Os cães ladram e a caravana passa
(Publicado no semanário O DIABO em 170725)
No meio das múltiplas notícias sobre a tensão crescente entre a Coreia do Norte e os EUA recordei o aforismo dos tempos de criança «os cães ladram e a caravana passa». É desconcertante a atitude infantil do líder da Coreia do Norte ao querer trepar para um patamar que o coloque ao nível do presidente dos EUA. E é demasiado traquina ao ponto de não recuar ao ver o porta-aviões e a sua esquadra perto da costa. Mas também é pouco racional a atitude dos EUA de se mostrarem preocupados com a traquinice renitente de Kim Jong-Un que, por enquanto, não causou danos pessoais nem materiais.
Ter mísseis não é crime. É, apenas, a imitação de variados Estados que, como como a Coreia do Norte, são membros das Nações Unidas, que é considerada uma Instituição Internacional defensora das relações internacionais democráticas. Ter armas nucleares também não consta que seja crime e o exemplo vem dos próprios EUA, os quais já a utilizaram causando resultados catastróficos no Japão. É certo que o Conselho de Segurança tem imposto restrições a pequenos países a quem não concede os direitos que os cinco grandes – com assento permanente e direito de veto – usam ostensivamente e de forma nada democrática, considerando-os exclusivamente seus.
Mesmo que a Coreia do Norte, numa das suas experiências, por erro de pontaria, provoque alguns danos, não será original face aos estragos feitos pelos EUA em diversos pontos do globo em territórios de estados soberanos, como Iraque, Líbia, Síria, etc. Mas, se e quando houver tais danos provocados pela Coreia do Norte, então já é motivo para a resposta dura que está sendo prometida, ameaçadoramente, por Trump.
Mas é imperioso que seja seguida, com sensatez e inteligência, a sugestão da China e da Rússia de procurar por conversações, diálogo e outros efeitos da diplomacia, terminar a tensão existente e procurar uma convivência pacífica entre os Estados e que deixe de haver «miúdos traquinas a fazer e prometer perrices» só para irritar o graúdo. E um outro aforismo antigo diz «cão que ladra não morde» e aplica-se a ambos os lados das contendas de crianças.
Mas o norte-coreano tem obtido êxito com as suas traquinices levando a comunicação que temos a dar-lhe nome e imagem muito acima do valor e poder do seu pequeno país. Porém, apresar de tudo, convém não exagerar na escalada de ameaças verbais, para não correr o risco de ultrapassar a linha limite da paciência de uma das partes, principalmente da mais forte.
A propósito desta escalada de provocações, um recente artigo de opinião do principal jornal norte-coreano, o Rodong Sinmun, dizia que "os Estados Unidos afirmam que vão enviar de forma regular bombardeiros estratégicos para a península da Coreia, um acto tão disparatado como voltar a atear fogo em cima de um depósito de munições". Seria mais prudente que de ambos os lados, houvesse contenção e fossem desenvolvidos gestos significativos de desejos de harmonia e convivência pacífica, em condições serenamente definidas. Quem teria mais a ganhar seria, logicamente, o menos forte e, na sequência, toda a humanidade, por desaparecer este foco infeccioso qua ameaça graves perigos para o planeta.
António João Soares
Em 18 de Julho de 2017
quarta-feira, 26 de julho de 2017
OS CÃES LADRAM E A CARAVANA PASSA
Publicada por
A. João Soares
à(s)
14:59
0
comentários
Hiperligações para esta mensagem
Etiquetas: ameaças, bluf, provocações
terça-feira, 18 de julho de 2017
RISCO DE NOVO CONFLITO MUNDIAL
Risco de novo conflito mundial
(Publicado no semanário O DIABO em 170718)
O risco de uma nova guerra mundial tem vindo tornar-se mais iminente. Perdeu-se o respeito pela soberania dos Estados, actuando militarmente no seu território sem restrições de objectivos, nem de efeitos destrutivos. Desde a invasão do Iraque em 2003, por motivos irreais e afirmações que pouco depois não foram confirmadas, a situação no Médio Oriente tem sido agravada, sendo actualmente demasiado preocupante para a Paz mundial.
A Síria tem-se confrontada com uma oposição violenta que tem beneficiado do apoio dos EUA, com variações de processos, mas sempre declarados com a intenção de derrubar o Governo legítimo.
O agravamento desta hostilidade americana deu-se quando o Qatar, sendo um dos maiores produtores mundiais de gás natural l pretendeu exportá-lo para a Europa, passando o gasoduto através da Jordânia e da Síria, a Leste de Israel e do Líbano, para, depois, atravessar o estreito de Bósforo para a Europa, o que era apoiado pelos EUA. Mas a Síria onde já passava o gasoduto russo da Gazprom, foi aconselhada por Putin a não permitir tal passagem por isso lhe ir dar um forte concorrente e tirar-lhe o monopólio na Europa. Assad ficou entre dois fogos, de duas grandes potências.
Depois disso, a América não hesitou em apoiar a oposição ao regime Sírio e declarar o seu desejo de fazer apear o líder do país soberano. Incompreensivelmente, não teve relutância de apoiar elementos de um grupo activo da oposição ao governo que beneficiava da acção paralela d elementos do Estado Islâmico e de se contradizer na recente visita à Arábia Saudita, onde foi vender 110 mil milhões de armamento e onde empurrou os estados da área para eliminarem o terrorismo e aqueles que o apoiam. Logo se levantaram vozes a referir que o comprador das armas destinaria muitas delas para apoio ao terrorismo. O discutível bloqueio diplomático ao Qatar, o produtor do gás natural a que atrás foi referido, também é difícil de explicar. E mais difícil de perceber foi a venda que lhe foi feita pelos EUA de aviões caças, no valor de 21,2 bilhões de dólares.
Entretanto a China aconselhou os Estados do Médio Oriente a procurarem entender-se, usando a diplomacia e não a violência.
Mas os EUA não usam o diálogo, mas têm apetência pela força, como no dia 17 de Junho em que um caça-bombardeiro Su-22 Sírio, estava a atacar unidades das SDF (Syrian Democratic Forces), foi derrubado por um F/A-18E Super Hornet americano o que veio ilustrar o empenho de Washington em assumir o controlo das ações militares no leste da Síria e em negar a área à ação das forças de Damasco. A desculpa dada é que o caça-bombardeiro Su-22, estava a atacar unidades da coligação de milícias curdas e árabes patrocinada pelos Estados Unidos.
O acentuado agravamento que isto representa para a situação resulta de que Moscovo reagiu de imediato ao incidente ameaçando passar a tratar os aparelhos americanos, em ação na área, como elementos hostis e anunciando o corte das comunicações directas com o comando americano.
Significativo é que o derrube do Su-22 sírio surge na sequência de uma série de ataques americanos às forças fiéis ao regime de Damasco no mês de Maio, em particular no leste da Síria. No início de junho os EUA derrubaram um drone sírio perto de al-Tanf, na fronteira sírio-iraquiana. Em maio, aviões americanos bombardearam um comboio de forças sírias que se estariam a aproximar de uma base usada por milícias rebeldes e por forças especiais americanas. E, em setembro do ano passado, aviões americanos que diziam actuar contra posições do Estados Islâmico (EI) atingiram "por erro" tropas sírias, matando dezenas de soldados.
Neste momento as palavas e os actos de Trump e de Putin devem ser bem analisados para não sermos apanhados totalmente desprevenidos e, depois ficarmos espantados e surpresos com aquilo que acontecer.
Mas os perigos de guerra surgem também nas provocações à Coreia do Norte com vista e ela parar com as experiências com mísseis e com a preparação de armas nucleares, quer com porta-aviões e outros navios quer com aviões de combate, dois bombardeiros, em exercícios reais em território da Coreia do Sul perto da fronteira. Um jornal norte-coreano já alertou Washington para que «um simples erro ou mal-entendido pode conduzir à eclosão de uma guerra nuclear». Um outro jornal diz que tais provocações são «um ato tão disparatado como atear fogo em cima de um depósito de munições». Neste caso, tanto a China como a Rússia têm sugerido que será mais sensato recorrer à diplomacia para se aliviar a tensão existente e evitar um conflito armado.
