quarta-feira, 27 de maio de 2009

«Patriotismo» de Sócrates

Encontro de irmãos
José Luís Seixas, Advogado. Destaque. 27 | 05 | 2009

O nosso primeiro-ministro possui algumas qualidades. A principal é a capacidade de comunicação e a fluência oratória. Se Guterres foi em tempos apodado de "picareta falante", a Sócrates caberá epíteto nunca inferior a "palavroso berbequim".

Porém, uma das muitas diferenças entre um e outro (além da cultura, da substância, da profundidade e doutros itens que julgo por bem silenciar) é a absoluta ausência de jeito do segundo para se exprimir em qualquer idioma estrangeiro. O discurso que proferiu em Valência no comício do PSOE, pronunciado num português acidulado por remates onomatopaicos de sevilhanas e flamengo, assemelhou-se a aramaico ou, no mínimo, a qualquer coisa entre o mirandês e o algarvio. Os valencianos assistentes aplaudiram porque, lá como cá, vibra-se muito com o que não se compreende.

Zapatero, por seu turno, veio a Coimbra, fazendo as vezes da aletria em arraial minhoto. A sessão foi coisa mais modesta. Recorde-se que em Valência queimam-se as "fallas" enquanto em Coimbra se queimam as "fitas". E sob a égide da medieva universidade frequentada pelo grande Camões, falou em castelhano, sem pruridos, nem complexos.

A comunicação social fez fluir as semelhanças entre ambos - Sócrates e Zapatero - na idade, na compleição física, no corte de cabelo e na identificação ideológica. Esqueceu-se de outras.
Protagonizam crises nacionais agonizantes. Comungam o mesmo discurso plástico, sem consistência nem alma, feito de slogans e frases feitas, de ideias vagas e de promessas incumpríveis. São lideranças de papel, sem a solidez que a gravidade do momento exige, sem a capacidade de mobilização que impulsione a sociedade a superar-se a si mesma. São exemplos do carreirismo partidário sem passado profissional relevante (ou conhecido), que concebe a governação na base da táctica, que convive com ruptura e dissemina crispação porque lhe falta a grandeza histórica que concita convergências e espírito de unidade. E são homens sós, isolados numa redoma de fracasso que já ninguém quer partilhar.

Enfim, foi um encontro de irmãos e de parentes próximos.

NOTA: É pena que, na sequência da arrogância e rispidez com que, por vezes, cá dentro se dirige aos partidos e deputados na AR e aos jornalistas, não mostrasse, lá fora, mais dignidade e respeito pelo idioma nacional e pelo dos outros Estados, principalmente dadas dificuldades com que luta para se exprimir em idiomas estrangeiros. O bom senso raramente é prejudicial.

Ler mais...

Não é fácil fazer uma sentença

Os sorrisos da criança russa...
Isabel Stilwell. editorial@destak.pt Destak. 27 | 05 | 2009.

Espero que os juízes da Relação de Guimarães tenham visto televisão nos últimos dias. Se um dos argumentos contra a família de acolhimento da criança russa era o facto de terem «recorrido» aos meios de comunicação social (os outros fazem os erros, mas a culpa é sempre dos jornalistas, claro...), o que dirão da exposição a que a mãe biológica, a quem entregaram Alexandra, está a fazer da filha, desde o momento em que pisou solo natal? Será que não sentem nem uma pinga de remorsos quando assistem a uma entrevista dada num café, a cara da criança descoberta, e a progenitora a dizer que a família de acolhimento queria a menina para lhe venderem os órgãos ou a darem à prostituição. E depois há os tabefes à frente das câmaras, o que poderia ser sinal da sua total falta de hipocrisia, mas que dadas as circunstâncias mais parece um sinal claro de desequilíbrio...

Provavelmente dirão, como já ouvi na televisão, que a criança também sorriu, deu a mão à mãe, e até deixou que lhe penteasse o cabelo! Quando será que crescemos o suficiente para sermos capazes, sobretudo os técnicos a quem cabem estas decisões, de nos deixar levar por estes sinais exteriores, sejam choros ou gargalhadas, e tomamos consciência de que a avaliação de uma criança tem que ser muito mais profunda do que isto?

Porque é óbvio que uma criança "sequestrada", nem que seja por ordem de um tribunal, vai sorrir para o sequestrador. As crianças, como os adultos, têm mecanismos de sobrevivência, e quando perderam tudo entendem perfeitamente que a sua única saída é conquistar e obedecer a quem estão entregues. Até à oportunidade de fugir ou que a salvem. Quando passam os dias e ninguém chega, morrem por dentro, azedam, revoltam-se em silêncio. Mas continuam a rir. E aí os juízes (e não só) podem dizer que está tudo bem!

Ler mais...

Forma de fazer política

Descontentamento
Por Constança Cunha e Sá, Jornalista, CM. 26 Maio 2009

A duas semanas das eleições, é natural que chovam os habituais desabafos sobre a falta de qualidade do debate político, a ausência de projectos alternativos, a fragilidade das várias candidaturas e o esquecimento a que são votadas as questões europeias num país periférico onde predominam as pequenas quezílias domésticas. E a verdade é que o arranque da campanha não parece augurar nada de bom.

Os temas abordados, nestes primeiros dias, revelam a esplendorosa miséria em que nos afundámos: do ‘portinhol’ do engº Sócrates à esquecida militância do dr. Rangel no CDS, passando pelos insólitos cartazes que se espalharam um pouco por todo o País ou pelos insultos que se impõem em qualquer discurso que se preze, tudo parece demasiado mesquinho, demasiado triste, demasiado indigente para que possa ser levado minimamente a sério pelo mais benevolente dos eleitores. E, se é fácil garantir que o resultado de todo este lamentável espectáculo se saldará, em Junho, por uma espectacular abstenção, já será mais difícil perceber que a campanha em curso não nasce, de repente, do nada, inaugurando duas semanas de tédio e de mediocridade, ao longo das quais se usa e abusa de uma propaganda oca e repetitiva, incapaz de mobilizar o voto ou de promover uma simples ideia.

