segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Competência e credibilidade

O momento que estamos a atravessar exige a todos os cidadãos conscientes, às instituições públicas e privadas desde partidos a empresas, que estejam atentos ao que ocorre para lá da nossa janela, mais do que ao que se encontra em casa. Deve estar-se virado para fora, não para dentro, analisando a situação actual com especial atenção a pequenos sinais de alarme e tendo como finalidade atitudes e comportamentos tendentes a contribuir com a quota parte de cidadão para um futuro melhor.

No seu artigo Prioridades, Luís Marques Mendes mostra discordância do facto de «ao próximo Congresso do PSD ir chegar uma proposta de alteração dos estatutos no sentido de consagrar, designadamente, o princípio das eleições primárias para a escolha de candidatos a deputados e a presidentes de câmara.»

Diz que, «em política, os sinais contam. E o grande sinal que o partido deve dar, nesta fase crucial da nossa história, é o de que está focado essencialmente no desafio do País e nos problemas dos Portugueses.» Mostra-se descrente de «que os Portugueses achem muita graça a ver o PSD discutir estatutos em vez de debater o drama do desemprego e as soluções para o resgatar.»

E conclui dizendo que «a nossa democracia precisa… do reforço da competência e da credibilidade dos eleitos e não da cultura do populismo ou da lógica da facilidade. É tudo uma questão de prioridades.»

Acrescento que quem aprecia futebol não gostaria de, num momento muito crítico de um desafio importante, ver o Cristiano Ronaldo a olhar para as botas a pensar que gostaria mais de ter atacadores de outra cor e não reparasse que tinha que aproveitar a oportunidade para meter um golo que poderia ser decisivo.

Dê-se prioridade ao essencial para o futuro de Portugal.

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domingo, 26 de fevereiro de 2012

O País mais difuso do euro

O economista Paul Krugman que, segunda-feira, vai receber na Aula Magna da Reitoria da Universidade de Lisboa, o grau de Doutor Honoris Causa atribuído, pela primeira vez, juntamente por três universidades portuguesas (Universidade de Lisboa, Universidade Técnica de Lisboa e a Universidade Nova de Lisboa) diz que vê Portugal como o país mais difuso do euro e não se atreve a diagnosticar um futuro risonho para o nosso País.

Acerca de "incidentes" da sua carreira, o economista esclarece: "O que aprendi dessa experiência foi o poder de ideias económicas muito simples e, simultaneamente, a inutilidade de teorias que não podem ter conteúdo operacional. Em particular, a minha experiência num país onde era um enorme desafio até decidir se a produção estava a aumentar ou a cair deu-me uma alergia crónica a modelos que dizem que uma política potencialmente útil existe sem darem uma única forma de determinar que política é essa".

No mesmo sentido de alergia aos modelos matemáticos na política económica pronunciou-se a economista e professora universitária brasileira Maria da Conceição Tavares, no vídeo publicado em Recado a jovens economistas e a governantes onde explica que a economia é uma ciência social, nascida com o nome de economia política que se apoia na história e se dirige ao povo, à vida da sociedade, e para ela «o modelo matemático não serve para nada». E cita vários exemplos da inutilidade ou até inconveniente por inspirar esperanças que depois ficam goradas.

No entanto o nosso Governo está a deixar escravizar-se pelos números, embora, quando interessa para bons efeitos de falso marketing, o PM diga que despreza os números referentes a uma quebra de receitas fiscais e à revisão em baixa de -3 para -3,3% da recessão prevista pela Comissão Europeia para a economia portuguesa em 2012, e se mostre hoje moderadamente optimista”quanto ao cenário macroeconómico, considerando que é cedo para avaliar a evolução das receitas fiscais. Mas, cuidado, já governa há mais de oito meses e, se deixa passar muito tempo, depois poderá já ser tarde.

Mas se os números, quando olhados com demasiada fé e utilizados como base para previsões, projecções e planeamento, podem sem ilusórios e nefastos, o mesmo não acontece para analisar a situação real no respeitante às pessoas e, como diz Maria da Conceição Tavares, a economia deve servir as pessoas.
Assim, é preocupante que haja cada vez mais desempregados a esgotar os tempos máximos de atribuição dos subsídios de desemprego (inicial, subsequente e social). Em Janeiro, o número de pessoas sem trabalho e sem direito a estes apoios ascendia já a 303.478, o que traduz uma realidade nunca antes registada. Em apenas um mês, a fileira dos desempregados sem direito a receber subsídio de desemprego ficou com mais 15.500, segundo indicam os mais recentes dados da Segurança social e do Instituto do Emprego e da Formação Profissional.

Não é por acaso que o líder da oposição mais uma vez, desafia o PM para que, “em vez da paixão pela austeridade, da obsessão pela austeridade”, coloque “também o emprego e o crescimento económico como a sua principal prioridade”.

Oxalá os nossos governantes analisem com o maior realismo a situação actual, façam uma lista das hipóteses possíveis de solução para a crise e, depois de avaliarem as vantagens e os inconvenientes de cada uma, escolham sensatamente a mais ajustada ao nosso caso concreto tendo como objectivo as melhores condições de vida dos portugueses, principalmente dos mais desfavorecidos, que estão já a lutar com enormes dificuldades.

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«Crescimento positivo»

A minha experiência de quase seis anos da blogosfera, dizia-me que provavelmente não obteria aqui a resposta esperada à pergunta do titulo do post O que é um crescimento negativo??? e resolvi ir pedi-la ao utilizador do «conceito», através de um comentário num seu post no blogue em que colabora. Consegui este «esclarecimento»:

Finalmente, CRESCIMENTO NEGATIVO é uma expressão de "economês" (isto é, linguagem de economistas) que indicia que houve um decréscimo na riqueza produzida. Sim, hoje eu usei a expressão "crescimento negativo" quando comentei as novas projecções da Comissão Europeia; e depois contrapus o "crescimento positivo" que, a perspectivar-se o cenário apresentado, poderá já ser verificado em 2013. Foi isto. Não usei pela primeira vez, e certamente voltarei a fazê-lo. Sinceramente, pode ser defeito de formação, mas não encontro melhor expressão para definir o fenómeno em questão... De qualquer modo, obrigado pelo comentário!...

Confesso que não gostei.

Compreendo que os economistas entre si utilizem o «economês», pois em todas as profissões existe jargão próprio que os isola numa terminologia indecifrável para os não familiarizados com ela. Há dias, um militar num convívio com a presença de alguns amigos de profissão dizia que a mulher anda muito desconfiada e ele quando chega a casa tem que lhe fazer o sitrep. Logo um não militar lhe perguntou que raio de carícia é essa?

Ora o Dr. Miguel Frasquilho, além de economista, é deputado em funções de destaque no partido do Governo e, quando utilizou o termo de crescimento positivo para os jornalistas, devia evitar falar «economês» e devia expressar-se de forma a que os simples cidadãos o entendessem. Os políticos, principalmente os eleitos, devem aproximar-se o mais possível dos cidadãos, para os compreenderem e para lhes explicarem a forma como estão a desempenhar as funções para que foram escolhidos pelos eleitores, e mostrar que não perdem de vista a finalidade da sua função de «governar», que é em benefício das pessoas em geral e não apenas do clã (bando ou manada).

A professora universitária brasileira Maria da Conceição Tavares, no vídeo publicado em Recado a jovens economistas e a governantes explica que a economia é uma ciência social, e o seu nome original era economia política e apoia-se na história e dirige-se ao povo, à vida da sociedade, e para ela «o modelo matemático não serve para nada». No entanto os nossos «economeses» passam a vida, com o seu jargão, a sua gíria, a brincar com os números para fugir à sua função social e para se convencerem de que estão a fazer uma figura de alta intelectualidade, e a colocarem-se muito acima do QI médio nacional.

