domingo, 17 de maio de 2009

Empresário que respeita os trabalhadores

Depois do post Empresário disposto a empobrecer um pouco, em que é referido o empresário António Lopes, proprietário da fábrica têxtil Fiper, no Teixoso, Covilhã, que deseja mais trabalhadores para a sua empresa, deparo agora com mais um exemplo de respeito pelos trabalhadores, com consciência de que eles são um importante pilar da empresa e, sem eles, nenhuma empresa pode obter rentabilidade do capital.

Transcreve-se o artigo hoje publicado no Jornal de Notícias:

Irmãos Luzias fintam a crise dando trabalho

Empresa familiar, que entrou em 2009 com solidez financeira, decidiu contratar mais três trabalhadores

JN. 090517. 01h03m. por TEIXEIRA CORREIA

Apesar da crise, a empresa Irmãos Luzias, em Beja, entrou em 2009 contratando mais três trabalhadores para as suas oficinas, que se juntam aos outros 21 e aos seis membros da família que laboram na firma.

Dedicada ao sector automóvel, máquinas agrícolas e industriais, combustíveis, gás e lojas de conveniência, a empresa começou a laborar em 1971, com o nome Auto Mecânica Central Aldenovense.

De investimento em investimento, mas com os pés bem assentes no chão, tem criado um grupo de empresas em redor da Irmãos Luzias, apoiado numa verdadeira família, onde cada empregado é visto como mais um filho, um primo ou um sobrinho.

Tudo começou quando os irmãos José e António Luzia, naturais de Santa Vitória, concelho de Beja, rumaram à Aldeia Nova de São Bento, em Serpa. A venda dos tractores David Brown, como sub-agentes, foi o primeiro negócio. Vinte e um tractores vendidos na Margem Esquerda do Guadiana levam o importador a nomear a empresa como concessionária local. Face ao grande potencial, em 1981 surgiu o convite para liderar o distrito. Nasce a Irmãos Luzias no centro de Beja. As vendas sobem para 25 tractores por ano.

Décadas volvidas - já sem o irmão, mas com a mulher como sócia - José Luzia, o fundador, começa a construir as actuais instalações, na Zona Industrial da cidade, concluídas em 2003, com 5000 m2, um investimento de um milhão de euros. Pelo meio, a nomeação como concessionário da Skoda, então ainda checoslovaca.

José Luzia passa agora a maior parte do tempo num monte perto de Baleizão. São os filhos, Vitor e Elsa, que gerem a empresa. "Sempre olhei em frente. Nunca tive receio de arriscar, mas sempre sem ir além das minhas possibilidades", afirma, feliz. Para José Luzia, o segredo do sucesso mede-se por uma palavra: "honestidade".

O facto de os filhos e respectivos cônjuges trabalharem na empresa é, para Luzia, sinal de "rigor e defesa dos próprios bens". Vitor, de 34 anos, e Elsa, de 38, assumiram a liderança da empresa e têm promovido um crescimento sustentado, apoiado numa "nova geração de profissionais responsáveis", segundo o mais novo dos manos. "A confiança nas nossas capacidades tem sido decisiva", justifica Vitor, para quem os trabalhadores, são gente "altamente competente e orientada".

Na empresa há 17 anos, Joaquim Afonso considera a empresa a sua "segunda casa", onde espera "chegar à reforma". João Canena, 37 anos de idade e dez na empresa, portador de uma deficiência ao nível cardíaco que não impede de ser o cobrador, assegura ser "acarinhado como um filho. Só tenho motivos de felicidade desde que aqui cheguei". A mais recente aquisição da empresa é Pedro Galvão, mecânico na casa há pouco mais de um mês. "Em boa hora mudei para melhor. Trabalhar aqui é como saltar à corda. É fácil", assegura.

A Irmãos Luzias tem, assim, um papel decisivo no emprego da região. Sem apoios exteriores e num sector difícil, facturou 7,8 milhões de euros em 2008. Há três anos, na suas "bodas de prata", a Câmara de Beja reconheceu o labor que a empresa atribuindo-lhe a medalha de mérito municipal grau prata.

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Um precedente que poder ser útil

Se o leitor se vier a encontrar perante uma infracção detectada pela polícia, faça como este magistrado. A lei é geral, igual para todos. Por isso exija para si o procedimento que aqui é relatado. Este é mais um exemplo da competência dos agentes que devem fazer aplicar a lei ao mais alto nível. Mas pense bem porque para si será diferente. PEÇO DESCULPA por palavras indecorosas, mas trata-se de uma transcrição integral.

Uma mão lava a outra
Francisco Teixeira da Mota, Advogado (ftmota@netcabo.pt) - 2009.05.09

Notas sobre um despacho de arquivamento que suscitou muitos comentários de reprovação.
O caso que se passa a relatar tem sido muito comentado em blogues e não só, dado consagrar um entendimento da liberdade de expressão não muito vulgar ou habitual nas nossas autoridades judiciárias, nomeadamente no Ministério Público.

Um qualquer procurador da República adjunto foi, no passado dia 27 de Fevereiro de 2009, interceptado pela polícia, no Seixal, enquanto conduzia o seu automóvel e, em simultâneo, falava ao telemóvel.

O agente de autoridade elaborou o respectivo auto de contra-ordenação, que não foi assinado pelo infractor (o magistrado), que se recusou a fazê-lo. Entendeu o agente da PSP comunicar à sua chefia o que disse o magistrado no momento em que foi interceptado, destacando as seguintes frases: "Eu não pago nada, apreenda-me tudo... Caralho, estou a divorciar-me, já tenho problemas que cheguem... Não gosto nada de identificar-me com este cartão, mas sou procurador... Não pago e não assino ... Ai você quer vingança, então o agente Frederico ainda vai ouvir falar de mim. Quero a sua identificação e o seu local de trabalho."

O assunto chegou à Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa para apreciação e foi entregue ao procurador da República adjunto João Manuel Parracho Tavares Coelho. Depois de ponderar devidamente o assunto, este magistrado decidiu, no passado dia 1 de Abril, proferir despacho de arquivamento do processo quer porque, segundo concluiu, não havia matéria para procedimento criminal, quer porque o comportamento em causa não constituía infracção disciplinar.

Embora aceitando "que é exigível a todos os cidadãos uma postura de colaboração e de urbanidade para com os agentes de autoridade no exercício de funções", considerou o magistrado Tavares Coelho que as expressões utilizadas e proferidas pelo autuado magistrado só se podem ter como "desabafos" de quem foi surpreendido a infringir o Código da Estrada e nunca como intencionalmente utilizadas para ofender a honra do agente de autoridade autuante, acrescentando: "Por outro lado, o vocábulo 'caralho' utilizado, não obstante integrar um termo português de calão grosseiro, como se apreciou, foi proferido como desabafo e não como injúria (...)." Ou seja, o autor da expressão "desabafou" sem que se tenha dirigido ao autuante o epíteto, chamando-o ou sequer tratando-o por "Caralho". Na gíria popular, considerado o contexto e as circunstâncias (pendendo divórcio e tendo já problemas, fica aceite uma fase de perturbação do autuado), tal expressão equivale a dizer-se, desabafando "caralho, estou lixado". E quanto à afirmação "Ai você quer vingança, então o agente F. ainda vai ouvir falar de mim", considerou o magistrado arquivador do processo que a mesma não continha "qualquer ameaça, ainda que velada ou insinuante, pois que a frase não encerra qualquer promessa de um mal futuro que determine que o destinatário se possa considerar perturbado na sua livre circulação, passando a recear a concretização de que algum mal lhe suceda, como 'prometido'". E concluiu, por fim, que "também o facto de o magistrado ter pedido a identificação do agente autuante não traduz qualquer ilícito, pois que consubstancia até um direito".

Sendo certo que este despacho de arquivamento tem levantado, no seio da comunidade judiciária e não só, muitos comentários de reprovação por se considerar que o mesmo evidencia um manifesto corporativismo, a verdade é que o aspecto chocante do despacho não é ter concluído pela inexistência de crime - na verdade, a falta de educação, a ordinarice ou a pesporrência de um magistrado não podem ser classificados como crime -, mas o facto de se ter afirmado não existir qualquer infracção disciplinar neste comportamento de um magistrado.

