Natal e os Direitos Humanos
DIABO nº 2242 de 20-12-2019, pág 16
O Natal é uma parte do ano propícia para reflexão sobre a grandeza anónima, discreta, moral, com valorização da simplicidade, da humildade das palhas do presépio, em oposição às acções de ostentação de riqueza material com que hoje se festeja a data, com altos cones iluminados, qual deles o mais alto e oneroso. Nesse aspecto festivaleiro e na falta de respeito e de amor aos outros, a humanidade mostra que não compreendeu nem aceitou a lição de Cristo. A degradação das sociedades mostra de forma bem clara que se torna necessária e urgente uma acção eficaz de recuperação e revitalização dos valores morais e éticos que têm sido perdidos.
Hoje, o Deus mais adorado é o dinheiro, vil metal, em si ou em simulações que iludam sobre a sua posse. Estas festas natalícias, que deviam ser de amor e humildade, são, pelo contrário, momentos de egoísmo, ambição, ostentação e materialismo grosseiro. Parece que estamos perante sinais da chegada do apocalipse, com as corrupções, o terrorismo, a criminalidade violenta, as terríveis infantilidades cometidas por governantes de quem se esperava um bom exemplo para o Mundo. Como será o futuro? Como será festejado o Natal pelos vindouros?
Em 1948, há 71 anos, as Nações Unidas adoptaram um conjunto de direitos humanos aplicável a todos nós. Hoje celebramos este marco histórico em nome de um mundo que devia ser mais livre e com mais igualdade. Mas, infelizmente, como vem sendo costume, esses direitos não passaram do papel. Faltou a vontade e a força adequada para os fazer cumprir. Sem isso, o prestígio da ONU fica de rastos. As notícias trazem-nos, diariamente, ao conhecimento crimes impunes contra esses direitos.
É notória a terrível insensibilidade de governantes que, em vez de serem modelos de bom comportamento para a humanidade, são o oposto e ignoram e desprezam as boas regras que ocasionalmente são publicadas por pessoas bem intencionadas. Brademos contra tal degradação social e façamos algo para que os bons princípios e os mais altos valores sejam respeitados e defendidos para bem da Humanidade actual e das gerações futuras. Aproveitemos a quadra festiva do Natal para melhorar os comportamentos sociais.
Recordo um caso de deficiência de apoio de saúde:
Uma idosa de 89 anos internada em lar, havia 5 meses, por ter caído na cozinha e fracturado o fémur esquerdo, na noite de 14 de Novembro de 2015, devido a queda, foi hospitalizada no hospital de Cascais com fractura do fémur direito. Teve uma pneumonia preocupante devida a bactéria hospitalar e, logo que teve ligeiras melhoras, deram-lhe alta em 24 de Novembro. Em 27 de Novembro, 3 dias depois da alta, o agravamento da pneumonia obrigou a novo internamento de que teve alta em 3 de Dezembro, por ter baixado um pouco a temperatura. Em 6 de Dezembro, 3 dias depois da alta, a pneumonia teve novo agravamento, com a respiração muito difícil quase a asfixiar, foi novamente às urgências e teve que ficar novamente internada. Foi chamada a atenção do médico das urgências para o facto de as altas terem sido muito prematuras, usando a frase de uma assistente social pronunciada em 2 de Dezembro. Foi respondido que não é só pela necessidade de libertar camas, mas também por outros factores. Neste vaivém, a doente ficou em extrema debilidade, e acabou por falecer na manhã de 10 de Dezembro.
E, assim, por vários factores, as pessoas acabam por perder a vida precocemente e com sofrimento. A quadra natalícia deve ser aproveitada como momento propício para se tentar dar melhor qualidade de vida a todos os seres humanos, defesa da Natureza e do ambiente e não se restringir à utopia de querer evitar as alterações climáticas que a Natureza nos impõe. ■
quinta-feira, 19 de dezembro de 2019
NATAL E OS DIREITOS HUMANOS
Publicada por
A. João Soares
à(s)
16:56
1 comentários
Etiquetas: Direitos Humanos, Natal e os direitos humanos
segunda-feira, 6 de maio de 2013
AUSTERIDADE, O MAL MAIOR???
Vozes muito conceituadas no mundo das ciências Económicas têm emitido opinião negativa em relação à austeridade excessiva, alertando sobre os seus diversos perigos para a economia e para o bem-estar dos povos e, agora, o próprio ministro das Finanças de França afirma que o dogma da austeridade acabou. Disse que "houve uma mudança de doutrina, de orientação, de rumo. A partir de agora, o crescimento deve estar no centro das prioridades".
Também a Amnistia alerta União Europeia sobre efeitos da austeridade nos direitos humanos e a directora executiva da Amnistia Internacional Portugal, Teresa Pina, afirmou que a organização entende que "a questão dos direitos humanos tem estado ausente das respostas que têm sido previstas ou decididas para fazer face à crise".
Por seu lado, Sócrates diz que novo pacote de austeridade isola Portugal e que "já nenhum outro país sugere um pacote de austeridade como o português", e recordando que, esta semana, Espanha, França e Holanda anunciaram que não vão seguir políticas de austeridade por terem mais tempo para o processo de ajustamento do défice.
Imagem de arquivo
Publicada por
A. João Soares
à(s)
10:03
4
comentários
Etiquetas: austeridade, crescimento, Direitos Humanos, emprego, sensatez
sábado, 25 de agosto de 2012
ONU observa a Síria da bancada
A ONU (Organização das Nações Unidas) foi fundada em 24 de outubro de 1945, na cidade de São Francisco (Califórnia – Estados Unidos), sendo uma organização constituída por governos da maioria dos países do mundo. É a maior organização internacional, cujo objetivo principal é criar e colocar em prática mecanismos que possibilitem a segurança internacional, desenvolvimento econômico, definição de leis internacionais, respeito aos direitos humanos e o progresso social.
A ONU, em conformidade com o seu objectivo principal não deve ficar sentada como um «treinador de bancada» a confirmar o «aumento dramático» da crise síria. É seu papel evitar as guerras, mas isso não significa, antes pelo contrário, ficar sentada a observar. Deve criar capacidade para fomentar conversações, negociações, com os intervenientes e entre eles, por forma a encontrar solução que evite o sacrifício estúpido de tão grande quantidade de população inocente. Se a solução é a substituição do Chefe de Estado, haja coragem para a pôr em prática. Qual é afinal o poder da ONU que tão cara fica aos contribuintes?
