sexta-feira, 17 de setembro de 2021

PARA QUE SERVE A ONU

(Public em DIABO nº 2333 de 17-09-2021, pág 16. Por António João Soares)

 Vi há pouco a notícia sobre a conturbada situação na Líbia em que eram referidas as palavras o Secretário Geral da ONU a reiterar «a exigência de que todos os combatentes estrangeiros e mercenários retirem da Líbia, e que seja respeitado o cessar-fogo estabelecido em outubro». Também tinha ouvido a sua opinião sobre o que acontecera no Afeganistão e noutros Estados. Mas estas questões não se resolvem com palavras bem intencionadas, mesmo que muito reiteradas.

A globalização que, com a pandemia do Covid-19, pareceu receber um impulso nos seus desejáveis objectivos mundiais, mas os resultados são demorados e precisam de medidas concretas e eficazes que tornem os comportamentos da humanidade mais civilizados e traduzidos em maior respeito pela vida das pessoas, pela Natureza e pelas instituições públicas.

Da ONU, mais do que palavras «reiteradas», precisam de sair objectivos de defesa concreta, por intermédio dos governos de cada Estado e também através de organismos mundiais a ela subordinados, a fim de contribuir para melhorar a segurança e a harmonia em toda a Humanidade. Para começar a haver um futuro melhor deve iniciar-se pelas gerações mais jovens, incluindo nos programas educativos o adequado respeito pelos seres humanos e pela Natureza animal e vegetal, fomentando o civismo, a ética e a moral. As palavras, mesmo que muito sensatas e prudentes e mesmo que muito reiteradas, se não corresponderem a comportamentos desejáveis, não passam de figuras decorativas e inúteis.

O Secretário Geral da ONU pode, com a colaboração de responsáveis internacionais criar actos construtivos e respeitáveis, com finalidade didáctica, mesmo que forçada e algo autoritária com avaliação dos resultados e intenção de adaptação para os melhorar continuamente.

Será aconselhável terminar com a invasão de um país em dificuldades por grupos militares de diversos países que, depois, nada contribuem para a paz e a harmonia social, como se viu no Vietname, no Afeganistão, na Líbia, etc. Os militares são especialistas no uso das armas, mas não é com elas que se devem resolver situações ligadas a desentendimentos sócio-políticos ligados à qualidade de vida das pessoas e ao desenvolvimento e crescimento da economia pessoal dos cidadãos de forma justa e equilibrada, para reduzir as distâncias entre as classes sociais.

Nas reuniões que a ONU realizar para esta finalidade devem participar especialistas na solução de problemas graves através de diálogo para bom entendimento e, para evitar chegar a violências desajustadas, será bom que a vida nacional, em cada estado, seja conduzida dentro de normas morais e de justiça social. Em vez de introdução de forças armadas num estado em dificuldade, devem ser enviados conselheiros competentes e com autoridade concedida pela ONU para fazer cumprir as suas directivas como aconteceu em Portugal com a troika que se impôs no tempo de Passos Coelho para impedir a bancarrota iniciada na parte final do domínio de Sócrates.

Depois do fracasso do Afeganistão, apesar da permanência de militares de várias origens, parece ficar provado que a melhor coisa que a ONU deve fazer é a proibição do fabrico de armas e da sua venda. Com dura punição a quem infringir tal lei. Depois disso, apoiar toda e qualquer tentativa de entendimento, para se dar razão à globalização para a paz e a harmonia global. Será um trabalho válido que justifica a existência da ONU. Portugal deve a sua actual existência à troika. E, se em vez dela viessem militares de diversos países, já não haveria nada do bom passado.

E, para encerrar, deixo aqui um pensamento: «Nascemos sem trazer nada, morremos sem levar nada. E entre a vida e a morte, brigamos por aquilo que não trouxemos e não levaremos. Devemos procurar viver mais, amar mais, perdoar sempre, para sermos mais felizes, por um Mundo melhor, cheio de PAZ.»


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sexta-feira, 10 de setembro de 2021

É NECESSÁRIA SENSATEZ NA PREPARAÇÃO DO PORVIR

(Pubic em DIABO nº 2332 de 10-09-2021, pág 16. Por António João Soares)

Há dias, soube que um representante da oposição sugeriu ao Primeiro Ministro a conveniência de ser nomeada «gente capaz» para a liderança do Banco de Fomento. No meio de tanta apatia dos portugueses, para tudo o que não seja futebol, esta atitude deve ser considerada exemplar, porque este tipo de sugestões deve ser aceite como dever de cada português. Assim afirmava uma canção do 25 de Abril: «O povo é quem mais ordena», embora o processo eleitoral tenha alterado esse desejo e quem mais ordena são os partidos, que são quem escolhe os candidatos à Assembleia da República. Estes não representam a vontade das pessoas que os elegeram, mas sim dos chefes que os escolheram.

Já há muitas pessoas a exigirem a alteração do processo eleitoral mas, no regime em que estamos, qualquer mudança só será possível se houver uma espécie de «eutanásia» que elimine a cambada escolhida pelo dono disto tudo que decide só a pensar nos amigalhaços que coloca em altas funções em quantidades sem coerência com o dinheiro existente para lhes pagar o trabalho que deviam realizar. E, assim, ignorando as competências, se coloca em risco a existência de um Estado que, há cerca de seis séculos, era admirado e invejado pelo mundo civilizado da época e que, agora, se prepara para respirar o último hálito de uma existência confusa e com forte dívida pública.

Mas, se o Afeganistão dispunha de uma oposição capaz de defender a sua independência, Portugal tem vivido como órfão indefeso, com o povo alheado dos grandes assuntos que o condicionam e deixando os que dispõem de poder usar este a seu bel-prazer e para benefício da matilha que os cerca. Por isso, a posição tomada pelo oposicionista atrás citado deve ser repetida por outros notáveis para despertar o povinho da sonolência a que o submeteram apoiada pela deficiente Educação escolar que incutem nos seus filhos, e pelo contrário, deve torná-lo interessado em observar e criticar os erros que vêm sendo cometidos pelo Governo ao nomear para funções públicas de alta importância pessoas sem preparação adequada, sem competência nem experiência de cuja incapacidade tem vindo a resultar a degradação do País, ao contrário do desejado desenvolvimento e crescimento económico. É preciso sacudir a opinião pública, fazendo despertar a gentinha adormecida e levando-a a agir, pelo menos nas eleições, obedecendo ao velho lema «o povo é quem mais ordena».

Se estamos em democracia, as decisões do Poder não devem ser baseadas em caprichos ou interesses particulares, mas nos grandes objectivos nacionais destinados ao bem colectivo, do povo. E este deve ser considerado merecedor do máximo respeito.

Temos verificado que ministros pouco dotados de clarividência têm sido transformados em luminárias pela propaganda paga pelo Governo que, com tal máquina, consegue iludir o povinho que é crente e obediente aos que o dominam e estrangulam. A maior parte dos portugueses estão a empobrecer, mas os beneficiados do regime continuam a enriquecer e a abusar do poder. 

Mas a preparação de um futuro melhor impõe-se cada vez com mais urgência. Pensemos nas pessoas das novas gerações que não beneficiam da família, dos amigalhaços, dos cúmplices e coniventes. É urgente procurar, com honestidade, seriedade e amor a Portugal, quem seja inteligente, sério, honesto e competente, e dar-lhe os cargos adequados ao seu valor. Assim se criará uma sociedade com ética, sentido de responsabilidade, amor ao trabalho honesto e à dignificação nacional, com solidariedade e respeito multilateral.

 

Deve ser aproveitada a lição da experiência da nomeação do Vice-Almirante Gouveia de Melo para liderar o processo de vacinação cujos resultados têm merecido elogios vindos de variadas origens e até sugestões de destinos mais notáveis na hierarquia nacional.