Fala-se regularmente na crise da justiça, nomeadamente por causa da lentidão processual ou das fugas de informação nos processos em segredo de justiça, mas seria bom lembrar que o descrédito da justiça se constrói lentamente com a falta de educação, os comportamentos arrogantes, se não mesmo idiotas, de alguns operadores judiciários.

O que choca neste caso, como em outros em que magistrados se esquecem de que estão ao serviço dos cidadãos, é o triste comportamento de alguém que deveria agir, se não de forma exemplar, pelo menos de forma decente, evitando ser um manual de actuações "lamentáveis": não falando da infracção ao Código da Estrada em si, que não será das mais graves, temos a utilização do "calão grosseiro", a recusa de pagamento da multa e de assinatura do próprio auto (!), a desnecessária utilização do cartão de identificação como magistrado, a classificação da actuação do agente da PSP ao cumprir o seu dever como "querendo vingança" e, por fim, a "ameaça" de que o agente iria ouvir falar dele procurador, solicitando-lhe para o efeito a identificação e o local de trabalho.

Toda esta actuação da parte de um magistrado para com um agente da polícia é, no mínimo, profundamente reprovável, ética e deontologicamente, como qualquer cidadão normal convirá. E é por isso que, ainda mais grave do que esta actuação do magistrado que ia ao telefone e vivia o stress do divórcio, é a actuação do outro magistrado que, presumimos, não estará a viver um processo de divórcio e que considerou, unicamente, que da parte do colega "houve falta de correcção na linguagem proferida". É a rebaldaria institucionalizada.

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O jornalismo age como instrumento

O comum dos leitores não se apercebe dos fins pretendidos pelo jornalismo quando enfatiza um ou outro assunto, deixando de lado outros aparentemente mais relevantes para a vida do País, dos portugueses. O realce de uma notícia, uma alusão, uma citação, uma interrogação, uma suspeita, pode ser uma arma mortífera, ou pelo menos muito agressiva, embora, na aparência, pareça inocente. É a isso que o habilidoso jornalista aponta o dedo ao chamar a atenção para a forma como foram tratados três casos.

Sócrates, o primo e a Capadócia

DN. 090517. por Ferreira Fernandes

O melhor trabalho jornalístico português que vi nos últimos tempos, em todas as categorias, foi o do fotógrafo chinês Zhang Xiao Dong. Aconteceu ontem, no Expresso. A reportagem escrita esteve cargo de um bom repórter, Rui Gustavo, que foi à China encontrar o primo de Sócrates. O primo nada disse com interesse, porque o que teria interesse seria ele a comprometer o primo.
O que interessa - vou dar um exemplo para os leitores distraídos perceberem o que é hoje interesse jornalístico - seria Sócrates dizer no meio de uma viagem de Estado: "Vim à Capadócia porque era há muito um sonho da minha namorada vir à Capadócia." Como Sócrates não disse isso, esta frase não abriu telejornais. Talvez alguém tenha dito uma parecida, mas também não abriu telejornais, pois não? Sorte de quem tenha dito essa frase similar e possa - e ainda bem que pode - dizê-la sem escândalo.

Mas deixem-me voltar ao jornalismo de factos, à maneira de Zhang Xiao Dong. Segundo percebi, o repórter do Expresso foi para a China sem fotógrafo. Chegado ali, Rui Gustavo encontrou um, local, e pô-lo ao corrente: "Vou entrevistar um tipo português que está aqui a treinar kung fu. Ele é personagem de um escândalo de que todo o meu país fala." O fotógrafo chinês tranquilizou-o: "Compleendido." Não garanto que o diálogo tenha sido mesmo esse, nem tão-pouco a pronúncia. Mas o essencial passou-se assim.

Como o sei? É que eu também já fiz reportagens com bons repórteres fotográficos. E sei que estes trabalham da forma como Zhang Xiao Dong trabalhou. Sei como trabalhou Xiao, mesmo não estando lá, porque vi o resultado: as fotos. As fotos de ontem do Expresso são fruto de 10 por cento de talento e 90 de transpiração. A transpiração de um repórter fotográfico vem antes do clicar, vem do esforço para poder contar a história com fotos.

Um dia, na Angola que ainda se proclamava "trincheira firme do socialismo", eu e o meu camarada fotógrafo Joaquim Lobo descobrimos um rico (nesse tempo ele não era raro, era único). Eu fiz um longo texto sob longo título: "Ele é rico, quer ser mais e não tem vergonha." Mas tudo estava nas fotos do Joaquim Lobo: o milionário posando de pé sobre a cabina de um camião, com toda a frota por trás; o milionário, em casa, dedilhando teclas, com uma estatueta de Lenine em cima do piano... Parecia simples mas essas fotos foram arrancadas por horas de teimosia e persuasão.

Ontem, no Expresso - desde a capa, com a foto do primo de Sócrates, lutador de kung fu, em cima de pilares, à dele rezando no templo de Shaolin - vi esse humilde ofício de jornalismo, contando, não aldrabando. Leitor de jornais, senti-me lavado. Ah, se só se contassem histórias e o jornalismo não fosse instrumento de sei lá o quê...

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A Paz no Mundo será possível?

A resposta à interrogação do título tem de ser afirmativa, ou não fosse eu um optimista, embora preocupado. Procurando neste espaço os posts dedicados à Paz, negociação, conversações, encontra-se o fundamento desta resposta. Realmente, basta que os governantes, bem como os líderes de grupos rebeldes se revistam de uma capa real de civismo, humanidade, democracia no verdadeiro sentido de respeito pelos povos, pelos direitos humanos e despindo-se de ambições pessoais de riqueza rápida e desmedida e de vaidades.

Vale a pena ler as palavras de Sua Santidade o Papa nos artigos a seguir linkados sobre a sua recente visita ao Médio Oriente:

Papa pede “não mais terrorismo, não mais guerra” na despedida de Israel
Papa reza no Santo Sepulcro e pede liberdade religiosa em Jerusalém
Papa pede aos cristãos para ficarem em Israel e na Palestina

Mas, infelizmente, os governantes e os líderes de grupos rebeldes, não primam pelas qualidades desejáveis atrás referidas e, por isso, as notícias chovem impiedosamente, como ácido corrosivo que transforma o mundo num inferno em que os que mais sofrem são inocentes, crianças e idosos, a quem não é possível continuar a viver uma vida sossegada a que têm direito como seres humanos.

Vejamos algumas dessas notícias mais recentes:

Sri Lanka: Mais de 70 rebeldes Tamil foram mortos - Exército
Sri Lanka diz ter derrotado Tigres Tâmiles
Milhares de civis em fuga dos combates entre Exército e Tigres Tamil
Colômbia: Pelo menos 12 mortos em ataques da guerrilha desde sexta-feira

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Jovens que recuperarão Portugal

Ao pesquisar neste blog a palavra «jovens», encontram-se muitas referências a casos de jovens promissores que suscitam esperanças num Portugal renovado, mais próspero, com mais justiça social e bem-estar para a generalidade dos portugueses.

São as gerações mais jovens e as vindouras que terão sobre os ombros a pesada responsabilidade da recuperação de Portugal que tão danificado tem sido com más governações, servidas por políticos que pensam mais em si próprios do que no País que os elegeu. É vulgar ler-se e ouvir-se que «isto» tem que levar uma grande volta. Ela tem que ser conduzida pelos que ainda não estão viciados pelas actuais rotinas da sociedade, pelos que pensam pela própria cabeça e concluem que é preciso romper com procedimentos e hábitos nocivos, para reconstruir uma sociedade mais justa onde todos tenham direito à sua quota-parte de felicidade e não vejam outros a viver lautamente à custa da exploração dos desprotegidos pelo sistema.

Transcrevo na íntegra o artigo seguinte que merece ser lido atentamente até ao fim:

Alunos com vocação para a excelência

JN. 090517. 00h50m. Por HELENA NORTE

Distinguem-se pelas notas, mas não é isso que os faz estudar. Gostam de aprender, têm sede de conhecimento e são automotivados. Não correspondem ao estereótipo do "rato de biblioteca" e têm vida para além dos estudos, envolvendo-se em diversas actividades. Os métodos de estudo variam muito e não parecem ser determinantes para o sucesso. O prazer de saber mais é que os diferencia.

