Portugal precisa de mais um salto em frente
(Publicado no semanário O DIABO em 27-03-2018)
20 de Março de 2018
Portugal precisa de mais um salto em frente
(Publicado no semanário O DIABO em 27-03-2018)
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A. João Soares
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Etiquetas: antes e depois, decisões, estratégia, futuro, projectos
Conta-nos uma parábola que certo dia a mentira e a verdade se encontraram.
A mentira disse para a verdade:
- Bom dia, dona Verdade!
E a verdade foi conferir se realmente o dia estava bom. Olhou para o alto, não viu nuvens de chuva, vários pássaros cantavam e assim, vendo que realmente era um dia bom, respondeu para a mentira:
- Bom dia, dona mentira!
- Está muito calor hoje, disse a mentira.
E a verdade, vendo que a mentira falava verdade, relaxou.
A mentira então convidou a verdade para se banhar no rio. Despiu-se das suas vestes, pulou para dentro de água e disse:
-Venha, dona Verdade, a água está uma delícia!
E assim que a verdade, sem duvidar da mentira, tirou as suas vestes e mergulhou, a mentira saiu da água, vestiu-se com as roupas da verdade e foi-se embora.
A verdade, por sua vez, recusou vestir-se com as vestes da mentira e, por não ter do que se envergonhar, foi nua que saiu, a caminhar na rua.
Constatou, porém, que, aos olhos das pessoas, era muito mais fácil aceitar a mentira vestida de verdade, do que a verdade crua e nua.
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ONU sem poder nem credibilidade
(Publicado no semanário O DIABO em 20-03-2018)
O Secretário-geral da ONU, profundamente triste com o sofrimento da população civil em Ghouta Oriental", pediu a "suspensão imediata" de "todas as atividades de guerra" na região.
Em 18 de Fevereiro, o Conselho de Segurança da ONU, por votação unânime, aprovou a interrupção de combates. Em 26 as Nações Unidas denunciaram "matadouros de seres humanos".
Em 28 de Fevereiro, apesar da anunciada trégua humanitária, ainda não saíram civis de Ghouta oriental. E foram relatados confrontos. E como, agora, na Síria estão em confronto interesses de duas grandes potências, de forma mais ou menos visível, com assento permanente no Conselho de Segurança e com poder de veto, a situação, por pequeno atrito, pode agravar-se e acabar por levar o Mundo a nova grande guerra.
Este facto demonstra a incapacidade e a inutilidade da ONU, sem poder nem credibilidade, para impor a paz onde ela é urgentemente necessária. Quando há fortes interesses em jogo, a sua actuação tem sido um fracasso. Não impediu as duas invasões do Iraque, tendo a segunda sido feita por motivos inexistentes pois não foram encontradas as armas de destruição maciça que lhe serviram de pretexto e o Presidente foi morto e o país ficou em guerra que ainda não cessou completamente, com inúmeros mortos e a destruição de património histórico mundial. Também não impediu a destruição da Líbia que ainda não está recuperada do abalo que lhe matou o Presidente.
Isto é consequência de a ONU sofrer de uma doença congénita, pois, quando substituiu a Sociedade das Nações, tomou a forma de uma ditadura sem credibilidade e sem merecer o respeito dos países, ao criar o Conselho de Segurança com autoritarismo ditatorial, na mão de cinco membros permanentes e com direito a veto. Isso tem sido notado, nomeadamente, no facto de a não disseminação nuclear não ter sido respeitada porque nenhum desses cinco estados poderosos tem moral para evitar que um pequeno país se dê ao luxo de criar uma arma nuclear, como está a acontecer com a Coreia do Norte e já aconteceu com outros Estados. Deviam ter sido esses cinco a dar o exemplo, destruindo as que possuíam. Se o tivessem feito, comprovadamente e com a merecida publicidade, a partir daí, ficavam com poder moral para impedir a disseminação. Como não o fizeram, a ameaça de violência não pára, e que, a maior parte dos casos, tem o apoio visível ou dissimulado de um ou mais desses cinco poderosos. Com as novas armas em experiência, usando a inovação oferecida pelas modernas tecnologias, talvez decidam desmontar as armas nucleares e de produtos químicos, mas não deixarão de proibir aos outros Estados a posse de novas armas. A propósito, os nano-drones vão ser menos espectaculares e ruidosos, mas dispõem de poderosa capacidade de destruição selectiva, As próximas gerações terão problemas mais terríveis e complexos do que a nossa. E nada pode evitar asneiras de quem muito pode!
A Síria tem dado oportunidade para as potências se provocarem, porque o autoritarismo de Assad concretizado em Março de 2011 com forte repressão em massa e cercos militares contra manifestantes pró-rebeldes que se levantaram contra ele e o seu governo, aproveitando a Primavera Árabe,, originou uma grave guerra civil, que criou grande perturbação e, pelos vistos, ainda está longe da pacificação.
É estranho que os outros Estados se submetam obedientemente aos caprichos dos cinco e não exijam uma reforma da estrutura da ONU ou lhe dêem o destino que foi dado à Sociedade das Nações. Têm oportunidade para isso na Assembleia Geral a não ser que vão lá apenas para se mostrarem ou para fazer turismo.
Para terminar, aconselho a leitura do artigo do prof doutor Miguel Monjardino, "Tréguas na Síria baseiam-se num equívoco", publicado em 28 de fevereiro no Diário de Notícias.
António João Soares
13 de Março de 2018
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As sociedades mudam
(Publicado no semanário O DIABO em 13-03-2018)
Tudo na Natureza sofre ou beneficia de alterações, como o dia e a noite, as quatro estações, as marés, o clima, etc. Também as sociedades têm tido mudanças, embora lentas devido à resistência gerada por hábitos e tradições.
Na Arábia Saudita, o rei de 82 anos e o filho, Mohammed bin Salman, de 32, estão a fomentar grandes mudanças na sociedade, acabando com tradições muito arreigadas e que destoam no mundo actual. As mulheres passaram a poder mostrar a cara descoberta em público e a obter carta de condução de automóveis e estão em curso novas ideias mais ao tom de costumes ocidentais.
Também a África, para se defender das confusões das lutas político-partidárias, está a pôr fim à limitação de mandatos de presidentes da república, inspirados na solução histórica do Império do Meio em que a China, com tal sistema, teve grande poder internacional e um desenvolvimento da economia e da ciência da sua época, sendo uma referência histórica muito citada.
Em África, doze países, por circunstâncias diferentes, estão com condições propícias para os seus presidentes se perpetuarem no poder ao exemplo da China: Argélia, Camarões, Guiné Equatorial, Ruanda, Uganda, Burundi, Gabão, Congo, Togo, Zâmbia, Quénia e RDCongo. Estão inspirados no regime chinês e, porque não dizer, nas monarquias europeias.
A continuidade dos detentores do poder pode ser propícia a projectos e planos sustentáveis durante vários anos, com mais facilidade quando o poder não saltita, como uma caranguejola, segundo interesses oportunistas e variáveis por mero capricho. O mosteiro da Batalha que demorou 176 (1387 a 1563) anos a construir seria impossível no actual regime português. O mesmo quanto aos Jerónimos, cuja construção foi iniciada em 1501 e terminou em 1601.
