Não devemos rejeitar inovações
(Public em O DIABO nº 2266 de 05-06-2020 pág 16. Por A João Soares)
As controvérsias fazem parte inerente da pesquisa científica. O filósofo francês Edgar Morin afirma que uma teoria só é científica ser for refutável e que em ciência nada deve ser considerado dogmático. Por isso, não devemos recusar inovações mas, ao tomar uma decisão estratégica, destinada a regular a vida futura, devemos ponderar com o maior cuidado e profundidade as suas vantagens e inconvenientes, tendo sempre em atenção os condicionamentos actuais e previsíveis que influenciarão a sua concretização. Se rejeitarmos, levianamente ou por receio excessivo, aquilo que nos parece ter riscos, podemos estar a aceitar a paralisia e a estagnação da vida, o que é grave, principalmente, quando se trata do futuro de um Estado. Assim, é preocupante quando se ouve um alto responsável afirmar, sem explicação cuidada e com ar aparentemente seguro, que a virtude está em prometer a continuidade dos assuntos socioeconómicos e a estabilização e recuperação das soluções que podem ter parecido boas durante a crise actual.
É imperioso não ter medo de fazer mudanças e verificar que grandes passos em frente, na História Nacional, foram devidos a decisões corajosas que podiam ser criticadas por demasiado ousadas e perigosas pela tradicional calma passiva do nosso povo. É aplicável a este conceito a posição do ‘Velho do Restelo’ que Luís de Camões descreve na sua obra épica. Porém, a coragem não deve ser confundida com inconsciência, capricho fantasioso ou atrevida ousadia, pois devem ser bem ponderadas as prováveis vantagens e inconvenientes a fim de serem obtidos os melhores resultados para o melhor futuro dos portugueses. É conveniente que, neste momento, com grandes perspectivas de evolução em variados aspectos da sociopolítica mundial, as decisões estratégicas não se confinem a recuperar a vida anterior à pandemia e, muito menos, não se agarrem à continuidade de algo que tivesse vantagens para um ou outro sector mas sem interesse para a globalidade dos portugueses. Tal visão estratégica de melhorar os interesses essenciais de Portugal deve contar com a colaboração de pensadores nacionais e especialistas dos temas a abordar e das soluções a procurar, e que sejam independentes sem ligações a partidos nem a grandes grupos económicos para não se perder esta oportunidade de procurar o melhor para o futuro dos portugueses e para o engrandecimento do nosso País.
Tem havido muita gente a apontar como exemplo países que reconheceram que as medidas de confinamento foram demasiado restritivas e sem tomarem em consideração aspectos peculiares que não deviam ser abrangidos por regras gerais, e olhando para indesejados resultados para a economia, os serviços fundamentais, etc., e que estão a alterar todo esse projecto, como o Japão e vários países europeus, controlando os resultados e não vendo inconveniente no abrandamento das restrições aplicadas. Das pessoas que se colocaram ao lado do alívio do isolamento exagerado destaca-se a médica Margarida Abreu, que afirmou que pior do que a pandemia do Covid-19 foi a pandemia do medo que tolheu muitos cérebros e criou consequências de difícil eliminação e os muitos crimes de violência doméstica que afectaram muitas famílias da pior maneira. Os inconvenientes de ordem psicológica foram muito notados. Embora não haja certezas e previsões dogmáticas, podemos abraçar a realidade dos “factos que acompanhamos diariamente: o despertar da solidariedade e a oportunidade de reforçar a consciência das verdades humanas que fazem a qualidade de vida: amor, amizade, comunhão e solidariedade”.
Muitos pensadores à semelhança de Edgar Morin, sem darem uma ideia clara do que será a vida social nos próximos meses e anos, confessam a incerteza mas admitem que surgirão soluções totalmente discordantes da vida anterior à pandemia. Será um mundo novo e imprevisível. Oxalá se caminhe para mais amizade e solidariedade, com mais respeito pelas pessoas e menos apego doentio ao dinheiro e que as sociedades sejam mais pacíficas e harmoniosas. A criação do futuro está nas mãos dos governantes que devem ter a honestidade de perscrutar os reais interesses da população em geral, sem privilegiar injustamente ‘elites’ alheias aos mais altos interesses da Nação, como conjunto de todos os cidadãos. ■
quinta-feira, 4 de junho de 2020
NÃO DEVEMOS REJEITAR INOVAÇÕES
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A. João Soares
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terça-feira, 31 de julho de 2018
DECISÕES COERENTES COM ESTRATÉGIAS
Decisões coerentes com estratégias
(Publicado no Semanário O DIABO em 31 de Julho de 2018)
As decisões devem ser sempre integradas em estratégias gerais, abrangentes, globais, para não serem marginais e lesivas de prioridades correctas. A coerência deve ser sempre uma preocupação em qualquer decisão e, mesmo que pequena, deve ser bem preparada para não gerar desperdícios de tempo, de energia e de recursos. Há que evitar o desprestígio de anular uma decisão tomada e depois substituída por outra com diferente orientação.
Têm sido criticadas muitas promessas, ornadas de palavras como “garanto”, “asseguro”, mas que depois não são realizadas. Convém não abusar de tais erros. E antes de exteriorizar uma tendência deve-se fazer a listagem das possíveis modalidades de acção, com base na opinião de pessoas sérias, independentes e intimamente ligadas ao assunto.
Há alguns dias, o PM anunciou, num estaleiro do Norte, que nos próximos seis a oito anos irão ser construídos sete novos navios para a Marinha portuguesa, uma promessa que seria agradável para os marinheiros, se viesse a ser concretizada, se os problemas financeiros que o País atravessa não viessem a agravar-se. Será que isto se integra num estudo abrangente do desenvolvimento para Portugal? Será que o grupo que preparou a estratégia em que se insere esta decisão foi formado por pessoas competentes, apartidárias, com experiência que permita confiar na sua noção global dos interesses nacionais?
Ou foi uma promessa fantasiosa para iniciar a propaganda eleitoral das próximas eleições? Tal investimento e a possível estratégia nacional em que se integra, irá preocupar as pessoas dependentes do SNS, ao ponto de se recear a emotividade sentida pelos utentes, pelos médicos e pelos enfermeiros. Também não será muito positiva a reacção de pessoas ligadas ao ensino, para além de professores e de quem estuda as necessidades de reforma do ensino, para formar cidadãos válidos e produtivos na economia das próximas décadas. É que, para estes sectores, a austeridade, o défice e a dívida pública são o argumento usado para justificar as restrições e os apertos do cinto.
Mas os próprios marinheiros devem estar duvidosos de tal presente, até porque foi baptizado o Navio-Patrulha Oceânico Sines, o primeiro de dois em construção nos estaleiros de Viana e que apenas pode dispor de lanchas semi-rígidas temporárias para missões de busca e salvamento e não se prevê o tempo que irá demorar até que ele possa dispor do armamento adequado e do equipamento electrónico indispensável para cumprir as missões verdadeiramente militares para que foi concebido.
Mas além de muitas promessas, eventualmente justificadas por motivos políticos, tem havido muitas decisões tomadas levianamente e que foram engolidas em seco, como por exemplo a que impunha a limpeza de matas à beira das estradas e povoações até dia 1 de Março e que teve de ser alterada para uma data muito posterior. Também o problema da mudança do Infarmed parece ter sido estudado por um grupo de trabalho formado por iniciativa do Governo sem devida apreciação do método e isenção dos seus elementos. Mas estes erros vêm de longe. Quando Sócrates foi pressionado a mudar o aeroporto de Lisboa para a Ota, pediu pareceres confirmativos a amigos, gastando muitas centenas de milhar de euros e, quando o problema veio a público, foi tal a discussão, que em vez da Ota foi decidido mudar para Alcochete. Mas há poderes a que os políticos não conseguem resistir e esse aeroporto passará para Montijo, embora haja outra sugestão mais fácil, já com ligações internacionais e com melhores transportes para Lisboa, em Tires.
António João Soares
24 de Julho de 2018
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quinta-feira, 29 de setembro de 2016
PREPARAR A DECISÃO
Preparar a decisão
(Publicado em O DIABO em 27 de Setembro de 2016)
Na semana passada procurei dar umas dicas aos políticos da oposição. Desta vez as dicas são destinadas a quem tem responsabilidade de tomar importantes decisões que influenciam a vida dos cidadãos.