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sexta-feira, 3 de setembro de 2021

COLABORAÇÃO, PARTICIPAÇÃO, SUGESTÃO

(Pubic em DIABO nº 2331 de 03-09-2021, pág 16. Por António João Soares»

Não convém continuar na perigosa situação de degradação em que temos vivido. Há que pensar seriamente na melhor forma de saída. Para isso todos os portugueses devem, dentro das suas capacidades colaborar, participar e sugerir a solução preferível para resolver cada dificuldade que se apresenta. A alegada ignorância das pessoas deve ser ultrapassada pela divulgação dos problemas e as formas possíveis de serem resolvidos e para isso tem grande responsabilidade a Comunicação Social, pela pesquisa e usando a colaboração de técnicos e cientistas.

O primeiro passo deve ser a obtenção da colaboração voluntária e independente de pessoas competentes e experientes e fugir às opiniões de pessoas ambiciosas e egoístas ligadas ao poder por amizades ou outros interesses particulares que possam entrar em conflito com os bem conhecidos interesses nacionais, colectivos. 

Mudar por mudar, sem sensatez nem ponderação, sem um objectivo bem definido de melhoria e desenvolvimento nacional, pode não passar de tentativa de iludir, enganar, a população e, portanto, provocando gastos inúteis e inconvenientes.

A saída da situação de degradação, deu um passo em frente quando, há poucos meses, se terminou com a bagunça da gestão do uso das vacinas e se entregou toda a responsabilidade do assunto a uma pessoa competente, honesta, responsável, séria, com experiência de direcção, planeamento, decisão e controlo de resultados e, passado pouco tempo, mostrou o fruto da sua acção que foi reconhecido pelo próprio Senhor Presidente da República. Isto foi uma prova de que para funções importantes devem ser escolhidas pessoas competentes, experientes e com reconhecida capacidade de gestão e evitadas tentações de fazer favor a familiares, a amigalhaços ou a outros sem as indispensáveis qualidades para o respectivo desempenho.

O Senhor Vice-Almirante Henrique Eduardo de Gouveia e Melo deu uma boa lição aos governantes acerca dos cuidados a ter na escolha de pessoas para funções públicas. Se este caso for bem ponderado, Portugal terá oportunidade de começar a sair da crise e, dentro de poucos anos, terá recuperado a sua antiga imagem entre os outros Estados.

Com respeito pelas pessoas e escolha de bons dirigentes para os diversos sectores, o regime anterior, sem impostos elevados e com poucos impostos secundários, não tinha dívidas, deixou uma boa poupança e construiu, quartéis, hospitais, escolas primárias em quase todas as aldeias, tribunais, estradas, pontes, barragens, etc. Agora permite-se a multiplicação de milionários, corruptos e, desgraçadamente, muitos pobres e sem-abrigo.

Será bom que Portugal passe a ter a categoria que teve outrora e que os elogios de Camões e de outros factos históricos não nos cause demasiado desgosto pela situação actual. Para isso é preciso que os partidos exijam boa preparação dos seus membros a fim de não continuar a haver quem diga como Vítor Rainho. «Portugal tem tudo para ser um sucesso, mas nunca há de sair da cepa torta devido aos políticos que tem». O relançamento do País, na senda do desenvolvimento e do prestígio internacional, depende da colaboração, participação, sugestão de todos os portugueses, pelo que há que reformular a educação e o papel construtivo da Comunicação Social para dar-lhes liberdade e estímulo para isso.

Há quem argumente que faz falta o serviço militar obrigatório, mesmo que seja apenas de três meses, para que a população em geral passe a ter respeito pelos outros, solidariedade, honradez, honestidade, sentido de missão, conhecimentos de planeamento e de estratégia, etc. Há até quem coloque a hipótese de o SNS ser enquadrado por militares. E já se fala de o Hospital Militar de Doenças Infecto-contagiosas de Belém, regressar para a dependência das Forças Armadas, pelo menos enquanto houver a ameaça de pandemia. Os militares sempre se preocuparam em ser o espelho da Nação, pelo que têm direito ao prestígio que merecem, como bem demonstrou pela sua eficiência, o Senhor Almirante Gouveia de Melo.


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sexta-feira, 27 de agosto de 2021

AJUDA BEM ENCAMINHADA, OU NEFASTA!

Ajuda bem encaminhada, ou nefasta!

(Public em DIABO nº 2330 de 27-08-2021, pág 16. Por António João Soares)

Aprendi que o dinheiro deve ser respeitado, isto é, ser gasto apenas na aquisição de bens indispensáveis e úteis e dentro do limite disponível. Isto deve ser tido em consideração e respeito por parte de quem tem acesso a ele, principalmente quando se trata de um valor público originado por gente que fez sacrifício e teve trabalho para o conseguir e tem direito a sentir que o seu emprego resulta em seu benefício e de todos os seus concidadãos.

Houve um período da vida nacional em que se viam aparecer novos hospitais, quartéis para militares, para bombeiros, para Forças de Segurança, tribunais (Palácios da Justiça), Liceus, escolas primárias (quase uma por aldeia), estradas, pontes, barragens, etc. Os tempos mudaram e, presentemente, é raro ver-se uma obra pública e, pelo contrário, ouve-se falar da dívida pública que parece estar cada vez mais elevada. Mas parece, segundo se ouve, que a quantidade de milionários tem aumentado.

Os nossos governos mais recentes têm demonstrado não possuir sentido de responsabilidade e respeito pelo povo contribuinte, desbaratando o dinheiro dos múltiplos e variados impostos, directos e indirectos, (cada vez mais pesados) em banalidades e futilidades traduzidas no constante aumento da dívida e no pagamento de numeroso pessoal desnecessário e inútil, sem competência para obter trabalho normal e admitido apenas por amizade ou compadrio apenas para ter um bom vencimento a que não corresponde um resultado proporcional. Chega a ser estranho que um governante quando interrogado sobre um caso ou acidente na situação vigente, responde que «não sabe de nada», «não tem conhecimento de tal», o que é incompreensível e ficamos sem perceber para que lhe servem tantos colaboradores que tem no gabinete». O total de ministros e secretários de Estado ronda as sete dezenas, do que apenas resulta mais burocracia e complexidade de papéis e aumento de despesas, até porque cada um tem a sua dose de assessores.

Perante isto e a primeira frase deste texto, a União Europeia (EU) deve dar os milhões da «bazooka» de forma muito controlada, começando por preparar aqueles que os recebem, para o seu emprego, segundo planeamento rigorosamente elaborado por técnicos nacionais, independentes e de competência comprovada e, depois de concedido, deve controlada com muito rigor a forma como é despendido e sem o deixar desviar do objectivo para que foi concedido a fim de o resultado desejado ser obtido para bem da Nação. Dar muito dinheiro a quem não o sabe gastar é um acto de irresponsabilidade.

Sem uma rigorosa fiscalização de pormenor veremos dar mais empregos e regalias a pessoas incompetentes e pouco honestas que apenas têm a seu favor serem familiares, amigalhaços, cúmplices e coniventes de pessoas do Poder a quem têm «lambido as botas» e cuja intenção é obter poder e riqueza.

A corrupção tem sido um forte destino do rendimento nacional e apesar de muito falada e criticada e de haver muitas promessas de ser combatida para a exterminar, os resultados não parecem ser favoráveis à reabilitação do sistema. E vemos grande quantidade dos serviços públicos serem progressivamente alterados por forma a favorecerem os donos disto tudo. A própria Justiça tem perdido direito ao respeito dos cidadãos que vêm os grandes crimes ficarem impunes enquanto os cidadãos mais desfavorecidos continuam a ser levados para a prisão por «dá cá aquela palha».

Por isso a UE deve criar condições para contribuir para a moralização das suas populações e das suas condições de vida por forma a termos um futuro mais justo e ético e vivermos em boa harmonia, paz, concórdia e solidariedade. O salutar espírito de entreajuda será o tónico mais eficaz a extrair da crise pandémica que temos vindo a atravessar.

Para que haja participação dos portugueses na denúncia de fraudes, espera-se que a Directiva da UE que entrou em vigor em 16-12-2019 seja transposta para os ordenamentos jurídicos internos dos Estados-Membros até ao dia 17 de dezembro de 2021.


