindouros.

O passado não deve ser repetido cegamente, porque os factores dos diversos acontecimentos são diferentes, mas os sistemas de gestão merecem ser bem observados. É imprescindível saber analisar os problemas actuais e procurar a solução mais válida, que deve ser decidida com coragem e convicção, para ser seguida pelos portugueses. Depois de bem analisado o problema e escolhida a melhor solução, será tomada a decisão, são organizados os recursos necessários à acção, é elaborado o planeamento e programadas as tarefas. E, após iniciada a acção, é indispensável o controlo eficaz do qual pode resultar a necessidade de ajustamentos, para cuja decisão deve ser utilizada a metodologia igual à inicialmente empregue, por forma a não se perder o rumo que conduz à finalidade pretendida.

Agora, ao contrário dos nossos antigos heróis da época gloriosa dos descobrimentos, os nossos decisores mais destacados só sabem fazer promessas, ou nem isso, e esperar que um milagre lhes traga solução para as suas funções ou o acaso as venha resolver. Esperam que a “continuidade” dos actuais declínio e degradação receba o benefício de um milagre que livre os vindouros da fome e da miséria.

Para a ilusão de inconscientes e imaturos pode ser que esperem que, depois de substituídas as fisionomias do monumento dos descobrimentos, continue a haver quem o queira destruir. Mas esse prémio não significa que detentores de poder ali representados desapareçam. Para isso só uma eutanásia bem argumentada em termos de “excepção”, mas mesmo esta só costuma ser aplicada se beneficiar a partidocracia.

O passado não deve servir para cópia, porque a mudança faz parte da Natureza, mas deve servir de lição para a metodologia da estratégia e da preparação da decisão. ■

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quarta-feira, 10 de março de 2021

Problema da GROUNDFORCE

VÁRIO CAMINHOS para resolver o problema da GROUNDFORCE

O PR está a cumprir a sua grande promessa, a da continuidade. Tudo na mesma como dantes. Fala de vários caminhos! Mas na realidade é preciso trabalhar apenas um, o melhor. Mas há gente a mais para manter a continuidade, 4 pessoas interessadas nos vários caminhos PR, PM, Min e SEstado. Gente a mais que não consegue escolher o melhor caminho dos vários existentes. Mas os portugueses estão mais interessados em resultados das decisões tomadas do que na continuidade das indecisões. Dessas estamos cansados e inconformados.

https://ionline.sapo.pt/artigo/727410/groundforce-varios-caminhos-estao-a-ser-trabalhados-?seccao=Dinheiro_i

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sexta-feira, 5 de março de 2021

«BULLYING» NA VIDA SOCIAL

(Public em DIABO nº 2305 de 05-03-2021, pág 16. Por António João Soares)

 O “bullying” tem sido citado na vida escolar como a manifestação de alunos menos classificados, roídos pela inveja do êxito dos mais estudiosos e que obtêm melhores classificações. Ultimamente, este fenómeno tem-se estendido a outros grupos sociais, como aconteceu na campanha das eleições presidenciais em que a candidata Ana Gomes se queixou, usando o termo, de palavras desagradáveis de rivais na actividade da campanha.

Agora, já pensando na campanha para as autárquicas que, por estarem distantes, evidencia-se que os partidos pensam principalmente em manter-se no poder e pouco se interessam pelos problemas nacionais, embora muitos sejam graves e já façam classificar a situação actual de declínio ou degradação, mas perante as eleições, os menos seguros e tendo receio de que o Chega possa repetir o seu crescimento tido nas presidenciais, estão já a procurar destruir o valor dos seus militantes, numa autêntica manifestação de “bullying”, em que tudo é válido para tentar afastar os votos dos seus eleitores.

Como referia no artigo, publicado em 12 de Fevereiro, em que defendia que a melhor propaganda dos partidos seria “agir para Portugal e não contra os partidos rivais”, não acho inteligente nem funcional, a manobra de destruir a imagem de militantes de outros partidos, sem olhar a meios, de um partido cujo valor é tal que eles se sentem por ele ameaçados. A vitória deve ser encontrada através da apresentação de ideias construtivas, de planos de acção que conduzam à melhor resolução dos graves problemas que atravessamos. Depois, os eleitores, devidamente esclarecidos sobre os vários planos e de os considerarem realizáveis por quem os promete, escolherão o melhor candidato.

Isto seria verdadeira democracia, com seriedade e honradez, própria de país civilizado. Mas a inveja vem habitualmente dos menos válidos, como é característico do “bullying” e criam maus hábitos que se vão expandindo e criando o tal declínio que se tornará de difícil retrocesso. Em vez de serem beneficiados por mostrarem mais valor, procuram obter benefício de malandragem da destruição prévia do moral e do valor dos indesejados adversários.

