terça-feira, 30 de julho de 2013

SERVIÇOS DE INFORMAÇÕES COM CONVERGÊNCIA DE PARTIDOS


Transcrição de notícia seguida de NOTA:

Serviços de informações. Projectos da maioria e do PS com propostas comuns
Ionline. Por Susete Francisco. publicado em 30 Jul 2013 - 05:00

Socialistas, sociais-democratas e centristas avançam com ideias convergentes quanto à criação de um registo de interesses obrigatório para os agentes das secretas e definição de um "período de nojo" na transição para funções privadas.

As propostas do PSD/CDS e do PS para a criação de um registo de interesses nas secretas - que será de carácter obrigatório para os agentes dos serviços de informações - são praticamente idênticas. A discussão só será feita em Setembro, mas a convergência dos projectos já aponta para um entendimento entre os maiores partidos nesta matéria. Um cenário que se poderá também estender à definição de um período de nojo, que tem também traços comuns nos textos da maioria e do maior partido da oposição.

Ricardo Rodrigues, do PS, diz que "há pontos de convergência" entre o projecto socialista - entregue na Assembleia da República ainda em 2012 - e as propostas de PSD e CDS, que deram entrada na passada semana. Em cima da mesa está ainda um projecto do Bloco de Esquerda. E o PCP vai também apresentar iniciativas legislativas nesta matéria, ainda que mais centradas no sistema de fiscalização dos serviços.

Os comunistas, pela voz do deputado António Filipe, dizem também não ter "nada contra" a criação de um registo de interesses. Entre os partidos com assento parlamentar, só o BE se mostra desfavorável a esta ideia. "Trata-se de um controleirismo excessivo que pode ser facilmente contornado", aponta a deputada bloquista Cecília Honório, lembrando que esta é uma "exigência que não é feita, por exemplo, aos governantes".

Um reparo que é, aliás, partilhado pelo próprio director-geral dos serviços de informação, Júlio Pereira. Num parecer enviado à Assembleia da República, relativo às propostas de PS e BE, o responsável dos serviços de informações questiona se o "registo de interesses não ficaria melhor em outro diploma, com maior transversalidade no âmbito do exercício de funções públicas". Júlio Pereira fala numa "inovação sem precedentes na Administração Pública, já que o maior nível de exigência neste domínio foi estabelecido sob a forma de mera declaração de património para os membros do governo, da magistratura e das forças e serviços de segurança" - "Que, na prática, também tomam conhecimento de matérias privilegiadas".

Tanto o projecto do PSD/CDS como o do PS prevêem a criação de um registo de interesses, no qual deve ser declarada, entre outros itens, toda a actividade "pública e privada, remunerada ou não", exercida desde o início da vida profissional e/ou cívica dos agentes. Também tem de ser declarada a pertença a associações de qualquer natureza - mesmo secretas, como a Maçonaria. Para Cecília Honório, esta é uma matéria "muito sensível" que pode "abrir uma caixa de Pandora".

Já quanto à criação de um período de nojo na passagem dos agentes para actividades no privado - socialistas e maioria definem um prazo comum de três anos, embora PSD e CDS remetam a decisão para o secretário-geral, que analisará caso a caso - o Bloco de Esquerda é "absolutamente favorável". O PCP remete o tema para a futura discussão na comissão parlamentar - "deve ser bem reflectido porque o risco de inconstitucionalidade existe". O recurso ao polígrafo (detector de mentiras), admitido na proposta da maioria, também é considerado uma questão "delicada" por António Filipe.

NOTA: É interessante o entendimento entre os maiores partidos, (um início da criação da «união nacional»?). Mas é preciso dar atenção à opinião dos pequenos partidos acerca do «registo de interesses» de forma transversal nos funcionários públicos com responsabilidades de decisão. O «REGISTO DE INTERESSES» é muito importante para todos os funcionários públicos. Há que lutar contra os lóbis internos e a submissão a pressões externas e internas, muitas delas conducentes à corrupção, ao tráfico de influências e ao enriquecimento ilícito, tudo ligado à injustiça social e lesivo dos interesses nacionais.

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INJUSTIÇA SOCIAL SEM DISFARCE


Transcrição de artigo seguida de NOTA:

Brincar aos pobrezinhos
Ionline. publicado em 30 Jul 2013 por Nuno Ramos de Almeida, Editor-executivo.

O governo garante que a economia está muito melhor e no sapatinho tem algumas prendas: 4,7 mil milhões de cortes nas despesas do Estado e a diminuição do IRC.

Cristina Espírito Santo, filha de um administrador do BES, confessou, na Revista do "Expresso", que gosta de ir para a herdade da família na Comporta porque é como "brincar aos pobrezinhos".

Infelizmente, a maioria da população portuguesa está condenada a brincar aos pobrezinhos todos os dias. E o governo cada vez nos dá mais coisas para ficarmos imersos no jogo. Nos últimos dois anos, 210 mil dos portugueses mais jovens e preparados foram forçados a sair do país, para fugir a este desafio obrigatório para quem não é familiar de milionário.

Há uns anos, o multimilionário Warren Buffett manifestou-se contra uma sociedade em que os ricos têm a vida resolvida e os pobres a vida condenada. Para Buffet, o direito de herança que faz dos filhos dos ricos ricos e dos pobres pobres significa querer ganhar os Jogos Olímpicos de amanhã com os descendentes da equipa dos jogos de há 40 anos.

Os mecanismos existentes para permitir uma política que contrarie esta situação e dê uma maior igualdade de oportunidades na sociedade passa por uma política fiscal justa que permita a redistribuição de rendimentos e a existência de um Estado social que tenha a educação e a saúde como direitos universais.

Acontece que as políticas neoliberais nos Estados Unidos e as contidas no Memorando da troika fazem da desigualdade fiscal e da destruição do Estado social os seus principais pilares. Talvez por isso, Warren Buffett assumiu, numa entrevista a CNN, que "há guerra de classes, com certeza, mas é a minha classe, a classe rica, que está a fazer a guerra, e estamos a ganhá-la". Recordou ainda que só paga 17% de impostos, enquanto os seus empregados pagam 33% ou 41%. A crise tem sido uma verdadeira máquina de guerra a promover o aumento das desigualdades em Portugal e no resto do mundo desenvolvido. No início dos planos da troika calculava-se que - embora a responsabilidade do desastre económico estivesse ligado a um modelo de desregulamentação financeira, a multiplicação de negócios ruinosos com parcerias público-privadas e swaps e à criação de uma moeda única que privilegiou a Alemanha - em cada dez euros retirados para pagar a crise, mais de oito vinham directamente dos bolsos dos trabalhadores por conta de outrem e dos reformados. Esse estudo divulgado pelo "Público" revelava que menos de um euro, desses dez, era pago pelas grandes empresas e pelo capital financeiro.

Como se provou pela situação actual esta política destruiu o emprego e a economia. O que propõe neste momento o governo? Diminuir os impostos das empresas e continuar a fazer suportar a crise apenas por quem trabalha. Afirmam que este choque fiscal vai promover o emprego, quando na prática só é possível gerar empregos se os portugueses tiverem dinheiro para gastar. A esmagadora maioria das nossas empresas trabalha para o mercado interno, e se os trabalhadores continuarem a ter de pagar directamente a crise, essas empresas não vão sobreviver.

Acresce que os cortes previstos de 4,7 mil milhões de euros vão repercutir- -se como cortes nos salários dos trabalhadores. Se os transportes, a saúde, a educação e outros bens de primeira necessidade ficam mais caros, é como se nos tivessem cortado ainda mais os salários.

Aquilo que se está a fazer não é sanear as finanças públicas nem relançar a economia para a maioria das pessoas, mas garantir uma maior fatia na distribuição de rendimentos para uma minoria de privilegiados - aqueles que podem "brincar aos pobrezinhos" na Comporta.

"O capital tem horror à ausência de lucro; quando o capital fareja o lucro torna-se ousado. A 20% fica entusiasmado. A 50% é temerário, a 100% enlouquece à luz de todas as leis humanas e a 300% não recua perante nenhum crime" (Karl Marx, "O Capital").

A crise é uma máquina de guerra e o governo está-se nas tintas para as vítimas.

Editor-executivo.

NOTA. É louvável a franqueza de Warren Buffett. Mas os governantes estão submissos perante as pressões dos ricos. O texto cita Karl Marx, mas temos palavras mais recentes, as do Papa Francisco que mostra grande sensibilidade para a ausência de Justiça Social que começa é visível mesmo nos mais baixos níveis que aceitam as injustiças, muitas vezes, em consequência da propaganda e com a esperança de ser beneficiados pelos «ídolos efémeros».

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DESLEIXO GENERALIZA-SE ???


Transcrição de artigo seguida de NOTA:

Conheça os últimos acidentes ferroviários na Europa
Ionline. Por Agência Lusa. publicado em 29 Jul 2013 - 21:5

A colisão de dois comboios esta segunda-feira (29 de Julho) na Suíça, que provocou 44 feridos, quatro deles graves, acontece cinco dias depois da tragédia ferroviária em Espanha que causou 79 mortos e mais de uma centena de feridos.

Lista dos acidentes de comboio mais recentes na Europa:

3 de março de 2012 – 16 pessoas perderam a vida e outras 58 ficaram feridas numa colisão frontal entre dois comboios numa das principais linhas da Polónia que une Varsóvia e Cracóvia. O acidente teve origem num erro humano.

13 de abril de 2012 – Três pessoas morreram e 13 ficaram feridas quando um comboio regional que fazia a rota Frankfurt-Hanau chocou com um trator estacionado na estrada perto de Muhlheim, na Alemanha. 21 de abril de 2012 – Uma pessoa morreu e outras 124 ficaram feridas na colisão de dois comboios entre a estação central de Amesterdão e a de Sloterdijk, na Holanda.

4 de maio de 2013 – Uma pessoa morreu, 93 ficaram feridas e 300 foram evacuadas devido à explosão de vários vagões de um comboio de mercadorias que transportava substâncias químicas inflamáveis entre as localidades belgas de Schelle e Wetteren, perto de Gent, na Bélgica. No acidente, provocado por excesso de velocidade, descarrilaram oito vagões e três incendiaram-se.

12 de julho de 2013 – Pelo menos sete mortos e 30 pessoas ficaram feridas quando um comboio que saía de Paris em direção a Limoges descarrilou em Bretigny-sur-Orge, na região da capital francesa. O Governo francês descartou o erro humano.