A pobreza dos debates, a inconsistência das propostas, o cansaço dos eleitores não são elementos novos que decorrem do período eleitoral: são, antes de mais, o espelho de uma forma de fazer política que se cristalizou entre nós. A campanha que agora se inicia limita-se a confirmar esse lamentável estado de coisas. Não se discute a Europa apenas por oportunismo político ou porque se quer adulterar o sentido destas eleições, mas sim porque a Europa há muito que se afastou de nós, porque, esgotados os fundos que não soubemos aproveitar, é um mundo do qual deixámos de fazer parte, um conceito vago que serve apenas para aferir da mediocridade nacional: dos maus resultados na Educação, das deficiências estruturais da Economia, do estado em que se encontra a Justiça ou da impunidade que reina nos mais variados sectores.

Assim, como também não se discute uma alternativa porque há muito que o País está condenado ao "mal menor" e à insuficiência da escolha. Com o Parlamento entregue à sua insignificância, com os partidos transformados em feudos, desligados da realidade que os rodeia, com a descrença que corrói o sistema, qualquer campanha está condenada ao fracasso e ao crescimento da abstenção. Não por acaso, as Primárias das legislativas ameaçam ser as Primárias do nosso descontentamento.

Ler mais...

Uma boa oportunidade para a Justiça

Está generalizada a opinião de que a Justiça é lenta e pouco eficiente, usando dois pesos e duas medidas conforme os que a ela recorrem ou por ela são chamados. Os próprios «actores» do Sistema concordam que algo está mal e apontam as causas à legislação, e às pressões que por vezes (?) sofrem.

Hoje o Público traz a notícia de que «PCP quer levar Banco de Portugal a tribunal por desobediência qualificada». Isto representa uma boa oportunidade para a Justiça mostrar aos portugueses que funciona e é independente dos poderes político e económico. Os portugueses esperam, assim, que deixe de haver abusos imunes e impunes da parte dos poderes autocráticos que oprimem os cidadãos.

Ler mais...

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Lopes da Mota e imagem da Justiça

A culpa é sempre dos outros

Por António Barreto, publicado em «Retrato da Semana» - «Público» de 24 de Maio de 2009

O MAGISTRADO Lopes da Mota não deve sair do EUROJUST. Não deve suspender o seu cargo. Nem pedir a demissão. Nem ser demitido. Se a representação de um Estado deve traduzir a verdade, ele é o homem certo no lugar certo. Não se compreenderia, por exemplo, que o representante do Estado português, em qualquer organização internacional, não soubesse falar a língua materna. Nem que o delegado de Portugal à NATO fosse um pacifista militante e um notório objector de consciência. Lopes da Mota é discutido e comentado em todos os jornais. É acusado de ter sido autor ou instrumento de pressões pessoais e políticas exercidas sobre outros magistrados. Por causa dessa acusação e após averiguações, é alvo de um processo disciplinar mandado fazer pelo Procurador-Geral da República. A maioria dos políticos e dos comentadores diz que se deve demitir e não reúne condições para exercer o cargo. O Primeiro-ministro, que o nomeou, diz que não tem nada a ver com o caso. Este currículo, limitado a uns factos recentes de conhecimento geral, faz dele o representante ideal num organismo europeu de coordenação entre os sistemas judiciários. Ele é o genuíno e fiel símbolo da justiça portuguesa.

A JUSTIÇA portuguesa é cara, lenta e burocrática. Está geralmente mais interessada no processo do que no apuramento da verdade dos factos e na prova. Os magistrados não são avaliados por entidade independente. Os sindicatos de magistrados são máquinas de poder político e corporativo a que o Estado democrático não soube opor-se. Os Conselhos Superiores servem os interesses das corporações e impedem que a voz dos cidadãos tenha alguma força e que a legitimidade democrática tenha eficácia na sua organização. A justiça portuguesa é um condomínio fechado, hermético e impermeável ao interesse público e às ansiedades dos cidadãos. A circulação entre conselhos superiores, sindicatos e tribunais superiores, passando, por vezes, por cargos políticos, consagra o poder de uma casta impune e inamovível. Muitos agentes da justiça, juízes, procuradores, polícias e advogados participam, sem contenção nem reserva, nos debates públicos, têm presença garantida nas televisões, nas rádios e nas capas dos jornais. Alguns orgulham-se dos seus sindicatos, entidades híbridas e absurdas dedicadas a organizar duas classes profissionais, a dar-lhes peso e força política e a preservar privilégios. Dirigem-se à opinião pública com ilimitada arrogância, evocando a sua independência, que consideram autogestão e soberania. As técnicas de investigação são toscas e, por vezes, atentatórias dos direitos dos cidadãos. Questões de família são adiadas anos, por vezes até à morte de um dos interessados. Conflitos comerciais não têm resolução, a não ser pelo desaparecimento das respectivas pessoas ou empresas. Por causa do processo e do atraso, as compensações obtidas pelas vítimas ficam aquém dos prejuízos causados. Crimes de corrupção, apesar de provados, são desculpados. Os procuradores têm poder a mais e não têm qualquer reserva na sua intervenção política, nem no modo como querem condicionar juízes, advogados e políticos. As fugas de informação e as famigeradas quebras de segredo e sigilo de justiça, geralmente dirigidas e deliberadas, são o mais impressionante retrato do estado a que a justiça portuguesa chegou. A reputação da justiça portuguesa no estrangeiro é medíocre e risível. A opinião pública portuguesa considera os magistrados e a justiça como um dos sectores da vida pública que menos merece respeito e confiança. A justiça portuguesa cria, não resolve problemas.

A CULPA é um fenómeno errático e fugidio. A sua trajectória é circular. Juiz, procurador, oficial de justiça, advogado, solicitador, polícia, ministro e deputado: cada um tem a certeza do seu comportamento exemplar e não hesita em culpar o vizinho ou todos eles. Para o juiz, a culpa do estado em que se encontra a justiça portuguesa é, sem dúvida, dos agentes do ministério público, dos advogados e dos políticos incompetentes. Já o procurador se queixa do governo, da falta de meios que este lhe concede, dos deputados que fazem más leis, dos juízes que se julgam infalíveis, dos advogados que não cessam de criar problemas e das polícias que estão às ordens do governo. Os advogados não têm dúvidas e apontam o dedo aos deputados, aos magistrados e aos procuradores, sem esquecer as polícias. O ministro, por sua vez, invoca a independência dos juízes para justificar o seu absentismo, ao mesmo tempo que se queixa das polícias, dos advogados e da verdadeira máquina de poder que é a Procuradoria-Geral. Os polícias consideram os juízes brandos, os deputados inúteis, o governo oportunista e os advogados obstáculos à justiça. Em comum, os corpos judiciais e outros “operadores” condenam os cidadãos impacientes, os comentadores e os jornalistas. Também em comum, o seu desinteresse pela causa pública e pela reforma deste estado de coisas.