Mas a continuidade, embora tenha vantagens para o desenvolvimento de estratégias sustentáveis, pode ter o inconveniente de o poder ser desempenhado por pessoa incapaz, fechada nas suas próprias ideias obsoletas, como aconteceu no Zimbabwé. Daí merecer divulgação o exemplo dado pela Arábia Saudita em que o regime do Rei Salman de 82 anos é mais aberto do que se pensa e, com o seu filho de 32, estão a mudar o país a velocidade surpreendente desenvolvendo projectos de modernização que superarão o fim da era do petróleo, que tem sido a principal riqueza nacional mas que está a perder valor. Este caso faz lembrar o nosso rei D. João I que, com o seu filho o infante D. Henrique, deram origem à época de maior esplendor de Portugal. Houve ideias estudos, planos, projectos e realizações consequentes e devidamente coordenadas que foram exemplares.
A democracia, contra toda a espectativa, em vez de ser o poder do povo, é na realidade o poder do chefe de partido que escolhe os candidatos a deputados de entre familiares, amigos, cúmplices e coniventes, os envolvem numa lista em que o povo, às cegas, coloca a cruz do seu próprio calvário, convencido de que é ele que elege os deputados, por pressão de promessas intencionalmente falaciosas que, só por mero acaso, algumas terão realização. E os que forem para o Parlamento, perdem a quase totalidade do tempo em jogos florais de mera propaganda, indiferentes aos interesses dos eleitores para o crescimento da economia e melhoria da qualidade de vida dos mais desfavorecidos.
Os pecados da democracia, tal como existe em muitos estados estão a levar ao regresso de regimes anteriores que se mostraram mais desejados. O Império Chinês está a ser inspirador de muitos países e, em Portugal, o Estado Novo está a ser recordado, com saudade, por muitas pessoas. Por exemplo, quando se fala da educação, muitos cidadãos recordam-se de que cada aldeia tinha uma escola primária com professor que dialogava com os pais dos alunos e, assim, fazia com que a proximidade contribuísse para um resultado benéfico para alunos e para as famílias.
António João Soares
6 de Março de 2018
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Etiquetas: PR, PR sem limitação de mandatos, sociedade
Acções precisam-se. Promessas com palavras balofas dispensam-se
(Publicado no semanário O DIABO em 6-03-2018)
Portugal precisa de acções concretas e não de promessas falaciosas, com palavras encantadoras mas vazias de conteúdo prático e concretizável.
Já em 18 de outubro de 2016, em Artigo no semanário O DIABO, referia os inconvenientes de «promessas e decisões anunciadas precocemente», mas a propaganda destinada a obscurecer as realidades e a enganar e iludir o povo continua a ser uma ferramenta diabólica nas mãos de governantes. Jogam com o adormecimento e a ilusão do povo, esquecendo que ele acabará por despertar da anestesia e modorra a que o submetem e, em consequência, perderá a confiança e o respeito por quem o governa.
A Comunicação Social vem colaborando com o Governo mas não pode evitar que as suas notícias sejam interpretadas por quem esteja com alguma atenção e interesse sobre a gestão dos interesses nacionais. Com efeito, no passado dia 18 de Fevereiro, o MAI em demorada entrevista, apresentou medidas, projectos e planos que não passaram de intenções ou promessas enganadoras (os próximos meses o dirão) sobre a prevenção de fogos florestais e preparação de um combate eficaz daqueles que não tenham sido evitados. Três dias depois, em 21 de Fevereiro, veio notícia de medidas (ou simplesmente promessas) tomadas pelo Ministério da Agricultura para fazer face à seca que parece aproximar-se de forma persistente. Ficou, desde logo, claro que a concretização dessas promessas ou medidas, mesmo que realizada, apareceria daqui a muito tempo.
Entretanto, no dia 24, segundo dados da Protecção Civil, estavam em curso pelas 13H45, no norte e centro do País, nove incêndios rurais, três em povoamento florestal e os restantes em zona de mato e terrenos agrícolas. Isto passa-se cerca de oito meses após a tragédia de Pedrógão Grande, o que faz perguntar: que medidas preventivas e de reforço do sistema de combate foram implementadas neste período de tempo? Se em oito meses nada parece ter sido feito, que esperança pode haver para a próxima temporada que iniciará daqui a cerca de 3 meses, ou que já começou como mostram os incêndios do passado dia 24? Que confiança podemos depositar em quem nos governa e que nos sobrecarrega com tantos impostos taxas e taxinhas?
Mas a falta de confiança não surge apenas daqui. Após os oito meses decorridos sobre Pedrógão Grande e os fracassos do SIRESPE, como explicar a falta de telefone fixo, em Vale da Ameixoeira, concelho da Sertã, um morador de 79 anos, com problemas de visão e cardíacos, teve de percorrer dois quilómetros a pé para poder ligar ao INEM, depois da mulher se ter sentido mal. Com esse esforço, o idoso conseguiu contactar os serviços de emergência, mas foi em vão porque quando os bombeiros chegaram, uma hora depois, já a doente Maria dos Santos tinha morrido.
Mas, oito meses depois da tragédia de Pedrógão Grande, aparece a notícia de que a «Anacom está a fiscalizar falhas nos telefones nas zonas afetadas pelos fogos»!!! Até quando durará esta fiscalização? Quando terminará a reparação das falhas verificadas? E que garantia temos de haver medidas preventivas para que elas não se repitam, sem apelo nem agravo? No entanto o ministro do Planeamento e das Infraestruturas afirmou a sua confiança na Autoridade Nacional de Comunicações (Anacom), que está no terreno a fiscalizar as condições de reposição do funcionamento dos serviços e sublinho que estes serviços são essenciais "para coesão territorial e para a vida das populações". Pois!!!
Pensar no futuro é prevenir acontecimentos como os que têm sido verificados. O verão que se aproxima pode ser seco e quente, propício para incêndios florestais. Prevenir é indispensável, e próprio de pessoas inteligentes e com sentido de responsabilidade e respeito pelas populações. Não é com promessas incumpridas que se melhora a qualidade de vida dos cidadãos.
António João Soares
27 de Fevereiro de 2018
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A ignorância pode destruir o pinhal
A comunicação de um líder com os seus seguidores deve ser didáctica, sincera, afectiva, sem falsidades nem fantasias.
A actual preocupação com a limpeza das matas, querendo-a fazer em prazo muito limitado, vai destruir o pinhal do interior do país, embora a destruição seja feita de forma diferente da provocada pelos incêndios, mas de forma total e definitiva, no curto prazo.
A limpeza que vai ser feita usa máquinas que além de cortarem as plantas infestantes e indesejadas, corta os pinheiros pequenos, com pouca idade, que deviam ser deixados crescer para, naturalmente, substituírem os que, dentro de pouco tempo, serão cortados ou, por efeito da sua idade, morrerão, secarão. E quando os pinheiros os desaparecerem, a mata ficará transformada num terreno árido, desértico. É isso que resultará do actual sistema de limpeza.
Limpar uma mara não é tão simples como limpar uma vinha, ou um olival ou um eucaliptal, em que basta arrastar a pá entre as fileiras das videiras, das oliveiras ou dos eucaliptos. Nasci e vivi 18 anos numa aldeia da zona do pinhal. Este estava normalmente limpo e não me recordo de ter havido qualquer incêndio em pinhais da região. A sua limpeza resultava da conveniência de aproveitar o mato, a caruma e os ramos mais baixos dos pinheiros, para a cama do gado, para fertilizar as terras, para queimar nas cozinhas e nos fornos do pão.