Mas a intimidação, mesmo que pouco agressiva, quando direccionada repetidamente contra alvos específicos pode afectar a personalidade, a reputação e a habilidade da vítima

Um caso curioso é a notícia de que o professor japonês de fisiologia ou medicina, Dr. Tasuku Honjo, prémio Nobel, apresentou aos media uma comunicação dizendo que o vírus corona não é natural. Se o fosse ele não teria afectado o mundo inteiro, indiferente aos climas, temperaturas e outras condições naturais. E terminou dizendo que se o que ele disse se revelar falso agora ou depois da sua morte, o governo do seu país pode lhe retirar o seu prémio Nobel.

Transcrevi a notícia com toda sua argumentação científica, num e-mail, e recebi uma resposta que transcrevo: “Nos tempos que correm, todas as notícias que causam sensação e perplexidade valem dinheiro. Seu valor é directamente proporcional ao número de pessoas que (supostamente) as vão ler... Sendo assim, tudo vale para se ‘inventarem notícias’ que possam causar muitas partilhas nas redes sociais... e ‘se tornem virais’. Quanto a esta notícia, eu não acredito na sua autenticidade porque não foi confirmada pelo ‘mainstream científico’”.

Sobre isto a minha reacção em e-mail a médico amigo foi a seguinte: “Aquilo que o prof. Doutor Dr Tasuku Honjo, prémio Nobel afirma com argumentação científica é credível e dificilmente contrariado, pelo menos por tipos como … que comentou antes, mas sem contrariar nenhum dos argumentos do Professor. Foi um comentário sem a mínima consistência que não valoriza minimamente quem o tentou fazer”.

Com comentários assim se pode iniciar um “bullying”, no ambiente em que este Nobel vive!!!


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sexta-feira, 26 de fevereiro de 2021

VIVER É MEXER

 (Public em DIABO nº 2304 de 26-02-2021. pág 16. Por António João Soares)

 Quando alguém tem um desmaio, as pessoas que tentam a reanimação ficam felizes quando a vêem fazer qualquer movimento. Por isso tem soado mal quando se ouve dizer que Portugal deve ser governado na continuidade. Mas quando se encontra a sofrer de inacção, hesitação, estagnação, etc. não está vivo e há que fazê-lo mexer, para viver.

A vida exige acção e esta deve ser racional, inteligente, sensata, principalmente quando se tem responsabilidade perante outros. E a vida não pode significar promessas, mesmo que bem intencionadas. Precisa de acção com resultados positivos, o que nem sempre acontece. Mas, por vezes, vemos empresários que fazem perfeito uso deste conceito.

Li há pouco que a empresa Trim NW dispõe de linhas de produção de têxteis  destinados à indústria automóvel e que, com o enfraquecimento do negócio devido à pandemia, decidiu dedicar algumas das suas linhas de fabrico à produção de “não-tecido” de batas hospitalares, dada a grande procura destes produtos no socorro aos muitos infectados com o Covid-19 que têm acorrido a hospitais e outros postos de socorro.

Em poucos meses, teve resultados muito animadores, ao ponto de ter chamado pessoal que tinha suspendido por falta de trabalho e de ter aumentado as vendas, quer no País quer em exportação. A empresa adaptou-se às necessidades de prevenção da pandemia, por forma a não ter que parar a produção habitual. As condições de trabalho foram muito condicionadas, apenas se mantendo na oficina o pessoal indispensável; aquele que se dedica a trabalho burocrático actua em teletrabalho, em condições protegidas de eventual contágio. Os lucros são compensadores, apesar do curto período de tempo a funcionar.

Esta posição de gestor deve ser seguida por todo o responsável por empresa ou instituição. Deve ser permanente a observação do desenvolvimento do negócio, ajustar o funcionamento aos factores internos e externos por forma a não deixar enfraquecer os resultados. E tomar as melhores decisões, incluindo a alteração das prioridades e a adopção de aproveitamento de novas oportunidades que surjam.

Neste caso, tinha havido dispensa de pessoal, mas ao surgir a possibilidade de o fabrico de “não-tecido” poder continuar a funcionar e com mais actividade perante a necessidade surgida na actividade da saúde pública, houve a decisão inteligente de chamar o pessoal dispensado e de estruturar o trabalho de forma segura quanto a contactos perigosos e de atender os clientes nacionais e estrangeiros. E com estas alterações, em pouco tempo, os resultados financeiros foram animadores.

Não conheço a empresa nem os seus proprietários, mas, ao saber do caso, pensei neste bom exemplo a seguir pelos governantes neste período de crise pandémica e no imperioso esforço de recuperação para a época seguinte. Quem tem responsabilidade de governar, deve ter saber e também sabedoria, que são coisas diferentes. O saber é constituído pela ciência aprendida na escola e nos livros e traduzida num diploma que nem sempre é algo de confirmado na prática, até porque a sua aquisição pode ter sido enganosa ou pouco apoiada por boa reflexão e realismo. A sabedoria é um dom que nos permite olhar para a realidade de forma prática e ajuda a discernir qual a melhor atitude a seguir e adoptar nos diferentes contextos da vida. Quando assente em bom saber e em observação dos bons exemplos das realidades práticas, constitui uma garantia de eficiência prática inquestionável.

Por isso, considero que os bons factos como o atrás referido devem ser do conhecimento de todos os verdadeiros detentores da sabedoria ou a isso candidatos.