O certo é que todos repetem que a crise se iniciou há muito e era previsível mas, com isso, confessam que não a compreenderam realmente e, por consequência, não conseguiram evitá-la ou amenizá-la e estão a mostrar incompetência para dela sair com os menores custos e sacrifícios para os portugueses, apesar dos repetidos e variados malabarismos com números e conceitos de «economês».

Nos tempos que atravessamos a arrogância, a ostentação, a vaidade e a futilidade, para ocultar a incompetência, é geral em todos os níveis sociais e é grave que os políticos estejam tão gravemente eivados de tal mal, e muitos se limitem a repetir frases de almanaque antigo e desajustado e nos queiram confundir com palavras vazias de conteúdo claro e entendível.

E, com estas inabilidades e insensibilidade para os problemas das pessoas, tardará muito a surgir uma luz ao fundo do túnel, e oxalá que, para ela aparecer mais depressa, não venha a ser utilizada qualquer ferramenta mais agreste criada pela indignação que alastra aliada ao descontentamento crescente. Dizia-se, há quatro anos, que, em democracia, «o povo é quem mais ordena».

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sábado, 25 de fevereiro de 2012

Longe vá o mau agoiro...

O eurodeputado Miguel Portas visitou a Grécia integrado num grupo do Parlamento Europeu. O título da notícia Grécia é "Portugal com um ano de antecipação" reproduz uma sua afirmação.

Longe vá o mau agoiro… e oxalá os nossos governantes reflictam nos fundamentos desta previsão e sejam capazes de a gorar, para bem dos portugueses, principalmente dos mais desfavorecidos que estão já a lutar com enormes dificuldades

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Critérios de nomeações ???

Tem-se falado muito sobre os critérios de nomeações para funções públicas de instituições ou empresas do Estado, tendo ficado sempre a ideia do espírito de clã ou manada ou bando, muitas vezes lembrando a monarquia, sem olhar à «inclusão» de interesses privados com interesses públicos e sem prevalecer a cultura democrática do concurso público com vista à escolha dos melhores, vindos de qualquer grupo social ou região geográfica.

Sobre isto, tem interesse a leitura da notícia Irmã da ministra da Justiça deixa Ordenamento do Território após 23 dias em funções de que se transcrevem os três últimos parágrafos:

«Maria Manuel Teixeira da Cruz, irmã da ministra da Justiça, Paula Teixeira da Cruz, ocupou o cargo de subdirectora do Ordenamento do Território e Desenvolvimento Urbano entre 18 de Janeiro e 10 de Fevereiro, dia em que cessou funções.

Arquitecta de formação, Maria Manuel Teixeira da Cruz é sócia gerente da empresa Maria Manuel von Hafe - Arquitectos, Lda e integra o atelier Oschoa Arquitectos, tendo também ocupado funções na Parque Expo.

Entre Maio de 2005 e Janeiro de 2009 integrou os quadros da Baixa Pombalina SRU, uma empresa municipal de Lisboa.»
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E você... concorda???

Eu concordo plenamente que coloquem fotos de gente morta nos maços de cigarros.
Mas já que fazem isso, por que não colocar também:
fotos de gente obesa em pacotes de batata frita,
de animais torturados nos cosméticos,
de acidentes de trânsito nas garrafas e nas latas de bebidas alcoólicas,
de gente sem tecto nas contas da água e da luz, e
de políticos corruptos nas guias de cobrança de impostos?

FANTÁSTICA IDÉIA!!!
É Tempo de começar a fazê-lo

SE CONCORDAS, DIVULGA.

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sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Para meditar e... lamentar


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A Natureza agradece








Transcreve-se o texto para ter mais efeito, por maior rapidez e facilidade de leitura:

Sabes quem sou?

Sou alguém com quem convives diariamente… Alguém que apenas deseja o melhor para ti, o essencial na tua vida, porque, sem mim, não conseguirias viver. Mas… para meu infortúnio, não respeitas o que te dei. Se te dou estas maravilhosas paisagens, plenas de cor e abundância, porquê me devolves tudo isto [lixo, destroços, ruínas, poluição]…?Porquê, quando apenas te dei criaturas plenas de vida? Será que não gostas delas? Não te merecem respeito? Porquê, se te dei apenas vida… É esta a herança que pretendes deixar para os teus filhos? Faz algo por mim, por ti e por todos nós. Se não o fizeres…quem o fará…? Se não for feito agora…quando o será? Apenas me devolves morte…?
OBRIGADO!
OBRIGADO!
OBRIGADO!!!
A Natureza

Espalhem esta mensagem pelos vossos contactos, para que tenha o maior alcance possível

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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

O que é um crescimento negativo???

Cada vez sinto mais «orgulho» pelos políticos que temos e lamento a minha pequenez de conhecimentos que não me permite compreender as coisas tão belas que nos dizem. Que o Sr deputado Miguel Frasquilho (da idade do meu filho mais novo, também economista e agora catedrático na Universidade de Newark) queira “deixar uma janela de esperança e encorajamento à população portuguesa», é louvável pela boa intenção, mas não parece correcto que nos queira impingir um novo conceito de «crescimento positivo» como bandeira de Marketing do género das promessas do professor Mamadou que resolve todos os problemas de saúde, de sorte no amor, etc.

Se fala em «crescimento positivo» (mania da adjectivação!) deve ser porque haverá crescimento negativo? Qual a diferença? Será que o primeiro é para cima e o outro é para baixo? Faz lembrar o Dr. Pádua que diz que hoje há jovens que aumentam de estatura, não tanto em altura mas em peso, com crescimento do perímetro da cintura. Num país em crescimento negativo, o que é que aumenta? Será a recessão, o défice, a dívida?

Por Zeus, será bom que os políticos usem uma linguagem de verdade, clara, que não se preste a ilusões, nem a anedotas. Lembrem-se que há ignorantes como eu que não compreendem as palavras difíceis nem sequer os jogos difíceis com palavras fáceis, como é este do «crescimento positivo».

No entanto, não pense o Dr Frasquilho que estou agastado, pois não quero terminar sem o elogiar por, ao contrário do Dr Vítor Gaspar, não usar o verbo garantir, mas ficar-se pelo condicional «se as previsões da Comissão Europeia se concretizarem». É prudente. Cautela e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém!!!

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Coerência não deve ser fossilização

Deparei esta manhã com a notícia Carnaval de 2013 também não terá tolerância de ponto, o que não estranhei nem me afecta grandemente, porque há dias, apesar de não ter havido tal tolerância, as pessoas divertiram-se colocando um hiato nas suas angústias provocadas pela austeridade. É preciso, pelo menos de vez em quando, respirar fundo, sem colete de forças, enquanto tal nos for permitido, mesmo que condicionadamente.

O que achei «interessante» foi a argumentação do entrevistado «“não passa pela cabeça de ninguém que um Governo, que é um Governo que tem coerência, que tem uma linha orientadora e um denominador comum andasse a saltitar de ano para ano. Naturalmente que a decisão deste ano se repetirá”.»

É que coerência e linha orientadora deve ser definida em relação à finalidade da acção governativa (que deve ser a criação de um futuro melhor para todos os portugueses), à estratégia para a atingir com economia de recursos, em que se inclui o tempo, e deve ser referida para defender a teimosia arrogante (com o propósito do ‘custe o que custar’) de repetir actos que podem ter sido inúteis ou até incorrectos. Nada na vida é imutável e viver não significa tornar-se fóssil ou cristalizar no sistema ortorrômbico. A coerência e a linha orientadora não podem nem devem excluir os ajustamentos da condução, como aqui foi recordado.

