sábado, 11 de junho de 2016
DESCOBRIMENTOS PORTUGUESES INICIARAM A GLOBALIZAÇÃO
Os Descobrimentos levados a cabo por navegantes portugueses sob a liderança do Infante D. Henrique iniciaram a Globalização de que, só há pouco tempo, as elites tomaram inteira consciência. John Kerry, salientou nas suas palavras de felicitação pelo Dia de Portugal, a "riqueza das contribuições" feitas pelos portugueses na história mundial
Já há alguns anos, quando se começou a falar com intensidade na «Globalização», um autor argumentava de forma muito segura e pormenorizada que quem a iniciou foram os portugueses no século XV, com os descobrimentos que criaram condições para estabelecer facilmente contactos entre as civilizações Ocidental e Oriental. Com a sua posterior frequente utilização, foi dado o primeiro passo para a globalização, ou criação da aldeia global.
Camões soube, com o seu engenho e arte, valorizar esse feito lusitano que agora foi recordado pelo Secretário de Estado Americano, Mas as nossas elites , com negativismo e carência de sentido de estado, parecem mais apreciadoras dos «Quadros da História Trágico-Marítima» do que dos Lusíadas. No entanto, se nós não valorizamos os nossos altos valores históricos eles são tão visíveis que aparece alguém, conhecedor da História Universal a iluminá-los nas memórias dos mais válidos.
Grato a John Kerry, felicito-o pela sua cultura, conhecimento histórico e gentileza para os porugueses.
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quinta-feira, 25 de abril de 2013
SISTEMA FINANCEIRO GLOBAL PREOCUPA
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quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013
Democracia, totalitarismo e globalização
Na linha do tema do post Controlo total dos cidadãos, transcrevo um trecho do livro de José Gil «Portugal, Hoje – O Medo de Existir», de Relógio D’Água Editores, Novembro 2004, à semelhança daquilo que já foi feito acerca da burocracia que constitui um aperitivo para ler toda a obra:
«Se parece descabido, ou mesmo monstruoso, comparar, no plano político, o regime totalitário com o regime democrático em que vivemos, já não o é tanto quando se traça um paralelo entre os princípios «ideológicos» (na terminologia de Hannah Arendt) do totalitarismo e os efeitos sócio-económicos do capitalismo vigente e da globalização.
Há certamente um «totalitarismo» próprio das «sociedades de controlo» (Foucault, Deleuze) actuais. A aplicação das novas tecnologias a todo o tipo de serviços, por exemplo, implica o imperativo, por exemplo, implica o imperativo de cumprir os regulamentos sob pena de exclusão. A globalização acentua e generaliza esse tipo de padrões únicos de comportamento – na necessidade de responder às exigências de produtividade do trabalho de seguir as vias impostas pela funcionalidade dos serviços de saúde, dee3ducação, de lazeres. Um exemplo emblemático já utilizado em Portugal, nos serviços prisionais, a pulseira magnética de localização a distância que o prisioneiro levará consigo sempre que se ausente da prisão. (Em breve seremos todos prisioneiros em liberdade, controlados a distância.) O cidadão só pode submeter-se e aderir, em nome da lógica funcional do sistema de regulamentação da vida social, pública e privada. Caso contrário, surge, automaticamente também, a ameaça da exclusão.
A exclusão, nesse tipo de regime que tende a controlar o conjunto dos comportamentos do indivíduo, não significa apenas tal ou tal efeito determinado (como o desemprego) mas atinge todos os aspectos da vida individual. O regulamento estipula que se corte a água, quando não se paga a conta nas datas fixadas. Mas quem já não pode pagar a água está na iminência de não pode pagar a electricidade, a renda, a escola das crianças, os transportes, a alimentação. Exige-se uma integração tão completa do indivíduo, que o mínimo desvio é sinal de catástrofe, quer dizer, de perigo de exclusão total.
A exclusão total não é só um fantasma das grandes cidades altamente desenvolvidas, tornou-se uma realidade de todos os dias e muito mais vasta. A norma que marca a fronteira e a exclusão não diz: «Ou tudo ou nada» (porque tudo, só muito poucos o têm), mas indica a separação que faz de um homem integrado um ser social normal e de um excluído um pária, alguém que é visto como vivendo em condições sub-humanas -- e que, por isso mesmo, vai perdendo qualquer qualquer coisa da «essência do género humano». Ou seja, a exclusão não é apenas «social», ou «do mercado do trabalho», ou «racial», ou «cultural», ou «psicológica», ma atinge o cerne da humanidade do homem.
(Que ausência de humanidade não é por nós sentida no arrumador toxicodependente, sujo, esfarrapado. Que se arrasta de carro para carro?)
Assim, é de maneira natural e democrática que se cria um padrão único de humanidade. Não estamos muito longe do totalitarismo descrito por Hannah Arendt – um totalitarismo não político, mas não menos destruidor, a longo prazo.
Em Portugal vive-se uma situação particular, de transição das sociedades «disciplinares» para as de controlo, cada vez mais apanhada pela rede geral da globalização. Como todos os estados de transição, este mostra-se extremamente complexo, heterogéneo, com múltiplos traços arcaicos que coexistem e lutam ainda contra as novas regras que definirão a sociedade futura. Limitamo-nos aqui a evocar o problema da individualidade da norma numa tal situação.
Sucintamente:
1. As normas da sociedade tradicional «disciplinar», que correspondiam a hierarquias
De poder político e social tendem a ser substituídas por normas únicas, de que se não conhecem as fontes de autoridade nem as fronteiras qe elas marcam.
2. Enquanto na sociedade «disciplinar» e autoritária »(salazarismo) a hierarquia constituía uma rede de burocracia e de pequenos despotismos – a distância do ditador ao povo transferia-se imaginariamente para cada um dos patamares do poder na sua relação ao cidadão --, na nova sociedade de transição a autoridade da hierarquia tende a desaparecer em benefício de uma «norma única», quer ela emane do sistema tecnol
Ogico de controlo, quer dos progressos da globalização.
3. Nas sociedades autoritárias, o medo é o «princípio de acção» (H.Arendt, citando Montesquieu). No caso português, o medo era difuso, sem objecto preciso (a não ser para a «Oposição», ubíquo, impregnando o espaço, invadindo os corpos e os espíritos sem que os indivíduos se apercebessem disso. (A autoridade e o objecto do medo encarnavam-se, nas ocasiões necessárias, no ditador e nas instituições repressivas.)
O estado de transição actual da sociedade portuguesa, com a passagem rápida de um regime autoritário para um regime em que a disciplina emana do sistema orgânico da funcionalidade tecnológica, cria uma situação em que o novo «princípio de acção» surge como um prolongamento natural do medo. É também invisível e ubíquo, inelutável e único. E é, como veremos, uma certa forma transformada de terror.
Que não se esqueçam, porém, as diferenças (paradoxalmente, aqui, elas contribuem para as convergências). O suporte político do medo foi a ditadura: o suporte do «princípio de acção» actual, em democracia, não sendo (ainda e sobretudo) o desejo e a liberdade, subentende-os. É porque eles existem e se inscrevem na própria prática e princípios democráticos que a sua supressão automática e efectiva (em benefício do seu contrário, a norma única), se torna mais enigmática e, de certo modo, inconscientemente aterradora.(…)
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sexta-feira, 30 de dezembro de 2011
Gérard Duménil reflecte sobre a crise
Jornal da Unicamp – Você vem pesquisando o capitalismo neoliberal há muito tempo. Na sua análise, como se deve caracterizar essa etapa actual do capitalismo?
Gérard Duménil – O neoliberalismo é a nova etapa na qual ingressou o capitalismo com a transição dos anos 70 e 80. Eu e Dominique Lévy falamos de uma nova “ordem social”. Com essa expressão nós designamos a configuração de poderes relativos de classes sociais, dominações e compromissos. O neoliberalismo se caracteriza, desse modo, pelo reforço do poder das classes capitalistas em aliança com a classe dos gerentes (classe des cadres) – sobretudo as cúpulas das hierarquias e dos sectores financeiros.
No decorrer dos decénios posteriores à Segunda Guerra Mundial, as classes capitalistas viram o seu poder e suas rendas diminuírem sensivelmente na maior parte dos países. Simplificando, nós poderíamos falar numa ordem “social-democrata”. As circunstâncias criadas pela crise de 1929, a Segunda Guerra Mundial e a força internacional do movimento operário tinham conduzido ao estabelecimento dessa ordem social relativamente favorável ao desenvolvimento económico e à melhoria das condições de vida das classes populares – operários e empregados subalternos. O termo “social-democrata” para caracterizar essa ordem social se aplicava, evidentemente, melhor à Europa que aos Estados Unidos.
Com o estabelecimento da nova ordem social neoliberal, o funcionamento do capitalismo foi radicalmente transformado: uma nova disciplina foi imposta aos trabalhadores, em matéria de condições de trabalho, poder de compra, protecção social etc., além da desregulamentação (notadamente financeira), abertura das fronteiras comerciais e a livre mobilidade dos capitais no plano internacional – liberdade de investir no exterior. Esses dois últimos aspectos colocaram todos os trabalhadores do mundo numa situação de concorrência, quaisquer que sejam os níveis de salário comparativos nos diferentes países.
No plano das relações internacionais, os primeiros decénios do pós-guerra, ainda na antiga ordem “social democrata”, foram marcados por práticas imperialistas dos países centrais: no plano económico, pressão sobre os preços das matérias-primas e exportação de capitais; no plano político, corrupção, subversão e guerra. Com a chegada do neoliberalismo, as formas imperialistas foram renovadas. É difícil julgar em termos de intensidade, fazer comparação. Em termos económicos, a explosão dos investimentos directos no estrangeiro na década de 1990 certamente multiplicou o fluxo de lucros extraído dos países periféricos pelas classes capitalistas do centro. O facto de os países da periferia desejarem receber esses investimentos não muda nada a natureza imperialista dessas práticas – sabe-se que todos os trabalhadores “desejam” ser explorados a ficar desempregados.