24 de julho de 2013 – Setenta e nove pessoas morreram e cerca de 130 ficaram feridas, 3o em estado grave, no descarrilamento de um comboio que fazia a rota Madrid-Ferrol nas imediações de Santiago de Compostela, na Galiza, a maior tragédia ferroviária em Espanha nos últimos 70 anos.

NOTA. Houve 3 acidentes ferroviários em 1912 e, em pouco mais de meio ano, em 1923, já houve 4. É um sinal muitas vezes referido de crescente desmazelo das pessoas no desempenho das suas tarefas. A Humanidade terá perdido o culto da perfeição naquilo que faz? Nos acidentes ferroviários, o desleixo humano constitui um factor importantes quer na operação da máquina quer, antes da viagem, na sua manutenção. Um erro pode ter consequências dramáticas para muitas pessoas e famílias.

Impõe-se que no ensino se preparem as crianças para virem a ser adultos cuidadosos, eficientes e responsáveis. E, depois, a Justiça deve punir severamente os responsáveis pelos acidentes, ao mesmo tempo que as empresas devem sancionar qualquer pequena deficiência e premiar os trabalhadores impecáveis. A tão falada avaliação de desempenho deve ser uma realidade, mas é indispensável que seja efectuada com a finalidade de conseguir os melhores resultados do trabalho para bem dos utentes, da população em geral e da empresa.


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segunda-feira, 29 de julho de 2013

RATOLÂNDIA - GOVERNO VS POVO


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PAPA FRANCISCO ENSINA


Preceitos do Papa Francisco, no Brasil, retirados de notícias da Comunicação Social

Diálogo

"Entre a indiferença egoísta e o protesto violento, há uma opção sempre possível: o diálogo. O diálogo entre as gerações, o diálogo com o povo, a capacidade de dar e receber, permanecendo abertos à verdade".

Sentido ético

Aos presentes (responsáveis políticos, culturais, económicos, sociais e líderes e de outras religiões), o Papa pediu que fossem “firmes sobre os valores éticos”. "O futuro hoje exige reabilitar a política. O sentido ético é um desafio sem precedentes".

"É impossível imaginar um futuro para a sociedade, sem uma vigorosa contribuição das energias morais numa democracia que evite o risco de ficar fechada na pura lógica da representação dos interesses constituídos".

Justiça social

“Queria lançar um apelo a todos que possuem mais recursos, às autoridades públicas e a todas as pessoas de boa vontade comprometidas com a justiça social: não se cansem de trabalhar para um mundo mais justo e solidário. Não é a cultura do egoísmo, do individualismo aquela que constrói e conduz a um mundo mais habitável, mas sim a cultura da solidariedade.”

“Nenhum esforço de pacificação será duradouro, não haverá harmonia e felicidade para uma sociedade que ignora, que deixa à margem, que abandona na periferia parte de si mesma.” Sublinha: “Porque somos irmãos, ninguém é descartável.”

"Eles vendem o justo por dinheiro, o indigente, por um par de sandálias; esmagam a cabeça dos fracos no pó da terra e tornam a vida dos oprimidos impossível". "Os gritos por justiça continuam ainda hoje", Jesus junta-se ao silêncio das vítimas da violência que não podem gritar, sobretudo aos inocentes e àqueles que estão desamparados”, referiu, acrescentando: “Jesus une-se às famílias que estão em dificuldades, que choram a morte dos seus filhos ou que sofrem, vendo-os presos em paraísos artificiais, como a droga”.

“Jesus une-se também a todas as pessoas que sofrem de fome num mundo que a cada dia joga no lixo toneladas de comida”, afirmou.

“Jesus une-se àqueles que são perseguidos pela sua religião, pelas suas ideias, ou simplesmente pela cor da sua pele”.

Corrupção

Jesus “se une aos numerosos jovens que não confiam nas instituições políticas, porque vêm egoísmo e corrupção”.

Recado para os jovens que “muitas vezes se desiludem com notícias que falam de corrupção”: “não percam a confiança” porque “a realidade pode mudar, o homem pode mudar”.

Papel dos jovens

“Transmitir aos nossos jovens os valores que farão deles construtores de um país e de um mundo mais justo, solidário e fraterno”.

A juventude é “um motor potente para a Igreja e para a sociedade”.

“Por favor, não deixem que outros sejam os protagonistas da mudança, vocês são os que têm o futuro, através de vocês entra o futuro no mundo".

"Peço-lhes que sejam construtores do futuro e se envolvam no trabalho por um mundo melhor". Essa mudança tem de começar por cada pessoa.

Animou por isso os jovens católicos para que continuem a “superar a apatia” e lutem pela mudança nos seus países.

Os jovens “querem ser um terreno bom, cristãos a sério, não querem ser cristãos pela metade, nem ‘engomadinhos’" nem "cristãos de fachada, mas sim autênticos”.

As novas gerações sejam "protagonistas da história" e "construam um mundo melhor, um mundo de irmãos". “Os jovens nas ruas querem ser actores de mudança. Por favor, não deixem que sejam os outros os actores da mudança. Não fiquem à margem da vida, não foi [à margem] que Jesus permaneceu. Ele comprometeu-se. Comprometam-se tal como fez Jesus!”

“O vosso jovem coração quer construir um mundo melhor. Sigo as notícias do mundo e vejo tantos jovens que saem à rua para exprimir o seu desejo de uma civilização mais justa e fraterna”.

Os jovens devem combater a “apatia e oferecer uma resposta cristã às inquietudes sociais e políticas que surgem nas diferentes partes do mundo”. “Peço-vos que sejam os construtores do futuro.”

Ídolos efémeros.

“É verdade que hoje as pessoas experimentam o fascínio de tantos ídolos que se colocam no lugar de Deus e parecem dar esperança: o dinheiro, o poder, o sucesso, o prazer”. “Frequentemente, uma sensação de solidão e vazio conduz à busca dessas compensações, esses ídolos passageiros”. “Mas tenhamos uma visão positiva sobre a realidade”.

“Sei que vocês não querem viver na ilusão de uma liberdade que se deixe arrastar pelas modas e as conveniências do momento. Sei que apostam em algo grande, em decisões definitivas que dêm pleno sentido”.

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PASSOS FALA DA SUA FÉ !!!


Passos não acredita que a nossa Constituição nos impeça de fazer o que qualquer sociedade desenvolvida faz”. Mas o povo é tolerante e não descrimina as religiões. Não lhe interessa a religião do PM, daquilo em que acredita ou não. Por outro lado um PM não tem que dizer que acredita ou não na Constituição, apenas tem que a saber, interpretar e explicar aos cidadãos, sem que a estes restem dúvidas.

Diz que é “verdadeiramente importante” definir o que o Estado pode fazer directamente e o que pode fazer em parceria com a sociedade civil. Mas porque não definiu ainda, depois de dois anos de governo?

O povo mais desprotegido, as denominadas classes média e baixa, tem vindo a ser obrigado a apertar o cinto, já em torno das vértebras, desde há dois anos, sem ainda vislumbrar quando pode «acreditar» que irá aliviar um furo.

Tem razão quando diz não compreender o que se tem passado, nestes últimos dois anos de austeridade sucessivamente agravada, «a indulgência perante a irresponsabilidade e o que eu acho indesculpável é uma sociedade política que não tem inteligência e exigência para cobrar a quem governa os resultados que são importantes para o país”.

Aquilo em que agora diz acreditar é um quadro de maravilha que nos prometeu, há mais de dois anos, na pré-campanha eleitoral das legislativas. Como então venceu a s eleições, agora está a usar os mesmos truques na esperança de ganhar as autárquicas, mas o clima de confiança e de credibilidade é diferente o que torna necessário mudar o discurso e deixar de falar naquilo em que acredita ou não acredita e começar a mostrar resultados visíveis do «trabalho» feito. Com uma boa «informação», até pode ser que o povo se esqueça dos sacrifícios feitos e acredite que os resultados foram compensação suficiente. Mas o acreditar é um fenómeno tão subjectivo que a sua modificação pode não estar ao alcance das mentes «iluminadas» dos políticos que nos têm enganado, como a promessa de que em 2013 acabaria a recessão.

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domingo, 28 de julho de 2013

PAPA FRANCISCO E A SOCIEDADE FUTURA


Transcrição de artigo com interesse para estudos geoestratégicos:

«OPapa Francisco pode ser o líder de uma revolução mundial» EL PAÍS, 
EL PAIS, Madrid 30-3-2013 Por Juan Arias Publicado em julho 3, 2013 por R Paiva

Juan Arias escreveu em El País, periódico espanhol de tendência socialista (Madri 30.03.13) que “a Igreja encontrou um líder? E o mundo político? A Igreja foi mais rápida que o mundo político”. O articulista traça um retrato da Igreja na Europa, cuja população envelhece e as crianças rareiam, vendendo templos, muitos convertidos em boates, e o mundo político, “que se encontra perdido numa profunda crise, não só económica, mas também de valores, órfão de liderança, em plena revolta civilizacional”. Então, “as duas instituições – a religiosa e a leiga – se arrastam sem horizontes para as jovens gerações, sem saber por onde ir”.

Arias admira-se  de que, “nesse panorama, a Igreja, com seus dois mil anos de história, seus santos e demônios, suas inquisições e mártires da caridade, conseguiu encontrar um líder mundial (…) Um pequeno grupo de cardeais – a maioria anciãos e conservadores – (…) deram-se conta de que o eixo do mundo mudou: já não é a Europa, mas os países emergentes”. Por isso foram procurar o novo Papa longe.

O Papa Francisco, que “se continua intitulando sacerdote e bispo, se converteu, em menos de um mês no cargo, “no personagem mais em foco do planeta, como um dia foram Gandhi e Martin Luther King (…) Com alguns gestos simbólicos ele desencadeou uma autêntica revolução religiosa e política, que começa a refletir-se além da Igreja”.

Arias relembra como Stalin perguntou quantas tropas tinha o Papa: “Falava de armas, contudo, a Igreja tem outras armas, que começavam a enferrujar”. Ela é uma instituição, acrescenta, “apesar dos erros que arrasta, das melhor organizadas do mundo, que conta com ‘meros’:

• 1.200 milhões de fiéis;
• Um exército de 1 milhão de sacerdotes e religiosos;
• Com 114.736 instituições assistências pelo mundo;
• 5.246 hospitais;
• 74 mil dispensários e leprosários;
• 15.208 residências para anciãos necessitados;
• 1.046 universidades;
• 205 mil colégios;
• 70 mil acolhimentos para 7 milhões de crianças;
• 687.282 centros sociais;
• 131 centros de apoio a pessoas que sofrem de AIDS em 41 países”.