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sexta-feira, 20 de agosto de 2021

INCERTEZA CLIMÁTICA

(Public em DIABO nº 2329 de 20-08-2021. Pág 16. Por António João Soares)

Nos últimos tempos, a “evolução” das características da natureza tornou-se imprevisível, surgindo factores novos e pouco conhecidos que causam resultados mais catastróficos do que compreensíveis e previsíveis.

As tempestades ocorridas, há poucos dias, na Alemanha e outros países vizinhos e que têm também acontecido em muitos e variados estados mundiais, são algo que deve ter surpreendido conhecidos governantes que prometem lutar contra as alterações climáticas provocadas pela poluição do ar com gases tóxicos e também não parecem corresponder aos efeitos do aumento das radiações electromagnéticas. Parece que querer contrariar a natureza evitando a sua evolução se resume a pura fantasia e temos de nos preparar para cenários que podem ser francamente maus cenários que podem ser francamente maus.

 Independentemente das possíveis causas, tais fenómenos que têm ocorrido por todo o planeta são demasiado graves, com pesadas consequências para vidas humanas, para património diverso, para a agricultura, etc., etc.. Os sintomas de que as chuvas torrenciais vão iniciar a sua queda ainda são mal conhecidos, principalmente para os menos letrados. Mas mesmo os mais preparados cientificamente não estão a prever ser possível um alerta que permita a mais adequada acção preventiva.

Sem previsão e sem tempo para prevenir, nem para preparar um socorro adequado, tem caído num dia uma quantidade de água semelhante à de um ano normal, o que tem resultado na inundação de cidades situadas próximas de leitos de rios com longo curso que permitiam transportar água com um nível de muitos metros. Como seria possível evacuar toda a sua população com oportunidade?

E o excesso de água que destrói toda a agricultura existente na área afectada, e o vento fortíssimo que não deixa de pé árvores de fruta, videiras e outros tipos de produtos agrícolas, e as pedras de granizo do tamanho de bolas de golfe?

Será que a agricultura deve passar a ser efectuada a coberto de fortes tectos protectores?

E as casas que, para evitar colapsar com a tempestade, devem ser construídas em local mais seguro e com estrutura para suportarem os efeitos das piores tempestades? E quem tem capacidade financeira para tais fortalezas? A maioria das populações preferirá viver em tendas de campanha.

Mas não têm sido apenas chuvas impensáveis, como as da Alemanha, são também as temperaturas demasiado altas provocadoras de incêndios, como ocorreu no Canadá e, mais recentemente, na Turquia e na Grécia.

Enfim, estas alterações climáticas, de que ninguém tem dados que permitam prever. Mas todos temem a continuação desta evolução recente, cada vez com mais força, porque ainda está a dar os primeiros passos. Todos os cuidados são poucos e ninguém pode garantir como será o próximo dia.

Isto pode estimular os mais pessimistas a recear a concretização de alguns pensadores que auguram o fim desta humanidade para dentro de pouco mais de um século.

Mas evitemos tal pessimismo e aproveitemos a lição da pandemia do Covid-19 e desenvolvamos o espírito de cooperação e solidariedade, para sermos todos a colaborar, independentemente de ideologias, de grau de riqueza e do nível cultural, a dar as mãos para unirmos esforços, para nos entreajudarmos todos e vencermos todas as dificuldades que surgirem, reforçando o esforço de recuperação que um outro está a tentar fazer com dificuldades, que exigem mais do que as suas próprias capacidades.

A estas mudanças da natureza os governos devem reagir com a reestruturação dos serviços que devem intervir em socorro face os estragos diabólicos que poderemos sofrer e ninguém pode ficar indiferente e cruzar os braços à espera de dias melhores sem estes eventuais momentos horríveis. Também há que evitar debilidades estruturais, como a utilização de zonas alagáveis para fins mais frágeis à inundação e a prevenir cultivos sem condições para suportar temperaturas elevadas.

Não devemos reagir negativamente às desgraças, mas fazer-lhes face da forma mais adequada e preparar a normalização para continuarmos a viver. ■


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sexta-feira, 13 de agosto de 2021

LUTAR CONTRA AS ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS

(Public em DIABO nº 2328 de 13-08-2021 pág 16. Por António João Soares)

 Desde que uma jovem sueca começou a sugerir a luta contra as alterações climáticas, os políticos, normalmente pouco conhecedores da ciência, deixaram-se arrastar pelas suas palavras, ao ponto de o Secretário-Geral da ONU, seguido pelos seus pouco letrados colaboradores, lhe ter concedido um título especial. Mas tal “sábia” não era investigadora e, quanto às causas do trágico fenómeno que recentemente deu provas de estar a ter resultados muito dramáticos por todo o planeta, incluindo o Centro da Europa, limitou-se ao que os seus olhos viam – a poluição resultante do fumo das chaminés e dos escapes de viaturas a gasolina e gasóleo e dos detritos abandonados no chão e na água.

Partindo de tais dados, embora o tempo tenha passado e tenha havido despesas com reuniões e conferências diversas, os resultados além de nulos são inúteis, como se tem verificado nas ondas de calor, nas chuvas torrenciais com trágicas consequências, nos movimentos de terras, etc.. É certo que eles não seriam visíveis a curto prazo, mas o que se viu foi um agravamento dramático. Isto mostra a urgência de ser encontrada uma solução ajustada e rápida.

Há cerca de dois ou três anos vi um vídeo que mostrava um cientista a dar uma lição muito clara sobre a principal causa das alterações climáticas – a poluição do espaço circundante do sistema solar pelas radiações electromagnéticas que, sempre que aumentaram, causaram na humanidade epidemias de gravidade variada, conforme o grau de agravamento. Peste bubónica, peste negra, varíola, cólera (1817), gripe espanhola (1918), gripe suína (2009), etc. e, presentemente, o coronavírus. A área espacial que nos cerca é controlada pelos astros da Cintura de Van Allen que, consta, têm por missão da Natureza observar as condições e provocar reacções punitivas, sempre que o grau deste género de poluição passa dos limites. Há pouco mais de um século, com a guerra de 1918, o aumento de radiações pelos radares e outros equipamentos militares deu origem à gripe espanhola; em Portugal, quando há umas dezenas de anos foram electrificadas todas as cidades e muitas aldeias, houve também uma epidemia. Em 2009 a gripe suína correspondeu ao aumento de telemóveis e de outros sistemas de telecomunicações e respectivos retransmissores. Agora, o Covid-19 surgiu após o sistema “5G” e a instalação de grande quantidade de equipamentos automáticos, como sensores e radares e a criação de satélites retransmissores, com tendência para a ampliação dos seus efeitos, o que já levou homens ligados à ciência a esboçarem previsão de que a humanidade está em risco de extinção, dentro de pouco mais de um século.

Parece ser sensato que, a nível da ONU, seja pedida às principais universidades mundiais a colaboração de mestres competentes no assunto, para investigarem o que realmente se está a passar e, se for concluído que se trata realmente de resultado do aumento de radiações electromagnéticas, haverá que evitar esse aumento e procurar a solução para reduzir a quantidade já existente.

Mas a redução da actual quantidade não será fácil porque há muitos homens de negócios a obter com elas grandes benefícios financeiros. Por exemplo, se a ONU decidir a eliminação de todos os satélites retransmissores existentes nas proximidades do globo, produz a paragem de muitas tecnologias de que hoje dependem muitas actividades lucrativas. E os lesados reclamarão e pode não haver dos altos poderes políticos a coragem e a energia para manter tal decisão. Mas se a saúde das pessoas e a normalidade das suas vidas as coloca em vias de extinção, terá de haver mesmo coragem para se simplificar o sistema de vida, para evitar que tenhamos todos de ser reduzidos a pó.

