Transcrição seguida de NOTA:
Coragem e patriotismo
Destak. 14 | 06 | 2011 19.36H. JOSÉ LUÍS SEIXAS
O silêncio que tem rodeado a formação do novo Governo pode ser um bom augúrio. Mais importante do que as linhas programáticas – as quais, em bom rigor, se acham desenhadas no memorando de entendimento que contratualiza o auxílio financeiro internacional – são as pessoas que irão assumir o timão deste barco tão frágil perante uma tempestade com a dimensão da que se avizinha. O governo destes tempos exige muito músculo, muito prestígio e muita determinação.
E, sobretudo, um enorme desprendimento e um grande patriotismo. Quando os portugueses sentirem na pele os sacrifícios de que, por enquanto, apenas se fala, os ‘rostos do poder’ serão apupados e vilipendiados. Então já ninguém se recordará do Eng. Sócrates, do memorando ou da crise internacional.
Nesse momento o governo em formação converter-se-á no bode expiatório do passado que colocou o País à beira do abismo. Serão os nomes dos seus ministros os pronunciados nas praças públicas como os responsáveis das muitas desgraças que baterão à porta de todos os portugueses. É bom ter presente que a memória histórica dos povos é um breve instante que se esvai como o fumo de um cigarro.
NOTA: Este texto não é profecia, antes um conclusão lógica da situação actual e recente. Nada se poderá resolver por um gesto de varinha mágica. É preciso inspirar a confiança do povo, através de verdade e transparência, de explicar as razões dos sacrifícios exigidos e os benefícios deles esperados, agir com rigor e bom senso para não cometer erros que possam afectar a confiança e a esperança das pessoas e o prestígio dos governantes. Para isso ,não pode esquecer-se o patriotismo, não se deixar pressionar por políticos partidários de baixa estatura ética que não sabem o que são os interesses nacionais e apenas visam regalias pessoais, como ficou visível nas palavras de Sílvia Ramos
E é preciso muito músculo, coragem e determinação para enfrentar as reformas indispensáveis para emagrecer o Estado e conter as despesas dentro das possibilidades das receitas, como por exemplo a eliminação de instituições inúteis que além dos custos financeiros acarreta aumento de burocracia e de ineficácia dos serviços públicos.
Portugal precisa que o Governo não fraqueje nesta via dolorosa e consiga vencer todas as dificuldades e escolhos que se lhe apresentarem no percurso.
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quarta-feira, 15 de junho de 2011
Via dolorosa do próximo Governo
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segunda-feira, 13 de junho de 2011
Defesa do Ambiente. Dois gritos de alerta
O Planeta não é nosso. Estamos aqui de passagem e não o devemos danificar para o devolvermos em bom estado aos nossos descendentes.
Limpar o Mundo começa por limpar a soleira da nossa porta, a nossa rua, o nosso bairro. Cumpra a sua parte.
Difunda para alertar os distraídos.
AJS
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De Viçoso Caetano - Ser Militar
Ser Militar
É ser nobre, é ser valente,
Filho de rico ou de pobre
Não interessa que gente!
Interessa a chama ardente,
Que arde no peito heróico,
Que, à bravura dá guarida,
No sacrifício da vida,
Se a tal chega o gesto heróico.
É ser respeito, Aprumo,
Disciplina, Coerência,
Decisão, Inteligência,
É saber traçar o rumo.
Ser militar, afinal,
É ser orgulho, é ser raça,
Quando se veste uma farda
E a Pátria é Portugal.
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domingo, 12 de junho de 2011
Não cessa a nojeira dos políticos anões ??? !!!
Grande parte dos observadores está de acordo em que os votos ganhos pala actual maioria, foram devidos não apenas ao seu mérito mas, principalmente, por o povo estar cansado do governo Sócrates e querer mudar. Era preciso acabar com o escândalo das dezenas de institutos inúteis criados apenas para dar tachos aos «boys» por critérios de amiguismo e compadrio.
Seria de esperar que os militantes medianamente inteligentes e patriotas dos partidos na coligação em formação se apercebessem disso, da situação dramática do País, e se preocupassem mais com o futuro de Portugal do que com os interesses pessoais na obtenção de tachos. Seria bom que lessem atentamente os discursos lidos no 10 de Junho por António Barreto e pelo PR e mostrassem mais dedicação a Portugal do que a «líder» regional do CDS-PP de Beja, Sílvia Ramos, que diz que militantes merecem cargos. São lhe atribuídas as seguintes palavras “Este é o momento…de se correr atrás de lugares…” Aos militantes do seu partido que lhes compete estar “nos devidos lugares, proporcionalmente ao nosso peso político e porque temos isso legitimado pelos votos que obtivemos”.
Pretenderá lançar a imagem que o seu partido é um bando de piratas ou uma praga de parasitas?
É preciso nunca esquecer que Portugal é dos portugueses e não apenas dos partidos em geral nem dos governos em particular. Por isso, não sendo seus donos, os políticos devem desenvolver sentido de Estado e de responsabilidade na gestão dos recursos nacionais, que são dos portugueses e não devem ser esbanjados ou desviados das suas finalidades.
Será bom que a direcção do partido repudie tais afirmações, num momento em que Portugal precisa de todos os portugueses e deve chamar os melhores, mais competentes, com mais mérito, mais patriotas para colaborarem na reconstrução do País, mesmo que sejam de outros partidos com menor representação. Os interesses de Portugal devem constituir a grande preocupação do Governo e de todos os políticos. Não se podem cometer erros e as decisões devem ser cuidadosamente preparadas para serem as melhores, para a mais rápida e eficaz resolução da crise que estamos a atravessar.
Não há lugar para políticos anões, sem estatura para os problemas que estamos a enfrentar. A Sílivia Ramos parece a Ana Gomes que, em vez de focar as suas energias para o engrandecimento de Portugal, se dispersa e desbarata as energias com mexericos de peixeira (sem ofensa para as vendedeiras de peixe).
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De Viçoso Caetano - Desabafo
Que arrastou nossas gentes p´rá penúria,
P´ró desemprego, p´rá fome, p´rá miséria,
Deveria ser presa ou deportada,
P´rá acabar de vez com tanta incúria,
Que deixou esta Pátria quase funéria,
Sonâmbula, macambúzia, destroçada.