Método de estudo: "O método não é o mais importante. Estudar com prazer é que faz toda a diferença. Tenho uma paixão por aprender. Não estudo para tirar boas notas, isso é a consequência de saber."

Nos corredores da Faculdade de Medicina do Porto, já consta que não aparecia um aluno tão brilhante desde o tempo de Sobrinho Simões (eminente investigador na área do cancro). Ana Catarina Gomes está no 3.º ano com uma média invejável, destacando-se claramente como a melhor aluna da faculdade.

Ainda não tinha dez anos quando leu "Contos exemplares", de Sophia Mello Breyner, e a mensagem marcou-a inolvidavelmente: é preciso apreciar o que nos é oferecido, no momento, e não deixar para depois, porque quando voltamos atrás, já nada é igual. Para Ana Catarina, isso significa não desperdiçar qualquer oportunidade de aprendizagem.

Quando entrou em Medicina, com uma média de 20 valores do Secundário, tinha esperança de passar despercebida entre tantos bons alunos. Mas, rapidamente, deu nas vistas. Logo no 1.º ano, teve nota máxima no "cadeirão" de Anatomia. Desde então, colecciona prémios e mantém a média perto dos 19 valores. Quem a não conhece, julga que ela só vive para os estudos, mas Ana Catarina considera-se uma jovem normal, que gosta de sair e fazer amigos.

Os excelentes resultados que obtém nos exames não são o objectivo, mas a consequência. "Estudo pelo prazer de saber e discordo deste sistema de ensino centrado nos exames. Afinal, o objectivo é aprender ou fazer exames?"

Não faz noitadas a estudar em cima dos exames. Prefere estudar regularmente três horas por dia. Mas os seus dias não se resumem ao estudo. Nada diariamente uma hora, colabora num laboratório de investigação, estuda Inglês e Canto (já fez o curso completo de Piano), anda a aprender danças de salão e ainda tem tempo para fazer voluntariado no Instituto Português de Oncologia do Porto. Televisão não vê e com a Net não perde muito tempo.

Ana Catarina nunca precisou de estímulos para estudar. O perfeccionismo e o empenho exacerbados que dedica a tudo - "Quando faço alguma coisa, seja cortar uma unha ou dissecar um cadáver, gosto que fique perfeito" - são as bases da auto-motivação desta aluna que gostaria de fazer investigação na área do cancro da mama.

Método de estudo: "Estar atento às aulas e nunca sair da sala com dúvidas. E resolver muitos problemas, é assim que gosto de estudar"

Herdou os genes da Matemática do avô materno que, desde pequeno, o desafiava a resolver problemas. Nas viagens de carro, a mãe costumava fazer perguntas ao irmão mais velho e era Pedro quem respondia. Resultado: no Secundário, somou vintes e já ganhou três medalhas de ouro nas Olimpíadas de Matemática e outras distinções internacionais.

"É mesmo paixão. O que mais me fascina é resolver problemas novos, em que é preciso ser criativo, e não tanto fazer exercícios que consistam em aplicar a matéria dada", sublinha Pedro. Essa é, aliás, o método de estudo que prefere. Talvez por isso, Português seja a disciplina que menos gosta e a que tem a classificação mais baixa (19).

Pedro atribui as notas brilhantes ao facto de ter sedimentado bem os conhecimentos, de ano para ano. "Nunca deixei lacunas no meu percurso. Sempre consolidei bem os conhecimentos a todas as disciplinas."

Além de inteligência e estudo q.b., este estudante de 18 anos soma outros ingredientes fundamentais ao sucesso: ambiente familiar estável e estimulante e equilíbrio emocional, alcançado com uma diversidade de actividades - joga ténis, futebol, estuda piano e canto e gosta de sair e divertir-se.

"Gosto de estudar pelo prazer do conhecimento. Para entrar no curso que quero - Matemática aplicada à Computação -, não precisava de ter uma média tão alta."

Método de estudo: "Faço uma boa preparação para encarar os exames com confiança. À partida, acho sempre que vai correr tudo bem. E coloco-me na veste do professor e tento imaginar o que ele valoriza mais"

Direito na Universidade de Coimbra foi a escolha de Marta depois de ponderar vários cursos da área das Humanidades. "Foi a opção mais racional", explica, "porque é um curso que permite uma formação bastante alargada". Não quis trilhar o caminho dos pais e da irmã que são médicos e não se arrepende. Gosta muito do que estuda e é a melhor aluna de Direito e está entre os melhores de Coimbra.

Equilíbrio entre estudo e prazer e autoconfiança, construída com uma boa preparação, são os factores determinantes para enfrentar os exames, na visão de Marta.

"Não vou às aulas todas. Se fosse, não teria vida", realça. Para esta estudante do 4.º ano, com média superior a 18, é fundamental continuar a jogar ténis, ir ver a Académica ao fim-de-semana, conviver com a família, namorar e divertir-se com os amigos.

Planos para o futuro? "Ainda está tudo em aberto. Vou fazer mestrado, mas ainda não sei em que área, e não decidi se, a seguir, faço doutoramento ou começo a trabalhar."

Método de estudo: "Não tenho um método de estudo especial. Não gosto muito de ler teoria, prefiro fazer exercícios que me desafiem e mantenham-me desperto. E não deixo acumular as matérias".

Tiago é um jovem normal, que gosta de cinema, de jogos de computador e de sair com os amigos. Não corresponde ao estereótipo do "rato de laboratório" e, no entanto, é o melhor aluno da Universidade de Aveiro.

Embora sempre tenha tirado boas notas - ingressou no ensino superior com 18.35 valores -. só quando chegou a Aveiro, oriundo de uma pequena aldeia de Pombal, é que percebeu que poderia ser um aluno de excelência.

Mecânica é uma paixão antiga. Ainda era miúdo e já o fascinava perceber os mecanismos dos brinquedos. Era habitual, ele e o irmão desmontarem os carros e pegar nas peças e transformá-las veículo com novas funcionalidades. Quando chegou ao 9.º ano, e porque não tinha a certeza se poderia prosseguir os estudos na universidade, optou por um curso profissional de Mecânica.

A exigência do Ensino Superior aguçou-lhe o empenho e os resultados não tardaram a aparecer - detém a média de 18,28.

"Se não tiver trabalhos para fazer e se não for fim de semestre, não preciso de estudar todos os dias. Saio das aulas e estou com os meus amigos. Mas, quando é preciso, dedico-me totalmente ao estudo", frisa este futuro engenheiro para quem "há sempre tempo para tudo. Até para decidir o futuro, embora já esteja a trabalhar em projectos na área da simulação de processos de estampagem.

Tiago Jordão Grilo, 20 anos
3.º ano do curso de engenharia mecânica da Universidade de Aveiro
Prémios: Doutor Vale Guimarães (melhor aluno da UA); bolsa de mérito (aproveitamento escolar excepcional); bolsas de estudo (melhor caloiro e aluno do 1.º ano)

Ana Catarina Gomes, 20 anos
3.º ano de medicina na Faculdade de Medicina do Porto.
Prémios: diversos prémios por ter sido a melhor aluna a anatomia, fisiologia, biologia celular e molecular, genética, história da medicina, etc, melhor aluna do secundário.

Marta Nunes Vicente, 21 anos
4.º ano do curso de direito da Universidade de Coimbra
Prémios: prémio "Marnoco e Sousa" e prémio"Guilherme Moreira", atribuídos pela faculdade direito da Universidade de Coimbra

Pedro Sousa Vieira, 18 anos
12.º ano na área das ciências exactas. Pretende seguir matemática aplicada à computação, na Universidade Técnica de Lisboa.
Prémios: 3 medalhas de ouro nas olimpíadas portuguesas de matemática; diversas medalhas em competições internacionais.

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sábado, 16 de maio de 2009

Economia directa. Bancos não são indispensáveis

Recebi por e-mail este texto que relaciono com os três linkados a seguir, porque me parecem um bom estímulo para meditarmos na complexa situação em que o mundo se encontra, por um lado a procurar ultrapassar a crise e a preparar o futuro em moldes diferentes daqueles que originaram o abalo sofrido pela estrutura financeira e, por outro lado, os movimentos pouco claros que procuram reforçar os poderes instalados, com a «Nova Ordem Mundial» em que pontificam os bancos.