Arias cita um líder comunista italiano, que comentava que se o Partido contasse com estes elementos, faria “uma verdadeira revolução social”, e comenta: “E essa verdadeira revolução social é a que o Papa Francisco começou a levar a cabo na Igreja, e que o mundo político parece incapaz de empreender, mergulhado em suas receitas de sacrifícios e cortes de gastos com os mais fracos, enquanto, como erva daninha, se multiplica a corrupção dos políticos e banqueiros”.

O articulista prossegue : “A Igreja parece ter encontrado este líder. E não é um líder místico, trancado em suas orações, com uma visão arcaica e autoritária da fé, mas alguém que pediu aos militantes deste exército que deixem de ser ‘coleccionadores de antiguidades’ e cultivadores de ‘teologias narcisistas” para irem “sujar os pés com o barro nas periferias do mundo’, onde se encontram os mais explorados pelo poder”.

Segundo Arias, este Papa é um jesuíta dotado de “racionalidade e fé”, que, além de teologia, estudou psicologia e literatura. Um jesuíta, que adoptou como símbolo o nome de Francisco, “pode chegar a ser mais que um líder espiritual de uma Igreja. Seus antecedentes como arcebispo e cardeal de Buenos Aires e seus primeiros gestos de desapego às aparências e símbolos de poder do vaticano, a fim de enfatizar que a Igreja deve ser ‘pobre para os pobres’ o estão convertendo numa referência política e social para o mundo”.

Por isso, os poderosos estão percebendo, até com certo medo, que “o Papa Francisco não é apenas um religioso que se contentará em lavar os pés dos pobres e visitar favelas”. Eles começam a intuir que “apostar nos deserdados da terra, na escória do mundo, nos desalojados, não só para os consolá, mas para os elevar social e culturalmente (…), equivale a uma nova revolução mundial”.

Arias refere que se diz que o Papa Francisco, quando encontra agnósticos e ateus, só lhes fala de Deus se eles tomam iniciativas, mas sempre lhes pergunta se estão disponíveis para se empenhar na luta contra as injustiças. Ele gosta da política “como força responsável pelo bem-estar das pessoas”.

Comenta que as autoridades brasileiras estão preparando um serviço de segurança com 750 policiais e militares para proteger o Papa em sua vinda ao Rio para a Jornada Mundial da juventude, e diz: “Não será fácil, contudo, blindar totalmente um Papa, que pediu aos sacerdotes do mundo inteiro que ‘não tenham medo de perder a própria vida’, se o empenho social e religiosos o exigisse”.

O longo artigo – que merece ser lido na íntegra – conclui citando Gandhi: “Os covardes, afinal, são já vivos mortos”.

Publicado em Coisas do Povo de Deus por R Paiva. Marque Link Permanente.

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FALAR PARA FALAR !!!


O primeiro-ministro disse há dias que o país precisa de um “clima de união nacional que permita convergência", o que foi muito criticado por ter utilizado uma expressão «excomungada» há quase 40 anos. Mas em vez de escolher uma ideia inovadora reafirma apelo à "união nacional", mostrando a sua teimosia obsessiva e arrogamte.

Independentemente do termo usado, Esta reiteração do desejo de «união nacional» não está explicada, pois ela não poderá traduzir-se em todo o país começar a aplaudir o PM, mesmo quando a sua inflexibilidade se manifesta por arrogância e teimosia raiando o patológico. União não pode significar que cada cidadão se submeta aos caprichos mal definidos do PM, abdicando do seu próprio conceito de patriotismo e interesses nacionais.

Passos Coelho sempre afirmou guiar-se pelas suas próprias ideias, sem as explicar, «custe o que custar» e afirmou ignorar os sinais de «indignação» dos portugueses expressos através de grandes manifestações ou da greve geral ou de afirmações públicas de parceiros sociais, partidos, etc.

Ora, para haver união tem que haver vontade de aproximação, de sensibilidade para ouvir e sentir o pensamento da população, tal como fez o Papa Francisco ao ir ao encontro da Juventude Mundial e do povo brasileiro. Os governantes, se não encontrarem exemplo melhor, sigam o de Sua Santidade, lendo, ouvindo e meditando as suas palavras difundidas por diversos órgãos de Comunicação Social. E em vez de «união nacional», falem de convergência de todos, amor a Portugal, bem nacional, etc tudo menos despertar fantasmas indesejados.

Seria bom que seguisse os conselhos de colegas de partido, que só falasse quando tivesse algo de importante a dizer, que não fosse apenas palpite ou vago sonho e que, antes de falar, se preparasse bem a fim de evitar banalidades inconsistentes e efémeras que depois não são concretizadas.

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sábado, 27 de julho de 2013

UNIÃO NACIONAL - O OBJECTIVO???


Depois do post anterior, um amigo enviou-me o código que permite colocar o seguinte vídeo:

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IGNORÂNCIA? PROVOCAÇÃO? AMEAÇA???!!!


Passos apela a acordo com PS para «clima de união nacional»

O primeiro-ministro apelou a um acordo e convergência de objectivos com o PS, para além da actual legislatura, que termina em 2015, de modo a conseguir um clima de união nacional. «Desde que tenhamos os pés assentes na terra e sejamos realistas - quer dizer, não comecemos a estabelecer objectivos que estão manifestamente para além daquilo que as condições nos permitem -, então é possível vencer e ultrapassar obstáculos e conseguir um clima de união nacional, não é de unidade nacional, é de união nacional, que permita essa convergência».

UNIÃO NACIONAL era o partido único da época do Estado Novo, o regime de Salazar. Como se compreende a utilização deste conceito, com estas palavras, e com a insistência do PM? Será ignorância da história recente? Será uma provocação ao PS? ou será uma ameaça aos portugueses do regresso ao partido único da «ditadura»?

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sexta-feira, 26 de julho de 2013

SINAIS DE MUDANÇAS GLOBAIS


Evolução surpresa da sociedade, em perspectiva

Há cerca de 3 ou 4 meses começaram a dar-se alterações profundas, e de nível global, em 10 dos principais factores que sustentam a sociedade actual. Num processo rápido e radical, que resultará em algo novo, diferente e porventura traumático, com resultados visíveis dentro de 6 a 12 meses... E que irá mudar as nossas sociedades e a nossa forma de vida nos próximos 15 ou 25 anos!

... tal como ocorreu noutros períodos da história recente: no status político-industrial saído da Europa do pós-guerra, nas alterações induzidas pelo Vietname/ Woodstock/ Maio de 68 (além e aquém Atlântico), ou na crise do petróleo de 73.

Façamos um rápido balanço da mudança, e do que está a acontecer aos "10 factores":

1º- A Crise Financeira Mundial : desde há 8 meses que o Sistema Financeiro Mundial está à beira do colapso (leia-se "bancarrota") e só se tem aguentado porque os 4 grandes Bancos Centrais mundiais - a FED, o BCE, o Banco do Japão e o Tesouro Britânico - têm injectado (eufemismo que quer dizer: "emprestado virtualmente à taxa zero") montantes astronómicos e inimagináveis no Sistema Bancário Mundial, sem o qual este já teria ruído como um castelo de cartas. Ainda ninguém sabe o que virá, ou como irá acabar esta história !...

2º- A Crise do Petróleo : Desde há 6 meses que o petróleo entrou na espiral de preços. Não há a mínima ideia/teoria de como irá terminar. Duas coisas são porém claras: primeiro, o petróleo jamais voltará aos níveis de 2007 (ou seja, a alta de preço é adquirida e definitiva, devido à visão estratégica da China e da Índia que o compram e amealham!) e começarão rapidamente a fazer sentir-se os efeitos dos custos de energia, de transportes, de serviços. Por exemplo, quem utiliza frequentemente o avião, assistiu há 2 semanas a uma subida no preço dos bilhetes de... 50% (leu bem: cinquenta por cento). É escusado referir as enormes implicações sociais deste factor: basta lembrar que por exemplo toda a indústria de férias e turismo de massas para as classes médias (que, por exemplo, em Portugal ou Espanha representa 15% do PIB) irá virtualmente desaparecer em 12 meses! Acabaram as viagens de avião baratas (...e as férias massivas!), a inflação controlada, etc...

3º- A Contracção da Mobilidade : fortemente afectados pelos preços do petróleo, os transportes de mercadorias irão sofrer contracção profunda e as trocas físicas comerciais (que sempre implicam transporte) irão sofrer fortíssima retracção, com as óbvias consequências nas indústrias a montante e na interpenetração económica mundial.

4º- A Imigração : a Europa absorveu nos últimos 4 anos cerca de 40 milhões de imigrantes, que buscam melhores condições de vida e formação, num movimento incessante e anacrónico (os imigrantes são precisos para fazer os trabalhos não rentáveis, mas mudam radicalmente a composição social de países-chave como a Alemanha, a Espanha, a Inglaterra ou a Itália). Este movimento irá previsivelmente manter-se nos próximos 5 ou 6 anos! A Europa terá em breve mais de 85 milhões de imigrantes que lutarão pelo poder e melhor estatuto sócio-económico (até agora, vivemos nós em ascensão e com direitos à custa das matérias-primas e da pobreza deles)!

5º- A Destruição da Classe Média : quem tem oportunidade de circular um pouco pela Europa apercebe-se que o movimento de destruição das classes médias (que julgávamos estar apenas a acontecer em Portugal e à custa deste governo) está de facto a "varrer" o Velho Continente! Em Espanha, na Holanda, na Inglaterra ou mesmo em França os problemas das classes médias são comuns e (descontados alguns matizes e diferente gradação) as pessoas estão endividadas, a perder rendimentos, a perder força social e capacidade de intervenção.

6º- A Europa Morreu : embora ainda estejam projectar o cerimonial do enterro, todos os Euro-Políticos perceberam que a Europa moribunda já não tem projecto, já não tem razão de ser, que já não tem liderança e que já não consegue definir quaisquer objectivos num "caldo" de 27 países com poucos ou nenhuns traços comuns!... Já nenhum Cidadão Europeu acredita na "Europa", nem dela espera coisa importante para a sua vida ou o seu futuro! O "Requiem" pela Europa e dos "seus valores" foi chão que deu uvas: deu-se há dias na Irlanda!