Publicada por
A. João Soares
à(s)
14:19
0
comentários
Hiperligações para esta mensagem
Etiquetas: diplomacia, risco de conflito
terça-feira, 11 de julho de 2017
SERÁ QUE A RESERVA MORAL DA NAÇÃO ENFRAQUECEU?
Será que a reserva moral da Nação enfraqueceu?
(Publicado no semanário O DIABO em 170711)
A tragédia que afectou muitos portugueses do interior, principalmente da denominada «zona do pinhal», com os fogos florestais, deve ser motivo de boa reflexão. Foi um grande abalo, principalmente por terem sido criadas leis com medidas para os prevenir, mas que não foram concretizadas no terreno por não terem sido criadas condições adequadas. Com as alterações ocorridas nas técnicas agrícolas que tornaram menos utilizados os matos, a caruma e os ramos dos pinheiros, o que mantinha as florestas permanentemente limpas, os fogos tornaram-se mais frequentes e é incompreensível, perante tais evoluções, a decisão de extinguir a Guarda Florestal que teria um papel importante na supervisão do cumprimento das regras legisladas destinadas a evitar incêndios e, também como consequência, na mentalização das populações, autarquias e serviços inerentes à prevenção. E nada ficou com aptidão e missão para a substituir, nessas indispensáveis tarefas. A imposição das adequadas medidas preventivas reduziria a calamidade que, desde há vários anos, ameaça com gravidade crescente as vidas e os bens dos habitantes das áreas mais desprotegidas.
Mas, quase ao mesmo tempo desta tragédia, a Nação sofreu outro forte abalo, o da ineficácia das forças que em tempos foram denominadas «reserva moral da Nação». Por incúria, parece que continuada, mostraram que não são capazes de defender a Nação, pois nem sequer conseguem impedir que lhes furtem o armamento guardado em paióis que era suposto serem guardados de forma a torná-los invioláveis.
Quais as causas deste furto, como de outros já ocorridos nos seus quartéis e também na Polícia. Parece haver um enfraquecimento da disciplina, da dedicação ao cumprimento do dever, do sentido de responsabilidade, incutido na mente dos recrutas do serviço militar obrigatório (SMO). Mas este foi extinto como o foi a Guarda Fiscal. Parece doença endémica generalizada!
Desapareceu o culto da excelência e poucos procuram evidenciar-se pelos resultados excelentes das suas acções. Noutros tempos, não havia horário para, à tarde se sair das unidades, pois isso não dependia de relógio mas sim do «toque de ordem», quando a ordem de serviço já estava afixada nas vitrinas das subunidades. Não era muito utilizada a dureza da instrução porque essa era doseada por forma a dar importância à acção cívica, à disciplina, à actividade em trabalho de equipa com vista a objectivos e tudo isso orientado para o respeito pela Pátria, para a defesa do País e dos interesses colectivos. Era a procura da eficiência com vista à segurança das pessoas e dos materiais.
Há quem diga que os militares que se encontram de guarda aos quartéis, por receio de acidentes com arma de fogo, não têm condições para responder com a necessária rapidez a agressores violentos. E é preciso adequar as condições de actuação de sentinelas ao momento actual de ameaças de terrorismo e outros actos violentos. Há casos em que a reacção dos responsáveis pela segurança tem que ser imediata e adequada às circunstâncias. Portanto a instrução deve preparar o pessoal para reagir prontamente a situações críticas, sem perder a sensatez e o auto-domínio.
Resumindo, estes dois acontecimentos indesejáveis exigem dois tipos de decisões imediatas uma com efeito relativamente rápido e outra de resultados mais demorados mas sustentáveis no futuro. A primeira consiste em remediar os danos causados, com medidas adequadas. A outra traduz-se em analisar cuidadosa e rigorosamente as causas do sucedido e preparar medidas muito correctas e ponderadas para o futuro, a partir de agora, para colmatar os erros, omissões, falhas de organização, desleixos, irresponsabilidades, etc. que ocasionaram os acidentes. Assim se definirão lições de organização e procedimentos que evitem repetições de situações críticas.
Será bom que o sucedido no mês dos Santos populares seja bem aproveitado como lição e incentivo para serem realizados melhoramentos nas instituições públicas por forma a terem mais eficiência nos resultados a obter, a bem dos interesses nacionais. Façamos tudo para bem da Pátria, que é de todos nós mas que muitos ignoram e desprezam. Defendamos todos e cada um dos seus sectores, desde a floresta até à força moral dos defensores de Portugal, que devemos defender em todos os aspectos, quer físicos e materiais, quer cívicos e morais. Façamos tudo quanto pudermos para tonificar a reserva moral da Nação, para darmos ao mundo novos exemplos de bem-fazer, como diria Luís de Camões se ainda fosse vivo.
António João Soares
4-07-2017
Publicada por
A. João Soares
à(s)
20:27
0
comentários
Hiperligações para esta mensagem
Etiquetas: capacidade, competência, dedicação, perfeição, responsabilidade
terça-feira, 4 de julho de 2017
A ÉTICA DEVE SER SEMPRE RESPEITADA
A Ética deve ser sempre respeitada
(Publicado em O DIABO em 4 de Julho de 2017)
O valor de um ser humano depende fundamentalmente da sua interacção com os outros, isto é, da ética ou civismo com que se comporta. Isso manifesta-se de múltiplas formas, em diversas ocasiões, em que o respeito pelos outros é posto à prova.
Na circulação rodoviária há o código da estrada que define os deveres e direitos de cada um e são definidos por lei, entre muitos outros aspectos, o direito de prioridade e a proibição de estacionamento em condições que afectem os direitos de circulação de outros. Para o movimento de peões não existe um código semelhante e, por isso, deve haver ética e preocupação de não prejudicar o direito de os outros usarem o espaço público, com o máximo de comunidade.
Estou a recordar-me daquilo que se passou comigo, há algum tempo, no acesso à Estação da CP do Rossio. Como vinha fazendo desde algum tempo, saía do Metro dos Restauradores, entrava para a estação e subia a escada rolante. Naquele dia em frente da entrada estavam duas senhoras, talvez mãe e filha, tendo saído ou querendo entrar, que tinham alguma hesitação e conversavam (ou discutiam) e dificultando que outra pessoa entrasse ou saísse sem ter de as empurrar para um lado. A seguir, um casal estava a impedir o acesso à escada rolante que subia, sendo preciso dar-lhe um toque no braço e dizer «com licença, faz favor». Dias depois, neste segundo local, um indivíduo, a caminhar para trás, ao mesmo tempo que conversava com outras pessoas, obrigou-me a dar um salto para não tropeçar na perna dele e cair. Tal queda poderia ser danosa para um octogenário.
Estes casos não são raros, infelizmente, e demonstram impreparação de muita gente para viver com respeito para com os outros tal como desejam para eles. Uma distracção pode ocorrer, mas não deixa de significar falta de civismo, de ética, de educação.
Mas nem tudo é mau. Gosto de dizer «obrigado» e de fazer algo que me dê o prazer de ouvir essa palavra sempre agradável. Una dias depois do atrás referido e quando andava a reflectir sobre o caso, ouvi-a duas vezes dita de forma simpática. Às 08h00, na fila de espera para a Loja do Cidadão, estava à minha frente um mais idoso do que eu, apoiado numa bengala e mexendo as pernas mostrando incomodidade de estar em pé, como havia uma esplanada com cadeiras, aconselhei-o a sentar-se numa e que eu lhe guardaria o lugar na fila. Esta foi-se movendo por acomodação das pessoas e, às 08h30, iniciou-se a movimentação decisiva, olhei para trás e vi o sr já de pé, mostrei-me para saber onde eu estava e lá tomou o lugar inicial, com um obrigado. A segunda vez, depois de almoço, descia uma calçada muito inclinada com passeio estreito, com carros estacionados e vi que uma senhora vinha a subir, com a fadiga própria da inclinação da via, e para não termos o incómodo de ambos pararmos e nos espremermos para passar, parei num espaço mais folgado e esperei que ela passasse e ouvi o reconfortante obrigado.
Enfim, não é difícil ser amável e, muitas vezes, ouve-se o prémio da ética. Ouvir um «obrigado», «faz favor» ou outra amabilidade semelhante reconforta e dá energia para enfrentar as dificuldades da vida.