Quando em meados dos anos 90, nós introduzimos essa interpretação do neoliberalismo em termos de classe, ela suscitou pouco interesse. Mas a explosão das desigualdades sociais deu a essa interpretação a força da evidência. A particularidade da análise marxista é a referência às classes mais que a grupos sociais. Esse carácter de classe está inscrito em todas as práticas neoliberais e inclusive os keynesianos de esquerda se exprimem, agora, nesses termos. Uma recusa a essa interpretação, no entanto, ainda se mantém; muitos não aceitam o papel importante que atribuímos aos gerentes (cadres) na ordem social neoliberal.
Entre os marxistas, continua-se a recusar que o controle dos meios de produção no capitalismo moderno é assegurado conjuntamente pelas classes capitalistas e pela classe dos gerentes (classe de cadres), o que faz dessa última uma segunda componente das classes superiores. Essa recusa é ainda mais desconcertante quando se tem em mente que as rendas das categorias superiores dos gerentes (cadres) no neoliberalismo explodiram ainda mais que as rendas dos capitalistas.
JU – Para alguns autores, o neoliberalismo foi um ajuste inevitável provocado pela crise fiscal do Estado; para outros foi o resultado, também inevitável, da globalização.
Gérard Duménil – A explicação do neoliberalismo pela “crise fiscal” e frequentemente também pela inflação é a explicação da direita; é uma defesa dos interesses capitalistas. Ela especula com as inconsequências dos blocos políticos que dirigiam a ordem social do pós-guerra. Esses foram incapazes de gerir a crise dos anos 70 e preparam a cama para o neoliberalismo. Passa-se o mesmo com a explicação que apresenta o neoliberalismo como consequência da globalização. Esse argumento inverte as causalidades. O que o neoliberalismo faz é orientar a globalização, uma tendência antiga, para novas direcções e acelerar o seu curso, abrindo a via para a “globalização neoliberal”. O movimento altermundialista lutou por uma outra globalização, solidária, e não baseada na exploração em proveito de uma minoria.
JU – Você acaba de publicar, juntamente com o seu colega Dominique Lévy, um livro sobre a crise económica actual. Na sua avaliação, qual é a natureza dessa crise?
Gérard Duménil – A crise actual é uma das quatro grandes crises – crises estruturais – que o capitalismo atravessou desde o final do século XIX: a crise da década de 1890, a crise de 1929, a crise da década de 1970 e a crise actual – iniciada em 2007/2008. Essas crises são episódios de perturbação de uma duração de cerca de uma dezena de anos (para as três primeiras). Elas ocorrem com uma periodicidade de cerca de 40 anos e separam as ordens sociais que evoquei na resposta à primeira pergunta. A primeira e a terceira dessas crises, as das décadas de 1890 e de 1970, seguiram-se a fases de queda da taxa de lucro e podem ser designadas como crises de rentabilidade. As duas outras crises, a de 1929 e a actual, nós as designamos como “crises de hegemonia financeira”. São grandes explosões que ocorrem na sequência de práticas das classes superiores visando ao aumento de suas rendas e de seus poderes. Todos os procedimentos do neoliberalismo estão aqui em acção: desregulamentação financeira e globalização. O primeiro aspecto é evidente, mas a globalização foi também, como vou indicar, um factor chave da crise actual.
Queda da taxa de lucro e explosão descontrolada das práticas das classes capitalistas são dois grandes tipos de explicação das grandes crises na obra de Marx. O primeiro tipo é bem conhecido. No Livro III de O Capital, Marx defende a tese da existência de uma “tendência decrescente da taxa de lucro” inerente ao carácter da mudança tecnológica no capitalismo (a dificuldade de aumentar a produtividade do trabalho sem realizar investimentos muito custosos, o que Marx descreve como a “elevação da composição orgânica do capital”).
Note-se que Marx refuta explicitamente a imputação da queda da taxa de lucro ao aumento da concorrência. (O segundo grande tipo de explicação para as crises já aparece em esboço nos escritos de Marx da década de 1840.) No Manifesto do Partido Comunista, Marx descreve as classes capitalistas como aprendizes de feiticeiros, desenvolvendo mecanismos capitalistas sob formas e em graus perigosos e perdendo, finalmente, o controle sobre as consequências de sua acção. Os aspectos financeiros da crise actual remetem directamente às análises do “capital fictício”, aos quais Marx consagrou longos desenvolvimentos no Livro II de O Capital, desenvolvimentos que ecoam as ideias do Manifesto. De uma maneira bem estranha, alguns marxistas só aceitam a explicação das grandes crises pela queda da rentabilidade, excluindo qualquer outra explicação, e passam a multiplicar cálculos mal fundamentados.
Mas a crise actual não é uma simples crise financeira. É a crise de uma ordem social insustentável, o neoliberalismo. Essa crise, no centro do sistema, deveria acontecer, de qualquer modo, um dia ou outro, mas ele chegou de uma maneira bem particular em 2007/2008, vinda dos Estados Unidos. Dois tipos de mecanismos convergiram. Encontramos, de uma parte, a fragilidade induzida em todos os países neoliberais pelas práticas de financeirização e de globalização (notadamente financeira), motivada pela busca desenfreada de rendimentos crescentes por parte das classes superiores, reforçada pela recusa de regulamentação. O banco central dos EUA, em particular, perdeu o controle das taxas de juros e a capacidade de conduzir políticas macroeconómicas em decorrência da globalização financeira. De outra parte, a crise foi o efeito da trajectória económica estadunidense, uma trajectória de desequilíbrios cumulativos, que os EUA puderam manter devido à sua hegemonia internacional – contrariamente à Europa que, considerada no seu conjunto, não conheceu tais desequilíbrios.
Desde 1980, o ritmo da acumulação de capital nos Estados Unidos desacelerou no território do próprio país enquanto cresciam os investimentos directos no exterior. A isso é necessário acrescentar: um défice crescente do comércio exterior, uma grande elevação do consumo (da parte das camadas mais favorecidas) e um endividamento igualmente crescente das famílias. O défice de comércio exterior (o excesso de importações frente às exportações) alimentava um fluxo de dólares para o resto do mundo que tinha como única utilização a compra de títulos estadunidenses, levando ao financiamento da economia daquele país pelos estrangeiros – uma “dívida” vis-à-vis o estrangeiro, simplificando um pouco.
Por razões económicas que eu não explicarei aqui, o crescimento dessa dívida exterior devia ser compensado por aquele da dívida interna, a das famílias e a do Estado, a fim de sustentar a actividade no território do país. Isso foi feito encorajando o endividamento das famílias pela política de crédito e pela desregulamentação – a dívida do governo teria podido substituir o endividamento das famílias mas isso ia contra as práticas neoliberais de antes da crise. Os credores das famílias (bancos e outros) não conservavam os créditos criados, mas os revendiam sob a forma de títulos (obrigações), cuja metade, mais ou menos, foi comprada pelo resto do mundo.
De tanto emprestar às famílias para além da capacidade delas saldarem as dívidas, as inadimplências se multiplicaram desde o início do ano de 2006. A desvalorização desses créditos desestabilizou o frágil edifício financeiro, nos EUA e no mundo, sem que o banco central dos Estados Unidos estivesse em condição de restabelecer os equilíbrios no contexto de desregulamentação e de globalização que ele próprio tinha favorecido. Esse foi o factor desencadeador, mas não o fundamental, da crise – combinação de factores financeiros (a loucura neoliberal nesse domínio) e reais (a globalização, o sobre-consumo estadunidense e o défice do comércio exterior desse país).
JU – Você falou em suas palestras no Brasil que a crise económica teria entrado numa segunda fase. Como a crise vem se desenvolvendo?
Gérard Duménil – O mundo já ingressou na segunda fase da crise. É fácil compreender as razões. A primeira fase atingiu o pico no Outono de 2008, quando caíram as grandes instituições financeiras estadunidenses, quando começou a recessão e quando a crise se propagou para o resto do mundo. As lições da crise de 1929 foram bem aprendidas. Os bancos centrais intervieram massivamente para sustentar as instituições financeiras (com medo de uma repetição da crise bancária de 1932) e os défices orçamentários dos Estados atingiram níveis excepcionais. Mas essas medidas keynesianas, estimulando a procura, só podiam ter por efeito uma sustentação temporária da actividade. Os governos dos países do centro ainda não tomaram consciência do carácter estrutural da crise. Eles agem como se a crise tivesse sido puramente financeira, já ultrapassada; entretanto, as medidas keynesianas só criaram um adiamento. Nenhuma medida antineoliberal séria foi tomada nos países do centro. São apenas políticas que visam o reforço da exploração das classes populares.
Nos Estados Unidos, a administração de Barak Obama elaborou uma lei, a lei Dodd-Frank, para regulamentar as práticas financeiras, mas os republicanos bloquearam completamente a aplicação. Em outras esferas, como gestão das empresas, exportação, défices do comércio exterior, nada foi feito. Na Europa, a crise não é identificada como a crise do neoliberalismo. A Alemanha é apresentada como tendo provado a sustentabilidade do caminho neoliberal. A crise é imputada à incapacidade de gestão de certos Estados, notadamente a Grécia e Portugal.
Em toda a parte, a direita retomou a ofensiva. Ela se atém à questão dos défices orçamentários e da elevação da dívida pública. Ela finge não ver que a austeridade orçamentária, além da transferência, que a felicita, do peso da dívida para as classes populares, não pode senão provocar a recaída numa nova contracção da actividade. Essa é a segunda fase da crise. Essa segunda fase não será a última. O novo mergulho na recessão necessitará novas políticas. Contrariamente à Europa, os Estados Unidos se lançaram massivamente no financiamento directo da dívida pública pelo banco central (o quantitative easing). Muito mais coisa será necessária, apesar da direita. Nós temos dificuldade em ver como a Europa poderá escapar disso.
JU – É sabido que a crise económica atingiu mais fortemente, pelo menos até agora, os EUA e a Europa. Na década de 1990, ao contrário, as crises económicas foram mais fortes na periferia. Por que essa diferença? Como a crise actual se manifesta nas diferentes regiões do globo?
Gérard Duménil – Até a segunda metade da década de 1990, o neoliberalismo produziu estragos no mundo, notadamente na América Latina e na Ásia. Mesmo hoje, as taxas de crescimento na América Latina permanecem inferiores àquelas dos primeiros decénios do pós-Segunda Guerra Mundial, e isso a despeito da redução massiva dos salários reais – que foi reduzido à metade desde a crise de 1970 em alguns países da região. Na década de 1990 – e em 2001 na Argentina – os avanços do neoliberalismo provocaram grandes crises, das quais a crise argentina é um caso emblemático.