7º- A China ao assalto! Contou-me um profissional do sector: a construção naval ao nível mundial comunicou aos interessados a incapacidade em satisfazer entregas de barcos nos próximos 2 anos, porque TODOS os estaleiros navais do Mundo têm TODA a sua capacidade de construção ocupada por encomendas de navios.... da China. O gigante asiático vai agora "atacar" o coração da Indústria europeia e americana (até aqui foi just a joke...). Foram apresentados há dias no mais importante Salão Automóvel mundial os novos carros chineses.
Desenhados por notáveis gabinetes europeus e americanos, Giuggiaro e Pininfarina incluídos, os novos carros chineses são soberbos, réplicas perfeitas de BMWs e de Mercedes (eu já os vi!) e vão chegar à Europa entre os 8.000 e os 19.000 euros! E quando falamos de Indústria Automóvel ou Aeroespacial europeia...helás! Estamos a falar de centenas de milhar de postos de trabalhos e do maior motor económico, financeiro e tecnológico da nossa sociedade. À beira desta ameaça, a crise do têxtil foi uma brincadeira de crianças! (Os chineses estão estrategicamente em todos os cantos do mundo a escoar todo o tipo de produtos da China, que está a qualificá-los cada vez mais).

8º- A Crise do Edifício Social : As sociedades ocidentais terminaram com o paradigma da sociedade baseada na célula familiar! As pessoas já não se casam, as famílias tradicionais desfazem-se a um ritmo alucinante, as novas gerações não querem laços de projecto comum, os jovens não querem compromissos, dificultando a criação de um espírito de estratégias e actuação comum...

9º- O Ressurgir da Rússia/Índia : para os menos atentos: a Rússia e a Índia estão a evoluir tecnológica, social e economicamente a uma velocidade estonteante! Com fortes lideranças e ambições estratégicas, em 5 anos ultrapassarão a Alemanha!

10º- A Revolução Tecnológica : nos últimos meses o salto dado pela revolução tecnológica (incluindo a biotecnologia, a energia, as comunicações, a nano tecnologia e a integração tecnológica) suplantou tudo o previsto e processou-se a um ritmo 9 vezes superior à média dos últimos 5 anos!

Eis pois, a Revolução!

 Tal como numa conta de multiplicar, estes dez factores estão ligados por um sinal de "vezes" e, no fim, têm um sinal de "igual". Mas o resultado é ainda desconhecido e... imprevisível. Uma coisa é certa: as nossas vidas vão mudar radicalmente nos próximos 12 meses e as mudanças marcar-nos-ão (permanecerão) nos próximos 10 ou 20 anos, forçando-nos a ter carreiras profissionais instáveis, com muito menos promoções e apoios financeiros, a ter estilos de vida mais modestos, recreativos e ecológicos.

Espera-nos o Novo! Como em todas as Revoluções!

Um conselho final: é importante estar aberto e dentro do Novo, visionando e desfrutando das suas potencialidades! Da Revolução! Ir em frente! Sem medo!

Afinal, depois de cada Revolução, o Mundo sempre mudou para melhor!...

Frase da filósofa russo-americana Ayn Rand (Judia, fugitiva da revolução russa, que chegou aos Estados Unidos na metade da década de 1920), mostrando uma visão com conhecimento de causa:

“Quando você perceber que, para produzir, precisa obter a autorização de quem não produz nada;
quando comprovar que o dinheiro flui para quem não negocia com bens, mas com favores;
quando perceber que muitos ficam ricos pelo suborno e por influência, mais que pelo trabalho, e que as leis não nos protegem deles, mas, pelo contrário, são eles que estão protegidos de você;
quando perceber que a corrupção é recompensada e a honestidade se converte em auto-sacrifício;
então poderá afirmar sem temor de errar, que a sua sociedade está condenada”.

Recebido por e-mail

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DEMOCRACIA É UM SONHO IMPERFEITO


A Democracia constitui uma forma de governar os destinos dos países muito difícil de concretizar, podendo ser considerada um sonho imperfeito, pois parece praticamente irrealizável no seu mais alto ideal. O povo vota sem ter conhecimento satisfatório dos efeitos da sua opção, sem conhecer os factores da decisão nem poder prever razoavelmente os efeitos desta nem das alternativas por onde escolher, isto é, as qualidades e capacidades dos candidatos.

Este assunto é grave porque da parte dos candidatos há pouco amor ao seu País e são arrastados por pressões inconfessadas de grupos sombra que acabam por dominar o poder sem serem eleitos. Na generalidade são adoradores de «ídolos efémeros» como o dinheiro, o poder, a ostentação, o egocentrismo, etc.

E o pior é que não se aparenta fácil encontrar uma solução para a cura dos males que afectam a democracia e que infestam a vida da generalidade dos seres humanos, em todos os continentes.

Vejamos os efeitos da «primavera» que parecia libertar o Norte de África do domínio ditatorial. O Egipto, tentou enveredar pela democracia e hoje ainda não estabilizou uma vivência pacífica e duradoura. Nestes dias mais recentes, na sequência de perturbações e do golpe militar  foi noticiada nova onda de violência no Cairo entre simpatizantes e opositores de Morsi, o presidente deposto, o que acabou por levar a ONU a tomar uma atitude, aparentemente ineficaz, com o seu Secretário-geral a pedir a libertação de Morsi.

Na Tunísia, político da oposição foi assassinado, o que deu ocasião de o PM qualificar o assassínio de "crime odioso", talvez sem verdadeira convicção, mas com a prudente tentativa de evitar que a oposição se vire para ondas de violência que criem uma instabilidade que coloque em risco a vida económica do país, nomeadamente o turismo, uma importante origem de divisas e ponto alto dos interesses nacionais.

E apesar de a democracia ser um sonho imperfeito, cabe a todos os políticos no Governo ou na oposição a fazer um esforço persistente, continuado e patriótico com a finalidade de garantir uma vida socialmente justa, pacífica, com pernas para andar cada vez melhor no futuro dos Estados e da Humanidade. E um tal objectivo não pode ser atingido se forem desprezados os bairros dos arredores das cidades, as gentes do interior, oe reformados e, de uma forma geral, os mais indefesos, isto é, se não se cuidar da «justiça social». Todos somos pessoas, todos fazemos parte da Nação, da Humanidade, que desejamos mais justa, solidária e fraterna.

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PUTIN ESCLARECE OS IMIGRANTES


Claro, Preciso e Conciso!

No dia 4 de Fevereiro de 2013, Vladimir Putin, o Presidente Russo, falando à DUMA (Parlamento Russo) fez o seguinte discurso sobre as situações de tensão que se dão com as minorias na Rússia:

"Na Rússia vivem Russos. Qualquer minoria, seja ela donde for, que queira viver, trabalhar e comer na Rússia, deverá falar Russo e deverá respeitar as leis Russas. Se preferirem a Lei Sharia, então avisamo-los para irem para os países onde essa seja a lei estatal.

A Rússia não tem necessidade de minorias. As minorias é que necessitam da Rússia, e nós não lhes concederemos privilégios especiais, nem tencionamos mudar as nossas leis para ir ao encontro dos seus desejos, não importando quão alto gritarem "discriminação". Será melhor que aprendamos com os suicídios da América, Inglaterra, Holanda e França, se quisermos sobreviver como nação. Os costumes e tradições Russas não são compatíveis com a falta de cultura ou os modos primitivos da maior parte das minorias.

Quando este honorável corpo legislativo pensar em criar novas leis, deverá ter em mente em primeiro lugar os interesses nacionais, atendendo que as minorias não são Russas.»

Os políticos na DUMA prestaram a Putin uma estrondosa ovação, de pé, durante 5 minutos.

NOTA: Trata-se de uma lição para o Mundo. O migrante deve respeitar os usos e costumes da sociedade em que vai viver. Ouvi, desde pequeno: «na terra onde chegares faz como vires fazer se não queres aborrecer».
Recebido por e-mail, hoje.

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quinta-feira, 25 de julho de 2013

A «PODRIDÃO», DE RUI MACHETE


Rui Manuel Parente Chancerelle de Machete, nomeado ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, conta na sua extensa carreira política com os seguintes cargos: Comissão Política do PSD, ex-vice-primeiro-ministro do Governo do Bloco Central [PSD/CDS], secretário de Estado da Emigração em 1975, ministro dos Assuntos Sociais (1977-1979), ministro da Justiça (1983-1985) e vice-primeiro-ministro e ministro da Defesa (1985) do executivo de coligação entre o PS de Mário Soares e o PSD de Mota Pinto.

Foi presidente do Conselho Superior da SLN Valor, que detinha o BPN e, antes, no início dos anos 80, tinha sido administrador da principal entidade fiscalizadora da atividade bancária, o Banco de Portugal, Foi presidente do Conselho Fiscal do Taguspark, sociedade que se viu envolvida num processo-crime a propósito de um contrato publicitário com o ex-futebolista Luís Figo e de ligações consideradas suspeitas à campanha para a reeleição do então ex-primeiro-ministro socialista José Sócrates, em 2009.

Interrogado, após a tomada de posse, sobre a polémica em torno da sua passagem pela Sociedade Lusa de Negócios (SLN), a holding do Banco Português de Negócios (BPN), o banco nacionalizado pelo Estado em 2008 e que envolveu um custo de mais de quatro mil milhões de euros para os contribuintes, (esse facto não consta do seu currículo oficial, apesar de ter sido presidente durante vários anos do Conselho Superior da SLN), Rui Machete respondeu: "Isso denota uma certa podridão dos hábitos políticos, porque deviam saber em que condições eu passei, em vez de darem notícias bombásticas".

Quanto à referida «podridão», fala quem bem conhece os meandros da actividade política, pelo que não podemos duvidar.

Machete também foi, entre muitos outros cargos, presidente do Conselho Fiscal do Taguspark, sociedade que se viu envolvida num processo-crime a propósito de um contrato publicitário com o ex-futebolista Luís Figo e de ligações consideradas suspeitas à campanha para a reeleição do então ex-primeiro ministro socialista José Sócrates, em 2009.

Apesar da sua convicção, assente em longa experiência, de tal podridão e de não ter pensado voltar ao Governo, não hesitou em aceitar o convite para MNE, «pela situação do país". Mas o que é mais estranho é que não se trata de uma pasta qualquer mas de uma que o coloca em contacto directo com os EUA, com os quais teve «pequenos» atritos durante as duas décadas em que geriu a Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD) que lhe mereceram críticas duras feitas pela diplomacia dos EUA à forma como geriu a Instituição. Rui Machete tornou-se administrador da FLAD em 1985, logo quando a fundação foi criada com dinheiro dos EUA no âmbito do acordo das Lajes, tornando-se seu presidente em 1988 e sendo substituído no cargo por Maria de Lurdes Rodrigues em 2010.

«Num relatório enviado a 15 de dezembro de 2008 para o Departamento de Estado em Washington pelo então embaixador dos EUA em Portugal, Thomas Stephenson, Rui Machete era arrasado pela forma como geriu ao longo de duas décadas a Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD), visto como "suspeito de atribuir bolsas para pagar favores políticos e manter a sua sinecura".