HÁ CENTENAS de magistrados, procuradores, polícias e advogados que cumprem os seus deveres, que se esforçam por ser bons profissionais, que trabalham mais horas do que deles se esperaria, que resolvem casos a tempo, que dirimem conflitos, que nunca são fonte e origem de problemas e que resistem à volúpia do protagonismo televisivo e jornalístico. Mas essa não é a percepção que os cidadãos têm da justiça. Essa não é a marca da justiça portuguesa. Algumas características do sistema e o comportamento de uns punhados de “operadores” fazem da justiça o pior da sociedade, quando deveria ser o melhor. A justiça portuguesa sofre, no seu conjunto, da má reputação que alguns dos seus dirigentes ou responsáveis têm na opinião pública. É atingida pela incompetência dos deputados e pelo medo dos governantes. Colhe as consequências das políticas públicas. Tem a má fama causada pela rede de cumplicidades tecida há muito entre políticos e magistrados e fielmente traduzida na génese e na actividade dos sindicatos de magistrados. A justiça deveria ser a última instância de confiança. Deveria ser o exemplo. Em vez disso, é um caso. Um problema. O mais grave problema português.

Ler mais...

Trabalho é factor a respeitar seriamente

Há dias publiquei aqui dois posts que focavam casos exemplares de empresários conscientes da importância do factor trabalho, mão-de-obra, imprescindível no funcionamento de uma empresa. Tratava-se de «Empresário disposto a empobrecer um pouco» e de «Empresário que respeita os trabalhadores».

É um tema que costuma ser conotado com a esquerda pelo que fiquei em risco de alguém duvidar da minha preocupação de isenção partidária e independência, mas hoje perdi esse receio ao ler que o líder do CDS-PP, Paulo Portas, escolheu o distrito de Aveiro para defender “o valor do trabalho”, destacando o mérito dos empresários que criam empregos numa altura em que a mobilidade social “está parada” no país. E defendeu “aqui neste distrito, a maioria das pessoas que tem hoje uma empresa começou por ser trabalhador. A maioria dos empresários começou por ser operário. E através do acesso à educação, conseguiram ter a ferramenta que lhes permitiu ir longe”.

Mas, felizmente, as notícias mostram que os políticos começam a colocar de lado as suas ideologias extremistas de combate eleitoral quando se referem aos grandes problemas nacionais. O tema que parecia ser apanágio da esquerda, foi abordado de forma social e didáctica pelo líder de direita sem deixar de o ser pela esquerda. Assim, o cabeça-de-lista do BE, Miguel Portas, aconselhou hoje o primeiro-ministro a discutir temas como o desemprego. E disse que «esta foi a semana em que Portugal atingiu meio milhão de desempregados, oficiais, estatísticos (porque na realidade são mais), e em que chegámos aos 200 mil desempregados sem subsídio de desemprego».

Jerónimo de Sousa, acusou o governo de ter mentido sobre os números do desemprego e manipular as estatísticas – e afirmou que o executivo vai falhar na promessa de criar 150 mil novos empregos. Jerónimo de Sousa sublinhou que o governo "viveu sempre da manipulação e até da mentira" sobre a questão do emprego criado. Sublinhou convicto que "o Governo do PS de José Sócrates não vai cumprir o que prometeu, porque chega ao fim destes quatro anos, não com mais emprego, mas sim com mais 895 mil trabalhadores mandados para o desemprego".

Porém, perante a situação grave em que a população se encontra, José Sócrates repudia o pessimismo dizendo que nunca viu um pessimista criar um posto de trabalho.

Mas não pode esquecer-se que um optimismo não apoiado em bases sólidas, que lhe dêem substância lógica e coerente, pode não passar de ilusão que, ao acordar, é substituída por amarga desilusão podendo ser fatal. Não é com ilusões que se vence uma crise, mas com estudos muito perspicazes que permitam dar passos seguros no sentido da melhor solução. É realmente indispensável pensar antes de decidir.

Ler mais...

Portugal visto por emigrante no Canadá

Recebido por e-mail enviado por pessoa de confiança

O pântano

Nos últimos tempos, a gente escuta, observa e dificilmente acredita: falta sentido de Estado aos nossos políticos. Que ventos sopram afinal em Portugal? Onde param as virtudes republicanas, ou monárquicas, ou as que quiserem? Para onde emigraram a nobreza e a dignidade?
Um ministro fala de papas Maizena; outro diz que aprecia "malhar" na oposição; um membro da oposição acusa a "mordaça"; o primeiro-ministro proclama "não é assim que me vencem" e, fazendo em congresso e pela televisão queixas de um canal televisivo e de um jornal de referência, põe vários jornalistas em tribunal; um conselheiro de Estado mente no Parlamento; este, aprovando uma lei execranda sobre o financiamento dos partidos, abre mais a porta à corrupção; o partido maioritário recusa criminalizar o enriquecimento ilícito que toda a gente vê; um autarca do partido no poder dificulta o acesso a documentos que poderiam descredibilizar ainda mais o chefe de Governo; o magistrado português nosso representante no Eurojust fica submetido a processo disciplinar sob suspeita de pressão sobre outros juízes... Ufa! Que mais será necessário?

"Ó Portugal, hoje és nevoeiro!", clamava o poeta.

A falta de sentido de Estado vem destruindo os alicerces de um país orgulhoso do seu passado, mal grado muitos erros. Quem nos salva destes miasmas putrefactos? Como se drenam os pântanos deste "Portugal dos pequenitos"?

J. Sousa Dias,
Oakville, Canadá

Ler mais...

domingo, 24 de maio de 2009

Alegadamente... Países decentes

Para comparar com o que se passa cá na aldeia lusitana. São países atrasados que ainda se preocupam com honra, responsabilidade, imagem, dignidade, vergonha e acreditam no ditado «à mulher de César não basta ser séria, sendo preciso também parecê-lo»!!! Tema em sintonia com o post Sentido da Honra e da Responsabilidade.