Com pessoas dotadas de sabedoria, ou a humildade de quererem adquiri-la, esta pandemia podia não ter chegado ao estado a que chegou nem haver tantos confinamentos, nem aldrabices nas vacinas, nem tantos estados de emergência, nem tanto prejuízo na economia, nem tanta mentira e promessas falsas. ■


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sexta-feira, 19 de fevereiro de 2021

GRANIZO, UM RISCO DA NATUREZA

(Public em DIABO nº 2303 de19-02-2021, pág 16. Por António João Soares

Cada actividade tem os seus riscos e deve saber viver com eles, procurando reduzir os incómodos. Vivi os meus primeiros 18 anos na proximidade da agricultura e cedo aprendi como acontecem fenómenos naturais e os seus efeitos desagradáveis. O granizo forma-se pelo movimento vertical das nuvens; subindo estas para altitudes gélidas, a humidade congela, torna-se mais densa do que o ar e despenha-se em grãos ou pedras de granizo ou saraiva que podem ir de tamanho de poucos milímetros de diâmetro a pedras de 20 cm que, ao caírem, provocam estragos consideráveis em telhados, automóveis ou aviões e na agricultura e fruticultura. As pedras maiores podem atingir grande velocidade na queda, sendo altamente destrutivas.

Há pouco, li a notícia de que 12 deputados preparam o texto de uma resolução da AR com o pedido ao Governo de apoio para a instalação de sistemas anti-granizo e tornar mais resiliente o sector da fruticultura face a tais fenómenos atmosféricos. Não havia no texto nada que esclarecesse sobre tais sistemas, mas presumi que se tratava de fazer cobertos que conseguissem que as pedras fossem paradas antes de estragarem a fruta. Como não havia referência a opinião de técnicos, pareceu-me uma ideia imatura defender a cultura de fruta em recintos fechados para não haver acesso do granizo. Tal fruta, sem sol nem outros efeitos atmosféricos, seria intragável.

Como fazer a prevenção, em tempo útil? Na Idade Média, em aldeias da Europa, pessoas tocavam os sinos nas igrejas e davam tiros de canhão para alertar a população da aproximação de uma tempestade de granizo. Depois da Segunda Guerra Mundial, a Rússia passou a usar o método da semeadura de nuvens para afastar e eliminar a ameaça de granizo, e chegou a anunciar uma redução de 50 a 80% nos danos em colheitas provocados por granizo, aplicando iodeto de prata através de foguetes e obus de artilharia. Mas esses resultados não foram verificados. Mais tarde houve programas de supressão de granizo empreendidos em 15 países entre 1965 e 2005. Porém, até o momento, nenhum método de prevenção se provou eficaz.

Parece não ser possível garantir com uma antecedência útil para se proceder a cuidados de defesa de áreas em perigo. Os meteorologistas usam diversos tipos de radares que identificam se o conteúdo de uma nuvem é água ou se é granizo, mas essas observações exigem cálculos complexos de algo que pode acontecer dentro de poucos segundos ou minutos, portanto sem dar tempo para serem tomadas medidas de protecção.

Perante a complexidade deste fenómeno natural, parece positiva esta preocupação dos 12 deputados, mas será conveniente que dialoguem serenamente com cientistas da meteorologia antes de lançarem o Governo em actividades sem saber o que estão a fazer, o que pretendem, os resultados desejados e a probabilidade de, com isso, obter algum benefício para os agricultores de produtos vantajosos para a contabilidade nacional, quer para consumo interno quer para exportação.

Como disse no início, é imprescindível quando se inicia uma actividade, procurar os riscos inerentes a cada mini-sector com que vamos deparar, aprender a viver com eles e, a cada momento, procurar reduzir os incómodos surgidos. O risco de granizo é um fenómeno natural fora da limitação pela capacidade humana. Mas felizmente raramente assume dimensão de alta perigosidade. Assisti a uma tempestade que se desenrolou numa faixa de largura de pouco mais de 100 metros mas que, em alguns quilómetros, destruiu quase toda a vegetação que ali havia. Porém, algum tempo depois, a vida estava a continuar, depois de alguns pequenos ferimentos terem sarado e de terem sido reciclados os restos de árvores e outros vegetais destruídos. ■

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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2021

AGIR POR PORTUGAL E NÃO CONTRA PARTIDO RIVAL

(Public em DIABO nº 2302 de 12-02.2021, pág 16. Por António João Soares)

Nas guerrilhas interpartidárias, desperdiça-se muita energia e tempo a dizer mal dos rivais, quando seria mais sensato e produtivo apresentar e defender argumentação em defesa dos próprios planos e dos resultados desejados para bem de Portugal, e deixar ao povo, aos eleitores, apreciar qual é a solução que preferem e que é mais merecedora do seu voto.

 Não se obtém vantagem em dizer mal do outro mas, sim, em explicar os benefícios que virão para o povo e o País da concretização do próprio plano. A esperança num Portugal daqui a 10 ou 20 anos depende e será mais atraente através de uma descrição empenhada, explicada pelos autores de um plano do que através de ataques verbais e verrinosos aos militantes de partidos rivais. Saibamos olhar para os problemas nacionais e raciocinar pela sua resolução e esboço de inovações para procurar a melhoria da qualidade de vida da população.