O embaixador norte-americano, nesse telegrama, argumentava que "chegou a hora de decapitar Machete" com base, entre outras coisas, no facto de a fundação "continuar a gastar 46% do seu orçamento de funcionamento nos seus gabinetes luxuosos decorados com peças de arte, pessoal supérfluo, uma frota de BMW com motorista e 'custos administrativos e de pessoal' que incluem por vezes despesas de representação em roupas, empréstimos a baixos juros para os trabalhadores e honorários para o pessoal que participa nos próprios programas da FLAD".


Com este cenário, parece que O MNE terá de delegar num secretário de Estado bem preparado, as relações entre Portugal e os EUA a fim de poupar o ministro a enxovalhos que lesem os interesses do País.

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POESIA DE ZÉLIA CHAMUSCA

Transcrição do blog Narciso dos Bosques seguida de NOTA:

Coragem? Ou cobardia?

Um outro dia
ouvi chamar coragem
à cobardia.
Que ironia…

A vil cobardia
é medo,
é fraqueza,
pois, apenas, atinge
os que não têm defesa,
a quem o sofrimento inflige!

É cobarde, é traidor
o que atinge o desprotegido,
a quem causa tanta dor,
fazendo deste
o alvo preferido.

O rico está isento
do tormento…
Na guerra, o rico foge;
Fica o pobre,
e, só este sofre…
É o pobre que de escudo serve
para proteger o rico a quem serve…

E, até nas intempéries,
Deus meu,
nas catástrofes naturais
são os pobres que sofrem mais…

É tal a injustiça
que até brada aos céus,
causando tantos escarcéus,
que por vezes chego a crer
que estou a enlouquecer…

Quando ouço chamar
coragem à cobardia
é tanta a ousadia
que já nem sei
se louca serei,
perante tanta cobardia
que só por ironia
será coragem
algum dia!...
«»

Zélia Chamusca


NOTA: Felicito a Amiga Zélia por nos trazer tópicos de meditação que desejo sejam bem aproveitados pelos leitores.
Não tenho a coragem de ousar comentar o valor da poesia, mas esboço uma ligeira consideração acerca do tema, aqui tratado com a liberdade poética, com base em observações ocorridas durante a vida. Nesta nem tudo acontece a preto e branco, havendo nuances, ao ponto de, muitas vezes, não se distinguir a diferença entre uma coisa e outra.
As palavras nem sempre traduzem as realidades e há actos de coragem que são loucura e insensatez e outros considerados cobardia que são reflexo de sensatez, serenidade, maturidade. Numa e noutra atitude, o essencial é agir com consciência, após uma, mesmo que curta, reflexão sobre a melhor solução e os possíveis efeitos da forma como decidirmos actuar.
O jovem rei D. Fernando era «corajoso» a tal ponto que o cardeal que lhe servia de mestre lhe chamava a atenção para a conveniência de ser mais contido nas suas acções demasiado exuberantes. O rei perguntou Mas o que é o medo, de que cor é? Ao que o mestre respondeu o medo é da cor da prudência.
Muita gente corre atrás de «ídolos passageiros» para alimentar a exibição a vaidade, a ostentação, multiplica as aparições em público e as palavras abundantes e sem conteúdo, numa aparente coragem falaciosa, mas que mais parece uma cobardia que procura ficar oculta pela poeira levantada pela exteriorização «publicitária».
Não se deve saltar de uma janela para a rua, mesmo em caso de incêndio, com o estilo com que se salta da prancha para a piscina.
Peço desculpa à grande poetiza, por este abuso de lhe ocupar espaço. Mas como comecei por dizer, temas como este merecem meditação e seria bom que surgissem muitos comentadores a aprofundar o assunto. Ler mais...

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terça-feira, 23 de julho de 2013

REFORMA DO ESTADO EM BANHO-MARIA


Transcrição de notícia seguida de duas NOTAS, de AJS e de JMS:

Estudo da reforma hospitalar já ultrapassa prazos da troika
 Ionline. Por Marta F. Reis. publicado em 23 Jul 2013 - 05:00

Memorando prevê reorganização de unidades até ao final de 2013. Novo grupo de trabalho em funções até 2014

É um ponto inalterado no Memorando: até Novembro de 2012 o Ministério da Saúde deveria ter apresentado um plano detalhado para a reorganização e a racionalização da rede hospitalar, ajustando a actividade de áreas curativas para outras, como reabilitação ou cuidados paliativos, reduzindo redundâncias e obtendo escala. Data de implementação desse plano, que nunca foi público: fim de 2013.

A nomeação de um novo grupo de peritos, ontem, em Diário da República, sugere que pelo menos o estudo da reforma promete continuar: uma equipa coordenada por Rui Santana, da Escola Nacional de Saúde Pública, tem agora 180 dias para apresentar um relatório sobre a integração de cuidados primários, hospitalares e continuados no âmbito do SNS. O prazo de seis meses faz com que este trabalho já só deva ficar concluído após os prazos da troika para a reforma, no início de 2014.

A nomeação da equipa de Santana surge depois de, ainda na sexta-feira, um despacho do Ministério da Saúde ter nomeado um grupo técnico para avaliar as propostas de reforma da rede hospitalar feitas nos últimos meses pelas unidades e pelas administrações regionais.

Questionado sobre o porquê deste segundo grupo de trabalho no âmbito da reforma hospitalar - quando para mais existe ainda um outro grupo a debruçar-se desde Junho sobre cuidados continuados -, o gabinete do ministro da Saúde justifica--se com âmbitos diferentes. Fonte oficial nega também que estas sucessivas nomeações signifiquem um adiamento da reforma. "Não haverá reforma de fundo no sentido de tudo acontecer de um dia para outro. A reforma está a fazer-se gradualmente e sem sobressaltos", disse ao i o ministério.

Fica contudo por esclarecer como se articulam todos estes trabalhos e em que medida as reformas que já estão a ocorrer no SNS, como a reorganização do Centro Hospitalar de Lisboa Central, que pretende por exemplo encerrar a MAC, ou em Coimbra, com fusão de urgências e maternidades, se integram nesta metodologia de trabalho em torno da reforma do SNS.

Desde Novembro de 2011, quando foi conhecida a proposta de reforma hospitalar do primeiro grupo nomeado por Paulo Macedo, têm-se seguido novas equipas para aprofundar esse documento. Este ano foram pelo menos cinco. Até ao final de Junho tinham ficado de ser entregues estudos sobre blocos operatórios, centros de excelência e cuidados intensivos, além da distribuição de equipamento pesado. Ontem o ministério não esclareceu se estes trabalhos já foram entregues. Não é também público de que forma pesam nas decisões tomadas a nível local.

Confrontado com a ideia de ser preciso pôr fim a "uma cultura onde se solicitam estudos sem que se retire deles a mais pequena mais-valia", frase de Paulo Macedo na apresentação do estudo da reforma hospitalar em Novembro de 2011, o secretário de Estado Adjunto negou ontem ao i que haja desaproveitamento ou redundância nos estudos solicitados. "Estamos a criar um edifício de evidência que tem sido progressivamente usado. Temos feito progressos consistentes, sem ruído e com muita determinação", disse Leal da Costa. "O conhecimento vai-se construindo gradualmente e a melhor prova de que estamos a caminhar bem é que não há notícia de qualquer implosão do SNS, apesar de muitos terem vaticinado o seu fim com a chegada deste governo."

NOTA de AJS:

Uma notícia que vem comprovar que a intenção da REFORMA ESTRUTURAL DO ESTADO, prometida há dois anos, se encontra na gaveta, conservada em naftalina, se é que a naftalina conserva intenções !!!
E isto refere-se apenas à rede hospitalar, mas há um largo conjunto de sectores de que nem se fala. Temos vivido de promessas e parece que a continuidade continuará a ser a nossa sina. Não esquecer que continuidade significa estabilidade, imobilismo, estagnação, pântano, putrefacção, mau cheiro, pestilência… e DEPOI???

NOTA de JMS, recebida por e-mail acerca de assunto simillar:

Pois, claro!
Esta é a verdadeira austeridade por onde deveríamos ter começado!
Se juntarmos a isto o encerramento da maior parte das Fundações pertencentes ao Estado, bem como observatórios e outros organismos dos Ministérios que duplicam o que fazem outros departamentos desses mesmos Ministérios, se reduzissem ou cortassem mesmo as comparticipações do Estado em tantas Fundações inúteis, se reduzissem drasticamente o número de consultores e assessores GT ( veja-se, por exemplo o “belo” ramalhete de 140 historiadores e 145 especialistas de marketing da Câmara de Lisboa!), se forçassem as Câmaras a encerrar as Empresas Municipais inúteis e que apenas foram constituídas para possibilitarem o aparecimento de conselhos de administração para empregar a clientela partidária, bem que o deficit estatal diminuiria e poderia ser reduzida a carga fiscal e os cortes cegos nos vencimentos e pensões!!

Mas para isso, seria preciso um Primeiro Ministro e um Governo de pessoas corajosas e determinadas a lutar contra os grupos de pressão instalados no poder.
Mas tal será impossível através de eleições, pois serão sempre os mesmos, os dos grupos que estão a soldo dos grandes “lobbies”, os que são escolhidos para líderes dos partidos e membros do Governo e da Assembleia da República!

Quanto a mim, a primeira pessoa a ser destituída seria o próprio Presidente da República, um verdadeiro estropício que está a deixar o País ir à completa ruína e ao descalabro total!

Agora, que essa criatura tinha mostrado que tudo fizera para salvar o pouco que resta, foi desencantar esta coxa solução em vez de nomear um Governo de sua iniciativa para iniciar uma verdadeira recuperação e uma tão necessária limpeza do Estado e redução drástica do poder e influência desses grupos que tomaram conta dos destinos do nosso Portugal!!

Apenas nos resta esperar que a situação chegue a tal ponto, que algum desses organismos internacionais sinistros venha tomar conta do que resta!

José Morais da Silva

Mais sobre o mesmo tema:

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segunda-feira, 22 de julho de 2013

AS CRISES DEVEM SERVIR DE LIÇÃO E DE VACINA


A crise política. embora esteja ainda à espera de remodelação do Governo, parece que já pode considerar-se terminada, depois de três semanas de «paragem» da actividade governativa.

O que se esperava e o que esteve na causa do falhanço do Compromisso de Salvação Nacional?