E o propósito de não querer saltitar de ano para ano não tem significado quando se tem visto que por vezes se saltita de dia para dia, ou até de pessoa para pessoa, anulando qualquer propósito de «denominador comum» que definisse o trabalho da equipa.

Mais uma vez se verifica que o excesso de palavras anula os efeitos dos poucos sinais de resultados positivos, e é destes que os portugueses precisam.

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quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Austeridade prejudica os mais pobres

Branko Milanovic, economista-chefe do Banco Mundial, entrevistado pelo PÚBLICO, alerta para o resultado desigual das políticas do FMI no passado e sublinha o efeito da austeridade na classe média e, em particular, nos pobres.

Da sua longa entrevista que a seguir se transcreve e cuja leitura se aconselha, destaca-se: «Estou relativamente pessimista sobre as medidas de austeridade que estão para vir. Entrámos numa espécie de espiral negativa. Os países tiveram de cortar nas despesas, de tentar equilibrar as contas públicas e aumentaram os impostos indirectos, no IVA ou uma [taxa] equivalente, em vez dos impostos directos, e tudo isto teve um impacto negativo na igualdade de rendimentos. Os impostos indirectos são geralmente regressivos, o que significa que, proporcionalmente, afectam mais os pobres do que os ricos. Os impostos directos têm um impacto progressivo, porque os ricos pagam mais.»

Eis a transcrição do artigo:

Chamar ao poder só tecnocratas “não é bom para a democracia”
Público. 22.02.2012 - 07:23 Por Pedro Crisóstomo. Entrevista.

 Milanovic sublinha o efeito da austeridade na classe média e, em particular, nos pobres.

Branko Milanovic, economista-chefe do Banco Mundial alerta para o resultado desigual das políticas do FMI no passado. Mas não vê outra solução para a crise europeia.

O sistema não foi capaz de debelar a crise financeira há quatro anos e, hoje, a Europa assiste à substituição dos líderes políticos por tecnocratas que precisam de “ser pessoas próximas dos cidadãos”. O retrato é feito pelo economista-chefe do Banco Mundial, Branko Milanovic, que atribui falta de criatividade aos dirigentes europeus para travar o contágio da crise.

Dedicado ao estudo da distribuição de rendimentos desde os anos 1980, quando se formou em Belgrado, investigador no Carnegie Endowment for International Peace, em Washington, Milanovic sublinha o efeito da austeridade na classe média e, em particular, nos pobres. Mas ressalva que o impacto nas desigualdades globais é relativo. À conversa com o PÚBLICO, quando esteve recentemente em Lisboa para falar sobre globalização e desenvolvimento, tema que aborda no seu último livro, The Haves and the Have-Nots (Os que Têm e Os que Não Têm, numa tradução livre), deixa um aviso aos líderes europeus: se, perante uma crise séria, o sistema chama tecnocratas ao poder sem antes irem a eleições, os Governos estão a entrar numa lógica perigosa. E o sinal que dão aos cidadãos não é saudável para a democracia.

Quando começou a escrever sobre a distribuição da riqueza mundial, no final dos anos 1980 e a Europa de Leste e Central estava a caminho da transição para a economia de mercado, alguma coisa fazia prever este aumento das desigualdades na distribuição de rendimentos no interior dos países?

Não era imediatamente perceptível. Houve um grande aumento [da riqueza] e a razão tem a ver com a globalização; se olharmos para a perspectiva económica, era expectável que os países pobres tivessem um crescimento maior do que os países ricos, porque a ideia era a de que, com a globalização, existisse uma transferência de capital maior para os países pobres, que podiam também usar tecnologia que não estavam normalmente aptos a usar, e que, essencialmente, se pudessem especializar em transaccionar aquilo em que eram bons a produzir. No fundo, estava patente uma ideia de convergência entre países pobres e países ricos, mas o que, de facto, aconteceu entre 1980 e 2000 foi o contrário: uma divergência na distribuição de rendimento. Estamos a falar especificamente da diferença entre o Produto Interno Bruto (PIB), mas é preciso ter em atenção que a China e a Índia tiveram uma boa trajectória e que representam um terço da população mundial.

Neutralizaram as diferenças?

Houve um travão no aumento das desigualdades. Existem, essencialmente, três forças nas desigualdades mundiais: o aumento entre países (por exemplo, entre Portugal, os Estados Unidos, o Reino Unido, China, Rússia); depois, uma grande divergência entre regiões (a África, a Europa de Leste e a América Latina a crescerem muito devagar ou com um crescimento negativo); e por outro lado, o mundo desenvolvido com um bom desempenho. Portugal está neste último grupo. Mas aqui entra uma quarta força, que foi o rápido crescimento da China e da Índia, que reduziram as desigualdades mundiais. É por isso que penso ser importante distinguir entre estas três-quatro forças que actuam sobre as desigualdades mundiais.

Olhando para o caso europeu: há hoje sinais de desmantelamento do Estado Social, uma vaga de austeridade que, em alguns casos, ameaça a classe média e uma escalada do desemprego. É um sinal da relação estreita entre as desigualdades na distribuição de rendimentos e a crise financeira global?

Existe uma relação próxima, porque hoje podemos argumentar que existe uma relação em dois sentidos, particularmente nos Estados Unidos. Por um lado, existem muitas pessoas com grande poder económico e activos financeiros ao ponto de não terem mais momentos de oportunidade para investir – e o sector financeiro teve de encontrar oportunidades de risco. Por outro, há o problema de os rendimentos da classe média não terem aumentado em duas décadas [nos EUA]. E isto tornou-se um problema político. Para os políticos foi bom, durante um período, estimular os empréstimos à classe média, fazendo com que parecesse que os rendimentos aumentavam como o dos ricos – que, na verdade, cresciam –, mas o rendimento da classe média não cresceu; foi suportado pelos empréstimos e, consequentemente, pareceu como se, na verdade, fosse assim. Há hoje cada vez mais pessoas a acreditar que, como reacção à crise, há pessoas ricas que procuram meios de usar o seu capital, depois, pessoas com rendimentos médios que precisam de acreditar que o seu rendimento está a crescer e, ainda, os políticos, que precisam de fazer a classe média feliz, porque precisam do seu voto. E, finalmente, temos o sector financeiro, que também quer emprestar, porque procura ao mesmo tempo fazer dinheiro. Todos estes grupos têm o seu próprio interesse em fazer isto. Naturalmente o problema verifica-se quando a classe média não consegue pagar os seus empréstimos e, nessa altura, todo o sistema pára.

ual o efeito inverso, ou seja, os impactos directos da crise na desigualdade de distribuição da riqueza?

Na verdade, os primeiros impactos são diferentes, por causa do primeiro efeito da crise nos países ricos, que geralmente no início perdem rendimento e activos – por exemplo, pessoas que tinham grandes posses, que tinham investido em obrigações e que perderam até a propriedade. Este é o primeiro impacto. O problema é que o segundo e o terceiro, particularmente na Europa, onde são tomadas políticas de austeridade restritivas, são sentidos pela classe média e, em especial, pelos pobres. O desemprego começa a aumentar, as pessoas perdem emprego ou começam a trabalhar mais horas, são alteradas regras [na atribuição] das pensões... O segundo impacto tem um reflexo no aumento das desigualdades, mas também é preciso dizer que vários autores encontraram impactos relativos na Europa Ocidental.

Como é que vê a resposta europeia para ultrapassar a crise neste contexto em que já se percebeu que os maiores não estão a salvo?