Aplica-se aqui a frase do Mahatma Gandhi: «Quando não se possa escolher senão entre a cobardia e a violência, aconselharei a violência». Mas aqui parece que há soluções entre estes dois extremos.
Imagem de arquivo
Publicada por
A. João Soares
à(s)
10:27
0
comentários
Etiquetas: Direitos Humanos, ONU, paz, Síria
sexta-feira, 12 de agosto de 2011
Líbia. Solução não é militar
Transcrição de artigo seguida de NOTA:
LÍBIA. Ban Ki-Moon não vê solução militar para o conflito
Diário de Notícias. por Lusa. 12-08-2011
Não pode haver uma solução militar para a crise líbia, afirma o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, numa declaração divulgada hoje.
Sem mencionar nenhum dos protagonistas no conflito, o secretário-geral da ONU apela a todas as partes "para terem todo o cuidado nas suas ações de forma a minimizar possíveis perdas de vidas civis", refere a declaração divulgada pelas Nações Unidas.
"Um cessar-fogo que esteja ligado ao processo político que vá ao encontro das aspirações do povo líbio é a única forma de se atingir a paz e a segurança na Líbia", refere Ban Ki-moon.
A revolta popular contra o regime de Muammar Kadhafi começou na Líbia em Fevereiro e desde então morreram milhares de civis e centenas de milhar de pessoas tiveram de abandonar o país.
A operação militar para proteger civis na Líbia teve início a 19 de Março na sequência de uma resolução das Nações Unidas e foi prolongada até setembro.
NOTA: Embora possa parecer imodéstia, não deixo de aqui lembrar que estes conceitos foram aqui defendidos nos seguintes posts. Será que Ban Ki-Moon terá lido este blog ???
ONU sem estratégia de acção, em 26-05-2011
ONU perde credibilidade..., em 01-05-2011
ONU criou na Líbia um precedente grave, em 23-04-2011
Imagem do Google
Publicada por
A. João Soares
à(s)
17:59
1 comentários
Etiquetas: conversação, diálogo, diplomacia, Direitos Humanos, Líbia, negociação, ONU., paz
quinta-feira, 21 de julho de 2011
Somália, seca, fome e pirataria
O caso da Somália constitui um exemplo de que, em geoestratégia, não há um factor que, só por si, garanta supremacia ou posição desafogada. É indispensável uma interacção bem equilibrada entre os diversos factores, de forma a que os mais fortes possam compensar os mais fracos. Na Somália, a posição geoestratégica, controlando a passagem do mar Vermelho para o oceano Índico é, sem dúvida, uma valia de alta importância mas carece do suporte de outros factores para dela serem tirados dividendos.
As realidades mostram fracos recursos naturais, excepto o incenso que a fez conhecer como a «terra dos aromas», terreno sem vocação para a agricultura nem para a pecuária, fizeram que vivesse à base do comércio explorado por colonizadores iemenitas, abexins, etíopes e, mais tarde, italianos.
Depois da independência (1 de Junho de 1960), ainda não viveu em paz por período aceitável, um pouco por más relações com países próximos, mas principalmente por difícil relacionamento entre as facções que desejam o poder.
Para agravar a situação, os seus habitantes aventuram-se, desde há alguns anos, à pirataria, o que tem gerado animosidade em todo o mundo. A ONU, para garantir a navegação segura de petroleiros, cargueiros e navios de cruzeiro, tem empenhado volumosos meios navais de todo o mundo para fazer face à pirataria. Olhando para a acção da ONU, fica-se com a dúvida de se teria sido mais eficaz desviar o investimento nesses meios, dirigindo-o ao combate às causas do problema, isto é, ao apoio à população, a um governo forte que estabelecesse a ordem interna e, dessa forma, criasse condições para iniciar a produção possível de meios de vida e de exportação (animais vivos, produtos de pesca, bananas, etc.).
Mas a ONU carece de ideias iluminadas para encarar com racionalidade os problemas de países que não têm petróleo ou não têm utilidade directa para os membros permanentes do Conselho de Segurança. Mas, depois de terem deixado chegar o povo deste país ao estado em que se encontra, aparecem notícias de que Secretário-geral da ONU pede ajuda urgente para a Somália e de que Dezenas de milhares estão "em risco de morte" na Somália. Ora os Direitos Humanos e as acções humanitárias não devem circunscrever-se a actos isolados e espectaculares, mas revestir-se de uma atenção constante para agir preventivamente antes de se atingirem situações dramáticas como mostram as imagens seguintes.
Imagem do Google. As imagens do álbum são de ROBERTO SCHMIDT/AFP
Publicada por
A. João Soares
à(s)
16:52
0
comentários
Etiquetas: Direitos Humanos, ONU, pirataria
sexta-feira, 13 de maio de 2011
Direitos Humanos e Democracia
Os sinais dos tempos, por vezes são o contrário do previsto. Em vez de a Democracia lutar pelos direitos humanos, são estes que se revoltam pela democracia. Porque esta tem sido um logro e não tem passado de uma oligarquia sem lei nem roque.
Transcreve-se a notícia seguinte para ajudar a reflexão sobre o tema:
Direitos humanos vivem “momento histórico” com revoltas pela democracia
Público. 13-0-2011. 00:01
Relatório anual da Amnistia Internacional
As revoltas pró-democracia no Médio Oriente e Norte de África e o crescimento sem precedentes das redes sociais poderão produzir uma mudança ímpar – e que pode acontecer a qualquer momento – no que diz respeito aos direitos humanos, lê-se no relatório anual da Amnistia Internacional.
A publicação do relatório global sobre direitos humanos coincide com o 50º aniversário da organização. “A revolução dos direitos humanos vive agora um momento de mudança histórico”, afirma Salil Shetty, secretário-geral da Amnistia Internacional (AI).
“As pessoas cansaram-se de viver com medo e estimuladas por lideranças jovens resolveram erguer-se em defesa dos seus direitos, enfrentando balas, tanques, gás lacrimogéneo e agressões”, continua Shetty. “Esta coragem – combinada com as novas tecnologias que estão a ajudar os activistas a denunciarem e a ultrapassarem a repressão governamental à liberdade de expressão e às manifestações pacíficas – é um sinal para os Governos repressores de que os seus dias estão contados”.