O mundo entrou, agora, numa fase nova. A transição para o neoliberalismo provoca um tipo de “divórcio”, nos países do centro, entre os interesses das classes superiores e os do país como território económico. O caso dos Estados Unidos é espectacular. Como eu disse, as grandes empresas desse país investem cada vez menos no território do país e, cada vez mais, no resto do mundo. A globalização levou a um deslocamento da localização da produção industrial para as periferias: na Ásia, na América Latina e, inclusive, em alguns países da África sub-saariana.
JU – As políticas propostas pelos dois grandes da União Europeia para superar a crise têm repetido as fórmulas neoliberais. Os mercados intimidam os governos; Sarkozy e Merkel exigem mais e mais cortes orçamentários. Por que insistem em uma política que, para muitos observadores, está na origem da crise? Que resultado a aplicação de tais políticas poderá produzir?
Gérard Duménil – Eu não penso de jeito nenhum que o rigor orçamentário tenha sido uma das causas da crise. Isso é a expressão de uma crença keynesiana ingénua, tão ingénua quanto a crença na capacidade dessas políticas de suscitar a saída da crise, dispensando as necessárias transformações antineoliberais. Porém, nesse contexto, as políticas que visam erradicar os défices não deixarão de provocar uma nova queda da produção.
JU – Muitos analistas têm destacado que os partidos, sejam eles de direita ou de esquerda, não se diferenciam muito nas propostas para enfrentar a crise. Ademais, em vários países europeus, como a Inglaterra, a Espanha e Portugal, a direita foi eleitoralmente favorecida pela crise económica. Os movimentos sociais poderiam construir uma alternativa de poder? Qual poderia ser um programa popular para enfrentar a crise actual?
Gérard Duménil – Nós não falamos dos aspectos políticos do neoliberalismo. A aliança na cúpula das hierarquias sociais entre classes capitalistas e classes dos gerentes (classes de cadres) logrou, por diversos mecanismos, afastar as classes populares da política “politiqueira”. Quero dizer: as afastou dos jogos dos partidos e dos grupos de pressão. Para as classes populares, só restou a (luta de) rua.
É preciso fazer entrar em cena grupos sociais que se encontram na “periferia” das classes dos gerentes (classes de cadres): os intelectuais e os políticos profissionais. No compromisso social do pós-Segunda Guerra, fracções relativamente importantes desses grupos eram partidárias da aliança com as classes populares (às quais elas não pertenciam), que elas apoiavam nos seus campos próprios de actuação. No contexto do colapso do movimento operário mundial, as classes capitalistas lograram, no neoliberalismo, a selar uma aliança com as classes dos gerentes – usando o recurso da remuneração, notadamente – conduzindo gradualmente esses grupos periféricos (a universidade fornece muitas ilustrações sobre esse fenómeno) no empreendimento de conquista social do neoliberalismo. A proporção de grupos sociais motivados para uma aliança com as classes populares estreitou-se consideravelmente, ficando reduzida a alguns grupos “iluminados” aos quais eu próprio pertenço.
O sofrimento das classes populares não chega ao grupo dos gerentes e, no plano político, não há mais nenhum grande partido de esquerda. Na França, sabe-se no que se tornou o Partido Socialista, completamente ganho pela “globalização”, um termo para ocultar o neoliberalismo. Algo semelhante poderíamos dizer dos democratas nos Estados Unidos e eu deixo para vocês mesmos julgarem a situação do Brasil a esse respeito.
A vida política – politiqueira – se reduz à alternância entre dois partidos não equivalentes; mas o partido que se diz de esquerda é incapaz de propor uma alternativa, para não falar da sua implementação. O voto se reduz àquilo que nós chamamos na França o “voto sanção”. A direita sucede a esquerda na Espanha, por exemplo, porque a esquerda estava no poder durante a crise; a direita não tem, evidentemente, nenhuma capacidade superior para gerir a crise.
JU – Muitos observadores têm falado da possibilidade de extinção do euro. Você acredita que isso poderá ocorrer? Na sua avaliação, quais seriam os desfechos mais prováveis para a crise actual?
Gérard Duménil – É possível que alguns países saiam da zona do euro. Isso não resolveria o problema da dívida deles, que se tornaria ainda impagável depois da desvalorização da nova moeda substituta do euro. O problema é o do cancelamento da dívida ou de sua adopção pelo banco central. A crise da dívida atingiu agora os países do centro da Europa, e será necessário que esses países tomem consciência da amplitude e da verdadeira natureza do problema.
Isso remete às características daquilo que nós chamamos a “terceira fase da crise”. Quais políticas serão adoptadas face à nova recessão? Como será gerida a crise na Itália e, depois, na França? Como a Alemanha responderá à pressão dos “mercados” (as instituições financeiras internacionais)? Uma coisa é certa: essas dívidas não devem ser pagas, o que exige a transferência delas para fora dos bancos ou uma forte intervenção na sua gestão.
Agora, o ponto fundamental é a vontade dos governos dos países mais poderosos da Europa, notadamente a Alemanha, de reforçar a integração europeia (em vez de estourar a zona do euro), que se opõe à vontade de “desglobalização” de alguns. Esse debate oculta a questão central: qual Europa? Uma Europa das classes superiores ou a de um novo compromisso de esquerda?
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sexta-feira, 15 de outubro de 2010
Globalização. Prós e contras
Aspectos positivos:
Neste momento está bem visível o efeito altamente positivo da aldeia global na forma como, em poucos dias, se congregaram esforços, além de todos os organismos estatais, de empresas e entidades de muitos países para socorrer os 33 mineiros chilenos soterrados a 700 metros de profundidade na mina de S. José. Sem esse esforço colectivo e bem coordenado os mineiros teriam sucumbido, porque os recursos locais, a começar pelos da empresa mineira, estariam muito longe de serem suficientes.
Aspectos negativos:
A geoeconomia, avançou rápida e despudoradamente pelo mundo, ignorando fronteiras e regras, sem controlo e, além de ter causado a grave crise de que ainda não se levantou a cabeça, tem impedido uma reestruturação eficaz dos circuitos financeiros e, pelo contrário, tem feito surgir «soluções» que aparentam ser factores de maior perigo no futuro, Quem sofre, quem serve de mexilhão e de relva dos estádios de futebol são os países com maiores debilidades e as populações mais desprotegidas.
Já circulam notícias de compra das dívidas públicas dos países europeus em maior dificuldade pela China para resolver o seu próprio problema cambial. Daqui resultará um pormenorizado acompanhamento das contas públicas de tais países, um pressionamento mais ou menos discreto e a dependência progressiva e em espiral do novo «protector». Trata-se de uma forma de colonialismo pacífico, sem armas nem guerras, mas muito dominador e sem dar lugar a formas de luta e reivindicações com hipóteses de êxito.
A ONU deve, sem demora, encarar este grave problema que ameaça a humanidade nos próximos tempos, colocando em perigo as condições de vida dos nossos descendentes que dirão o pior das gerações dos seus pais e avós.
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quarta-feira, 21 de julho de 2010
A China e o futuro da geoestratégia
Do Amigo Manuel C. B. recebi estes tópicos acerca do post «A China em fase de evolução rápida» que merecem meditação. Ao Amigo C. B. os meus agradecimentos por vir enriquecer este espaço.
A temática é mais que actual
Sugiro mesmo que o adoptes no teu blogue estes pontos de reflexão para serem obtidos comentários que podem ser interessantes.
- O interesse económico é o grande catalisador de conflitos.
- As situações económicas internas são o grande gerador dos equilíbrios ou desequilíbrios sociais e políticos internos.
- A Paz resulta de equilíbrios de Forças (Guerra-Fria).
- Em termos geopolíticos e geoestratégicos, o conflito é potencial quando da existência de uma só grande potência (económica e naturalmente militar), como se verificou logo após a queda do muro de Berlim e o desmembramento da URSS com os EUA nessa posição.
- “Emergiram” os Países Emergentes.
- A globalização obriga a pensar nos equilíbrios e como consegui-los.
- Têm aqui particular acuidade as condições sociais dos “países emergentes” e as dos “países desenvolvidos” e os conhecidos reflexos nos custos de produção.
- É já visível a tendência para decréscimo nuns e de exigência noutros.
- Quantas gerações serão necessárias para o equilíbrio suficiente dos mercados ? (No pressuposto do prevalecimento da Economia de Mercado.
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terça-feira, 22 de setembro de 2009
Povo cimeiro - Antiglobalização
POVO CIMEIRO - Pittsburgh antecipou G20 com discurso antiglobalização
Transcrição de post do blogue A Tulha do Atílio
No passado sábado, (19 de Setembro) na “Cimeira do Povo” discursos como o acesso universal à saúde e o fim das guerras no mundo marcaram os temas aí tratados. Esta cimeira antecede a reunião do G20 que pretende aí debater a reforma dos mercados financeiros.
A maioria dos oradores mostrou-se contrária às acções propostas pelo G20, acusando-o de procurar controlar a economia mundial a favor dos bancos e das empresas multinacionais em prejuízo do cidadão comum. Um deles, Professor da Universidade das Filipinas, disse que o G20 como mecanismo para salvar a globalização está destinado ao fracasso.
O Senador democrata Jim Ferlo, um dos patrocinadores desta cimeira, segundo ele alternativa ao G20, defendeu a necessidade de cuidados universais como um direito humano básico.
Como se vê, estas atitudes começam a proliferar por todo o mundo em especial nas regiões mais afectadas pelos resultados dessa mesma globalização.
Como exemplo refere-se que em Bellaire (Michigan) o realizador Michael Moore apresentou o seu novo documentário que versa um apelo ao derrube do actual sistema económico. “Capitalism: a Love Story” lembra a ganância e a corrupção que tem subvertido a democracia nos EUA, neste caso particular, mas que se tem generalizado pelo mundo fora.
Segundo ele, a situação no Michigan, sua comunidade adoptiva, onde foram fechadas muitas fábricas e aumentou o desemprego em exponencial por via disso é bem o exemplo do mal das teorias defendidas pelo G20, filho dilecto do Clube Bidelberg.
Felizmente, por todo o mundo, estão a aparecer movimentos cívicos sensibilizando as diversas comunidades para os perigos da política de mercado iniciada pela globalização e que tantos prejuízos têm trazido ao comum dos mortais.