A economia de troca directa os bancos
uma pequena vila e estância balnear na costa sul de França chove e nada de especial acontece.

A crise sente-se.

Toda a gente está carregada de dívidas e deve a toda a gente.
Subitamente, um rico turista russo chega ao foyer do pequeno hotel local. Pede um quarto e coloca uma nota de 100 Euros sobre o balcão, pede uma chave de quarto e sobe ao 3º andar para inspeccionar o quarto que lhe indicaram, na condição de desistir se lhe não agradar.

O dono do hotel pega na nota de 100 Euros e corre ao fornecedor de carne a quem deve 100 Euros, o talhante pega no dinheiro e corre ao fornecedor de leitões a pagar 100 Euros que lhe devia há algum tempo. Este, por sua vez, corre ao criador de gado que lhe vendera os leitões e este por sua vez corre a entregar os 100 Euros a uma prostituta que lhe cedera serviços a crédito. Esta recebe os 100 Euros e corre ao hotel a quem devia 100 Euros pela utilização casual de quartos à hora para atender clientes.

Neste momento o russo rico desce à recepção e informa o dono do hotel que o quarto proposto não lhe agrada, pretende desistir e pede a devolução dos 100 Euros. Recebe o dinheiro e sai.

Não houve neste movimento de dinheiro qualquer lucro ou valor acrescentado.

Contudo, todos liquidaram as suas dívidas e estes elementos da pequena vila costeira encaram agora com optimismo o futuro.

Dá que pensar...

Cardeal-patriarca de Lisboa diz que a chamada “crise” pode estar “a gerar uma nova consciência colectiva”

Público. 15.05.2009 - 18h03 Andreia Sanches

Simpósio sobre solidariedade

“Queremos resolver a ‘crise’ ou queremos também ‘escutar’ a crise? É que do fundo do seu drama pode estar a surgir a voz que desafia todos, pessoas e estruturas, a porem-se a caminho, mudando em favor do homem, renovando-se em nome da família humana.” A questão foi levantada hoje pelo cardeal-patriarca de Lisboa, D. José Policarpo, no final do simpósio “reinventar a solidariedade em tempo de crise”, organizado pela Conferência Episcopal Portuguesa. (…)

Almeida Santos adverte para urgência de uma nova ordem mundial

Ionline. por Agência Lusa, Publicado em 16 de Maio de 2009

O político e advogado português António Almeida Santos deixou hoje, em Luanda, um aviso: com 4,3 mil milhões de pobres, a humanidade vai viver uma catástrofe se não houver mudanças políticas profundas.

Advertindo para a urgência dos líderes mundiais ganharem “juízo”,o presidente do PS e autor da obra “Que Nova Ordem Mundial?”, usando a pobreza como referência, adverte que “os pobres não têm nada a perder mas os ricos sim”.

“Ou temos juízo, com mudanças políticas sérias, ou vamos assistir a uma catástrofe”, disse. (…)


E o que
pretendem os bancos ?

Espremer o cliente

Ionline. por Ricardo Reis, Publicado em 16 de Maio de 2009

Há bancos que aproveitam todas as oportunidades para levarem "couro e cabelo" aos seus clientes. Quando lhes toca a eles falam em extorsão

Um conhecido meu tem uma empresa de construção. É essencial neste sector ter empréstimos bancários estáveis para avançar com as obras enquanto se procuram clientes. Há duas semanas, foi chamado a uma reunião num banco. A gerente bancária queria rever as condições de um crédito existente. O spread saltaria de 4% para 10%, e o prazo de pagamento seria antecipado vários meses. O novo contrato já estava preparado, com a data de 1 de Abril, e os novos pagamentos começariam daí a poucos dias. (…)

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A crise tem potencialidades positivas

“Queremos resolver a ‘crise’ ou queremos também ‘escutar’ a crise? É que do fundo do seu drama pode estar a surgir a voz que desafia todos, pessoas e estruturas, a porem-se a caminho, mudando em favor do homem, renovando-se em nome da família humana.” Isto foi dito por D. José Policarpo, no final do simpósio “reinventar a solidariedade em tempo de crise”, organizado pela Conferência Episcopal Portuguesa, conforme noticia o Público em Cardeal-patriarca de Lisboa diz que a chamada “crise” pode estar “a gerar uma nova consciência colectiva”.

Referiu o primado dos valores humanos sobre interesses materiais dizendo que “Foi assim com a consciência da dignidade dos trabalhadores na primeira revolução industrial” e “com o movimento de autonomia e independência dos países colonizados pela Europa, a partir da Conferência de Bandung; com o movimento de defesa dos direitos humanos...”

Sublinhou que estas “tomadas de consciência colectiva” são “dinâmicas, progressivas, atingem massas humanas cada vez mais numerosas e são irreversíveis nos seus efeitos de mudança da história”.

Alertou que, “a partir de certo momento, as ‘ideologias’, os mecanismos políticos e os sistemas económicos implantados tentam dominá-los, chegando mesmo a neutralizar-lhes a sua força inovadora e transformadora”. Mas é preciso manter “a chama renovadora no contexto de uma nova busca da harmonia da sociedade é desafio apresentado a todas as estruturas, religiosas, políticas, sociais”.

Admite que “a situação a que toda a gente chama a ‘crise’” pode estar “a gerar uma nova consciência colectiva”.

Disse «que ninguém queira aprisionar a história, em nome de ideologias, de interesses vários, de sistemas implantados. A humanidade grita por novas harmonias, que exigirão caminhos novos de governo da humanidade, caminhos de autêntico progresso humano». É preciso “pôr a pessoa humana, na sua dignidade, como prioridade absoluta da organização da sociedade.”

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Pilotos militares vs civis

O texto que se segue foi recebido por e-mail. O autor, bem identificado no final, é profundo conhecedor e com larga experiência nos dois sectores aqui visados e com muitos textos publicados sobre o tema.

Pilotos militares vs pilotos civis ou como a Força Aérea não consegue reter os seus aviadores

Ser piloto civil é exercer uma actividade tecnicamente complexa, fisiologicamente exigente, economicamente relevante e socialmente útil. É uma profissão relativamente bem remunerada e em termos sociais muito bem aceite. Isto é, as pessoas em geral, têm em alta conta a profissão de piloto comercial, mesmo sem saberem muito bem os quês e os como de semelhante actividade e certamente sem saberem que, infelizmente, aos profissionais do ar nem sequer lhes ser exigida uma licenciatura, embora muitos a possuam.

O comum do cidadão deve pensar que um seu semelhante que consegue meter-se dentro de uma máquina com asas cheio de “relógios” (agora écrans), manetes e botões e consegue levá-lo de um ponto para outro em qualquer parte do mundo deve ser uma espécie de super homem. Não é, mas não vem mal nenhum ao mundo que pensem assim, primeiro porque é bom para o nosso “ego” e depois porque só isso deve justificar que tanta gente entregue a sua vida e segurança nas mãos de semelhantes abencerragens.

Ser piloto militar é igualmente uma actividade complexa. Direi que mais complexa, pois é necessário aprender a operar as aeronaves em termos tácticos e tirar partido delas como armas. O tipo de missões é muito mais variado e é necessário aprender a operar com forças aéreas estrangeiras e em apoio das forças de superfície (Exército e Marinha). Além disso o risco é maior, pois o envelope em que se opera é mais arriscado e exigente e porque se tem que treinar do mesmo modo que se opera em situação de guerra.

Por todas estas razões as exigências fisiológicas são mais duras.

Ser piloto militar não é porém uma actividade economicamente importante, a não ser indirectamente, através das mais valias que se podem obter através da indústria aeronáutica/armamentos, para quem as possua. Mas fazem isto: criam segurança, sem a qual nenhuma actividade económica se pode desenvolver; são elemento importante de recolha de informações necessárias a número alargado de organismos do Estado; promovem a vigilância do Ar, da Terra e do Mar, a investigação de recursos e providenciam as necessidades de busca e salvamento e outras missões de apoio cívico.

E se mais não fazem é porque não lhes dão os meios e as ordens.

