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quarta-feira, 15 de maio de 2013

QUEM MANDA NO PAIS? QUEM É EXPLORADO?


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sábado, 8 de agosto de 2009

Distribuição com exploração imoral

Por ter sido repetido tantas vezes, ninguém ignora que os produtos agrícolas e piscícolas são vendidos aos consumidores a preços que são por vezes mais de dez vezes superiores aos de saída da mão do produtor. Isso deve-se a cadeias de sucessivos distribuidores em que cada um insere uma margem de lucro excessivamente alta e traduz-se na exploração do trabalhador na produção e do consumidor que paga preços exorbitantes elevados e injustos.

Estes inconvenientes poderiam combater-se por diversas formas, sendo uma delas a de os produtores se organizarem (ao exemplo das cooperativas vitivinícolas) e criarem um esquema próprio de colocação dos produtos mais próximos dos consumidores, fazendo assim concorrência aos exploradores da distribuição que obtêm riqueza pessoal à custa de quem produz e de quem consome, sem aumentarem qualidade ao produto. Para esta solução, seria necessário apoio das autarquias, tal como acontece em Sever do Vouga com o mirtilo.

Chega agora dos Açores a notícia de que «Carlos César acusa vendedores de ficarem com o lucro dos pescadores» em que salienta a necessidade de "um maior sentido de justiça" na remuneração dos homens do mar, e critica as "graves distorções" verificadas na venda do pescado, que acabam por retirar grande parte do lucro "a quem trabalha".

Afirma que "temos assistido a situações em que o preço da primeira venda do pescado acaba por ser quatro ou cinco vezes menor do que aquele que representa a sua venda ao consumidor" e frisa que "alguém fica indevidamente, ou de forma exagerada, com essa remuneração acessória nos bolsos, em detrimento daqueles que trabalham na actividade da pesca".

Apesar da forma negativa como este político tem sido criticado no referente ao Estatuto dos Açores, temos que sublinhar esta atitude corajoso e muito pouco frequente no resto do País com que enfrenta os poderosos da economia que, sem oferecerem benefício aos produtos que exploram, obtêm injustificados lucros.

Portugal beneficiaria se todos os autarcas e demais autoridades seguissem este exemplo do chefe do Governo açoriano e tomassem medidas práticas em defesa de quem trabalha na produção. É pena que os pomares tenham muita fruta não aproveitada e os portugueses estejam a consumir estrangeira. O mesmo se passa com a batata e outros produtos.

Portugal tem direito a políticos que defendam a sua população e não apenas os seus próprios interesses. Temos que acabar com a mentalidade do «Super-gajo modelo nacional».

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sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Cotação de mercado de combustíveis

Na sequência do post «Combustíveis. Gostava de ser esclarecido» deparei com o seguinte artigo da SIC Online, de ontem, que vem lançar alguma luz sobre a exploração dos consumidores pelas gasolineiras.

Gasolineiras cobram mais 5 cêntimos do que deviam

A SIC analisou as cotações de mercado que as gasolineiras dizem usar para definir os preços de venda ao público e descobriu que os consumidores estão a pagar pelo menos mais cinco cêntimos acima dos praticados quando, no primeiro semestre do ano, a gasolina e o gasóleo refinados estavam a preços iguais aos da semana passada.

Preço dos combustíveis. Gasolineiras não descem preços ao mesmo ritmo da descida das cotações de mercado

Lucros das gasolineiras: 1 milhão e 50 mil euros por dia

As gasolineiras garantem que os preços de venda ao público não resultam directamente do preço do barril de petróleo, mas das cotações no mercado europeu de produtos refinados - o chamado Platt´z.

Dizem também que o impacto chega aos postos de abastecimento portugueses uma semana depois.

Isto significa que, o preço do combustível que esta semana está a ser vendido ao público é uma consequência das cotações no mercado de Platt´z na semana passada.
Para avaliar o comportamento das gasolineiras, basta usar os argumentos das gasolineiras e ver quando é que as cotações no mercado de Platt´z estavam iguais à semana passada.

Em relação ao gasóleo refinado, na semana passada estava com uma cotação igual à praticada no fim de Fevereiro, que permitiu que uma semana depois o preço médio de venda ao público fosse de 1 euro e 23 cêntimos.
Mas agora tem estado a ser vendido ao preço médio arredondado de 1 euro e 31cêntimos, quase oito cêntimos mais caro, apesar de ter o mesmo valor de mercado.

Para a gasolina sem chumbo 95 é quase a mesma coisa.
Na semana passada estava no mercado de refinados ao mesmo preço da segunda semana de Abril.
Nessa altura, foi vendida a 1 euro e 40 cêntimos por litro. Mas agora os consumidores têm de pagar mais quase 6 cêntimos.