Mas o relacionamento de harmonia e paz deve também existir entre os Estados e é justo que se cite o exemplo dado pela China que se preocupa muito com a boa harmonia entre Estados, como o tem demonstrado em vários casos. Antes do século VII a.C. iniciou a construção da emblemática muralha para evitar a invasão de Mongóis de outras tribos nómadas, evitando guerras. Mesmo assim, a Mongólia invadiu o seu território durante quase todo o século XIII, mas conseguiu que saísse. Também, tendo no século XIX sofrido duas invasões pela Grã-Bretanha, na «guerra do ópio», conseguiu libertar-se dos invasores.
Também depois da II GM se conseguiu libertar da invasão pelo Japão. Em 1 de Abril e 2001 interceptou no seu espaço aéreo um avião espião americano EP3 que, entretanto, chocou com um dos caças chineses, que acabou por cair no mar com o piloto, e obrigou-o a aterrar na ilha de Hainan, tratando com humanidade os seus tripulantes e permitindo a sua retirada cerca de duas semanas depois.
Não consta na história que a China tivesse desencadeado qualquer guerra e merece destaque o acto de o Governo chinês ter recomendado em 05-06-2017 aos países árabes que se "mantenham unidos", face à decisão da Arábia Saudita, Egipto, Emiratos Árabes Unidos e Bahrein de romperem relações diplomáticas com o Qatar, e depois de Trump, durante a sua visita à Arábia Saudita, ter incitado ao recrudescimento da luta contra os apoiantes do terrorismo. Segundo a China, esses países devem gerir adequadamente as suas diferenças através do diálogo e consultas, e manterem-se unidos para promoverem, conjuntamente, a paz e a estabilidade regionais.
Assim, verificamos que a ética e o bom relacionamento devem ser tidos em consideração nas relações entre todos os seres humanos de qualquer classe social, até aos mais poderosos governantes.
Runa, 30 de Maio de 2017
António João Soares
Publicada por
A. João Soares
à(s)
20:40
0
comentários
Hiperligações para esta mensagem
Etiquetas: ética
quarta-feira, 28 de junho de 2017
REGIMES POLÍTICOS NECESSITAM DE REFORMAS
Regimes políticos necessitam de reformas
(Publicado em O DIABO em 27 de Junho de 2017)
Os sistemas eleitorais têm dado resultados pouco credíveis, pouco realistas e imprevisíveis e sem agradarem plenamente, o que nada abona a favor dos ideais democráticos.
Houve o caso português com o artifício de criar a geringonça. Nos EUA diz-se que o vencedor das eleições presidenciais não correspondeu ao detentor do maior número de votos. Em Espanha houve confusão nas legislativas de que resultou a demora de constituição de novo Governo e este só surgiu depois de novas eleições. Em França, na eleição presidencial acabou por se escolhido um candidato independente e de os partidos mais tradicionais e credenciados terem ficado derrotados. Agora, na Grã-Bretanha a vencedora não tem maioria absoluta no Parlamento e surgem muitas dúvidas quanto à capacidade de o brexit ser negociado com a UE de forma favorável aos interesses da Grã-Bretanha e já há quem receie que as cláusulas do acordo a elaborar sejam ditadas pela UE, sem respeitar interesses essenciais do Reino Unido, por estes não serem devidamente defendidos.
A doutrina democrática está em falência, com os partidos a perder prestígio e o sistema eleitoral a necessitar de profunda reforma. No horizonte, pairam sinais de que o mundo poderá estar a orientar-se para a ditadura, com o povo desorientado, pelo poder disperso democraticamente, e estar à procura de rumo para uma concentração na mão de um pastor todo poderoso, a quem o povo obedece, como ovelhas dóceis ou como crianças de colégio infantil que se deslocam em filas de dois, de mãos dadas, sob a vigilância de educadoras.
Mas, atenção, um tal regime exige regras e pessoas interventivas que apresentem sugestões e propostas que impeçam excessos autoritários que originem pior instabilidade do que a da democracia.
Será bom que surja um filósofo, doutrinador, que apresente boas hipóteses de solução e que escolha a melhor e a esquematize por forma a definir o objectivo principal de organização e regras de funcionamento.
Mas, entretanto, há que aproveitar todas as oportunidades para criar força anímica no sentido de as energias serem bem encaminhadas para objectivos essenciais, para olhar em frente. Porém, deve haver a sensatez de evitar que, ao dar um passo, não se entre em aventuras caprichosas sem estar bem consciente de que não haja desvios do trajecto que conduz ao resultado desejado. Porém, é preferível mudar do que ficar impassível no pântano até à putrefacção total. No nosso caso lusitano, há que dar valor à coragem, embora com resultados criticáveis, daqueles que fizeram o 5 de Outubro, o 26 de Maio e o 25 de Abril. E há, também, que analisar os erros cometidos durante aquilo a que os militares chamam «exploração do sucesso», há que agir após um planeamento para a acção e para o que dela resultará, a fim de se poder ir «mais longe e mais além». E, relembrando os Lusíadas, não é preciso ir «além do que permite a força humana», mas sim, fazer um bom aproveitamento de todos os recursos, humanos, materiais e tecnológicos a fim de recuperarmos a «Nação valente e imortal» pela qual todos ansiamos. Cabe a cada um de nós desenvolver o máximo esforço para assegurar o futuro dos netos e ninguém deve ficar sentado à espera que sejam outros a trazer-lhe, numa bandeja, um futuro melhor. Temos que procurar ir «para além da Taprobana». E nada de bom se consegue com violência. Querer combater a violência com mais violência é como querer matar a fome com mais recusa de alimentos. Pensemos nisto e façamos tudo o que pudermos, tudo quanto «permita a força humana».
Em qualquer gesto de reforma ou mudanças no regime, é conveniente não se limitar a pequenos retoques, isto é, há que se inserir numa visão de conjunto com vista a objectivos abrangentes para serem sustentáveis. Por exemplo, é opinião corrente que os partidos têm sido o cancro fatal da democracia, como ultimamente se viu em França e na Espanha, onde essas ferramentas tradicionais foram postas de lado por novos grupos. Oxalá estes saibam gerir melhor os interesses colectivos dos seus concidadãos. Em Portugal, o fenómeno ficou-se pela geringonça que, por ser constituída por partidos viciados no sistema, nada mudou no aperfeiçoamento da Justiça, na eliminação da corrupção, na recusa de obedecer aos poderosos da finança, na simplificação da administração despedindo «boys» que nada fazem (ou tudo complicam) e vivem a pensar no dia em que recebem o salário, na injustiça social, etc.
Haja vontade e amor pátrio e coragem para levar a carta a Garcia. Os cidadãos desejam e merecem que se faça tudo pela melhoria da sua qualidade de vida, em clima de Justiça Social.
António João Soares
Em 20 de Junho de 2017
Publicada por
A. João Soares
à(s)
20:26
0
comentários
Hiperligações para esta mensagem
Etiquetas: rgimes políticos necessitam de reformas
terça-feira, 20 de junho de 2017
A VIOLÊNCIA GERA MAIS VIOLÊNCIA, ÓDIOS E VINGANÇAS
A violência gera mais violência, ódios e vinganças
(Publicado em O DIABO em 20 de Junho de 2017)
Embora consciente de que não é fácil amenizar o lado selvagem da mente dos governantes das grandes potências, tenho repetido o alerta de que a violência não dá bons frutos e, pelo contrário, dá origem a mais violência em escalada imparável, a ódios e a desejos de vingança. Vemos a concretização deste fenómeno a cada passo como se viu com o atentado em Cabul em que um carro armadilhado matou pelo menos 90 pessoas e feriu cerda de 400, perto do Palácio Presidencial, onde se encontram várias embaixadas e edifícios do Governo, causando danos nas embaixadas da França e da Alemanha.
A confirmar a ideia atrás exposta, recordemos que em 13 de Abril, os EUA lançaram no Afeganistão a maior bomba não nuclear do seu arsenal, a «mãe de todas as bombas», alegando com fanfarronice que, com isso, iam eliminar o Estado Islâmico. Mas este, sem grande demora, reagiu e, no dia 22, perpetrou um ataque contra base militar, causando a morte a mais de 100 soldados afegãos.
E não ficaram por aí, pois em 3 de Maio causaram oito mortos e 26 feridos em ataque a caravana da NATO em Cabul. E no último dia de Maio, novo atentado em Cabul fez os resultados atrás referidos.