A sua função é pois, também, socialmente útil e ultrapassa em muito o simples transporte de passageiros e carga praticado no meio civil. Mas apesar de assim ser a população em geral e os políticos em particular, continuam inacreditavelmente ignorantes do que fazem exactamente os pilotos militares, em todo o caso, a Força Aérea. E isto quando são um elemento fundamental de soberania e instrumento essencial da Política externa do Estado Português.

Em cima disto temos que dizer que um piloto militar é muito pior remunerado do que um piloto civil e está sujeito à condição militar que, na prática, se traduz em mais deveres e menos direitos.

Um piloto civil pode mudar de companhia e até de país, quando as suas qualificações e oportunidades o permitem. A sua actividade é regulada pelo mercado e por vezes pelo capitalismo selvagem. Quem se sindicaliza pode usufruir da respectiva protecção. É um ser individual que conhece mal todos os restantes trabalhadores. Trabalha em equipa dentro (e apenas), da sua tripulação. Existe pouco sentido gregário, e espírito de empresa. Esta é apenas local onde se ganha dinheiro. Onde se está.

A Força Aérea (FA) é em grande parte a antítese de tudo isto. Na FA serve-se. É-se. (até ver!) O piloto militar só pode servir na (sua) FA e é contemplado amiúde com deslocações frequentes que têm em conta as suas aptidões e desejos mas, sobretudo, as necessidades da organização.

O piloto militar vive em grupo e trabalha sempre em comum com muitos outros que se complementam. O espírito de corpo e a camaradagem são fundamentais. O piloto civil realiza o seu turno e vai para casa, o piloto militar tem mais mil coisas para tratar.

O piloto civil realiza tarefas; o piloto militar cumpre missões.

Ambos pertencem aos dois únicos grupos profissionais em Portugal (pilotos e militares), que verdadeiramente são avaliados anualmente.

Se a sociedade civil se aproveita de tudo isto a seu favor, enfim faz o que costuma no sentido de aproveitar as oportunidades do mercado e da legislação. Que o Estado trate tão diferentemente os seus servidores civis (caso da TAP por exemplo) e militares é que já não parece tão linear e apropriado. A criação recente da Empresa de Meios Aéreos veio até, agravar as injustiças.

Enfim muito mais haveria a referir. Em corolário do que temos vindo a dizer, cada vez há mais candidatos a piloto civil e a maioria deles nunca pensou em ser militar nem pode concorrer a não ser até uma idade muito baixa ao passo que a FA, apesar de não ter dificuldades de recrutamento (as necessidades são também pequenas), não consegue reter os seus oficiais que aliás, podem empregar-se no mercado civil até aos 65 anos!

A situação é cíclica, nunca foi verdadeiramente estudada, nunca houve interesse político em resolvê-la (apesar de algumas piedosas declarações quanto pouco sentidas), e tem custos enormes para a Nação, e não estamos apenas, nem sobretudo, a falar de dinheiro.

Até o recente recurso a contratados tem dado maior resultado, devido em grande parte à incompetência legislativa.

Incompreensivelmente as sucessivas chefias da Força Aérea, nunca conseguiram estabelecer critérios justos e equilibrados ao longos das últimas três décadas (!), mudando frequentemente de ideias, o que tem provocado efeitos devastadores nas fileiras.

Por outro lado nunca tiveram o saber e habilidade para convencerem os outros Ramos e o Poder político para a necessidade de se encontrar uma solução global para o problema e que não passa apenas por pagar melhor, mas sobretudo por um conjunto de actuações em várias áreas, onde a dignificação da condição militar não será a mais dispicienda.

Mas, perguntarão os leitores, se em Portugal não se consegue resolver um único problema que exista (e são tantos!), porque é que se havia de resolver este?

João José Brandão Ferreira, TCor /Pilav Ref , Comd. Linha Aérea

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A fábula do executivo

Esta é a fábula de um alto executivo que, "stressado", foi um dia ao psiquiatra. Relatou ao médico o seu caso. O psiquiatra, experiente, logo diagnosticou:
- O Sr. precisa de se afastar, por duas semanas, da sua actividade profissional. O conveniente é que vá para o interior, isole-se do dia-a-dia e busque algumas actividades que o relaxem.

Então, o nosso executivo procurou seguir as orientações recebidas. Munido de vários livros, CDs e "laptop", mas sem o telemóvel, partiu para a quinta de um amigo.

Passados os dois primeiros dias, o nosso executivo já havia lido dois livros e ouvido quase todos os CDs. Porém, continuava inquieto. Pensou, então, que alguma actividade física seria um bom antídoto para a ansiedade que ainda o dominava.

Procurou o capataz da quinta e pediu-lhe trabalho para fazer. O capataz ficou pensativo e, vendo um monte de esterco que havia acabado de chegar, disse ao nosso executivo:
- O Senhor Doutor pode ir espalhando aquele esterco em toda aquela área que será preparada para o cultivo.

Pensou o capataz para consigo próprio: "Ele deverá demorar uma semana com esta tarefa". Puro engano ! No dia seguinte já o nosso executivo tinha distribuído todo o esterco por toda a área.

O capataz deu-lhe então a seguinte tarefa: abater 500 galinhas com uma faca. Tarefa que se revelou muito fácil para o executivo ansioso: em menos de 3 horas já estavam todos os galináceos prontos para serem depenados! Pediu logo nova tarefa.

O capataz disse-lhe, então:
- Estamos a iniciar a colheita de laranjas. O Senhor Doutor vá, por favor, ao laranjal e leve consigo três cestos para distribuir as laranjas por tamanhos: pequenas, médias e grandes.

Passou o dia e o executivo não regressou com a tarefa cumprida. Preocupado, o capataz dirigiu-se ao laranjal. Viu o nosso executivo, com uma laranja na mão, os cestos totalmente vazios, e a falar sozinho:
- Esta é grande. Não, é média. Ou será pequena???
- Esta é pequena. Não, é grande. Ou será média???
- Esta é média. Não, é pequena. Ou será grande???

Moral da história:
Espalhar merda e cortar cabeças é fácil. O difícil é tomar decisões.


NOTA: este post foi transcrito do Sempre Jovens, onde foi publicado por Luís. Os nossos políticos e gestores públicos deviam conhecer esta fábula e preparar-se para tomar decisões. Não lhes faria mal lerem e meditarem no método exposto em Pensar antes de decidir, mas com a preocupação de não pensarem demais, porque a finalidade é tomar uma decisão correcta e oportuna. Aquilo que deve ser feito para evitar bater no obstáculo não pode ser adiado para depois do acidente.

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sexta-feira, 15 de maio de 2009

Ética na Política

Transcrevo este texto recebido por e-mail que vem ao encontro da sugestão contida no post Código de bem governar . A Política exige ética, exige moral. Os interesses nacionais devem ser colocados acima dos interesses individuais e dos partidos.

A ética de Aristóteles
Susana Barbosa, Aveiro, 12 de Maio de 2009

Passam-se dias, meses, anos, décadas, séculos, e o ser humano, imperfeito por natureza, repete-se nos mesmos erros, nos mesmos sentimentos, para o bem e para o mal. Avançam as civilizações, nas ciências, nas tecnologias, transformam-se as formas de ser e de estar em sociedade, mas o homem continua a cometer os mesmos erros, sem emenda, e pior, aduzidos de refinamentos, e de falsidades disfarçadas por máscaras cada vez mais sofisticadas.

Porque não aprende o homem, com a experiência, a capacidade de correcção? Porque é que a lei, as regras e os princípios são rapidamente colocados de parte, dificilmente se elevando, e facilmente o ser humano se alicia no incumprimento, no vício, na inveja, na gula, na soberba, e na ganância?

Já no séc. IV a.C., Aristóteles, reflectindo sobre a natureza dos homens, e preocupado com o seu aperfeiçoamento, sobretudo através dos jovens, escreveu na Grécia um Tratado sobre a ética, “Ética a Nicómaco”.

«Segundo Aristóteles, a actividade jurídica e a política estão unidas à moral, uma vez que o fim último da política é a virtude, isto é, a formação moral dos cidadãos, e o fim último do Estado é proporcionar o conjunto dos meios necessários a essa formação. Nesta perspectiva, o Estado é também um organismo moral, condição e complemento da actividade moral individual. Moral e política serão a mesma coisa? Não. A Política destina-se à educação da colectividade (moral social), enquanto a ética se destina à educação individual (moral individual).