Mas, ao roçar, cortar, o mato, os trabalhadores mais experientes ensinavam aos principiantes o cuidado a ter para não destruírem os minúsculos pinheiros, que deviam crescer para manter o pinhal.
Dessa firma, e com a sabedoria dos veteranos, todo o pinhal tinha pinheiros de todas as idades e tamanhos e, de tal forma, o pinhal se mantinha no decorrer dos tempos.
Agora, com a pressa definida pelos governantes e com as máquinas a rapar tudo indiscriminadamente, o interior do país, ou zona do pinhal, passará a ser um deserto, dentro de breves anos.
Os governantes não estão a agir correctamente e estão a contribuir para a criação de tal deserto, principalmente, quando estabelecem prazos curtos e criam sentido de urgência. Depressa e bem não faz ninguém.
Deviam, antes, procurar didacticamente esclarecer as populações rurais, os autarcas, os bombeiros e outros defensores da natureza para a necessidade dos cuidados a ter para a manutenção da floresta, evitando acções, mesmo que bem intencionadas, que possam contribuir para a sua destruição pela acção do homem com as máquinas, usadas descuidadamente.
Por António João Soares, em 6 de Março de 2018
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Etiquetas: incêndios, limpeza da floresta, pinhal
Legislação laboral para o crescimento de Portugal?
(Publicado no semanário O Diabo em 27- 02-2018)
Fala-se de remodelações profundas na legislação laboral, mas tal problema parece estar a ser aproveitado para atritos no seio da geringonça, tendentes à valorização dos partidos mais pequenos face à posição do Governo. É curioso que não se evidenciam argumentos que mostrem vontade de criar benefício nas finanças e na economia nacionais e na posição de Portugal em relação aos outros países mais fracos da União Europeia.
É assumida a conveniência de o nosso País dever aproveitar inteligentemente a sua posição geográfica no centro do Ocidente entre as duas maiores potências económicas. Para isso, há que desenvolver a economia e aumentar as exportações, para o que devem ser atraídos investidores estrangeiros válidos que criem emprego e produzam para exportar.
Em dúvida, as máquinas de produção, apesar da evolução das tecnologias e inovações, ainda estão baseadas no trabalho, dando emprego a muitas pessoas com vontade de conseguirem boa qualidade de vida, de forma sustentável. Mas obsessão focada, cegamente, nas remunerações e nas condições do regime de trabalho, se for exagerada pode desencorajar investidores e gorar os desejos de desenvolvimento da nossa economia. Há que remodelar a legislação, mas sem perder de vista os interesses nacionais e sem desprezar totalmente as propostas da Concertação Social. Estas devem ser ponderadas com sensatez, por forma a melhorar a qualidade da vida dos trabalhadores e suas famílias e, ao mesmo tempo, estimular o investimento em empresas que contribuam para o melhor futuro de Portugal, isto é, dos cidadãos portugueses.
Reduzir a dívida, baixar o défice e tentar evitá-lo são também intenções que devem estar sempre presentes no pensamento dos governantes, como estão na mente de todos os portugueses medianamente informados. Mas nisso parece não se quererem comprometer os partidos que parecem mais interessados no seu sistema de financiamento e nas reformas de deputados e governantes, nos seus subsídios vitalícios e nas diversas formas de mordomias que desejam ver cada vez mais ampliadas, custe a quem custar. Para os «boys» não há falta de «emprego», com remuneração faraónica, mesmo que do seu «trabalho» não resulte algo para maior eficiência dos gabinetes e repartições a que são adicionados. Com efeito, dessa «mão de obra» não é visível resultado em projectos, planos e realizações das instituições em medidas tendentes a diminuir os riscos variados que ameaçam as populações ou aumentar a sua segurança física, social, de saúde, financeira, etc. Parece que quanto mais malta estiver sentada às secretárias menos (em proporção) são os efeitos práticos e valiosos para bem do País e que se reflitam na melhoria da qualidade de vida dos cidadãos. Apenas aumentam a burocracia e as palavras vãs, fantasiosas sem correlação com a realidade.
Por exemplo, aproxima-se a época dos incêndios florestais. Já passaram cerca de oito meses sobre a tragédia de Pedrógão Grande e ainda não há notícias de medidas tomadas, e de alguma realização iniciada, para prevenir os fogos que se aproximam e para combater, com rapidez e eficácia, os que ocorrerem, apesar da boa prevenção que venha a ser efectivada.
É nas realidades desconfortantes que os partidos devem concentrar a sua atenção a fim de serem evitadas ou, no mínimo, reduzidas as suas proporções. E deixarem de se sentirem felizes com as guerras intestinas «do alecrim e da manjerona» que pretendem apenas obter benefícios na competição entre si para atraírem apoiantes obscurecidos, por propagandas falaciosas e pouco honestas. Tais discussões sobre as leis laborais destinam-se ao engrandecimento do País ou aos melhores resultados eleitorais do respectivo partido?
António João Soares
20 de Fevereiro de 2018
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Etiquetas: crescimento, legislar, trabalho
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Etiquetas: globalismo, regionalismo
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Etiquetas: dinheiro
Perspectivas de a violência diminuir!
(Publicado no semanário O DIABO em 6 de Fevereiro de 2018)
Eisenhower, em Janeiro de 1961, alertou para o perigo que o complexo industrial militar representaria como elemento de pressão sobre governantes, por forma a manter as suas fábricas de armamento a funcionar. Ele, com a sua vasta experiência dos altos cargos que desempenhou, tinha a noção de que o negócio de armas pode conduzir a situações dramáticas. Mas os governantes em geral e os altos cargos militares comungam a debilidade de considerar as armas como a solução eficaz e definitiva para os grandes problemas internacionais, de que é muito citado o caso da segunda invasão do Iraque, em 20 de março de 2003, realizada com o pretexto de eliminar as armas nucleares que ali existiam e que depois não foram encontradas, mas que causou dramáticos resultados na população e no património histórico de importância incalculável e deu início a um conflito que ainda continua a fazer trágicos estragos.
Além de muitos casos, entre os quais, a controvérsia entre a Coreia do Norte e os EUA, a propósito de armas nucleares, o chefe do Estado-Maior da Defesa da Grã-Bretanha, Sir Nick Carter, pressiona o gabinete das Finanças para investir mais meios no departamento de Defesa, para evitar que o Reino Unido não venha a ser ultrapassado pela Rússia, que se está a tornar um inimigo muito poderoso.
Entretanto, surgem indícios de que os conflitos internacionais poderão passar a ser resolvidos com meios electomagnéticos, cibernéticos, que podem produzir efeitos nocivos na vida das pessoas mas não causam o pavor das armas de destruição maciça. Em 10 de Abril de 2016 um bombardeiro da frente russo Su-24 equipado com um o sistema de neutralização radioelectrónica de última geração paralisou no mar Negro, sem qualquer tiro convencional, o mais sofisticado sistema americano de combate Aegis instalado a bordo do destroier americano Donald Cook, armado com mísseis cruzeiro Tomahawk.
O destroier participava em manobras americano-romenas com missão de intimidar e de demonstrar força aos russos que estavam em acção na Ucrânia e na Crimeia.
O Donald Cook entrara em águas neutras do mar Negro, onde a entrada de navios militares americanos contraria a convenção sobre o caráter e os prazos de permanência no mar Negro de vasos de guerra dos países não banhados por este mar.