As rivalidades entre esquerdas e direitas, desde as presidenciais, padecem desse defeito de perder tempo, energias e oportunidades em vez fazer algo de útil e construtivo. Seria muito mais útil apresentar aos eleitores alternativas adequadas aos resultados desejados pelos cidadãos bem pensantes e independentes de qualquer sector partidário.

Qualquer dos novos partidos recentemente aparecidos vieram com propósitos de ficar por muito tempo. Podem ter ideologias aceitáveis e do gosto de velhos cidadãos mas a que falte o pormenor, o dom de atrair os menos informados e mais realmente interessados na solução prática das dificuldades que sentem na vida diária. Além destas explicações, para os simples eleitores, são indispensáveis, especialistas do aparelho político, com saber e experiência para se imporem ao povo como agentes divulgadores dos valores a defender na prática.

Cada partido pode dar as tonalidades que lhe aprouver, mas os objectivos estratégicos devem ser muito semelhantes quanto a respeito pela história e tradições, de forma a facilitar a escolha pelo eleitor. A volumosa abstenção sugere que a maioria silenciosa e moderada, tal como os dotados de informação mas descrentes das capacidades objectivas e inovadoras, sejam estimulados a decidir-se, perante os claros argumentos que são apresentados como determinantes para o futuro do País e, apenas secundariamente para o aumento de poder e de imagem do partido em causa. Há quem vote num plano que considera bom para o país, mas sem pensar no benefício que o partido dele possa retirar.

Nesta data, tais objectivos estratégicos podem ser focados em reduzir o número de deputados em proporção com o número de eleitores; reduzir a quantidade de governantes, ficando apenas os necessários às funções a desempenhar; reduzir a quantidade de instituições públicas ao absolutamente necessário e nomear os seus dirigentes por concurso público, por forma a terem competência e experiência no sector; defender que um partido, um governo e o país são realidades separadas que não devem ser confundidas, para não destruir o governo ou a democracia, pois tal confusão conduz à degradação das instituições do Estado; tornar a Justiça mais rápida e independente de forma a merecer mais confiança dos cidadãos; o Ensino deve ser livre de pressões levianas e ter ética para formar futuros adultos responsáveis; a estrutura da Saúde deve ser preparada para fazer face a ameaças inesperadas e para dar apoio permanente aos cidadãos que dela necessitem, usando um SNS eficiente e activo; as Forças de Segurança devem estar preparadas e dispor de meios para manter a autoridade e a ordem em quaisquer circunstâncias, perante cidadãos, residentes e estrangeiros; as Forças Armadas, com a sua dedicação à Pátria pela defesa da qual estão preparadas para arriscar a própria vida, devem ser respeitadas e prestigiadas com veneração sistemática. E há vários outros sectores que precisam de ser aprimorados para bem dos cidadãos. ■

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sexta-feira, 5 de fevereiro de 2021

MARCELO E A CONTINUIDADE

(Public em DIABO nº 2301 de 05-02-2021, pág 16. Por António João Soares)

O actual PR, durante a sua candidatura à reeleição, prometeu a continuidade, o que podia imobilizar muita gente bem informada que observou a sua inacção durante cinco anos, e as suas respostas a jornalistas deixando-os sem esperança de o verem agir perante muitos sinais desanimadores de falta de uma reacção sua contra o agravamento de muitos aspectos da vida nacional, desde os já clássicos incêndios florestais sem medidas preventivas e sem medidas eficazes de os parar logo pós as chamas iniciais, até à resolução de condições que evitassem o agravamento do Covid-19. Com tal falta de esperança numa necessária mudança a bem de todos os cidadãos, a abstenção pode ter crescido.

Porém, perante os insensíveis aos sinais negativos e convictos de que o destino poderia fazer milagres, o Sr. PR conseguiu ser reeleito e continuar num novo mandato. Oxalá inicie esta nova marcha, apoiando-se por pessoas bem informadas e com experiência das realidades nacionais que ajudem a analisar cada assunto e fornecer alternativas válidas para o enfrentar de forma a melhorar Portugal sob todos os pontos de vista e tornar melhor a vida das pessoas, a economia e assegurar um futuro mais promissor para o País conhecido por “ter dado novos mundos ao mundo”.

 Para formar bons grupos de colaboradores, deve mais do que a amizade ou os diplomas, basear-se na experiência demonstrada por diversas maneiras, e na coragem e sinceridade para sugerir as melhores soluções sem estar condicionado por outros interesses que não sejam o mais puro futuro de Portugal. Um ‘yes man’ ou dependente de pessoa poderosa, não traz o que nacionalmente é desejável. E a recolha de ideias para o País não deve confinar-se a pessoas totalmente ignorantes nem demasiado afectadas pelos inconvenientes de uma crise, pois raramente vêem todas as implicações do problema.