É por isso que o Estado é superior ao cidadão, a colectividade ao indivíduo, o bem comum ao bem particular. Só através do Estado se realiza a satisfação de todas as necessidades, pois o ser humano, sendo naturalmente um ser vivo social (da polis, ser político), não pode aperfeiçoar-se sem o apoio da comunidade.

Para Aristóteles o ser humano é, por natureza, um ser vivo político. Assim: necessita, por natureza, de viver em comunidade e a plena realização da sua humanidade só é possível e realizável através da comunidade social e política que na Grécia era a Cidade-Estado (polis).»

Relendo o Tratado da ética de Aristóteles, e ponderando sobre a actualidade da problemática que ele nos transmite, não podemos deixar de nos questionarmos: como é possível que tendo já sido escrito há cerca de 2.400 anos, seja pleno de bom senso e de pertinência para os dias de hoje? E como é possível, que ainda assim, passados tantos séculos, o homem continue tão imperfeito, tão incorrecto, tão corrupto, violando regras de bem-estar social, pisando princípios básicos de saber ser e de saber estar, tanto individualmente quanto em sociedade?

Tal como já nos deixou escrito Aristóteles, repetimos, há cerca de 2.400 anos atrás, também nós reconhecemos que a existência de regras morais é insuficiente para que os seres humanos optem por uma via de boa conduta, e daí que a necessidade das leis, do legislador e da política, seja mais do que nunca, a valia de lutar pela melhor condução das sociedades.

Todavia, como também ele nos diz, no domínio da acção, não basta que reconheçamos teoricamente o que é a virtude, é necessário que a ponhamos em prática. Dada a nossa natureza, tem de existir sempre um esforço humano para nos tornarmos pessoas de bem, tem de existir um esforço constante de aperfeiçoamento que só se torna efectivo através do exemplo que cada um de nós, e o próprio Estado em sociedade, conseguir deixar às gerações vindouras, e nós cremos, que aqui reside a nossa luta, na elevação da política do rigor da legislação, e do cumprimento das leis, ao patamar de onde nunca se deve desviar.

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Obsessão da promessa, da propaganda falaciosa

Já em vários posts foi referida a tendência obsessiva de fazer promessas e anunciar intenções fantasiosas sem estarem devidamente estudadas. Os sucessivos recuos daí resultantes não dignificam quem deixou de «Pensar antes de decidir»

Segundo o jornal PÚBLICO, «Primeiro-ministro garantiu que Cosec nacionalizada estará operacional no Verão» , José Sócrates anunciou a sua intenção de nacionalizar a seguradora de crédito nacional, Cosec, e garantiu que possuía já o acordo dos accionistas. Esta informação foi avançada por empresários que estiveram reunidos com o PM que afirmaram ter ele garantido que, até ao Verão, o Estado estará à frente da concessão de seguros de crédito às empresas exportadoras. Um dos empresários presentes na reunião disse que "Garantiu que, nas próximas duas semanas, as negociações com os privados estarão encerradas e que, até ao Verão, o novo modelo de gestão da Cosec estará operacional". Outra notícia diz que «Seguradora que Governo quer comprar vale entre 32,5 milhões e 61 milhões».

No dia seguinte, a notícia «Accionista estrangeiro da Cosec recusa proposta de Sócrates para vender seguradora»
diz que a empresa Euler Hermes, do grupo alemão Allianz, accionista estrangeiro da Cosec, que controla 50 por cento do seu capital, revelou não estar interessada em vender ao Estado português a sua posição na seguradora, vindo assim contrariar a afirmação de Sócrates.

Esta grande accionista deixou um aviso ao executivo português, ao declarar que "está presente em Portugal com uma perspectiva de longo prazo", razão pela qual "não está a contemplar vender as suas acções" na Cosec. E acrescenta que "está disposta a suportar qualquer solução que o Governo pretenda implementar, para ajudar as empresas portuguesas".

É significativa a dificuldade na concretização da promessa de Sócrates dado que a Euler Hermes partilha o capital da Cosec com o Banco Português de Investimento (BPI), que, por sua vez, tem como accionista a Allianz do mesmo grupo da Euler e o BPI ainda não se pronunciou, nem é previsível que se manifeste contra os interesses da sua grande accionista.

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Justiça só pode melhorar

Origem Jornal PÚBLICO online, 090515.
Para ver melhor faça clique sobre a imagem.

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quinta-feira, 14 de maio de 2009

O governo e o povo

Entre um governo que faz o mal e o povo que o consente, há uma certa cumplicidade vergonhosa.
(Victor Hugo)

E você? Também alinha na cumplicidade vergonhosa?

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Um homem de muito valor

No blog Só imagens aparecem fotografias de grupos de amigos, sem legendas, sem nomes, respeitando a privacidade de quem não tem objectivos de publicidade nem de granjear votos. Apesar disso merece ser destacada uma pessoa excepcional que, por sua iniciativa, quis participar no encontro da recente Terça-feira acompanhado pelo seu incondicional amigo Vinagre, o que honrou todos os presentes. Quanto à sua identidade e ao seu valor moral e cultural, à sua tenacidade e força de vontade, remeto os interessados para os posts Mais um caso exemplar, A modéstia potencia o valor das pessoas e Um deficiente vencedor. Esta foto mostra os dois que também constam de outras fotos. E não digo mais, mas creio que os títulos dos três posts linkados não deixarão indiferentes os meus amigos.

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Segurança rodoviária. Sonho impossível

Este título parece ser incoerente com tudo o que tenho escrito em cartas para os jornais e neste espaço bloguista. Quando falo de sonho impossível, não significo descrença em bons resultados traduzidos na redução drástica de mortos e feridos nas estradas. Refiro-me à falta de uma estratégia bem delineada e implementada. Não aparecem entidades a definir com clareza as reais causas da tragédia e a propor formas de actuar nessas causas primárias.

Agora diz-se que «Governo quer limite de 60 mortos por milhão de habitantes até 2011» e que «Governo avança com a instalação de mais cem radares para controlar excesso de velocidade», como se isso resolvesse o problema.

Qual a razão de não se exercer um esforço sério nas escolas e através das televisões, rádios e imprensa no sentido de recuperar o civismo perdido. Qual a razão de não se rever a sinalética tornando-a coerente, lógica, bem ajustada às realidades pontuais?

Hoje numa avenida que está em obras fora do asfalto, encontrei um sinal a limitar a velocidade a 20, quando na prática a circulação a 60 pode ser segura. Um carro reduziu talvez para 40 e atrás um táxi teve que reduzir, contrariado, enquanto atrás se formava uma fila de descontentes. Trata-se de uma avenida que antes desse local tem duas faixas em cada sentido separadas por um separador largo e ali está, desde há muito apenas com uma em cada sentido separadas por um traço, o que justifica a referida fila que depressa se formou.


O sinal de 20 era dispensável, sendo suficiente o de trabalhos, no caso de existir o almejado civismo.


Enquanto houver sinais exagerados, os automobilistas são tentados a não os respeitarem. Mas quando aparecer um sinal verdadeiro, bom conselheiro, o automobilista não acreditando nele, entra em perda de controlo e pode despistar-se pondo em risco a sua vida, a dos seus passageiros e a de terceiros que venham em sentido contrário. Há portanto, que rever todos os sinais, a fim de terem utilidade em vez de serem armadilhas.

Repare-se no sinal da foto, numa avenida em que ao longo do passeio há correntes que impedem que peões atravessem. Porquê 30 em vez de 40 ou mesmo 50 ou 60? 200 metros à frente é preciso reduzir, mas isso não obriga a começar a circular a 30 tanto tempo antes.

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Gripe suina mexicana. Dúvidas pertinentes

Transcrição de um texto recebido por e-mail. Sem acrescentar notas ou apreciações, para que possa ser interpretado livremente pelos leitores.