Por seu lado, Rússia enviou um avião Su-24 desarmado, mas equipado com um sistema russo de luta radioeletrónica de última geração para sobrevoar o destroier americano… O Aegis do destroier, ainda de longe, teria interceptado a aproximação do avião dando alerta de combate.
Tudo decorria normalmente, tendo os radares destroier calculado a distância até o alvo. Mas, de repente todos os telas se apagaram, o Aegis deixou de funcionar e os mísseis não receberam a indicação do alvo. Entretanto, o SU-24 sobrevoou a coberta do destroier, fez uma viragem de combate e imitou um ataque de mísseis. Depois fez uma volta e repetiu a manobra 12 vezes consecutivos. Perante a inacção do sistema, o navio teve de se deslocar em direcção à costa e depois à vista seguir para o porto mais próximo.
Isto é um sinal muito significativo de que a Rússia está a levar a cabo "uma guerra não convencional", desenvolvendo a possibilidade de danificar as ligações electromagnéticas. Quanto a guerras, este caso mostra que será vantajoso procurar solucionar conflitos com negociação, em vez de guerra e o mundo passar a ser mais harmonioso e pacífico. Mas, por outro lado, os meios da cibernética levantam outros perigos que exigem prevenção e formas de defesa adequadas, não só em guerra como na própria vida diária. E para essa evolução ou inovação, justifica-se o desejo de a Defesa britânica investir em novos equipamentos e formação de técnicos para não perder pontos na concorrência internacional.
António João Soares
30 de Janeiro de 2018
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Etiquetas: electrónica, guerra, violência
Respeito e amizade geram paz e harmonia
(Publicado no semanário O DIABO em 30 de Janeiro de 2018)
A importância do respeito pelos outros e do bom entendimento com eles é fundamental em todos os sectores e escalões da vida social. Sem a aplicação destes valores éticos, a vida dos humanos apresentará condições mais baixas e perversas do que aquilo que acontece com muitos grupos de animais ditos irracionais (por decisão de homens primitivos que repeliam tudo o que se lhes aparentava diferente).
Mas, se a frase do título se apresenta lógica e indiscutível a pessoas bem pensantes e serenas, a realidade mostra exemplos demasiado abundantes de que há muita gente, inclusivamente «responsáveis» por estados soberanos, que recusam tal verdade e preferem resolver as suas «desavenças» pela violência, sem olhar a consequências dramáticas, mesmo em pessoas inocentes e alheias ao problema.
Vi, há dias, a notícia de que na Síria, após a derrota dos terroristas do Estado Islâmico, em que houve apoios de vários Estados soberanos de grande destaque mundial, alguns de forma disfarçada por negócios de armamento, tem havido recentes actos de violência com pesadas baixas, entre facções oposicionistas do Estado Sírio. De acordo com a teoria da Democracia, as pessoas são livres de ter os seus pensamentos e opiniões, mas os valores colocados em relevo no título deste texto não retiram tais direitos mas defendem o dever de dialogar com os seus parceiros para, com eles, serem definidos os objectivos colectivos a procurar atingir, com espírito de equipa, para uma vida de melhor qualidade, extensiva a todos os cidadãos inseridos no mesmo Estado soberano.
Como se pode conseguir tal espírito de equipa? Ao encarar uma situação significativa que seja necessário resolver, deve ser evitado que a procura de solução seja efectuada por uma das partes mas, sim, obtê-la através de uma reunião com pessoas de opiniões diferentes, mas de olhos postos no objectivo do interesse colectivo a prosseguir, procurando uma solução com que todos acabem por concordar, depois de sucessivos retoques, com cedências de parte a parte. Tais negociações podem demorar algum tempo mas os resultados, pacíficos e agregadores, compensam e evitam os custos, de vária ordem, a que poderiam levar as discórdias e suas complicações.
Há vários Estados que estão e seguir esta modalidade, como se tem visto na Colômbia, em que foi conseguido um grupo oposicionista ter decidido pôr termo à luta armada e passar a cooperar com os superiores destinos da população a qual fica com condições de segurança e de entrega ao desenvolvimento de um futuro melhor para si e para os seus vindouros.
Seria bom para a Humanidade que as grandes potências, a nível da estratégia global seguissem métodos semelhantes, em vez de gastarem energias e capital em jogos de força de que, muitas vezes, os benefícios da vitória não cobrem os custos das campanhas de amedrontação que os precederam. A história tem demonstrado que, o vencedor de uma guerra, raramente colhe benefícios compensadores dos gastos havidos, das vidas perdidas e dos danos sofridos.
Por exemplo, ocaso entre os EUA e a Coreia do Norte, tem dado muito desgaste à economia coreana e prejuízo à evolução da qualidade de vida das populações, principalmente, das mais desfavorecidas. E pergunta-se que resultados espera o governo norte coreano que compensem tais sacrifícios suportados desde há demasiado tempo?
Para concluir, pode dizer-se que a procura dos valores éticos, cívicos e morais deve ser tentada para eliminar a loucura paranóica de tudo querer resolver pela imposição de soluções unilaterais à custa da mais cruel e incontrolada violência. A Coreia do Norte caiu nesse tipo de paranoia. Ao nível do Conselho de Segurança, mais parece haver ditadura do que democracia. Se a utilização de armas nucleares é brutalmente demolidora, como se compreende a intenção discriminatória de proibir a sua disseminação, favorecendo os cinco que as possuem, em vez de estes decidirem desmontar as que possuem e, depois, proibir que qualquer estado se dê à loucura de construir uma. Os técnicos ficariam libertos para se dedicarem a inovações benéficas para melhorar a qualidade de vida das populações, a sanidade, a defesa do ambiente, etc.
Haja respeito pelos direitos humanos de todos os povos e pelo bom entendimento que ultrapasse todas as diferenças.
António João Soares
23 de Janeiro de 2018
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Deputados, partidos e sistema eleitoral
(Publicado no semanário O DIABO em 23 de Janeiro de 2018)
A palavra Democracia tem gerado muita confusão por ter sido utilizada para finalidades e interesses díspares. Umas vezes é ligada à transparência e intenção de nada ser feito nas costas dos eleitores ou cidadãos, outras vezes é «servida» com decisões preparadas durante meses no «quarto escuro», como foi o caso da lei de financiamento dos partidos.
Afinal para que falar de transparência e de instalar no Parlamento um sistema de TV, pago com o dinheiro dos contribuintes, se ele apenas funciona para transmitir palavras vazias de real intenção e, muitas vezes, insultuosas para os partidos rivais?
A maior parte das actividades no Parlamento são meras perdas de tempo, para cidadão ver, com futilidades ou assuntos sem real interesse nacional e que servem para desviar as atenções dos problemas essenciais para a vida dos cidadãos, sendo deixados debaixo das cadeiras dossiers importantes para o debate dos urgentes interesses nacionais. Por exemplo, há meio ano, houve uma catástrofe devida a fogos florestais onde se evidenciaram carências de organização, de treino e de equipamento de bombeiros, de protecção civil, de comunicações eficientes e de má coordenação com a GNR para cortar, com oportunidade, o trânsito em estradas em risco, acabando por lá morrer dezenas de cidadãos. Mas meio ano é passado sem a AR debater as medidas a tomar para evitar desastre semelhante e, dentro de cinco meses, inicia--se nova temporada de perigo de incêndios e os senhores deputados esperam sentados à espera de milagre que evite os fogos. O enquadramento de instituições públicas é deficiente, com pessoas familiares ou amigas mas inexperientes e em treino adequado, do que resultam desastres como o de Pedrógão Grande.