Estou relativamente pessimista sobre as medidas de austeridade que estão para vir. Entrámos numa espécie de espiral negativa. Os países tiveram de cortar nas despesas, de tentar equilibrar as contas públicas e aumentaram os impostos indirectos, no IVA ou uma [taxa] equivalente, em vez dos impostos directos, e tudo isto teve um impacto negativo na igualdade de rendimentos. Os impostos indirectos são geralmente regressivos, o que significa que, proporcionalmente, afectam mais os pobres do que os ricos. Os impostos directos têm um impacto progressivo, porque os ricos pagam mais.

É preciso uma política de estímulos alternativa? Um quadro diferente da resposta ao que hoje se propõe: recessão para depois se crescer e ganhar competitividade?

Aqui entramos na macroeconomia, que já sai fora da minha área [de estudo]. Mas digo apenas que estas políticas cíclicas exacerbaram o ciclo de queda da economia... E, depois, cortam-se as despesas e mais despesas... Uma vez que o euro é controlado pelo Banco Central Europeu, não existe a possibilidade de imprimir mais moeda. Pessoas como [Joseph] Stiglitz e [Paul] Krugman criticaram-no. Estas políticas foram aplicadas nos países em desenvolvimento desde há 30 anos. O que está a acontecer à Grécia neste momento e as políticas adoptadas em Portugal, Espanha e Itália não são novas. Aproximam-se do que se passou no Brasil, no México, na Argentina e em países de África. São políticas-padrão aplicadas pelo FMI e os resultados foram desiguais.

s últimos dados do Eurostat mostram que, na União Europeia, 23% da população está em risco de pobreza ou de exclusão social. Os contrastes sociais na Europa têm vindo a aumentar?

Houve certamente mais conflitos sociais em 2009. Não vejo que haja uma ameaça maior hoje. Assistimos é, potencialmente, a um [modelo de] desenvolvimento perigoso em que os governos eleitos democraticamente são substituídos por tecnocratas, como aconteceu em Itália e na Grécia, o que indica indirectamente que o próprio sistema democrático não foi capaz de debelar a crise. Portugal e Espanha estão em posições diferentes, porque têm novos governos [eleitos], onde o sistema foi capaz de resolver o problema [da crise política]. Em Itália e na Grécia, tiveram de chamar tecnocratas. [Mario] Monti não é um líder político, não foi eleito. [Lucas] Papademos também não. Consigo entender a lógica, porque ganham um suporte mais vasto [dos partidos] por serem tecnocratas, mas não é bom para a democracia. Se há uma crise séria e o sistema político [vigente] não consegue resolver essa crise, a substituição por tecnocratas não é bom para o desenvolvimento democrático. Não tenho nada contra os tecnocratas – eu próprio sou um tecnocrata… – mas não penso que os líderes políticos tenham de o ser. Os tecnocratas podem ajudar (através de conclusões, produzindo relatórios, dando ideias), mas os líderes políticos devem ser pessoas próximas dos cidadãos.

As decisões políticas submeteram-se às decisões dos mercados financeiros?

Não penso que alguém seja a favor disso, mas é muito difícil ver como é que hoje se pode sair desta situação. Os tecnocratas que estão agora no poder vieram precisamente como resposta aos mercados financeiros. Parece não haver saída. A sua posição política é dizer: “Temos de cortar o défice”, posição que se compreende – eu não encontro uma solução para a crise. A sua posição é: “Nós podemos continuar endividar-nos, mas vamos pagar uma taxa de juro insustentável”. A Grécia é o expoente máximo disto. Alguém pode pagar 15% de juros? Ninguém consegue. E, então, dizem: “A única forma de baixar as taxas de juro para um nível sustentável é cortando o défice”. [Os Governos] não têm alternativas a apresentar. No entanto, o efeito é conhecido: cortes nas pensões sociais, aumento de impostos, aumento do desemprego e um sentimento de insatisfação do país em relação à política e, obviamente, os partidos não são capazes de sobreviver a eleições. Não penso que alguém consiga ver saída para isto, excepto a saída da zona euro. Mas, neste caso, o jogo já é outro. É um cenário impensável; penso que o euro irá sobreviver.

Quais as consequências sobre a unidade política de um país?

Podem ter muitas consequências negativas. Uma é óbvia: se existirem grandes desigualdades, os mais ricos, o poder político e o poder económico tentam manter as suas posições. A Bolívia ou a Venezuela sempre tiveram sérios conflitos sociais que impediram uma política económica consistente. Um segundo tipo de consequências é visível, por exemplo, na Ex-Jugoslávia, com diferenças entre religiosos: uns muito ricos e outros muito pobres. Algo semelhante está agora a acontecer na China, com os mais ricos a tornarem-se cada vez mais ricos e, ao mesmo tempo no mesmo país, dois terços da população pobre.

Mais do que pela classe, as desigualdades de rendimento podem ser explicadas pela origem do país?

Tem muito a ver com a nacionalidade. Entre as desigualdades a nível global, cerca de 80% devem-se a diferenças entre países. Por outras palavras, é determinante se uma pessoa é cidadã de um país desenvolvido, porque, mesmo sendo uma pessoa pobre num país rico, em termos comparativos com a distribuição da riqueza a nível mundial, estará melhor.

É uma ideia que não mudou nos últimos 20 anos?

Mudou ligeiramente, por causa do aumento da riqueza em países como a China, a Indonésia, o Brasil. Estes países cresceram, fizeram com que mudasse alguma coisa, mas não de uma forma brusca. Tivemos os países ricos a crescer muito lentamente e os países pobres a crescer muito rapidamente.

Daí o impacto directo das desigualdades na eficiência económica?

Será por aí, mas sobre isso há duas teorias: uma, que a desigualdade é boa para o crescimento e, outra, que [diz que] é má. Pessoas como Mitt Romney, nos Estados Unidos, acreditam que é boa, porque se na desigualdade houver pessoas ricas, estas vão investir e criar novos empregos, com um efeito positivo para a economia. As pessoas que pensam que a desigualdade é má acreditam que um país mais igualitário preservará o poder político e económico.

Se a distribuição de rendimentos tem na nacionalidade uma causa tão forte, depois no interior de um país, que influência resta para as políticas nacionais?

É muito influenciada. Depende em larga medida das políticas, mas é também influenciada por aquilo que se tem. Por outras palavras, num país que está no nível de riqueza mais baixo, a diferença entre pessoas muito qualificadas e a restante população será muito grande. Um país pobre não pode fazer muito a favor da distribuição da riqueza. As decisões políticas têm muito mais poder nos países desenvolvidos, porque perto de 40% do PIB é taxado e é possível fazer alguma coisa com isso. Nos países pobres, os governos não podem aumentar muito os impostos. Os países realmente pobres não podem ter políticas sociais que os Estados ricos podem praticar: o acesso gratuito à educação, programas de saúde públicos... Os países pobres não conseguem pagar pensões, pagar uma taxa de desemprego...

A crise é resultado de um ciclo vicioso de perpetuação da pobreza?

No caso da Europa, vive-se um ciclo vicioso. O PIB está estagnado ou poderá contrair-se. A eficiência orçamental mantém-se insuficiente, porque os países pagam taxas de juro mais elevadas para se endividarem e têm de cortar no seu défice, o que implica menos despesa e que o sector privado gaste menos. A política económica, seja onde for, tem dois braços: um orçamental e outro de controlo. Na Europa, os países apenas têm a orçamental, porque o controlo é feito pelo Banco Central Europeu.

Podemos questionar a existência, hoje, de uma classe média?