Por cá, infelizmente, ainda há (des) governantes que defendem tais políticas ao arrepio do bom senso apresentado nestes movimentos e cidadãos desinformados que os seguem na ganância e corrupção que podem advir dessa globalização desenfreada!
NOTA: Não sei quem escreveu nem onde já foi publicado, mas este texto merece ter a maior divulgação e dar origem a um G20 diferente constituído por 20 países eleitos pelos 100 mais pobres, para defenderem os interesses da maior parte da humanidade que é explorada pelo actual G20 que mantém a exploração do mundo a favor das multinacionais e é culpado da crise económica e financeira em que os mais pobres são os sacrificados. Estamos a assistir a um neo-colonialismo diferente, sem alma nem piedade, visando apenas os lucros dos mais poderosos, por qualquer preço de sacrifícios dos que já só têm a pele.
Acordem, povos explorados.
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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009
A China e os direitos humanos
O assunto do artigo «Direitos humanos: China pede a Washington para parar de dar lições» merece ser devidamente ponderado pelos diplomatas e pelos que pensam um pouco sobre os aspectos que podem influenciar a paz mundial e a felicidade dos povos.
O Departamento de Estado Americano no seu relatório anual sobre o estado dos direitos humanos, o primeiro da Administração de Barack Obama, promete dar o exemplo e aponta o dedo às violações registadas na China, Irão ou Rússia. A China reagiu de imediato, pedindo aos Estados Unidos para pararem de se apresentar como guardiões dos direitos humanos no mundo.
“Pedimos aos EUA que se ocupem dos seus próprios problemas de direitos humanos e que parem de se considerar guardiães dos direitos humanos”, declarou esta manhã à imprensa o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Ma Zhaoxu.
“Neste 30 anos, a China experimentou um forte crescimento económico e realizou progressos democráticos constantes e protege plenamente a liberdade religiosa”, assegurou ainda o porta-voz, citado pela AFP. “Os grupos étnicos gozam dos seus direitos e da sua liberdade” na China, acrescentou. “O mundo inteiro sabe isso.”
Porém, o relatório americano, publicado quarta-feira à tarde, sublinha violações das liberdades individuais na China. “O balanço do Governo chinês no que respeita aos direitos humanos continuou mau e agravou-se em certas regiões”, citando em particular “a repressão das minorias étnicas na região autónoma uigure e no Tibete”. Washington denuncia ainda as “eliminações e torturas” infligidas aos opositores e as perseguições sofridas pelos dissidentes, defensores dos direitos humanos e os seus advogados, nomeadamente no período dos Jogos Olímpicos de Pequim.
Compreende-se que a China, candidata a grande potência mundial e senhora de uma história milenar de poder hegemónico na Ásia e no Extremo Oriente, o Império do Meio, tem características civilizacionais próprias e não gosta de ser apontada como em situação inferior seja em que aspecto for. Por outro lado, a América não será bem vista se continuar a assumir um papel de polícia do mundo.
Mas o mundo que se considera mais civilizado não resiste à tentação de exigir condições mais humanas quanto aos direitos humanos e, dada a globalização da economia, muitos países asiáticos, com salários de miséria e horários de trabalho muito alargados, bem como o trabalho infantil, constituem uma concorrência desleal que, se não for moderada, arruinará os produtores do mundo Ocidental.
Haverá, por isso, que, de forma adequada, convencer esses países a usarem de métodos semelhantes aos restantes membros das Nações Unidas, por forma a construir-se um ambiente internacional de concorrência sã, em clima de confiança, compreensão e cooperação, para bem das populações de todos os continentes.
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terça-feira, 4 de novembro de 2008
Governo mundial, utopia?
Não há modalidades de acção ou decisões absolutamente perfeitas, todas apresentando vantagens e inconvenientes, todas tendo defensores e contraditores. Já aqui, por diversas vezes foi aludido o Clube Bilderberg, pelos aspectos de autoridade totalitária com que é suposto querer dominar a humanidade. Agora, em ambiente de crise financeira global, aparece uma argumentação em seu apoio, pela boca do economista francês Jacques Atalli, fundador do Banco Europeu de Reconstrução e Desenvolvimento (BERD), ex-conselheiro de François Miterrand e actual conselheiro de Nicolas Sarkozy. Para conhecer o assunto, com mais profundidade, a acrescentar aos textos atrás referidos, transcreve-se o seguinte artigo do JN.
Economista Jacques Attali defende criação de «Governo mundial»
Évora, 04 Nov (Lusa) - O economista francês Jacques Attali defendeu hoje que é preciso criar "um Governo mundial" argumentando que o mercado globalizado só funcionará se houver também um Estado de direito globalizado.
Jacques Attali, que foi conselheiro do ex-Presidente francês François Mitterrand e é conselheiro do actual, Nicolas Sarkozy, discursou na segunda-feira através de videoconferência nas jornadas parlamentares do PSD, que decorrem em Évora.
No seu discurso, centrado na crise financeira, o economista referiu que "existe um mercado globalizado" e "um Estado de direito não globalizado" e que "a história mostra que os mercados não funcionam sem um Estado de direito".
"É necessário criar um Estado de direito mundial", defendeu Jacques Attali.
O fundador do Banco Europeu de Reconstrução e Desenvolvimento (BERD) argumentou que "é preciso um direito mundial", mas que "não faz sentido o direito sem Estado" porque "não tem meios para ser aplicado".
"É preciso não uma governação mundial, mas um Governo mundial", acrescentou.
Comparando a economia mundial a um avião, Jacques Attali disse que "não há um piloto no avião da economia mundial, mas também não há uma cabina de pilotagem: temos de construir uma cabine de pilotagem".
Neste contexto, o economista foi questionado pelo deputado do PSD Mota Amaral sobre a experiência da União Europeia.
Jacques Attali considerou pertinente questionar a possibilidade de se criar um Governo mundial "se a Europa não é capaz" e apontou um século como tempo provável de espera pela utopia do "Estado de direito planetário".
"Espero que não seja necessário uma guerra", observou.
Quanto à Europa, Attali defendeu que "é necessário criar condições para ter um verdadeiro Governo da União", dizendo que "é uma pena que o Tratado de Lisboa não esteja a funcionar".
IEL. Lusa/fim
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quinta-feira, 12 de junho de 2008
Iluminismo do século XXI - 2
Trago aqui mais um texto de Manuela, a precursora do Iluminismo do século XXI, que nos incita a meditar em aspectos essenciais da vida da humanidade e a procurar respostas para as suas dúvidas. Um desafio aos comentadores de blogs.
Iluminismo, Ilusionismo ou "Iluminatismo"?
Às vezes, depois de passar horas a ler posts em blogs interessantes, comentando aqui e ali, "linkando" de link em link (até me perder da página onde comecei), absorvendo informação desconhecida, outra que reconheço, mas sob diferentes pontos de vista, dou comigo a pensar… sim, também me acontecem destas coisas…!
Até onde e quando serei capaz de argumentar sobre um Mundo ideal, já nem sei se cristão nos seus princípios, e conciliar as minhas ideias com os meus desejos de progresso e de desenvolvimento de um país, que é o meu, mas que se me revela quase desconhecido?
Até quando irei conseguir resistir a uma propaganda, utilizada de forma tristemente admirável por extremistas de um passado recente, aperfeiçoada para que "conquiste adeptos", e continuamente repetida por mãos de mestres que a manipulam de forma quase perfeita? Uma propaganda que me tenta convencer que a Salvação do Mundo em que vivo, e a concretização dos meus ideais, só é possível através da construção de um governo global, uniforme, previsível e regular, (ou seja, "formatado" sob uma "ordem" internacional)!? Supostamente, um governo menos individualista e mais participante por meio de organizações multilaterais, também elas, supostamente prestigiadas e eficazes… Se estas não ficassem reféns de interesses de Estados ou de indivíduos mais poderosos, o meu cepticismo não seria tão grande…
Como vou continuar a defender ideais liberais e democráticos, que julgo saber (re)conhecer, precursores de uma sociedade onde a solidariedade, a igualdade de oportunidades, de raças e de sexos imperem, sob a ameaça simultânea e constante de uma teoria profética que, tal como todas as profecias, "se cumprirá", e que dita que o meu Mundo é regido apenas por poderes políticos e económicos? Na verdade, se for reler as decisões, tomadas por gente sábia e "voluntariosa", sobre a universalidade dos direitos do Homem, sobre a intervenção humanitária em cenários de guerra, sobre o falhado Protocolo de Quioto ou, ainda, sobre o "stand-by" do desarmamento ou… ou… a minha desilusão aumenta.
Estupefacta, chego à conclusão que, sem me ter apercebido, tenho vivido num Mundo esotérico e oculto, instruído por doutrinas secretas e, dependendo da subjectividade ou emotividade de cada um, assustadoras pelas suas coincidências ou, então, únicas salvadoras condicionadas por uma fé inquestionável… mas, por fim, castradoras da liberdade (sem medo) de expressão ou, até mesmo, do pensamento. Afinal, o destino está traçado, não apenas nas linhas da mão ou nas borras do café turco, mas também nos textos bíblicos onde é "lida" e "anunciada" a chegada do Anticristo (embora este, ao longo dos séculos, já tenha nascido e ressuscitado diversas vezes)…
Ou, optimista, talvez viva, "apenas", rodeada de bem elaboradas técnicas de Marketing, com resultados estatísticos bem visíveis, que propõem a contínua satisfação do potencial consumidor através dos 4 P's:
-desenvolver o Produto e diferenciá-lo dos outros,
- sondar quanto o consumidor está disposto a Pagar, (ou, neste caso, a vender de si próprio),
- distribuir pelo Ponto de venda mais rentável e, finalmente,
- Promover esse produto.
Cada um de nós, Seres pensantes e críticos, fará, a seu modo, a leitura destes 4 P's e far-lhe-á a legenda que mais lhe convém, pois sabemos há muito, muito tempo, que é o PODER da Comunicação, da Informação, da Publicidade, leia-se Propaganda, seja ele subliminar, persuasivo ou ostensivo, o factor principal de promoção do produto perante o potencial "cliente". Satisfazendo as suas necessidades fantasistas vai, lentamente, seduzindo e penetrando no âmago das suas emoções.