Acredite se quiser

JN. 2009-05-21. Por Manuel António Pina

Notícias surpreendentes lá de fora: o primeiro-ministro belga, Yves Leterme, propôs hoje (19/12/08) a demissão de todo o Governo, na sequência de acusações de alegadas (alegadas, imagine-se!) pressões sobre a justiça. Leterme nega qualquer pressão sobre o poder judiciário e apenas admite ter feito "contactos"; Michael Martin, presidente da Câmara dos Comuns, anunciou hoje (19/05/09) a demissão, após acusações de alegadamente (alegadamente, pasme-se) ter consentido alegados (só alegados) abusos nas despesas de representação de alguns deputados; dois membros da Câmara dos Lordes foram hoje (20/05/09) suspensos (suspensos, a democracia inglesa está maluca!) por alegadamente (outra vez só alegadamente) terem aceitado dinheiro para votar projectos de lei.

Nenhum deles foi, pasme-se de novo, condenado por sentença transitada em julgado, e mesmo assim, pasme-se ainda mais, tiraram consequências políticas de alegações fundamentadas que os visavam. Então e aquela coisa da "presunção de inocência"? As democracias belga e inglesa têm que comer muita papa Maizena para chegarem aos calcanhares da nossa...

Ler mais...

Sentido da Honra e da Responsabilidade

Há dias circulou por e-mail um vídeo de um politico americano perante jornalistas convocados para um comunicado à imprensa em que confessou corrupção cometida no seu cargo, entregou um comunicado escrito e, a seguir, retirou de um envelope uma pistola que disparou contra o céu da boca tendo morte imediata.

Hoje no Público Online, vem a notícia do suicídio de um ex Presidente da Coreia do Sul que era acusado de corrupção A notícia pode ser lida fazendo clique neste link Antigo Presidente da Coreia do Sul Roh Moo-Hyun suicida-se.

Na Coreia do Sul, como em alguns outros Países existe o respeito pela Honra, sentido das responsabilidades e defesa da face. Este não quis sujeitar-se à sorte de dois seus antecessores que, em Agosto de 1996, foram severamente condenados em Tribunal. Nessa data, dois antigos Presidentes, apesar de terem sido pilares muito válidos na construção económica do País que tinha sido destruído pela guerra com o vizinho do Nortr, ouviram sentenças por terem cedido à tentação da corrupção, tendo o General Park Chung Hee sido condenado à morte e Roh Tae-Wu a 22 anos de prisão.

Agora Roh Moo-Hyun, que foi Presidente entre 2003 e 2008, suicidou-se ontem saltando de uma rocha e precipitando-se de uma falésia, de acordo com familiares e uma carta de adeus que deixou, em que dizia “não fiquem tristes; a morte e a vida não são a mesma coisa?”

Não se deve fazer a apologia deste género de morte, mas não podemos deixar de desejar que, de uma forma serena e civilizada, muitos responsáveis por irregularidades e atitudes desonestas, contrárias à ética, se confessem publicamente e se auto penalizem pelas indignidades que só não os envergonham porque não sabem o que é honra, dignidade, vergonha e sentido das responsabilidades. Estão neste caso situações de corrupção, tráficos diversos e transacções com dinheiro vivo, visíveis pelo enriquecimento ilícito e rápido, o que é especialmente grave e danoso quando podem estar em jogo dinheiros públicos.
Eis o vídeo do caso de corrupção citado no início

Ler mais...

Mestrado em actividades ilícitas

Ler mais...

Como está a Justiça !!!

A Justiça em Portugal
“Correio da Manhã” de 22-5-2009

O novo Código de Processo Penal permite haver esta situação em relação à prisão preventiva.
___________________________________________________________________
Tipo de crimes..........................Qt....... Em prisão preventiva..........%
___________________________________________________________________

Homicídio
-Tentado..................................... 28.................. 12.......................... 43%
-Consumado............................... 26 ................. 19 .......................... 73%

Roubo
-Bancos ..................................... 19................... 03........................... 16%
-Bombas de gasolina ................ 08 .................. 04.......................... 50%
-Com armas de fogo ................ 160 .................. 65 .......................... 41%

Rapto e sequestro ................. 41.................. 08 .......................... 19%

Tráfico de drogas ................ 220 ................. 131 .......................... 59%

Incêndios ................................ 28................. 04............................ 14%

Pedofilia .................................. 24 ...................12 ........................... 50%

Posse de armas....................... 16 ................... 01 ...........................06%

Crimes diversos .................... 186 ...................61 ...........................33%
___________________________________________________________________

Assim, dos 773 indivíduos suspeitos da prática dos crimes acima referidos e detidos entre 1 de Janeiro e 15 de Maio de 2009, foram postos em liberdade pelo designado “poder judicial”: 446. Não dá para acreditar!!!!!!!!!!!!

E o Ministro da Justiça, ao contrário dos outros agentes da Justiça, vai afirmando que os resultados da aplicação do novo Código de Processo Penal são uma maravilha!!!!!!!!!!!!!

Manuel Bernardo
23-5-2009

Ler mais...

sábado, 23 de maio de 2009

Parar para pensar

Que sentido faz correr

se estamos no caminho errado?

Provérbio

Ler mais...

Advogados e Política

Advogados e política

Publico um extracto da entrevista do Dr. Marinho Pino, bastonário da ordem dos advogados, publicada no Jornal 24 horas do dia 18/5/2009

“ Um advogado não deve de ser deputado, porque quem faz as leis não deve estar a aplicá-las no tribunal. Estão a fazer leis a favor de clientes meus? Pode haver a suspeita de haver leis feitas a favor dos meus clientes e não dos interesses do Estado.

(…) São advogados que entram e saem do governo. Um escritório de advogados em Lisboa, por exemplo, tinha quatro membros no governo anterior a este e, pelo menos um deles, numa posição de ser a segunda ou a terceira figura. Tem de haver alguma moderação! Eu defendo as regras da sã concorrência entre sociedade de advogados, não é conseguir-se contratos através de tráfico de influencias entre sociedades de advogados, não é conseguir-se contratos através de tráfico de influencias subterrâneas, ocultas ou através de manobrismos na Assembleia da República feitos por deputados que são advogados. Sou abertamente contra isso. E isso incomoda muita gente cujos escritórios lucram com essa situação. Por isso estão contra mim.

(…) É o novo estatuto que os preocupa e é por isso que me fazem esta guerra toda. Então quem está a aplicar leis nos tribunais e é pago por grupos económicos, às vezes poderosíssimos, deve estar a fazê-las no Parlamento em nome do Povo? Isto é elementar Sempre fui abertamente contra isso Os advogados não votaram na cor dos meus olhos, mas no programa que apresentei e estão lá estas coisas.

(…) Não tenho medo de eleições. Fazem-me esta guerra toda por estar a tocar em interesses promíscuos, intocáveis até aqui.