Também não é condição para ser bom conselheiro e colaborador um falante que se preocupe, com palavras sem bom conteúdo, em criar nos ouvintes esperança em dias melhores e no “deixa andar” sem garantia sincera de que as promessas podem vir a ser realidade. É preferível ajudar a analisar as dificuldades do presente e estimular as pessoas a procurar alterações nos seus comportamentos por forma a preparar um amanhã mais seguro e confortável, com soluções de durabilidade. Não se deve desprezar as soluções de hoje, mesmo que apenas suficientes para arriscar em fantasias.

Mas as alterações nos serviços de saúde, justiça, ensino, autoridade e segurança pública precisam de encarar uma modernização eficaz, para bem do país. Porém, nestas instituições também não se deve destruir o existente sem termos a certeza, perante estudos cautelosos e sistematicamente seguidos por colaboradores com as qualidades referidas no segundo parágrafo, que evitem aventuras de mudanças insustentáveis que se limitem a destruir aquilo que existe sem nada melhorar. Tenho visto publicados textos, que merecem a maior atenção, por pessoas que acompanham as realidades e nelas meditam maduramente, como se tivessem responsabilidade em as melhorar. Portanto, não são necessários inventores “geniais” como a Greta sueca.

Tem havido opiniões por médicos competentes e experientes, sobre a defesa das populações dos perigos da pandemia do coronavírus, que bem merecem ser tomadas em consideração na preparação de planos eficazes para um bom resultado. Também contra a morosidade e outras deficiências da justiça há quem emita sugestões lógicas, bem como contra os actuais defeitos do ensino e o esquecimento da ética que deve preparar as crianças para virem a ser pessoas responsáveis e sensatas no seu comportamento de adultas. Também não posso esquecer que as Forças de Segurança devem ser preparadas para os perigos que têm de suportar e ter apoio para reagirem com autoridade, mas sem falhas como a do SEF. ■


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terça-feira, 2 de fevereiro de 2021

MERKEL DEIXOU A LIDERANÇA DO PARTIDO

 

 Há que reconhecer que a sua dimensão de estadista não tem paralelo na maior parte dos políticos da actualidade...

"A Alemanha disse adeus a Merkel com seis minutos de calorosos aplausos. Os alemães escolheram-na para liderá-los, e ela liderou 80 milhões de alemães por 18 anos com competência, habilidade, dedicação e sinceridade. Durante esses dezoito anos de liderança da autoridade no seu país, não houve transgressões contra ela. Não designou uma secretária para nenhum de seus parentes. Não afirmou ser a criadora da glória. Ela não lutou contra aqueles que a precederam. Quando falava não dizia asneiras. Não apareceu nos becos de Berlim para ser fotografada. Ela é a mulher que foi apelidada de "A Senhora do Mundo" e foi descrita como o equivalente a seis milhões de homens. Há poucos dias Merkel deixou a posição de liderança do partido e entregou-a aos que a seguiram, e a Alemanha e seu povo alemão estão em melhor forma do que estavam quando ela chegou.

 A reacção dos alemães foi sem precedentes em toda a sua história. Toda a gente nas cidades saiu para as portas das casas e aplaudiu calorosa e espontaneamente por 6 minutos contínuos. Ao contrário da nossa realidade populista, não houve elogio, hipocrisia, representação ou exagero. A Alemanha permaneceu como um só corpo despedindo-se da líder da Alemanha, uma física química que não se deixou seduzir pela moda ou pelas luzes e não comprou imóveis, carros, iates ou aviões particulares, sabendo que era da ex-Alemanha Oriental. Ele abandonou o seu posto depois de deixar a Alemanha na liderança. Dezoito anos e não trocou de roupa. Numa conferência de imprensa um jornalista perguntou a Merkel: - reparo que o seu vestido é repetido, a senhora não tem outro? Ela respondeu: - Sou funcionária do governo e não modelo. Noutra conferência de imprensa perguntaram-lhe: - A senhora tem empregadas domésticas que fazem a limpeza da casa, preparam as refeições, etc.? A sua resposta foi: - Não, não tenho trabalhadores e não preciso deles. O meu marido e eu fazemos esse trabalho em casa todos os dias.

A Sra. Merkel mora num apartamento normal como qualquer outro cidadão. Este apartamento é aquele na qual ela vive desde antes de ser eleita Primeira-Ministra da Alemanha e não o deixou, e ela não possui uma mansão com empregados, piscinas e jardins. Esta é Merkel, a primeira-ministra da Alemanha, a maior economia da Europa!”

Danke Frau Merkel

(Via José Manuel Castro Lousada)


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sexta-feira, 29 de janeiro de 2021

SOLUÇÕES ADEQUADAS EXIGEM COMPETÊNCIA

Soluções adequadas exigem competência

(Public em DIABO nº 2300 de 29-01-2021 pá 16. Por António João Soares)

A competência não aparece por milagre nem surge espontaneamente de um diploma universitário, mas depende de hábitos juvenis de aplicação da racionalidade na observação de tudo o que nos cerca, procurando saber as causas, os condicionamentos e os resultados. Analisando estes, procura- -se imaginar o que os tornaria melhores e como se teriam evitado falhas indesejadas. Depois de anos com este hábito adicionados ao que se aprende nos livros científicos, adquire-se competência para compreender o funcionamento das coisas, fazer previsões, planeamentos e acompanhar construtivamente a acção para serem obtidos os objectivos desejados.