Uns mais vigaristas, outros pulhas,
Adamastores de boca fedorenta,
Carteira recheada, suculenta,
Qu´a via p´ró socialismo abarrotou.
Verdadeira praga ou cataclismo,
Cáfila de dromedários e camelos,
Herdeiros directos do charlatanismo,
- A roçar p´lo analfabetismo –;
Imbecis a falar p´los cotovelos.
Sem conteúdo, sem substância, sem um fim.
- Qu´os problemas sérios, esses sim,
Terão que ser, outro a resolvê-los ! –
Esmolando, mundo fora, rastejando,
Caídos no buraco da insolvência,
Sem apelo nem agravo e só dum trago,
Qu´os cinco quintos dum zero esquerdeado,
Transformaram nesta funesta indigência.
E aqui me quedei a meditar:
No passado glorioso e imperial,
Na grandeza qu´então tinha Portugal,
No respeito qu´infundíamos ao Mundo.
Na bandeira onde a esfera armilar,
Drapejando por todo esse imenso mar,
(Guinéu, maubere, landim, bailundo)
Nos fazia a alma revibrar,
Nos penetrava o coração até ao fundo !
E não resisti a comparar:
A Honradez, a Dignidade, a Inteligência,
A Nobreza de carácter, a Eloquência,
A Seriedade, o Respeito, a Competência
E o Patriotismo desse excelso SALAZAR,
Com esta negregada pestilência,
Dos herdeiros vencidos d´Alcácer Kibir
(Sem passado, sem presente, sem porvir)
Que depois de perdido o ULTRAMAR,
Vêm agora redescobrir o mar…
E deu-me vontade de chorar !!...
O Poeta de Fornos de Algodres
NOTA: Embora recente, tem aspecto de premonição daquilo que veio a acontecer no nosso Portugal. Não era difícil «adivinhar»!
Mas a «pestilência» ainda não acabou, como se pode ver numa notícia de ontem no PÚBLICO.
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sábado, 11 de junho de 2011
Actualidade e futuro próximo
Nós, portugueses, encontramo-nos num momento difícil que desejamos ser o início de uma caminhada para a recuperação do progresso e do desenvolvimento, para bem de todos, principalmente daqueles que vivem muito abaixo da média de comodidade.
«A vida só pode ser compreendida olhando-se para trás; mas só pode ser vivida, olhando-se adiante». (Kieckegood).
A reconstrução de Portugal tem que ser tarefa de todos, começando pelos políticos, fazendo convergir todas energias para um objectivo comum, segundo uma estratégia bem definida com metas claras e medidas concretas coerentes daí resultantes.
Nem se podem desperdiçar esforços com erros evitáveis, nem se pode ser sonhador ao ponto de esperar atingir o objectivo sem cuidar de cada passo desde o primeiro momento. Por querer ir além daquilo que era possível e realizável, Ícaro viu as suas asas derreterem-se e, em vez de continuar a voar para o Sol, despenhou-se.
Ora, nós vamos atravessar um precipício passando sobre um arame de equilibrista e não podemos fazer um gesto errado para não nos despenharmos todos, irremediavelmente. Há que avançar com muito cuidado e rigor, sempre com os olhos no objectivo nacional.
António Barreto definiu com muita clareza a situação e os cuidados a ter na solução a adoptar, no seu discurso na Sessão Solene de 10 de Junho em Castelo Branco.
Também, na mesma Sessão Solene, Cavaco Silva salientou a necessidade de «linhas de rumo e caminhos de futuro que contribuam para a qualidade das políticas públicas e que devolvam aos Portugueses a esperança na construção, em comum, de um tempo melhor… Temos de ser realistas, pois as ilusões pagam-se caro…No interior, impõe-se tirar partido das potencialidades e das riquezas que só aqui existem… A sua (dos povos do interior) frugalidade e o seu espírito de sacrifício são modelos que devemos seguir num tempo em que a fibra e a determinação dos Portugueses estão a ser postas à prova. Não podemos falhar. Os custos seriam incalculáveis. Assumimos compromissos perante o exterior e honramo-nos de não faltar à palavra dada.»
Perante estes pontos de reflexão que devem ser orientadores das estratégias individuais e colectivas, não podemos desaproveitar o possível por corrermos atrás do desejável, a fim de não repetirmos o erro de Ícaro. Cada passo deve ser dado com o máximo realismo em função do desenvolvimento do bem-estar das pessoas. Neste ponto, também deve ter-se presente que há muitos melhoramentos estruturais a fazer, começando pela Justiça e pelo apoio às pequenas e médias empresas, sem ser necessário despender muito dinheiro.
Não devemos deixar de olhar para os bons exemplos que nos chegam da Grã-Bretanha e de outros países nórdicos, na forma como estão a encarar a austeridade para evitar crises como a nossa.
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sexta-feira, 10 de junho de 2011
Discurso de António Barreto. 10 de Junho
Com respeitosa vénia, transcrevo o seguinte texto:
Discurso de António Barreto. Presidente da Comissão Organizadora das Comemorações do Dia de Portugal, e Camões e das Comunidades Portuguesas
Público. 10.06.2011 - 15:32
Castelo Branco, 10 de Junho de 2011
Nada é novo. Nunca! Já lá estivemos, já o vivemos e já conhecemos. Uma crise financeira, a falência das contas públicas, a despesa pública e privada, ambas excessivas, o desequilíbrio da balança comercial, o descontrolo da actividade do Estado, o pedido de ajuda externa, a intervenção estrangeira, a crise política e a crispação estéril dos dirigentes partidários. Portugal já passou por isso tudo. E recuperou. O nosso país pode ultrapassar, mais uma vez, as dificuldades actuais. Não é seguro que o faça. Mas é possível.
Tudo é novo. Sempre! Uma crise internacional inédita, um mundo globalizado, uma moeda comum a várias nações, um assustador défice da produção nacional, um insuportável grau de endividamento e a mais elevada taxa de desemprego da história. São factos novos que, em simultâneo, tornam tudo mais difícil, mas também podem contribuir para novas soluções. Não é certo que o novo enquadramento internacional ajude a resolver as nossas insuficiências. Mas é possível.