A evolução, a actualização, a MUDANÇA É UMA CONSTANTE na matemática da vida, da Natureza. A notícia sobre o interesse das estruturas sindicais da Função Pública
Como os detentores do Poder, sendo pessoas, estão sujeitos a erros, e não são omniscientes, os assuntos objecto de decisões mais determinantes, devem ser analisados com a ajuda de pensadores independentes e sem interesse pessoal nem corporativo nas medidas a adoptar.
Com perfeito conhecimento da finalidade da decisão, tendo em vista o interesse geral, nacional, e todos os factores que o influenciam, há que listar todas as soluções possíveis, para depois escolher a que apresentar mais vantagens e menos inconvenientes. Aplica-se aqui o texto que publiquei há quase oito anos «Pensar antes de decidir».
«Em termos resumidos, as normas de preparação da decisão e de planeamento devem passar por:
1) Definir, com clareza e de forma que ninguém tenha dúvidas, o objectivo ou resultado pretendido.
2) Em seguida, descrever com rigor o ponto de partida, isto é, a situação vigente, com análise de todos os factores que possam influenciar o problema que se pretende resolver.
3) Depois, esboçar todas as possíveis formas ou soluções de resolver o problema para atingir o resultado, a finalidade, o objectivo ou alvo; nestas modalidades não deve se preterida nenhuma, por menos adequada que pareça.
4) A seguir, pega-se nas modalidades, uma por uma, e fazem-se reagir com os factores referidos em 2) para analisar as respectivas vantagens e inconvenientes; é um trabalho de previsão de como as coisas iriam passar-se se essa fosse a modalidade escolhida.
5) Depois desta análise das modalidades, uma por uma, faz-se a comparação entre elas, das suas vantagens e inconvenientes, com vista a tornar possível a escolha.
6)O responsável pela equipa, o chefe do serviço, da instituição, o ministro, o primeiro-ministro, conforme o nível em que tudo isto se passa, toma a sua decisão, isto é, escolhe a modalidade a pôr em execução, tendo em conta aquilo que ficou exposto na alínea anterior.
7) Depois de tomada a decisão, há que organizar os recursos necessários à acção, elaborar o planeamento e programar as tarefas.
8) Após iniciada a acção é indispensável o controlo eficaz do qual pode resultar a necessidade de ajustamentos, para cuja decisão deve ser utilizada a metodologia aqui definida, por forma a não se perder a directriz que conduz à finalidade inicialmente pretendida.
A João Soares
19-09-2016
Este texto foi publicado no jornal «O Diabo» em 27-09-2016
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sábado, 15 de junho de 2013
NUNO CRATO, O HOMEM ÉTICO
Transcrição de artigo:
Exames nacionais mantêm-se na segunda-feira, garante Nuno Crato
TSF. Publicado em 12-06-2013 às 23:03
Após uma reunião com sindicatos dos professores, o ministro da Educação explicou que desmarcar exames com novas greves a serem marcadas «abriria um grave precedente».
Os exames nacionais de português e latim vão realizar-se na segunda-feira, assegurou o ministro da Educação, após uma reunião com os sindicatos de professores.
«Com novas graves a serem marcadas, desmarcar exames nesta situação abriria um grave precedente, tal como já tivemos oportunidade de afirmar», explicou Nuno Crato.
Na opinião do titular da pasta da Educação, «não se deve permitir por um simples aviso de greve que os exames sejam recalendarizados com consequências para alunos, pais e professores».
Nuno Crato garantiu ainda que serão encontradas alternativas para a eventualidade de se manter a greve dos professores para os exames nacionais de segunda-feira.
«Se houver alunos que não consigam realizar os exames no dia 17 será naturalmente fornecido a esses estudantes uma outra oportunidade», assegurou.
O titular da pasta da Educação recordou ainda que há sempre exames alternativos à primeira ou segunda fase e que estes «são construídos da forma mais equitativa possível, de tal maneira que o facto de não se fazer o exame numa fase e se fazer na outra não prejudica os alunos».
Nuno Crato notou ainda «pouca abertura de alguns sindicatos» durante as negociações desta sexta-feira, mas a «abertura de outros a que estes problemas fossem discutidos e que se tentasse evitar uma escalada de greves».
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terça-feira, 17 de abril de 2012
Porquês da crise…
Não pode aceitar-se que a crise tenha surgido por acaso ou acidente e, embora tenha afectado quase todo o Ocidente, há países onde ela se revestiu de maior gravidade e onde a recuperação se apresenta mais difícil e problemática.
Sem se identificarem as causas e sem serem tomadas medidas para se eliminarem os seus efeitos e evitar a sua repetição, a solução não pode, logicamente, ser encontrada.
Parece não haver dúvidas de que ela não surgiu por acidente, por acaso, por efeito de algo inesperado e grave, mas que se foi criando e agravando em consequência de vícios e manhas desenvolvidos e continuados ao longo do tempo. O tempo oxida, fermenta, apodrece, desgasta e envelhece tudo aquilo que não for beneficiando de manutenção, actualização cuidada e ajustamentos adequados. É esse universo de factores que deve ser analisado e corrigido correctamente.
Citam-se quatro notícias que merecem, alguma atenção:
- Ferreira Leite, referindo-se a medidas que já deviam ter sido tomadas em relação às 578 fundações privadas e 135 entidades públicas com estatuto de fundação, acusa governo de dar “caldos de galinha” a alguns…
- A condizer com a opinião de Ferreira Leite, Reis Campos, presidente da AICCOPN garantiu que, em 2011, Estado entrega a quem quer 90% das obras, por ajuste directo, beneficiando alguns e esquecendo muitos.
- O FMI, fazendo eco daquilo que os partidos da oposição e muitos colunistas e comentadores têm vindo a alertar, avisa que demasiada austeridade pode ameaçar a retoma. Realmente, sem poder de compra, não há comércio, sem este fecham lojas e empresas de produção e, com este estiolar da economia aumenta o desemprego e a miséria e a recessão torna-se difícil de parar.
- A confirmar este raciocínio, durante o IV Congresso da Indústria Portuguesa Agro-Alimentar, em Lisboa, foi vaticinado que o aumento do IVA vai eliminar 11 mil postos de trabalho na indústria agro-alimentar.
Mas muito preocupante e difícil de alterar é o que respeita aos números que circulam por e-mail e que a seguir se transcrevem, porque parece não haver vontade nem coragem de quem pode decidir para os corrigir, em virtude de esperar vis a beneficiar de «tachos» semelhantes. Os números poderão não estar certos, e provavelmente não estarão muito errados, e mostram alguns factores que explicam como se chegou a este tipo de crise:
«Se os números estiverem certos, se não houver demagogia... então fizemos muitos progressos em 37 anos de Democracia (financeiro-empresarial).
Como é que Portugal poderia estar de outra maneira?
1º Exemplo:
- O Presidente dos EUA recebe por ano $400.000,00 (291.290,417 Euros);
- O Presidente da TAP recebeu, em 2009, 624.422,21 Euros;
- O Vice-Presidente dos EUA recebe por ano $ 208.000,00 (151.471,017 Euros);
- Um Vogal do Conselho de Administração da TAP recebeu 483.568,00 Euros;
- O Presidente da TAP ganha por mês 55,7 anos de salário médio de cada português.
2º Exemplo:
- A Chanceler Angela Merkel recebe cerca de 220.000,00 Euros por ano;
- O Presidente da Caixa Geral de Depósitos recebeu 560.012,80 Euros;
- O Vice-Presidente da Caixa Geral de Depósitos recebeu 558.891,00 Euros;
- O Presidente da Caixa Geral de Depósitos ganha por mês 50 anos de salário médio de cada português.
3º Exemplo
- O Primeiro-Ministro José Sócrates recebeu cerca de 100.000,00 Euros por ano;
- O Presidente do Conselho de Administração da Parpública SGPS recebeu 249.896,78 Euros;
- O Presidente do Conselho de Administração da Parpública SGPS ganha por mês 22,3 anos de salário médio de cada português.