(…) As situações estão aí toda a gente as vê fazem-se fortunas no exercício de funções publicas sem qualquer escrutínio por parte da opinião publica. Enriquece-se no parlamento e depois é tudo justificado com honorários de advogado! Estão praticamente a tempo inteiro no Parlamento e ao mesmo tempo a exercer a advocacia. Sejamos claros isto não está correcto.

(…) O dr. José Miguel Júdice pode dizer e pode acusar-me do que quiser. De uma coisa ele não me pode acusar: é de eu, como bastonário da ordem e advogado, ao mesmo tempo, andar a vender a querer vender submarinos ao governo. Sou bastonário e suspendi as minhas funções de advogado, e não estou a querer vender submarinos ou a fazer contratos com o governo em nome de interesses privados. Disso não me pode acusar.

(…) Fiz abertamente politica antes do 25 de Abril e por isso passei pelas cadeias. Não tenho feitio político. Uma pessoa que fala verdade não pode ser político de sucesso em Portugal. E Portugal, para se ter sucesso na política, tem de se mentir, ser actor, fazer encenações ter, uma agência que escolha a camisa, as gravatas e o pó de arroz… eu não tenho feitio para isso mas não abdico de intervir como cidadão”.

Hoje ningém parece ter dúvidas sobre a promiscuidade entre a política e o exercício da advocacia : ela é mais que evidente. Num momento em que a justiça portuguesa é apontada por todos, à excepção de certos interessados, como um dos problemas graves que a democracia portuguesa enferma, não seria de evitar advogados em eleição? Que buscam e que vêm trazer à democracia senão aquilo que toda a gente sabe e desconfia e o bastonário aponta ?

Sendo a justiça um dos pilares senão mesmo o garante da democracia a entrevista torna-se pertinente pela forma directa como o Dr. Marinho Pinho fala dos interesses instalados neste país, (designado por Ribeiro Sanches de “cavernoso” precisamente por casos de justiça) por esta corporação de profissionais que são os advogados. Nesta mesma entrevista o bastonários faz referências curiosas a José Miguel Júdice um advogado que hoje mesmo escreve um artigo no jornal Público, intitulado “O bastonário: ruído e falta de eco”…é de ler !

Não há muito, a OCDE publicou um relatório sobre profissões e nele informava que os advogados e a advogacia eram em conjunto, as profissões e profissionais mais mal considerados, seguidos de economistas, gestores e outros que não recordo. No grupo contrário, no das mais consideradas estavam médicos, professores, artistas, cientistas…

Publicada por António Delgado em Ecos e comentários

Ver o vídeo da entrevista do bastonário po Manuela Moura Guedes

Ler mais...

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Manuel Pinho, crente fanático

A fé move montanhas

JN. 090522. Por Manuel António Pina

É uma notícia animadora: "Manuel Pinho acredita que a Autoeuropa vai manter-se em Portugal". Podem faltar-lhe outras coisas, mas fé não falta ao ministro Manuel Pinho:

"Manuel Pinho acredita que Portugal pode sair bem desta crise " ('Diário Económico', 30/9/ /08);
"Manuel Pinho acredita na competitividade das empresas portuguesas" (TSF, 10/11/08);
"Manuel Pinho acredita que défice pode ser reduzido a 3%" ('Jornal de Negócios', 2/10/06);
"Manuel Pinho acredita no plano para salvar Quimonda" (RTP, 27/1/09);
"Manuel Pinho acredita que o país pode passar de importador a exportador de energia" ('Sol', 30/6/07);
"Manuel Pinho acredita que sector do turismo resistirá à crise" (TSF, 12/9/08);
"Manuel Pinho acredita no cluster do mobiliário" (Paços de Ferreira, 30/5/08);
"Manuel Pinho acredita que Douro será zona turística de 'altíssima qualidade'" (JN, 5/5/ 09);
"Manuel Pinho acredita numa nova maioria do PS" (TSF, 10/5/09); e por aí fora, que a crónica não dá para mais…

Pode ser, quem sabe?, que a fé mova montanhas, e que mais valha ter fé do que fazer algo. Tenhamos, pois, fé em Manuel Pinho. Pode ser…

NOTA: Oxalá a sua esperança ou fé fossem realidade. Mas é chocante que um governante não tenha melhores argumentos e análises para conduzir a Economia do País. Afinal a sua fé não assenta somente na papa da sua farinha predilecta, de que não digo o nome para não fazer publicidade em concorrência com Sua Excelência.
Fica, no entanto, a dúvida de ele seguir como norma os slogans:
- Tem fé e deita-te a dormir.
- Acredita e joga no euromilhões,
- Se acreditares enricarás.
E por falar em fé, recordo o preceito com sabor bíblico e mais promissor de êxito: «ganharás o pão com o suor do teu rosto».
Seria bom que Sua Excelência seguisse a sugestão de Pensar antes de agir e antes de falar.

Ler mais...

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Lixo mental

Pelo Economista Professor João César das Neves, no jornal gratuito DESTAK 21/05/2009

Vivemos num tempo que, tendo muito cuidado com o que mete no estômago e pulmões, não dá atenção ao que mete no cérebro. A cada passo ouvimos recomendações sobre saúde, alimentação e ambiente, multiplicam-se os produtos dietéticos, actividades saudáveis, locais sem fumo.

Ao mesmo tempo todos passam horas a absorver o pior lixo mental na televisão, computador, livros e revistas. Filmes boçais, sites infames, programas idiotas, revistas escabrosas, videojogos obscenos, séries imbecis constituem a dieta intelectual dos cidadãos, tão conscientes da sua saúde física. Na ficção como nas notícias, a violência extrema, pornografia descarada, egoísmo, gula, desonestidade são produtos comuns.

Assim é inevitável a descida ao abismo espiritual a que se assiste. Sabemos bem que se não tivermos cuidado com a nutrição e não atendermos aos equilíbrios ambientais cairemos na obesidade e a poluição será avassaladora. Não admira portanto que, recusando-nos a formular orientações para o espírito, se acabe na decadência ética e estética. Isso em nome da liberdade, que rejeitamos na saúde e ambiente.

A razão da situação é clara. Os nossos avós, sem cuidado com comida, fumo e ecologia, eram moralistas intolerantes. Nós, censurando-os asperamente, corrigimo-los cuidando do corpo e libertando o espírito. Isso foi-nos fácil porque, afinal, os erros sanitários e a ditadura moral em que nos educaram não eram tão graves que nos impedissem de reagir. Os nossos netos saudáveis terão muito mais dificuldade em recuperar da porcaria intelectual em que nós os educámos.