Novo é também o facto de alguns políticos não terem dado o exemplo do sacrifício que impõem aos cidadãos. A indisponibilidade para falarem uns com os outros, para dialogar, para encontrar denominadores comuns e chegar a compromissos contrasta com a facilidade e o oportunismo com que pedem aos cidadãos esforços excepcionais e renúncias a que muitos se recusam. A crispação política é tal que se fica com a impressão de que há partidos intrusos, ideias subversivas e opiniões condenáveis. O nosso Estado democrático, tão pesado, mas ao mesmo tempo tão frágil, refém de interesses particulares, nomeadamente partidários, parece conviver mal com a liberdade. Ora, é bom recordar que, em geral, as democracias, não são derrotadas, destroem-se a si próprias!
Há momentos, na história de um país, em que se exige uma especial relação política e afectiva entre o povo e os seus dirigentes. Em que é indispensável uma particular sintonia entre os cidadãos e os seus governantes. Em que é fundamental que haja um entendimento de princípio entre trabalhadores e patrões. Sem esta comunidade de cooperação e sem esta consciência do interesse comum nada é possível, nem sequer a liberdade.
Vivemos um desses momentos. Tudo deve ser feito para que estas condições de sobrevivência, porque é disso que se trata, estejam ao nosso alcance. Sem encenação medíocre e vazia, os políticos têm de falar uns com os outros, como alguns já não o fazem há muito. Os políticos devem respeitar os empresários e os trabalhadores, o que muitos parecem ter esquecido há algum tempo. Os políticos devem exprimir-se com verdade, princípio moral fundador da liberdade, o que infelizmente tem sido pouco habitual. Os políticos devem dar provas de honestidade e de cordialidade, condições para uma sociedade decente.
Vivemos os resultados de uma grave crise internacional. Sem dúvida. O nosso povo sofre o que outros povos, quase todos, sofrem. Com a agravante de uma crise política e institucional europeia que fere mais os países mais frágeis, como o nosso. Sentimos também, indiscutivelmente, os efeitos de longos anos de vida despreocupada e ilusória. Pagamos a factura que a miragem da abundância nos legou. Amargamos as sequelas de erros antigos que tornaram a economia portuguesa pouco competitiva e escassamente inovadora. Mas também sofremos as consequências da imprevidência das autoridades. Eis por que o apuramento de responsabilidades é indispensável, a fim de evitar novos erros.
Ao longo dos últimos meses, vivemos acontecimentos extraordinários que deixaram na população marcas de ansiedade. Uma sucessão de factos e decisões criou uma vaga de perplexidade. Há poucos dias, o povo falou. Fez a sua parte. Aos políticos cabe agora fazer a sua. Compete-lhes interpretar, não aproveitar. Exige-se-lhes que interpretem não só a expressão eleitoral do nosso povo, mas também e sobretudo os seus sentimentos e as suas aspirações. Pede-se-lhes que sejam capazes, como não o foram até agora, de dialogar e discutir entre si e de informar a população com verdade. Compete-lhes estabelecer objectivos, firmar um pacto com a sociedade, estimular o reconhecimento dos cidadãos nos seus dirigentes e orientar as energias necessárias à recuperação económica e à saúde financeira. Espera-se deles que saibam traduzir em razões públicas e conhecidas os objectivos das suas políticas. Deseja-se que percebam que vivemos um desses raros momentos históricos de aflição e de ansiedade colectiva em que é preciso estabelecer uma relação especial entre cidadãos e governantes. Os Portugueses, idosos e jovens, homens e mulheres, ricos e pobres, merecem ser tratados como cidadãos livres. Não apenas como contribuintes inesgotáveis ou eleitores resignados.É muito difícil, ao mesmo tempo, sanear as contas públicas, investir na economia e salvaguardar o Estado de protecção social. É quase impossível. Mas é possível. É muito difícil, em momentos de penúria, acudir à prioridade nacional, a reorganização da Justiça, e fazer com que os Juízes julguem prontamente, com independência, mas em obediência ao povo soberano e no respeito pelos cidadãos. É difícil. Mas é possível.
O esforço que é hoje pedido aos Portugueses é talvez ímpar na nossa história, pelo menos no último século. Por isso são necessários meios excepcionais que permitam que os cidadãos, em liberdade, saibam para quê e para quem trabalham. Sem respeito pelos empresários e pelos trabalhadores, não há saída nem solução. E sem participação dos cidadãos, nomeadamente das gerações mais novas, o esforço da comunidade nacional será inútil.
É muito difícil atrair os jovens à participação cívica e à vida política. É quase impossível. Mas é possível. Se os mais velhos perceberem que de nada serve intoxicar a juventude com as cartilhas habituais, nem acreditar que a escola a mudará, nem ainda pensar que uma imaginária "reforma de mentalidades" se encarregará disso. Se os dirigentes nacionais perceberem que são eles que estão errados, não as jovens gerações, às quais faltam oportunidades e horizontes. Se entenderem que o seu sistema político é obsoleto, que o seu sistema eleitoral é absurdo e que os seus métodos de representação estão caducos.
Como disse um grande jurista, “cada geração tem o direito de rever a Constituição”. As jovens gerações têm esse direito. Não é verdade que tudo dependa da Constituição. Nem que a sua revisão seja solução para a maior parte das nossas dificuldades. Mas a adequação, à sociedade presente, desta Constituição anacrónica, barroca e excessivamente programática afigura-se indispensável. Se tantos a invocam, se tantos a ela se referem, se tantos dela se queixam, é porque realmente está desajustada e corre o risco de ser factor de afastamento e de divisão. Ou então é letra morta, triste consolação. Uma nova Constituição, ou uma Constituição renovada, implica um novo sistema eleitoral, com o qual se estabeleçam condições de confiança, de lealdade e de responsabilidade, hoje pouco frequentes na nossa vida política. Uma nova Constituição implica um reexame das relações entre os grandes órgãos de soberania, actualmente de muito confusa configuração. Uma Constituição renovada permitirá pôr termo à permanente ameaça de governos minoritários e de Parlamentos instáveis. Uma Constituição renovada será ainda, finalmente, o ponto de partida para uma profunda reforma da Justiça portuguesa, que é actualmente uma das fontes de perigos maiores para a democracia. A liberdade necessita de Justiça, tanto quanto de eleições.Pobre país moreno e emigrante, poderás sair desta crise se souberes exigir dos teus dirigentes que falem verdade ao povo, não escondam os factos e a realidade, cumpram a sua palavra e não se percam em demagogia!