 Sem o conhecimento das realidades que um fenómeno influencia, não é fácil raciocinar de forma a decidir, perante as múltiplas soluções possíveis, qual é a mais adequada ao objectivo pretendido e, por isso, vemos políticos em funções de grande responsabilidade a fazer promessas que não são cumpríveis por não serem realistas mas que, mesmo assim, geraram custos elevados de que resultou atraso no funcionamento da respectiva área económica e no desenvolvimento do país, além do aumento da dívida pública. O caso mais notado foi o do reforço da função do Aeroporto de Lisboa que começou por dar grande despesa com estudos na hipótese de ser aproveitada a base aérea da Ota, depois a alternativa de Alcochete, e a da Base Aérea do Montijo, onde, depois de grandes despesas, parece não ter sido decidido levar a solução até ao fim.

A mesma hesitação mantém-se quanto à construção da linha circular do Metro de Lisboa, que não parece ter sido decidido se iria terminar em Santos ou em Alcântara-Mar. E a propósito de transportes, tem sido adiado o melhoramento da linha do Oeste, para linha dupla, electrificada e com ligação mais simples e directa à linha de Sintra.

Mas a competência não está carente apenas nos sectores materiais atrás referidos mas também em aspectos do funcionamento de diversos serviços públicos. É disso vítima a saúde, colocada em cheque pelo Covid-19 que mostra haver imperfeições na estrutura, no funcionamento e nos equipamentos que não conseguiram realizar com a conveniente brevidade os ajustamentos convenientes, quer no sector público quer no intercâmbio com o sector privado. À pandemia do vírus opôs-se a pandemia do pânico, com um sadismo brutal de confinamento que, pouco depois, foi aliviado e depois terminado em termos de excessiva liberdade que demonstrou que as pessoas não foram devidamente preparadas para cumprirem regras de prevenção e higiene capazes de garantir um estado de saúde aceitável. Vieram novos surtos e repetiu- -se o confinamento. E nestas restrições de liberdade, houve tantas excepções que mais parecia que as leis deixaram de ser gerais e iguais para todos, pois os partidos beneficiaram de exageradas excepções.

E, no que se refere a normas de funcionamento dos serviços e capacidade de adaptação a novas circunstâncias, há o caso da data das eleições presidenciais que, segundo opiniões vindas a público, deviam ser adiadas por algumas semanas e serem adaptadas por forma a utilizar os actuais meios digitais que permitem votar sem necessidade de ida às urnas fixas na sede do concelho ou noutro local central. Pode acontecer que, com as dificuldades actuais, a abstenção, com o pretexto da pandemia, suba a um ponto de o PR eleito em vez de ter 50% de votos, acabe por ocupar o cargo por vontade de cerca de 20% dos cidadãos com direito a voto. Isto assim não pode ser denominado democracia.

 Mas há muitos outros casos em que a competência devia marcar presença, como a Justiça no combate à corrupção, o MAI no caso do SEF, da actuação das Forças de Segurança no exercício de autoridade perante imigrantes, prevenção de incêndios florestais com ordenamento da floresta, a Educação, perante as modernices do género, etc,

Os cargos importantes devem ser ocupados por gente competente. ■


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quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

A EVOLUÇÃO CIENTÍFICA PARTE DE DÚVIDAS

(Public em DIABO nº 2299 de 22-01-2021, pág 16. Por António João Soares)

Há pouco tempo, uma jovem sueca descobriu que a Terra está a aquecer por culpa do uso de combustíveis de origem mineral e que é preciso lutar contra as alterações climáticas. E isso foi afirmado com arrogância convincente de tal forma que a jovem apareceu perante assembleias públicas de conceituadas instituições e arrastou apoios de elevados estadistas que transmitiram aos seus súbditos a “certeza científica” de que somos capazes de condicionar o clima alterando os nossos comportamentos.

Agora, aparentemente no seguimento de tal “saber científico”, a temperatura desceu de forma muito diferente do habitual, tendo, por exemplo, a Espanha atingido os 16 graus negativos. Será que os altos dirigentes políticos que gostam de alimentar a sua vaidade com actos públicos, bem visíveis e reportados, irão proceder à condecoração dos activistas dos seus países que mais se destacaram nesta campanha da jovem sueca contra o aquecimento da Terra, por terem conseguido atingir os seus pretendidos “objectivos”? Seria bonito ver o nosso PR interromper a campanha eleitoral para proceder a tal acto, esperando angariar mais votos para ser reconduzido no cargo!