Mas se os governantes são os decisores de acções violentas de retaliação que activam o terrorismo e as acções violentas contra os direitos humanos à vida e à harmonia social, eles não são os responsáveis conscientes dessas suas acções, porque quem impõe as guerras e obriga os governantes a fazê-las são os fabricantes de armas. O general Dwight Eisenhower, nos últimos tempos de vida, alertou para o perigo que os milionários do «complexo industrial militar» representam para a PAZ e pela pressão que fazem sobre governantes e chefes de grupos terroristas e dissidentes oposicionistas, para aumentarem o seu negócio, para consumirem o veneno que fabricam.
Por isso um líder de grande potência, antes de decidir, deve ouvir pessoas clarividentes de vários sectores e as suas opiniões devem ser tidas em atenção e respeito. O Trump não tem cura e age por palpite, empurrado pela sua vaidade e ambição, mas sem raciocinar sobre o efeito dos actos que desencadeia. Era previsível que a «bomba mãe de todas as bombas» não iria terminar o terrorismo islâmico nem acabar com o Daesh, mas apenas um acto de violência, com efeito na propaganda, mas que, na realidade, seria mais uma jogada que incitava resposta e esta não demorou e com demasiados resultados graves.
Será que o abandono do Acordo de Paris constitui mais um erro, já condenado por todo o Mundo? Há quem preveja que, sem mais cuidados na redução da poluição, haja alterações climáticas cada vez mais graves, provocando doenças e mortes e aumento da emigração devida à desertificação de extensas áreas sensíveis. Erros de hoje produzirão tragédia para os nossos descendentes.
Quanto à intromissão nos assuntos internos de outros estados, deve ser muito bem ponderada preparando resultados positivos, com respeito pelos verdadeiros direitos das pessoas. Hoje, há diversos analistas a referirem os péssimos resultados para os estados visados e as áreas em que se encontram das destituições e mortes de Saddan Hussein no Iraque e de Muammar Khadafi na Líbia. Num e noutro destes dois casos, os resultados são visíveis na situação de guerra e de caos em que passaram a sobreviver as populações. Casos como estes devem ser tidos como lições sobre a necessidade de bom senso, racionalidade, sensibilidade e humanidade.
Prefira-se a negociação em vez da violência. Desenvolva-se a diplomacia, e mantenham-se os militares preparados para resolver apenas casos extremamente graves e excepcionais. Os diplomatas devem ser preparados e mentalizados para incentivar a procura de soluções por meio de diálogo e negociação entre as partes desavindas e servir de intermediários para conduzir as partes a encontros bem aceites. Evitem a violência e defendam o reforço da harmonia e da paz. Querer eliminar a violência à custa de mais violência é como querer matar a fome com mais privação de alimentos.
13 de Junho de 2017
António João Soares
Publicada por
A. João Soares
à(s)
15:02
0
comentários
Hiperligações para esta mensagem
Etiquetas: violência
quarta-feira, 14 de junho de 2017
IDOSOS PRECISAM DE SOLIDARIEDADE
Idosos precisam de solidariedade
(Publicado no semanário O DIABO em 170613)
Era o Sábado 3 de Junho e os residentes do Centro de Apoio Social, à hora habitual, entraram para o refeitório para tomarem o almoço. As mesas tinham uma disposição ligeiramente diferente e os de duas mesas foram transferidos para outras com lugares disponíveis. Já todos estavam sentados quando chegaram os elementos do grupo coral de cantares alentejanos «Lírio Roxo». O Director disse palavras simpáticas de recepção aos visitantes e o almoço iniciou normalmente e, após a sopa, o Chefe do Grupo respondeu às boas vindas com os seus artistas a entoarem um canto, dos muitos que são património cultural da humanidade. E, depois, tudo decorreu sem mais condimentos nem molhos.
Saídos do refeitório foram se dirigindo para o Bar e para a Sala de Leitura onde a arrumação das cadeiras tinha sido feita por forma a haver espaço para os artistas e para a assistência. Quando chegou a hora de iniciar, o Director fez um breve e simpático discurso que agradou a todos e o Coro iniciou com a primeira moda, finda a qual e terminados os aplausos, o Chefe respondeu ao Director e disse palavras amáveis aos presentes, alguns em cadeiras de rodas e outros um pouco alheios por estarem dominados pelos efeitos da doença.
Ao fim de várias modas, foi feito um intervalo para os cantores, o qual foi preenchido por uma acordeonista que entreteve a assistência com música variada que se prestou a que homens e mulheres dançassem. Alguns, depois de se afastarem das bengalas e canadianas, procuraram mover-se um pouco, com muito prazer e algum esforço. Um destes, a meio da canção, desistiu porque o esforço já era demasiado. A idade exige distracção, convívio e divertimento, mas dentro de limites que, em alguns casos, são muito apertados.
Depois da actuação da acordeonista, houve lanche e, a seguir, novos «cantes» alentejanos até ao encerramento.
Foi uma tarde bem passada, em ambiente muito agradável, sem qualquer discriminação entre residentes, empregados, artistas e familiares que se inseriram com oportunidade. Estas horas bem passadas com prazer para todos correspondem à problemática referida no meu texto publicado no semanário O DIABO em 21 de Março de 2017 com o título «Os idosos não precisam apenas de comer e dormir». Também, há poucos dias, li notícia que diz que, na Holanda, há regular apoio de jovens estudantes a lares de idosos, ao ponto de estes lhes darem alojamento para lhes facilitar conversarem e distraírem os idosos internados.
Realmente, o meu artigo tinha título correcto e merece ser devidamente interpretado e aplicado, dentro das possibilidades existentes, não apenas nos lares mas também em família, na vizinhança e em grupos de amigos. Acerca disto, transcrevo palavras do Papa Francisco sobre o envelhecimento, em que segundo Ele, se aprende coisas essenciais como «A felicidade interna não vem das coisas materiais do mundo… quando se tem amigos e irmãos, com quem falar, rir e cantar, isso é felicidade verdadeira».
Publicada por
A. João Soares
à(s)
07:32
0
comentários
Hiperligações para esta mensagem
Etiquetas: cante alentejano, Grupo Coral Lírio Roxo, Runa
sábado, 10 de junho de 2017
10 DE JUNHO
10 de Junho.
Hoje festejamos o dia da Raça ou de Camões, mas não basta recordar os feitos dos heróis do passado, é preciso olhar para a frente. E não se deve entrar em aventuras caprichosas sem estar bem consciente do resultado desejado.
Mas é preferível mudar do que ficar impassível no pântano até à putrefacção total. Há que dar valor à coragem, embora com resultados criticáveis, dos que fizeram o 5 de Outubro, o 26 de Maio e o 25 de Abril. E há que analisar os erros cometidos durante aquilo que os militares chamam «exploração do sucesso», há que agir após um planeamento para a acção e para o que se seguirá, a fim de se poder ir «mais longe e mais além».
E não é preciso ir «além do que permite a força humana», mas sim, fazer um bom aproveitamento de todos os recursos, humanos, materiais e tecnológicos a fim de recuperarmos a «Nação valente e imortal» pela qual todos ansiamos.
Cabe a cada um de nós o máximo esforço para assegurar o futuro dos netos e ninguém deve ficar sentado à espera que sejam outros a trazer-lhe numa bandeja um futuro melhor.
Temos que procurar ir «para além da Taprobana». Mas nada de bom se consegue com violência. Querer combater a violência com mais violência é como querer matar a fome com mais recusa de alimentos.
Pensemos nisto e façamos tudo o que pudermos, tudo quanto «permita a força humana».
Publicada por
A. João Soares
à(s)
14:53
6
comentários
Hiperligações para esta mensagem
terça-feira, 6 de junho de 2017
ECOLOGIA, AMBIENTE E RELIGIÃO
Ecologia, ambiente e religião
(Publicado em O DIABO em 6 de Junho de 2017)
De manhã fui num grupo à cidade próxima, onde uns aproveitaram para fazer compras e utilizei para tratar da actualização da morada no cartão de cidadão. Depois tirei algumas fotografias e visitei duas igrejas situadas nas proximidades do local de reencontro para o regresso.