João César das Neves - naohaalmocosgratis@fcee.ucp.pt

Ler mais...

Isto passa-se na área da Justiça!!!

Se dermos crédito às palavras dos políticos, parece que todos se «respeitam» mas parece também, com mais sustentação, que nenhum acredita nos outros. Basta ler os títulos da imprensa para se ficar descrente e sem esperança numa clarificação da vida nacional, ao mais alto nível. «Ministro Santos Silva diz respeitar Ministério Público». Mas, acerca do Procurador Geral da República, podemos ler que «Pinto Monteiro e Eurojust em contradição», mas se um depende do outro, porque que é que o responsável não toma uma medida correctiva? Por seu lado, «Eurojust esclarece que deixou de trabalhar no caso Freeport em Abril por já não
ser necessário
», o que faz parte da referida contradição. «Freeport: Situação de Lopes da Mota «ainda mais difícil» com retirada do Eurojust da investigação», o que pode levar a concluir que não está a beneficiar com a continuação da telenovela. Talvez tivesse sido mais prudente ter pedido a suspensão e iria assistir da bancada ao desenrolar do pleito. «Paulo Portas insiste na demissão de Lopes da Mota», mas talvez a suspensão a pedido tivesses sido suficiente porque ainda não há sentença transitada em julgado. Porém, apesar desta confusão, «Lopes da Mota diz-se de consciência tranquila», o que o irá manter no centro do palco até aos aplausos finais, se um apagão não provocar o discreto esvaziamento da sala. Entretanto, «Inspector coloca queixa nas mãos de Sócrates» para decidir se há filhos e enteados ou se a Justiça é abstracta, geral e obrigatória.

E assim vai Portugal, aquele País que foi grande por todo o mundo. Mas um mau rei faz fraca a forte gente. E não têm faltado maus «reis» nos tempos mais recentes

Ler mais...

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Alguns não gostam da verdade

Do estudo da história da antiga Grécia ficam na memória nomes como Sócrates, Aristóteles, Platão e outros que por gostarem de saber, de conhecer a verdade, foram designados por filósofos. E tal apetência para desvendar dúvidas e esclarecer curiosidades, a ciência foi sendo aprofundada, originando tecnologias cada vez mais desenvolvidas de que a humanidade tem colhido benefícios de inovação e modernidade. Porém, no meio de algumas sociedades mais retrógradas, há quem pretenda viver na sombra, na escuridão, nas trevas da ignorância, com medo da luz como toupeiras e vampiros.

Essa incongruência é notória entre os políticos portugueses em que uns pretendem esclarecer, tirar dúvidas evitar suspeitas, iluminar o campo de batalha, enquanto alguns detestam a verdade, pretendendo os boatos e as dúvidas que causticam nomes que deviam ser honrados e respeitados mas que ficam denegridos com o fumo que os encobre.

As notícias angustiantes sobre o desemprego e os «erros» de estatísticas são demasiado abundantes, sendo de salientar os seguintes títulos: «PS inviabiliza ida do presidente do Instituto do Emprego à Assembleia da República», «Cavaco Silva reconhece "grande aumento" nos números do desemprego», «BE garante que recente “apagão” de desempregados não é caso único», «BE acusa PS de "recusar esclarecimentos" e ter "delírio persecutório"».

Também sobre a proposta audição do presidente do Eurojust há quem tenha medo do esclarecimento e prefira que a opinião pública continue a navegar nas dúvidas, suposições, suspeitas, boatos, insinuações, como se deduz dos seguintes títulos: «Eurojust fora das investigações do Freeport», «Eurojust diz não ter sido notificado de decisão do PGR», «PSD culpa Governo por afastamento do Eurojust da investigação do Freeport», «CDS-PP insiste em ouvir Lopes da Mota no Parlamento»

Entretanto o PR na recente «Mensagem do Presidente da República à Assembleia da República» sublinha a vantagem para a democracia do «estabelecimento de compromissos na definição das regras que assegurem o seu funcionamento, como é o caso da liberdade de informação e da regulação da comunicação social». Refere também a «importância de um amplo consenso interpartidário em matéria de regulação da comunicação social». E «aconselha uma atenção especial relativamente a matérias de particular relevância para a qualidade da nossa democracia plural e para a salvaguarda do Estado de direito».

Em consonância com estas palavras do PR, já aqui tinha sido sugerido, por outros termos mais plebeus, a conveniência de haver um «Código de bem governar» que levasse a comportamentos de consensos e de compromissos em decisões com repercussões para além de uma legislatura a fim de evitar o faz e desfaz como por vezes acontece e de que resultam prejuízos por vezes graves para o País.

Ler mais...

terça-feira, 19 de maio de 2009

Erros, coincidências e dúvidas, má imagem dos serviços

Têm ocorrido falhas e erros em alguns serviços públicos que são preocupantes e não contribuem para aumentar o «orgulho de ser português» nem a esperança num Portugal mais digno e próspero. Tais erros e as dúvidas que suscitam podem denotar irresponsabilidade, incompetência ou até eventuais manipulações mal intencionadas. Segundo o Público o Presidente do IEFP admite erro no cruzamento de dados do desemprego, mas, segundo o presidente, a falha foi rectificada, seguindo "todas as regras". Sublinhou que "Este cruzamento segue todas as regras da lei vigente relativa ao cruzamento de dados. Trata-se de um processo totalmente transparente". Resta saber se a lei vigente está elaborada de forma correcta e eficiente. Há pouco tempo o PR aconselhou a ter cuidado na elaboração das leis.

Sobre este assunto, outra notícia diz que PSD acusa Governo de manipular números do desemprego, e uma outra afirma que o PCP vai questionar ministro do Trabalho sobre discrepâncias nos números do desemprego mas entre políticos, as palavras raramente devem ser interpretadas pelo significado do dicionário, porque em tricas e «ofensas» entre si, em qualquer sentido, não há ninguém, em qualquer grau da condição social, que os ultrapasse. E uma outra notícia especifica que 15 mil desempregados foram “apagados” do Instituto de Emprego.