Mas a partidocracia conseguiu, sem ofensas às mãesinhas do rival, preparar com unanimidade, fora do alcance das objectivas da TV e sem o habitual recurso aos jornalistas, uma lei para os partidos ficarem mais abonados financeiramente. Não são totalmente burros e têm habilidade de sobra para manobrar, com sigilo e segurança, e conseguindo que os colegas votem, sem saber o significado do voto que lhes é encomendado. Perfeita imagem do poder da partidocracia para agir em seu próprio proveito, sem olhar a meios.
Embora se queira convencer o povinho que os deputados foram eleitos pelos seus votos, que são os seus representantes e seus defensores, essa balela serve apenas para enganar os incautos, pois quem os escolheu foi o capataz do club que selecionou, a título de recompensa ou favor, os que lhe têm sido mais úteis e prestáveis, como arautos dos slogans de que são encarregados. São escolhidos os que mais contam para os interesses partidários, mesmo que não conheçam as realidades do país ou da região de que vão ser «representantes». Para eles, interesses nacionais são conceitos bíblicos para citar ocasionalmente por palavras que são esquecidas no minuto seguinte. No entanto, o povo vai despertando e acaba por perceber a malha com que o pretendem envolver e o resultado é o aumento da abstenção.
Mas o sistema eleitoral está preparado para isso e não existe vontade real para o alterar, para que, por exemplo, a escolha seja feita pelos eleitores de entre as pessoas em quem têm confiança e que tenham dado provas de seriedade e dedicação à causa nacional, como se passa na Grã-Bretanha. Entre nós, o eleitor vota às cegas confiante na escolha feita pelo líder do partido que é o todo-poderoso para tal votação e para o voto dentro da AR. E com tais ocultações de currículo e ausência de debates sobre as qualidades dos candidatos, têm sido eleitos assassinos, ladrões – um deputado após uma entrevista roubou os gravadores dos dois jornalistas – e muitos que misturam os interesses nacionais com os das firmas para que trabalham e jogam com a corrupção com completo à-vontade sem sentirem a vergonha e o receio de uma denúncia, aceitando ou pedindo ofertas de viagens ou de bilhetes para o futebol, etc.
António João Soares
16 de Janeiro de 2018
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Etiquetas: deputados, partidos, sistema eleitoral
Os "jornaleiros" NÃO ELEITOS - e o seu PODER EXCESSIVO
Por Miguel Mattos Chaves, 180119, recebido por e-mail do autor
Exemplo da "agenda" dos "jornalistas":
Ontem na Sociedade de Geografia, com 143 anos de existência, e que tantos contributos científicos tem dado a Portugal, o anterior Presidente da República falou durante 65 minutos, a convite da Comissão Europeia da Sociedade de Geografia, sobre a sua experiência de 1985 a 1995 de contactos com as Comunidades Europeias.
Contou alguns episódios muito interessantes, do que se passou na altura.
Descreveu passos importantes para a compreensão das Decisões então tomadas e nas quais participou, enquanto 1º Ministro de Portugal;
Concorde-se ou não com elas, e eu não concordo com algumas, como é público, tinha sido interessante que os Jornalistas (se ainda existem) lhe perguntassem algo sobre o tema, que influencia a vida de todos ainda nos dias de hoje;
…
Seria interessante que o público soubesse o que ele disse;
Seria interessante, pois isso contribuiria para uma melhor Informação dos Portugueses;
MAS …
- Quando eu pensava que o iriam fazer, ou seja, questionar sobre esse período e seus episódios, decisões e razões que a elas presidiram no seu espírito;
- Quando eu esperava que, pelo menos, lhe perguntassem algo sobre a complexa Actualidade europeia;
Fui surpreendido com o facto de os "jornalistas" presentes quererem apenas saber da "mercearia do dia";
- Isto é, sobre o que ele achava da nova liderança do PSD.
Esperavam com certeza que ele dissesse algo contra ou a favor, para depois explorarem isso até à exaustão. E só!
Dever de Informar? … Onde está?
Por estas, e por outras, eles, “os jornaleiros”, estão tão nervosos e incomodados com as Redes Sociais onde a Informaão realmente se faz e lhes passa ao lado, sem o seu “filtro”;
- e ainda bem acrescento eu, pois dispenso a sua “filtragem”!
(Isto embora nas redes sociais aconteçam também notícias falsas ou parciais;
MAS … é bom que saibam que isso não é diferente do que acontece nos órgãos onde eles trabalham).
Por estes factos, e por outros que um dia destes relatarei:
(1).- Era bom começarmos a pensar ... SE alguém elegeu esses "jornalistas"!
(2).- Era bom percebermos que (a maioria deles) ... querem (ou são obrigados) é defender os "interesses" dos seus patrões (também eles Não Eleitos)!
Na verdade, em vez de Informação, temos cada vez mais a dita Pós-Verdade (forma elegante de dizer: - Mentiras) - nos ditos Órgãos de Comunicação Social - ao serviço de Interesses estranhos á maioria dos cidadãos;
Ao Serviço sim dos seus patrões, ou das “Agendas” dos “jornaleiros”, que querem impor o Seu (deles) modelo de sociedade, sob a aparência de informarem.
Por mim sou muito claro!
(Os meus amigos e leitores, bem como os meus alunos sabem-no bem)
- É tempo de Regular Severamente este Poder … Não Eleito por ninguém!
Eu não os elegi e Não Lhes Reconheço o Poder de Decidir o que querem impingir às pessoas!
Eu não os elegi e Não lhes Reconheço o Poder de escamotearem a Verdade, em favor das suas opiniões pessoais.
Por agora digo só isto, embora tenha muito mais para dizer sobre este tema.
MAS … Uma coisa é certa:
- Há Censura Grave em Portugal, ... pois só passa o que Eles querem!
- Há Censura Grave em Portugal, ... pois só passam as opiniões das pessoas que lhes interessa promover!
- Há Censura Grave em Portugal, ... pois só passam, mesmo das Pessoas de quem eles gostam, as Opiniões que estão de Acordo com o que Eles “jornaleiros”, e seus Patrões, pensam ou querem impôr!
É tempo de dizer, também nesta matéria, que … o Rei Vai Nu!
Até quando?
Melhores cumprimentos
Miguel Mattos Chaves
NOTA:
«HÁ CENSURA EM PORTUGAL», pela mão de jornaleiros que, ao serviço dos patrões, passam ao lado da verdade, para impor as opiniões que querem. Este texto deve ser lido e relido para sabermos o emaranhado de acções de «guerra psicológica» com que estamos a ser intoxicados, por pessoas mal intencionadas.
https://domirante.blogspot.pt/2018/01/ha-censura-em-portugal.html
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Que partidos, que famílias e que futuro?
(Publicado no semanário O DIABO em 16 de Janeiro de 2018)
É muito desagradável que uma grande parte dos cidadãos eleitores, ao emitirem uma opinião sobre os políticos portugueses, usem palavras curtas mas de significado demasiado contundente.