Será uma decisão difícil mas será preferível descer uns graus no estilo de vida que as actuais tecnologias estão a permitir, do que irmos para a “eutanásia” colectiva e irrevogável dos nossos descendentes. SALVEMOS A HUMANIDADE. ■


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segunda-feira, 9 de agosto de 2021

MUDANÇA DO CLIMA

Em que a ONU não dá importância ao efeito do aumento das radiações electromagnéticas no espaço astral que circunda o nosso Planeta. É grande a actual quantidade de satélites artificiais retransmissores de tais ondas  mortíferas.

https://ionline.sapo.pt/artigo/743022/alerta-de-onu-esta-dado-impacto-humano-no-clima-tera-efeitos-irreversiveis?seccao=Portugal_i



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sexta-feira, 6 de agosto de 2021

PARA GOVERNAR COM ÊXITO

(Public em DIABO nº 2327 de 06-08-2021, pág 04. Por António João Soares)

Para governar com êxito, sem necessidade de hesitações e de “pára e arranca”, é preciso cultivar activamente o respeito pelos cidadãos. É necessário conhecer as realidades nacionais, não apenas as tradicionais de cada região do território, mas também aquela que é produzida ocasionalmente por motivos eventuais ou por agravamento de necessidades que não foram resolvidas com oportunidade e eficácia. Há entidades com responsabilidade e credibilidade que afirmam que a actual ministra da Saúde permite o abandono de doentes com maior dificuldade de acesso à saúde. O autoritarismo de quem se isola no seu gabinete e não consegue avaliar as dificuldades existentes, ou as entidades que recusam observar e analisar os problemas reais mas, com voz teatral afirmam coisas alheias à verdade e querem mostrar um optimismo que é enganador, não demonstram possuir capacidade para bem governar e merecer o respeito e a admiração de quem deles depende.

Também o optimismo do governo exibido publicamente, sempre que a pesquisa diária detecta menos infectados ou menos mortos com o Covid-19, é imprudente porque, sendo tal infecção mal conhecida e imprevisível a sua evolução, são apanhados em erro passados poucos dias, como aconteceu recentemente na passagem dos quatro mortos do dia 20/07 para os 20 no dia 24.

O povo vai sustentando os erros dos governantes, mas memoriza-os até que um dia pode explodir numa manifestação espontânea, à semelhança dos desacatos desordeiros de jovens “progressistas” nalgumas cidades.

Qual é a maturidade e sentido de responsabilidade de um ministro que, tendo o carro em que era transportado sido detectado em excesso de velocidade – “O BMW Série 5 em causa circulava quase a 200 km/h na A2 e, antes disso, a 160 km/h numa estrada nacional” – afirmou não ter “qualquer memória de os factos relatados terem sucedido”. Ambas as velocidades infringem o código da estrada.

A viatura em que viajava outro ministro e que atropelou mortalmente um trabalhador seguia a velocidade muito superior ao máximo que estava afixado, segundo fonte da Brisa, que disse que a sinalização dos trabalhos de limpeza realizados na berma direita da A6 “estava a ser cumprida pela empresa responsável pela execução dessa intervenção”. Mas o ministro tinha afirmado que não havia qualquer aviso e, perante a afirmação da Brisa, não reagiu. Como podemos respeitar a palavra deste governante?

É com situações deste género que o povo se torna receptivo a participar em “greves selvagens”, cujos resultados são imprevisíveis e difíceis de controlar.

O desespero acumulado pode dificultar seriamente qual[1]quer esforço feito para recuperar a situação nacional, quer economicamente, quer no desejado prestígio de que temos sido caren[1]tes nas relações internacionais.

O domínio da Comunicação Social que hoje, além do futebol e de casos de desconforto ou de atitudes de ordem pública e violência doméstica, pouco mais comunica para dar confiança e segurança à população, por forma a reagir da melhor maneira às dificuldades com a pandemia e a preparar o melhor futuro possível. Vive-se actualmente um medo doentio que tolhe as poucas energias de que as pessoas ainda dispõem.

Depois destas reflexões devemos encerrar com a conclusão de que tudo isto deve ser envolvido na VERDADE, pois os interesses das pessoas exigem verdade para o que todos os gestos de solidariedade e de boa gestão dos interesses colectivos devem ser revestidos de boas intenções e de total transparência, sem ambições nem jogos inconfessáveis.

Quando os interesses pessoais e a ambição começam a sobrepor-se aos interesses nacionais, o país começa a degradar-se e a caminhar para o abismo da extinção, pela via da corrupção e de outros crimes parecidos. ■


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sexta-feira, 30 de julho de 2021

INCÊNDIOS FLORESTAIS - DRAMA SEM FIM ?

(Public em DIABO nº 2326 de 30-07-2017, Pág 16. Por António João Soares)  

 Desde o drama ocorrido em 2017 no distrito de Leiria, em Pedrógão Grande, perante o resultado das decisões políticas apressadas e mal preparadas, as populações do minifúndio interior têm sido tragicamente massacradas pela ameaça nos meses de Verão que, além de destruir o pinhal, fonte de mato e estrume rural, lenha e madeiras, tem destruído vidas e também habitações e parte do seu património.

Sobre isso, já publiquei mais de uma dezena de artigos neste semanário com alertas, sugestões e outras reflexões.

As decisões políticas implementadas, em vez de constituírem um factor válido para a prevenção e para o combate aos autores detectados de muitos casos, foram mais um desastre para as populações proprietárias dos terrenos afectados no interior e centro do país.

Com o actual calor do Verão, as populações do interior Norte e Centro são de novo ameaçadas pelo terror dos incêndios florestais, uma praga que parece invencível e redutível a valores toleráveis.

Há quem se interrogue sobre o desaparecimento dos guardas florestais, numa época em que o perigo de incêndios passou a ser maior. Recordo que há meia centena de anos, a minha aldeia, na zona do pinhal, só muito raramente tinha um pequeno caso de fogo, porque os pinhais, por necessidade de colheita do mato, apanha da caruma, de lenha, de estacas para vários tipos de agricultura, etc., estavam sempre limpos e até tornava possível ao pessoal, quando neles trabalhava, acender fogueiras para preparar o almoço, sem correr risco e sem precisar de cuidados especiais.

Hoje, a tecnologia, a ausência de bois e da necessidade de mato para as suas camas, etc. provocaram o abandono do pinhal que é percorrido apenas pelos técnicos da resina e por caçadores. Por isso é que se torna mais necessário haver guardas florestais ou outra espécie de vigilantes que detectem a presença de malfeitores com intenções de atearem fogos e de situações propícias a casos inconvenientes.

Já há anos aqui referi a conveniência de instalar uma rede de torres com sensores capazes de detectar um incêndio logo na sua origem e que comuniquem automaticamente aos bombeiros mais próximos, de forma a que eles acorram de imediato e apaguem a chama, ainda no início. Quanto se pouparia com tal instalação? Mas isso tiraria o negócio a muitas empresas ligadas à actuação dos bombeiros. E onde há negócio pode haver corrupção para entidades públicas que vivem à custa do povo.

A limpeza do solo das matas tem sido exigida aos seus proprietários que a entregam a privados, sem preparação nem experiência para, durantes os trabalhos, seguirem regras que permitam a sobrevivência das árvores da futura floresta. Quando eu era rapaz e, nas férias e aos fins-de-semana, queria ajudar a roçar o mato, era logo alertado para a necessidade de poupar pequenos pinheiros ou outras árvores que nasciam e estavam a começar a crescer entre a outra vegetação que devia ser cortada e servia para camas do gado e para estrume, antes da divulgação do adubo hoje usado no cultivo de legumes e outros alimentos. Os detritos da limpeza devem ser consumidos em fábricas que produzirão energia ou outros produtos úteis.

Sem tal cuidado, a limpeza constitui um barbear do terreno que, passado pouco tempo, passa a ser deserto e sem a vegetação que é indispensável e tem forte contributo para melhorar o ambiente, dando oxigénio à atmosfera e captando o óxido de carbono que a polui.