4º Exemplo:
- O Presidente da República recebe cerca de 140.000,00 Euros por ano;
- O Presidente do Conselho de Administração da Águas de Portugal recebeu 205.814,00 Euros;
- O Presidente do Conselho de Administração da Águas de Portugal ganha por mês 18,4 anos de salário médio de cada português;
5º Exemplo:
- O Presidente Sarkozy recebe cerca de 250.000,00 Euros por ano;
- O Presidente de Administração dos CTT - Correios de Portugal, S.A. recebeu 336.662,59 Euros;
- O Presidente de Administração dos CTT ? Correios de Portugal, S.A. ganha por mês 30 anos de salário médio de cada português.
6º Exemplo:
- O Primeiro-Ministro David Cameron recebe cerca de 250.000,00 Euros por ano;
- O Presidente do Conselho de Administração da RTP recebeu 254.314,00 Euros;
7º Exemplo:
- O Presidente da Assembleia da República recebe cerca de 120.000,00 Euros por ano;
- O Presidente de Administração da ANA Aeroportos de Portugal SA. recebeu 189.273,92 Euros;
- O Vice-Presidente de Administração da ANA Aeroportos de Portugal SA. recebeu 213.967,23 Euros.»
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quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
«Toma que é democrático !!!»
Há algumas décadas, um dos humoristas portugueses, não me recordo se era Raul Solnado ou Camilo Oliveira, numa série televisiva, sempre que o agente da autoridade levantava o Cassetete ouvia-se nitidamente «toma que é democrático.
Esta frase vem agora á memória quando vi a notícia Passos Coelho foi vaiado e insultado em Matosinhos. A população desabafou assim da sua indignação e do seu descontentamento:
O primeiro-ministro Pedro Passos Coelho foi esta tarde vaiado e insultado por dezenas de pessoas, à entrada e saída do Centro de Arte Moderna (CAM) Gerardo Rueda, que inaugurou em Matosinhos.
À saída foi mesmo necessária a intervenção policial para afastar uma mulher mais exaltada, com uma criança ao colo, que ainda bateu por algumas vezes com a mão na viatura onde se encontrava já o primeiro-ministro (...)
Curiosamente, aqueles populares, com a exteriorização da consciência preocupada, embora de forma menos protocolar, manifestaram-se e mostraram estar sintonizados com o pensamento do Primeiro-Minitstro, quando este disse que ‘Cada oportunidade perdida é uma pequena tragédia de que nunca recuperamos’. E esses populares quiseram aproveitar a oportunidade da proximidade do PM.
Dizia-se há algumas décadas que o povo é quem mais ordena, que a democracia é o poder do povo. No entanto, tem havido ausência de DIÁLOGO entre o Governo e os portugueses, do que resulta uma adulteração da democracia e torna o regime numa ditadura, mais ou menos disfarçada, em que os governantes armam-se em detentores únicos da verdade absoluta e decidem sem atender aos interesses colectivos do povo. Sacam dinheiro aos contribuintes da classe média para dar aos bancos, enquanto os mais ricos do país fogem descaradamente ao fisco como foi noticiado acerca de Américo Amorim. Mas poderá haver milhares como ele.
Desta falta de transparência, desta ausência de esclarecimento honesto e eficaz surge a angústia do povo, a sua indignação, o seu descontentamento e o resultado começa a ser notado. Este caso de Matosinhos não deve ser interpretado como caso isolado e episódico, pois pode ser o primeiro sinal visível do descontentamento popular e não pode ser ignorado pelos governantes que devem rever os seus comportamentos.
O Diálogo serve para conhecer o mais completamente possível a situação com todos os factores e as causas do problema actual e serve, depois, na análise e avaliação das hipóteses de solução com vista á escolha fundamentada da melhor. Há que evitar o diálogo sem saída do estilo do usado por António Guterres, em que não se avançava para a escolha da melhor solução e para a decisão e sua implementação. Marcava-se passo em vez de marchar para o objectivo. Perdia-se tempo que é um recurso muito valioso e irrecuperável. Assim se criou o pântano a que o PM Guterres se referiu.
E o povo quando vê demoras na chegada da decisão que lhe interessa, pode gritar «toma que é democrático!». Pode exigir, de forma musculada, mudanças que não serão devidamente ponderadas e, portanto, inconvenientes. Como foi dito no post anterior, não se deve «mudar por mudar». Infelizmente, na realidade recente e actual, tem havido mudanças destinadas apenas a enganar os pacóvios, pois acabaram por deixar ficar tudo na mesma, senão pior.
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domingo, 12 de setembro de 2010
O ovo de Colombo ou o Rei vai nu
Transcrição de artigo seguido de nota:
O que arde cura!
Jornal de Notícias. 12-09-2010. Por António Freitas Cruz
As televisões mostraram de raspão (quem sabe se envergonhadamente…) uma ideia que Miguel Cadilhe terá deixado cair algures por aí e que se poderá traduzir, salvo erro, mais ou menos assim: vale mais uma boa crise política do que um mau Orçamento. Ou seja, digo eu, o penoso deslizar para um pântano sem saída.
Não tenho competência para debater a proposição do prestigiado antigo ministro, mas aquilo a que chamarei, sem originalidade, o meu "feeling" diz-me que lhe assiste a razão.
Nunca se saberá o que seria melhor. Está totalmente fora de hipótese a concordância do presidente. Trata-se de um institucionalista inveterado, que defende o integral cumprimento dos mandatos e que, ainda por cima, se encontra à beira da sua própria reeleição: donde, estabilidade a qualquer preço, ainda que nos atire contra uma parede.
Quando Cavaco Silva ajudou a correr com um primeiro-ministro, deu-se mal com o fim da história. Se é certo ter conseguido que Jorge Sampaio despachasse a "má moeda", a verdade é que a "boa moeda" que lhe coube em sorte (e a nós também!) não era, afinal, assim tão boa. Por acaso, até era bem pior.
De modo que, com a irresponsabilidade própria de quem não tem poder, assim a modos que um bloquista ou um "pêcê" (ambos já sem a ditadura do proletariado), e beneficiando do estatuto ímpar da impertinência, eu apostava na crise política.
Afinal, o que arde - cura!
NOTA: Quando os raciocínios se prendem com pequenas coisas e os argumentos giram à volta do mesmo ponto, é impossível sair do labirinto, orientar-se na floresta. Haja quem grite «o Rei vai nu» !
Pelos vistos Cadilhe indicou a pista para sair do circuito fechado. O autor do artigo diz que tinha um «feeling» e seria correcto se os políticos institucionais não se prendessem a olhar para os interesses intestinos da luta pelo poder ou pela sua manutenção, esquecendo-se dos interesses nacionais.
O Orçamento, sendo bem preparado, a pensar em Portugal, poderá ter efeitos benéficos sobre o futuro dos portugueses nos próximos anos, ou até décadas. Por outro lado uma crise política traz perturbação e despesa nos próximos meses mas o País pode beneficiar se os portugueses souberem e quiserem escolher bons representantes, com capacidade para fazer uma gestão pública eticamente correcta.
Por isso deve ser dada prioridade à qualidade do Orçamento a aprovar, mesmo que isso tenha custos, de momento.
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domingo, 28 de fevereiro de 2010
Portugal doente espera terapêutica
Em medicina, o médico interroga o doente sobre as suas queixas, observa-o, recorre a exames mais complexos se houver motivo para isso, a fim de elaborar o diagnóstico correcto para depois aplicar a terapêutica mais adequada ao problema. Sem isso não pode ser esperada cura.
Este esquema de preparar as soluções para os problemas, esboçado no post Pensar antes de decidir, é aplicável a todas as actividades, com os respectivos ajustamentos de pormenor. Entre os militares, de cujas decisões pode resultar a vitória ou a derrota, com o respectivo número de baixas, isso chama-se «estudo da situação» que termina com a proposta de decisão depois da análise das modalidades de acção e da escolha da melhor. Após a tomada de decisão, há o planeamento com a definição das tarefas para os respectivos executantes, e a programação a horário das diversas fases, seguindo-se o controlo da execução e a «conduta» com os convenientes ajustamentos.
Mas, os políticos nada sabem de médicos, nem de militares, nem de engenheiros, nem de empreiteiros. Portugal está doente, há muitas achegas de comentadores e outros cidadãos para a elaboração do diagnóstico, mas os que estão em cargos de decisão não sabem do que se trata, ou procuram ignorar, mascarando tudo com fogachos à margem do problema, aparecendo na TV a todo o momento para lançar fumaça e não verem nem deixarem que se veja o problema real, o tema que espera decisões urgentes e acertadas.