É, por isso, urgente que os partidos comecem a preocupar-se com a imagem que apresentam publicamente, a fim de conquistarem a confiança dos eleitores e melhorarem a esperança que cada português deve ter no futuro do país onde, provavelmente, viverão os seus descendentes. Seria bom a que a acção didáctica exercida sobre os cidadãos – dos menos aos mais cultos – lhes criasse o desejo de imitar os bons exemplos vindos de cima, do alto da hierarquia político-administrativa. Isso levaria os eleitores a escolher, com mais fundamento e consciência, os seus representantes e defensores, com base nas qualidades que lhes reconhecem e admiram e, também, lhes orientaria os comportamentos, de forma mais condizente com os valores éticos e cívicos que infelizmente, parecem estar esquecidos de quem devia dar exemplo.
Os próprios partidos também estão a ser objecto de tais opiniões negativas mas, perante a actual lei fundamental, não se pode passar sem eles. Porém, cada um deve investir algum tempo e reflexão de equipa sobre os interesses nacionais, dos cidadãos, a fim de passar a dar primeira prioridade aos grandes assuntos nacionais aos quais devem ser subordinados os interesses privados do partido e dos seus familiares e amigalhaços.
Os exemplos vindos a público sobre algumas IPSS, subsidiadas abundantemente por dinheiro público, com dirigentes das famílias de políticos com ordenados principescos, e dando «emprego» a políticos, com o aval partidário, do governo e de autarquias são objecto de apreciações pouco abonatórias. E a sucessiva aparição de mais casos torna conveniente uma investigação rigorosa para aplicação de medidas correctivas e preventivas de repetição de escândalos. E, provavelmente, também haverá serviços públicos de que não se conhecem efeitos positivos para a vida colectica, a Nação, e que funcionam como palcos bem remunerados para indivíduos da partidocracia em que predominam familiares e amigalhaços, exigindo mais atenção talvez ao ponto de lhes ser aplicada a solução dada às três instituições que foram extintas para dar origem à ASAE.
Há muitos escoadouros, sem controlo, dos dinheiros sacados aos cidadãos através de impostos directos e indirectos, taxas e taxinhas. Uma boa análise da estrutura organizativa da máquina pública levaria ao encerramento de muita chafarica inútil e dispendiosa e a um melhor critério de nomeação de pessoal que deve ser selecionado pela sua preparação, experiência, competência, dedicação à causa pública, capacidade, sentido de responsabilidade, etc. A nomeação de familiares ou amigos para a função pública deve ser precedida de cuidados especiais, com garantia de que dispõem de visível superioridade em relação com os melhores concorrentes, para evitar posteriores crítica desagradáveis à imagem de quem nomeou. E, depois, todos devem ser avaliados pelos resultados do seu trabalho, que deve ser perfeito e útil ao país. As instituições para inspecções, auditorias e fiscalizações citadas pelo PM a quando dum caso ocorrido com uma IPSS devem ser também vigiadas para haver garantia da independência, do rigor e da honestidade como desempenham as suas funções.
Enfim, na partidocracia em que os portugueses vivem, há que definir as regras com deveres e direitos dos partidos, não imitar a aristocracia familiar destituída em 1910, mas construir um futuro ao nível dos tempos mais gloriosos da nossa História.
António João Soares
9 de Janeiro de 2018
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Etiquetas: amigalhaços, eleições, familiares, interesses nacionais, nomeações, organização, partidos, políticos, prioridades
Olhar para o futuro é imperioso
(Publicado no semanário O DIABO em 9 de Janeiro de 2018)
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Etiquetas: futuro, organizar, planear, preparar, prevenir, prever
Raríssimas ou vasta realidade!
(Publicado no semanário O DIABO em 3 de Janeiro de 2018)
O caso da Raríssimas foi muito badalado na comunicação e nas redes sociais, o que faz pensar que não se passou apenas um simples caso, mas talvez um alerta para complexo problema nacional que exige muita reflexão e procura urgente de medidas preventivas eficazes. Segundo o PM, o governo está consciente do seu dever e exercer poderes de inspecção, auditoria e fiscalização, através de instituição adequada, mas não parece ter garantias de que tal tipo de instituições seja constituído por pessoas competentes, experientes, sensatas com noção de responsabilidade e de honestidade e, por isso, neste caso falhou. Se as IPSS e outras organizações que têm fins sociais e dependem de dinheiro dos cidadãos, quer através do Governo quer através de dádivas de empresas, estivessem a ser devidamente inspeccionadas e sujeitas a multas ou coimas ou julgamentos judiciais quando fossem detectadas irregularidades de gestão ou desvios de dinheiro, o caso da Raríssimas não teria chegado ao ponto actual, apenas tendo sido conhecido por denúncia anónima de algum bom português movido pelo culto de valores éticos que têm caído no desprezo de muita gente ligada ao Poder.
Tais inspecções, quando competentes, não demoram a detectar em associações bem intencionadas e com fins humanitários que estão a ser dirigidas por pessoas sem adequada formação moral que colocam em primeiro prioridade os interesses próprios, de familiares e amigos e não têm rebuço em conquistar amizade e colaboração de políticos «ingénuos» que lhes dêm aspecto de prestígio e sirvam de alibi e camuflagem para não serem punidas pelos desmandos e abusos que correntemente praticam. Mas, parece que as inspecções, como tem acontecido com vários serviços públicos não assentam em pessoal escolhido com sério rigor de forma a não se deixarem cair em ciladas e saberem diferenciar a fantasia da propaganda, da realidade mais ou menos habilmente oculta e dissimulada. Não foi por acaso que os fogos ocorridos no último verão deram origem a substituição de alguns dirigentes de serviços públicos. Mas será que os novos dirigentes possuem a independência partidária, a formação, a capacidade, a competência indispensável para o correcto desempenho das funções? Ou trata-se apenas de dar «emprego» a amigalhaços para terem agasalho financeiro e aumentarem o currículo? Quando as razões são apenas de «tachos para boys», nada se melhora e o pantanal torna-se mais fétido e impermeável ao progresso de que o país precisa para construir um futuro digno e sair da crise em que andamos enterrados, apesar de alguém ter dito que o ano que agora termina foi muito saboroso, perante a ocorrência de mais de uma centena de mortos, por não ter havido uma eficaz campanha de prevenção de segurança nas florestas, deficiente organização dos serviços de combate aos fogos e carência de treino eficaz dos operadores dos serviços.
E, a depositar confiança na actuação de tais instituições de inspecção, auditoria e fiscalização, casos mais ou menos como o da Raríssimas poderão ser uma vasta realidade e continuarem a polvilhar o exagerado optimismo de quem considera o ano de 2017 muito saboroso. Se não houver uma reforma estrutural profunda que altere sadiamente os procedimentos do Poder, este pode perder totalmente os poucos motivos de optimismo com que se tem agradado. Sem essa reforma estrutural e sem fortes alterações nos comportamentos das chefias, o caso Raríssimas será apenas uma ponta da meada que irá trazer para conhecimento público a miséria moral em estamos a viver e a imagem do País sairá demasiado chamuscada com sérias dificuldades de recuperação.
António João Soares
26 de Dezembro de 2017
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Etiquetas: irresponsabilidade, má gestão, raríssimas
O Infarmed no Porto trará vantagens para os portugueses?