Um outro aspecto de mau funcionamento dos serviços públicos foi há dias noticiado que documentos relativos à compra de um apartamento pela mãe de um governante desapareceram do notário. Também um tribunal foi assaltado tendo sido queimados vários processos, e para cúmulo, Processos e contratos da Cova da Beira foram destruídos ilegalmente, tendo este caso alta gravidade em consequência da polémica
sobre ele existente, e lesando a imagem de alta entidade que, assim, perdeu possibilidades de conseguir eliminar as suspeitas de que é alvo na opinião pública.

Quem destruiu tais documentos não é certamente amigo de tal entidade, porque lhe torna a defesa e o esclarecimento do caso extremamente difícil senão impossível. E em casos de honra e dignidade, nada há pior do que as dúvidas que continuam por esclarecer. Não há boa vontade que faça o milagre.

Um caso muito estranho de pluralidade de critérios consiste em manter o procurador Lopes da Costa em presidente do Eurojust, até uma eventual sentença transitar em julgado, segundo consta, prejudicando a imagem internacional de Portugal e, pelo contrário, suspender imediatamente uma professora de Espinho que apenas prejudicou o seu nome em ambiente restrito, ao falar de sexo numa aula de história chocando alunas mais inocentes (medida correcta, segundo os familiares das crianças lesadas). Acho que tanto são criaturas usufruindo de Direitos Humanos e legais os que vivem à sombra da corte celestial do Poder, os que, por ocuparem cargos públicos de alto grau, lidam com milhões e enriquecem rapidamente, como os que desempenham funções mal remuneradas e sem grandes garantias e os que vivem com o salário mínimo ou no desemprego e têm que contar cuidadosamente os cêntimos para terem pão até ao fim do mês. A lei, as disposições legais devem ser aplicadas indiscriminadamente a todos os seres humanos que vivem à sombra da mesma bandeira nacional.

Ler mais...

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Um dia como os outros

Tal como a minha e-amiga e colega de blog Fernanda Ferreira, também gosto imenso do silêncio da vida no campo, dos momentos em que me entrego a mim próprio e aos contactos pela internet com o mundo e os amigos. Aqui os vizinhos dizem que passo o tempo a ouvir crescer a alfazema, o que me parece que querem dizer que estou «apanhado do clima» ou orate ou «passado dos pirolitos». Compreendo as suas ilações de camponeses alentejanos, mas tenho consciência de que não estão dentro da verdade, pois não desperdiço o tempo e estou fazendo trabalho útil, com método e com muito respeito pelo ambiente, pelos recursos naturais e pelos meus passatempos favoritos. Esta manhã, como de costume acordei com o bezouro electrónico accionado pela célula fotoeléctrica sensível para o clarear da aurora. A seguir, veio espontaneamente o Hino da alegria que tinha programado ontem à noite. Gosto de acordar em pleno com uma música agradável e enérgica e esta é uma das preferidas. Da janela vi a primeira luz do dia, com o lado nascente iluminado a prenunciar o aparecimento da parte superior da esfera solar. Belas cores, fenómeno maravilhoso, por cima do terreno ondulado, não demorou a aparecer o astro-rei, a nascer da terra aos poucos. Beleza que os citadinos raramente vêm ou nem sequer imaginam. O verde do campo, sob o efeito de tal luz passou de escuro a roxo até aparecer na sua verdadeira cor. Lindo. A Natureza é um manancial de beleza, indescritível. Esclareço que a célula está integrada no sistema de equipamento que vai das células fotovoltáicas que transformam a luz da atmosfera em electricidade produzindo o suficiente para o consumo do monte e para vender á EDP que a tem pago com muita regularidade. Tomei o duche habitual com a água a boa temperatura, dado o bom funcionamento do colector solar e tomei uma boa caneca de chá verde com pão integral barrado com uma pasta de mel com canela, como bem aconselha a amiga Fernanda no post Os benefícios do mel, para evitar a manteiga que sendo um produto lácteo tem os inconvenientes que a mesma bloguista refere no post Efeitos do leite. Vamos sempre aprendendo e melhorando as nossas rotinas!

Depois de me vestir sumariamente porque a temperatura estava agradável, fui dar o passeio matinal pela floricultura, que espera a vinda do florista cliente para amanhã levar o carro cheio de flores e plantas da época. Verifiquei se a rega por aspersão programada para as flores e plantas tinha funcionado bem assim como a do campo de alfazema que espera ser cegado dentro de duas semanas para ser enviado para o laboratório de perfumes na Alemanha. O meu amigo engenheiro agrónomo Abílio, aconselha que a rega seja feita de manhã cedo antes de as plantas aquecerem com o sol a fim de não serem lesadas pelo choque térmico. Diz que a maior parte dos males destes seres vivos provém de regas desordenadas. Os vegetais tal como os animais gostam de ordem e hábitos de horário.

O aroma a esta hora não é muito vivo, mas à hora mais quente do dia é muito forte, agradável, mas chega a ser um pouco enjoativo, nesta época do ano e que está na sua maior pujança.

Depois desta agradável e útil digressão pelo campo sentei-me na varanda em frente ao PC, liguei e comecei por ver os e-mails. Como é domingo não havia muitos e a maior parte eram envios de anexos, muitos deles já velhos conhecidos e reiteradamente chegados de outras origens. Nos blogs, o número de visitantes nas 24 horas foi diminuto como acontece aos fins de semana e feriados, parecendo que as pessoas se entretêm mais com a Internet, quando estão no serviço!

Dos e-mails sobressai um texto assinado por um advogado que relata a pior anedota que podia ter ocorrido na nossa Justiça, em que o compadrio, o cooperativismo e o espírito de capelinha entre magistrados sobressai com demasiada nitidez e que originou o meu post Um precedente que poder ser útil.

A seguir, dei uma volta pela imprensa online, fiquei agradavelmente sensibilizado com um artigo muito animador sobre alunos com vocação para a excelência e não resisti à tentação de o transcrever no post Jovens que recuperarão Portugal, porque é um tema que me tem merecido especial atenção visto residir nos jovens o capital de esperança num Portugal melhor.

Uma notícia muito positiva que merece realce e que leva a empresa Irmãos Luzias, em Beja, a ser apresentada como exemplo por, apesar da crise, ter entrado em 2009 contratando mais três trabalhadores para as suas oficinas, que se juntam aos outros 21 e aos seis membros da família que laboram na firma. Isto acontece quando a maior parte dos empresários, para evitarem prejuízos, penalizam os trabalhadores e respectivas famílias com o despedimento. Não pude deixar de registar este caso no post Empresário que respeita os trabalhadores.