Com um misto de sentimentos, noto que não importa a qual destes "sub-mundos" já direccionados, proféticos e potenciadores de emoção me vou submeter. Sempre terei de arcar com as consequências da minha escolha e, de entre elas, destaca-se uma, que neste caso importa referir, que é a castração da faculdade que me diferencia dos outros animais, o pensamento racional e lógico, aquele que me tentam roubar pela homogeneização de ideias, princípios, valores, crenças e comportamentos…
Ilusão ou realidade?
Estarei "iluminada" pela Luz da Razão, ou estarei a ser iludida pela "Luz" que me querem fazer ver?
Manuela
NOTA: Porque não conciliar as suas ideias com a média geométrica das ideias alheias? Em vez de querer conciliar estas com as suas? Compreendo que as nossas ideias são mesmo nossas, embora tenham nascido e crescido com aquilo que ficou do muito que soubemos e fomos esquecendo. Nada nasce por acaso, mas não é seguro mudar de ideias ao sabor de ideias alheias, porém estas sempre deixam uma poeira que fica a cobrir os nossos apontamentos e os vão deformando, obrigando-os a modernizar-se. E é desse pó, que todos vamos deixando, que há-de vir o iluminado que criará a doutrina do novo mundo.
O mundo é sempre desconhecido, ou dito de outra maneira, é diferente a cada momento, e já não é o que conhecíamos antes. A estrutura do nosso conhecimento não pode ser rígida, mas flexível para assimilar as mudanças que ocorrem em permanência, em nosso redor.
Único e global ou plural, um governo deve resultar da vontade dos eleitores, ou não se tratasse de democracia. E deve ter sempre presente que a sua missão é criar melhores condições de vida para esse povo trabalhador e que precisa de ter confiança nos eleitos. E estes não são tão bons em Marketing como possa parecer, pois, se o fossem, não criariam tanto descontentamento nos eleitores, naqueles a quem devem dar felicidade. A aparente valia da propaganda resulta da apatia, indiferença e ausência de sentido crítico do povo que não confia na própria capacidade de intervenção, mas que, apesar do seu aparente adormecimento, silenciosamente, se vai preparando para obter eficácia. E, quando isso acontecer…!
Nesta análise que a autora faz de múltiplos cenários, em bom estilo de «brainstorming», com que se iniciam as reflexões que precedem grandes estudos, ressalta uma certeza, a de que os poderosos são obcecados pela manutenção das suas prerrogativas, e esta é a essência da estratégia que tudo condiciona, pisando os cidadãos tal como o futebolista pisa a relva do estádio sem nela pensar minimamente. E para essa estratégia entra em perfeito conluio, mais ou menos discreto, o poder económico, em permanente jogo de influências, troca de favores e de gratidões, que acaba sempre nos «tachos dourados», um pouco como no «apito dourado».
E, a propósito da referência discreta a projectos de poder mundial único, verifica-se que a literatura publicada cita uma união muito íntima entre os poderes político, financeiro, económico, comunicação social, monarquias reinantes, etc. Também há estruturas de índole religiosa, e de formato iniciático, com traços de hierarquia e de disciplina parecidos com instituições militares ou clericais.
Depois destas tentativas de incursões nas dúvidas citadas pela autora, concluo que elas têm razão de ser e que este seu trabalho constitui um índice da sua tese de doutoramento, que precisa de ser mais sistematicamente ordenado e, depois, aprofundado em cada capítulo, de forma coordenada, coerente, sem perder o rumo para o objectivo que talvez seja a conclusão sobre a definição do que desejará ser o mundo dos próximos anos, aquele que deve absorver todas as energias criativas e inovadoras dos iluministas do século XXI. Há mais de século e meio, apareceram uns poucos teóricos que traçaram uma concepção do mundo que deu muito que falar e que ainda hoje tem apoiantes que encontram nela muito de válido. É altura de aparecer um grupo de teorizadores que criem uma nova concepção que dê esperanças aos seres humanos mais carentes de segurança e perspectivas futuras. Sem esperança não é fácil encarar o futuro.
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segunda-feira, 5 de maio de 2008
Fome aumenta com a globalização
As dificuldades que apoquentam os portugueses de menores recursos são do conhecimento das pessoas mais atentas e mais em contacto com o povo real. Esse tema já aqui foi referido por três vezes em pouco mais de um mês - Aumenta o fosso entre ricos e pobres, Fome versus biocombustíveis e O custo de vida dos portugueses. Hoje os jornais dão ênfase ao assunto, a propósito da recolha feita pelo Banco Alimentar contra a Fome que, neste fim-de-semana, obteve mais de mil toneladas de alimentos, às portas de supermercados, o que equivale a mais 25% do que na campanha de Maio do ano passado.
Nos trabalhos de recolha, selecção, empacotamento e distribuição, são empenhados milhares de voluntários, cerca de 17 mil, todos sem receber dinheiro. Neste número são incluídos empregados de empresas a mando das respectivas entidades patronais. O Banco Alimentar Contra a Fome de Lisboa abastece diariamente mais de 370 instituições de apoio a necessitados espalhadas pela área da capital, no equivalente a cerca de 80 toneladas de alimentos por semana.
O problema da fome não está circunscrito, pois está espelhado pelo mundo. O alto comissário das Nações Unidas para os Refugiados, António Guterres, considera que, «da maneira como a Comunidade Internacional está a olhar para o mundo, não iremos longe». E acrescentou «o fosso entre ricos e pobres é um dos problemas mais dramáticos da globalização».
Guterres mostrou-se preocupado com a subida do preço dos alimentos, da energia e a desaceleração da economia mundial, «que se faz sentir sobretudo nos mais pobres».
Também, a Comissão Permanente da Caritas Portuguesa alertou, ontem, em comunicado, as autoridades para prepararem programas de apoio a carenciados tendo em conta a crise alimentar mundial que, prevêem, irá causar danos graves no País. Segundo ela, em Portugal gasta-se uma "fatia enorme de recursos" a "pagar quase dois terços do que se consome, designadamente, produtos alimentares" pelo que o país está "na linha da frente" daqueles que mais sofrem "com a elevação dos preços internacionais e a escassez dos bens de primeira necessidade no mercado".
A Caritas considera que "o espectro da fome paira assim sobre a cabeça dos mais necessitados, incluindo de muitos portugueses", com "muita gente a viver abaixo do limiar de pobreza e com esquemas de apoio social muito deficientes". Reclama aos Governos para que deixem de "apoiar a produção de produtos energéticos a partir de produtos agrícolas" [biocombustíveis] e também que criem "pacotes especiais" de leis que prevejam o "apoio social para atender aos casos prementes".
No caso português, considera a Caritas, as autoridades devem redobrar os "apoios aos mais carenciados", um esforço que deve ser seguido pela população em campanhas como a efectuada no último fim-de-semana, e também em permanência, de acordo com as possibilidades. Os portugueses devem ser esclarecidos e alertados para a sua "responsabilidade na luta contra o desperdício de produtos energéticos e de bens alimentares".
O problema fica assim equacionado, esperando-se que o Governo corte nas despesas da máquina do Estado a fim de socorrer os mais necessitados que têm sido as maiores vítimas das falhas dos governantes que Portugal tem tido, durante vários anos.
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segunda-feira, 21 de abril de 2008
A Comissão Trilateral
Por estar próxima a reunião anual do Clube Bilderberg, é oportuno publicar este texto que recebi por e-mail, publicado em MídiaSemMáscara.org
por Carlos I.S. Azambuja em 30 de Agosto de 2006
O Clube Bilderberg e o CFR (Conselho de Relações Internacionais) são, sem dúvida, as instituições na sombra do Poder mais importantes que existem, mas também a Comissão Trilateral, uma entidade pouco conhecida, desempenha um papel fundamental no esquema de implantação da Nova Ordem Mundial e em sua vontade de conquista global.
A Comissão Trilateral foi criada em 1973 e seu fundador e principal incentivador foi David Rockefeller, por muito tempo presidente do Chase Manhattan Bank, instituição controlada pela família Rockefeller. O primeiro encontro da Comissão Trilateral ocorreu em Tóquio nos dias 21 a 23 de outubro de 1973. Sessenta e cinco pessoas pertenciam ao grupo Americano, das quais 35 tinham relações estreitas com o CFR.
Durante o primeiro ano e meio de existência, a Comissão produziu seis relatórios, denominados "Informativos do Triângulo". Esses relatórios converteram-se no selo característico da Comissão e têm servido como diretrizes do desenvolvimento de seus planos e como antena para avaliar a opinião do público: dois deles no Encontro de Tóquio de outubro de 1973, três no Encontro de Bruxelas em junho de 1974 e um no Encontro de Washington de dezembro de 1974.
Gary Allen, no The Rockefeller File, publicado em 1975, escreveu o seguinte: "Se os documentos do Triângulo são indicativos de algo, podemos dizer que existem quatro eixos principais no controle da economia mundial: o primeiro na direção de criar um sistema monetário mundial renovado", algo já realizado; "o segundo, na direção da pilhagem dos nossos recursos para uma ulterior radicalização das nações espoliadas", também já conseguido, considerando que Rockefeller e companhia enviaram bilhões de dólares em tecnologia americana à URSS e à China como requisito do futuro Governo Mundial Único e seu monopólio; "o terceiro, na direção de explorar a crise energética para exercer um maior controle internacional", também já conseguido, com o temor de escassez energética, os movimentos de defesa do meio ambiente e a guerra do Iraque. O congressista Larry McDonald, em seu prólogo ao livro de Gary Allen escreveu: "Esta é uma exposição concisa, e que provoca calafrios, do que certamente foi a história mais importante do nosso tempo: a idéia dos Rockefeller e seus aliados de criar um Governo Mundial Único que combine o supercapitalismo e o comunismo sob um mesmo teto, tudo sob o controle deles (...) os Rockefeller e seus aliados passaram pelo menos 50 anos seguindo um cuidadoso plano para controlar os EUA e o resto do mundo aumentando o seu poder político através do seu poder econômico".