De tarde, participei numa «excursão» para ver a procissão da quinta-feira da Ascensão, dia da espiga, que saiu e entrou na ermida da Nossa Senhora dos Milagres, situada num monte sobranceiro ao lugar de Milheiros da Freguesia de Dois-Portos. Vários aspectos me impressionaram e incitaram a meditar e a referir neste espaço.
A ermida, erigida no século XVI localiza-se no «vértice» de uma pirâmide ou cone, levando a nossa vista a muitos Km de distância independentemente do azimute para que estejamos virados. Só isto já merecia a viagem. Mas o interior da ermida possui revestimento de azulejos de reconhecido valor artístico e bem conservados, bem como as pinturas do tecto e a capela-mor, o que demonstra uma arreigada e continuada devoção da população local e da região.
O que mais me impressionou, foi a intenção da procissão, constituída principalmente por mulheres, a maior parte de idade madura, que percorreu por caminhos pedestres rurais os campos bem visíveis lá do alto em que durante uma paragem junto à fonte que, segundo a lenda, está ligada à decisão de construir ali a ermida, o pároco prestou a sua homenagem e aspergiu água benta em direcção não apenas à fonte e às pessoas que integravam a cerimónia, mas também aos campos em geral. Gesto ecológico, de amor à Natureza, que é mãe de todas as vidas animal e vegetal.
Fiquei sensibilizado por esta homenagem à Natureza e saltou-me à memória a interrogação do Papa Francisco, durante a homilia em Fátima, se as pessoas estavam ali reunidas para agradecer e pedir pequenos favores para lhes retirar sofrimentos pontuais ou se era para manifestar respeito e homenagem e agradecer os bons conselhos e sugestões para viverem com mais civismo, bom entendimento e amizade para com os seus semelhantes.
Nunca é demais desenvolver a ética, reforçando o respeito pelos outros, sejam humanos, animais, vegetais ou minerais, isto é a Natureza em que fomos gerados e de que vivemos. Nisso se devem basear as religiões, procurando aperfeiçoar os sentimentos, as emoções, as palavras e as acções de todos e de cada racional. Infelizmente tem havido excepções de movimentos ditos religiosos, que perderam o rumo avançam nas piores direções.
Espero que não deem por mal empregue o tempo gasto nesta leitura, mas não resisti ao apelo íntimo de partilhar esta meditação que desejo contribua para melhorar a postura perante o tema.
Publicada por
A. João Soares
à(s)
21:46
5
comentários
Hiperligações para esta mensagem
terça-feira, 30 de maio de 2017
BOM ENTENDIMENTO GERA HARMONIA E PAZ
Amizade e bom entendimento geram harmonia e paz
(Publicado em O DIABO de 30 de Maio de 2017)
No fim de semana de 13 e 14 e Maio, os portugueses tiveram três motivos de felicidade: A Visita do Papa Francisco a Fátima, depois a vitória do Benfica como campeão nacional e a vitória de Salvador Sobral no festival da Eurovisão.
Foram três acontecimentos que encheram as páginas de jornais e o tempo de emissão das TVs. Há quem se sinta feliz por estes três motivos, há outros que apreciam dois e alguns que gostam de apenas um. Isto porque a felicidade, sendo uma situação psíquica, totalmente individual, depende de cada um, da sua postura afectiva, emotiva e cultural. Cada um tem os sus gostos, as suas preferências, as suas prioridades. E cada um, para ser feliz, deve conhecer-se e saber daquilo que gosta e extrair disso o seu máximo prazer. Quanto a tudo o resto, sem deixar e observar e procurar compreender, deve olhar para os pontos fracos e acidentes com tranquilidade e solidariedade social, mas sem afectar patologicamente a sua própria estabilidade.
Procurar compreender e colaborar na procura das melhores soluções não significa colocar em risco a sua humildade e felicidade, nem impor inflexivelmente a sua própria opinião. A felicidade, na colaboração em benefício da colectividade, sai reforçada se os resultados beneficiarem com o contributo de ideias e de atitudes solidárias que forem tomadas.
Curiosamente, nos acontecimentos atrás referidos, fica patente a convergência de atitudes por parte do Papa e do cantor Salvador Sobral, na atenção dada à solidariedade para com os outros, na amizade, no amor, na convivência social, no respeito pelos outros, em clima de bom entendimento e entreajuda.
Seria bom que tais conselhos e exemplos fossem devidamente interpretados e praticados pela maioria da humanidade para passarmos a viver em paz, em todos os pontos do globo, procurando a inclusão e evitando qualquer indício de exclusão dos outros, por aspectos não essenciais para o futuro harmonioso da humanidade.
Em especial, quanto ao Papa Francisco não devemos deixar de sublinhar o seu gosto pela humildade, pela simplicidade e o seu relacionamento com as pessoas mais carentes. Nisso tem muito em comum com o Presidente Marcelo, mas em cada momento, aproveita para proferir palavras sugestivas de grande elevação moral e social tendo em vista o aperfeiçoamento de uma humanidade mais consciente da necessidade de maior amizade, paz e esperança em tempos melhores. Devemos agir para a melhor compreensão e aceitação das diferentes culturas e tradições de outros povos, interactivamente e com reciprocidade.
23 de Março de 2017
A João Soares
Publicada por
A. João Soares
à(s)
15:48
0
comentários
Hiperligações para esta mensagem
terça-feira, 23 de maio de 2017
A VONTADE DE MUDAR EXIGE PRUDÊNCIA
A Humanidade quer mudar, mas precipita-se
(Publicado em O DIABO de 23 de Maio de 2017)
A Humanidade, talvez estimulada pelas novas tecnologias, deseja simplificar as obsoletas burocracias das máquinas estatais, as quais se desgastam com pormenores sem real interesse colectivo e que entravam a busca dos resultados positivos que contribuam efectivamente para melhorar a qualidade de vida dos cidadãos e o crescimento do poder económico do país. Os responsáveis pela gestão dos interesses colectivos, ou governação, geralmente, não conseguem libertar-se das pressões de gente com poder financeiro que quer a defesa de interesses de amigos, apaniguados, cúmplices e coniventes.
Abundam, em diversos países, casos concrectos que evidenciam a ansiedade da população para acabar com instituições que usam tradições obsoletas e demasiado pesadas aos contribuintes e que impedem a obtenção dos fins desejados pelos cidadãos.
Por vezes, cidadãos mais ousados, embora nem sempre bem informados e prudentes, avançam para soluções de violência que, em algumas situações, geram mais inconvenientes do que vantagens, como tem acontecido na Venezuela, onde parece que conseguiram que o Parlamento aprovasse na terça-feira, 9 de Maio, um acordo sobre a "inconstitucionalidade e nulidade" do decreto presidencial que convoca a formação de uma Assembleia Constituinte a fim de lhe serem dados todos os poderes, à semelhança do que ocorreu na Turquia. O povo turco agiu como um rebanho abúlico, sem vislumbrar o buraco em que ia ser metido, mas os venezuelanos agiram de forma mais lógica, embora devesse ter sido mais arguta e prudente, sem violência que afecta os cidadãos e não os verdadeiros culpados.
Em França, nas eleições presidenciais, os eleitores deixaram bem clara a sua desconsideração pelos partidos tradicionais que ficaram numa situação muito obscura e viram o poder dos votos conduzir à segunda volta dois candidatos menos contaminados pelos vícios da máquina administrativa. Cabe ao novo PR compreender bem a vontade do povo e apoiar-se em pessoas competentes, mas não dependentes dos partidos e, com elas, procurar as soluções mais adequadas à busca da eficiência, com simplicidade, sem burocracias desnecessárias, sem corrupção, para atingir os resultados que a Nação deseja.
E da lição do sucedido em França, devem os partidos de outros países concluir que o seu reinado pode estar muito frágil se não decidirem aliviar e modernizar os seus procedimentos e estudar as melhores soluções para um futuro que satisfaça as esperanças dos eleitores. As oposições, apresentando projectos para os principais sectores da vida nacional e defendendo-os de forma a melhorá-los, no Parlamento, mostrarão ser bons obreiros para a desejada mudança. Mas, para isso, devem deixar de perder tempo com aleivosias e críticas teimosamente agressivas, alheias aos reais interesses nacionais. Não devem perder tempo a criticar repetidamente o que aconteceu ontem a não ser que tenham melhor solução para o assunto e que essa nova estratégia seja eficaz para as previsões das próximas décadas.