A nível global, temos para cada país critérios individuais para definir a classe média. Isto em termos económicos. A definição sociológica é mais subjectiva. Se em Portugal se perguntar quem é da classe média, toda a gente vai dizer: “Eu sou da classe média, eu sou da classe média”. Muito poucas pessoas ricas dirão: “Eu sou rico”. Dirão que são da classe média – é subjectivo. Já a definição económica é muito clara: a partir do rendimento médio de um país, olha-se para 25% acima e abaixo deste rendimento e calcula-se a percentagem da população. Nos países com uma grande classe média, têm muitas pessoas neste grupo, cerca de 40% da população, em países da Escandinávia, a Alemanha, França… Portugal estará próximo deste número. Mas, depois, os países que estão nos extremos têm tanto pessoas muito ricas como pessoas muito pobres: os países da América Latina têm 15% a 30% de classe média. O mundo não é uma sociedade de classe média, tem algo como 800 milhões de pessoas de classe média, o que é pouco em relação aos 7000 milhões da população mundial.

Na própria Europa, não falamos de classe média da mesma forma em Portugal do que, por exemplo, na Alemanha.

Esse é um outro problema, que é de rendimento, mais do que de definição. Em Portugal, 85% da população terá um rendimento inferior ao de um salário de um professor. Um alemão terá um salário superior, porque a média dos rendimentos na Alemanha é mais alta. É um problema de distribuição.

Imagem do Público

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Ajustamentos são indispensáveis


Na gestão da vida diária não devemos esquecer conhecimentos que todos sabemos e aceitamos mas que, por vezes, mesmo em situações críticas e essenciais, desprezamos.

Quando iniciamos uma viagem, temos por finalidade chegar ao destino em boas condições e com os menores custos (de todos os géneros), estudando os itinerários possíveis, escolhendo o melhor e depois conduzindo o veículo de forma permanentemente controlada, com pequenos toques no volante, uso da caixa de velocidades, do acelerador, do travão e da embraiagem, contornando as dificuldades. Em caso de obstáculo não contornável, há que recorrer a itinerário alternativo, sempre com a preocupação de não perder de vista a FINALIDADE pretendida.

Vem isto a propósito da notícia Troika diz que a execução do memorando “vai no bom caminho”, porque surgem dúvidas sobre qual o objectivo que se pretende atingir com esse «bom caminho» ou se ele foi escolhido por tecnocratas com olhos postos apenas nas contas do deve/haver, ou se se dignaram pensar que governar é procurar as melhores condições de vida para as pessoas no momento presente e no futuro.

E tais dúvidas são pertinentes porque o veículo está sendo avisado por sensores credíveis (este 1º e este 2º) de que há necessidade de correcções do rumo. A conduta é essencial tendo em conta as realidades de cada momento e não pode ficar presa obsessivamente à decisão inicial, «custe o que custar». As curvas da estrada devem ser geridas de forma correcta para não haver despistes e, se num cruzamento, se saiu pelo lado errado não deve ser adiado o recuo para voltar e adoptar o melhor sentido para enfrentar o objectivo pretendido. A única coisa que não pode ser alterada é o OBJECTIVO, partindo da hipótese de que foi bem estabelecido e definido, para a consecução da FINALIDADE .

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Óptima lição para os governantes



Deve ser dada atenção à parte final. O Objectivo é congregar as vontades das pessoas para a finalidade comum de valorizar o seu bem colectivo, os interesses nacionais. As finanças, os orçamentos, o dinheiro, são ferramentas indispensáveis, mas não são o OBJECTIVO, a FINALIDADE.

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segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Governo errou na venda do BPN !!!

A notícia Governo decidiu venda do BPN sem parecer exigido por lei é inacreditável. Numa situação de crise como a que estamos a atravessar, impede que se perca um projéctil, que se falhe um gesto, que se desperdicem recursos. Era suposto que o Governo estivesse bem consciente de que são interditos erros, pois as nomeações que levantaram polémica levaram a pensar que tivessem sido chamados os mais capazes para uma defesa dos interesses nacionais mais eficaz e sem falhas. A quantidade de assessores, consultores e ouros «boys» bem conceituados pelas respectivas tutelas, faria supor um desempenho liberto de mácula.

No entanto, surge esta notícia preocupante que nos levanta a dúvida se alguém sabe exactamente quais são as suas atribuições e até onde vão os seus poderes?

E, desta forma, o nosso património é desbaratado por meros caprichos, sem fundamento legal. E confirma-se a imunidade e a impunidade, ignorando-se os bons exemplos que chegam de países mais evoluídos e com mais civismo, como é o caso da Islândia.

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A «religião» de Passos Coelho

O título da notícia "Acredito no meu país, acredito na Europa", disse Passos Coelho na Guarda é curioso mas é vazio de mensagem e, por isso, sugere a leitura, mas desta não resulta uma ideia que arraste os portugueses para o desejado conforto de esperança no futuro.

Devemos respeitar a religião de cada um, a sua fé a sua crença, aquilo em que acredita. Mas não somos obrigados a mudar de religião só porque o missionário diz que acredita. Dizer que «os resultados das medidas tomadas "já são visíveis"» sem os mostrar para os vermos e deles nos convencermos, não basta, não convence quem hoje vive aflito e cheio de preocupações e dúvidas acerca do amanhã.

É bom ver optimismo nas palavras do PM, mas como já estamos habituados a tanta banha de cobra, e às promessas não cumpridas da campanha eleitoral com que os portugueses foram levados, são precisos factos, dados indiscutíveis para transmitir optimismo às pessoas menos sonolentas.

Ao fim de 7 meses de governo, já não é convincente ficar por palavras vagas de desejos e esperança e de falar de medidas que não concretiza. Já é altura de mostrar resultados, mesmo que ainda incipientes, mas em vias de crescerem de se concretizarem para melhorar a vida da economia nacional, a dos consumidores e trabalhadores mais carentes (inclusivamente de emprego).

Mas continuamos a falar de estudos. Faz lembrar o tempo de Guterres em que prometeu diálogo, mas não saía do diálogo, não tirava dele conclusões traduzidas em decisões correctas para bem dos portugueses. Os estudos, em vez de produzirem soluções adequadas, podem ser manobra dilatória para «encanar a perna à rã», ficar pela hesitação entre o emaranhado de hipóteses não devidamente avaliadas e estéreis por não haver clarividência e coragem para a decisão, para a escolha da melhor. Mas para tal escolha, é indispensável que o estudo comece por definir o objectivo desejado tendo em vista a missão como dizem os militares nas suas grandes operações bélicas. Sem saber para onde se deseja ir, não é possível pensar na escolha do itinerário a seguir. E, segundo diz um conhecido político, parece que a prioridade é a de facilitar despedimentos. Certamente que ele exagera, mas é preciso demonstrar que não é esse o objectivo e esclarecer qual é.

Sejamos práticos e objectivos: O que se quer para os portugueses? Para o obter, que medidas é preciso tomar em cada um dos diversos sectores? Como as pôr em prática? Como controlar a acção que elas desencadeiam, para não haver desvios, corrupção, distorções anti-sociais?

Não podemos perder de vista a importância da metodologia de preparação da decisão e devemos seguir o essencial de alguns exemplos de países de sucesso. Por exemplo, a Islândia triplicará seu crescimento em 2012 após a prisão de políticos e banqueiros. Que tal, dinamizar a nossa Justiça para ser mais rápida e aplicar a lei para «todos» os portugueses, sem excepção?

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domingo, 19 de fevereiro de 2012

Como saber a verdade ???

É frequente ouvir os actuais políticos, a falar de «garantir» em vez de se limitar a referir intenções ou desejos. Depois de tantas «certezas», são chocantes as incongruências, as contradições e os recuos após decisões tomadas de forma menos cuidada. Isso ressalta na notícia Passos Coelho fala em incentivos mas secretário de Estado diz que não estão previstos. Perante esta selva sem pistas credíveis, a desorientação dos simples cidadãos é total sem saber em quem acreditar se num dos políticos que se contradizem se nos jornalistas que escrevem as notícias e usam títulos apelativos.