Mas nada está ainda garantido e as “forças da repressão reagem fortemente” e batalham pelo controlo do acesso à informação, lê-se ainda. “A comunidade internacional deve aproveitar esta oportunidade única de mudança e deve garantir que o despertar dos direitos humanos, a que assistimos em 2011, não se torne numa ilusão”. A AI aponta para a “necessidade de existir uma política consistente de tolerância zero, da parte do Conselho de Segurança da ONU, para os crimes contra a humanidade”.
A organização alerta ainda para a deterioração da situação em países onde os activistas correm sérios riscos, como na Ucrânia, na Bielorrússia e no Quirguistão; para a espiral de violência na Nigéria; e a escalada da crise provocada pelos rebeldes armados maoistas nas regiões centrais e no Nordeste da Índia.
O relatório da AI documenta restrições específicas à liberdade de expressão em pelo menos 89 países, destaca casos de prisioneiros de consciência em pelo menos 48 países, documenta casos de tortura e outros maus-tratos em pelo menos 98 países e relata a ocorrência de julgamentos injustos em pelo menos 54 países.
Publicada por
A. João Soares
à(s)
21:43
2
comentários
Etiquetas: Democracia, Direitos Humanos
domingo, 1 de maio de 2011
ONU perde credibilidade...
Para quem gosta de observar o mundo a partir da estratosfera para ser independente, imparcial, sem sofrer as pressões dos intervenientes nos diversos conflitos, é impressionante a notícia Ataque da NATO a Tripoli mata filho e três netos de Muammar Khadafi, mesmo que não se dê muito crédito à notícia de que Khadafi oferece negociações de paz à NATO.
Se o pretexto desta intervenção continuada na Líbia foi a defesa dos direitos humanos, fica provado que esse foi um falso e mau motivo, pois além destas inocentes vítimas, tem havido muitas outras não individualizadas por não serem da elite política, mas sem por isso deixarem de ser seres humanos.
A ONU com os vários erros do Conselho de Segurança perde credibilidade e está a desafiar a que ocorram novas tragédias como a das «Torres Gémeas», ou casos semelhantes contra a Torre Eiffel, Eliseu, Arco do Triunfo, Buckingam ou outro local de estimação.
Na sequência do que ficou dito em ONU criou na Líbia um precedente grave parece que o Mundo está dominado por loucos, incipientes e inconscientes aprendizes de Hitler que fazem as piores atrocidades sob capas diversas como Al-Qaeda ou CS/ONU. Ficamos sem saber qual destas capas será a menos criminosa.
O que ocorrerá na Síria, que está com um problema semelhante? Há países sensatos que já estão a opor-se a semelhante asneira. Por outro lado, ali não está em jogo o petróleo! Vários pesos, várias medidas!
Com o que se tem passado, desde a sua criação (Caxemira, Saraui, Myanmar, etc), a ONU perde credibilidade e o respeito que devia merecer.
Imagem do Google
Publicada por
A. João Soares
à(s)
10:15
0
comentários
Etiquetas: diplomacia, Direitos Humanos, ONU, paz
sábado, 23 de abril de 2011
Ana Gomes pensa nas pessoas…
Depois de, há cerca de três semanas, ter sido publicado ONU criou na Líbia um precedente grave, em que se reflectia nos inconvenientes do uso de meios militares poderosos, com prováveis efeitos colaterais, numa ingerência em assunto interno de Estado independente e soberano, a pretexto de defesa de direitos humanos e se apontava como mais razoável a solução pacífica dos problemas com conversação e negociação, surge agora a voz sensata da eurodeputada Ana Gomes que defende missão humanitária urgente na Líbia e considera que o envio de conselheiros militares para este País não contribui para a melhor solução.
Desta forma se defendem mais efectivamente os direitos humanos e se evitam as baixas inevitáveis com bombardeamentos aéreos.
Publicada por
A. João Soares
à(s)
19:05
0
comentários
Etiquetas: Direitos Humanos, Líbia, sensatez
domingo, 18 de julho de 2010
Humanizar a humanidade
Ninguém é perfeito e há um ditado antigo que diz que é mais fácil vermos um cisco no olho do vizinho do que uma trave no nosso. Essa debilidade humana, muito generalizada impede de analisar o bem e o mal dos outros de forma sensata, isenta, sem paixões nem radicalismos. Acho que será virtuoso procurarmos olhar os outros, como diferentes que são, e não estarmos teimosamente a colocarmo-nos como modelos de virtudes e termo de comparação, principalmente quando se trata de pessoas ou sociedades com outra educação, religião tradição, etc.
Cabe aqui citar o preceito cristão «amar os outros como a si próprio, tendo em mente que a palavra «outros» significa os diferentes em todos ou em muitos aspectos. Para julgar e condenar, com crítica ou opinião, será prudente imaginarmos o que faríamos ou pensaríamos se estivéssemos no seu lugar.
As religiões, todas visando a felicidade dos seus crentes, nalguns casos, oprimem de forma bárbara (segundo os conceitos de outras sociedades que seguem outros deuses). O cristianismo teve a inquisição com condenações bárbaras como a de Galileu só porque dizia que a Terra girava em volta do Sol e não o inverso como era crença na época. Houve as repressões dos que seguiram a Reforma luterana. Há, ao contrário da apregoada pobreza, simplicidade e humildade, o fausto das catedrais e do Vaticano, à custa das esmolas dos crentes e da «corrupção» com reis e imperadores. A Europa apesar do poder temporal da Santa Sé, andou quase permanentemente em guerra (dos 100 anos, dos 30 anos, dos 7 anos, primeira e segunda guerras mundiais, etc.).
Os Estados, com o conceito de soberania e não podendo hostilizar directamente as tradições seculares dos respectivos povos, não se subordinam pela força a outros estados que se arrogam possuir valores mais humanos. Haverá que dialogar, usando mais a convicção e o esclarecimento do que as ameaças e as sanções económicas ou outras. Com respeito, compreensão e boa vontade, usando mais o amor do que o medo, poder-se-á progressivamente ir criando novos hábitos mais racionais mais humanos, que favoreçam uma melhor cooperação entre os povos, quer nacionalmente quer internacionalmente, para a paz no mundo.
E nunca devemos esquecer que para melhorarmos o Mundo, devemos começar pela nossa rua, o nosso bairro, a nossa terra. Em 20 de Março houve um notável entusiasmo para LIMPAR PORTUGAL, mas o efeito foi pouco duradouro e há muita gente a queixar-se que se voltou ao mesmo desleixo de anteriormente. E não se vê uma actividade consistente e persistente para pressionar publicamente as autoridades a assumirem as suas responsabilidades sobre a defesa do ambiente, quer urbano quer rural.