País europeu e antiquíssimo, serás capaz de te organizar para o futuro se trabalhares e fizeres sacrifícios, mas só se exigires que os teus dirigentes políticos, sociais e económicos façam o mesmo, trabalhem para o bem comum, falem uns com os outros, se entendam sobre o essencial e não tenham sempre à cabeça das prioridades os seus grupos e os seus adeptos.
País perene e errante, que viveste na Europa e fora dela, mas que à Europa regressaste, tens de te preparar para viver com metas difíceis de alcançar, apesar de assinadas pelo Estado e por três partidos, mas tens de evitar que a isso te obrigue um governo de fora.
País do sol e do Sul, tens de aprender a trabalhar melhor e a pensar mais nos teus filhos.
País desigual e contraditório, tens diante de ti a mais difícil das tarefas, a de conciliar a eficiência com a equidade, sem o que perderás a tua humanidade. Tarefa difícil. Mas possível.
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Escândalos e seus efeitos
Seguindo links encontrados esta manhã, cheguei ao artigo Os escândalos que fizeram os ministros sair antes de tempo, do PÚBLICO (04-04-2003) que refere as saídas antecipadas de vários ministros – Isaltino Morais, Miguel Cadilhe, Murteira Nabo, Armando Vara, Leonor Beleza, Arlindo Carvalho, Veiga Simão, Carlos Borrego, Jorge Coelho, Walter Rosa e Francisco Sousa Tavares.
Recentemente, a arrogância do Governo e os brandos costumes da população e da Comunicação Social, não conduziram a que as crises havidas levassem a tais efeitos.
Curiosamente, as saídas referidas, não deixaram cicatrizes nos atingidos e, presentemente, há sinais de pelo menos um deles mostrar interesse no próximo governo, estando já a dar palpites para algumas decisões na sua área de interesse. O poder é uma droga a que é difícil resistir e que obnubila o espírito de tal forma que deixam de perceber que os tempos e as circunstâncias mudaram e são necessárias soluções novas concretizadas por gente jovem sem os vícios e as manhas do passado mas com criatividade e capacidade de inovação.
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quinta-feira, 9 de junho de 2011
Feriados e festas é do que o povo gosta
Transcrição de artigo seguida de NOTA:
Feriados explicados aos enviados do FMI
06 | 06 | 2011 20.20H. ISABEL STILWELL | EDITORIAL@DESTAK.PT
A primeira tarefa difícil de Passos Coelhos vai ser a de explicar à ‘troika’ que vamos incumprir todos os prazos. Antes de mais, porque é sempre bom que se comece como se pretende continuar, e depois porque os senhores são capazes de estranhar o País parado durante o resto do mês de Junho, e querer saber porquê.
Cabe então a Passos Coelhos, coadjuvado por Paulo Portas, explicar-lhes que embora Portugal tenha aprovado a lei do aborto, a lei do casamento entre homossexuais, protestado contra os crucifixos da escola e faça um finca-pé diário em deixar claro que por cá reina a separação clara entre o Estado e a Igreja, dando a ilusão de ser um país muito para a ‘frentex’, na realidade é um País de uma religiosidade profundíssima, alicerçada na maior das devoções aos seus santos populares, insistindo em celebrar (sem passar pela Igreja, bem entendido) qualquer outra data do calendário sagrado.
Aliás, este périplo pelos santos dá aos nossos novos líderes uma oportunidade única de iniciar os representantes do FMI na teologia, mas também nas tradições e na gastronomia de cada região. Convém que não se esqueçam de lembrar que o Santo António de Pádua, na realidade é o de Lisboa, Fernando de Bulhões nascido no início do século XII e a quem é atribuído o dom da ubiquidade, o que poupa imenso em transportes, sendo além do mais o consumo de sardinhas um incentivo à produção nacional.
Esclarecem-nos, de seguida, que o S. João (Baptista, que o Evangelista é em Dezembro) é o patrono dos empresários do Norte, e que já o S. Pedro revela a solidez de pedra da nossa economia.
É claro que vai ser preciso mais latim para traduzir o significado do Corpo de Deus, mas nada comparado com a sabedoria e o parlapiê que implicará fazer entender porque é que paramos de trabalhar para celebrar o Dia de Portugal Falido. Mas, também, se não forem capazes de os fazer entender coisas tão simples, estão perdidos à partida.
NOTA: Este artigo alia alguma ironia com dados religiosos. Há muito tempo que se fala na conveniência da redução do número de feriados e na celebração dos restantes durante o sábado ou o domingo mais próximo. Neste momento estamos perante umas mini-férias, principalmente em Lisboa e muitos outros concelhos: Na sexta é o Dia de Portugal, depois segue-se o sábado e o domingo e, na segunda, é o dia 13 feriado municipal do Santo António. E o mês não fica por aqui, pois há os dias 24 e 29 que além de serem feriados municipais em muitos concelhos, são tradicionais dias de festa e noitada.
Quando ao Dia de Portugal, espera-se que o PR, para ser coerente com as suas palavras de que se deve produzir mais e melhor e se devem aumentar as exportações, condecore empresários que mais exportaram, que mais empregados têm, que paguem uma média salarial mais alta, que paguem mais impostos, etc. Isso seria um estímulo visível para desenvolver Portugal.
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A crise pode dar boas lições
As dificuldades, quando bem ultrapassadas, dão experiência e capacidade de racionalizar cada fase de um fabrico industrial ou de produção agrícola. Aquilo que vinha sendo feito por tradição, sem bem avaliar o método e sem se procurarem soluções alternativas pode sair da crise muito beneficiado, com melhorias de rendibilidade.