Recordando a frase do Rei Juan Carlos a Hugo Chávez (porque não te calas?!), concluímos que os nossos eleitos falam muito, sem esclarecer minimamente os cidadãos, antes os baralhando com múltiplas inexactidões, contradições, e palavras de falso marketing. Quem conseguir encontrar um político que nunca mentisse, proponha que seja erigida uma estátua na capital.

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Errar é humano mas lesa a credibilidade

Em 2011, no diploma que estabelecia a taxa de retenção do IRS era explicitamente afirmado que o diploma apenas "produz efeitos no dia seguinte ao da sua publicação.

Este ano houve erro das Finanças e tal pormenor não consta.

Segundo notícia do Público, quando questionado directamente por este jornal, no dia 17, sobre se as taxas de retenção eram para ser aplicadas retroactivamente, o gabinete de assessoria de imprensa do Ministério das Finanças respondeu, por email, que "sim, as tabelas aplicam-se à totalidade do ano de 2012", não tendo sido esclarecido de que forma é que as empresas o deveriam fazer. No dia seguinte, depois de publicada a notícia na edição impressa do PÚBLICO, o mesmo gabinete enviou uma nota afirmando que "as tabelas de IRS aplicam-se a todo o ano de 2012, a partir da entrada em vigor do diploma".

Errar é humano, mas é lamentável que aconteça num ministério com tanta responsabilidade de rigor e eficácia, principalmente quando o seu titular costuma usar o verbo GARANTIR, em vez de afirmar, desejar, pensar, esperar que…

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sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Três casos de auto-punição

Por vezes ouve-se que os casos de auto-punição traduzem grandeza de carácter e de dignidade, mas teria mais valor a continuidade de um comportamento correcto com dignidade e honradez que evitasse crimes ou infracções.

Agora quase em simultâneo vieram a público três casos de auto-punição:

-O Presidente alemão, Christian Wulff, acaba de apresentar a demissão do cargo, por causa do seu envolvimento num alegado caso de corrupção.

-O suspeito do triplo homicídio de Beja (homicídios da mulher, da filha e da neta) foi encontrado morto na cela do Estabelecimento Prisional de Lisboa, nesta sexta-feira, por se ter enforcado com os lençóis da cama.

- O ministro da Cultura grego Pavlos Geroulanos apresentou a demissão, na sequência do assalto por dois homens armados ao museu da antiga cidade de Olímpia, roubando mais de 60 objectos antigos e arqueológicos de valor incalculável. O museu com património artístico e arqueológico de alto valor tinha apenas uma vigilante.

Isto trouxe á memória dois casos passados no Oriente:

- Em Maio de 2007, o ministro japonês da Agricultura, Toshikatsu Matsuoka, enforcou-se no seu apartamento de Tóquio, após ter sido envolvido num escândalo financeiro.
- Em Junho de 2011, o ex-ministro sul-coreano da Agricultura e presidente da Universidade de Sunchon National, Lim Sang-gyu, investigado num caso de corrupção foi encontrado morto, no interior de um carro, em Seul.

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Como podemos confiar ???



Faz falta um código de conduta que aconselhe a verdade e a coerência.
Em tão curto intervalo de tempo esquecem um documento que assinaram e que é tão importante para a vida nacional.

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Desemprego é bomba armadilhada

Não podemos ficar indiferentes à notícia que informa que em Portugal Há 885 novos desempregados por dia, pois isso é um indício de situação explosiva de elevada gravidade, é uma bomba armadilhada de resultados imprevisíveis. Transcreve-se um pouco da notícia mas sugere-se a leitura atenta da totalidade, fazendo clic no seu título.

«A troika em Setembro passado avançava com perspectivas pessimistas: Portugal atingirá uma taxa de desemprego oficial de 13,5% ao longo de 2013, valor que seria o pico deste flagelo no país. O governo, na mesma altura, dizia que não. Vítor Gaspar não admitia um cenário tão grave, antecipando “só” um pico no desemprego de 13,3% e ao longo deste ano, depois tudo melhoraria ao longo do ano seguinte. Ambos estavam completamente enganados.

No final de 2011, o desemprego oficial bateu os recordes e chegou a 14%, fruto de um salto trimestral nunca antes visto: mais 1,6 pontos. E a tendência, como se antecipa nas previsões do governo e da troika, é piorar.

Mas mais do que números, falemos de pessoas. O que quer dizer um salto de 1,6 pontos percentuais no desemprego entre Outubro e Dezembro de 2011?

Este valor significa que em três meses mais de 81 mil residentes em Portugal ficaram sem emprego, qualquer coisa como 885 pessoas por dia em todos os 92 dias de Outubro a Dezembro, úteis ou não. No final de Dezembro, segundo dados divulgados ontem pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) havia 771 mil desempregados em Portugal. Em Outubro eram 689,6 mil.

Enquanto isso, a Alemanha bateu o recorde de pessoas empregadas desde a reunificação do país, com 41,6 milhões de trabalhadores em finais de 2011, mais 560 mil. Dados também ontem divulgados.»


NOTA: Além dos graves problemas sociais e de segurança interna, é preciso ver também a dinâmica do desenvolvimento. Para haver desenvolvimento tem que ser estimulado o empreendedorismo, a inovação, a criatividade e o trabalho orientado para produção que substitua importações e que aumente as exportações em sectores voltados para o futuro mais previsível.
Isto suscita algumas interrogações:
Que estímulos estão a ser dados ou vão ser implementados pelo Governo, para reactivar o emprego?
Como tem sido desenvolvido o diálogo com empresários (grandes, médios e pequenos), com jovens licenciados e potenciais empregadores?
Que conferências estão previstas para fomentar a inovação, a criatividade, ajustadas às realidades actuais e previsíveis?

É imperioso que os governantes, demais políticos e técnicos especializados se debrucem seriamente sobre este importantíssimo tema e em todos os factores que o podem influenciar.

Imagem do Ionline

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quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Líbia. Lição para governantes

Na Líbia está a acontecer o que era previsível.

As notícias Líbia vive um ano de revolução e de incertezas e “Milícias ameaçam as esperanças de uma nova Líbia” são muito significativas, principalmente a segunda de onde se transcreve:

O aviso é feito pela Amnistia Internacional num relatório publicado no primeiro aniversário do levantamento popular que começou na cidade de Bengazi, no Leste do país, até terminar em Outubro, com a captura e morte do ditador. As mesmas milícias que se formaram para derrubar Khadafi põem agora em causa o futuro.

“Há um ano, os líbios arriscaram a sua própria vida para reclamar justiça. Hoje, as suas esperanças são ameaçadas por milícias armadas sem lei que pisam os direitos humanos com toda a impunidade”, afirmou Donatella Rovera, conselheira especial da Amnistia para as crises e conflitos, na apresentação do relatório.


Os políticos devem tirar daqui a conclusão de que devem agir segundo a pura filosofia da DEMOCRACIA, procurando, em cada momento, decidir para bem da população é não com caprichos autoritários ou ideias muito pessoais de «poder pelo poder». No Egipto está a acontecer o mesmo, bem como na Síria. O povo obedece, aceita, subordina-se, porque é próprio do ser humano evitar a violência, mas, a partir de determinado ponto, acorda, toma consciência de que está a ser esmagado por incompetência, vaidade ou ambição dos governantes e reage, muitas vezes de forma violenta, descontrolada, sem uma estrutura adequada e eficaz de hierarquia, disciplina e rigor de acção, causando resultados dramáticos para muitos inocentes.