Qualquer actividade manifestada para corrigir situações escandalosas em países diferentes é louvável e, por vezes é eficaz, mas não esqueçamos de mudar para melhor os nossos hábitos e dos nossos vizinhos. Limpar a nossa área de influência. É que só sendo eficientes aqui, poderemos ter credibilidade lá fora. Só dessa forma mostraremos que somos uma sociedade mais evoluída humana, cívica, ecologicamente.
Publicada por
A. João Soares
à(s)
18:56
4
comentários
Etiquetas: Direitos Humanos, humanidade
sexta-feira, 25 de junho de 2010
A China em fase de evolução rápida
O Post «Como ficará a China do futuro?» no blog A Tulha do Atílio suscitou-me um extenso comentário que, pela sua extensão não terá a leitura e a atenção que julgo merecer, como ponto de reflexão nos dias de hoje. Por isso o publico aqui.
Os comentadores anteriores são consonantes em afirmar que o mundo está louco. Louco de verdade.
Como disse, há dias, noutro comentário, «desde a época da pedra lascada, paleolítico, tem havido evolução nas tecnologias (televisão, telemóvel, etc), mas na alma dos homens tem havido degradação, na maneira de encarar a vida, a Natureza, os outros. As relações em família, em grupo e em sociedade estão de tal forma degradadas que já temos muito a aprender com os animais da selva de que frequentemente se vêm imagens das televisões».
Porém, este texto contra a China é horrivelmente tendencioso, escrito por alguém que está habituado a defender a sociedade do lucro exagerado que não reverte para remuneração justa à mão-de-obra, mas sim para o enriquecimento dos donos das empresas que não dispensam as mansões, os caros de luxo, os jatinhos, o consumismo de luxo.
A China deve ser observada, tendo em vista a sua história. No tempo do Império do Meio, o seu desenvolvimento deu ao mundo inventos que ainda hoje são úteis. Depois teve um largo período de apagamento no seu pacifismo atacado pela Mongólia e pelo Japão. O fracasso da revolução maoísta serviu de vacina para reestruturar o País de forma cautelosa, persistente que tem dado bons frutos, apesar da grande extensão, do excesso de população e da sua grande diversidade de problemas.
Quando a União Soviética implodiu, receava-se que acontecesse algo de muito grave na China, o que seria perigoso para todo o mundo, mas a sensatez serena e eficiente dos governantes levou a medidas eficientes que fizeram a China crescer economicamente a um ritmo único no mundo moderno. Aprendeu o que de melhor encontrou nas regras do capitalismo ocidental.
O autor do texto, que defende a regra de que o lucro a qualquer custo é símbolo de modernidade, condena a China de estar a utilizar as regras ocidentais a seu modo e estar a orientar-se para o desenvolvimento económico. É uma contradição sua, que descredibiliza o texto.
Não concordo com o conselho de preferirmos produtos fabricados no nosso País, pois o consumidor deve ser livre de comprar o que mais lhe interessar em qualidade e preço, seja qual for a origem, pois é essa a lei da globalização que os ocidentais criaram. Por outro lado o facto de ser cá fabricado, não quer dizer que os lucros beneficiem o País, pois o capitalista pode ser estrangeiro ou, sendo nacional,, pode depositá-lo numa off-shore ou paraíso fiscal longínquo.
Por seu lado, os trabalhadores são na sua quase totalidade estrangeiros que enviam para a terra quase todo o salário. Os portugueses não sentem a obrigação de trabalhar e candidatam-se a assessores, deputados ou outro género de parasitas e, se o não conseguem, procuram viver de subsídios – há-os para todos os gostos – sem nada criarem para a riqueza nacional.
Falta aos empresários ocidentais a capacidade de adaptação aos novos tempos como os chineses têm feito desde há várias décadas. É preciso que nós os ocidentais passemos a raciocinar e aplicar quotidianamente os valores éticos e saibamos equacionar os problemas da melhor forma com respeito pelos outros, sejam de onde forem.
Quanto á imagens das crianças (ver o post referido), não são realmente edificantes, mas há por cá casos menos humanos. Até recentemente, nas aldeias, os pais iam trabalhar para o campo deixando as crianças fechadas em casa sem apoio nem comodidade. Já tem havido notícias de crianças asfixiadas por terem ficado fechadas no carro durante horas. Estas fotos da China mostram que há preocupação com a proximidade dos pais, que os observam com frequência e os miúdos observam que a vida é trabalho e vão aprendendo esse aspecto do civismo. Cá as crianças, pouco tempo após nascerem, apenas vêm os pais durante poucos minutos no fim do dia e, nas creches e jardins de infância, recebem o cuidado mínimo para não se ferirem e serem devolvidas em bom estado no fim do dia. Uns com os outros, sem educação cívica de adultos, só aprendem a desenvolver os piores instintos. Portanto, à luz dos conceitos, a diferença não é grande. Do ponto de vista humano, certamente, estas fotos não são uma amostra válida da média dos chineses.
É preciso ter respeito pelos que são diferentes de nós. «Amai-vos uns aos outros», e os outros são os diferentes. A China tem tradições diferentes mas tem evoluído aproveitando o que de melhor vê no mundo. Assim Fossem os ocidentais!!! Mas não são e querem torpedear quem, se ergue acima da mediocridade do Ocidente.
Juntam-se links de textos já aqui publicados referindo temas semelhantes:
- 2010 Ano de Transformações
- Transformações no Mundo
- Como será o mundo amanhã?
- A China e os direitos humanos
- Um ricaço a contas com a Justiça na China
- Lição da China contra a desertificação
Publicada por
A. João Soares
à(s)
10:43
3
comentários
Etiquetas: China, desenvolvimento, Direitos Humanos
segunda-feira, 13 de julho de 2009
Ambições vs. Direitos Humanos
POSSO?
Grita, grita à vontade.
Tens razão, já é demais.
Nem parece verdade,
Milhões e milhões aos ais!
Sofrer sem culpa e com dor!
Inocentes... mas que pena!
Viver sem paz nem amor,
Injustiça, crueldade, horror!
Gananciosos, malditos,
Invasores. canalhas.
Importância para ricos!
Direitos humanos sem valor!
Eles e suas leis a seu jeito.
Por isso querem poder.
E muito povo já sem leito
Obedece sem querer.