Se os partidos não mostrarem competência para efectuar as mudanças adequadas, será o povo, como em França ou na Venezuela, que lutará para as conseguir.
Porém, normalmente, um governo partidário não dispõe de coragem que permita romper a teia em que se encontra pressionado pelos interesses do partido e daqueles a quem este deve favores. E também não é fácil romper com os seus procedimentos anteriores e seguir novas estratégias. Estas estão mais acessíveis à oposição que tem liberdade de inovação e criatividade por estar menos comprometida com os vícios actuais. Com isso, indo ao encontro dos desejos dos eleitores, habilita-se a um bom resultado eleitoral, se apresentar projectos adequadamente elaborados com apoio de técnicos competentes e amantes do país.
Mas, em Portugal, vemos a oposição a perder tempo no Parlamento com conversas sem nível nacional e a preocupar-se com críticas destrutivas e ofensas pessoais aos governantes em vez de mostrar competência para alertar para melhores soluções para atingir os objectivos essenciais de que se espera. É de pouca perspicácia que, estando metade do território em acelerado processo de desertificação, se fale no Parlamento da expansão do Metropolitano de Lisboa com mais 20 (vinte) estações. Os habitantes de ALMEIDA não dispõem de transportes públicos adequados para ir à CGD, que agora fica a 15 Km de distância.
Tudo isto estimula os cidadãos à rebeldia como se vê em vários países, onde chegam a produzir baixas humanos e danos materiais. Precisam-se políticos não viciados nas normas partidárias, que amem o país, isto é, os interesses colectivos. E o povo deve procurar obter informação, para não se deixar arrastar por enganadores cantos de sereia, porque «votar no menos mau» não significa «votar num bom».
16 de Maio e 2017
António João Soares
Publicada por
A. João Soares
à(s)
18:27
0
comentários
Hiperligações para esta mensagem
domingo, 21 de maio de 2017
AMAR O SEMELHANTE, OS OUTROS
Amar o semelhante, respeitar os outros
Na missa celebrada na manhã de 21 de Maio de 2017 pelo Papa Francisco na Casa Santa Marta, Ele disse:
«O mundo nos propõe outros amores, que não o ensinado pelo Pai orientado para o semelhante, para os outros:
o amor ao dinheiro, por exemplo,
o amor à vaidade, exibir-se,
o amor ao orgulho,
o amor ao poder, inclusive cometendo muitas injustiças para ter mais poder...
São outros amores, mas não é de Jesus e não é do Pai. Ele nos pede para permanecer no seu amor, que é o amor do Pai.
Pensemos também nesses outros amores que nos afastam do amor de Jesus. E também, existem outras medidas para amar: amar pela metade, isso não é amar.»
Uma coisa é querer bem, outra é amar."
Publicada por
A. João Soares
à(s)
17:09
0
comentários
Hiperligações para esta mensagem
Etiquetas: Amor, fraternidade
O VALOR DO SER HUMANO
Perguntaram ao grande matemático árabe Al Khawarizmi sobre o ser humano e ele respondeu:
- Se tiver Ética, ele é 1
- Se também for Inteligente, acrescente 0 e será 10
- Se também for Rico, acrescente mais um 0 e será 100
- Se também for Belo, acrescente mais um 0 e será 1000
Mas... se perder o 1, que corresponde à Ética, então perderá todo o seu valor e restarão apenas os zeros.
A EQUAÇÃO DE AL KHAWARIZMI - É considerado o fundador da Álgebra, mas talvez o que melhor definiu em poucas palavras o ser humano
Publicada por
A. João Soares
à(s)
16:52
1 comentários
Hiperligações para esta mensagem
Etiquetas: ética
quarta-feira, 17 de maio de 2017
POPULAÇÃO DE ALMEIDA SERVE DE MEXILHÃO ?
A população de Almeida serve de mexilhão?
(Publicado em O DIABO de 16 de Maio de 2017)
A População do Concelho de ALMEIDA estará mesmo revoltada com a decisão de fecharem a sua da CGD? Não estaremos a ser vítimas de propaganda contra a situação actual e a fazer valer o dito antigo «ter alma até Almeida»?
Há coisas que custam a acreditar. Por um lado, há dias, em 25 de Abril, nos bonitos discursos dos oradores dos diversos partidos foram acarinhadas as populações com esperanças como: - Criminalização do enriquecimento ilícito; - Criação de uma sociedade inclusiva e justa; - Tornar mais socialmente justa a distribuição da riqueza; - Subordinar o poder económico ao poder político, isto é, aos interesses dos portugueses, em geral: - Evitar a continuação da austeridade; - Combate aos privilégios injustificados, ao compadrio, à corrupção, à opacidade, à economia subterrânea; - Dar prioridade ao primado da pessoa, do seu pojecto de vida; - Respeitar os direitos humanos e a protecção da vida; - Praticar uma visão solidária da dignidade humana; - Respeitar os direitos sociais e económicos da população e procurar solução para a pobre e o desemprego; - Difundir os deveres sociais e ambientais; - Recuperar direitos e salários e os deveres de cidadania; - Defender o Caminho para um Mundo pacífico, dialogante, sem guerras.
No mesmo sentido, temos sido informados por «responsáveis» da governação que é imperioso combater a crescente desertificação do interior, em que há povoações apenas com um casal de idosos que já acham desajustado investir no esforço de mudar de residência e preferem ali morrer onde sempre viveram. Mas, pesar destes e de outros factores, ameaçam encerrar a agência da CGD, um banco do Estado, isto é, vocacionado para servir os cidadãos, numa sociedade inclusiva e justa, sem discriminações. Com tal encerramento, os cidadãos do concelho, na maioria idosos e alguns deficientes, quando precisarem de tratar de algo relacionado com as suas magras pensões, terão de se deslocar, sem disporem de transportes públicos adequados, até Vilar Formoso que fica para lá de 10 Km de distância.
Qual o motivo para este dislate? A CGD, noz anos mais recentes entrou em crise, em consequência de erros de gestão, e como solução não hesitaram em fechar aquele balcão, sem penar que, com isso, estão a desrespeitar os direitos dos cidadãos contribuintes do Concelho, os quais não foram minimamente culpados dos erros que outros cometeram.
Estes os seus amigos, que agora não pagam os empréstimos que lhes foram concedidos sem cauções racionalmente válidas, mas apenas por amizade, conivência cumplicidade, sem critério que priorizasse os interesses nacionais, dos cidadãos. Agora tais funcionários e os devedores podem ser milionários, mas «quem se lixa é o mexilhão», quer esteja em Almeida ou noutro ponto do país.
Isto parece um prenúncio de que o País está a afundar-se por ter incompetentes, nomeados por partidos, na gestão de serviços públicos que exigem capacidade, organização, prudência, enfim, responsabilidade para a função e honestidade.
E o que faz a Justiça para parar este desaforo, recuperar os valores perdidos e restaurar a disciplina a ordem social? Um juiz amigo que a Justiça procura inserir-se na legislação existente. Só que esta é feita pelos eleitos, ou, na maior parte dos Casos, por gabinetes privados contratados, a que alguns eles pertencem e que deixam sempre pontos e dúvida, para benefício de seus clientes e para, posteriormente, daí saírem pedidos se parecer, bem rendosos.
E perante tal inoperância de Almeida com nível etário muito pesado (pdi) ou com significativa DNA (Data de Nascimento Antiga) é que «passa as passas do Algarve» ou serve de vítima do ditado «quando o mar bate na rocha quem se lixa é o mexilhão». Pobres mexilhões numa área tão afastada do mar, que vê acelerada a sua recta final da caminhada da vida.
Publicada por
A. João Soares
à(s)
07:09
1 comentários
Hiperligações para esta mensagem
Etiquetas: Almeida, CGD, Praça forte de Almeida
terça-feira, 9 de maio de 2017
DITADURAS GERADAS DEMOCRATICAMENTE?
Ditaduras geradas democraticamente?