Seria bom que os «donos do poder» reflectissem nestes fenómenos e fossem mais competentes, humanos e generosos na sua actuação como representantes do povo e senhores do seu destino colectivo, a fim de evitar que o descontentamento e a indignação se sobreponham às boas normas de convivência entre todos, desde o mais humilde cidadão até ao mais destacado governante.

Foto do Google

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terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Freguesias, democracia ou autocracia ???

Ao longo das últimas décadas, tem havido um «crescimento» de fantasia, talvez de vaidade, de imitação e de ostentação, acima das possibilidades e das conveniências reais e passaram-se vilas a cidades, aldeias a vilas, forjaram-se freguesias e criaram-se novos concelhos como era desejado, por exemplo, em Canas de Senhorim. Recordo que em 1975 fui pressionado por conterrâneos para usar a influência de que na altura dispunha para ali criar uma freguesia. Não fui na cantiga e dissuadi os meus amigos a não insistirem nisso.

Hoje esclareceu-se a consciência de que, com as facilidades de transporte e de comunicação, bem como a rarefacção da população, há muitas freguesias que fariam bem em se fundir com as vizinhas e criar uma maior com mais peso na vida da região.

Mas os governantes, com a sua habitual inabilidade, falta de sentido das realidades e abuso da autocracia, acordaram um dia com uma ideia caprichosa e, como é seu timbre de autoritarismo teimoso, avançaram de régua e esquadro para o mapa de Portugal a retalhar o País a seu prazer onírico, sem sugerir e incentivar o estudo local de cada caso e deixar que os interessados regionais julgassem democraticamente das vantagens e aderissem à ideia da forma mais adequada para cada situação, jogando com a geografia, a orografia, a demografia, a dinâmica da micro-economia e, em suma, sem ferir os interesses das populações. O fenómeno desejado não foi preparado com a racionalidade mais aconselhável e saiu aborto, tal como aconteceu com o acordo ortográfico que quiseram impor ao idioma de Portugal, Brasil e PALOP. Há que ter presente que as mudanças exigem cortes nos hábitos e rotinas e, por isso, enfrentam sempre com resistências, sendo necessária uma cuidada explicação das vantagens para a conquista da adesão das populações, principalmente, das pessoas mais afectadas. Isto faz parte da democracia de que muito se fala mas pouco se pratica.

Nessa ordem de ideias, não surpreende que presidentes das 10 juntas de Matosinhos exijam demissão de Miguel Relvas. Aliás, eles estão a seguir os conselhos do Primeiro-ministro, pois evitam ser «piegas» e estão a ser «mais exigentes», «menos complacentes». Rejeitam o servilismo e a submissão a um ministro com cujas ideias caprichosas não concordam. O seu comportamento, embora aparentemente rebelde, sugere a pergunta, em vez de impor a sua ideia, não seria mais democrático e mais eficiente, na procura da melhor solução, proceder a um diálogo construtivo e procurar chegar a um consenso mais ajustado às realidades das populações?

A irreverência dos 10 de Matosinhos está sintonizada com os conselhos do Primeiro-ministro, a não ser que ele venha afirmar, como outros políticos têm feito, que não era isso que queria dizer.

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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Violência evitável por boa governação



Estes actos de violência descontrolada, por o povo ter chegado a grave estado de descontentamento e indignação, teriam sido evitados se tivesse havido boa governação, se os Governos, no cumprimento das suas funções, tivessem sido eficientes e seguido um código de honra, como era esperado e desejado.
Desta violência resulta perda de vidas e prejuízos patrimoniais, lesando interesses de inocentes e do respectivo País.

Imagens obtidas de jornais; por deficiência de registo, não se conhecem os autores.

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domingo, 12 de fevereiro de 2012

UE precisa de competência e coragem política

George Soros, o investidor milionário americano, que se tem pronunciado sobre a crise europeia alertou para que a UE arrisca-se à destruição pela falta de crescimento económico e pelas tensões políticas.

Segundo ele, "agora, a UE, e em particular os países muito endividados, enfrentam uma década perdida. Pode até ser mais do que uma década, porque o Japão, que teve uma situação semelhante, com o fim da bolha imobiliária e uma crise bancária, tem, até agora, 25 anos sem crescimento".

Manifestou-se também pessimista quanto à receita de austeridade, com despedimentos na função pública e a redução de salários e de pensões. E, nisto, vai dar razão a António Seguro que acusa Passos Coelho de «paixão e obsessão» pela austeridade.

Soros diz que admira a chanceler Merkel pela sua capacidade de liderança. Mas, infelizmente, ela está a conduzir a Europa na direcção errada.

Com esta opinião, Soros vem tornar verosímil as palavras de Eduardo Catroga que admite necessidade de reajustamento do programa de auxílio a Portugal e que sugere que a Primavera é o momento oportuno para fazer essa reavaliação dos pressupostos em que assenta o acordo com a Troika.

Mas, ao contrário de Soros e de Catroga e para aumentar as preocupações de Seguro, Vítor Gaspar não vai pedir nem mais tempo nem dinheiro à Troika. No entanto pode haver aqui um jogo de linguagem, pois Catroga prevê que tal reajustamento parta da iniciativa da Troika. Será?

Seja o que for, parece que tanto George Soros como António Seguro devem ser tidos em consideração porque, na preparação de decisão tão grave pelas suas consequências, nenhuma hipótese deve ser deixada de lado, como indica a metodologia de preparação da decisão aqui várias vezes referida.

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sábado, 11 de fevereiro de 2012

Cascais não respeita peões

Há mais de quatro anos, o município decidiu fechar e tornar pago o «parque de estacionamento da Praça de Touros» na área vizinha da PSP Trânsito e, embora a «bilheteira» pudesse ter sido colocada dez metros ao lado e a entrada e saída efectuar-se pelo arruamento ao lado Leste da Praça, foi mais uma vez usado o habitual desrespeito pelos peões e cortado totalmente o passeio com a instalação do contentor que abrigava o portageiro.

Como, passados dois anos, verificaram que o parqueamento não tinha clientes foi desactivado mas a casota lá continua, há dois anos, como foi denunciado em 5 de Março de 2010, a lesar os direitos dos peões que, em tempo de chuva, têm que meter os sapatos na água quer contornem por um ou por outro lado aquele obstáculo.

Aquele alerta tal como o do parágrafo 1. de 24 de Novembro de 2011 e de e-mails posteriores não obtiveram reacção nem resposta.

Agora, que ao parque está a ser cortada uma grande parte do espaço para benefício da PSP, julga-se que será oportuno recompor o passeio, libertá-lo da «edificação» sobre ele construída abusivamente e devolvê-lo à sua função de ser utilizado pelos peões.

Mas o desrespeito pelos peões constata-se em mais casos de mau estado do piso dos passeios e de postes de iluminação, sinalização e publicidade que, por não terem sido colocados junto a um dos lados, dificultam a movimentação de carrinhos de bebé e de cadeiras de rodas.

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Eurodeputados. Escândalo continuado



a VOIR ABSOLUMENT LES MONTAGNES DE NOTRE FRIC QUI DISPARAISSENT DANS LEURS POCHES !!!!!!!!!!!!!

É pena não ter legendas em Português.
Nós pagamos a estes parasitas.

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Ciência em destaque em Portugal

É frequente ouvir políticos e comentadores dizer que a educação, o ensino, constitui a pedra basilar para a recuperação de Portugal com vista a um lugar digno no futuro da humanidade mas, nos momentos solenes em que são distribuídos prémios e comendas, raramente se nota que seja dado destaque aos factores, como este, que serão a mola para um futuro mais próspero.