As gasolineiras argumentam que o preço não pode ser igual porque o dólar está mais caro.
E é verdade. A SIC fez as contas, conferiu com especialistas e pode garantir que o impacto da valorização do dólar aumenta o preço de venda ao público da gasolina e do gasóleo em cerca de um cêntimo.

O que quer dizer que as gasolineiras estão agora a ganhar pelo menos mais cinco cêntimos por litro na gasolina e quase seis cêntimos por litro no gasóleo.

NOTA: parece que não está a haver verdade, sinceridade, lisura, da parte das gasolineiras. Quanto às autoridades que deviam defender os interesses dos portugueses, não se vê capacidade ou vontade de actuar.

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Economia soberana

Texto recebido por e-mail de José Morais Silva

Ora aqui está a prova do que já se suspeitava há tempo.

Na ânsia de privatizar a EDP e a Galp (duas empresas de inalienável interesse estratégico para a soberania do País na área da energia), os “políticos” do PSD e PS foram vendendo as posições do Estado, todos contentinhos julgando que, com a invenção das “gold share”, ainda ficavam com alguma capacidade de controlo.

Vem agora a União Europeia informar que vai iniciar uma acção no Tribunal Europeu para acabar com essa ilusão.

O próximo passo vai ser a privatização da CGD, deixando então a Banca à rédea solta.
É tempo de começar a pensar numa acção em tribunal, posta pelos cidadãos Portugueses para exigir responsabilidades aos autores destas privatizações que retiraram ao Estado a sua capacidade de regulação.

Veja-se a triste figura do Ministro da Economia, bem acompanhado pela dita Autoridade da Concorrência e a não menos cómica ERSE.

Já agora alguém que investigue quem são os elementos daquelas magníficas organizações que, supostamente, têm como missão zelar para que não haja abusos e quais os seus vencimentos e regalias associadas ao tacho que os partidos que passaram pelo governo lhes ofereceram, afinal, para só fazerem asneira ou estarem caladinhos!

Claro que, fiel à tradição, o nosso Presidente da República continua a seguir com atenção e preocupação o que se passa!

Para quando terá sua Excelência a conversa com o nosso Primeiro Ministro para lhe dar algumas “grandes linhas de orientação”?

NOTA: Repare-se na posição anódina do ministro da Economia em face da exploração das gasolineiras nos preços escandalosos dos combustíveis. (Ver o post «Combustíveis. Gostava de ser esclarecido»)

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sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Lei da oferta e da procura

Na economia de mercado, os preços resultam da lei da oferta e da procura, o que dá ao consumidor um papel importante nos aumentos ou reduções dos preços dos produtos de maior consumo. Mesmo quando funciona a especulação, ela utiliza esta lei, criando situações de oferta ou procura, menos realistas mas cuja aparência tem de ser credível aos olhos do mercado.

O petróleo aumentou devido a notícias que embora em parte reais foram artificialmente orquestradas e ampliadas para fins de especulação. Os consumidores reagiram racionalmente reduzindo os consumos, através de maior racionalidade na utilização da energia e no aproveitamento e desenvolvimento de energias alternativas. Os produtores e distribuidores de produtos derivados o petróleo sentiram a redução do consumo e, segundo a lei da oferta e da procura, não tardaram a baixar o preço do petróleo (ver aqui).

Convém não esquecer esta lição e aplicá-la a cada passo da nossa vida de consumidores. O consumidor, o cliente, tem muita força da vida económica, escolhendo os produtos que mais lhe interessam em qualidade e preço, no fornecedor menos explorador e mais eficiente, adaptando os seus hábitos de consumo conforme a conjuntura de modo a defender o seu poder de compra e dando o devido valor ao seu dinheiro.

Isto resulta mesmo com o império do petróleo!

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sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Pobres cada vez mais pobres

Transcrevo o artigo seguinte que traduz as dificuldades da maioria dos portugueses no estilo irónico que é habitual ao autor. No fim acrescento uma NOTA sobre este tema que julgo ser oportuna.

A proeza
Por Manuel António Pina

O Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social (pelos vistos, existe um Ministério da Solidariedade Social) assegurou ontem, naquele tom vitorioso que usam os treinadores de futebol de equipas dos "distritais" quando saem do Dragão, de Alvalade ou da Luz com uma derrota por menos de 3-0, que 90% dos reformados não irão perder poder de compra em 2008. E o sucesso, diz o Governo, é ainda maior isso acontecerá pelo segundo ano consecutivo.