O Governo deve legislar eficazmente e as autarquias devem fiscalizar e controlar a execução. ■


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sexta-feira, 23 de julho de 2021

ESCÂNDALOS VARIADOS

(Public em DIABO nº 2325 de 23-07-2021, pág 16. Por António João Soares)

 As obras no antigo Hospital Militar de doenças infecto-contagiosas estão sob suspeita. O artigo de jornal onde vi a notícia começava com a frase “Requalificação derrapou 2,7 milhões e envolveu salão de estética”. “Quanto mais queremos colocar algo secreto, mais à vista de todos fica”, declarou deputado Carlos Eduardo Reis, do PSD.

Mais adiante lia-se que a requalificação estava orçada em 700 mil euros e o seu custo final foi de 3,4 milhões, quase o quíntuplo. Há que explicar quem foram os técnicos que elaboraram o orçamento inicial e as condições do concurso público. E há que investigar a forma como foram feitos os posteriores contratos e com quem foram assinados. O ministério da Defesa (MDN) confirma que o relatório elaborado sobre a execução dos contratos foí classificado de confidencial.

Há poucos dias, veio algo escrito nos jornais que explicava uma forma segura de praticar corrupção praticando contratos directos em vez de concurso público. Este é apresentado de forma a não ser aceite por nenhum dos possíveis interessados e, depois, por não ter havido concorrentes, fica a via aberta para legalmente se proceder a contratos directos com amigos já abordados. Pergunto se a investigação sobre o caso referido do antigo Hospital irá detectar manobra semelhante e que sanções resultarão para os implicados.

 Mas, tem havido mais casos focados publicamente a porem em dúvida a seriedade de pessoas no desempenho de funções de responsabilidade como, por exemplo, o atropelamento mortal de um trabalhador na estrada, por um carro suspeito de ir a mais do dobro da velocidade máxima permitida. O ministro que seguia na viatura afirmou que as obras não estavam sinalizadas de forma bem visível, facto que a entidade responsável pelas obras negou com toda a certeza e segurança. E o diálogo parou, mas o trabalhador perdeu a vida e foi considerado culpado pelo ministro. Também foi noticiado que a viatura não estava devidamente legalizada.

 Outro caso nada claro foi o do Presidente da Câmara Municipal de Lisboa ter negado qualquer responsabilidade sobre a denúncia de cidadãos russos ao seu governo, implicados numa manifestação contra o seu regime nacional, tendo entregue na embaixada russa os dados pessoais dos oposicionistas. E consta que as culpas foram atribuídas ao encarregado da protecção de dados da autarquia. Mas tal decisão foi suspensa perante a opinião do Plenário da Câmara, em que foi decidida uma auditoria externa a tal escândalo. Isto faz-me recordar uma tradição militar que diz que “o comandante é responsável por tudo o que a sua unidade faz ou deixa de fazer”. Por isso, nas pirâmides hierárquicas da unidade, os seus responsáveis estão muito atentos a toda a sua actividade, para evitar que “quem se lixa é o plantão”.

 Segundo a Juíza Desembargadora Florbela Sebastião e Silva, a Constituição da República Portuguesa não contém nada que permita que os direitos humanos nela referidos sejam limitados, a não ser em Estado de Emergência ou em Estado de Sítio. Por motivos de especial gravidade, que têm de ser justificados e por períodos muito limitados, podem praticar-se condicionamentos às liberdades de movimentos, devidamente acompanhados de conselhos e informações que levem as pessoas a concordarem com a limitação dos seus direitos constitucionais.

 A preocupação de limitar a difusão de doenças contagiosas pode aconselhar tais medidas restritivas, mas estas não devem ser impostas contra a vontade de cada um “A todos os cidadãos é garantido o direito de se deslocarem e fixarem livremente em qualquer parte do território nacional”. Não se deve abusar do confinamento. Portanto, a acção das Forças de Segurança de dispersar pessoas em festas familiares com algumas dezenas de participantes não deve revestir o aspecto de lidar com criminosos, mas sim de informar do perigo de eventual contágio e da conveniência de se afastarem e dispersarem. Enfim, mais como acção paternal do que como acção policial. ■

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sexta-feira, 16 de julho de 2021

ALGUNS CONSELHOS PARA IDOSOS

(Public em DIABO nº 2324 de 16-07-2021, pág 16 por António João Soares)

Já aqui coloquei mais de uma dezena de textos em que expunha cuidados na saúde dos idosos, a que deve ser dada muita atenção, quer pelos próprios, quer por familiares ou funcionários de lares. Um dos mais recentes (em 13-11-2020) aconselhava a manter o cérebro activo para aumentar a longevidade e adiar a chegada da doença de Alzheimer e outras perturbações cognitivas.

Agora, encontrei a última entrevista do psiquiatra António Coimbra de Matos, falecido há dias, que, ao fazer 90 anos em 05-01-2020, em conversa com jornalista, focou aspectos muito importantes para a saúde mental, cujos efeitos são mais visíveis e preocupantes na parte final da vida, nomeadamente, a depressão.

Somos um povo com tendência para nos virarmos para o passado, para a saudade, o que nem sempre é benéfico quando traz más recordações de erros cometidos ou de ofensas recebidas que perturbam a paz mental, e a raiva ou o espírito de vingança. Além de já não terem utilidade, são maléficos para a tranquilidade de espírito. Em vez disso, deve desenvolver-se a capacidade de projectar o futuro e de realizar acções que dêem prazer e que sejam úteis para nós, para familiares, amigos e, tanto quanto possível, para toda a humanidade.

Estes temas deviam ser mais debatidos, de forma mais alargada, com as populações menos letradas, que estão presas quase exclusivamente ao futebol. Devem estar mais afastadas do passado e de ninharias e, de forma mais saudável, melhor focadas nos factores reais que condicionam o presente e o futuro. O passado formou-nos mas já passou e, agora, o mais importante é encarar o amanhã, sem alimentarmos muito medo, que provoca doença e depressão, mas querermos, com forte esperança, que não sucedam desgraças e termos uma vida melhor, e isso ajudará a obter melhor saúde mental.

É bom evitar os sofrimentos das lembranças do passado e gozar a vida naquilo que ela nos oferecer de melhor.

Segundo o psiquiatra, isto deve ser iniciado na educação nas creches e nas escolas desde o início da vida, para as crianças adquirirem hábitos de respeito para com os outros e para a sua própria formação psíquica. O que se aprende nessa tenra idade fica para sempre. Os limites da realidade física aprendidos na meninice acompanham pela vida fora.

Como psiquiatra, criticou o consumo excessivo de antidepressivos e de ansiolíticos que está a ser difícil de travar, por os médicos considerarem mais fácil colaborar com as empresas farmacêuticas do que perder alguns minutos com o cliente, a conversar sobre o problema que o perturbou e sugerir a solução de o resolver, pelo diálogo ou com comportamento adequado, pacificamente, sem perturbação mental. Ou sugerir a consulta de psiquiatria. Os medicamentos são constituídos por produtos químicos que, de certo modo, são nocivos para o organismo e devem ser consumidos apenas no mínimo indispensável.

Embora se possa dizer que “a depressão é uma reacção à perda de afecto e o luto é a reacção à perda de um objecto”, pode haver depressões por situações de desgosto como, por exemplo, numa situação de exploração laboral. Em casos de abusos patronais convém procurar uma solução dialogada antes que a doença atinja dimensão paralisante.

Tal como a actividade física desenvolve a musculatura, também “a acção da vida psíquica e intelectual prolonga a vida mental em melhores condições, adiando o envelhecimento e a chegada do Alzheimer ou de outras doenças características da idade avançada”, como consta no “post” atrás referido “Manter o cérebro activo aumenta a longevidade”.