(Publicado no semanário O DIABO em 26 de Dezembro de 2017)
Perante as considerações apresentadas nos artigos sobre a preparação de decisões publicados no DIABO em 27Set2016 e em 12Dez2017, surgem algumas dúvidas sobre se a decisão de transferir a sede do Infarmed para o Porto, foi suportada por estudo apropriado, atendendo aos interesses nacionais encarados por diferentes ópticas.
Os interesses nacionais (dos cidadãos) beneficiam da mudança do Infarmed de Lisboa para o Porto? De que forma? O Infarmed desempenhará no Porto as suas tarefas funcionais melhor do que se continuasse em Lisboa? O conceito de desconcentração dos serviços públicos assenta simplesmente em mudar os locais de trabalho da capital para outro ponto do território nacional? Que novas atribuições são dadas ao Infarmed, estando no Porto em vez de continuar em Lisboa? Quais os custos que derivam de a sede do Infarmed ficar no Porto enquanto alguns dos seus departamentos permanecerem em Lisboa? Como contabilizar os sacrifícios que os funcionários do Infarmed vão ter de suportar com a mudança? De que forma a mudança «vai contribuir para um desenvolvimento harmonioso do país»? Quais os factores tomados em conta quando se fala de tal desenvolvimento? Como se explica que será mesmo uma decisão "técnica e estrategicamente muito inteligente»? Como está a ser encarada a reprovação dos trabalhadores relativa a uma eventual transferência e como se faz face ao “risco da continuidade da missão do Infarmed”? Se o Infarmed for dividido com direcção no Porto e os serviços em Lisboa, como pode continuar a cumprir a missão se costuma haver reuniões diárias com muitos dos dirigentes, pois as propostas para decisão da tutela significam milhões de despesa do serviço nacional de saúde»? Como substituir os funcionários que foram demitidos por não quererem ir para o Porto? Serão convidados para os substituir elementos amigalhaços, ex-jotinhas, sem experiência nem grau académico? E como corresponder à colaboração bilateral com instituições afins estrangeiras e que, segundo consta, são fonte importante de financiamento em troca de serviços altamente qualificados prestados pelo Infarmed? Enfim as dúvidas são infindáveis e, por isso, exigem boa análise, estudo e avaliação antes de ser tomada decisão ponderada e realmente inteligente.
Como o PR disse, a desconcentração ou descentralização dos serviços deve concretizar-se com vista a beneficiar os cidadãos em geral e não para suportar caprichos de políticos. Um tipo de descentralização desejável seria a de conceder às autarquias ou serviços regionais competência e responsabilidade por forma a que algumas decisões de interesse local fossem tomadas com menos demoras, não precisando de esperar muito tempo pelo desenrolar de burocracias demasiado pesadas e, por vezes, sem visão perfeita das circunstâncias locais ou regionais.
Já, em tempos, houve um governo que fez a brincadeira de transferir uma secretaria de Estado para Portalegre, chamando a isso descentralização. O resultado foi nocivo por apenas trazer demoras e incómodos, de que é exemplo a maçada e a despesa de o Secretário de Estado ter de, frequentemente, se deslocar a Lisboa a despacho e reuniões com o ministro. E quantos assuntos terão sido retardados para evitar um deslocamento por tão pouca coisa. Entretanto, houve um acto de lucidez e compreenderam que descentralizar um serviço não se resume a mudar a sua sede. Deve ser a reestruturação das suas atribuições de forma a apoiar melhor as pessoas que beneficiam do funcionamento do serviço.
António João Soares
19 de dezembro de 2017
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Etiquetas: Infarmed
Falta de água e o mar tão perto!
(Publicado no semanário O DIABO em 19 de Dezembro de 2017)
Um país com extensa costa marítima não tem motivo para se queixar de falta água. Pode faltar outra coisa, nos titulares da autoridade. Como podem os governantes aceitar tal carência de água como irremediável? Por exemplo, Viseu está a viver com água transportada por autotanques a partir de origens distantes. Várias localidades do País enfrentam problema semelhante, com custos elevados.
Mas, no entanto, temos uma extensa área marítima que, não só, é inesgotável, como até ameaça elevar o nível e alagar várias áreas costeiras.
Perante tanta inacção das autoridades, como poderão viver os portugueses, nos próximos anos se o clima nos obrigar a suportar uma seca continuada como a que temos vindo a enfrentar há vários meses seguidos?
Porque teimam em ignorar a existência, em vário locais do planeta, de instalações de dessalinização da água do mar, tornando-a potável, após um tratamento de género do efectuado nos depósitos das redes de água dispersos pelo País. A partir de tais instalações, basta utilizar condutas e centrais de bombagem que a levem a casa dos consumidores. Nada disso é miragem. A distância do mar ao interior não constitui obstáculo difícil pois a grande Lisboa consome água vinda da barragem de Castelo de Bode, a uma distância superior à maior distância entre o mar e a fronteira com Espanha.
Mas o sistema não aparece do pé para a mão, quando algum «inteligente do poder» o julgar necessário. Desde que surge o pensamento e é tomada a decisão até à sua utilização, passando pelo planeamento e pela construção da instalação e da rede de condutas, vai um período de tempo não desprezível. Por isso, dadas muitas previsões de que iremos ter secas continuadas, a implantação do sistema deve ser iniciada desde já, ou já devia estar em obras. Se esperarmos por um momento de crise irrecuperável só nos safamos se pedirmos e merecermos o milagre da água. Não podemos ignorar que as obras a realizar os equipamentos a instalar não se tornam utilizáveis com a velocidade imaginada pelo optimista utópico António Costa ou outro governante.
Já deviam estar em construção algumas dessas instalações de dessalinização e a adequação da rede de distribuição pelo interior. De que estão à espera. Para bem dos portugueses, da próxima década, desejo que esta sugestão seja levada a sério.
Mas podem surgir soluções satisfatórias e menos dispendiosas. É uma questão de conhecer a probabilidade de a necessidade vir a concretizar-se num futuro, mais ou menos distante, e a hipótese de os caudais dos rios se normalizarem.
Nessa alternativa, o primeiro-ministro admitiu, a prazo, a possibilidade de interligação entre bacias hidrográficas, como em tempos esteve pensada entre o Douro e o Tejo e que foi impossibilitada pela decisão imprevista da não construção da barragem de Foz Coa. Esta, com outras ao longo do percurso do mesmo rio, permitiria bombear a água excedente de uma barragem para a mais a montante, sucessivamente, e, ao chegar à área da nascente, seria encaminhada para o rio que parte da mesma zona para o Tejo, permitindo fazer face à falta de água do Alentejo. A barragem do Alqueva veio em parte compensar o fracasso de tal projecto.
Na mesma data, o PM sugeriu o estudo da possibilidade de ser generalizada a interligação das grandes barragens e albufeiras de maior capacidade para a regularização, bem como o aumento da capacidade de armazenamento da maior parte das barragens, e a possibilidade de construção de novas barragens.
Esta alternativa será prioritária, apenas, se o clima não sofrer alterações extremas que aumente a necessidade da dessalinização.
Mas, vale mais prevenir porque pode não haver possibilidade a de remediar, com oportunidade.