Abaixo os imbecis.
Abaixo guerras e agressões.
Abaixo os convencidos
Que são donos das nações!
Ambiciosos, querem poder,
Pois percam as ilusões.
O Mundo há-de vencer
E tirar-vos as razões.
Milai
NOTA: Foi publicado pela autora no blog Sempre Jovens e constitui um grito de alerta contra guerras e agressões e um apelo para maior respeito pelos Direitos humanos e mais harmonia e justiça social no mundo.
Publicada por
A. João Soares
à(s)
11:06
4
comentários
Etiquetas: Direitos Humanos, justiça social, paz
sábado, 16 de maio de 2009
A crise tem potencialidades positivas
“Queremos resolver a ‘crise’ ou queremos também ‘escutar’ a crise? É que do fundo do seu drama pode estar a surgir a voz que desafia todos, pessoas e estruturas, a porem-se a caminho, mudando em favor do homem, renovando-se em nome da família humana.” Isto foi dito por D. José Policarpo, no final do simpósio “reinventar a solidariedade em tempo de crise”, organizado pela Conferência Episcopal Portuguesa, conforme noticia o Público em Cardeal-patriarca de Lisboa diz que a chamada “crise” pode estar “a gerar uma nova consciência colectiva”.
Referiu o primado dos valores humanos sobre interesses materiais dizendo que “Foi assim com a consciência da dignidade dos trabalhadores na primeira revolução industrial” e “com o movimento de autonomia e independência dos países colonizados pela Europa, a partir da Conferência de Bandung; com o movimento de defesa dos direitos humanos...”
Sublinhou que estas “tomadas de consciência colectiva” são “dinâmicas, progressivas, atingem massas humanas cada vez mais numerosas e são irreversíveis nos seus efeitos de mudança da história”.
Alertou que, “a partir de certo momento, as ‘ideologias’, os mecanismos políticos e os sistemas económicos implantados tentam dominá-los, chegando mesmo a neutralizar-lhes a sua força inovadora e transformadora”. Mas é preciso manter “a chama renovadora no contexto de uma nova busca da harmonia da sociedade é desafio apresentado a todas as estruturas, religiosas, políticas, sociais”.
Admite que “a situação a que toda a gente chama a ‘crise’” pode estar “a gerar uma nova consciência colectiva”.
Disse «que ninguém queira aprisionar a história, em nome de ideologias, de interesses vários, de sistemas implantados. A humanidade grita por novas harmonias, que exigirão caminhos novos de governo da humanidade, caminhos de autêntico progresso humano». É preciso “pôr a pessoa humana, na sua dignidade, como prioridade absoluta da organização da sociedade.”
Publicada por
A. João Soares
à(s)
09:37
0
comentários
Etiquetas: crise, dignidade, Direitos Humanos
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009
A China e os direitos humanos
O assunto do artigo «Direitos humanos: China pede a Washington para parar de dar lições» merece ser devidamente ponderado pelos diplomatas e pelos que pensam um pouco sobre os aspectos que podem influenciar a paz mundial e a felicidade dos povos.
O Departamento de Estado Americano no seu relatório anual sobre o estado dos direitos humanos, o primeiro da Administração de Barack Obama, promete dar o exemplo e aponta o dedo às violações registadas na China, Irão ou Rússia. A China reagiu de imediato, pedindo aos Estados Unidos para pararem de se apresentar como guardiões dos direitos humanos no mundo.
“Pedimos aos EUA que se ocupem dos seus próprios problemas de direitos humanos e que parem de se considerar guardiães dos direitos humanos”, declarou esta manhã à imprensa o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Ma Zhaoxu.
“Neste 30 anos, a China experimentou um forte crescimento económico e realizou progressos democráticos constantes e protege plenamente a liberdade religiosa”, assegurou ainda o porta-voz, citado pela AFP. “Os grupos étnicos gozam dos seus direitos e da sua liberdade” na China, acrescentou. “O mundo inteiro sabe isso.”
Porém, o relatório americano, publicado quarta-feira à tarde, sublinha violações das liberdades individuais na China. “O balanço do Governo chinês no que respeita aos direitos humanos continuou mau e agravou-se em certas regiões”, citando em particular “a repressão das minorias étnicas na região autónoma uigure e no Tibete”. Washington denuncia ainda as “eliminações e torturas” infligidas aos opositores e as perseguições sofridas pelos dissidentes, defensores dos direitos humanos e os seus advogados, nomeadamente no período dos Jogos Olímpicos de Pequim.
Compreende-se que a China, candidata a grande potência mundial e senhora de uma história milenar de poder hegemónico na Ásia e no Extremo Oriente, o Império do Meio, tem características civilizacionais próprias e não gosta de ser apontada como em situação inferior seja em que aspecto for. Por outro lado, a América não será bem vista se continuar a assumir um papel de polícia do mundo.
Mas o mundo que se considera mais civilizado não resiste à tentação de exigir condições mais humanas quanto aos direitos humanos e, dada a globalização da economia, muitos países asiáticos, com salários de miséria e horários de trabalho muito alargados, bem como o trabalho infantil, constituem uma concorrência desleal que, se não for moderada, arruinará os produtores do mundo Ocidental.
Haverá, por isso, que, de forma adequada, convencer esses países a usarem de métodos semelhantes aos restantes membros das Nações Unidas, por forma a construir-se um ambiente internacional de concorrência sã, em clima de confiança, compreensão e cooperação, para bem das populações de todos os continentes.
Publicada por
A. João Soares
à(s)
17:07
4
comentários
Etiquetas: China, Direitos Humanos, globalização
quinta-feira, 11 de setembro de 2008
Imigrantes. É preciso compreender
Dizem as notícias que em 2006 entraram mais 50% de imigrantes do que no ano anterior.É certo que entretanto saíram muitos mas, mesmo assim, o saldo foi positivo.
O que custa a compreender é que, havendo tanto desemprego, como é que esta gente encontra trabalho? E se os imigrantes encontram, porque é que os nossos desempregados não ocupam esses postos?
Aparecem pontualmente informações que ajudam a ver melhor, mas sem ir ao fundo do problema. Uma licenciada estava há seis anos à espera de encontrar emprego compatível com as suas habilitações. Não sei se ainda está à espera, mas como, entretanto, há seis anos de novos licenciados, com informação mais fresca e actualizada, as perspectivas não lhe são favoráveis. Quem quer ganhar a vida com o trabalho, não pode cingir-se a emprego compatível com o canudo que obteve. Há imigrantes licenciados que vêm para serventes de pedreiro até encontrar ocupação mais consentânea com as suas habilitações.