Mas a realidade não parece provar que este frio tivesse surgido em resultado de tal tão propagandeada luta. Trata-se de uma situação natural não prevista nem controlável pelo homem. E pensem que podem existir coisas certas nos diversos textos que aqui publiquei, de que refiro os seguintes títulos e as datas em que vieram a público: em 26-04-2019, “Alterações climáticas e defesa do ambiente”; em 05-07-2019, “Alteração climática é fenómeno natural”; em 06-06-2019, “Tempestades de granizo”; em 20-09-2019, “Contra a desertificação, pela natureza”; em 04-10-2019, “Alterações climáticas e ambiente”; em 11-11-2020, “Alterações climáticas”; em 11-12-2020, “Defender o ambiente e respeitar o espaço cósmico”.

Deus nos livre dos vaidosos pretensiosos “sábios” que só têm certezas e nunca aceitam dúvidas, ao contrário dos célebres cientistas que vivem cercados de dúvidas, e mesmo quando obtêm respostas credíveis para elas, continuam os estudos e as experiências para as confirmar. E é com a procura de respostas para as suas interrogações que avançam para as certezas que irão constituir o verdadeiro saber científico. A dúvida constitui o ponto de partida para a investigação e para o desenvolvimento da ciência. A evolução científica parte das dúvidas.

E quando apenas há certezas e se anunciam as futuras decisões, antes de se iniciarem os estudos para as questões que devem ser consideradas, então, provavelmente, caminha-se para uma sucessão de erros que degradam a economia e todo o ambiente circundante, incluindo a situação social de um país como o nosso que vê piorar, a par e passo, a sua situação relativa aos parceiros da União Europeia.

Quem só tem certezas e nunca tem dúvidas não passa de um estúpido pateta. Para obter conhecimento e contribuir para o desenvolvimento é conveniente usar humildade, aceitar dúvidas e tudo fazer para as eliminar e, assim, ficar seguro das realidades, dos problemas e dos seus factores e condicionamentos e, depois, poder tomar a decisão que mais lhe convier para a finalidade que deseja. Isto é mais seguro do que tomar decisões por palpite e apenas por convicção de momento.

Num curso em que se ensinava a preparar as decisões, o General Bettencourt Rodrigues, no momento de fazer a lista das possíveis modalidades de acção, dizia: “agora durante 5 minutos a asneira é livre”. Isto é, a decisão final deve ser uma escolha da melhor solução de entre todas as possíveis. Este curso destinava-se a formar oficiais que iriam integrar o Corpo do Estado-Maior do Exército. ■


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domingo, 17 de janeiro de 2021

NATAL SEM EXTRAVAGÂNCIAS

 (Public em DIABO nº 2296 de 31-12-2020 pág 16. Por António João Soares)

No dia 16, “o Papa Francisco desejou que as restrições e dificuldades decorrentes da pandemia possam servir para descobrir um Natal mais autêntico e menos consumista”. Pretende com este conselho levar as pessoas a deixar de exagerar na comemoração de datas em que dão largas aos apetites animalescos, por vezes em prejuízo da própria saúde e, pelo contrário, a concentrar-se nas lições que devem ser extraídas da história que justifica a celebração de tal dia.

No caso da natividade de Jesus Cristo, convém reflectir nos conselhos que hoje podemos recordar com a leitura da Bíblia, dos quais merecem destaque os que se referem à justiça social, ao amor aos outros que devem ser tratados como irmãos, sem ódios nem invejas, sem vaidades nem prepotências, sem violências nem ambições, etc.

A única vaidade, sem ser propagandeada, deve ser a proveniente do dever cumprido, da competência na execução das funções que lhe competem, dos bons resultados conseguidos com trabalho sério e honesto. Mas esse prazer deve ser puramente pessoal e não servir de propaganda para se sobrepor aos outros, mas antes de lhes servir de exemplo para melhorarem o seu comportamento. Dessa forma, a Humanidade melhoraria em todos aspectos, com mais paz, harmonia e progresso.

A tendência para festejar as datas com despesas desnecessárias e exageradas é um vício em que as pessoas entram em parte compelidas pelas empresas que, com isso, procuram realizar a sua ambição de lucros, riqueza e maior domínio sobre a sociedade em que vivem. E assim se formaram as fortunas dos milionários mais perigosos para a humanidade, abusando dela como coisas e não tendo respeito pelas pessoas. Neste aspecto, há que fazer referência a algumas excepções que, com o seu poder económico, contribuíram para melhorar a qualidade de vida de cidadãos. É, por exemplo, o caso de António de Sommer Champalimaud (1918-2004), que criou uma fundação destinada a inovação científica e tecnológica com a generosa finalidade de “levar os benefícios da ciência biomédica a quem mais precisa”.

A instituição hospitalar que criou é uma marca indelével em Portugal e no Mundo que se caracteriza pelo desenvolvimento de programas avançados de investigação biomédica e pela prestação de cuidados clínicos, numa perspectiva internacional. Ao contrário de políticos actuais que procuram criar nome com palavras balofas sem deixar resultados positivos, Champalimaud foi um Homem que culminou a sua vida na concretização de uma determinação ímpar que o acompanhou sempre e tornará o seu nome imortal pois irá perpetuar no tempo o seu espírito independente, criativo e inovador. A Fundação, através da actuação do Centro Champalimaud, pretende ser líder mundial na inovação científica e tecnológica com o objectivo último de prevenir, diagnosticar e tratar a doença, orientada por uma postura de desafio constante e contribuindo para uma sociedade mais desperta para os problemas de saúde que atingem a humanidade.