(Publicado em O DIABO de 9 de Maio de 2017)
As ditaduras são detestadas pela maioria da população. Digo maioria e não totalidade porque uma pequena parte dos cidadãos beneficiam das vantagens do poder único e omnipotente, por viverem à sombra dos usurpadores das regalias, com os privilégios daí decorrentes. O que é de estranhar é que, em muitos casos recentes, há ditadores que usam e abusam do poder, mas os eleitores, talvez por ausência de cultura, de capacidade de discernimento e sujeitos aos efeitos de adequada propaganda ou lavagem de cérebro, dão-lhes o voto. O caso mais flagrante foi o do presidente da Turquia que, depois de mostrar, claramente, a sua tendência para se vingar do mínimo gesto que lhe desagrade, fez um referendo para alterar a Constituição passando, legalmente, a ser «todo poderoso», sem Governo e sem um Parlamento onde a oposição possa temperar os seus excessos, e obteve a maioria dos votos.
Os casos em países africanos, asiáticos e na América Latina são numerosos, embora a Comunicação Social não faça especiais reparos. Mas a violência que está a grassar na Venezuela não está a passar despercebida. E a eleição de Trump não merece os elogios de pessoas bem-pensantes e isentas de interesses.
Entre nós, embora se fale de democracia, ainda se não foi além da «partidocracia», como se verifica no sistema eleitoral, em que ao simples eleitor não é dado o direito de escolher os seus representantes nos órgãos de soberania, mas apenas o de votar a lista de um partido, ignorando pormenores sobre os componentes das mesmas que foram escolhidos por decisão de um «líder». O caso mais chocante e recente é o da candidatura à Câmara Municipal de Lisboa, sem ter sido ouvido, sequer, o presidente da concelhia de Lisboa do Partido, que acabou por se demitir, procurando não melindrar demasiado o seu líder partidário.
Em democracia, a soberania reside na Nação, nos cidadãos, que, para melhor funcionalidade, delegam em representantes, os quais, por honestidade e lealdade para com os representados, devem procurar conhecer os seus sentimentos, as necessidades e objetivos legais, para melhor conseguir preparar um futuro com melhor qualidade de vida para todos, principalmente os mais desamparados. O dever patriótico cabe a todos os cidadãos, cada um participando com críticas positivas, sugestões ou propostas, conforme a sua situação e capacidade. Acerca disto, penso numa líder oposicionista que fala muitas vezes, mas sempre com o mesmo objectivo de criticar demolidoramente o Primeiro-Ministro, acusando-o de erros que já eram frequentes no Governo a que ela pertenceu. Seria mais patriótica se procurasse contribuir para um Portugal melhor, se apresentasse críticas, sugestões e propostas adequadas. Se fosse ao ponto de se mostrar interessada pela metodologia do Presidente da Tanzânia, John Magufuli, isso granjear-lhe-ia mais prestígio e votos para futuros cargos por mostrar maior capacidade e ser defensora dos interesses da maioria dos portugueses.
António João Soares
2 de Maio de 2017
Publicada por
A. João Soares
à(s)
16:32
0
comentários
Hiperligações para esta mensagem
Etiquetas: Democracia, ditadura
terça-feira, 2 de maio de 2017
GUERRA FRIA EXIGE GOVERNANTES PRUDENTES
Guerra Fria exige governantes prudentes
(Publicado em O DIABO de 2 de Maio de 2017)
Em 18 do corrente, o ex-líder soviético e Prémio Nobel da Paz, Michael Gorbachev disse, a propósito da questão entre os Estados Unidos e a Coreia do Norte, que «todos os indícios de uma nova Guerra Fria estão aí». A afirmação, embora pareça ser adequada à situação vigente, é demasiado preocupante e obriga a meditar muito naquilo que pode acontecer nos próximos tempos.
Com efeito, a guerra fria exige que as partes intervenientes estejam a ser geridas por pessoas pouco impulsivas e arrogantes, mas, pelo contrário maduras, com muito bom senso e muto apurado sentido das responsabilidades. A guerra fria iniciada após a II GM foi conduzida por governantes com profundos conhecimentos dos inconvenientes da guerra que terminara um pouco antes e que desejavam não ver repetida.
Estavam vacinados com o conhecimento ao vivo das realidades da guerra e dos males dela advenientes para os seres humanos em geral, com mortos, estropiados e privados de condições de sobrevivência. Pelo contrário os actuais governantes não têm semelhante experiência e têm demonstrado ausência de respeito pelas pessoas, falta de sensatez e de sentido de responsabilidade, comportando-se muitas vezes como crianças a lidar com brinquedos que, na realidade, são demasiado perigosos e exigem excepcional prudência.
A gestão da guerra fria exige, da parte de cada parceiro, um serviço de informações, bem preparado e sabendo aproveitar toda a colaboração dos serviços diplomáticos, quer dos intervenientes quer do mundo em geral, a fim de ter conhecimento oportuno de sintomas ou indícios de preparativos ou intenções perigosas que possam colocar em perigo o modus vivendi.
Actualmente, as provocações, mais ou menos evidentes, entre os EUA e a Coreia do Norte não são propícias para evitar preocupações relativas à hipótese de uma guerra violenta, possivelmente nuclear, entre as duas partes. No caso de tal situação, eclodir os Estados da margem Oeste do Pacífico sofrerão graves inconvenientes e o resto do mundo não ficará ileso, pois as poeiras radioactivas e a nuvens tóxicas que elas formarão, empurradas pelos ventos, darão voltas ao Planeta, disseminando detritos tóxicos minúsculos que destruirão todos os vestígios de vida, animal e vegetal em qualquer latitude ou longitude. As bombas nucleares actuais são imensamente mais demolidoras do que a de Hiroshima que era pouco potente e pouco mais do que artesanal.
O ideal seria a Paz respeitada por todos, fortalecida por um diálogo franco e aberto entre todos que libertasse todas as energias das pessoas e dos meios materiais para a melhoria generalizada da qualidade de vida sobre a Terra. As bombas, os mísseis e os gases não contribuem para melhorar nada. A «Bomba mãe de todas a bombas» que os EUA lançaram no Afeganistão não impediu, e talvez tenha provocado, por ter aumentado o ódio e a vontade de vingança o caso que foi dado a público em comunicado do ministério: "Os rebeldes talibãs lançaram um ataque coordenado contra a base militar onde a maioria dos soldados estavam reunidos para rezar, provocando no total mais de 100 mortos e feridos entre as forças armadas". Cada vez fica mais claro que a violência nada traz de bom, apenas gera mais violência em escalada incontrolável.
António João Soares
25 de Abril de 2017
Publicada por
A. João Soares
à(s)
11:02
0
comentários
Hiperligações para esta mensagem
Etiquetas: guerra fria, prudência
sábado, 29 de abril de 2017
SÍRIA E O CONSELHO DE SEGURANÇA
Gosto desta notícia que vem ao encontro das ideias que tenho defendido de dever ser dada prioridade à busca de soluções pacíficas, negociadas, para os conflitos em qualquer parte do Mundos, sejam nacionais ou internacionais, por forma a respeitar as vidas de pessoas e o património privado ou público. O Conselho de Segurança deve eliminar o direito de veto para poder chegar a decisões respeitadas e eficazes.
"Acreditar numa solução militar para a Síria foi um erro gravíssimo"
170429. Por Lusa
O presidente da Comissão Independente de Inquérito sobre a Síria da ONU, o brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro, disse à Lusa que "acreditar numa solução militar para a Síria foi um erro gravíssimo".
Foi um erro gravíssimo pensar, durante anos, que o Governo de [Bashar al-] Assad iria cair, que iria haver uma mudança de regime pela intervenção militar. Desperdiçaram-se muitas oportunidades para uma resolução do conflito", defendeu o responsável.
Paulo Pinheiro disse que no início da contestação ao Presidente Bashar al-Assad, no contexto da Primavera Árabe, uma intervenção da comunidade internacional para mediar o conflito teria tido mais resultados.
"Ao longo do tempo, a situação complicou-se. Não apenas pelo alargamento das partes beligerantes, mas também pelo envolvimento dos países da comunidade internacional que passaram a apoiar um e outro lado", explicou.
Pinheiro lamentou "actuais divisões no Conselho de Segurança que impedem a tomada de uma posição mais clara", mas disse que "não há outro caminho para a paz além de um acordo fixado pela comunidade internacional".
O responsável acredita que no último mês foram dados passos importantes, como no encontro de urgência do Conselho de Segurança para discutir o uso de armas químicas sobre a população, que motivou um ataque dos EUA sobre uma base militar.