Em muitas actividades, em que a agricultura pode ser o caso mais grave, os produtores estão muito dispersos e descoordenados, trabalhando cada um por si, o que aumenta os custos de produção e as dificuldades da comercialização, de que se aproveitam intermediários em sequência desordenada que encarece o preço no consumidor.
A esta conclusão já chegaram os produtores de cereja que se associam para exportar em maiores quantidades e começam a mostrar-se interessados na criação de associações ou de cooperativas, embora estas há cerca de meio século tenham deixado fracas recordações.
É pena que a pouca escolaridade dos agricultores não tenha sido devidamente compensada por uma assistência mais eficaz por parte dos técnicos da Agricultura e da Economia, mas talvez a pressão dos intermediários, bem organizados e mais influentes, tenha impedido a adequação das estruturas de distribuição e a sua sujeição a regras mais racionais e propícias à justiça social, com benefício para produtores e consumidores.
Em todo o caso esta notícia já constitui um sinal de evolução que merece ser realçado.
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Prefira nacional, que seja bom
Transcrição de artigo, seguida de NOTA:
Não basta ser nacional, tem de ser bom...
08 | 06 | 2011 19.33H. ISABEL STILWELL | EDITORIAL@DESTAK.PT
Se a crise servir para corrigir o provincianismo com que tantas vezes, e ao longo de tantos anos (melhor dito, séculos!), achamos que «estrangeiro é que vale a pena», terá pelo menos uma vantagem. Se, ainda por cima, nos levar a ter consciência de todas as coisas fantásticas que nos pertencem, que inventámos e produzimos, melhor ainda.
Mas é preciso que esse apelo patriótico a consumir nacional, reduzindo assim o peso das importações, e a valorizar o que é nosso, venha acompanhado de uma enorme exigência com a qualidade do nosso trabalho, do brio investido naquilo que fazemos e na capacidade de potenciar o talento, o nosso e o de com quem nos vamos cruzando. Não é falta de horas no local de trabalho, nem tão pouco o excesso de férias ou feriados, que explica a situação económica, mas, tantas vezes, a ineficácia da gestão desse tempo e a acomodação a uma rotina pouco criativa.
Foi para vencer essa inércia e para valorizar os bons exemplos e o que temos de melhor, que decidimos celebrar o Dia de Portugal com uma edição Especial Made in Portugal, pensada e produzida pela equipa do Destak, afinal o primeiro jornal gratuito português que este ano faz 10 anos, a única marca de imprensa portuguesa exportada e que conta já com três ‘irmãos’ no Brasil: o Destak S. Paulo, Rio de Janeiro e Brasília.
Queremos fugir à bipolaridade, a doença nacional que nos leva a oscilar entre a euforia do «somos os maiores», destinada habitualmente a consumo externo(estilo vídeo ‘para finlandês ver’, para mais cheio de erros), e a depressão, traduzida na maledicência permanente, no deita abaixo movido pela inveja. Queremos ter orgulho no que fomos, mas acima de tudo no que somos e vamos ser.
NOTA: Este artigo veio em sintonia com reflexões de longa data. O consumidor, principalmente em período de crise, deve aprender a gerir a sua vida, as suas compras respeitando o valor do dinheiro, sempre escasso, comparando os produtos de que necessita nos aspectos de preço e qualidade. Por isso, sempre que tenho oportunidade de conversar sobre a campanha «prefira produtos nacionais», digo que o consumidor é responsável pelas suas decisões e deve comprar o que mais lhe convém. Não será moral exigir que um consumidor compre um produto nacional, que seja fabricado por empresa de capital estrangeiro ou que o empresário não produza com qualidade e rigor, pague mal aos empregados, demore a pagar aos fornecedores, e procure aumentar os lucros que utiliza em despesas de ostentação. Haja moralidade.
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quarta-feira, 8 de junho de 2011
Máquina do Estado irá engordar mais?
Estamos numa fase da vida nacional em que não podem ser dados passos errados, pelo que os efeitos das decisões devem ser previamente perspectivados, com muito rigor, a fim de a crise não se agudizar, pois o desejo dos portugueses é que ela termine e se entre num ciclo de crescimento normalizado, em que haja confiança e esperança.
É corrente dizer-se que o excesso de despesas públicas constituiu o factor mais negativo da crise e, nesse sentido, Marques Mendes elaborou uma lista de institutos públicos que podem ser extintos. Por isso fica-se surpreendido quando se lê que Passos dá prioridade a criação de uma autoridade orçamental independente, que logicamente se irá sobrepor a serviços já existentes, criando mais confusão e menos eficácia na administração pública, além de mais despesas.
É uma boa norma em actividades de organização, procurar a máxima simplicidade compatível com a eficácia na prossecução dos objectivos. Daí resulta melhor funcionamento das estruturas e maior economia de meios.
Não foi por acaso que Sócrates há seis anos criou a ASAE, para substituir três instituições de fiscalização económica que estavam obsoletas, cada uma prejudicando a actividade das outras duas, com maiores custos, ineficiência e burocracia. O ex-PM estava, então, no bom caminho.
A situação actual é demasiado grave para se continuar a alimentar o descontentamento e o desagrado. Temos que nos unir todos para salvar Portugal. É certo que haverá erros, como os havia, mas a nossa reacção, até Portugal começar a recuperar, não pode assentar no negativismo. Há que criticar com a intenção de chamar a atenção para erros e, ao mesmo tempo, sugerir os caminhos correctos a seguir, a fim de se criar confiança e alimentar a esperança em melhores dias para nós e para os nossos descendentes.
Sem dúvida, que cada um de nós tem a sua opinião, o que é saudável, mas devemos usá-la tendo sempre presente no pensamento que é preciso recuperar Portugal para nosso benefício e dos vindouros. Nada pior, principalmente neste momento, do que as criticas divisionistas e demolidoras, só para denegrir e desprestigiar os governantes e minar a confiança e a esperança dos portugueses. Sem esta confiança, a esperança em dias melhores e o respeito por quem governa, não será fácil sair do buraco em que estamos. Tal clima tem que ser preparado por todos desde governantes até ao mais simples cidadão da mais isolada aldeia do país.