Quando, há dias, soube do falecimento de um camarada pouco mais novo, fiquei desejoso de contactar com os ex-colegas de curso de infantaria de 1955 para, nos dias que nos restam, não vivermos deprimidos com a nossa solidão. Pensei organizar uma lista dos ainda vivos, com os seus contactos. Depois dos anos da guerra, temos vivido afastados e peço a quem me possa ajudar a organizar essa lista para nosso conforto psíquico. ■


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sexta-feira, 9 de julho de 2021

CLIMA. A NATUREZA NÃO PERDOA

(Public em DIABO nº 2323 de 09-07-2021, pág 16. Por António João Soares)

Apesar da muita publicidade dada à “luta contra as alterações climáticas”, chegando ao ponto de haver reuniões na ONU, com a presença e o discurso do seu Secretário-Geral, ainda não foi indicado nem a causa, nem acções concretas para obter resultado visível. Até à data em que elaboro este texto já aqui publiquei 12 artigos sobre o assunto.

Já encontrei autores qualificados a atribuir as causas das epidemias que têm atacado a humanidade, há mais de um século, ao efeito do aumento na atmosfera de radiações electromagnéticas provocadas pelos modernos equipamentos, dotados de automatismos, principalmente produtores de sinais à distância, como sensores, radares, transmissores, retransmissores, etc. O ambiente aéreo está doentiamente contaminado por tais radiações que destroem as células vivas. E os astros da Cintura de Van Allen reagem a tal excesso com as alterações climáticas e há já quem faça a previsão da extinção da vida no sistema solar dentro de pouco mais de um século. E os resultados da tão propalada “luta contra as alterações climáticas” ainda não deram sinais de eficiência. Mas a luta tem dado muita despesa aos contribuintes e pouca divulgação do verdadeiro problema que pretendem resolver e das regras científicas que o explicam.

O meu regresso a este tema depois dos muitos textos já aqui publicados foram algumas notícias que hoje encontrei sobre o assunto. Na República Checa houve um tornado que causou cinco vítimas mortais e centenas de feridos, além de muitos estragos em construções e outro património.

Na ilha de São Miguel nos Açores, a chuva torrencial arrastou uma viatura com duas funcionárias da Santa Casa da Misericórdia, que estavam a caminho de fazer apoio domiciliário a pessoas idosas perto da Povoação e o carro foi encontrado no fundo da ribeira de rodas para o ar e não foram encontradas as ocupantes que continuavam a ser procuradas por Protecção Civil, Bombeiros e, no mar, por elementos da Marinha, com dificuldade, por as condições meteorológicas serem demasiado agressivas. Na praia fora encontrados objectos pessoais das sinistradas. A busca foi interrompida por grandes dificuldades da situação, mas depois foram retomadas, sem resultados positivos.

Em Madagáscar não tem chovido e a seca está a ameaçar de fome mais de 400 mil pessoas. Madagáscar é o primeiro país do mundo onde se passa fome devido ao clima.

Em Alexandria, o desabamento de um prédio causou a morte a quatro mulheres. Talvez resultado de água da chuva ou de falta de cuidado de manutenção em prédio antigo.

 Nos EUA, em Miami, desabou um prédio de 12 andares, provocando cinco vítimas mortais e mais de 159 desaparecidos. O Governo declarou emergência pelo desabamento. O caso deve ser bem averiguado, não tenha acontecido a construção ter começado por um projecto de menos andares e a instalação ter sido aumentada até aos 12 andares, sem a base ter para isso a resistência necessária. Se isso aconteceu assim, nada tem a ver com o tema climático acima focado mas sim com a incompetência do responsável pela obra, imprudência e falta de controlo da obra nos pormenores essenciais. Já se sabe que o prédio tinha “danos estruturais”. Como é que permitiam que ainda estivesse habitado?

Em Washington, uma ponte pedonal colapsou causando vários feridos. Acidentes evitáveis ocorrem também em grandes países ricos, não só nos que carecem de meios técnicos de manutenção.

 Em vez de lutar contra as alterações, climáticas, porque não lutar contra a existência de pessoas irresponsáveis à frente de instituições públicas? ■

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sexta-feira, 2 de julho de 2021

COMPLEXIDADES DA VIDA ACTUAL

(Public em DIABO nº 2322 de 01-07-2021, pág 16. Por António João Soares)

 Actualmente, a sociedade sofre de inúmeras dúvidas e complexidades que tornam a vida difícil a quem pretende orientar-se por valores que considerava válidos. Por exemplo, a sexualidade era bem definida, mas hoje há dúvidas. Será permitido o entendimento entre rapaz e rapariga ao ponto de ela engravidar? E o uso de preservativo ou do comprimido pós-sexo? E o aborto para remediar o caso? “Bispos dos EUA criticam políticos católicos que o aprovam”.

E a eutanásia que era defendida como a morte santa para quem já não tem esperança de cura de doença grave? Mas foi legislada em Espanha, o que levou o bispo espanhol de Alcalá de Heneres, Juan Antonio Reig Pla, a publicar uma carta pastoral em que acusava o Governo de ter tornado a Espanha num “campo de extermínio”. Por cá, em meados de 2018, o Parlamento desistiu de legislar sobre o mesmo tema mas, recentemente, voltou a reactivar a intenção de persistir.

Os valores de competência, dedicação, honestidade, autoridade, responsabilidade, verdade, respeito pelas pessoas, etc., têm sido desprezados ou ignorados por quem devia dar bons exemplos da sua preservação e utilização.

O ensino ministrado às crianças no início da vida, como preparação para serem futuros cidadãos respeitáveis, parece não conter elementos de formação moral e ética, adequados a constituírem boa esperança de uma sociedade futura melhor do que a actual. Do topo dos serviços públicos também não saem muitos exemplos dignificantes, como a comunicação social, embora altamente condicionada pelo poder executivo, coloca diariamente em destaque. Já poucos membros do Governo, do Parlamento e das autarquias merecem o verdadeiro respeito dos cidadãos, quer pela falta de preparação e experiência para o cargo, quer pela forma como o exercem sem firmeza e esperança de um futuro melhor. Algumas leis e portarias não se aguentam muitos meses com validade, tal a forma frágil como foram preparadas.

Com esses e outros exemplos, os nossos dirigentes mostram que acreditam totalmente nas previsões de que a actual espécie humana será extinta antes de terminar o próximo século e, por isso, não estão para se dar ao trabalho de preparar o futuro.

E, desta forma, a vida está um caos em que se navega à vista da costa, sem rumo nem previsão. Nem as projecções dos célebres autores dos textos bíblicos lhes servem de orientação para os passos a dar. Depois virá outra espécie como a actual, que veio depois da do “Homo Neanderthalensis”?

Para que as pessoas se sintam mais seguras e confiantes, será indispensável que os responsáveis por serviços públicos disponham de competência, experiência, capacidade organizativa e usem de sentido de responsabilidade e, quando oportuno, demonstrem ter consciência, sabendo o que fizeram e porque o fizeram, que conhecem os problemas e saber procurar soluções para eles.

Todo o responsável por qualquer serviço público ou privado deve conhecer as leis, regulamentos, normas de execução, saber planear, analisar, comparar modalidades de acção para poder decidir servir-se da mais adequada, definir objectivos e verificar resultados das acções efectuadas. E saber reformular sempre que se torne indispensável.

Se um serviço estiver bem organizado e bem dirigido, o seu responsável máximo deve ser competente para se considerar responsável por tudo, por tudo o que nele for realizado ou deixar de o ser, porque a organização, na sua pirâmide de funções, deve informar em pormenor o seu chefe do funcionamento do seu sector para obter a sua aprovação ou reformulação. Dessa forma de actuar, o Chefe máximo não pode afirmar que não sabe e que não é responsável por qualquer erro que seja prejudicial ao objectivo do serviço.

Na candidatura a eleições devem ser evitadas guerrilhas deprimentes e usar-se programas de acção realistas e exequíveis, que demonstrem que merecem votos. A esperança, a confiança e o respeito, surgem com a transparência, competência e verdade. ■


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sexta-feira, 25 de junho de 2021

A DECISÃO POLÍTICA DEVE SER PERFEITA

(Public em DIABO nº 2321 de 25-06-2021. pág 16. Por António João Soares)

 Uma decisão que vai alterar a vida de várias pessoas deve ser bem fundamentada e ir ao encontro de quem vai ter de a cumprir.