Sem diagnóstico rigoroso e correcto não pode esperar-se uma terapia adequada e, dessa forma, Portugal continua sem cura, o que representa um agravamento da doença e o caminho acelerado para o termo da existência.
Estas reflexões, que são a repetição daquilo que aqui tem sido exposto por várias vezes, surgem agora por ter encontrado num cantinho do Jornal de Notícias on-line os seguintes artigos de opinião, cada um com abordagem diferente, mas todos com um ponto comum de muito patriotismo, por mostrarem o interesse de ver Portugal ressurgir e passar a ser melhor governado para o seu desenvolvimento e a qualidade de vida dos portugueses. Todos mostram a urgência de se iniciar uma terapia eficaz, na Justiça, na Administração pública, na Educação, no Emprego, na Segurança, na cultura do civismo, da verdade, da honestidade, do respeito pelos cidadãos, etc. Há palavras que, por pudor, não são ditas mas que ficam bem subentendidas na interpretação dos textos.
Aconselho a leitura cuidada, vagarosa dos seguintes textos:
- Desacreditar
http://jn.sapo.pt/Opiniao/default.aspx?opiniao=Jos%E9%20Leite%20Pereira
JN. 100228. 01h57m. José Leite Pereira
- "O Monstro"
http://jn.sapo.pt/Opiniao/default.aspx?opiniao=Freitas%20Cruz
JN. 100228. 01h52m. Por António Freitas Cruz
- O estado de direito
http://jn.sapo.pt/Opiniao/default.aspx?opiniao=Ant%F3nio%20Marinho%20Pinto
JN. 100228. 01h56m. A. Marinho Pinto
- Para memória futura
http://jn.sapo.pt/Opiniao/default.aspx?opiniao=Lu%EDs%20Filipe%20Menezes
JN. 100228. 01h53m. Por Luís Filipe Menezes
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sábado, 9 de janeiro de 2010
Segurança, saber, responsabilidade e seriedade
Transcrevo o artigo do Correio da manhã de hoje escrito por pessoa que conhece o assunto por dentro, seguido de algumas considerações.
Segurança e seriedade
CM. 09 Janeiro 2010 - 00h30, Por Paulo Rodrigues, Presidente da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia
Olhando para o País actual em matéria de segurança, apercebemo-nos facilmente de que estamos perante o aumento da criminalidade em todas as suas vertentes.
Como afirmou o MAI, "a segurança é um assunto de Estado e deve ser tratada com seriedade". Aqui está uma afirmação que deve ser levada à prática. Se as alterações ao Estatuto da PSP, que entraram neste ano em vigor, e a Lei 12-A (LVCR) tivessem sido tratadas com seriedade e responsabilidade não teriam sequer sido aprovadas.
A verdade é que os responsáveis por este desconcerto legal, desconhecendo o funcionamento da PSP e roçando a incompetência, criaram a total confusão, obrigando o director nacional a produzir fórmulas mágicas para não pôr em causa o trabalho da instituição. Se este estatuto tinha por objectivo melhorar a motivação dos polícias e, por reflexo, a qualidade do serviço, aqui está um bom exemplo do seu contrário. Diplomas que têm por objectivo o desinvestimento na PSP, numa altura em que os cidadãos mais precisam de respostas céleres e eficazes da sua Polícia. Em suma, o que todos queremos é uma política de segurança responsável e séria, algo que falta a Portugal.
NOTA:
Ao ler este artigo, salta á memória um outro, «Responsabilidade e/ou convicção», que coloca em evidência que para encarar as situações é necessário conhecimento e sentido das responsabilidades. E quem fala de responsabilidades nos grandes problemas nacionais, presume o sentido de Estado, isto é, responsabilidade perante os interesses nacionais, o País, a Nação.
Falta na população conhecimento porque o ensino tem evidenciado muitas falhas e ineficácia e a formação profissional não colmata tais deficiências, como se vê na notícia «O que fazer com a água que quase enche a albufeira de Alqueva?». Neste caso, verifica-se não ter havido um estudo prévio antes da decisão, que devia ter esclarecido a utilidade do investimento, o planeamento de todas as obras para aplicação das águas, a programação de tudo o que havia de ser feito na sequência . Tal lição devia estar agora presente na preparação das decisões sobre os grandes investimentos, como aeroporto, TGV, auto-estradas etc.
É realmente indispensável que, antes das decisões, se conheça bem o problema com todas as suas variáveis, factores e implicações de cada hipóteses de solução, e se faça tudo com o maior sentido de responsabilidade e a máxima seriedade. A metodologia indicada em «Pensar antes de decidir», com eventuais pequenos ajustamentos, constitui uma boa base de trabalho.
http://domirante.blogspot.com/2008/12/pensar-antes-de-decidir.html
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segunda-feira, 30 de novembro de 2009
Há por cá gente muito válida
Diz-se que, em Democracia, o povo é quem mais ordena. Em teoria e de certo modo na prática, o povo tem muito poder, mas deve saber usá-lo. Os maiores inimigos de Portugal são os medrosos, os inactivos, os qe receiam arriscar de forma calculada e sensata. E ao agir, tem que se contar com erros, mas mesmo que não se acerte a 100% é preferível a ficar parado, atado, apático, obediente, «bonzinho». « A sorte protege os audazes». E o caso a se refere o artigo de que se transcreve o início, uma mulher de fibra salvou o emprego de uma centena de pessoas. Portugal precisa de mais pessoas assim e que os cargos de maior responsabilidade estejam em mãos com fibra desta qualidade. Para ler todo o artigo basta fazer clic no seu título.
Fábrica salva por "instinto feminino"
Jornal de Notícias 29 de Novembro de 2009. Por Ana Peixoto Fernandes
Há cinco anos que as confecções Afonso laboram com sucesso nas mãos de ex-operária
Um simples "click" numa mente feminina e uma fábrica de camisas que empregava quase uma centena de pessoas em 2004 foi salva da sua deslocalização premeditada silenciosamente pelos patrões alemães.
Cinco anos depois do episódio a unidade labora com sucesso mas… nas mãos de uma trabalhadora. Com um volume de facturação de 1,3 milhões de euros estimado para este ano, 105 trabalhadores, mais dez que em 2004, e clientes fixos em vários pontos do globo, mas principalmente na vizinha Espanha, a Afonso-Produção de Vestuário, que labora ininterruptamente desde 1991 na zona industrial de Paçô, em Arcos de Valdevez, está de boa saúde e recomenda-se. Isto apesar de ninguém saber do paradeiro dos seu antigos proprietários que se colocaram em fuga a 29 de Novembro de 2004 para não mais dar a cara, depois de longas horas de braço de ferro com os seus trabalhadores. Na tarde desse dia, uma trabalhadora descobriu "por casualidade" os administradores a tentar retirar, pela calada, máquinas e mercadoria da fábrica, com a ideia de deslocalizar a produção para a República Checa.
Conceição Pinhão, 47 anos, antiga funcionária administrativa e hoje gestora da fábrica, cujo forte são as camisas para homem, diz que nada fazia prever o que aconteceu. "Não havia sinais de nada. Estava tudo normalíssimo. Foi só por uma frase que eles disseram ao funcionário de armazém que por acaso comentou comigo. Perguntaram-lhe como é que funcionavam a porta do cais e a alavanca elevatória para cargas e descargas", lembra, explicando o motivo da sua desconfiança de que algo se poderia estar a passar nas costas dos na altura cerca de 90 trabalhadores da Afonso. "Se eles eram administradores porquê aquele interesse?", refere, recordando ainda que nesse dia os patrões "saíram mais cedo, às 16h30, porque estavam cansados". "Fiquei a pensar naquilo e às 17h30 pedi à minha colega de escritório que fosse à fábrica para ver se via alguma coisa de anormal. Ela disse-me que o carro deles estava no parque e, pronto, foi aí o 'tilt'", diz. (…)
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segunda-feira, 13 de julho de 2009
Férias difíceis para Sócrates
Meses difíceis de gerir são o futuro imediato do PS, o que exige uma análise perfeita das realidades nacionais, uma estratégia muito cuidadosa da campanha eleitoral e um filtro adequado nas palavras dos militantes mais espontâneos, como Santos Silva, Lello e Vitalino. Qualquer palavra menos ajustada pode fazer ruir o castelo de cartas a montar meticulosamente. O caso Elisa Ferreira foi objecto de um alerta oportuno de Rui Rio no início da campanha para o PE, mas o PS fez ouvidos de mercador usando da sua b+habitual arrogância, mas agora acordou, fora do momento próprio, levantando mais desunião partidária. A candidata, certamente, só ocupará um dos cargos e o «boy» que o partido quer obsequiar terá então oportunidade de ser premiado.