Não tenho saber nem credibilidade para «armar em educador do povo», mas não posso deixar de estimular a vontade de as pessoas se esclarecerem e procurarem conhecer o que se passa em seu redor. Evito expressar a minha opinião e não deixo de aqui publicar afirmações que considero merecedoras de reflexão, concordante ou discordante, independentemente dos seus autores.
Embora a Comunicação Social pareça estar eivada de vícios indesejáveis, é ela o veículo de informação de que dispomos e é imperioso que saibamos fazer filtrar pelo nosso raciocínio crítico aquilo que ela nos traz. Não devemos aceitar como certo aquilo de que tenhamos dúvidas, que não pareça correcto, que nos pareça intencionalmente exagerado ou aleivoso.
Portugal será maior se o povo estiver esclarecido, lúcido e a saber seleccionar aquilo que é correcto, segundo as suas próprias opiniões. E uma das nossas certezas é que queremos um Estado mais magro e desejamos ver eliminar as obesidades inúteis e prejudiciais.
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segunda-feira, 6 de junho de 2011
Requisitos Essenciais a Cumprir
Transcrição de artigo:
O novo ciclo
Correio da Manhã. 06-06-2011. 0h30. Por: Luís Marques Mendes, ex-líder do PSD
Acabou ontem um ciclo político que não vai deixar saudades a ninguém. A pesada derrota que os eleitores aplicaram ao PS é a prova disso mesmo. Os portugueses, quando conheceram a verdade, não gostaram do que viram.
E disseram-no de modo concludente. Em bom rigor, porém, mais do que a derrota de um partido – o Partido Socialista – esta é sobretudo a punição política de um homem – José Sócrates. É ele o grande derrotado de ontem. Por isso se demitiu. Em boa verdade, os portugueses cansaram-se do estilo, indignaram-se com a atitude e revoltaram-se contra esta forma arrogante, auto-suficiente e mentirosa de fazer política. É bom para a democracia, é bom para o exercício da cidadania.
Abre-se agora um novo ciclo. Um novo ciclo que Passos Coelho vai liderar depois da retumbante vitória de ontem. A vitória que o líder do PSD obteve foi particularmente importante. Não apenas pela dimensão categórica do resultado. Mas também pela forma como foi obtida. Com uma campanha de verdade, com um discurso sem demagogia, com um programa eleitoral a sério, nunca ocultando as dificuldades, resistindo à retórica fácil e ao compromisso de circunstância. Passos Coelho seguiu o caminho mais difícil. Fez bem. Se seguisse outro caminho, podia ter tido ainda mais alguns votos. Mas desta forma conseguiu obter o que doutro modo não lograria alcançar – uma autoridade maior e uma legitimidade acrescida para governar. Ninguém o pode acusar de não ter sido verdadeiro ou de passar ao lado do essencial. É um bom começo e um excelente exemplo. Próprio de quem tem sentido de Estado e noção das responsabilidades.
Olhemos agora o futuro. É agora que ele vai começar. Acabou o tempo da mentira e a atmosfera da ilusão. Nada será fácil mas também nada será impossível. Mas para não dificultar o que já de si é difícil há requisitos essenciais a cumprir. Rapidez na acção, um executivo maioritário, uma coligação formal entre o PSD e o CDS, uma equipa governativa de elite, um governo como deve ser – a pensar nas próximas gerações, não nas próximas eleições. Mas convém ter visão estratégica – são necessários entendimentos políticos com o PS, para fazer reformas essenciais. Nem a maioria de governo deve fugir a este desafio nem o PS deve furtar-se a esta responsabilidade histórica. Fechadas as urnas e contados os votos, é tempo de pensar no País. E já não é sem tempo.
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Etiquetas: disciplina, estratégia, método, objectivos
Sem Margem para Erro
Transcrição de artigo:
A dúvida razoável
Correio da Manhã. 06-06-2011. 0h30. Por: José Rodrigues, editor de Política/Economia
José Sócrates sai de cena ao fim de seis anos, pela força do voto dos portugueses, que recusaram dar uma nova oportunidade ao líder que conduziu o País para a quase bancarrota, preferindo apostar na mudança personificada por Pedro Passos Coelho. Mas a escolha não exclui uma dúvida razoável: será ele o homem certo, capaz de resgatar o País da profunda crise em que se encontra?
Só o tempo o dirá, mas para já há uma certeza: o mais difícil está para vir. Na verdade, a tarefa do novo Governo (previsivelmente de coligação PSD/CDS) é enorme, pois não basta aplicar as medidas draconianas impostas pela troika, honrando o compromisso assumido pelo Estado português, é preciso ir mais longe, e pôr Portugal a crescer.
Exige-se, para já, rigor nas contas e criatividade nas estratégias, e uma atenção particular ao problema do desemprego, que assume proporções cada vez mais dramáticas. Sob o "espartilho" da troika, o novo Governo não terá margem para errar, e Pedro Passos Coelho nem sequer poderá contar com a ‘lua-de-mel' dos recém-eleitos.
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Etiquetas: governar, rigor, sentido de responsabilidade
Uma Nova Etapa Nacional
Depois de seis anos, Portugal inicia uma nova etapa de estilo de Governo. As condições sócio-económicas em que a mudança tem lugar são uma fonte rica em ensinamentos e reflexões ao dispor dos novos escolhidos pelo povo para conduzirem a vida nacional.
Convém não se ufanarem demasiado com a vitória eleitoral e não se tornarem arrogantes e abusadores do Poder a que têm acesso, devendo pensar que muitos votos não foram de apoio a um projecto, a uma estratégia, mas de punição ao governo cessante. Esta punição mostra uma realidade muitas vezes despercebida de que os «donos de Portugal» são os portugueses e não os governantes, e estes apenas se limitam a ser intérpretes (por vezes pouco atentos) dos legítimos desejos dos cidadãos que devem procurar satisfazer da forma mais eficaz, em justiça social e em desenvolvimento e felicidade geral.