Texto escrito por um brasileiro, morador da Cidade do México:

Pessoal, antes de qualquer coisa, gostaria de deixar bem clar o que moro na Cidade do México [sou sãopaulino] e estou vivendo toda essa tensão sobre a suposta gripe suína. Hoje recebi um e-mail que está circulando na internet de que a gripe suína [influenza] é uma farsa. Ou seja, esta história da gripe suína foi inventada pelos governantes dos países para desviarem a atenção do povo dos problemas reais. Por isso, decidi traduzir este texto do Espanhol ao Português para que vocês leiam e tirem suas próprias conclusões. O texto oferece muitas razões para se duvidar desta gripe.

“No dia 2 de abril, deste ano, durante a reunião do grupo do G7, integrado por USA, Reino Unido, Canadá, Alemanha, Itália e Japão, se concluíram o seguinte:
1) a economia mundial necessitava uma mudança;
2) o FMI destinaria 500,000 milhões de dólares para ajudar às economias emergentes (países pobres dispostos a colaborar). Pois bem, os dados estavam no ar;
3) Logo veio a reunião privada do presidente Obama e Felipe Calderón [presidente do México] no dia 16 e 17 de abril.
Coincidentemente, na sexta-feira, dia 23 de abril, o presidente do México, Felipe Calderón, convocou uma reunião de emergência com seu gabinete, e pela noite o secretário de saúde, José Ángel Córdoba Villalobos, anunciava em cadeia nacional a aparição do vírus da influenza, e as medidas imediatas, como, por exemplo, a suspensão das aulas em todos os níveis na Cidade do México e no estado do México.
No dia 24 de abril, o G7 declarava que a economia mundial deveria estar em marcha este ano, e que se lançariam todas as ações necessárias.
Finalmente, segunda-feira, dia 27 de abril, a empresa farmacêutica Sanofi Aventis anuncia que injetaria 100 milhões de euros em uma nova planta de vacinas e doaria 236,000 doses ao México como apoio ao controle da influenza.

De todo o anterior, tiramos as seguintes conclusões:

1)Há 2 anos a indústria farmacêutica [Sanofi Aventis] a nível mundial tinha problemas financeiros pela baixa venta de remédios;
2) Se não se cria guerras, se cria [ou se inventa] doenças [“a economia mundial deveria se por em marcha”];
3) O México seria um perfeito trampolim para lançar a doença da influenza. Daqui [do México, é óbvio] sairiam turistas a diferentes partes do mundo. E curiosamente, os países que dizem ter doentes infectados pelo vírus da influenza, estiveram no México. E os países que estão reforçando a segurança sanitária são os países que integram o G7.
Que curioso, não?
O que acontecerá na semana que vem?
Muito provável será a suspensão das atividades em todas as empresas da Cidade do México e em algumas outras cidades da República mexicana. Já as aulas estão suspendidas até o dia 06 de maio, onde o governo fará uma análise da farsa e verá [convenientemente] que siga sem aulas;
4) Pare para pensar qual é o assunto mais falado e comentado neste últimos dias: a influenza ou a crise financeira? Isto, de antemão, é um alívio para o Banco Mundial e para as bolsas do mundo.

Em outras palavras, essa história do vírus da influenza é uma farsa que os governos do mundo inventaram para desviar a atenção do povo dos problemas reais pelos quais a sociedade verdadeiramente está passando. Vocês se lembram das histórias passadas, como, por exemplo, do chupacabras, do fim do mundo e dos óvnis? Pois é, amigos, tudo isso foi invenção dos governos para distrair a atenção de suas populações e encobrir certas coisas para que a sociedade não se interasse.

Vemos as notícias nas TVs e vemos como as vendas das farmácias cresceram [remédios e máscaras se vende como nunca]. Imagina como devem estar rindo as pessoas [governantes] que inventaram isso ao verem as pessoas pelas ruas da Cidade do México, amedrontadas com suas máscaras. Alguém pode objetar que a Cidade do México estaria perdendo muito com estas paralisações. Não. Pois, para isso existe o fundo que destinou o FMI. Agora imagine os lucros da farmacêutica a nível mundial. Isso é algo para se pensar.

O presidente do México sempre está anunciando que tantas pessoas já morreram em decorrência da gripe suína, porém [o autor deste texto que é mexicano, se pergunta] onde estão os mortos e onde estão concentrados os doentes? Estes dados os governo mexicano não menciona.

Coloco os seguintes pontos para que reflitamos: [se pergunta o autor deste texto]

1) Se realmente é tão contagiosa essa gripe, como e onde estão as famílias dos mortos? [ninguém sabe];
2) Se a influenza suína é uma mutação do vírus original dos porcos, então o início da infecção deveria ter começado no campo não na cidade;
3) Por que não mostram alguma entrevista com algum doente contagiado? [realmente nunca mostraram. Vi que entrevistam a familiares, dizendo que seu familiar está doente e que já está estável graças aos medicamentos; porém, se o familiar esteve em contato direto com o vírus, então, por que não fica doente ou em quarentena?];
4) Por que até agora não disseram o nome do anti-vírus que está “curando” as pessoas doentes? Alguém conhece algum doente real? [se pergunta outra vez o autor deste texto]”.

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quarta-feira, 13 de maio de 2009

Promessas. Uma doença nacional

Em 7 de Dezembro de 2007, a empresa Auto-Estradas do Atlântico, anunciava a ampliação do troço da auto-estrada do Oeste entre a CRIL e as portagens de Loures, de duas para três faixas em cada sentido. O responsável pela empresa que gere a auto-estrada A8 previa que a obra tivesse início em Janeiro de 2008 e terminasse ao cabo de 16 meses, em Abril de 2009. Mas já estamos em meados de Maio de 2009 e nada de obra terminada, nem sequer iniciada.

Notícia do JN de hoje diz que ontem, 12 de Maio, passados mais de 17 meses após promessa não cumprida, diz que o mesmo administrador da empresa repetiu o mesmo anúncio. Será que desta vez será mesmo verdade o que promete?

Entretanto a estrada EN8 tem sido sobrecarregada com o trânsito de pesados, com incómodo para os camionistas e para os outros utilizadores da via, por efeito de a A8 não garantir segurança para ele.

As pretensas justificações apresentadas para o não cumprimento do anunciado há tantos meses mostram irresponsabilidade, desrespeito pelas populações interessadas na via e incompetência para prever todos os trâmites inerentes às burocracias que condicionam o planeamento e a execução da obra.

E assim vai o País, com constantes e variadas mistificações do pobre povo que já foi considerado por «nobre povo», como diz o Hino Nacional que hoje já não espelha a actual ausência das qualidades de heroicidade e valentia do grande Portugal de outrora.

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terça-feira, 12 de maio de 2009

O «dinheiro vivo» é corrosivo e demolidor

Fiquei pouco crente do texto transcrito no post «E todos concordaram» e agora, ao transcrever o texto de Mário Crespo, estou totalmente incrédulo e espero que surjam comentários a provarem-me que isto não pode ser verdade. Mas com tudo o que tem sido escrito sobre a decisão da AR em unanimidade menos um voto, será difícil surgir uma prova convincente.

Não é a crise que nos destrói. É o dinheiro

JN. 090511, por Mário Crespo

Nesta fase

Nada no mundo me faria revelar o nome de quem relatou este episódio. É oportuno divulgá-lo agora porque o parlamento abriu as comportas do dinheiro vivo para o financiamento dos partidos. O que vou descrever foi-me contado na primeira pessoa. Passou-se na década de oitenta. Estando a haver grande dificuldade na aprovação de um projecto, foi sugerido a uma empresária que um donativo partidário resolveria a situação. O que a surpreendeu foi a frontalidade da proposta e o montante pedido. Ela tinha tentado mover influências entre os seus conhecimentos para desbloquear uma tramitação emperrada num labirinto burocrático e foi-lhe dito sem rodeios que se desse um donativo de cem mil Contos "ao partido" o projecto seria aprovado.