Em 27 de Setembro de 2016, apresentei aqui um texto sobre “a preparação da decisão”, menos de um mês depois mostrei o grave inconveniente de “promessas e decisões anunciadas precocemente”. Pouco mais de um ano após, alertei para que “a vontade de mudar exige prudência”.

Por ser esse o meu pensamento baseado em estudos e experiência, tenho ficado muito chocado quando sei de decisões tornadas públicas em meios legais, logo a seguir comentadas e criticadas por diversos sectores da população, devido a deficiências por vezes graves e, algum tempo depois, anuladas ou substituídas por outras, mas também, carentes de prudência e boa ponderação do assunto que devia ter sido apoiado por pessoas com adequado conhecimento do conteúdo e seus factores condicionantes e alguma experiência do mesmo, capazes de conhecer as características da situação e dos efeitos desejados pela mudança pretendida.

Quando um tema tem grande incidência na população em geral ou de determinado sector económico ou geográfico, não deve ser sujeito a decisão ou legislação limitada a uma ou duas pessoas do Governo, que não podem avaliar os pormenores ajustados à realidade, que vão condicionar sem a terem contactado e, dificilmente, poderão prever o resultado desejado. Geralmente uma decisão é a escolha de entre várias modalidades possíveis, daquela que apresenta mais vantagens e menos inconvenientes para o fim pretendido, dentro das realidades existentes. É vantajosa a opinião e a ajuda de técnicos e de pessoas experientes e conhecedoras dos pormenores da situação.

 A principal função dos governantes consiste em defender os interesses colectivos das pessoas, melhorando a sua qualidade de vida, e não o de terem o prazer de tomar mais uma decisão como se fossem uma criança a mostrar mais uma habilidade com um novo brinquedo.

Há dias li uma entrevista do jovem político Manuel Tibo, autarca de Terras de Bouro, Gerês, que se refere à sua terra como sendo muito ignorada pelo poder central, havendo muitas questões que em Lisboa são mal analisadas, originando erros de avaliação que não têm permitido as melhoras aplicações dos recursos para o aproveitamento da maior fonte económica local, que é o turismo. Refere, por exemplo, a instalação do teleférico entre a Vila do Gerês e o miradouro da Pedra Bela, que não exige alterações da flora existente, antes evita estradas a serpentear pela floresta e pessoas apeadas a atravessar a poeira das viaturas.

Há duas casas florestais desocupadas para servirem os terminais, com condições de as pessoas trabalharem e terem casas de banho, e espaço para terem os carros durante o trabalho no funcionamento do teleférico. Este só terá vantagens para o rendimento do parque.

O turismo tem atractivos e convém ser melhorado com as verbas que lhe forem concedidas, que devem ser gastas em planos bem elaborados, com a concretização coordenada e fiscalizada, sem permitir demoras inconvenientes.

O parque florestal deve conter uma rede de retransmissores que permitam os contactos para socorrer pessoas desorientadas ou acidentadas e o seu planeamento deve ser feito com base no conhecimento adequado das condições geográficas da área, por forma a não ser nem demasiado custoso nem insuficiente.

A necessidade da ponderação na preparação das decisões notou-se na confusão do caso de Mira, e noutros como no da reforma da estrutura de chefias das Forças Armadas, inventada por um “sábio”, sem capacidade para analisar o espírito militar nos aspectos de disciplina, responsabilidade e dedicação ao dever de defender a Pátria. O chefe ou comandante de um sector militar é o responsável por tudo o que a sua unidade faz ou deixa de fazer. Não pode responder, como muitos políticos, “não sei”, “não conheço”… ■


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sexta-feira, 18 de junho de 2021

RELIGIÃO, CULTURA E VIDA SOCIAL

(Public em DIABO nº 2320 de 18-06- 2021 pág 16 Por António João Soares)

 A religião tem tido a função de bengala para nos ajudar a suportar e vencer as dificuldades da vida, com esperança de felicidade terrena e de, no final, obter o prémio da santidade.

Já na antiguidade se procurava suprir a ignorância de muitos fenómenos da natureza, criando deuses para diversos fenómenos desconhecidos, como a regularidade do nascer e pôr-do-sol, a Lua, a chuva, o vento, etc..

Mas o tempo foi passando, a mente humana começou a perceber esses fenómenos, através do desenvolvimento das diversas ciências, o fenómeno religioso evoluiu e desapareceram as primitivas religiões politeístas, sendo substituídas pelas monoteístas.

Porém, a humanidade não cristalizou e a ciência continua a evoluir, alargando a percepção do homem sobre o ambiente que o cerca. Não quer dizer que tenha de haver alterações profundas na espiritualidade das pessoas. Mas esta relação com o espiritual necessita de se tornar mais adequada às realidades actuais.

Por exemplo, tenho conhecido pessoas com elevada fé que se dedicam ao conhecimento pormenorizado dos conceitos bíblicos e da história de factos da antiguidade cristã, mas não se preocupam com os comportamentos das pessoas perante as realidades presentes.

Há muita gente que participa em actividades religiosas, em que recita maquinalmente orações sem ter a completa percepção do que significam as palavras e as frases que disseram. Há dias perguntei a um desses crentes quais são as três lições constantes da segunda parte da oração “Pai Nosso”. Ficou atrapalhado com a inesperada pergunta e estive a explicar-lhe. “O pão nosso de cada dia nos dai hoje” é uma lição de simplicidade, não avareza, não ambição, viver com o indispensável, sem vaidade, sem prosápias nem arrogância. “Perdoai-me as ofensas assim como perdoei a quem me tem ofendido” pode ser aplicado com o respeito pelos outros, a amizade, a compreensão, a tolerância, a solidariedade, etc. Com esta lição e “amai os outros como a vós mesmos”, deixaria de haver violências, terrorismo, guerras. “Não nos deixai cair em tentação e livrai-nos do mal”, é um bom princípio para termos a preocupação de evitar situações de risco, evitar vícios, droga, corrupção, raiva, vingança, etc..

 Quando recentemente, em Espanha, foi publicada a legalização da Eutanásia, o bispo espanhol de Alcalá de Heneres, Juan Antonio Reig Pla, publicou uma carta pastoral em que acusava o Governo de ter tornado a Espanha num “campo de extermínio”, porque deixou de respeitar a vida humana e, como as leis têm sempre excepções toleradas ou mesmo propositadas, as vidas dos cidadãos que não interessam ao Governo correm risco de, ao mínimo pretexto, serem paradas. Como idêntica lei esteve, mais uma vez, em discussão entre os nossos políticos, esperei que houvesse uma voz sonante da Igreja a dizer algo semelhante.

E como alguém que muito prezo afirmou, que todos os crentes têm o dever de evangelização, sugiro que, em vez de querermos mostrar erudição com citações de filósofos da antiguidade, se chame a atenção para as melhores lições sagradas aplicáveis a casos concretos da actualidade social. Ensinem-se as citadas lições do Pai Nosso e as dos mandamentos e, quando se fizer a citação de um caso histórico, defenda-se a sua aplicação à realidade actual. Assim se contribuirá para maior felicidade e qualidade de vida dos nossos concidadãos.

Insistindo nesse esforço de evangelização, talvez se consiga iniciar o apaziguamento do espírito odioso de alguns governantes e se evitem algumas guerras.

Mas receio que os sacerdotes estejam sem ânimo para seguir estas sugestões e aparecem notícias preocupantes da dessacralização de igrejas e templos religiosos, que são transformados em moradias, hotéis, bares, livrarias, lojas, etc., em várias cidades do mundo, principalmente na Europa, como em França, na Holanda, Itália, Inglaterra e Irlanda.