António João Soares
12 de Dezembro de 2017
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Etiquetas: dessalinização, falta de água, seca
Saber decidir é indispensável
(Publicado no semanário O DIABO em 12 de Dezembro de 2017)
Nas semanas mais recentes a comunicação social, usou persistentemente criticas a decisões que foram classificadas com adjectivos pouco agradáveis. Os termos menos duros foram de decisões que não foram «maduramente ponderadas e devidamente preparadas», que foram «tomadas sem debate ou sequer conhecimento prévio» e «condenadas à risota geral», de as posições terem sido tomadas em corrida sem preparação e um pouco em cima da hora», alguém afirmou que não consegue «identificar nenhuma razão válida que justifique» aquilo que define como o que «parece uma decisão irreflectida e mesmo irresponsável», juntou-se o alegre destrambelhamento a sublime incompetência», ignora-se «o que deve ser coesão nacional e o interesse estratégico para o país», «esquecendo o superior interesse de Portugal», «perante as eleições autárquicas, acharam necessário criar ilusões junto de um eleitorado igualmente tacanho e provinciano», esquecem que «os funcionários não são escravos do governo, «iludem as grandes questões nacionais, evitando o seu debate sério e consequente, adiando as decisões com sério prejuízos para o interesse nacional», «a ausência do debate estratégico interno obriga a andar a reboque dos acontecimentos», etc.
Isto magoa-me porque pretendo cumprir o dever de cidadão e dar a colaboração que me é possível para Bem de Portugal. É certo que ninguém é obrigado a ler os meus alertas e ainda menos em a aplicá-los, na vida corrente.
Mas recordo que no artigo publicado no Semanário O DIABO de 27 de Setembro de 2016, com o título «Preparar a decisão», apresentava uma metodologia que, como outras semelhantes, permite preparar decisões oportunas e eficientes para resolver qualquer problema do mais simples ao mais complexo. Usando o sistema indicado tem-se em vista a obtenção do resultado final e que se for concretizado será o mais adequado ao real interesse nacional. A preparação do futuro não pode deixar de ser uma preocupação persistente, permanente.
Basicamente, qualquer pessoa antes de agir deve colocar-se as interrogações O quê? Como? e para quê? Isto é, deve definir, com clareza e de forma que ninguém tenha dúvidas, o objectivo ou resultado pretendido. Deve descrever com rigor o ponto de partida, isto é, a situação vigente, com análise de todos os factores que devam ser considerados com influência na modalidade a seguir. Depois devem listar-se as diversas formas de solução possível a fim de, após judiciosa análise, ser escolhida a mais favorável.
Após ser tomada a decisão pela entidade responsável, há que organizar os recursos necessários à acção, elaborar o planeamento e programar as tarefas, com o máximo pormenor possível a fim de contribuir para a obtenção do sucesso.
Depois de iniciada a acção é indispensável uma supervisão, um controlo rigoroso e eficaz do qual pode resultar a necessidade de ajustamentos, para cuja decisão deve ser utilizada a metodologia atrás referida, por forma a não se perder a directriz que conduz à finalidade inicialmente pretendida e a ser obtido o resultado desejado.
A propósito de boas decisões, recordo as que foram tomadas por Jawaharial Nehru com apoio do pandita Mahatma Gandhi, após a independência da Índia, que eram decisões estratégicas, com olhos no futuro, com bom senso e grande inteligência que visavam objectivos que foram alcançados ao longo de boas práticas coerentes e persistentes, durante anos
Para obter mais pormenores sobre a metodologia referida deve ser lido o artigo publicado em O DIABO e, se não for fácil encontrar o jornal, poderá ser visto no blog onde foi postado após a publicação PREPARAR A DECISÃO
http://domirante.blogspot.pt/2016/09/preparar-decisao.html
António João Soares
5 de Dezembro de 2017
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Etiquetas: decidir
Situação no Ocidente e a lição da queda do Império Romano
(Publicado no semanário O DIABO em 5 de Dezembro de 2017)
A vida da humanidade tem recebido muitas melhorias devidas aos avanços contínuos das tecnologias. Mas as mentes dos políticos responsáveis pelos governos continuam aperradas aos vícios e incapacidades que existiam séculos antes de Cristo. Não conseguem analisar e tirar conclusões úteis dos desastres ocorridos devido a ingenuidade ou estupidez de alguns detentores de cargos públicos, ao longo da história.
A queda do Império Romano chocou o mundo na época, mas o que geralmente não é conhecido, hoje em dia, é que o exército gótico que realizou a atrocidade entrou no Império, trinta anos antes, como refugiado. Depois de terem sido atacados pelos Hunos vindos da Ásia Central, os Godos fugiram para Ocidente e cerca de 100 mil foram ajudados a atravessar o Danúbio em barcaças por Valens, imperador do império Romano Oriental sedeado em Antióquia, travessia que demorou várias semanas em operação muito onerosa.
Valens, ingenuamente, pretendia aproveitar esses jovens militares como um valioso conjunto de recrutas novos e baratos para suprir a baixíssima taxa de natalidade de Roma.
Mas, não surpreendentemente, dentro de algumas semanas após a sua entrada no Império, os primeiros confrontos com as autoridades romanas ocorreram e, no final do verão, os godos estavam em guerra com Roma. Após vários desastres militares, o imperador Valens fez um retorno precipitado a Constantinopla para assumir pessoalmente o comando da campanha defensiva e foi morto em batalha em Adrianópolis, em 378 - apenas dois anos depois de ter sancionado a imigração em massa.
Em 410 A.C, os muros de Roma foram violados e a cidade saqueada por um exército bárbaro sob a liderança de Alaric o Godo. A queda de Roma chocou o mundo na época, mas hoje esquecemos que o exército gótico que derrotou o Império, tinha nele entrado pacificamente trinta anos antes.
E hoje? Que esperamos dos refugiados? São muito poucos os políticos actuais que dão ouvidos ao que dizem pessoas previdentes como foi um filósofo político grego Synesius que publicou um tratado amplamente discutido sobre a emergência da época e as medidas que precisavam ser tomadas. Ele exortou o imperador romano a estimular a coragem de seus súbditos pelo exemplo da virtude masculina, a banir o luxo do tribunal e do povo, para evitar os mercenários bárbaros, criando um exército de homens para defesa das suas leis e da sua propriedade e para despertar o cidadão indolente de seu sonho de prazeres.
Pelo contrário, em Portugal até está prevista a construção de uma segunda mesquita no centro de Lisboa, a dois passos da Igreja de Nossa Senhora da Saúde, ficando esta ameaçada de ser destruída a curto prazo por atentado jihadista. E formando um gueto em plena baixa lisboeta.
Porém, há países onde os conselhos do grego Synesius foram analisados e aproveitados, como o Japão que «não tem problemas com o Islão», a Rússia com «a resposta de Putin ao rei saudita que pediu para construir uma mesquita na Rússia», a Austrália, a Noruega e a Holanda.
O Japão encara o assunto frontalmente, mais do que a Rússia, e tem 19 «mandamentos» para repelir a lei sharia porque a lei constitucional é única e igual para todos os residentes. Será benéfico para a humanidade de cada país ter um comportamento preventivo para não cair na cilada em que caiu Roma e e grande parte do Ocidente actual, com guetos que desprezam a lei e os costumes nacionais. Quem se desloca para outro país deve gostar ou, pelo menos, cumprir os seus costumes e a sua lei. «Na terra para onde fores faz como vires fazer se não queres aborrecer» diz um ditado antigo.
António João Soares
28 de Novembro de 2017
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Etiquetas: queda do Império Romano, refugiados