O solidário Ministério chegou a essa conclusão fazendo contas aos aumentos das pensões inferiores a 611 euros (90% dos reformados vivem com menos, a grande maioria com muito menos, de 611 euros), que serão iguais à inflação "prevista" para 2007. O problema - há sempre um problema neste género de contas - é que, com tais aumentos, os reformados irão comprar o pão (que vai subir 30%), o leite (12%), pagar a electricidade e o gás (3,6%), os transportes (3,9%), e por aí fora, que a procissão ainda vai no adro, em 2008, e não em 2007.

Ora se passarão a comprar menos coisas com mais dinheiro, como é que os reformados (ó suave milagre da economia e da propaganda) não perdem poder de compra? E, mesmo se fosse verdade: era uma proeza assim tão grande o Governo ter conseguido que eles ficassem tão pobres como eram?

NOTA: O aumento dos preços obriga-me a continuar a tentar perceber qual é o conteúdo do «cabaz de compras» que o Governo, ou o Banco de Portugal, utiliza para calcular a inflação de forma a aumentar os salários de 2,1% quando tudo está aumentar muito mais do que essa percentagem. E os sindicatos acabam por aceitar esse número que lhes é imposto sem justificação honesta. Com as notícias que nos chegam, concluímos que a inflação deste ano não irá ficar abaixo dos 3%. E é por isso que o aumento esperado dos juros BCE virá a ser uma realidade. Andamos a ser explorados mais do que se estivéssemos em regime ditatorial e poucos se manifestam de viva voz contra os partidos que se coligam para partilhar entre si o bolo do PODER. Poucos se dizem determinados a entregar o voto em branco nas próximas eleições, como prova de desprezo pela autodenominada «classe política» e para que a percentagem de vitória acabe por ser reduzida ao mínimo, aos votos dos parasitas do poder, que já são demasiados!

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quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Como se calcula a inflação?

Notícia de hoje diz que as taxas de portagens da rede de auto-estradas da Brisa vão aumentar 2,6% em 2008, meio ponto percentual acima da inflação prevista no Orçamento de Estado. Há dias eram os transportes, antes tinha sido a electricidade. Nas compras de supermercado, sente-se o aumento diariamente. Mas, para efeito de estabelecer o Salário Mínimo Nacional, ela foi fixada, como em anos anteriores, em valor mais baixo do que acaba por ser demonstrado pela realidade.

A inflação, tal como a maioria dos conceitos, pode ser definida com base em realidades interrelacionadas: aumento de preços, aumento do dinheiro em circulação, redução do poder de compra do dinheiro, etc.

A sua medida faz-se através do valor de um cabaz de compras previamente definido e do qual se exclui os produtos mais sujeitos a choques de custo como alimentos e energia. A previsão do seu valor, como todas as previsões, assenta em pressupostos teóricos que apenas dão os resultados esperados se vierem todos a concretizar-se como os estudos previam. Portanto, a previsão é muito falível e insegura para servir como base a decisões que afectem a vida da população em geral.

Daí que, perante os casos concretos sucessivamente repetidos ao longo dos anos, se seja levado a não dar muita credibilidade a tais previsões. E, vistas as coisas a posteriori, verifica-se que todas as previsões feitas com a intenção de reduzidos aumentos salariais, foram muito inferiores às realidades.

Ler: Portagens sobem mais que a inflação

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quinta-feira, 27 de setembro de 2007

O défice tem as costas largas

Li hoje a notícia de que em 2008 o imposto sobre a gasolina vai aumentar, a fim de reduzir o défice orçamental. Isso irá acarretar aumento dos preços de todos os produtos que dependem deste combustível para o fabrico e o transporte.

O défice devia ser reduzido pela diminuição das despesas públicas. Mas os governantes não querem, não estão interessados em prescindir de parte dos seus benefícios, antes pelo contrário...

Os políticos deviam seguir o exemplo hoje noticiado dos médicos que prestam serviço nas urgências do Hospital Distrital Luciano de Castro, em Anadia, que «admitem prescindir de uma parte do vencimento para manter o serviço a funcionar» (Diário de Notícias, pág. 17).

Pelo contrário, os políticos aumentam o número de assessores, de assistentes pessoais dos deputados, criam comissões não produtivas, encomendam estudos para apoio de decisões já preparadas, renovam a frota automóvel, renovam as decorações dos gabinetes, etc.

Somos obrigados a concluir que os nossos políticos parecem tão estúpidos que não compreendem que pertencem a um País pobre sem petróleo, nem diamantes, nem recursos naturais importantes, e tão ambiciosos que, apesar disso, querem ultrapassar, em ostentação e gastos diversos, os seus parceiros dos países com maior PIB per capita.

E o povo contribuinte é que se lixa, tal como o mexilhão, tendo de apertar o cinto com sucessivos sacrifícios com o pretexto de ser necessário reduzir o défice que os políticos provocaram e aumentam com os seus abusos excessivos e incessantes.

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