A conclusão do processo mostrou que o objectivo esperado não era realista. O interesse de Portugal é coisa que parece estar muito distante dos ideais dos partidos políticos que estão habituados a colocar os seus próprios interesses à frente de tudo, com o olho nas próximas eleições. E se, em conversa, podem referir os interesses nacionais, eles são sempre vistos como eventual resultado da aplicação das suas normas ideológicas e não estão dispostos a contrariar estas, declaradamente. Basta serem esquecidas quando os interesses particulares de políticos, ou interesses de oportunidade do próprio partido os levem a manobras heterodoxas.

E, apesar do muito que se tem ouvido, pois ser político tem muito de papagaio, difícil de fazer calar, não têm faltado afirmações que virão a ser relembradas em momentos futuros adequados mas que, se bem interpretadas, pouco ou nada esclarece.

Mas peneirando toda essa poeira ou fumaça, poderá concluir-se que, por um lado, o Governo não podia aderir com sinceridade ao diálogo proposto pelo PR. Não podemos esquecer que, repetidamente, dizia que as suas soluções dos problemas estavam correctas e iriam para a frente «custe o que custar, não aceitando propostas e sugestões da oposição, nem a indignação de manifestantes ou de grevistas nem reclamações e sugestões de parceiros sociais, etc. Estas atitudes de arrogância e de «quero, posso e mando» não podiam augurar bons resultados de qualquer simulação de diálogo.

Pelo outro lado, o partido da oposição, depois de tantas sugestões e propostas apresentadas na AR terem sido recusadas, deverá ter alimentado a vã esperança de ver agora o Governo fazer um ajustamento do rumo por forma a se aproximar da redução da austeridade e do alívio dos sacrifícios dos portugueses mais indefesos e, por isso, depois do desprezo de dois anos, persistiu nas suas normas ideológicas e nos seus ideias de democracia. Assim se deu um duelo entre guerreiros demasiado couraçados contra as armas do adversário e nenhum se sentiu forçado a fazer cedências, como seria lógico em qualquer negociação normal e interessada em atingir um objectivo comum: o de unir esforços para a Salvação Nacional, coisa que parece desconhecerem totalmente.

Esta simples tentativa de destrinçar a meada não responde a grande parte das dúvidas, principalmente as de mais pormenor. Deixo aos intelectuais meticulosos que completem a análise mas sem aumentar a complexidade dos nós e contra-nós do emaranhado que confunde as pessoas de boa-fé.

E façamos uma prece para que os portugueses com responsabilidades na governação aprendam a lição da crise e esta sirva de vacina, para melhores decisões no futuro.

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É PRECISO APRENDER COM OS ERROS


As catástrofes dão lições que devem ser aprendidas a fim de serem evitadas. É bom aprender com os erros, principalmente com os dos outros, e quanto aos nossos devemos fazer um esforço para evitar a crise final, extrema e radical. Transcreve-se um artigo que reforça este conceito, aplicando-o à história dos últimos sete anos portugueses:

Sete anos 
Diário de Notícias. 22-07-2013. por JOÃO CÉSAR DAS NEVES

Quem se lembra do Verão de 2006? Portugal foi quarto no campeonato do mundo de futebol; a economia crescia 1,4%, o desemprego era 7,4%. Nasciam mais pessoas do que morriam e os casamentos eram o dobro dos divórcios. Só há sete anos. Como tudo mudou tanto!

Dois factos dominaram este período. O mais visível é económico-financeiro: o país, então já atascado em dívida, caiu de bêbado em 2011 e debate-se na terrível ressaca. A coberto desta veio a segunda evolução, mais decisiva: um devastador assalto à cultura e sociedade portuguesas em nome da liberdade sexual, com extremistas capturando e distorcendo elementos centrais da alma lusitana. A bebedeira financeira cura-se em menos de sete anos, mas a investida lasciva será pavorosa por décadas.

Foi no Verão de 2006 que começou a demolição das leis básicas da identidade nacional que trouxeram Portugal de uma posição mundial equilibrada ao extremo desmiolado na regulamentação familiar. A primeira foi a Lei 32/2006 de 26 de Julho da reprodução artificial. Seguiu-se a liberalização e subsidiação do aborto (Lei 16/2007 de 17/4 e Portaria 741-A/2007 de 21/6), banalização do divórcio (Lei 61/2008 de 31/10), educação sexual laxista (Lei 60/2009 de 6/8), casamento entre pessoas do mesmo sexo (Lei 9/2010 de 31/5), mudança do sexo (Lei n.º 7/2011 de 15/3), entre outras.

Enquanto noutros países estes assuntos criavam profundos e longos debates, por cá deu-se o triunfo súbito do fundamentalismo extremista. Embrulhados em manigâncias capitalistas, os Governos precisavam de fingir progressismo na ideologia familiar. A sociedade assustada adoptou a posição cómoda e irresponsável de tolerar a libertinagem. As forças de defesa da família, em particular a Igreja Católica, suportaram derrota atrás de derrota fragorosa.

Deste modo irresponsável, o país alinhou em poucos anos as suas leis básicas por caprichos de fanáticos, ultrapassando a toda a velocidade os países civilizados, alguns dos quais já em sentido inverso. Portugal tornou-se um paraíso mundial de comportamentos desviantes e perversos. Não admira o colapso do casamento, ausência de fertilidade, envelhecimento galopante, multiplicação de patologias sociais. Em 2011 os casamentos foram só mais 34% que os divórcios e houve menos 6000 nascimentos que óbitos. A geração anterior desequilibrou as finanças em quinze anos; esta desequilibrou-se a si mesma em sete.

A História mostra duas coisas. A primeira é que movimentos súbitos, com tal rapidez e profundidade, nunca param antes do abismo. Com extremistas no controlo da dinâmica, a coisa irá até ao absurdo. Sorveremos a infâmia até à última gota. Todos os dias aumentam aqueles que, tendo começado por defender as novidades, agora se arrependem vendo os resultados. Mas a escalada não abranda, atingindo já os temas de requinte, como a co-adopção por casais do mesmo sexo, que em fases anteriores muitos dos próprios activistas prometiam nunca acontecer. A espiral devoradora exige-o, como exigirá as vergonhas seguintes.

Provando que uma loucura nunca fica a meio, a História ensina ainda que casos destes servem de vacina para a humanidade. Quando a Rússia em 1917 aceitou que extremistas dominassem a sua economia, destruiu para sempre o atractivo intelectual do marxismo. Sem essa experiência, hoje o sistema comunista ainda seria perigoso, o PCP não estaria residual nem esconderia a ditadura do proletariado. O desprestígio das ideologias racistas deve-se também ao facto de a Alemanha ter dado em 1933 o poder a esses radicais, revelando ao mundo o seu horror. As sociedades que se deixam controlar por teses aberrantes destroem-se a si mesmas por várias gerações, mas prestam um serviço à humanidade.

Nos sete anos desde o Verão de 2006 Portugal enveredou por caminhos anarquistas nos campos financeiro e familiar. São já bem claros os efeitos dessas opções, mas ainda não se vê o fim do caminho que, pelo menos no segundo, deve demorar mais de sete anos. Resta-nos o consolo de o futuro vir a aprender com os nossos horrores.

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domingo, 21 de julho de 2013

PIRES VELOSO E A SITUAÇÂO ACTUAL


Transcrição do blogue de José Pires:

GENERAL PIRES VELOSO FALA DA SITUAÇÃO ACTUAL...

O General Pires Veloso, um dos protagonistas do 25 de Novembro de 1975 que, naquela década, ficou conhecido como "vice-rei do Norte", defende um novo 25 de Abril, de raiz popular, para acabar com "a mentira e o roubo institucionalizados". "Vejo a situação actual com muita apreensão e muita tristeza. Porque sinto que temos uma mentira institucionalizada no país. Não há verdade.

Fale-se verdade e o país será diferente. Isto é gravíssimo", disse em entrevista à Lusa. Para o General, que enquanto Governador Militar do Norte foi um dos principais intervenientes no contra-golpe militar de 25 de Novembro que pôs fim ao "Verão Quente" de 1975, "dá a impressão de que seria preciso outro 25 de Abril em todos os termos, para corrigir e repor a verdade no sistema e na sociedade". Pires Veloso, 85 anos, considera que não poderão ser as forças militares a promover um novo 25 de Abril: "Não me parece que se queiram meter nisto. Não estão com a força anímica que tinham antigamente, aquela alma que reagia quando a Pátria está em perigo". "Para mim, o povo é que tem a força toda. Agora é uma questão de congregação, de coordenação, e pode ser que alguém surja" a liderar o processo.

 INVERSÃO DE VALORES

E agora que "o povo já não aguenta mais e não tem mais paciência, é capaz de entrar numa espiral de violência nas ruas, que é de acautelar", alertou, esperando que caso isso aconteça não seja com uma revolução, mas sim com "uma imposição moral que leve os políticos a terem juízo". Como solução para evitar que as coisas se compliquem, Pires Veloso defendeu uma cultura de valores e de ética. "Há uma inversão, que não compreendo, desses valores e dessa ética. Não aceito a actuação de dirigentes como, por exemplo, o Presidente da República, que já há pelo menos dois anos, como economista, tinha obrigação de saber em que estado estava o País, as Finanças e a Economia. Tinha obrigação moral, e não só, de dizer ao País em que estado estavam as coisas", defendeu. Pires Veloso lamentou a existência de "um gangue que tomou conta do país. Tire-se o gangue, tendo-se juízo, pensando no que pode acontecer. E ponham-se os mais ricos a contribuir para acabar com a crise. Porque neste momento não se vai aos mais poderosos". O general deu como exemplo o salário do administrador executivo da Eletricidade de Portugal (EDP) para sublinhar que "este Governo deve atender a privilégios que determinadas classes têm". "Não compreendo como Mexia recebe mais de mil milhões de euros por ano e há gente na miséria sem ter que dar de comer aos filhos. Bem pode vir Eduardo Catroga com uma reforma de 10.000 euros por mês e um tacho escandaloso na EDP de 650 mil euros por ano, mais prémios e outras mordomias dizer que é legal e que os accionistas é que querem, mas isto não pode ser assim. Há um encobrimento de situação de favores aos mais poderosos que é intolerável. E se o povo percebe isso reage de certeza", disse. Para Pires Veloso, "se as leis permitem um caso como o Mexia, então é preciso outro 25 de Abril para mudar as leis", considerando que isto contribui para "a tal mentira institucionalizada que não deixa que as coisas tenham a pureza que deviam ter". Casos como este, que envolvem salários que "são um insulto a um povo inteiro, que tem os filhos com fome", fazem, na opinião do militar, com que em termos sociais a situação seja hoje pior, mesmo, do que antes do 25 de Abril:
"Na altura havia um certo pudor nos gastos e agora não; Gaste-se à vontade que o dinheiro há de vir".