"O encontro foi extremamente positivo, porque nenhuma das partes abandonou o encontro, como vinha acontecendo. Os dez membros não permanentes têm sido mais activos, pressionando para uma solução, e isso é positivo. Apesar das dificuldades da negociação, o Conselho de Segurança está no bom caminho", disse.
Paulo Sérgio Pinheiro disse acreditar que o acordo de paz não deve estar dependente da continuidade, ou não, de Assad na liderança do país, apesar dos crimes de guerra de que o sírio é culpado.
"É um erro tornar a resolução do conflito refém dessa questão. A questão principal deve ser levantar temas em que pode haver consenso, como a criação de uma nova Constituição e a luta contra o terrorismo, e só num segundo momento deve ser levantada a questão da continuidade de Al-Assad", explica o responsável.
Neste momento, Pinheiro encontra três grandes ameaças à segurança da população síria.
"O primeiro grande problema é a radicalização dos grupos armados de oposição, muitos deles associados à Al-Qaida. O segundo problema é a ameaça que paira sobre os deslocados no norte do país, que está sobre controlo dos rebeldes, e que se podem tornar vítimas do mesmo que se passou durante o cerco de Alepo. O último problema é o aumento dos ataques terroristas contra as áreas controladas pelo Governo", disse.
Paulo Pinheiro lidera a Comissão de Inquérito sobre o país desde que foi constituída no início do conflito, em 2011, mas as autoridades sírias só autorizaram que visitasse o país uma vez, em 2012.
"Somos imparciais, não temos preferência por nenhum dos lados, apenas pelas vítimas, mas o Governo não nos deixa entrar no país", explicou, adiantando que o trabalho se tem feito, sobretudo, através de entrevistas, tendo sido realizadas cerca de sete mil nos últimos seis anos.
O próximo relatório do grupo liderado por Paulo Sérgio Pinheiro será apresentado ao Conselho de Direitos Humanos em junho.
O conflito na Síria, que começou como um movimento de contestação ao Presidente Bashar al-Assad em 2011, já causou a morte de mais de 320 mil pessoas e milhões de deslocados e refugiados.
Publicada por
A. João Soares
à(s)
12:17
0
comentários
Hiperligações para esta mensagem
Etiquetas: Conselho de Segurança, Síria
sexta-feira, 28 de abril de 2017
O QUE SE PODE ESPERAR DO CONSELHO DE SEGURANÇA?
Trump, em 24 do corrente, disse esta frase curiosa:
"O 'status quo' na Coreia do Norte é inaceitável e o Conselho de Segurança deve estar pronto para impor novas sanções mais fortes (...). É uma ameaça geral para o mundo." 24-04-2017. (ver aqui)
Ora, o Conselho e Segurança, pela sua organização e regras e funcionamento, não pode ter utilidade e parece servir apenas para dar emprego (direito a salário mensal, viagens e noutras regalias) aos que constam na sua folha de pagamento.
Com efeito, embora se fale muito de Democracia nos floridos discursos dos políticos, o CS nada tem de democrático e é mais uma imagem de ditadura, de imperialismo prepotente, na mão de cinco Estados que se consideram donos do mundo, pois dispõem de assento permanente e, para mais, com direito de veto.
Por isso o CS apenas pode tomar posição simbólica em assuntos insignificantes que não belisquem, mesmo que ligeiramente, os interesses de qualquer dos membros permanentes, que pode vetar. Nem se trata de obediência ao pastor, porque este rebanho, neste caso, não tem apenas um pastor, mas cinco que raramente se entendem entre si.
Com efeito, cada um dos cinco membros permanentes, com o seu veto, apenas deixa decidir aquilo que for conveniente para os seus interesses ou os de outros Estados com quem troca favores. Por isso, ninguém obedece nem respeita ninguém e, à semelhança dos cinco ditadores, cada país ou grupo armado usa, à sua maneira, a força de que dispõe, como vemos, na Coreia do Norte, na Síria, no Irão, no Iraque e nos Estados em que, não havendo democracia com liberdade de expressão e de oposição, os opositores são perseguidos e combatidos, vendo-se na necessidade de se organizarem como grupos armados e são considerados rebeldes ou terroristas.
Isso leva-os a ser alvos de operações armadas, não apenas dos governantes do seu Estado mas também das grandes potências que dele beneficiam em produtos naturais, como o petróleo ou outros tipos de energia ou pela sua posição geográfica. É isso que acontece no Iraque desde a invasão de 2003 e que ainda continua a fazer baixas humanas e a destruir património, incluindo o histórico da humanidade.
Publicada por
A. João Soares
à(s)
17:19
0
comentários
Hiperligações para esta mensagem
quarta-feira, 26 de abril de 2017
OS 10 PAÍSES COM MAIOR PODER MILITAR
Publicada por
A. João Soares
à(s)
19:19
0
comentários
Hiperligações para esta mensagem
Etiquetas: poder militar
OS IDEAIS DE ABRIL
Dos discursos dos oradores de todos os partidos na comemoração do 43º aniversário da revolução de Abril conclui-se que os ideais de então não foram completamente concretizados. É necessário e urgente tomar medidas, com reformas profundas para atingir tais objectivos:
- Criminalização do enriquecimento ilícito,
- Criação de uma sociedade inclusiva e justa,
- Tornar mais socialmente justa a distribuição da riqueza,
- Subordinar o poder económico ao poder político, isto é, aos interesses dos portugueses, em geral,
- Evitar a continuação da austeridade,
- Combate aos privilégios injustificados, ao compadrio, à corrupção, à opacidade, à economia subterrânea,
- Dar prioridade ao primado da pessoa, do seu pojecto de vida,
- Respeitar os direitos humanos e a protecção da vida,
- Praticar uma visão solidária da dignidade humana,
- Respeitar os direitos sociais e económicos da população e procurar solução para a pobre e o desemprego,
- Difundir os deveres sociais e ambientais,
- Recuperar direitos e salários e os deveres de cidadania,
- Defender o Caminho para um Mundo pacífico, dialogante, sem guerras.
Só faltou citar dois exemplos de governantes com iniciativas muito positivas, cujos actos merecem ser analisados para deles serem retiradas as convenientes lições:
Pepe (José) Mujica, ex-Presidente do Uruguai
John Magufuli (Bulldozer), Presidente da Tanzânia
Do segundo transcrevo o seguinte texto:
Magufuli, o Bulldozer! Presidente da Tanzânia
É o recém-eleito Presidente da Tanzânia e já ficou na memória das pessoas. Também conhecido por Bulldozer pelas mudanças radicais que implementou, John Magufuli tem 56 anos e assumiu a liderança do país a 5 de Novembro de 2015. Os cortes inacreditáveis desde que é Presidente da Tanzânia já fazem eco:
- Pela primeira vez em 54 anos, a Tanzânia não vai celebrar oficialmente o dia da Independência, 9 de Dezembro, porque Magufuli defende ser “vergonhoso” gastar rios de dinheiro nas celebrações quando “o nosso povo está a morrer de cólera” – nos últimos três meses morreram pelo menos 60 pessoas vítimas de cólera.
- Não há mais viagens para fora, as embaixadas deverão tratar dos assuntos no exterior. Se for necessário viajar, uma permissão especial deverá ser dada pelo Presidente ou pelo seu Chefe de Gabinete.
- Acabaram-se as viagens em 1ª classe e executiva– com excepção do Presidente, o Vice-Presidente e o Primeiro ministro.
- Acabaram-se os workshops e seminários em hotéis caros, quando há tantas salas de ministérios vazias.
- O Presidente Magufuli perguntou por que motivo os engenheiros recebem V8s (modelo de carro topo de gama) se as carrinhas são mais práticas para o seu trabalho.
- Acabaram-se os subsídios. Por que motivo são pagos subsídios se vocês recebem salários; aplicável também aos parlamentares.
- Todos os indivíduos ou empresas que tenham comprado empresas do Estado, que foram privatizadas, mas não fizeram nada com elas (passados 20 anos) ou as fazem recuperar imediatamente ou devem devolver ao governo.
- John Magufuli cortou o orçamento da inauguração do novo Parlamento de 100 mil dólares para 7 mil dólares.
Publicada por
A. João Soares
à(s)
07:16
1 comentários
Hiperligações para esta mensagem
Etiquetas: 25 Abril, necessidade de reformas