A Comissão Trilateral - exclusivamente dedicada a tornar realidade a visão de ordem mundial de David Rockefeller, de conseguir a uniformidade ideológica do mundo - está composta pelas três regiões-chave em nível comercial e estratégico do planeta: América do Norte, Japão e Europa Ocidental. Holly Sklar afirma em The Trilateral Commission e Elite Planning for World Management, 1980, que "seu propósito é dirigir a interdependência global entre essas três grandes regiões, de maneira a que os ricos defendam os interesses do capitalismo ocidental num mundo explosivo, provavelmente desanimando o protecionismo, o nacionalismo e qualquer outra resposta que possa colocar a elite contra a elite". Por sua vez, Paul Volker, membro da Trilateral e ex-presidente do Federal Reserve, declarou-o mais claramente: "O nível de vida do americano médio deve diminuir".
Rockefeller introduziu pela primeira vez a idéia da Comissão Trilateral num Encontro do Clube Bilderberg em Knokke, Bélgica, na primavera de 1972, depois de haver lido o livro Between Two Ages, escrito pelo professor Zbigniew Brzezinski, da Universidade Columbia. O livro coincidia com a visão de Rockefeller de que "as pessoas, os governos e as economias de todas as nações devem servir às necessidades dos bancos e das empresas multinacionais".
Dois meses mais tarde, em julho de 1972, David Rockefeller, membro do Clube Bilderberg e presidente do CFR, cedeu sua residência de Pocantico Hills, nos arredores de Nova York, para servir como quartel-general dos primeiros encontros organizativos da Comissão Trilateral. Propósito aparente da Trilateral foi "criar e manter a associação entre as classes dirigentes da América do Norte, da Europa Ocidental e do Japão" porque, segundo os dirigentes da Trilateral, "o público e os líderes da maior parte dos países continuam vivendo num universo mental que já não existe, um mundo de nações separadas, e tem (...) dificuldades para pensar em (...) perspectivas globais".
A Comissão Trilateral é composta por presidentes, embaixadores, secretários de Estado, investidores de Wall Street, banqueiros internacionais, executivos de fundações, advogados de lobbies, líderes militares da OTAN e do Pentágono, ricos industriais, dirigentes de sindicatos, magnatas dos meios de comunicação, reitores e importantes professores de universidades, senadores e congressistas, assim como empreendedores endinheirados, alguns em atividades, outros aposentados. Holly Sklar acrescenta que "a participação de representantes de trabalhadores ajuda a controlar o isolamento popular e a reduzir a distância que separa os membros da Trilateral das massas de gente comum".
A diferença entre o Clube Bilderberg e a Comissão Trilateral é que o Clube, muito mais antigo, limita-se aos membros da OTAN, ou seja, EUA, Europa Ocidental e Canadá. Atualmente, com a ampliação da União Européia e da OTAN, os ex-presidentes dos países do Pacto de Varsóvia estão sendo admitidos no Clube.
O senador Barry Goldwater em seu livro With no Apologies, qualificou a Comissão Trilateral de "a última conspiração internacional de David Rockefeller", e acrescentou: "Seu objetivo é consolidar, na esfera multinacional, os interesses comerciais e financeiros das grandes empresas através do controle da política do governo dos EUA (...) David Rockefeller e Zibigniew Brzezinski encontraram em Jimmy Carter seu candidato ideal. Eles o apoiaram em sua designação e em sua presidência". Efetivamente, a candidatura Carter tinha só 4% de apoio do Partido Democrata e, da noite para o dia, ele, o homem da Geórgia, converteu-se no candidato à presidência. "Para conseguir isso, mobilizaram o dinheiro necessário batendo à porta dos banqueiros de Wall Street, obtiveram a influência intelectual da comunidade acadêmica - sempre dependente do dinheiro das grandes fundações isentas de impostos - e deram ordens aos meios de comunicação membros do CFR e da Trilateral". Deve ser assinalado que Jimmy Carter havia sido um dos fundadores da Comissão Trilateral.
A figura de Jimmy Carter foi construída da mesma forma que fizeram com Ford, Mitterrand, Felipe Gonzalez, Clinton, Karzai, etc. Tanto John Kerry como George W. Bush pertencem à mesma combinação de associações: o CFR e o Clube Bilderberg e, portanto, não importa quem ganhe, pois o verdadeiro poder continua sempre nas mãos dos adeptos da globalização, que são guiados por uma única missão chamada Governo Mundial Único.
Desde a sua fundação, essa tríade globalizadora chamada Comissão Trilateral trabalha para ver o fim da soberania dos EUA. Vejamos algumas citações extraídas do livro Between Two Ages, de Brzezinski: na página 72, ele escreveu que "O marxismo é simultaneamente uma vitória do homem ativo sobre o homem passivo, da razão sobre a crença". Na página 83 afirma: "O marxismo, disseminado popularmente em forma de comunismo, representa o maior avanço na habilidade do homem para conceituar sua relação com o mundo". E na página 123 encontramos: "O marxismo proporciona a melhor compreensão da realidade contemporânea".
Na primeira parte de seu livro The Insiders: 1979 -The Carter's Years, John McManus, da The John Birch Society (uma organização dedicada a restaurar e preservar a liberdade que defende a Constituição dos EUA) escreve: "Em nenhum lugar diz o senhor Brzezinski a seus leitores que o marxismo 'na forma de comunismo', que ele elogia, foi responsável pelo assassinato de aproximadamente 100 milhões de seres humanos durante o Século XX, pela escravidão de outro bilhão e pela necessidade, privação e desespero de todos os seus cidadãos, à exceção de uns poucos criminosos que dirigiram as nações comunistas".
Finalmente, Brzezinski, na antepenúltima página de seu livro, nos conta o significado de tudo isso. O objetivo da Comissão Trilateral é "conseguir o Governo Mundial".
Enquanto muitos biógrafos, através de meias verdades e mentiras completas, têm falado da fabulosa riqueza da família Rockefeller e de seu praticamente ilimitado poder econômico e político que, segundo a propaganda oficial, se ocupa em alimentar os famintos dos países do Terceiro Mundo, em educar os pobres através de uma miríade de benevolentes fundações e sociedades, e na construção da infra-estrutura das nações subdesenvolvidas e devastadas pelas guerras, muito poucos autores apresentaram um aspecto importante da família Rockefeller: o fomento do monopólio, com o estabelecimento de fundações para ganhar poder sobre os cidadãos americanos e, finalmente, subjugar a todos pelo poder da ditadura mundial, unindo o mundo sob o estandarte de um Governo Mundial.
Também há muito os paralelismos entre os Rockefeller e os russos tenham sido suprimidos, o maior segredo de todos, o de que o financiamento da revolução bolchevique foi proporcionado pelos supercapitalistas americanos, continua enterrado porque a família Rockefeller, através de suas organizações - o CFR, o Clube Bilderberg e a Comissão Trilateral, etc. - possui os principais meios de comunicação e as empresas editoriais dos EUA. Anthony Sutton, em Wall Street and the Bolchevik Revolution (Arlington House, 1974), explica: "Nada praticamente foi escrito sobre a estreita relação que tiveram, no passado, os Rockefller com seus supostos arqui-inimigos, os comunistas. Existiu uma aliança contínua, embora escondida, entre os capitalistas e os revolucionários socialistas em benefício mútuo". Sutton documentou a insidiosa traição da elite americana dos arqui-milionários, entre os quais encontravam-se John D. Rockefeller e os banqueiros de Wall Street, ao financiar a revolução e o governo mais brutal de todos os tempos. Gary Allen, no Rockefeller File, 1976, faz eco às descobertas de Sutton, quando afirma: "E o mais surpreendente é a quantidade de provas públicas que existem a respeito".
Gary Allen, no citado livro, pergunta: por que multimilionários como os Rockefeller financiam e colaboram com alguns comunistas e marxistas que juraram publicamente acabar com eles? As vantagens dos comunistas são óbvias, porém quais benefícios obteria o Ocidente com tudo isso? A palavra mágica é "monopólio", "um monopólio que abarca tudo, não apenas o controle do governo, o sistema monetário e todas as propriedades, mas também o monopólio que, com as empresas com que emula, se autoperpetua e é eterno".
E prossegue Gary Allen: "Enquanto o objetivo de J. P, Morgan era o monopólio e o controle da indústria, no final do Século XIX, J. D. Rockefeller, a alma mater de Wall Street, entendeu que a melhor maneira de conseguir um monopólio não removível era por via geopolítica, fazendo com que a sociedade trabalhasse em favor dos monopolistas com a desculpa do interesse público".
Frederick C. Howe explica em Confessions of a Monopolist (1906) como funciona a estratégia na prática: "Estas são as regras dos grandes negócios: consiga um monopólio e faça com que a sociedade trabalhe para você. Enquanto acreditamos que os revolucionários e os capitalistas internacionais estão às turras, deixamos de ver um ponto crucial (...) a associação entre o capitalismo monopolista internacional e o socialismo revolucionário para um benefício mútuo".
Um diabólico plano dos banqueiros para controlar pelos bastidores o socialismo internacional, desenvolvido no início do Século XX, foi financiado por Andrew Carnegie, da Fundação Carnegie, hoje sob o controle do Clube Bilderberg. Esses financistas internacionais, apolíticos e amorais, conforme explica Anthony Sutton em Wall Street and the Bolshevik Revolution, capítulo XI, "buscavam mercados que pudessem explorar monopolisticamente sem medo de competição". Sutton não deixa pedra sobre pedra quando afirma que em 1917 os banqueiros colocaram seu olhar sobre a Rússia, seu "escolhido mercado cativo".
O objetivo do plano, escreve Jennings C. Wise em Woodrow Wilson: Disciple of Revolution, Nova York, Paisley Press, 1938, página 45, era unificar os "financistas e os socialistas internacionais num movimento que desse lugar à formação de uma liga (a Liga das Nações, precursora da ONU) para reforçar a paz (...) e controlar as organizações governamentais e assim encontrar um remédio para todas as enfermidades políticas da humanidade". Quantos milhões morreram nesse processo? A palavra-chave é: monopólio. Pensem simplesmente na antiga União Soviética, onde o Estado controlava e supervisionava tudo.
Não faz falta dizer que para "garantir a paz" é necessário o pré-requisito da guerra, o que tornava necessária a Revolução Bolchevique. O gigantesco mercado russo deveria converter-se em um mercado cativo e numa colônia a ser explorada por alguns poucos financistas americanos e suas empresas. O que não podiam conseguir a Comissão Interestadual de Comércio e a Comissão Federal de Comércio nos EUA, podia ser obtido por um governo socialista no estrangeiro, com o apoio e os incentivos de Wall Street e Washington D. C.