INVERSÃO DO 25 DE ABRIL

Quanto ao povo, "assiste passivamente à mentira e ao roubo, por enquanto. Mas se as coisas atingirem um limite que não tolere, é o cabo dos trabalhos e não há quem o sustenha. Porque os cidadãos aguentam, têm paciência, mas quando é demais, cuidado com eles". "Quando se deu o 25 de Abril de 1974, disseram que tinha de haver justiça social, mais igualdade e melhor repartição de bens. Estamos a ver uma inversão do que o 25 de Abril exigia", considerou Pires Veloso, para quem "o primeiro-ministro tem de arrepiar caminho rapidamente". Passos Coelho "tem de fazer ver que tem de haver justiça, melhor repartição de riqueza e que os poderosos é que têm que entrar com sacrifícios nesta crise", defendeu, apontando a necessidade de rever rapidamente as parcerias público-privadas. O Governo mexe nos mais fracos, vai buscar dinheiro onde não há. E, no entanto, na parte rica e nos poderosos ainda não mexeu. Falta-lhes mais tempo? Não sei. Sei é que tem de mudar as coisas, disse Pires Veloso.

Pensemos bem nisto, porque se não o fizermos quanto antes, pode sair-nos caro.
Há muita agente com fome em Portugal e mutos jovens e não só, sem presente e sem futuro.


As palavras do General Pires Veloso, personalidade muito prestigiada no seio das Forças Armadas e não só, devem ser bem entendidas por todos nós, porque ele sabe do que fala, já que teve uma acção preponderante na contra-revolução de 25 de Novembro de 1975, para repor o espírito democrático que esteve na génese do 25 de Abril de 1974. Hoje, em Portugal, não está a ser respeitada a Constituição da República, atropelam-se as leis, o povo é esmagado pelo peso da austeridade e os sobreviventes vivem asfixiados pelo poder político, tipo salazarista, em situação verdadeiramente aflitiva, a sofrer os efeitos deste (des)governo de gente inexperiente e incompetente, ao serviço do capitalismo selvagem, protector dos poderosos e dos corruptos, de que o caso BPN (quase 10 mil milhões de euros, 9 mil milhões no "conhecido "buraco" da Madeira, além dos milhares de milhões escondidos em offshores no Luxemburgo, Suíça, Cabo Verde, Ilhas Caymão e outros, que chegariam para pagar 2 dividas de Portugal). Porque não seguem o rasto do dinheiro, afim de o recuperar, como é feito em outros países e não metem na cadeia todos os responsáveis?

Este governo moribundo tem de desaparecer de cena rapidamente, antes que seja tarde demais...

Pensemos bem nestas palavras do general Pires Veloso e nas outros prestigiados militares e de ilustres personalidades da classe civil e eclesiástica, neste caso, como D. Manuel Martins, ex-bispo de setúbal, D. Januário Torgal Ferreira, bispo das Forças Armadas ou Frei Fernando Ventura. «Pensem por vós e nunca se deixem embalar pela desinformação veiculada pela comunicação social, manipulada pelo governo ou pelos donos das televisões e jornais de que são titulares e que desvirtuam, muitas vezes, a verdade.

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sábado, 20 de julho de 2013

E AGORA? QUE SALVAÇÃO?


Transcreve-se o editorial do Diário de Notícias de hoje por apresentar uma análise isenta e desapaixonada do fracasso do «Compromisso de Salvação Nacional» devido a posições inconciliáveis, sem viabilidade de cedências que permitissem consenso entre a coligação e o PS.

Uma boa ideia condenada ao fracasso

Um compromisso de salvação nacional era uma boa ideia e até uma necessidade urgente para o País. Mas estava, pelo timing e pelas condições em que foi proposto, condenado ao fracasso. O pacto proposto pelo Presidente da República entre PSD, PS e CDS falhou - e não tinha maneira de ter tido sucesso - porque há duas visões inconciliáveis sobre o rumo que Portugal deve seguir.

PSD e CDS-PP, os partidos da maioria do Governo, continuam a defender, mesmo depois da deserção de Vítor Gaspar do Ministério das Finanças, que o caminho que têm sido seguido é para manter. Que a linha de austeridade acertada com a troika pode ter pequenas nuances, pode até ser aliviada, mas tem de ser cumprida e aplicada no seu essencial.

Já o PS sempre defendeu uma inversão de política, a renegociação com os nossos credores, e uma aposta efetiva no crescimento económico.

Ora se conciliar estas duas linhas já era praticamente impossível, juntar-lhe o problema concreto do corte de 4,7 mil milhões de euros, com que o Governo em funções já se comprometeu e que o PS disse sempre que não aceitava, tornava o acordo absolutamente impraticável. Um consenso sobre o âmbito de cortes desta amplitude, que já por si só é uma tarefa inglória, não se faz de um momento para o outro, nem se acerta numa semana.

Assim, o que ontem o PS comunicou em primeira mão, marcando assim o seu terreno, foi anunciar o que já era esperado. O ponto final da ronda de nove negociações que acabou numa mão cheia de nada. Ser António José Seguro o primeiro a dar a Cavaco Silva a resposta ao repto presidencial e a fazer o anúncio do rompimento das negociações tem claramente significado. Seguro continua a fazer o seu caminho do ponto de vista político: uniu o PS em seu redor e ganhou espaço à esquerda. Mas falta-lhe explicar o essencial das propostas concretas que fez questão de enunciar ao País: de onde vem o dinheiro para a sua concretização.

Em resumo, esta não era a altura para um acordo sobre a necessária reforma do Estado. Mas o País precisa dela. E haverá um momento em que esse consenso terá de ser feito: sem pactos sobre dívida, défice e despesa, Portugal não consegue seguir em frente.

E agora? Tendo falhado esta proposta de Cavaco Silva e tendo ele já reafirmado que não estimulará nenhum governo de sua iniciativa dentro do que a Constituição lhe permite, ou seja, pedindo um novo executivo à maioria, sobra muito pouco. Apesar de as últimas semanas terem sido férteis em surpresas, não parece possível que o Presidente opte por outra solução que não a de devolver todas as decisões à Assembleia da República que, como também já reafirmou, é a única instituição com legitimidade para decidir.

A maioria PSD/CDS do Parlamento apresentar-lhe-á assim o Governo que já acordou (com novos poderes para o CDS e novos ministros) e que Cavaco terá de aceitar porque não se vislumbra outra alternativa. Vinte dias depois da demissões de Vítor Gaspar e 19 depois da de Paulo Portas, voltamos assim à estaca zero, ao ponto de partida.

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quinta-feira, 18 de julho de 2013

PROFUSÃO DE INTERESSES OCULTOS


Transcreve-se o texto de José Gabriel Pereira Bastos datado de 7 do corrente, por trazer dados interessantes para se ter ideia dos interesses inconfessados que estão na génese de acontecimentos de que acabamos por sofrer as consequências. Inseri links para ajudar a compreender que o autor nada está a inventar e muitos e mais pormenorizados dados podem ser encontrados na Internet.

Dicas para a compreensão dos jogos de poder que nos atingem
(uma leitura alternativa ao que podem ouvir na rádio e na televisão)
Por José Gabriel Pereira Bastos 7/7 às 13:33 perto de Lisboa.

1. As macro-jogadas sobre a política europeia são decididas há décadas nas reuniões anuais do Grupo Bilderberg (fundado em 1954), uma rede oligárquica anglo-americana que se posiciona como o embrião do GOVERNO MUNDIAL ANGLÓFILO, reunindo os magnates do petróleo e da mega-banca (Rockfellers, Rostchilds, etc.) com os magnates das maiores corporações industriais, militares da NATO e da CIA, delegações políticas dos países europeus, dos USA e do Canadá e os grandes donos dos media, que durante décadas criaram uma muralha de não-informação sobre o GOVERNO BILDERBERG DA COLÓNIA-EUROPA NÃO-ANGLÓFILA (clivada em 'antiga' Europa e 'nova' Europa), constantemente espiada pela CIA e pelo M-16 britânico.

2. O decisor português, que convida quem de Portugal participa, é, desde finais dos anos 70, Francisco Balsemão.

3. Foram convidados sistematicamente, ano após ano, os líderes do PSD e do PS, candidatos a primeiro-ministro e a dirigente da oposição. No caso deste governo, Balsemão falhou: convidou Manuela Ferreira Leite e não PP Coelho, o que mostra bem quais eram as suas preferências.

4. Em plena crise de resgate, pela primeira vez. há semanas, foram convidados António José Seguro e, pela primeira vez, o líder do CDS, Paulo Portas.

5. Significado político: no PSD, a linha social-democrata anteriormente hegemónica, há décadas (Cavaco e seus aliados, de Manuela Ferreira Leite, a António Capucho e outros 'barões') está fortemente descontente com o consulado neo-liberal de Passos Coelho, que é rígido, não ouve ninguém e está a cortar nas reformas de Cavaco e nos grandes negócios dos barões, colocando contra si as Associações de Empresários, que pretendem o relançamento urgente da economia.

6. Significado estratégico: a linha hegemónica (com contradições internas) Cavaco - Balsemão decidiu fazer cair este governo e transferir o poder para um governo fraco liderado pelo A. J Inseguro, apoiado pelo Paulo Portas, e impedir que o PS chegue lá numa Frente de Esquerda com o BE e outros grupúsculos e 'independentes' de esquerda, o que seria inaceitável pelo Governo Bilderberg da Colónia-Europa.

7. Resultado: percebendo que ia ser despejado, com a queda programada do governo de Passos, Gaspar antecipou a jogada e pôs-se a salvo (irá reaparecer num qualquer alto cargo da Banca Central), deixando a muleta no seu lugar, e eximindo-se ao julgamento de dois anos de sucessivos falhanços tecnofinanceiros.

8. Portas percebeu a jogada e como não conseguiu colocar Paulo Macedo no lugar de Gaspar, e aparecer como o 'relançador da economia', pôs-se de fora para deixar de estar associado a este governo e estar disponível, depois de eleições, para voltar ao governo, com maior margem de manobra, em aliança com o PS de Seguro.

9. Entre vê-lo partir já para uma futura aliança com o PS de Seguro e ganhar poder neste governo, o Triunvirato (Cavaco, Coelho, Portas) decide dar a Portas todo o poder que ele exige, retirando as principais funções a Passos Coelho, um PM esvaziado e à deriva, para que Portas não parta o Governo já.

