A actual visita de Sua Santidade o Papa à Turquia vem ocasionar o reacendimento das discussões sobre conflitos entre religiões e guerra de civilizações, conceitos recusados por muitos pensadores que entram em pormenores minuciosos que desviam os esses desentendimentos para aspectos conjunturais e localizados. E há quem distinga religião de civilização, como realidades distintas e independentes. No entanto, é muito difícil falar de civilização e de religião em separado, porque há interacções, relações de causa e efeito, em que não se pode isolar uma da outra. As altas autoridades eclesiásticas reiteram a afirmação de que a civilização europeia tem raiz religiosa, cristã, o que faz recordar o Poder que o Vaticano tinha sobre os reinados europeus, cobrando as maquias e exercendo o papel de ‘tribunal internacional’, resolvendo pacificamente atritos entre estados. Presentemente, há em muito casos, separação entre o Estado e a religião. Mas, mesmo nos estados ditos laicos, a religião está sempre presente, porque cada cidadão está, mesmo que minimamente, vinculado aos princípios religiosos que o definem e segue as sugestões e conselhos do seu orientador espiritual. Isto é muito mais acentuado em civilizações em que predomina o Islão, por nelas não haver uma separação entre os aspectos espirituais e os temporais da vida.Por outro lado, também é discutível a expressão de guerra de civilizações. Civilização deve ser considerada como um conjunto de valores positivos que elevam as pessoas para o ideal. Ser civilizado é uma condição que evidencia elevação. E o uso de tal conceito prejudica as intenções louváveis de conciliar o Mundo e de criar um ambiente de harmonia, cooperação e equidade. Mas não tenho tanta hesitação em aceitar uma guerra de tradições, em qualquer parte do mundo, mesmo dentro dos estados e em pequenas colectividades, por a tradição ser emperrante da máquina da evolução para soluções melhores e mais adequadas aos tempos presentes.Por outro lado, o conceito tradicional de guerra, leva-nos, hoje, a colocar de lado os motivos espirituais e filosóficos e a verificar que aquilo que constitui a motivação para a guerra é, fundamentalmente, a economia, o mercado de matérias primas e o de colocação dos produtos acabados, com as manobras de pressão que controlam o comércio internacional. Uma rápida observação dos conflitos ocorridos nas última décadas conduzem-nos a essa conclusão.
Postado por A. João Soares em 10:30
2 comentários:
MRelvas disse...
Caro amigo A. João Soares,guerra de civilizações ou de tradições para mim atinge o mesmo significado,mas compreendo o seu ponto de vista ao definir a palavra civilização.Acho que a nossa civilização permite mais que algumas civilizações impregnadas de religião,como os povos islâmicos e seguidores do Islão.Nós permitimos os votos de todas as religiões nos nossos países.O contrário já não é muito possível.Acho que o grande problema da sociedade Ocidental é a cultura que está em baixa.O povo quer é consumismo e facilitismo,pelo que perde valores,tradições como entender.
Um abraço
Mrelvas
01-12-2006 22:12
A. João Soares disse...
Amigo Mário Relvas,Obrigado pela sua visita a estas páginas, que espero venham a ser mais visitadas.Os seus comentários são sempre interessantes e valorizam os textos. Aqui há um jogo de palavras que, como o Relvas diz, têm significados muito semelhantes, mas que os pensadores da geopolítica têm criticado. O livro intitulado «Guerra de civilizações» levntou polémica, embora continue muita gente a seguir este conceito, mas, realmente, ele não contribui para pacificar as relações muito tensas entre o chamado «mundo islâmico e o denominado «mundo ocidental». Seria mais suave utilizar a ideia de comunidade internacional e tratar os casos concretos como conflitos pontuais de interesses. Só que esses interesses são em muitos casos inconciliáveis, devido a tradiçõs muito arreigadas onde a religião é utilizada como pretexto e apoio, embora de forma errada. Este é um dos inconvenientes ds religiões - o seu mau aproveitanmento por fanáticos no sentido da agressividade e exclusão dos não crentes em vez de procurar seduzi-los com a beleza dos mandamentos.É um tema que dá muito motivo para reflexão.Um abraço
A. João Soares
sábado, 20 de janeiro de 2007
Guerra de civilizações ou guerra de tradições?
Publicada por
A. João Soares
à(s)
17:57
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