E consta que existe um outro factor que é o da remuneração, dando as empresas preferência a imigrantes, geralmente com boas habilitações e que se sujeitam a receber salários muito baixos que os nacionais não aceitam.
Mas que o assunto carece de racionalidade, parece indiscutível. Existem necessidades de mão-de-obra e há desempregados que não querem trabalhar, deixando os postos de trabalho serem ocupados por imigrantes. E alguns postos de trabalho até são aliciantes, como os de telefonistas, relações com clientes, angariação de novos clientes, etc. Será que preferem o subsídio que, embora inferior a um salário, compensa não ter obrigações de horário e de cumprir tarefas?
Mas mais grave é o caso dos imigrantes que não vêm trabalhar e se dedicam à mendicidade directa ou disfarçada, à prostituição e a outras actividades ilícitas. Quanto a estes, a entrada devia ser condicionada à capacidade do próprio sustento e à contribuição para a actividade económica do País. Há países que se desenvolveram com o trabalho de imigrantes, como EUA, Canadá, Austrália, por exemplo, e que continuam a condicionar a admissão da imigração às suas necessidades de mão-de-obra e de técnicos das várias especialidades.
Enfim, um tema complexo que merece ser bem estudado tendo sempre em conta os direitos humanos e os interesses do País.
Publicada por
A. João Soares
à(s)
17:47
2
comentários
Etiquetas: Direitos Humanos, Imigração, interesse nacional
segunda-feira, 4 de agosto de 2008
China é notícia
Os Jogos Olímpicos são um acontecimento sensível para a China porque, se dão mais visibilidade à futura potência mundial, por outro lado, enfatizam debilidades sociais e de Direitos Humanos dificilmente aceitáveis pelo mundo Ocidental.
China: Manifestantes confrontam-se com polícia junto a Tiananmen
Diário Digital, segunda-feira, 4 de Agosto de 2008 | 05:52
Um pequeno grupo de manifestantes confrontou-se hoje com a polícia junto à Praça Tiananmen, em Pequim, afirmando que a alegria dos Jogos Olímpicos foi construída sobre o seu sofrimento.
As duas dúzias de manifestantes enfrentaram a polícia no bairro histórico de Qianmen, imediatamente a sul de Tiananmen.
Os manifestantes alegaram terem sido despejados das suas casa para darem espaço à reconstrução do bairro, que foi transformado numa faixa comercial com empresas internacionais como a Nike, Starbucks e Rolex.
As manifestações no centro de Pequim são habitualmente travadas pela polícia.
Hoje mesmo a imprensa de Pequim dava conta de que as pessoas que queiram organizar protestos durante os Jogos Olímpicos têm de preencher um formulário com informação detalhada para pedir autorização à polícia chinesa cinco dias antes de se realizar a manifestação, havendo três locais afastados do centro da cidade onde podem ocorrer as manifestações.
Diário Digital / Lusa
China: Ataque à granada a posto fronteiriço faz 16 mortos
Diário Digital, segunda-feira, 4 de Agosto de 2008 | 05:35
Um grupo desconhecido avançou hoje com um camião sobre um posto fronteiriço chinês da Ásia Central, lançando granadas que mataram 16 pessoas e feriram outras tantas, informou a agência oficial Nova China.
O ataque ocorre quatro dias antes da abertura dos Jogos Olímpicos em Pequim.
Os atacantes utilizaram um camião de lixo para atacar o posto fronteiriço paramilitar de Kashi, onde foram lançadas duas granadas.
Dois dos atacantes foram detidos, informa a Nova China, sem dar mais pormenores.
A área onde ocorreu o ataque tem sido palco de uma rebelião mal contida de populações muçulmanas turquiques (povos eurasiáticos que se espalham desde a Turquia à China, num total de cerca 160 milhões de pessoas), do clã uighur (comunidade diaspórica de cerca de 20 milhões na mesma área), que reagem à lei chinesa.
Diário Digital / Lusa
Pequim2008: Divulgados procedimentos para organização protestos
Diário Digital, segunda-feira, 4 de Agosto de 2008 | 04:48
As pessoas que querem organizar protestos durante os Jogos Olímpicos têm de preencher um formulário com informação detalhada para pedir autorização à polícia chinesa cinco dias antes de se realizar a manifestação, informou hoje a imprensa estatal chinesa.
Segundo um comunicado divulgado no domingo pela Comissão Organizadora dos JO (BOCOG, na sigla em inglês) na sua página oficial na Internet, os organizadores de acções de protesto têm de entregar pessoalmente um formulário e os seus dados pessoais às autoridades policiais.
«Deve ser sublinhado que os cidadãos têm de respeitar e não prejudicar a liberdade e os direitos das outras pessoas, e que não podem prejudicar os interesses nacionais, sociais e colectivos», explicou Liu Shaowu, director de Segurança do BOCOG, citado pelo jornal oficial China Daily.
O formulário deve indicar o objectivo, hora e programa da demonstração, os cartazes e motes que vão ser utilizados no protesto, bem como o número estimado de participantes e a utilização de equipamentos de som.
Os cidadãos chineses devem apresentar o pedido de autorização à unidade municipal de Segurança Pública em Pequim, enquanto os estrangeiros devem entregar o requerimento no gabinete de emigração de Pequim.
Os cidadãos estrangeiros também têm de entregar uma tradução em chinês de todos os documentos apresentados.
Agências estatais, empresas privadas e Organizações Não-Governamentais (ONG) devem carimbar a documentação com o seu selo oficial e com a assinatura do presidente da instituição.
As autoridades chinesas decidirão se concedem ou não a autorização, para que os protestos ocorram em conformidade com as leis e regulamentos nacionais e avisam os candidatos por escrito dois dias antes da data da manifestação.
Liu afirmou que nenhuma demonstração de «propaganda política, religiosa ou racial» será autorizada nas zonas ou recintos olímpicos.
Segundo a lei chinesa, as actividades de protesto não podem violar a Constituição, prejudicar a unidade, soberania e integridade territorial do Estado, instigar a divisão entre as pessoas nem pôr em perigo a Segurança Pública».
De acordo com o comunicado no site do BOCOG, se os candidatos não receberem um aviso das autoridades até dois dias da data dos protestos, podem concluir que o seu processo foi aprovado e realizar a manifestação nos locais permitidos para o efeito.