É um assunto que irá gerar confusão tal como as palavras pouco claras acerca de Alegre. E além disso, surge agora o «chumbo às obras públicas» que bem podia ser evitado se a decisão tivesse assentado num estudo correcto das reais necessidades do País, bem explicado à Nação, sem arrogância, sem imposição, sem termos de teimosia como o «jamé». E o resultado é que o povo, discordante, pode e deve manifestar no voto o seu direito de soberania.
Mas melhor do que as minhas palavras, é a pena experiente da jornalista, pelo que transcrevo o seguinte artigo do Jornal de Notícias.
O Verão Quente que José Sócrates terá de enfrentar
JN. 090713. ISABEL TEIXEIRA DA MOTA
Os factores externos às campanhas eleitorais voltarão a sentir-se. Mas será que a Oposição os vai aproveitar?
O Verão político será marcado pelas campanhas partidárias que já estão nas ruas. A crise, a gripe, os incêndios e a insegurança têm tudo para "aquecer" o debate. Três sociólogos analisam os temas no quadro do período eleitoral que se avizinha.
A campanha eleitoral começou. José Sócrates multiplica-se em contactos com a sociedade civil para tentar ouvir e interpretar o sentir do eleitorado. Manuela Ferreira Leite prepara o programa eleitoral nos fóruns Portugal de Verdade. Paulo Portas, Jerónimo de Sousa e Francisco Louçã desdobram-se em acções de rua.
O JN interrogou três sociólogos sobre o impacto que os temas da criminalidade, crise internacional, gripe e incêndios terão nas campanhas políticas num verão que seguramente não será igual aos outros.
"A marca da campanha terá em linha de conta o que foi o último ano: uma fricção muito forte de todos os partidos da Oposição contra o Governo", salienta o sociólogo Paquete de Oliveira.
Sente-se um clima de "forte sentido de confrontação", aponta o investigador do ISCTE, reconhecendo que os temas da crise, da gripe, da criminalidade e dos incêndios florestais podem tornar-se "perturbadores" caso tenham uma "evolução negativa".
O sociólogo José Leite Viegas destaca "o aproveitamento" que os partidos da Oposição poderão fazer do evoluir dos acontecimentos nos próximos meses. "Os temas de campanha estarão muito dependentes do aproveitamento que a Oposição fizer", declarou ao JN. Exemplo: "há um sentimento de insegurança latente na sociedade que pode tornar-se explícito em face de casos mediáticos e aí a gestão política será complicada em período pré-eleitoral".
Outro exemplo: "a crise está cá, mas se as empresas aproveitarem as férias para fecharem as portas e não abrirem mais, isso causará um problema político ao Governo que a Oposição não vai deixar passar".
"Não é de excluir que os partidos queiram cavalgar essa onda", adverte, na mesma linha, André Freire, sublinhando que "são temas recorrentes, mas a época é que é especial". "Seria de esperar em Agosto um arrefecimento dos temas políticos", sustenta, até pelo forte sinal de"cansaço" que o país manifestou nas Europeias.
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terça-feira, 16 de dezembro de 2008
Recuos do Governo
Quando uma decisão, ao ser colocada em execução, se mostra menos adequada, é de boa norma anulá-la, suspendê-la ou, no mínimo, inserir-lhe as necessárias alterações, logo que seja detectado o defeito. Adiar tal acção ou recusar-se a «dar o braço a torcer» é grave. Mas ceder e recuar com muita frequência não é sinal de eficiência dos serviços, é desmazelo e/ou ignorância de uma sã metodologia de preparação da decisão, de que foi apresentado um esquema no post Pensar antes de decidir. Seguindo esse método e consultando simultaneamente os directos interessados no diploma em preparação, evitam-se muitas imperfeições que originarão recuos e desprestígio para o decisor.
Agora, a ilustrar estas palavras, surgiu na Comunicação Social a notícia de que foi Alargado o prazo para entrega da declaração e, com outro título, ‘Perdão fiscal’ a multas nos recibos verdes e Contribuintes recibos verdes deveriam ter sido avisados antes.
Fica a dúvida sobre a avaliação de desempenho dos assessores e outros funcionários que «trabalharam» na preparação da decisão, e da quantia que o ministério despende com pagamentos e outras regalias a tal pessoal e o resultado do cálculo da rentabilidade de tais custos. Perante a repetição destes casos de pouca eficiência, não surpreende a preocupação manifestada no artigo Mário Soares avisa que está a ser criado clima de desconfiança e revolta em Portugal. A actuação dos políticos (com as devidas ressalvas de eventuais excepções) é geradora dessa falta de confiança, de credibilidade, de prestígio.
Os portugueses esperam que o futuro traga melhores perspectivas e que, entretanto, os jovens de cá não caiam no descontrolo bárbaro dos gregos.
segunda-feira, 8 de dezembro de 2008
José Sócrates insiste no investimento público
Artigo publicado no DN de hoje, de Susana Pinheiro
Crise. Primeiro-ministro diz que o País precisa da intervenção do Estado já.
O primeiro-ministro, José Sócrates, quer "reforçar o investimento público" para relançar a economia do País de modo a que as "dificuldades que vamos enfrentar possam ser ultrapassadas". Durante a assinatura do contrato de construção do novo Hospital de Braga, Sócrates afirmou que "além de estabilizar o sistema financeiro e de ajudar as empresas, o dever do Estado é fazer tudo o que estiver ao seu alcance para relançar o investimento público". O governante assegurou ter mesmo condições para o fazer.
O primeiro-ministro avisou que "o ano de 2009 vai ser muito exigente e muito difícil para todo o mundo", defendendo, por isso, que este "é o momento em que o País precisa do Estado e só o Estado o pode fazer". Mais, reforçou: "Este não é um momento em que o Estado fique sentado à espera que a crise passe." Tem, sim, o "dever de responder a esta situação", pois "nem as famílias nem as empresas podem ou têm condições para potenciar e elevar o investimento que é essencial para fazer face às dificuldades".
"É no próximo ano que vamos ter dificuldades e é, por isso, que nos devemos concentrar em 2009 e reforçar todos os investimentos públicos que pudermos." Sócrates crê mesmo que disso poderá depender a manutenção de emprego ou a actividade das empresas.
O governante relembrou ainda que Portugal terá este ano "o menor défice do Estado da democracia portuguesa" - 2,2%, sendo "um dos poucos países a cumprir o objectivo do défice".
Quanto à ajuda do Estado à banca, explicou que, sem ela, as consequências seriam terríveis para a nossa economia". E repetiu, uma vez mais, que o fez "não a pensar em banqueiros, mas nas famílias e empresas que precisam de ir ao banco e ter a certeza de que os bancos têm dinheiro para lhes emprestar".
NOTA de AJS: Palavras de grande interesse quer me apraz ler. Sem dúvida que o momento presente é de avançar. Os portugueses não podem nem devem ficar deitados na rede a «ouvir crescer o capim». É preciso investir, dinamizar, movimentar.
MAS, ATENÇÃO! Também não é altura para esbanjar recursos, sendo necessário decidir com sentido de Estado e seguir regras semelhantes às referidas no post Pensar antes de decidir. Há que evitar investimentos faraónicos, só porque sim. É preciso escolher os investimentos que contribuam, MESMO, para o desenvolvimento do pais isto é, para melhorar as condições de vida da população actual e futura, e evitar obras cujo rendimento não as justifique ou que gerem custos de manutenção que constituam pesado encargo para os futuros cidadãos.
O objectivo de criar emprego, só por si, não justifica obras faraónicas de reduzida utilidade. Para isso, é preferível pagar salários sem nada fazerem, porque isso não acarreta despesas futuras, com a manutenção de património de discutível rendibilidade sócio-económica.