O mundo está em mudança, mas esta não está a ser seguida pelos estados islamitas que continuam cristalizados nas suas regras de imposição ao mundo das suas tradições. ■


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sexta-feira, 11 de junho de 2021

O RESPEITO E A AMIZADE SÃO VALORES ESSENCIAIS

(Public em DIABO nº 2319 de 11-06-2021 pág 16. Por António João Soares)

  O respeito pelas pessoas é um valor que deve ser muito valorizado após a experiência concedida pela actual pandemia. A solidariedade na defesa da vida e da saúde das pessoas deve ser praticada continuamente por toda a gente, em qualquer actividade, desde a mais insignificante até à dos mais altos poderes do Estado.

A amizade constitui maior riqueza do que um grande prémio da lotaria e, se ela for praticada na generalidade, a vida da humanidade melhora imenso e acabarão raivas, ódios e guerras destruidoras que prejudicarão todas as partes envolvidas. Todos os problemas, mesmo os mais difíceis, conseguem ser resolvidos pelo diálogo e a participação de intermediários especialistas no assunto, sem ser necessário o emprego de meios desgastantes que saem caros às partes em conflito em vidas humanas  e em destruição de valores patrimoniais.

Nas actividades para fazer face à pandemia houve um empenho muito generalizado, em que ficaram patentes muitas qualidades pessoais e de instituições de bem-fazer, em que era visível a finalidade de desenvolver a solidariedade e o socorro a pessoas que tiveram a saúde afectada e a vida em perigo.

Fiquei muito sensibilizado com a posição do Presidente francês Emmanuel Macron que, na sua primeira visita à África do Sul, encorajou este país a reforçar a produção de vacinas contra o Covid-19 e prometeu contribuir para aumentar o investimento no combate à pandemia. Essa posição amiga assenta no facto de um sistema de saúde robusto ser um objectivo que conduz à obtenção de resultados eficientes para o desenvolvimento de um futuro mais promissor. Segundo Macron, a França pretende ajudar a reforçar a capacidade deste país africano, não apenas a enfrentar esta crise, mas também todas as outras doenças e questões de saúde, em coordenação com a Organização Mundial de Saúde.

E como a amizade e a solidariedade não são uma actividade unipessoal, Macron disse ainda que a França e a África do Sul concluíram várias iniciativas com duas grandes empresas farmacêuticas, juntamente com a Alemanha, os Estados Unidos da América, o Banco Mundial e a União Europeia, a fim de reforçar a capacidade actual e transferir, sem demora, tecnologias concretas das vacinas actuais, para as produzir e colocar no mercado local. Com isto conseguirá enfrentar a crise a curto prazo e constituirá também solução para necessidades de médio e longo prazo, dando evolução às capacidades técnicas da indústria farmacêutica.

 Salientou que este pontapé de saída será aproveitado para entusiasmar o sector privado e todos os parceiros na África do Sul, para investir na formação e transferência de conhecimento na área do desenvolvimento da indústria farmacêutica em África. Será um passo para que este continente suba para um nível semelhante aos mais desenvolvidos

Além do tema das vacinas houve também conversações sobre saúde, ensino (transferência de competências), comércio e segurança regional. A África poderá vir a ser utilizada por grandes empresas mundiais como origem de produtos que servirão consumidores de vários continentes.

Por cá, o respeito e a dedicação aos outros ficaram bem patentes durante a pandemia no comportamento dos militares que acorreram em apoio de idosos, abandonados em suas casas durante a fase mais aguda. Deram-lhes todo o apoio que estava ao seu alcance e, com isso, conseguiram que muitos escapassem à sina que os esperava. Essa eficiência militar foi também notória no lar de idosos militares CASRUNA (Centro de Apoio Social de Runa) onde não houve falecimentos mas apenas curtas interrupções do serviço por parte de alguns serventes, que não foram devidamente cumpridores das regras de prevenção de contágios nos seus movimentos entre o CAS e as suas residências. Mas foram devidamente tratados e a sua ausência do serviço foi relativamente curta. A prevenção foi resultado dos cuidados pessoais no cumprimento das regras bem divulgadas. ■


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domingo, 6 de junho de 2021

CONTROLAR A ENTRADA DE IMIGRANTES

(Public em DIABO nº 2318 de 04-06-2021, pág 16, por António João Soares)

Os imigrantes são necessários, na medida conveniente, para suprir a falta de trabalhadores pouco especializados em actividades agrícolas ou outras pouco exigentes em competência. Mas, se não houver um controlo adequado na sua recepção, podemos arriscar o país a ser colonizado por poderes estrangeiros que podem estar a usar migrantes para isso.

Em França existem demasiados problemas sociais. Por exemplo, nas escolas, os professores sentem dificuldades com temas vulgares porque os alunos os acusam em voz alta de racismo, fascismo e outros termos presentemente divulgados e evitam abordar temas actuais, como as agressões mútuas entre Israel e os palestinianos. Deixam de ser ouvidos e nem sequer têm oportunidade de dar explicações sobre o assunto.

Também a Bélgica já está em perigo, havendo jornalistas que se interrogam se esse país será o primeiro estado islâmico da Europa. O jornal “Le Figaro” já afirma que “a capital europeia (Bruxelas) será muçulmana dentro de 20 anos”, havendo um “programa confusamente simples: substituir todos os códigos civis e jornais pela lei da Sharia”. Em eleições autárquicas há partidos islâmicos que ganham preocupantes quantidades de votos. E há bairros em cidades importantes em que a polícia tem dificuldade de acesso ou nem se arrisca a tentar entrar.

Os poderes que, discretamente, apoiam os movimentos de “refugiados ou fugitivos” através do Mediterrâneo e/ou do Norte de África, pagando aos traficantes que os conduzem a pontos menos defendidos das fronteiras de países europeus mais próximos do Norte de África, não são amigos da Europa e procuram criar estas condições de confusão para depois tentar colher resultados favoráveis à sua própria estratégia de conquista.

A recente invasão de Ceuta é um caso muito claro deste fenómeno e o próprio Marrocos teve consciência disso e aceitou um acordo para colaborar muito eficazmente na devolução dos migrantes à sua origem. Compreendeu que a eficiência de uma fronteira constitui responsabilidade dos estados vizinhos. A Espanha, sem ajuda, teria dificuldade em devolver cerca de sete mil pessoas que já se encontravam em Ceuta. Mas Marrocos colocou junto à fronteira efectivos militares e policiais que foram eficientes. Curiosamente, na noite do quinto dia de perigo, houve três pontos fronteiriços que em momentos diferentes foram abordados por centenas de migrantes, mas as forças marroquinas impediram- -lhes a passagem. Estes transgressores, apesar de tudo parecer ter entrado em normalidade, eram perseverantes e queriam levar avante a sua intenção, mesmo estando em fase avançada a devolução da quase totalidade dos alvos do acordo entre os dois estados.

Essas pessoas, depois de entrarem e se anicharem o melhor possível em áreas com alguma segurança, exigiriam apoios de vária espécie e poderiam vir a ser elementos de luta aproveitados por colonizadores islâmicos e, entretanto, contariam com a protecção de amigos ou de ingénuos caridosos que atacariam habitantes locais, como sendo os maus e desumanos sem caridade nem humanidade.

Devemos recordar a acção dos nossos navegadores, durante os descobrimentos, com a diferença de que eles iam dilatar a fé religiosa católica e hoje há menos receio de usar a força e para isso dispõem de muitos apoios, mesmo entre extremistas locais inocentes e ingénuos. Vejamos o que se passa entre Israel e os palestinianos e as versões nos órgãos de comunicação locais, havendo muitos europeus que esquecem que Israel tem agido em sua defesa contra ataques que sofreu e acusam-no de violência contra os que lhe atacaram o território, as pessoas e os haveres, ignorando que violência gera violência e que esta tem o dom de obter dissuasão, contenção e desmotivação.

O melhor resultado será obtido evitando misturas e que sejamos incomodados por pessoas estranhas, com tradições, hábitos e religiões diferentes de que não querem separar-se e que nos querem impor a todo o custo, sem o mínimo respeito pelo ambiente que encontram.

Não trazem o objectivo de respeitar mutuamente os direitos humanos, nem procurar ambientar-se para serem felizes, sem lesar os seus aceitantes. ■


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