Daqui se retira a conclusão do alerta do Papa. A propósito da celebração do Natal, devemos sair do consumismo e dar mais importância à humildade, à simplicidade em que o menino Jesus nasceu e cresceu e aos conselhos que transmitiu aos humanos. A vida tem significado em cada minuto, em cada gesto ou passo que se dá, e devemos ter o cuidado de ser leais aos nossos sentimentos e afectos e procurarmos ser sempre coerentes com os nossos propósitos humanitários, amando os outros como a nós próprios. O exemplo deste cidadão português vem a propósito do conselho do Papa Francisco. Quer o que nos ensinou Jesus, quer o exemplo que nos deu este cidadão devem ser temas de meditação que nos afastem de perder tempo com ninharias e politiquices e nos aproximem da virtude, procurando reduzir e eliminar o mal do Mundo para melhorar a vida da humanidade, começando pela sociedade em que vivemos, com os meios possíveis ao nosso alcance ou com contactos pessoais. Nós somos o Mundo e não podemos deixar de torná-lo melhor. ■


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sexta-feira, 15 de janeiro de 2021

COVID E IDOSOS

Covid e idosos

 (Public em DIABO nº 2298 de 15-01-2021, pág 16. Por António João Soares)

 As notícias diárias referem lares de idosos com mais infectados com o coronavírus e, por vezes, óbitos de internados. Trata-se de lares de entidades consideradas responsáveis e inseridas em Misericórdias, autarquias, etc, todas com experiência de apoio a idosos. Porém, conheço um caso de um lar que durante estes meses de pandemia, apesar de ter mais de cem residentes, alguns com mais de cem anos de idade e com várias dezenas de funcionários, apenas teve dois casos ligeiros em funcionários que tiveram leves sintomas devido a contactos próximo das residências, fora da actividade profissional com idosos.

Está provado que o covid não se mete com quem cumpre as medidas de prevenção divulgadas e é esse o segredo do lar que refiro. Vários residentes dizem que as medidas são exageradas, mas mais vale prevenir do que remediar. Perante este exemplo e os muitos casos confirmados de infectados citados pelas notícias, pergunto: porque será que o SNS e as autarquias não divulgam normas de prevenção semelhantes às do lar que atrás refiro e não controlam com alguma assiduidade os comportamentos vigentes nos lares muito afectados?

Neste assunto, como mais ou menos em todos os casos de direcção e gestão, os altos responsáveis não devem limitar-se à passividade contemplativa com a esperança de que nada ocorra de desagradável e, se ocorrer, depois se agirá. Só que, depois, pode não haver capacidade para aplicar com oportunidade a solução adequada. Um líder responsável tem que ter a ambição, o objectivo, a competência, a capacidade, para a máxima eficiência possível, tem que haver um rumo, um projecto, um programa, para ser obtido o melhor resultado desejado. Porque o nome, a aura, a fama, dependem mais dos resultados do que das palavras precoces de promessas e de esperança que podem não ser concretizáveis e, quando isso ocorre, fazem perder a confiança das pessoas dependentes.

As palavras vindas a púbico quer do PR quer do PM por altura do Natal, pecaram por ser simpáticas e populistas, mas sem uma visão do futuro com capacidade para inspirar confiança e esperança realista sobre soluções previstas para os variados problemas que se forem avolumando e para os quais são necessárias soluções eficazes para que a vida social se normalize e Portugal se desenvolva e não se transforme no carro vassoura da Europa sob a ilusão de que a esperança em milagres faça ultrapassar os efeitos da continuidade do conformismo inactivo a que temos vindo a ser habituados. Terá que surgir coragem para dar um passo em frente para um futuro melhor com garantia de sucesso.

Na Natureza, a mudança é um fenómeno permanente quer entre o dia e a noite quer entre as estações do ano quer entre o nascimento, o crescimento e a morte. Nada surge com carimbo de eternidade, é preciso saber viver com espírito de evolução e de recusa da estabilidade degradante. Viver é mexer, é evoluir para melhores tecnologias com a sensatez e a racionalidade convenientes para fazer sempre melhor.

Voltando ao início, os idosos, estão a ser objecto de novas soluções pela mão de gente sensata e inteligente que cria “aldeias sociais” como lares em que os idosos vivem com autonomia cada um usando aquilo que aprendeu durante a vida activa, em vez de passarem o tempo a vegetar sem nada fazer, receando o falecimento. É pena que governantes e gestores da função pública não percebam as condições de vida dos portugueses e as apetências que podem ser válidas. As pessoas, especialmente as idosas, não devem ser tratadas como coisas, como berlindes, e já não digo como peças de dominó, porque estas exigem muito respeito pelas regras. Os idosos devem ser respeitados por aqueles que estão a caminho da sua condição que desejam ser longo e bem percorrido. Mereçam, então, ser tratados com respeito. ■

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