O proponente desta troca de favores tinha enorme influência na vida nacional. Seguiu-se uma fase de regateio que durou alguns dias. Sem avançar nenhuma contraproposta, a empresária disse que por esse dinheiro o projecto deixaria de ser rentável e ela seria forçada a desistir. Aí o montante exigido começou a baixar muito rapidamente. Chegou aos quinze mil Contos, com uma irritada referência de que era "pegar ou largar". Para apressar as coisas e numa manifestação de poder, nas últimas fases da negociação o político facilitador surpreendeu novamente a empresária trazendo consigo aos encontros um colega de partido, pessoa muito conhecida e bem colocada no aparelho do Estado. Este segundo elemento mostrou estar a par de tudo. Acertado o preço foram dadas à empresária instruções muito específicas. O donativo para o partido seria feito em dinheiro vivo com os quinze mil Contos em notas de mil Escudos divididos em três lotes de cinco mil. Tudo numa pasta.

A entrega foi feita dentro do carro da empresária. Um dos políticos estava sentado no banco do passageiro, o outro no banco de trás. O da frente recebeu a pasta, abriu-a, tirou um dos maços de cinco mil Contos e passou-a para trás dizendo que cinco mil seriam para cada um deles e cinco mil seriam entregues ao partido. O projecto foi aprovado nessa semana. Cumpria-se a velha tradição de extorsão que se tornou norma em Portugal e que nesses idos de oitenta abrangia todo o aparelho de Estado.

Rui Mateus no seu livro, Memórias de um PS desconhecido (D. Quixote 1996), descreve extensivamente os mecanismos de financiamento partidário, incluindo o uso de contas em off shore (por exemplo na Compagnie Financière Espírito Santo da Suíça - pags. 276, 277) para onde eram remetidas avultadas entregas em dinheiro vivo. Estamos portanto face a uma cultura de impunidade que se entranhou na nossa vida pública e que o aparelho político não está interessado em extirpar. Pelo contrario. Sub-repticiamente, no meio do Freeport e do BPN, sem debate parlamentar, através de um mero entendimento à porta fechada entre representantes de todos os partidos, o país político deu cobertura legal a estes dinheiros vivos elevados a quantitativos sem precedentes.

Face ao clamor público e à coragem do voto contra de António José Seguro do PS, o bloco central de interesses afirma-se agora disposto a rever a legislação que aprovou. É tarde. Com esta lei do financiamento partidário, o parlamento, todo, leiloou o que restava de ética num convite aberto à troca de favores por dinheiro. Em fase pré eleitoral e com falta de dinheiro, o parlamento decidiu pura e simplesmente privatizar a democracia.

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Políticos mais competentes e com personalidade

Marcelo Rebelo de Sousa interveio numa conferência sobre "Os jovens e a política: razões para a exercer", promovida pela Escola Profissional de Tondela, onde aconselhou os jovens a que, antes de seguirem a política, "finquem os pés na actividade profissional" para, depois, serem capazes de "dizer que não".

Afirmou que, "se uma pessoa está na política sem ter um lugar de retaguarda, se um chefe lhe diz 'você agora faz aquilo'", ela, mesmo discordando, tem de o fazer". Porém, "se tiver independência, a pessoa responde 'até à próxima, vou à minha vida'. Se não tiver, tem de engolir sapos vivos ou elefantes. Não tem outro remédio se não ir fazendo coisas que lhe vão impingindo ao longo do tempo".

Este conselho é muito interessante para os próprios e para o País, só que não será de fácil concretização generalizada porque depara com resistências fortes dos actuais políticos que seguiram outra metodologia e que pretendem apoiar os jovens familiares e amigos que sentem dificuldade em obter êxito nos estudos e na preparação adequada para a competição na actividade económica privada.

O currículo da actual carreira política, salvo em eventuais casos excepcionais assenta no seguinte percurso: A «carreira» começa por ter uma base pouco edificante, um critério de recrutamento nada prometedor.

Não se compreende que, sendo a função de governança tão complexa, ninguém se preocupe em obter preparação académica adequada. Entra-se na política muitas vezes por dificuldades nos estudos, por se ser mau aluno e sem perspectivas de concorrer na sociedade civil e, para arranjar um «emprego» bem remunerado e pouco trabalhoso, sem responsabilidades, com impunidades e imunidades. E, apesar de todas as carências de saber resultantes desse início, seguem a carreira, podendo chegar ao topo dos governos. Hoje qualquer um pode ser político desde que conquiste a amizade de um político ou seu familiar, desde que se inscreva na JOTA e se mostre servil em relação ao líder local, aplauda nos comícios repita os slogans e se bajule aos chefes. Conquistará lugar de assessor, seguindo-se deputado, uns tachos, o diploma que não conseguiu obter em devido tempo, secretário Estado, ministro, etc.

Outro problema grave é os partidos e a AR estarem nas mãos de gente da área do Direito, faltando engenheiros, gestores, médicos, professores, etc., pessoas que dariam aos actos de governança a solidez de conhecimento do País real, actual e voltado para o futuro. Os do Direito estão habituados ao passado, a leis feitas noutra época para resolver problemas que já eram antigos e aprimoram-se no uso das palavras e dos argumentos para convencerem os juízes. Mas não estão vocacionados para a estratégia de preparação de decisões para o futuro.

Falta aos políticos a ponderação, a reflexão, um esforço de previsão que permita tomar as melhores decisões para depois de amanhã. Parecem macaquinhos num circo em que ouvem chamamentos de todos os lados e sentem a indecisão de saber o que fazer. Acabam por tomar decisões ao acaso que, para pior, teimam em manter contra tudo e todos. E assim, o futuro vai ser terrível porque entretanto gastam-se os últimos recursos inutilmente.

O esquema sugerido por Marcelo, além de garantir independência de pensamento e de opinião aos políticos, tem a vantagem de reduzir a quantidade de fantasistas improvisados sem o necessário conhecimento das realidades, sem terem obtido competência de gestão de casos graves, sem sentido de responsabilidades, nem dedicação a tarefas que merecem análise meticulosa e escolha sensata das soluções mais convenientes para Portugal.

Mas a alteração do sistema deve ser implementada com rapidez a fim de que os «sonhadores» já instalados e com «clientelas» seguras de «dinheiro vivo» para os partidos, não boicotem as ideias da nova geração e a desmotivem. Oxalá a ideia germine e se desenvolva e seja inserida no «código de bem governar» já aqui referido.

A entidade fundamental de Portugal, como de qualquer Estado, é a Nação, seguindo-se-lhe o território. Para poder sustentar-se, a Nação precisa de se organizar e, dessa forma, surge o Estado. Em qualquer organização tem de haver líderes nos diversos sectores e escalões e é na sua escolha que os regimes políticos se diferenciam: monarquia, ditadura, democracia directa oi representativa, etc.

Em qualquer regime os responsáveis pela defesa dos interesses da colectividade devem ter uma preparação prévia consentânea com as funções a desempenhar e uma capacidade de realização própria para agir acertadamente por piores que sejam as condições que possam surgir.

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Governar com promessas e esperanças!!!

Notícia do Público diz que a ministra da educação espera entrar em 2010 com cerca de 200 escolas secundárias, de um total de 350 em projecto, a serem intervencionadas no âmbito do Programa de Modernização do Parque Escolar.

Os portugueses prefeririam ouvir notícias de problemas resolvidos, obras feitas, medidas implementadas, resultados, para fazerem a sua «avaliação do desempenho» do Governo. A mesma promessa aparece sob outro título no mesmo jornal.

Da área da Educação apareceram recentemente promessas não coincidentes referentes ao Magalhães, aqui e aqui e cuja concretização não foi noticiada. O povo começa a topar as realidades, pelo que os governantes devem consciencializar-se de que não é saudável governar com promessas vãs. As pessoas não gostam de propaganda enganosa e detestam mais promessas pouco convincentes.

Porém, não pode haver ilusões sobre as dificuldades inerentes ao acto de governar um País. E talvez seja esse factor que afasta muitos jovens da política como há tempos foi referido pelo Presidente Cavaco Silva. Mas quem está no governo é voluntário, supostamente para se dedicar à defesa do País, dos portugueses, e criar melhores condições de vida para estes. Essas reais dificuldades exigem muito bom senso, estudo dos problemas e ponderação na escolha das soluções mais adequadas aos interesses nacionais, que devem sobrepor-se aos interesses privados, sejam individuais ou de empresas.

Por isso, é também lamentável o que aconteceu nos dois casos das notícias a fábrica anunciada por três ministros e que nunca saiu do papel e empresa apadrinhada por Sócrates e Pinho confirma perda de certificação solar.

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