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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Justiça britânica não teme os poderosos

Detido suspeito de envolvimento em fraude de 45 milhões
JN, 13 de Fevereiro de 2009

A polícia britânica anunciou quinta-feira que deteve um corretor da City de Londres por suspeita de branqueamento de dinheiro no âmbito de uma investigação a uma fraude que envolve 45 milhões de euros, refere a imprensa.

O suspeito, um homem de 60 anos com domicílio no condado de Essex, no sudeste de Inglaterra, foi detido segunda-feira pela polícia no âmbito de uma investigação à GFX, Capital Markets, uma empresa de corretagem que cessou actividade recentemente, indicou uma porta-voz da polícia da City.

Este corretor é suspeito de "branqueamento de dinheiro" e foi libertado posteriormente, depois de ter pago uma caução, precisou a porta-voz, que afirmou que a fraude era "importante" mas sobre a qual recusou dar mais pormenores.

Segundo o jornal The Times, que não cita fontes, a fraude envolverá 40 milhões de libras (45 milhões de euros) e basear-se-á num esquema piramidal.

Caso se confirmem estes dados, esta será a maior fraude no Reino Unido desde o início da actual crise financeira.

A polícia da City, que opera exclusivamente no bairro financeiro de Londres e é especializada na luta contra o crime económico, apelou aos investidores da GFX para entrarem em contacto.

NOTA: E por cá? Por cá os colarinhos brancos são uns anjos de virtude, nunca pecam. Vejam-se os casos Freeport, Vale da Rosa, Cova da Beira e outros de quem a Comunicação Social se vai fazendo eco, timidamente.

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quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Mais um bom exemplo a seguir

Antigo executivo da AIG condenado a 4 anos de prisão
Transcrição do Diário Digital

Um ex-administrador da AIG, a líder mundial de seguros que foi resgatada pelo Tesouro dos EUA, foi condenado a uma pena de quatro anos de prisão por falsear a contabilidade da companhia, avançou o Wall Street Journal.

O executivo em causa Christian Milton, era vice-presidente na divisão de resseguros da seguradora norte-americana. Segundo a mesma fonte, Milton e outros quatro executivos da General RE foram considerados culpados num processo que investigou falsificação de contas.

Além da pena de prisão, a sentença que recai sobre Christian Milton inclui uma multa de 200 mil dólares, por comprovada participação num esquema de manipulação de números relativos às reservas inscritas no balanço financeiro da AIG.

NOTA: Um óptimo exemplo a seguir por cá. Há que acabar com imunidades e impunidades do Poder, seja político, económico ou financeiro. A lei deve ser rigorosamente adoptada para todos, independentemente do seu estatuto social ou financeiro. Ninguém deve ser considerado ou considerar-se superior à lei.

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terça-feira, 30 de dezembro de 2008

A Justiça está doente

O procurador-geral da República, Pinto Monteiro, segundo notícia de hoje do DN, vaticina: a criminalidade violenta pode aumentar em 2009. Atribui o agravamento ao desemprego e à exclusão social. E evidencia preocupação face a um tipo de crime específico: o económico - como a corrupção, branqueamento de capitais, desvio de fundos, fraude fiscal ou peculato - aquele que considera o mais difícil de combater.

Quanto ao crime económico, para o qual a procuradoria está mal preparada, o PGR desafiou ainda os deputados a alterarem a lei, facilitando a colaboração entre o Ministério Público e os supervisores, e tornando-a mais estreita, de forma a que o sentimento de impunidade seja menor. Mas parece que esta «sugestão» não se sintoniza com as preocupações prioritárias dos deputados, como se deduz do tempo já decorrido desde que se começou a falar da gravidade da corrupção e sem haver ainda uma estratégia de combate eficaz.

Mas, perante a criminalidade violenta e o crime económico, não basta apontar o dedo aos deputados, haverá também que reflectir sobre o funcionamento da Justiça. Segundo as notícias, tem havido demasiada benevolência para os criminosos em casos de homicídio e outros de grande violência, o que não serve de dissuasor.

Segundo notícia de ontem, o bastonário da Ordem dos Advogados referiu que o novo sistema de nomeação dos defensores que a Ordem introduziu acabou com as nomeações de advogados através de "processos que geraram suspeitas sobre a isenção e os critérios de escolha" destes profissionais. E pôs fim às suspeitas de "favoritismo" ou "compadrio". E também fez duras críticas, nomeadamente à reforma da Justiça, ao novo mapa judiciário e ao "excessivo" poder dos juízes.

Os magistrados não gostaram das palavras de Marinho e Pinto que apelidaram de corporativistas, mas não mostraram consciência da necessidade de incrementar a eficiência da Justiça para fazer face à situação actual e previsível. Parece não haver dúvidas em espíritos bem pensantes independentes de que a permissividade e paralisia da Justiça, não acompanhando a evolução do crime tem sido um factor não negligenciável para a situação referido pelo PGR nas suas previsões para 2009. Parece ser urgente repensar o papel da Justiça perante os cidadãos honestos e tomar medidas convergentes para a máxima eficiência no desempenho desse papel.

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segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Um ricaço a contas com a Justiça na China

O mais rico empresário da China continental, Huang Guangyu, foi detido por alegada manipulação de acções de uma empresa controlada pelo seu irmão. Com 39 anos, tem uma fortuna estimada em cerca de 5 mil milhões de euros e é presidente da Gome ("Guo Mei"), cadeia de lojas de electrodomésticos, uma das marcas mais conhecidas da China, com 1.300 lojas em mais de 300 localidades, e emprega cerca de 300.000 pessoas.

Os lucros da Gome aumentaram 111 por cento em relação a igual período de 2007.
Huang Guangyu é também investidor imobiliário e encabeçava a última lista anual dos "Mil mais ricos da China", divulgada o mês passado.

Como outros milionários chineses, Huang Guangyu (Wong Kwong Yu, como é conhecido em Hong Kong e Macau) começou a carreira quase a partir do nada.

Os muito ricos nem sempre alcançaram alta situação económica por mérito, por comportamentos exemplares, como efeito de virtudes, como a notícia refere. Entre nós também abundam referências a casos muito suspeitos, nas notícias da Comunicação Social dos últimos tempos. Porém na China, tal como em casos citados no post Lições do dito «Terceiro Mundo», haverá, certamente, uma condenação adequada na proporção do crime e não na proporção inversa à riqueza do arguido, como é vulgar acontecer por cá.

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sexta-feira, 7 de novembro de 2008

E o que dizem os economistas honestos?

Maria José Morgado, directora do Departamento de Investigação de Acção Penal de Lisboa (DIAP), que há oito anos sugeriu publicamente "a eliminação dos paraísos fiscais", o que na altura foi um escândalo, voltou a fazer a mesma afirmação. Sublinhou que, agora, "até Durão Barroso defende o controlo ou o fim" da aplicação global do dinheiro sujo.

Segundo ela, os paraísos fiscais financiam o narcotráfico, o tráfico de pessoas, a pedofilia e a pornografia. São muitos e especializados. Em tais destinos, acrescentou Morgado, "depositam-se subornos, erguem-se fortunas ilícitas, lava-se dinheiro". Nessas "fortalezas o terrorismo usa as mesmas técnicas do crime económico".

As palavras de Maria José Morgado, não trazem novidades. Pergunto quem é que não concorda com ela? Quem se opõe ao que ela preconiza? Então, porque razão os políticos e economistas dos países ditos civilizados não estabeleceram normas que os eliminem?

O que dizem a este respeito políticos e os economistas honestos? O que têm feito para tornar a actividade financeira mais ética e mais segura, menos atreita a crises como a actual?

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