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quinta-feira, 4 de dezembro de 2008
Pensar antes de decidir
O pensamento estruturado, metódico, deve preceder a decisão e a acção. Já por várias vezes foi aqui referida a necessidade de estudo dos problemas antes de ser tomada uma decisão. Por exemplo, o post de 6 de Janeiro do corrente ano, Não existe mentalidade de planeamento nos serviços públicos abordava este problema e, posteriormente, num comentário, ficou exposta uma metodologia que, adaptada a cada situação, pode dar uma forte ajuda e que é a seguinte:
Em termos resumidos, as normas de preparação da decisão e deplaneamento devem passar por
1) definir com clareza e de forma que ninguém tenha dúvidas, o objectivo ou resultado pretendido.
2) Em seguida, descrever com rigor o ponto de partida, isto é, a situação vigente, com análise de todos os factores que possam influenciar o problema que se pretende resolver.
3) Depois, esboçar todas as possíveis formas ou soluções de resolver o problema para atingir o resultado, a finalidade, o objectivo ou alvo; nestas modalidades não deve se preterida nenhuma, por menos adequada que pareça.
4) A seguir, pega-se nas modalidades, uma por uma e fazem-se reagir com os factores referidos em 2) e verificam-se as vantagens e inconvenientes; é um trabalho de previsão de como as coisas iriam passar-se se essa fosse a modalidade escolhida.
5) Depois desta análise das modalidades, uma por uma, faz-se a comparação entre elas, das suas vantagens e inconvenientes, com vista a tornar possível a escolha.
6) O responsável pela equipa, o chefe do serviço, da instituição, o ministro, o primeiro-ministro, conforme o nível em que tudo isto se passa, toma a sua decisão, isto é, escolhe a modalidade a pôr em execução, tendo em conta aquilo que ficou exposto na alínea anterior.
7)Depois de tomada a decisão, há que organizar os recursos necessários à acção, elaborar o planeamento e programar as tarefas.
8)Após iniciada a acção é indispensável o controlo eficaz do qual pode resultar a necessidade de ajustamentos, para cuja decisão deve ser utilizada a metodologia aqui definida, por forma a não se perder a directriz que conduz à finalidade inicialmente pretendida.
As várias insistências neste tema, são agora «premiadas» pela notícia do Jornal de Notícias Daniel Bessa: Governo deve "parar para pensar" de que se extraem algumas ideias:
O Governo deve dirigir o grosso dos investimentos para as exportações, em prejuízo das grandes obras públicas que vêm sendo anunciadas.
O país importa muito mais do que exporta e a diferença equivale a 10% do Produto Interno Bruto (PIB), o que o obriga a sobre-endividar-se no estrangeiro, para pagar aquela factura. Há 17 mil milhões de euros, por ano, que "saem mesmo da Banca portuguesa" e vão direitos aos bancos estrangeiros.
No actual contexto de recessão internacional, que parece resolvido o défice de confiança dos cidadãos nos bancos, mas não o da confiança entre bancos, sobretudo, de países diferentes. "Os [movimentos] interbancários continuam em muito mau estado".
A garantia de 20 mil milhões que o Governo deu à banca nacional foi uma boa medida, para esta conseguir dinheiro emprestado no estrangeiro, mas frisou que ela não dura para sempre e, em breve, "teremos de ouvir mais notícias do Estado português"...
Considerou ser "tempo de olhar para as debilidades estruturais", e defendeu que a economia portuguesa só ultrapassará a crise, se conseguir diminuir o défice das transacções correntes. "Precisamos, como de pão para a boca, de pôr dinheiro em coisas que exportem".
"O nó górdio desta crise continua no sistema financeiro". O antigo ministro começara justamente por observar que a actual crise "é diferente das outras", porque "deixou a própria banca em condições de não se poder financiar", para concluir que, "se o dinheiro não circular no sistema financeiro, a crise não se resolve".
NOTA: Estamos numa situação difícil que não se compadece com pequenos remendos, nem paliativos. É preciso um estudo imparcial, isento, competente, sem preconceitos partidários, com dedicação aos verdadeiros interesses nacionais, com vista a encontrar a solução estrutural que vá ao encontro de um Portugal que seja melhor amanhã e que possa continuar a desenvolver-se no futuro.
domingo, 13 de abril de 2008
A «lei da rolha» está aí
A «lei da rolha» está a generalizar-se e a consolidar-se. Os 34 anos decorridos sobre o 25 de Abril, não foram suficientes para instalar uma autêntica democracia, com as liberdades inerentes e os direitos humanos que estão a ser exigidos em todo o mundo, de Leste a Oeste.
Na DREN (Direcção Regional da Educação do Norte), houve o processo contra o professor Charrua (Ver aqui e aqui) que acabou por ser arquivado (Ver post) devido à pressão da comunicação social e popular.
A directora do Centro de saúde de Ponde de Lima foi demitida (ver aqui e aqui) por uma questão mal definida com ares de autoritarismo.
Na DREN foi também objecto de notícia o encerramento de uma escola (ver notícia) que entretanto tinha sido contemplada com um prémio internacional, mas já não existia quando devia recebê-lo.
O Dr. António Caldeira, por querer esclarecer pormenores ligados à licenciatura do PM teve um processo jurídico, entretanto arquivado (ver post).
Outros casos houve, com posteriores recuos eventuais, sendo o mais recente sido processo disciplinar contra o coronel na reforma Luís Alves de Fraga (ver notícia), seguido de nova versão do RDM (Regulamento de Disciplina Militar) (ver aqui e aqui) orientada para amordaçar todos os militares mesmo na situação de reforma.
E, novamente, a DREN aparece novamente como notícia (ver aqui), pela mão da sua directora Dr.ª Margarida Moreira que processa órgãos de Comunicação Social por terem divulgado a notícia sobre a violência havida da escola Carolina Michaelis, no Porto.
Já não se pode dizer «o rei vai nu», não se pode dizer o que está mal e precisa de ser rectificado, não se pode referir aquilo que deve ser melhorado a fim de as autoridades responsáveis serem alertadas e estimuladas para um desempenho mais eficaz, em benefício dos portugueses.
E, a propósito de recuos, depois de tantos verificados em vários ministérios – saúde (encerramentos de urgências, maternidades, centros de saúde, etc), educação (TLEBS, avaliações de professores, estatuto de alunos, manuais, etc), obras públicas (Ota, deserto, etc) – surge agora o caso dos descontos abusivos aos reformados sobre o subsídio de férias e de Natal.
Recuar é um sinal de bom senso e de seriedade, mas ter de recuar muitas vezes é prova de que as decisões não foram devidamente preparadas e apoiadas em estudos correctos e num esforço de previsão dos efeitos que delas decorriam.
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sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008
Reformas na Defesa e nas Forças Armadas
Há cerca de uma semana assistiu-se, na Comunicação Sociais e em conversas, a críticas e elogios (estes, em menor número) à anunciada reforma da estrutura da Defesa Nacional e das Forças Armadas. Certamente, tanto os prós como os contras têm as suas razões, de acordo com a janela de onde observam o fenómeno e os interesses que estão por detrás da janela mas, sem dúvida, nenhum teve o cuidado de analisar todos os aspectos positivos e negativos das mudanças. Na vida real, nada nos aparece a preto e branco, mas sim com muitas tonalidades de cinzento e de cores.
Na realidade, qualquer mudança, se for criteriosamente preparada e decidida, é vantajosa, pois nenhuma instituição, corpo vivo ou máquina se mantém em funcionamento perfeito por tempo indeterminado, e as mudanças destinam-se a melhorar o funcionamento.
Porém, qualquer reforma, para ser útil, traduzir-se em melhorias e trazer benefício para a sociedade em geral, deve seguir uma metodologia adequada, com a participação dos principais intervenientes no seu funcionamento.
Primeiro, há que definir, a nível superior, o objectivo, a finalidade, ou a missão (como os militares gostam de dizer), de forma muito clara e concisa, para que seja compreendida e assumida pela Instituição, como um todo harmónico, coerente e disciplinado.
Depois, é necessário analisar todos os factores permanentes e circunstanciais que possam influir no funcionamento normal da Instituição. No caso presente, além dos aspectos externos, há que escalpelizar as questões relacionadas com a gestão dos recursos humanos desde a sua formação e treino até à saúde, justiça, etc, com a gestão dos armamentos, equipamentos e outros materiais bem como instalações e meios de vida, enfim a logística.