As autoridades chinesas já tinham anunciado os três únicos sítios em Pequim onde são permitidas acções de protesto durante o período dos JO, entre 08 e 24 de Agosto: no World Park, a sudoeste da cidade no distrito de Fengtai; no Zizhuyuan Park no distrito de Haidian na zona noroeste de Pequim; e no Ritan Park no distrito de Chaoyang na zona oriental da capital chinesa.
Todos os parques são relativamente próximos do centro da cidade e das zonas olímpicas de competição.
Diário Digital / Lusa
Publicada por
A. João Soares
à(s)
07:26
8
comentários
Etiquetas: China, Direitos Humanos, JO-2008
quinta-feira, 3 de julho de 2008
Prosperidade factor de felicidade
Segundo artigo do Jornal de Notícias, a Dinamarca volta a encimar a lista de países com os povos mais felizes, o Zimbabwe situa-se no extremo oposto e Portugal, de entre muitos parceiros europeus, tem vindo a descer muito gradualmente desde meados da década de 80, ficando ainda no pelotão dos trigésimos lugares e um pouco acima dos cinco pontos.
Como a felicidade é uma sensação muito subjectiva, esta abordagem enferma desse mal. Trata-se de um inquérito coordenado pela Universidade de Michigan e que se repete desde 1981 baseado nas respostas, numa escala de um a dez, à pergunta se cada respondente é muitíssimo, muito, pouco ou nada feliz. A seguir à Dinamarca, surgem Islândia, Suíça, Holanda e Canadá. Segundo os responsáveis pelo estudo (World Values Survey) os resultados indicam que os cidadãos cada vez mais valorizam a liberdade de escolherem a sua própria vida, e também que a prosperidade económica, a democratização e a tolerância social aumentam os índices.
Do post «Fosso entre ricos e pobres aumenta»
http://domirante.blogspot.com/2008/06/fosso-entre-ricos-e-pobres-aumenta.html inferia-se que não temos muitas razões para a maior parte da população se sentir feliz, segundo o critério apontado neste estudo!
Entretanto, segundo o «Público» (artigos «Pobreza é uma ‘violação dos direitos humanos’" e «É pobre quem vive com menos de 366 euros por mês»), a pobreza vai ser declarada na AR como uma violação dos direitos humanos e quem propicie e permita a sua existência deverá, no futuro, ficar sujeito a sanções legais. (Como, com que provas, com que sanções? Isso não e dito no jornal). Como será conseguido que esta decisão do parlamento venha a "ter consequências práticas»?
Aponta-se como desejável o princípio "tendo capacidade e não fazendo, é-se sancionado", mas como se passará da teoria à prática? Como será materializada tão pia intenção?
Segundo o INE, em 2006, 18 por cento dos residentes em Portugal estavam em risco de pobreza. Actualmente, o limiar nacional de pobreza é estabelecido, segundo as normas fixadas pela Comissão Europeia, e corresponde a 60 por cento da média nacional do rendimento por adulto, o que em Portugal dará cerca de 366 euros por mês.
Fica-se assim esclarecido de que os deputados estão sensibilizados para o problema da pobreza, mas resta saber se conseguirão resultados práticos, melhores do que com as intenções de reduzir as mortes na estrada, a existência de armas de fogo em profusão e em más mãos, a diminuição dos fogos florestais, a insegurança, a corrupção, a toxicodependência, etc.
Publicada por
A. João Soares
à(s)
19:02
0
comentários
Etiquetas: Direitos Humanos, felicidade, pobreza, prosperidade
quarta-feira, 2 de julho de 2008
Que futuro para Portugal?
Transcrevo do blog Ali-se este post da autoria de Alice Valente que julgo merecer uma meditação muito empenhada, para melhor compreensão do futuro que querem para Portugal, para os nossos netos e mais descendentes.
Clube Ministério Educação
Clube Ministério Educação e a «oferta» de escolas a empresas
O Governo e o Ministério da Educação, comportam-se como um grande Grupo Económico ao descobrir a pólvora através das enormes potencialidades do Ensino com seus professores e alunos como a massa mais facilmente a ser impulsionada ao consumo. E assim este clube ministerial descaradamente, oferece, comercializa e utiliza as escolas deste país, para servir empresas como se de um seu negócio se tratasse.
Há uns meses através ouvi uma notícia que dizia, que as profissões mais bem sucedidas num futuro próximo, seriam as do ensino e as da saúde. Compreende-se, assim, a obrigação e a sua salvação. E, relativamente ao ensino, com estas 30 novas academias anunciadas ontem pela ministra da Educação, a maior das fraudes para com o Ensino e a Educação aí está: o Ministério da Educação gasta 400 milhões de euros para empresas (Apple, Cisco, Linux, Microsoft, Oracle e Sun), irem para as escolas, formar e formatar alunos.
Notícia do Público de ontem:
Ministério da Educação celebra com empresas protocolo para criação de academias de tecnologias da informação
Notícia do JN de 8 Junho:
Educação: 30 empresas das tecnologias de informação vão certificar competências dos alunos
E, no espaço de um mês, de uma certificação Duplex (com Cisco):
Uma formação que passa por alargar as Networking Academias Cisco por todo o país, prevendo um aumento das actuais 150 para 400 até 2011.
«Vamos formar essas academias em várias áreas de actividade da nossa sociedade. Em ONGs, em Centros de Novas Oportunidades, em Escolas, em prisões, em todas as áreas onde pudermos levar esses conhecimentos, nós teremos o maior gosto em colaborar com a Cisco, para levar os conhecimentos Cisco, e as competências Cisco a mais portugueses», explica José Sócrates, Primeiro-Ministro.
As Academias serão instaladas em Universidades, Politécnicos e outras escolas e vão dar uma dupla certificação.
«Significa a possibilidade de um jovem ou mesmo um adulto que frequente estes cursos e os conclua com êxito poder vir a obter um diploma que certifica as suas competências escolar e profissionalmente. O chamado Diploma de Dupla Certificação. Hoje, as certificações profissionais organizam-se dentro deste Catálogo Nacional de Profissões e a inclusão destes cursos neste catálogo significa que os jovens que os frequentem ou os adultos vão poder dispor de um diploma, que é um diploma de reconhecimento formal escolar e profissional», refere Maria de Lurdes Rodrigues, Ministra da Educação…..