Segundo uma testemunha do Congresso dos EUA (U.S. Senate, Congressional Record, outubro de 1919) o apoio financeiro de John D. Rockefeller a Lênin e Trotski provocou a fracassada Revolução Comunista de 1905. Essa afirmação foi feita em público pelo banqueiro investidor da família Rockefeller e presidente da empresa de investimentos de Nova York, Kuhn, Loeb & CO., o jesuíta Jacob Schiff, também fundador do Federal Reserve, sem cuja influência a Revolução Bolchevique nunca teria tido êxito. Na primavera de 1917, Jacob Schiff começou a financiar Trotski com o propósito de que a Revolução Socialista na Rússia prosperasse. O surpreendente é que esses documentos foram encontrados em mais de um expediente do Departamento de Estado dos EUA (861.00/5339). O documento mais importante data de 13 de novembro de 1918. Um outro documento demonstra que esse mesmo Jacob Schiff, da Kuhn, Loeb & CO. também havia financiado secretamente os japoneses em sua guerra contra a Rússia.
Um outro fato inusitado é que o emissário pessoal de John D. Rockefeller, George Kennan, evidentemente financiado por ele, passou vinte anos promovendo a atividade revolucionária contra o Czar da Rússia, de acordo com o livro Rape of the Constituition: Death of Freedom, de Gyeorgos C. Hatonn.Tehachapi, Califórnia, América West Publishers, 1990.
Quando a revolução de 1905 fracassou, os banqueiros reagiram. No livro acima citado, Gyeorgios C. Hatonn explica como Lênin "foi mantido" na Suíça até 1907, fora de perigo, e Trotski "foi levado para os EUA, onde viveu, sem pagar aluguel, em uma propriedade da Standard Oil, em Bayonne, Nova Jersey". "Em 1917, ao ser expulso da Espanha, novamente Trotski e toda a sua família cruzaram o Atlântico e desembarcaram em Nova York em 13 de janeiro de 1917".
Em 1916, quando o Czar abdicou, Trotski, com 10 mil dólares recebidos de Rockefeller, deixou Nova York em 16 de março de 1917 junto com 300 revolucionários comunistas de Nova York, viajou para a Rússia. Rockefeller teve o cuidado de mandar um comunista norte-americano - Lincoln Steffens - junto com Trotski, para assegurar-se de que voltaria são e salvo à Rússia.
Por que o implacável John D. Rockefeller apoiou Trotski? Porque Trotski, o revolucionário bolchevista, advogava "a revolução e a ditadura mundial, sua uniformidade ideológica e seu compromisso com o internacionalismo liberal. Os bolchevistas e os banqueiros tinham, então, algo em comum: o internacionalismo", uma vez que as finanças internacionais têm, também, os mesmos objetivos comuns: a erradicação dos poderes descentralizados, muito mais difíceis de controlar e o estabelecimento de um Governo Mundial, um monopólio de Poder que se perpetue no tempo
Graças a outras obras impressionantes de Anthony Sutton, as provas da implicação dos Rockefeller na "organização, patrocínio e apoio à Revolução Bolchevique são tão numerosas e avassaladoras que simplesmente não admitem discussão" (Gary Allen, The Rockefeller File, capítulo 9: Building the Big Red Machine). "Para os Rockefeller, o socialismo não é um sistema para redistribuir a riqueza (e muito menos para redistribuir sua própria riqueza), mas sim um sistema para controlar as pessoas e a competição. O socialismo coloca todo o Poder nas mãos do governo. Como os Rockefeller controlam os governos, isso significa que eles têm o controle. O fato de você não saber não significa que eles não saibam!" (Idem).
Como curiosidade: Trotski se casaria depois com a filha de um dos banqueiros mais ricos, Jivotovski, que também respaldou a Revolução Bolchevique.
Em 1926, após os bolcheviques terem tomado o Poder na Rússia, a Standard Oil de Nova York, de Rockefeller, e sua subsidiária, a Vacuum Oil Company, através do Chase National Bank (esse banco, de Rockefeller, desempenhou um papel fundamental na fundação da Câmara de Comércio Russo-Americana em 1922, sob a direção de Reeve Schley, vice-presidente do Chase National Bank) fechou um acordo para vender petróleo soviético nos países europeus. Como parte do preço do acordo, John D. Rockefeller havia feito um empréstimo de 75 milhões de dólares aos bolcheviques. Como resultado desse pacto, "em 1927, o sócio secreto da União Soviética, a Standard Oil de Nova York, construiu uma refinaria de petróleo na União soviética”. “Portanto, John D. Rockefeller", conclui Gary Allen em seu livro acima mencionado, "o caudilho do capitalismo, ajudou na recuperação da economia bolchevique", embora o governo dos EUA só tenha reconhecido oficialmente o Estado soviético em 1933. Ou seja, os Rockefeller, ricos e influentes, colaboraram com o regime soviético assassino explicitamente contra a Lei de seu país.
Finalmente, 200 membros da Comissão Trilateral estiveram reunidos durante vários dias no final de março de 1993 em Washington. Nesse Encontro discutiram e concordaram com a criação de um Novo Exército Mundial e com a soberania das Nações Unidas nas decisões políticas de imigração dos Estados individuais. Durante a noite de 28 de março, seus representantes jantaram com funcionários-chave do governo americano e apresentaram suas "recomendações". No dia seguinte, fizeram o mesmo durante o café da manhã com Bill Clinton, segundo uma informação publicada, em junho de 1993, pelo site do New World Order Intelligence Update, de Toronto. Esse encontro-chave aplainou o caminho para a Conferência do Milênio das Nações Unidas, que ocorreu em setembro de 2000 e, surpreendentemente, recebeu pouca atenção dos meios de comunicação.
Uma das propostas mais sinistras, que nunca havia sido feita, foi a de estabelecer um exército permanente da ONU, instalações para suas tropas e a criação de uma unidade de Inteligência operacional. Apesar dos meios de comunicação de massa não terem dado importância a isso, segundo o artigo "Who Really Runs the World", de Richard Greaves, a proposta era de uma capacidade militar suficiente "para derrubar qualquer governo nacional que não tratasse seu povo em conformidade com os critérios da ONU sobre Direitos Humanos e Justiça Social", palavras-chave que os adeptos da globalização usam para referir-se à diminuição de liberdades individuais e ao maior controle que deveriam exercer as Nações Unidas. Nenhuma Nação será capaz de trabalhar por conta própria nem ser independente, porque a independência será vendida às massas como a incapacidade de um governo para tratar seu povo de acordo com os critérios da ONU.
Os membros do Clube Bilderberg, por sua vez, planejam usar como passo intermediário a ONU, como Polícia Global com o propósito de corroer ainda mais a independência e a soberania nacionais na Europa. No site da Internet, as linhas gerais do projeto são explicadas. Essa propaganda promocional diz que é de fundamental importância para os que querem a globalização que a Áustria, Suíça, Finlândia e Irlanda concordem em participar da força da União Européia, pois isso lhes permitiria adquirir uma condição melhor que a de observadores da UE ou membros da Sociedade para a Paz da OTAN, sem comprometer-se completamente com a defesa coletiva e pôr em perigo o seu status de neutralidade.
Trata-se, uma vez mais de outro passo em direção ao Governo Mundial Único. A Áustria destinou cerca de 2 mil soldados para "Missões de Paz" da ONU; a Finlândia, 2 mil; a Suécia 1500; e a Irlanda, mil.
Concluindo, uma citação do clérigo do Século XIX, Edwin H. Chapin: "Aqui e ali, no transcurso do tempo, sempre existiu um indivíduo que se levanta e projeta sua sombra sobre o mundo".
Finalmente, como vocês, cidadãos comuns não-comunistas, banqueiros, executivos e industriais se sentem ao saber que os EUA financiaram e ajudaram a construir o imponente Poder dos soviéticos, o Estado comunista que assassinou cerca de 100 milhões de seus cidadãos? E que o poder oculto responsável por isso era a família número um de banqueiros dos EUA que representa os ideais da sociedade capitalista? Que os EUA transferiram para a União Soviética, secretamente, a tecnologia mais sofisticada e cara do momento para com isso criar um inimigo visível que justificasse os novos métodos de coerção e terror e agora fazem o mesmo com a China, às expensas de seus próprios compatriotas? E enquanto se fortalece o inimigo, assusta-se a população dizendo-lhe que a cooperação é necessária porque sem acordos bilaterais "o inimigo" nos atacará!
Fonte: - A Verdadeira História do Clube Bilderberg, Daniel Estulin, editora Planeta, 2005 (Na editora Circulo de Leitores, com o título: «Clube Bilderberg – Os senhores do Mundo», 2005)
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A. João Soares
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Etiquetas: Bilderberg, globalização, governo, Trilateral
terça-feira, 3 de julho de 2007
Saber viver com a globalização
Seguem-se algumas reflexões acerca da globalização geradas pela leitura do artigo de Alberto Castro no JN de hoje. A globalização está aí para ficar, tudo nos trazendo uma visão global do mundo. As organizações supranacionais, na política como na economia, adquirem cada vez mais relevância. A concorrência nas indústrias, mesmo as culturais, não pode cingir-se ao ambiente próximo, tendo de olhar para todo o globo, onde se desenrola a competição pelo pódio.
O bairrismo, as capelinhas são travões à modernização e estão condenadas ao fracasso porque as tecnologias de informação e comunicação metem-nos em casa, pelo rádio a televisão ou o computador, o que se passa nos antípodas e nos recantos mais privados.
Num País pequeno, para sobreviver, temos de explorar as vantagens ao nosso alcance, não podendo aspirar ao primeiro lugar no pódio, há que procurar a afirmação no palco internacional, pela valorização dos recursos humanos, através do saber e do conhecimento. O ensino bem adaptado às necessidades estratégicas de desenvolvimento e afirmação na economia mundial, será a mola que terá de impulsionar a vida nacional.
Isto requer que os agentes económicos, culturais e políticos se consciencializem deste objectivo realista de longo prazo, criando, nos respectivos sectores, condições de aprendizagem, experimentação e vivência verdadeiramente cosmopolitas, recusando a visão paroquial e provinciana que se compraz com o pequeno triunfo caseiro. Há que eliminar as heranças do passado, o horror à concorrência e a recusa de abertura (orgulhosamente sós!) que são, provavelmente, das mais duradouras e perversas. A abertura e a cooperação com os parceiros trazem sinergias produtivas que pagam dividendos.