É indispensável inspirar confiança para aumentar a esperança numa rápida e sólida recuperação da actual crise e congregar todas as vontades para a reconstrução de Portugal. O povo é soberano e, agora, decidiu mudar de mandatários e, se as coisas não correrem a seu gosto, poderá haver mudanças por métodos menos ortodoxos, como temos visto recentemente em países geograficamente próximos.
A preocupação de agir com o mais rigoroso sentido de Estado e sentido de responsabilidade deve ser constante, mas a vontade de decidir correctamente, não deve ser travada pelo receio de errar, como por vezes se nota em altos responsáveis, pelo que é indispensável Pensar antes de decidir. Para bem decidir, um governante não deve isolar-se, mas conhecer a realidade de forma completa e imparcial. No entanto, é preciso não se submeter a pressões vindas de pessoas do género das que votaram sonolentamente, por unanimidad,e a «Lei da rolha» e que, logo a seguir, se arrependeram também por unanimidade.
Convém não colonizar a máquina do Estado em benefício de «boys» mas, sim, eliminar os tachos referidos por Marques Mendes , que foram fruto de acções de alquimia que transformaram o dinheiro dos impostos em riqueza para os amigalhaços do anterior governo. Mas à eliminação destes sumidouros de dinheiro público deve seguir-se um activo repúdio à repetição de tais sacrilégios.
E se ao nível político interessa dinamizar a coesão, o diálogo e o espírito de compromisso, para criar mais convergência de esforços e ultrapassar a crise, a nível geral, é preciso que a economia produza mais e melhor, que aumente as exportações e crie mais emprego. É urgente que a Justiça corresponda, em isenção e rapidez, às legítimas esperanças do povo, que a Educação prepare devidamente a juventude para os diversos sectores da vida profissional, cultural e científica e que seja organizado e posto em acção um eficaz combate à corrupção e aos crimes financeiros e fiscais.
O importante não é prometer, mas cumprir o prometido, governar sem despesas evitáveis e excessivas.
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Etiquetas: Democracia, governar, mais ética, sensatez, sentido de Estado
Recuperar Portugal é tarefa urgente
Transcrevo o comentário que acabo de fazer, ao correr do teclado, num post do blog Pulseira Electrónica.
Este texto parece-me demasiado duro e derrotista. Em democracia temos que respeitar a decisão do povo, assumindo que cada um votou livremente e segundo a sua consciência. Se estavam mal informados, haverá que preparar um novo sistema de informação e de educação, para melhorar a qualidade das suas atitudes e comportamentos.
Não votei no eleito, mas acho que, por dedicação a Portugal, não podemos exigir dele a perfeição absoluta, nem diminuí-lo de forma a reduzir a sua eficiência na condução dos destinos do País. Ele será o PM, responsável por conduzir o barco, sendo desejável que o aporte a bom porto.
Penso que a melhor atitude de um «doutrinador» será a de analisar séria e patrioticamente, «Onde Estamos? e Para Onde Vamos?». Depois, perante as realidades de cada momento, deve criticar o que parecer menos correcto e apontar as melhores soluções aplicáveis a casa situação.
Portugal está em crise extremamente grave e todos seremos poucos para o colocarmos no rumo certo em direcção ao objectivo do desenvolvimento para benefício de todos os portugueses, com a melhor justiça social, isto é, com a melhor distribuição dos recursos, e das oportunidades de felicidade.
A oposição deve encarar a realidade com o máximo de patriotismo, fazendo uma crítica construtiva, para bem da generalidade dos portugueses. Não interessa o derrotismo sistemático e obsessivo.
Devemos fazer um esforço para colocar de lado as nossas camisolas clubísticas e não esquecer, um só momento, que Portugal precisa do melhor de cada um de nós. Não devemos recusar ao País a nossa colaboração consciente, edificante e pragmática, tendo em vista objectivos imediatos e a longo prazo. O futuro distante não pode ser construído sem se passar pelo presente e pelo dia de amanhã.
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domingo, 5 de junho de 2011
Jovens em Destaque
Neste espaço, procura-se dar especial relevo a jovens que se distinguem em qualquer actividade útil para o futuro do País e da humanidade. O mundo de amanhã depende dos jovens de hoje e dele serão beneficiárias as gerações mais novas e as que hão-de vir.
Vários casos têm sido salientados e hoje não podemos deixar de referir o do estudante Simão Meneses João, aluno do 11º ano da Escola Secundária Jaime Moniz do Funchal (Madeira), que recebeu ontem o primeiro prémio, no escalão B, das XXVII Olimpíadas Nacionais da Física, ficando assim pré-seleccionado para uma formação específica na Escola Quark (Coimbra).
Como todo o homem de valor, o Simão é uma pessoa humilde, não tendo tempo nem disposição para se envaidecer e disse “Fiquei surpreendido porque achei que exigissem mais de nós nestas provas”, afirmando que “não esperava ganhar o primeiro prémio”.
Mas felizmente nas camadas mais jovens há gente muito válida para fazer progredir Portugal, assim os alquimistas do Poder o permitam. Além de Simão, ficaram ainda apurados para esta formação de preparação para as Olimpíadas Internacionais de 2012, na Estónia, mais 19 alunos do 11º ano, de todo o País.
No escalão A, no qual participam alunos do 9º ano, João Moreira, Diogo Flávio e Duarte Magano, alunos do Colégio Luso-Francês (Porto) foram os vencedores, que, ao contrário de Simão consideraram a prova “muito mais difícil do que se esperava”.
Explico a expressão «alquimistas do Poder». Alquimistas eram um tipo de «cientistas» que pretendiam transformar em ouro qualquer substância, como o caso do «Atílio» de uma novela brasileira que teve muita publicidade entre nós e que, com a sua monomania, passava todo o tempo na sua «tulha».
Os nossos governantes usam a alquimia para transformar jovens incapazes, sem preparação, inúteis, em milionários, nomeando-os assessores de gabinetes de Governo e de autarquias e dirigentes de instituições, serviços, fundações e organizações que mais não fazem do que servir para a alquimia do amiguismo que transforma os impostos dos portugueses em fortunas dos «boys» que nada produzem, nem impediram os erros que levaram à crise grave que estamos sofrendo.