Depois desta análise, feita com o máximo de realismo e sem paixões, esboçam-se algumas soluções possíveis para a nova estrutura desde o nível superior até ao mais baixo passando pelos intermédios. Estas hipóteses de solução, cada uma com vantagens e inconvenientes, face ao objectivo e tendo em conta os factores condicionantes, são comparadas de todos os pontos de vista a fim de proporcionar a escolha da melhor, aquela que apresentar mais vantagens e menos inconvenientes do que as outras. Esta escolha é a decisão que terá de passar a vigorar.
Tendo sido decidida a estrutura geral, haverá que tomar iguais decisões, com igual metodologia, em cada um dos escalões, começando pelos mais elevados, e sempre com a participação dos intervenientes mais directos, porque são os mais conhecedores de vantagens, e inconvenientes e necessitam, de conhecer a génese da nova estrutura para melhor a porem em prática. É isso que alimenta a motivação, a força anímica que permite todos os esforços para o cabal cumprimento da missão vinda de cima.
Uma reforma, uma reestruturação elaborada segundo este método de trabalho, será, sem dúvida, benéfica para qualquer Instituição e terá a adesão dos elementos mais activos.
A dúvida que fica é se a anunciada estrutura nasceu desta forma ou se surgiu de uma «inspiração» de um político «genial» que acordou pela manhã sob os efeitos de uma bênção divina e teima em impor a solução «milagrosa».
Depois do que se passou no recente ministério da Saúde e na teimosia em construir o NAL na Ota, já nada é impossível dentro deste pequeno rectângulo.
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segunda-feira, 4 de junho de 2007
A vida é decidir e agir
Transcrição do Portugalclub de uma análise interessante sobre o mau efeito da descoordenação e da ausência de lógica entre a decisão e a acção, quer na vida das pessoas quer na da sociedade e das Nações. Saber decidir e ter a responsabilidade da acção consequente é saudável para mente e para o êxito pesoal e social.
Decidir para Agir – Uma Questão de Auto-consciência!
Quando a auto-sabotagem e a hipocrisia são mais fortes
António Justo
Auto-sabotagem é um perigo contínuo que ameaça pessoas, autoridades e nações. O que acontece na vida privada das pessoas repete-se na vida pública da sociedade.
No dia a dia há sempre um motivo que nos leva a desculpar-nos do que fazemos ou deixamos de fazer. Parece mais simples colocar-nos sob a sombra de alguém e abdicar de nós mesmos vivendo na regressão da lamúria e do queixume. Tudo se queixa e razões não faltam para isso. O problema é o pranto tornado estrutural duma sociedade que passa a viver de queixume em queixume mas sempre bem alinhada na tropa do “esquerda – direita”!... Até parece que não se passa de recruta adiante!... Este estádio social não provém do fado. Talvez seja mais a inércia do hábito, do repetitivo que se torna caseiro. Talvez um instinto cortês, uma atitude rafeira pretendente a bem educada.
A vida comprometer-nos-ia demais se arriscássemos tomar decisões autónomas e conscientes. É mais fácil brincar-se com o fogo da vida ou refugiar-se na sua lareira aquecendo-se no borralho de sentimentos masoquistas ou na culpabilização de outros do que arriscar assumir responsabilidade por si mesmo e dar forma ao futuro. Em vez de activarmos as nossas energias, reagimos como a avestruz. Em momentos de perigo ou de necessidade de decidir torna-se mais cómodo meter a cabeça debaixo das circunstâncias para nos aconchegarmos na ilusão da impossibilidade de decidir. A responsabilidade está sempre nos outros, a irresponsabilidade tem sempre uma desculpa. Para mau pagador meia palavra basta!
Esquecemos que nós somos nós e as nossas circunstâncias, vivendo despreocupadamente entregues a uma cultura dos espertos interessados em fazer de nós as nossas circunstâncias. A cultura Zé é uma cultura do colectivo, da abdicação, do viver no mundo por ver andar os outros. Uma cultura dos apetites que prescinde da vontade. Assim refugiados na toca duma impotência irresponsável queixamo-nos de tudo e de todos. Queixamo-nos de Deus, do tempo, do Papa, do Presidente, do Chefe, dos Pais, dos políticos, etc. como se a nossa vontade e poder de decisão dependesse do acaso.
O político é o resultado das situações e não o contrário. É natural que o político faz tudo por ser eleito mas o Zé é que elege. Salazar foi o que nós éramos e Sócrates é o que nós somos. Não é lícito escondermo-nos por de trás do anonimato das circunstâncias que através de nós ganharam expressão. O fato de darmos asas às circunstâncias não nos iliba da própria parte na decisão ou indecisão.
É fatal o facto de povo e responsáveis se sentirem vítimas irresponsáveis das próprias esperanças e projecções. Todos esperam que outros façam o que lhes pertenceria fazer a eles. O estado, o governo, a igreja, a sociedade têm as costas largas. Fomos habituados a reagir e a não a agir. É mais fácil ser seduzido do que ser sedutor!... Torna-se mais fácil refugiar-se no pensamento ou na imaginação do que dedicar-se ao acto criativo do agir. Assim passa-se o tempo a adiar a vida responsabilizando outros ou servindo a própria fraqueza camuflada sob o argumento de se fazer o que os outros esperam de nós. A pressuposta expectativa dos outros é posta ao serviço do nosso preconceito sobre eles, num hábito de desobriga. A expectativa dos outros poderá até ser real e muito legítima mas depende só de mim satisfazê-la ou não.
Numa sociedade formalista como a portuguesa, o peso da opinião do que poderá pensar o outro, o vizinho, torna-se num fardo muito penoso. Muitas vezes para se ceder a esta pressão cria-se mal-estar na própria família para se dar continuidade a uma cultura da hipocrisia. Quando algo não corre segundo o ditame do ordinário, logo se deita mão da tropa de reserva das lamentações e das acusações. O queixume é desonrante porque geralmente lava as mãos na culpa dos outros e justifica a falta de iniciativa própria com a impotência e com a arrogância do subterfúgio no mundo das ideias abstractas, esquecendo-se que quem trabalha tem necessariamente de sujar as mãos.
Na queixa está sempre um momento de abdicação. O espírito criativo e de iniciativa está em cada um de nós dependendo da nossa capacidade de agir. Os fracos lamentam-se: os partidos, o stress, o signo astrológico, o vício/hábito, a família, o chefe, o trabalho, o “não consigo…”, a falta de tempo, o dia 13, o transito… telefonemas, o calor, o frio. Todos se tornaram culpados; tudo desculpas de mau pagador! Na maior parte dos casos a responsabilidade própria anda de férias.
Queixamo-nos do telefone esquecendo que a curiosidade ou a rotina é que determinou em nós a escolha de ir atendê-lo. Desculpamo-nos com razões que nos despersonalizam. Recorremos ao conjuntivo que é a língua da cortesia e da impotência. Quem não quer, diz: “vou procurar fazer”… A desculpa com a falta de tempo e com o stress são muito comuns. Tudo uma questão de prioridades! Se não tenho tempo para alguém é porque naquele momento não faz parte das minhas prioridades.
Reinhard Sprenger, autor do livro “Die Entscheidung liegt bei dir“ (A decisão é tua) escreve „Só há Stress quando você diz sim e pensa não”. Então vira-se o bico ao prego atribuindo-se a própria responsabilidade aos outros. Sim, sim, queijo, queijo!... Importante é colocar tudo na balança, reflectir e decidir. Naturalmente que nem sempre será possível encontrar a melhor saída para um problema, mas sem a aceitação do erro não se sai da cepa torta! Além disso o colocar-se na pele dos outros é uma capacidade de difícil aquisição. Importante é respeitar o outro sem se desrespeitar a si mesmo na consciência de que o queixume é infantil.
António da Cunha Duarte Justo
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sábado, 2 de junho de 2007
Ota, otários, aeroporto, ainda ?!!!
Ota será esclarecida?
No «bom» estilo de governação a que nos têm vindo a habituar, mas à qual o povo aprendeu a reagir por todas as formas legítimas, e em que foram demasiado notórias as decisões impensadas do ministério da Saúde que o levaram a vários recuos no fecho de maternidades, de centros de saúde e urgências, aparece agora a hesitação quanto à Ota.
