Em resposta à proposta socialista de aumento do salário mínimo, o PM «chegou a dizer que, dada a actual conjuntura, o “mais sensato” seria fazer o oposto». Teimou que “quando um país enfrenta um nível elevado de desemprego, a medida mais sensata que se pode tomar é exactamente a oposta.”. ‘Explicou’ que o governo não deixará de “discutir o aumento do salário mínimo”, mas numa altura em que “o tecido produtivo tenha condições para o fazer”, caso contrário isso só trará “mais desemprego”. Reiterou que, na actual conjuntura, um aumento do salário mínimo seria um "sobrecusto" para as empresas e uma "barreira" ao emprego.
Mas as ‘explicações’ do PM não foram credíveis nem consistentes, mas saíram eivadas de fantasia, não convencendo nem os mais ignorantes nem os mais doutos e não tardaram notícias a elucidar. Por exemplo o presidente do Conselho Económico e Social, Silva Peneda, afirmou que a revisão em baixa do salário mínimo é um "erro e um disparate" político, económico e social e que "não é uma forma para criar mais emprego".
Por outro lado, a contrariar que o aumento do SMN descapitalizaria as empresas e obrigaria muitas a encerrar e aumentar o desemprego, surgiu a posição completamente diferente do Presidente da República, no encerramento do encontro "Jovens e o futuro da economia",. "Nunca pensem que é nos baixos salários que se garante a competitividade das empresas.
Outra notícia afirma que «mesmo num país ensombrado pela crise há empresas que mantém as suas políticas de aumentos salariais. Em sectores como a química, farmacêutica, vidro ou metalurgia, os colaboradores vão ter este ano um aumento no vencimento que varia entre 1% e 3%».
Como não há regra sem excepção, poderá haver casos em que seja dada razão aos argumentos do PM, mas quando se olha atentamente para os portugueses, que são o pilar fundamental do Estado, não se pode ser sadicamente teimoso, com os olhos fixados apenas em números e o pensamento em fantasias muitas vezes irrealizáveis, como o foi a maioria das intenções manifestadas em quase dois anos.
Os portugueses continuam a esperar que lhes seja explicado em linguagem simples, compreensível e verdadeira que benefícios obtiveram em resultado dos sacrifícios que têm sido obrigados a fazer.
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sexta-feira, 8 de março de 2013
PM teimoso e fantasista
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sábado, 12 de maio de 2012
Queda de salários
A percentagem indicada neste título de notícia - Salários dos portugueses caem mais de 12% entre 2011 e 2013 – peca por demasiado optimismo, poís não conta com o corte de 14,29% devido à perda dos subsídios de férias e de Natal. Esta percentagem é facilmente calculada, tirando dois salários aos 14 a que, por lei, há direito, o que, só por si, significa que o total do salário anual é reduzido de 14,29%. A isso poderão ser acrescidos os 6% referidos no texto da notícia, o que somará mais de 20% ou seja mais de UM QUINTO.
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quarta-feira, 20 de junho de 2007
Globalização. Seus inconvenientes sociais
Globalização. Seus inconvenientes sociais
No dia 6 do corrente, no post A armadilha das estatísticas, lancei uma ideia que esperava ir levantar um debate enriquecedor sobre a globalização e os fenómenos relacionados com a injusta distribuição da riqueza gerada num país. A frase que considerava mais provocatória era «A cada aumento do PIB per capita há, forçosamente, uma maior diferença entre os mais ricos e os mais pobres». Mas foram poucos os comentários. Agora, o Diário de Notícias traz um artigo sobre as ameaças sociais da globalização. Tema muito focado na Comunicação Social, acerca das manifestações durante a reunião do G8 e do forum social, mas, com demasiada emotividade e sem análise das causas e consequências que ajude a uma percepção mais perfeita.
A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) lançou um alerta aos governos para que estes levem muito a sério as preocupações das populações com os efeitos gerados pela globalização, designadamente pelo aumento das trocas comerciais e da concorrência internacional. A OCDE reconhece, pela primeira vez de forma clara, no seu relatório "Employment Outlook 2007", que "a expansão do comércio constitui uma potencial fonte de vulnerabilidade para os trabalhadores". Estão em risco sobretudo os trabalhadores dos sectores mais expostos à competição das importações - é o caso do sector têxtil em Portugal - e os menos qualificados ou qualificáveis, com maiores dificuldades em adaptar-se às mudanças do mercado.
Não há dúvidas quanto às vantagens de longo prazo do aumento das trocas comerciais entre países que, no longo prazo, se reflectem numa melhoria clara do nível de vida das populações. Porém, se as preocupações das pessoas continuarem a crescer, acabarão por penalizar, pelo voto, as actuais políticas governamentais que promovem a liberalização do comércio, e por beneficiar políticas proteccionistas, que acabarão por ser nefastas para as economias e bem-estar das pessoas. Por isso, é necessário analisar os perigos reais que pairam sobre as populações, e adoptar políticas governamentais preventivas ou mesmo correctivas.
Quanto ao desemprego, a concorrência da mão-de-obra barata de países como a China, Índia, Brasil ou Rússia está a levar à deslocalização de muitas empresas e à destruição de empregos. O aumento das importações tende a traduzir-se num acréscimo de insegurança para os trabalhadores, sobretudo aqueles que operam em sectores mais sujeitos à concorrência externa, como se passa no sector têxtil em Portugal, que tem sido muito afectado pela entrada de mercadorias chinesas.
Quanto a salários, a maior concorrência de mão-de-obra de países menos desenvolvidos tem obrigado os trabalhadores da maioria dos países da OCDE a aceitar reduções de salário ou aumento das horas de trabalho, sendo notória a redução da proporção de riqueza que é transferida para os salários, em favor de aumento dos lucros, o que agrava a injusta distribuição da riqueza. A perda de poder de compra verificada nas últimas décadas poderá resultar também de outros factores, tais como o maior investimento das empresas em tecnologias de capital intensivo (menos dependentes do contributo do trabalhador).
Em consequência destes factores, o fosso entre os mais ricos e os mais pobres e a classe média tem vindo a crescer. Num conjunto de 19 países desenvolvidos, isso ocorreu em 16. Pode ser devido à concorrência internacional que acabou por reduzir os salários dos trabalhadores menos qualificados nos países desenvolvidos. Pode apontar-se outro factor que terá contribuído para o agravamento da desigualdade que nada têm a ver com a globalização: a adopção de tecnologias cada vez mais avançadas gerou uma procura crescente de trabalhadores qualificados em detrimento dos restantes, com reflexos nos respectivos salários.
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A. João Soares
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