Há quem sugira que, no acordo ortográfico, se introduza o termo de acessores, com C, que são aqueles que têm acesso , sem mérito nem concurso, nem merecimento a não ser o de família e de compadrio, a grande fortuna em pouco tempo, em prejuízo do País, dos portugueses que pagam impostos, directos e indirectos.
Outro efeito da tendência alquimista, e talvez ainda mais grave, é o de transformarem os indivíduos mais geniais, como estes de que agora se fala, em emigrantes de sucesso para benefício de Países bem governados, e não do nosso.
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sexta-feira, 3 de junho de 2011
Em que votar?
Votar é fazer uma escolha entre objectivos, programas, metas. É um empenhamento em algo que nos reforce a confiança, nos dê esperança num futuro melhor. E traduz-se em passarmos um cheque em branco, uma procuração com plenos poderes em alguém em quem confiamos para a realização do seu programa.
Mas isso é utopia, é fantasia, pois não há programa inteligível nem promessas realistas e, mesmo que houvesse, ficaríamos com as dúvidas, assentes em experiências recentes, se elas teriam algo a ver com as verdadeiras intenções e com as realizações, se nos meses seguintes viriam a ser concretizados ou não.
Nada foi apresentado e discutido em nome de Portugal ou dos portugueses e, como disse Jorge Sampaio, a Campanha fugiu do "essencial" com partidos a não dizerem como vão cumprir memorando.
Por seu lado Manuel Pinho mostrou-se sem esperança numa vitória e apela ao presumível vencedor, defende um novo Bloco Central e reconhece que «A crise moral em Portugal é muitíssimo maior do que a crise política», o que faz lembrar o seu gesto num plenário da Assembleia da República dirigido ao líder do Bloco de Esquerda.
E não devemos ignorar o aviso de Francisco Louçã: Sócrates traz "impostos no bolso"
E assim vai Portugal e ficamos sem saber em que votar, pois já sabíamos em quem nos convidam a entregar o cheque sem cobertura – candidatos a deputados alguns totalmente desconhecidos que constam de listas sem divulgação, sem as suas virtudes convincentes. Não são apenas eles a deixarem dúvidas, pois o regime que a tal nos convida não merece a mínima confiança. Não parecendo que ele se reformule por si, resta a vontade popular (como?).
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Etiquetas: Democracia, eleições, votar
Abusam dos nossos impostos
Foi agora denunciada uma situação escandalosa na Comissão Europeia, com abusos inaceitáveis do dinheiro público, como se pode ver nas notícias Do PÚBLICO, Comissão Europeia gastou oito milhões de euros em festas e jactos privados, e do Correio da Manhã, Bruxelas gasta 7,5 milhões em jactos privados.
Estes casos podem assemelhar-se aos abusos ocorridos entre nós e que estão na origem da lista com dezenas de institutos públicos que podem ser extintos publicada em 07-10-2010.
A imoralidade e desonestidade dos políticos torna-se escandalosa, pelo que há que moralizar os comportamentos, através de uma inspecção permanente e uma Justiça que em nome do bem público, actue sobre os abusadores que devem deixar de estar cobertos por imunidades e impunidades, em casos que devem ser considerados de direito comum.
Mas, como dizia Luís Campos e Cunha em artigo do PÚBLICO transcrito no blog POVO, Abstenção: não, «As instituições, como as universidades, os hospitais públicos ou os partidos políticos (e contrariamente às empresas em concorrência) não se auto-reformam. No caso dos partidos, é necessário que haja pressão da opinião pública de forma clara e, eventualmente, organizada para os partidos mudarem e para aparecerem mais alternativas.»
Por isso, parece tornar-se necessária a acção da população, de forma mais ou menos pacífica, mas necessariamente eficaz. A Tunísia e o Egipto deram o exemplo de que tal método é possível e eficaz. Mas não pode considerar-se o problema definitivamente resolvido, sendo indispensável a consolidação e o controlo posterior para evitar reincidências e agravamentos como o caos gerado em Portugal a partir de 26 de Abril.
Há que denunciar cada os casos de abuso dos cargos, principalmente quando se apresentam com efeitos gravosos para os cidadãos comuns.
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quarta-feira, 1 de junho de 2011
Greve na CP e contradições de alto nível
Poderá haver exageros e falta de rigor nos títulos das notícias dos jornais mas, provavelmente, as entidades supostamente responsáveis no sector, aos vários níveis, não estarão isentas, mesmo que imunes e impunes como é tradição.
Em 30 Mai às 14-27, surgiu o título Finanças garantem que já deram aval a acordo que motivou greve na CP.
Em 31 às 09-00, CP pede fim das greves mas nega ter aval sobre regime de excepção, parecendo haver contradição com a «garantia» dada pelas Finanças no dia anterior.
38 minutos depois, A contradição toma forma e CP convoca sindicatos para discutir polémico fax enviado pelas Finanças.
No mesmo dia, às 13-17, Ministro dos Transportes recebe administração e sindicatos da CP.
Menos de seis horas depois, Trabalhadores da CP anunciam manutenção das greves após reunião com o Governo.
Isto faz pensar em deficiências na definição de autoridade dos ministérios envolvidos, em fantasia no uso da palavra «garantia», em carência de clareza no diálogo ao ponto de não haver entendimento e, sobretudo, em geral desrespeito pelos direitos dos portugueses que usam os transportes da CP.
Estará a parte administrativa da CP bem organizada? Terá apenas o pessoal necessário, em todos os níveis, ao funcionamento da sua burocracia (que deve ser simples e eficaz), haverá boa definição das tarefas de cada pessoa, a começar pelo topo da administração? Serão os salários e outras mordomias ajustados ao trabalho exigido? Haverá um sistema justo de avaliação do desempenho? As normas disciplinares são aplicáveis a todos sem excepção nem adiamentos?
Estes requisitos não são utópicos e devem ser tidos em conta por se tratar de empresa que funciona com dinheiro dos portugueses para servir os portugueses.
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Etiquetas: CP, Democracia, governar, greve, verdade