No processo da localização do NAL – Novo Aeroporto de Lisboa – algo está errado. Não é normal que um estudo isento, imparcial, movido pelo interesse do País, acima de qualquer interesse partidário ou particular, suscite tantos reparos de pessoas descomprometidas, e com argumentos irrefutáveis, e perante isso, haja uma ausência de argumentos válidos do lado do Governo, ao ponto de, na falta de melhor, ser referido o deserto da margem sul e a vulnerabilidade das pontes a actos terroristas.
Mas, segundo o Diário de Notícias, insuspeito na sua afeição ao Governo, este «começa a admitir recuar na escolha da Ota para localização do novo aeroporto internacional de Lisboa. O ministro das Obras Públicas, Mário Lino, deu ontem sinal disso, em declarações à TSF: ‘O problema da localização está decidido a esta luz [dos "grandes debates" ocorridos em 1999 e 2000]. Mas estamos abertos a discutir todas as matérias.’"
Também, uma fonte governamental ligada a este processo "traduziu" ao DN esta afirmação do ministro: "Tudo pode voltar atrás."
Trata-se de uma reacção inteligente, embora tardia, às repulsas do País, perante a obscuridade em que o processo se mantinha em que a informação apresentada de forma mais convincente era que condenava a Ota como destino do aeroporto. Há, pois, vantagem em o povo não se resignar com aquilo que acha mal e deve usar o deu direito de manifestar a sua indignação. Em democracia, pelo menos teoricamente, a soberania pertence ao povo que a delega em eleitos, mas estes não devem ser desleais aos interesses desse povo que neles confiou.
É de lamentar que, apesar dos números assessores que o povo paga, para ajudarem os governantes a prepararem as suas decisões, não sigam os bons métodos dos estudos para que sejam escolhidas as melhores soluções para os problemas nacionais, numa óptica patriótica acima dos interesses partidários do momento. Será que os erros aqui apontados servirão de lição para evitar a sua repetição? Seria desejável.
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domingo, 27 de maio de 2007
Ota. Porque ter medo de esclarecer?
O Presidente da República, Cavaco Silva, considera necessário fazer uma debate profundo sobre o novo aeroporto de Lisboa, assunto sobre o qual têm surgido grandes dúvidas nos aspectos geográfico, topográfico, orográfico, geológico, segurança de voo nas descolagens e aterragens, mas o Governo está irredutível em relação à escolha da Ota. Vá lá saber-se o porquê desta teimosia!
Essa teimosia chegou ao ponto de o ministro das Obras Públicas, Mário Lino, ter dito que "jamais" o aeroporto será construído na Margem Sul, região que apelidou de "deserto faraónico". Perante esta teimosia arrogante que levanta dúvidas sobre as razões que lhe assistem e os interesses que estarão por detrás, Cavaco apressou-se a pedir imediatamente "um debate profundo" e "consenso técnico e político" sobre o novo aeroporto. Com efeito, quem tem medo de esclarecer este tão grande investimento? Porquê? Terão mesmo argumentos válidos para defenderem a Ota? Se têm, porque não os apresentam?
O Presidente merece apoio geral quando defende que o Parlamento não se deve demitir da intervenção permanente nas grandes questões da actualidade, e esta é uma delas. Os deputados não devem abdicar da sua função fiscalizadora, independentemente da sua cor política. É imperioso incutir "factores de racionalidade" na discussão sobre a localização do futuro aeroporto internacional de Lisboa ao contrário da argumentação utilizada por Lino em defesa da Ota no almoço na Ordem dos Economistas.
Quanto ao colóquio previsto na AR para o dia 11, Helena Pinto, do BE, avisa que "não pode ser um espaço onde o Governo vai fazer propaganda". "O colóquio não substituiu o debate político. Não é ali que se vai chegar a um consenso alargado, como pediu o Presidente. O Governo tem que ir ao Parlamento, mas ao plenário ou à comissão", sustenta Helena Pinto.
António Carlos Monteiro, do CDS, após as declarações sobre o "deserto" da margem Sul., acusa o ministro de "arranjar desculpas para fugir ao Parlamento". "Isso é censurável", acusa, insistindo no pedido de audição parlamentar de Mário Lino.
O deputado do PCP Bruno Dias defendeu esta sexta-feira a suspensão do processo para a construção do novo aeroporto de Lisboa, exigindo novos estudos, e responsabilizou o PS pela falta de um debate aprofundado sobre o tema. O comunista defendeu que o processo seja suspenso até à realização de novos estudos que sirvam de base «a um debate aprofundado», como sugeriu o presidente da República.
Também Miguel Relvas do PSD apoia o debate na AR e diz "espero que o PS não desrespeite o presidente da República como já desrespeitou o presidente da AR, quando chumbou o pedido a universidades para fazerem estudos sobre o aeroporto".
Marques Mendes descreveu a intervenção do Presidente da República, sexta-feira, como «muito importante», ao dizer que «é urgente um debate aprofundado sobre o novo aeroporto e em torno de toda esta questão». «Julgo que o apelo do Presidente da República foi dirigido ao Governo e aos vários responsáveis políticos». «Penso que é possível e desejável todo o consenso sobre o investimento do novo aeroporto. Estamos preparados e esperamos que o senhor primeiro-ministro tenha a mesma abertura e mostre a mesma disponibilidade acima dos interesses e da teimosia». Considerou as declarações de Mário Lino acerca do deserto na margem Sul «não apenas como um delírio, mas como uma provocação e um insulto de alguém que já não está bom da cabeça».
Mas, apesar de tudo isto, José Junqueiro, do PS, em defesa da obstinação obscurantista do seu partido, alega que "o debate político com especialistas não pode ser outro que não o do colóquio do dia 11. O que vamos fazer é um debate correctíssimo", e considera que Cavaco "não pediu uma coisa político-partidária, pediu um debate no Parlamento". Uma máscara, pois todos sabemos que Cavaco ao pedir a intervenção do Parlamento, estava consciente que naquele Palácio se faz política partidária.
Qual é a dúvida de Junqueiro? Que interesses tão importantes existem para exigir tanta blindagem por parte do Governo e do Partido que o apoia? Porquê tanto medo de clarificar o processo da escolha do local do Novo Aeroporto Internacional de Lisboa?
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A. João Soares
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domingo, 22 de abril de 2007
Incapacidade de planear e racionalizar
O artigo no Jornal de Notícias de hoje, de David Pontes, com o título «Um metro aos solavancos» fez-me recordar o post Governo sem bússola nem leme? e meditar nos fabulosos custos provocados pelo pára-arranca de muitos projectos e reestruturações que avança e recuam, devido à ausência de um completo, sério e isento estudo do problema que preceda a decisão que deveria ser seguida de um planeamento de cada fase da execução, por forma a reduzir substancialmente erros, indecisões, desvios e recuos.
A propósito do metro do Porto o autor afirma que «temos de concluir que «a geografia, o planeamento urbano, a gestão de transportes, são ciências desconhecidas dos nossos responsáveis políticos, incapazes de olhar para o mapa e determinar quais são as ligações que melhor servem os interesses da população e o desenvolvimento da área metropolitana»
Admite, muito sensatamente, que no decurso da obra haja margem para discussão sobre alguns aspectos, mas quanto a questões essenciais, como a prioridade de Gondomar, não é admissível que não estivessem resolvidas com base em estudos técnicos imparciais em vez de servirem agora como arma de arremesso em jogos políticos. Mas, infelizmente, os factores mais valorizados pelos políticos raramente são benéficos para os interesses do Pais, pois, no meio das confusões entre o "calendário" do Governo, que pretendia ter um acordo para coroar a vinda de Sócrates ao Porto, e as hesitações dos autarcas da Junta Metropolitana acaba por ninguém saber para onde vai o metro. «Há muito que deveria estar planeado para não poder encravar.»
«O que aqui se diz para o metro é, em parte, também verdade, para a Ota e o TGV. Se queremos ultrapassar a nossa proverbial incapacidade de planear e racionalizar, devemos perceber que há áreas em que era melhor os políticos darem um passo atrás e cederem o lugar aos técnicos. Se claramente os eleitos não lutam por programas sufragados pelos técnicos, antes vão mudando os mapas ao sabor do episódio político do momento, temos todo o direito de pensar que não é o interesse público que os guia.»
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A. João Soares
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Etiquetas: decisão, planear, racionalizar