A ideia de raciocinar como se Portugal seja apenas Lisboa e como se a gente boa seja apenas a que pertence ao nosso partido é uma espada sobre o futuro que não permite a expansão da cultura e do desenvolvimento. As nomeações por critérios de partidarismo e de confiança em vez de serem por concurso público, dando iguais condições a todos para escolher os melhores, independentemente da paternidade ou das amizades de políticos, não são um rumo certo. Os concursos públicos em que é escolhido aquele que tiver melhores condições para o lugar, permitem que sejamos dirigidos, a todos os níveis, pelos melhores portugueses e não por critérios baseados no «local» de nascimento, como na monarquia.
A globalização obriga a olhar longe no espaço e no tempo, para fugir de limites apertados e planear um futuro positivo. Para isso, é indispensável enfatizar a importância dos factores de desenvolvimento ao alcance do País, sem a preocupação de colagem de soluções alheias que não se adaptam ao nosso caso concreto, principalmente, sem imitar soluções que não deram bons resultados.
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Etiquetas: globalização
sexta-feira, 22 de junho de 2007
Pobreza e fome no Mundo
Quanto vale a paz de espírito?
Quanto vale uma consciência tranquila?
Vinte Mil Vidas. Este é o número estimado de pessoas que morrem por dia em consequência da fome e da pobreza extrema.
Recente relatório do Banco Mundial declarava:
“A globalização parece aumentar a pobreza e a desigualdade... Os custos de ajustamento para maior abertura são suportados exclusivamente pelo pobre.”
A Agência Central de Inteligência norte-americana (CIA), ainda em 2000, também abordou a questão:
“A economia global vai espalhar conflitos e estabelecer uma diferença maior entre vencedores e perdedores. Grupos excluídos enfrentarão profunda estagnação económica...”
A ONU também dizia no mesmo ano:
“O processo (globalização) está concentrando poder e marginalizando o pobre.”
O mais recente levantamento do Banco Mundial diz que 54,7 por cento da humanidade vive em estado de miséria ou pobreza extrema.
Acaso sabemos o que significa passar fome?
E o que significa enfrentar a incerteza sobre se vamos ter com que nos alimentar?
E a incerteza quanto ao facto se conseguiremos sobreviver por mais um dia sem ter com que nos alimentar...
Vivemos num lastimável mundo de vergonhosos contrastes...
Um mundo capaz de deixar os necessitados à mercê da própria sorte...
Pequena criança africana, debilitada pela fome, recebe alimentação terapêutica. Por quanto tempo suportará...? Um mundo que muito pouco, quase nada, faz... para espantar o abutre, que pacientemente espera.
Mesmo diante da caótica situação geral, - da roubalheira, e do crescente sentimento de individualismo que impera -,... contribua você com a sua parcela para aliviar o sofrimento daqueles destituídos de quase tudo.
Cultive o sentimento de humanidade.
Existem entidades sérias, - ONGs, instituições religiosas, filantrópicas, etc. -, que necessitam da sua ajuda, - seja material, seja como apoiante ou voluntário que contribui com tempo e conhecimento. Procure informar-se a este respeito.
O que será que a menina, privada de quase tudo, responderá no dia em que lhe for dirigida a seguinte pergunta... : “Acaso encontraste neste vasto mundo alguém disposto a tentar amenizar a tua dor?”
- Ajude -
A sua alma agradecerá.
Um outro mundo é possível.
“Que a tua alma dê ouvidos a todo o grito de dor, tal como o lótus abre o seu coração para sorver o sol matutino.”
- A Voz do Silêncio, antigo texto budista
“ Para a nossa avareza, o muito é pouco; para a nossa necessidade, o pouco é muito.
- Séneca
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A. João Soares
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Etiquetas: fome, globalização, pobreza
quarta-feira, 20 de junho de 2007
Globalização. Seus inconvenientes sociais
Globalização. Seus inconvenientes sociais
No dia 6 do corrente, no post A armadilha das estatísticas, lancei uma ideia que esperava ir levantar um debate enriquecedor sobre a globalização e os fenómenos relacionados com a injusta distribuição da riqueza gerada num país. A frase que considerava mais provocatória era «A cada aumento do PIB per capita há, forçosamente, uma maior diferença entre os mais ricos e os mais pobres». Mas foram poucos os comentários. Agora, o Diário de Notícias traz um artigo sobre as ameaças sociais da globalização. Tema muito focado na Comunicação Social, acerca das manifestações durante a reunião do G8 e do forum social, mas, com demasiada emotividade e sem análise das causas e consequências que ajude a uma percepção mais perfeita.
A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) lançou um alerta aos governos para que estes levem muito a sério as preocupações das populações com os efeitos gerados pela globalização, designadamente pelo aumento das trocas comerciais e da concorrência internacional. A OCDE reconhece, pela primeira vez de forma clara, no seu relatório "Employment Outlook 2007", que "a expansão do comércio constitui uma potencial fonte de vulnerabilidade para os trabalhadores". Estão em risco sobretudo os trabalhadores dos sectores mais expostos à competição das importações - é o caso do sector têxtil em Portugal - e os menos qualificados ou qualificáveis, com maiores dificuldades em adaptar-se às mudanças do mercado.
Não há dúvidas quanto às vantagens de longo prazo do aumento das trocas comerciais entre países que, no longo prazo, se reflectem numa melhoria clara do nível de vida das populações. Porém, se as preocupações das pessoas continuarem a crescer, acabarão por penalizar, pelo voto, as actuais políticas governamentais que promovem a liberalização do comércio, e por beneficiar políticas proteccionistas, que acabarão por ser nefastas para as economias e bem-estar das pessoas. Por isso, é necessário analisar os perigos reais que pairam sobre as populações, e adoptar políticas governamentais preventivas ou mesmo correctivas.
Quanto ao desemprego, a concorrência da mão-de-obra barata de países como a China, Índia, Brasil ou Rússia está a levar à deslocalização de muitas empresas e à destruição de empregos. O aumento das importações tende a traduzir-se num acréscimo de insegurança para os trabalhadores, sobretudo aqueles que operam em sectores mais sujeitos à concorrência externa, como se passa no sector têxtil em Portugal, que tem sido muito afectado pela entrada de mercadorias chinesas.
Quanto a salários, a maior concorrência de mão-de-obra de países menos desenvolvidos tem obrigado os trabalhadores da maioria dos países da OCDE a aceitar reduções de salário ou aumento das horas de trabalho, sendo notória a redução da proporção de riqueza que é transferida para os salários, em favor de aumento dos lucros, o que agrava a injusta distribuição da riqueza. A perda de poder de compra verificada nas últimas décadas poderá resultar também de outros factores, tais como o maior investimento das empresas em tecnologias de capital intensivo (menos dependentes do contributo do trabalhador).
Em consequência destes factores, o fosso entre os mais ricos e os mais pobres e a classe média tem vindo a crescer. Num conjunto de 19 países desenvolvidos, isso ocorreu em 16. Pode ser devido à concorrência internacional que acabou por reduzir os salários dos trabalhadores menos qualificados nos países desenvolvidos. Pode apontar-se outro factor que terá contribuído para o agravamento da desigualdade que nada têm a ver com a globalização: a adopção de tecnologias cada vez mais avançadas gerou uma procura crescente de trabalhadores qualificados em detrimento dos restantes, com reflexos nos respectivos salários.
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A. João Soares
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Etiquetas: desemprego, globalização, salário
quarta-feira, 6 de junho de 2007
A armadilha das estatísticas
Sempre gostei da matemática e nada tenho contra as estatísticas, Porém, fico eriçado quando se utilizam os números estatísticos para lançar poeira aos olhos das pessoas. Já é velho o exemplo de que quando dois amigos comem um frango de churrasco se diz que cada um comeu meio frango, o que pode ocultar a triste realidade de um ter comido todo o frango e o outro só o ter cheirado ou nem isso.
O aumento do PIB per capita não significa obrigatoriamente que todas as pessoas melhoram o seu poder de compra, pois o mais provável é que haja muitos que pioram a sua situação financeira em compensação de outros que aumentam grandemente a sua riqueza. A cada aumento do PIB per capita há, forçosamente, uma maior diferença entre os mais ricos e os mais pobres.
Moralmente, seria defensável que os aumentos beneficiassem os mais carentes para ser obtida uma mais justa e equilibrada distribuição da riqueza. Mas tal só seria conseguido por uma intervenção autoritária do Poder político, contra-natura, e que seria injusta e desincentivaria o desenvolvimento, pois este advém, normalmente, das capacidades dos mais aptos, dos mais preparados, dos mais ousados, que se sentiriam desmotivados e explorados se lhes retirassem o fruto da sua actividade meritória, com medidas tendentes à igualização da riqueza. E, pelo seu poder económico, exercem uma pressão incontornável sobre os governantes.
A recompensa do mérito não é de hoje e já a Bíblia (Mateus 25.14.30 e Lucas 19.11-27) nos relata a «parábola dos dez talentos», segundo a qual cada um deve receber o prémio da sua produtividade, o fruto da sua capacidade de gestão.
Daí que as manifestações contra a globalização, ocorridas durante a reunião do G8, sendo a expressão de uma justa preocupação dos menos favorecidos na economia mundial, poucos resultados palpáveis obterão. Mas se forem bem conduzidas com elaboração de informação credível poderão tornar as condições menos punitivas para os explorados, devendo para isso apontar sugestões que beneficiem também os mais ricos, como a protecção do ambiente e tipos de actividade que, dando lucros aos tubarões, melhorem as economias mais débeis, elevando a qualidade de vida dos habitantes dos países menos desenvolvidos. Mas nunca perder de vista que os poderosos só são sensíveis ao aumento dos seus lucros, o que conduz a que a argumentação terá de ter isso em conta e sugerir actividades que sejam aceitáveis por eles e, ao mesmo tempo, úteis aos mais pobres. Há que seguir a estratégia dos navegadores das caravelas, não enfrentando os ventos dominantes mas utilizando-os para progredir com sucesso.
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A. João Soares
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Etiquetas: estatística, G8, globalização