10. O desequilíbrio desta solução é evidente. A tutela de Portas sobre a "menina gaspar 2" e sobre os contactos com a Troika vai rebentar-lhes na boca muito em breve.

11. Mas falta ainda muita informação e uma tomada de (in)decisões...

12. Seguem-se as cenas dos próximos capítulos...

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APELO DE PERSONALIDADES NACIONAIS


Transcrição do APELO de um conjunto de personalidades que desejam que os líderes do PSD, PS e CDS-PP alcancem um acordo de salvação nacional, sem o qual todos sofreremos:

  O Presidente da República convocou o CDS, o PS e o PSD a um compromisso de "salvação nacional".

Decorridos mais de dois anos sobre a assinatura do primeiro "Memorando", foram conseguidos alguns resultados positivos (por exemplo, nas contas externas), há objectivos que não foram cumpridos (sobretudo em matéria de finanças públicas e de reformas estruturais), as medidas adoptadas provocaram, como não poderiam deixar de provocar, um rasto de sofrimento (de que o desemprego constitui o exemplo maior).

O tempo não é de recuar mas de avançar, de forma concertada, cumprindo a nossa parte, enquanto a União Europeia não cumpre, também ela, a sua própria parte no processo de refundação da Área do Euro. O Presidente da República estipulou três condições, para que esse avanço seja possível:

• um compromisso de curto prazo, que permita dar por cumpridos, no essencial, os objectivos do primeiro Memorando, sobretudo em matéria de finanças públicas;

• um compromisso de médio prazo, capaz de oferecer às finanças públicas portuguesas a trajectória de sustentabilidade sem a qual não haverá desenvolvimento possível;

• a antecipação das eleições legislativas em cerca de um ano, como forma de equilibrar os ganhos e perdas, presentes e futuros, das três forças políticas chamadas ao compromisso.

Ao tomar esta iniciativa, o Presidente da República colocou-se em linha com os anseios mais profundos manifestados pela população portuguesa. Sabemos o risco que corre: o de que CDS, PS e PSD não cheguem a acordo, em prejuízo de todos nós. Por isso, só por isso, nos permitimos este apelo: entendam-se, nos termos que só os próprios determinarão, condicionados, para que o exercício cumpra os objectivos pretendidos, ao acordo das entidades que hoje nos financiam, enquanto não conseguirmos dispor da autonomia que só poderá ser assegurada por um regresso pleno aos mercados financeiros.

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quarta-feira, 17 de julho de 2013

COMPROMISSO PARA A SALVAÇÃO


Um compromisso pode ser assumido entre duas ou mais partes e coloca em jogo benefícios e sacrifícios face a um objectivo previamente definido. Quando se negoceia entre duas partes, a mais forte sai beneficiada. Quando se trata entre várias partes, o objectivo é de interesse comum e, em relação a ele, cada parte está predisposta a fazer sacrifícios e concessões, a fim de se chegar a um consenso que seja traduzido por um esforço comum e convergente,, o que poderia significar que os sacrifícios serão distribuídos equitativamente por todos, nenhum ficando em inferioridade perante os parceiros.

No caso das negociações do Compromisso para a Salvação Nacional, englobando os três maiores partidos políticos, a jornalista Constança Cunha e Sá antevê que entre Passos ou Seguro, "um deles sai decapitado". Realmente, dos dois, o que já está gravemente lesado é Passos, cuja incapacidade para evitar as falhas que lhe têm sido apontadas pelos analistas, Gaspar, Portas e muitos notáveis do seu partido, todos apoiados em números oficiais que evidenciam a espiral recessiva iniciada nestes últimos dois anos e que não foi ainda travada, ficou bem em cheque com a comunicação de Cavaco. Também a comunicação em que o PR anuncia o Compromisso e se refere à hipóteses de eleições antecipadas, constitui uma trama de que Passos dificilmente se evade.

Quanto a Seguro, já está beneficiado por ser chamado a tomar parte activa nas medidas a decidir pelo Governo do País nos próximos meses e a sua valorização pode resultar muito positiva por pequenos retoques que introduza nas disposições que vierem a ser aprovadas, sem necessitar de trair o que disse quando prometeu não ceder à maioria. Do que se trata é de colaborar para que as decisões a tomar sejam as melhores para os interesses nacionais, dos portugueses.

Quem tem muito a ceder é Passos, porque tem de deixar a sua teimosia obsessiva do «custe o que custar», a sua fixação na solução de sucessivos agravamentos da austeridade, a que se referiu Gaspar na sua carta de demissão. Para haver salvação nacional não pode haver insistência nos erros dos passados dois anos e é imperioso fazer alteração do rumo para soluções construtivas que tragam emprego, justiça social, corte na obesidade do Estado, redução da burocracia, condenação da corrupção, do tráfico de influências, do enriquecimento ilícito, etc. Isto significa que das partes empenhadas no Compromisso a que tem que fazer mais cedências é a que constitui a coligação.

Nesta ordem de ideias, tem plena justificação Eanes quando considera iniciativa de Cavaco "ousada e correta". É correcta quanto ao objectivo que propõe ao sugerir a convergência de esforços para um mesmo objectivo de alto interesse nacional. Mas é ousada, isto é, arriscada, por contar com boas vontades onde sempre existiu conflito interpartidário de luta pelo poder pelas benesses dos ocupantes dos gabinetes, seus familiares e amigos, cúmplices e coniventes. Oxalá este aspecto menos positivo seja atenuado e não prejudique a obtenção do objectivo nacional pretendido por Cavaco Silva e por todos os portugueses de boa vontade.

E, quando se trata de interesses nacionais, é racional, lógico, pensar-se na presença, pelo menos em espírito, de todos os cidadãos e, por isso, não se estranha que Parceiros sociais querem ter voz na salvação nacional. É indispensável, no entanto que os três grandes criem método de funcionamento para evitar a indecisão e confusão quando há muitas vozes mal sintonizadas a lançar poeira. Mas não lhes faltará forma de dar oportunidade de voz aos parceiros para apresentar reparos e sugestões, de maneira a serem tomados em consideração sem perdas do andamento dos estudos. É preciso eliminar atritos por nem todas opiniões serem adoptadas na decisão final, pois esta consiste na escolha da melhor hipóteses de solução, excluindo as restantes como foi referido em pensar antes de decidir.

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terça-feira, 16 de julho de 2013

PORQUE SÓ FALAM ???


O professor João César das Neves, como é seu costume, elabora reflexões oportunas, perspicazes e profundas sobre pormenores da actualidade que escapam à generalidade das pessoas. Transcrevo o seu artigo de opinião publicado ontem:

Necessidade de falar 
Diário de Notícias. 15/072013. Por JOÃO CÉSAR DAS NEVES, naohaalmocosgratis@ucp.pt

Quanto menos se sabe de um assunto, mais se fala dele; e a veemência cresce com a incerteza e a insegurança. Gostamos de conversar sobre amor, saúde, negócios, desporto e política, precisamente aquilo que menos controlamos. Afinal são esses os temas dos horóscopos...

No meio de uma crise socioeconómica, as coisas agravam-se. É espantosa a quantidade de oráculos férreos e afirmações definitivas em temas que todos, incluindo o orador, sabem ser fluidos e controversos. É o próprio sofrimento da realidade que impele a necessidade de falar, substituindo a objectividade pelo magro conforto da retórica.

Quando alguém sofre, para mais injustamente, as suas palavras ganham peso especial. Por isso os maiores disparates passam por sabedoria na boca de vítimas. No aperto e na confusão, teorias mirabolantes justificam direitos insustentáveis, concedendo ao seu autor credibilidade indiscutível. Assim o debate sobe de tom, com afirmações drásticas em assuntos ignorados.

Um truque habitual na elaboração de temas desconhecidos é o uso de postulados simples, que a própria retórica torna indiscutíveis. Por exemplo, todo o País sabe que a classe política é uma vergonha. O que isso significa é difícil de compreender, pois todas as gerações sempre o repetiram, e os políticos só são louvados depois de mortos. Serão Passos e Seguro piores do que Cavaco e Soares? Merkel e Hollande? Kohl e Mitterrand? O insulto foi igual em todos.

Esse desprezo pela classe política tem a enorme utilidade de explicar a situação sem sujar as mãos na confusão da crise. Não se fala da realidade, mas do discurso sobre a realidade. A isto junta-se um truque elementar: todos gostam de um bom paradoxo; por isso é quase irresistível acreditar que o País sofre não da doença, mas da cura. Porque é que um político faria uma coisa dessas, para mais sem notar, fica sempre omisso. Mas, afinal, nesta vergonha até nem admira. O que interessa é que assim se pode ignorar totalmente a economia, limitando os argumentos ao circo da classe política que, como toda a gente sabe, é uma vergonha. É espantosa a quantidade de pessoas que falam da crise sem nunca referir a dívida esmagadora, as distorções produtivas, ou seja, a crise. A recessão é económica, mas não se discute economia; só política.

Alguns argumentos são contraditórios, sem o empolgado tribuno se dar conta. Muitos empresários queixam-se amargamente que os ministros, sem perceberem nada de empresas e mercados, tomam medidas que as destroem.

Quem o diz, por muito verdade que tenha (e infelizmente tem), não se dá conta de que está a cair no mesmo erro que denuncia, precisamente ao fazê-lo. Porque as actividades governativa e legislativa são também muito difíceis e complicadas, pelo menos tanto quanto as empresas e mercados. E os gestores e agentes económicos sabem tanto ou menos delas do que os políticos sabem de economia. Assim, ao criticarem a influência que as leis têm na sua acção, atribuindo-a à ignorância da classe política, o analista de café mostra uma ignorância pelo menos igual à que critica.

Mas será este paralelo justo? Estão economia e sociedade ao nível da política? Não se pode dizer que o Estado tem a influência e a sociedade é vítima, pois todos vemos como o poder é frágil e como, em democracia ou não, os governos dependem desesperadamente do apoio das forças sociais. Por outro lado, existe uma ilusão de óptica neste argumento. A sociedade é muito maior do que o cantinho da conversa. O facto de esta empresa ou de este mercado serem prejudicados não prova que a política não sirva o todo. Aliás, a experiência recente mostra-o abundantemente, quando durante décadas os governantes pareciam ajudar os múltiplos cantinhos da sociedade, arruinando o País. É, aliás, por isso que é preciso agora prejudicar empresas e mercados para equilibrar a sociedade.

Nos momentos difíceis, as pessoas sentem uma irreprimível necessidade de falar, normalmente com mais veemência do que juízo. A vantagem desta compulsiva ânsia de dizer disparates é que "cão que ladra não morde".

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