Maria de Lurdes Rodrigues passa agora para uma certificação Triplex ao afirmar:
(…) grandes empresas que apostam nas escolas, como pólos ou centros de formação, e pode acontecer, que possam ter possibilidade de estágio nestas grandes empresas, mas sobretudo haverá uma oportunidade de estágio e de trabalho para jovens com esta formação certificada por estas empresas.
(…) Ficam com uma espécie de tripla certificação, porque terão a certificação de nível secundário, a formação profissional do nível secundário… e terão um triplo certificado e que é o certificado reconhecido por estas empresas (por estas indústrias). [ouvir mais]
Vaidades e interesses, políticas e um modelo Triple Helix como relação entre governo, academias (escolas ou universidades) e empresas (com indústrias das ciências no que é tecnológico).
Está implícito, para quem quiser entender, que não será necessário aos jovens, esforçarem-se, estudarem para aprender ou terem grandes resultados, porque os talentos fabricam-se em conformidade por quem muito bem os quer e os poderá vir a usar:
(…) O que podem as empresas fazer para identificar as suas potenciais «estrelas» ou colaboradores de elevado desempenho? Podem começar por atirar fora os testes de QI e outros semelhantes para “medir” o intelecto.
(…) O Hay Group possui uma das mais extensas bases de dados do mundo sobre competências e comportamentos de liderança.
O Hay Group trabalha com muitas das organizações, públicas e privadas, que lideram o sector da Educação. Estamos orgulhosos do nosso expertise neste sector.
E hoje, dia 1 de Julho, realiza-se em Lisboa, o Forúm Hay Group 2008, no VIP Grand Lisboa Hotel & Spa, um evento para comunicar e apresentar as boas práticas das empresas consideradas as Mais Admiradas de 2008.
O Dr. Nuno Brito, Director Corporativo de Gestão Estratégica de Relações Humanas da EDP será o orador convidado, que falará sobre a Gestão de Talento à Escala Global.
Basta assim, ordeira e globalmente, aceitar ou estar no Hay Group (Portugal incluído) a satisfazer as directrizes de Bilderberg‘s portugueses do Clube ou Bildeberg Group.
ALICE VALENTE
Post's relacionados em ALI_SE:
O perigoso «Psico-ENSINO»
2 0 0 7 _ 0 1 J U L H O : UM TANTO FAZ DO OUTRORA AGORA
Publicada por
A. João Soares
à(s)
06:38
2
comentários
Etiquetas: Direitos Humanos, Educação, pensamento
segunda-feira, 14 de janeiro de 2008
Luther King sempre vivo
Transcrição seguida de NOTA:
Martin Luther King faria amanhã 79 anos
Isabel Stilwell, Destak 080114
Não somos todos iguais. Há quem se conforme ao mundo tal e qual o herdou, e há quem o transforme num sítio melhor, normalmente pagando a ousadia com a morte.
Morte que só reforça a sua força, sendo então capazes de mover mesmo aqueles que se mantinham de braços cruzados, porque sabemos bem que, quem consegue dar a vida por uma causa, já passou para um patamar bem mais alto do que o nosso.
Martin Luther King Jr. foi um desses heróis, e amanhã faria 79 anos, se não tivesse sido assassinado a 4 de Abril de 1968, há precisamente 40 anos. Pastor baptista, Luther King defendia a "não-violência" como forma de lutar contra as injustiças, e através dela conseguiu acabar com muitas das desigualdades de direitos que atingiam, de forma gritante, os negros e as mulheres. A sua primeira intervenção pública aconteceu em 1955, quando organizou o boicote ao sistema de transportes públicos que obrigavam os negros a viajar apenas nos lugares de trás dos autocarros. O boicote durou 382 dias, e a empresa acabou por mudar a sua política, até porque o Supremo Tribunal declarou esta segregação racial anticonstitucional.
Seguiram-se-lhe centenas de outras, sem que os manifestantes levantassem um dedo contra ninguém, apesar da violência com que a polícia os tratava, e King ter sido preso por várias vezes. Os media noticiaram sem tréguas esta luta e, em 1964, Luther King é galardoado com o Nobel da Paz, o mais novo até hoje a receber a distinção. O seu "poder" estava afirmado, e um ano depois boicotavam as eleições, levando o Congresso a conceder o voto à população negra.
Com a popularidade, cresceu o ódio. O FBI procurou associá-lo ao comunismo, que nunca conseguiu, suspeitando-se do seu envolvimento no homicídio, que ocorreu, a tiro, em plena rua. Horas antes, ao saber que recebera «mais uma» ameaça, disse: «Gostava de viver muito tempo, mas, se não puder ser, paciência. Agora já sei que vamos chegar à Terra Prometida, e é isso que importa.»
NOTA: Luther King, na sua imortalidade nas memórias das pessoas, é um modelo de Homem que merece muita reflexão. A sua tolerância, defesa da igualdade de direitos, repulsa pela discriminação de qualquer tipo, são uma bandeira que cada pessoa de boa vontade gostaria de desfraldar. Mas muitas pessoas, agarradas a interesses inconfessados, ou compromissos pouco claros e sem terem capacidade de raciocínio e discernimento, não aceitam que haja pessoas independentes de partidos, de clubes, isentas e imparciais que ousem pensar livremente, pela própria cabeça. A intolerância, a tacanhez e a insensatez de pessoas de vista muito curta, leva-as a imitar os agentes do FBI que associaram Luther King à ideologia mais repudiada pela América.
Recorda-se que, quando se fala de Direitos Humanos, o que hoje está na moda, não se devem fazer discriminações baseadas em diferenças de cor, de aspecto físico, de porte mais ou menos atlético, de idade, de religião, de ideias sócio-políticas, origem social, região de nascimento, clube ou partido. O respeito pelos direitos do outro, pelas suas legítimas liberdades, constitui o limite das nossas liberdades.
Porém, infelizmente, há quem faça muito alarido em defesa dos diferentes, o que é muito correcto e louvável, mas que alimente um ódio visceral àqueles que não concordam consigo em pormenores, por vezes insignificantes mas intencionalmente sobrevalorizados, em estilo nazista, pidesco ou coisa parecida.
Seria bom para o Mundo, para toda a humanidade, que o exemplo de Martin Luther King Jr. frutificasse, sendo interiorizado nos corações de todo o ser humano digno de o ser.
Publicada por
A. João Soares
à(s)
16:06
0
comentários
Etiquetas: Direitos Humanos, inclusão, Luther King