Porém, neste Mundo de seres humanos sujeitos a errar e a deixarem-se vencer pela aparente facilidade do que tem menos valor cívico, como a ambição, a vaidade, o apego ao poder, as notícias más aparecem, infelizmente, em quantidade incrível e lá encontrei as do Sri Lanka e da Colômbia. Como muito tenho batido na tecla de que a paz no mundo seria possível se os governantes e os líderes rebeldes, em vez de acção armada e violenta, usassem as conversações, a negociação e o culto de valores cívicos, como o respeito pelos direitos humanos, a justiça social, a equidade, fiz um pequeno post - A Paz no Mundo será possível? - sobre o tema, deixando links para os interessados poderem ver com atenção o que se passa neste mundo abandalhado por ambiciosos sem escrúpulos que colocam em perigo a vida de inocentes, crianças e idosos.

No DN deparei com um artigo de Ferreira Fernandes que aponta o dedo ao chamar a atenção para a forma como três ocorrências foram tratadas mostrando que o jornalismo pode servir de instrumento a objectivos pouco claros, sem o comum dos leitores disso se aperceber. Quando enfatiza um ou outro assunto, deixando de lado outros aparentemente mais relevantes para a vida do País, dos portugueses, está a servir qualquer intenção não confessada. O realce de uma notícia, uma alusão, uma citação, uma interrogação, uma suspeita, pode ser uma arma mortífera, ou pelo menos muito agressiva, embora, na aparência, pareça inocente. Isto levou-me a transcrever o artigo no post O jornalismo age como instrumento.

Procuro não abusar da transcrição de textos alheios para o blog, mas, muitas vezes, essa é a melhor solução, não deixando, sempre que possível, de identificar o autor e a origem e de fazer uma introdução e/ou uma nota a esclarecer o que me leva a transcrever.

E assim se foi passando o dia em comunicação virtual com os amigos e com o mundo através da Internet, com intervalos para fazer exercício físico neste ambiente paradisíaco em contacto com as minhas plantas que retribuem, com a sua companhia, aroma e cores, o meu afecto de as visitar e tratar com desvelo. Entre nós há um silêncio muito eloquente que diz muito e me inspira no que escrevo e faço, e na forma como encaro o que se passa na superfície do globo e, principalmente, neste rectângulo que alguém apelidou de jardim à beira-mar plantado.

E para encerrar este dia, parecido com muitos outros, o Sol cumpriu o seu ocaso, com a beleza habitual mas que, como estive todo o dia imbuído de romantismo, fui premiado por um refinamento de cores muito especial com umas ténues nuvens que refractaram os raios solares, mesmo depois de o astro ter descido abaixo da linha do horizonte, com uma invulgar riqueza de tonalidades. Maravilhoso, impossível de relatar por uma pessoa tão pouco dotada como eu.

Ler mais...

A Justiça e uma imagem para reflectir

Pela oportunidade e clareza habitual no autor, transcreve-se o seguinte artigo do JN.

Alegados crimes e alegados inocentes
JN. 090518. 00h35m, por Mário Crespo

Um líder europeu disse-me que no passado a justiça em Portugal tinha a fama de ser lenta mas séria e que agora continua lenta, mas perdeu a imagem de seriedade.

As razões são muitas. O infame caso da Casa Pia mantém-se sem conclusão num processo que atesta a falência de todas as fases do sistema de justiça, da investigação ao julgamento.
A imagem no estrangeiro deste clássico da pedofilia é a dos poderosos portugueses que iam aliviar medonhos ímpetos sexuais em asilos do Estado e que continuam protegidos pelas delongas do sistema de justiça com intermináveis julgamentos e intermináveis recursos.

Há mais. Os McCann estabeleceram, com a argúcia de uma máquina de relações públicas, uma ligação entre uma suposta propensão portuguesa para a pedofilia e o desaparecimento da filha num enredo extraordinário que envolve túneis na Praia da Luz, por onde a menina poderia ter sido levada sabe-se lá para onde, sabe-se lá por quem. Inverosímil esta urdidura? Nem por isso. Decorre directamente da incompetência com que o caso Maddie foi conduzido desde o princípio, e da insensibilidade bruta das autoridades em geral quando as transmissões em directo em várias línguas saíam da Praia da Luz, 24 horas por dia, levando ao Mundo uma imagem de ineficácia e bandalheira, entre almoçaradas bem regadas (que nas horas de serviço da Polícia são crime no Reino Unido), arguições injustificadas e perícias insuficientes.

Tudo isto constitui um study-case do que não deve ser feito numa investigação com aquele grau de melindre internacional, afectando uma indústria crítica para a economia do país. O deserto turístico em que se tornou a Praia da Luz atesta que estes erros se pagam.

O golpe de misericórdia na imagem da justiça nacional vem agora com Lopes da Mota e a sua obstinação em manter-se no Eurojust, enquanto pesam sobre si gravíssimas suspeitas que ferem a essência da independência judicial e arrastam no processo o chefe de Governo e o ministro da Justiça. Este é também um study-case de nervo e desprezo pelos interesses nacionais. O Eurojust é um organismo da União Europeia que nas rotatividades comunitárias coube a Portugal presidir. O que lá se passa é directamente transmitido aos 27 estados que entre si lidam com crimes como a pedofilia, raptos de crianças, fraudes bancárias internacionais e corrupção. Para mal da auto-estima lusitana, para cada uma destas tipificações Portugal tem um contributo actual a despacho no Eurojust, com a agravante do nosso compatriota presidente estar alegadamente envolvido numa situação de alegada corrupção que alegadamente envolve dinheiro estrangeiro.

Por isso, para os seus pares no Eurojust, a esta hora certamente conhecedores das alegadas irregularidades e alegadas manipulações do sistema judicial, Lopes da Mota aparece, quanto muito, como um alegado inocente, aval insuficiente para representar a honorabilidade e ética de um Estado num organismo internacional que tem por missão assegurar a defesa colectiva desses mesmos valores.

A declaração de Cândida Almeida de que no lugar de Lopes da Mota também não se demitia não ajuda nada. É que se isto é cultura que se entranhou no Ministério Público, é bom recordar-lhes que por insensibilidade para as realidades terrenas o Marquês de Pombal, no século XVIII, expulsou os Jesuítas do chamado Noviciato da Cotovia, o esplêndido complexo de quintas e palácios onde hoje funciona a Procuradoria-Geral da República.

Ler mais...