Por isso, devemos realçar notícias a notícias como estas que nos enchem o peito com esperança em dias melhores p+ara os nossos descendentes:

Publicação científica portuguesa triplica em dez anos
Público. 10.02.2012 - 19:06 Por Nicolau Ferreira

Cientistas da Universidade do Algarve descobrem ser vivo mais velho da Terra
Público. 10.02.2012 - 21:30

Devemos sentir prazer neste bons sinais de que Portugal tem potencialidades que o podem elevar acima das crises que nos torturam, criadas por más governações. Seria bom que os políticos aprendessem com os melhores portugueses a fim de darem a gestão mais eficaz da causa pública merecida pelas elites científicas e de outras profissões que têm efeitos directos na economia nacional e no bem estar da generalidade dos portugueses.

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Gestão Pública precisa de profunda reforma

Buracos atrás de buracos mostram o estado caótico em que vegeta a gestão pública. Agora surge a notícia Hospitais fecham 2011 com buraco de pelo menos 383 milhões.

O que dizer de serviços públicos que demonstram, pela sua actuação, não terem o mínimo respeito pelo dinheiro dos impostos dos portugueses? Ao gerirem o seu orçamento sem respeito, sem rigor, sem disciplina, sem dignidade, como esperam depois encerrar as contas honestamente? Porque não existe um sistema eficaz de controlo, inspecção e sancionamento dos resultados da gestão? Qual tem sido o papel da Justiça perante estes desmandos?

Surge a grande dúvida, talvez certeza, do mau critério da nomeação dos gestores. Qual o seu laço de cumplicidade ou compadrio com o responsável da tutela que os nomeou? Em que critério se fundamentou quem os nomeou? Foram escolhidos por concurso público, para seleccionar os portugueses mais idóneos e capazes?

Com estas decisões mal preparadas não se estranha que o País esteja afundado nesta crise que nos esmaga. Há que reformar profundamente o sistema de gestão pública, com a máxima urgência.

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sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Cascais. Património desprezado

A imagem aqui colocada é diferente daquela que ilustrava o post de 5 de Dezembro de 2009, da mesma forma que o era uma das duas do post de 28 de Fevereiro de 2011 em que o assunto foi relembrado e explicada a diferença entretanto introduzida no cartaz. Este foi recentemente referido no parágrafo 3. do post de 24 de Novembro de2011 e em posterior e-mail para a Câmara em que eram tratados outros casos. Sem reacção, sem resposta.

Se a Câmara não tivesse mantido o cartaz, não lhe podiam ser atribuídas culpas de desmazelo e incumprimento de promessas já antigas. Agora, estamos com eleições municipais à vista e já há candidatos com os pés nos tacos para iniciar a corrida. Cabe a cada eleitor deixar de pensar em quem votou em eleições anteriores, avaliar as capacidades de cada candidato e escolher o que lhes inspirar inteira confiança ou, se nenhum lhes servir, votar em branco, o que significa que nenhum lhe merece confiança. Não basta olhar para o QI, mas é preciso olhar para o QH (de honra, de honestidade) e o QD (de dedicação ao bem comum), o que se deduz de atitudes e comportamentos anteriores, em actos e não apenas em palavras.

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quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Santana em debate com Rosas



Não é raro os «intelectuais» da política darem exemplos daquilo que uma pessoa educada deve evitar. A força dos argumentos deve resultar da lógica destes e não dos maus modos dos dialogantes.

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Políticos de anedota fazem humor negro

A Europa e, talvez, a humanidade podem estar a caminho da extinção da espécie humana. Os dinossauros desapareceram devido a catástrofe natural mas os seres humanos poderão desaparecer por ignorância, vacuidade cerebral, ausência de senso e de ideias, como tem sido demonstrado por políticos que dizem o que não queriam dizer, ou por não saberem exprimir as ideias ou porque estas não existem, como se tem visto por cá e, o que é muito grave, porque em França, Estado que pretende, juntamente com a Alemanha, comandar o leme do barco europeu, segundo a notícia Governante francesa aconselha sem-abrigo a “evitarem saídas” por causa do frio. Ela não se limitou a dizer, mas escreveu:

«A vaga de frio que está a assolar a Europa levou a secretária de Estado francesa da Saúde a redigir, no passado fim-de-semana, alguns conselhos para os seus concidadãos. Mas o que deveria ser uma iniciativa salutar passou a ser motivo para ridicularizar a autora. É que Nora Berra sugeriu aos “mais vulneráveis”, incluindo os sem-abrigo, que evitassem sair de casa.

Nora Berra, secretária de Estado da Saúde, francesa, escreveu no seu blogue que uma das “principais medidas a adoptar em caso de frio extremo, especialmente pelas populações mais vulneráveis”, é que as pessoas “devem evitar sair”. E passou a enumerar os grupos de pessoas aos quais se dirigia: “Sem-abrigo, crianças, idosos ou com certas doenças respiratórias crónicas, cardiovasculares ou endócrinas”.»


Felizmente, em Portugal o bom-senso não desapareceu completamente e, em Lisboa, houve uma atitude muito humana, com sensibilidade para o problema dos sem-abrigo, pois, em vez de os «aconselhar a não sair à rua», o Metro de Lisboa abriu estações para que eles saíssem da rua e dormissem em ambiente protegido e mais confortável.

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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

A trapeira do Job

Com a merecida vénia, transcrevo uma descrição, muito interessante e agradável de ler, da evolução da nossa sociedade desde há um século até ao desaguar na actual crise social, económica e financeira, escrita pelo conceituado advogado José António Barreiros.

Isto que eu vou dizer vai parecer ridículo a muita gente.

Mas houve um tempo em que as pessoas se lembravam, ainda, da época da infância, da primeira caneta de tinta-permanente, da primeira bicicleta, da idade adulta, das vezes em que se comia fora, do primeiro frigorífico e do primeiro televisor, do primeiro rádio, de quando tinham ido ao estrangeiro.

Houve um tempo em que, nos lares, se aproveitava para a refeição seguinte o sobejante da refeição anterior, em que, com ovos mexidos e a carne ou peixe restante, se fazia "roupa velha". Tempos em que as camisas iam a mudar o colarinho e os punhos do avesso, assim como os casacos, e se tingia a roupa usada, tempos em que se punham meias-solas com protectores. Tempos em que ao mudar-se de sala se apagava a luz, tempos em que se guardava o "fatinho de ver a Deus e à sua Joana".

E não era só no Portugal da mesquinhez salazarista. Na Inglaterra dos Lordes, na França dos Luíses, a regra era esta. Em 1945 passava-se fome na Europa, a guerra matara milhões e arrasara tudo quanto a selvajaria humana pode arrasar.

Houve tempos em que se produzia o que se comia e se exportava. Em que o País tinha uma frota de marinha mercante, fábricas, vinhas, searas.

Veio depois o admirável mundo novo do crédito. Os novos pais tinham como filhos uns pivetes tiranos, exigindo malcriadamente o último modelo de mil e um gadgets e seus consumíveis, porque os filhos dos outros também tinham. Pais que se enforcavam por carrões de brutal cilindrada para os encravarem no lodo do trânsito e mostrarem que tinham aquela extensão motorizada da sua potência genital. Passou a ser tempo de gente em que era questão de pedigree viver no condomínio fechado, e sobretudo dizê-lo, em que luxuosas revistas instigavam em couché os feios a serem bonitos, à conta de spas e de marcas, assim se visse a etiqueta, em que a beautiful people era o símbolo de status como a língua nos cães para a sua raça.

Foram anos em que o Campo se tornou num imenso resort de Turismo de Habitação, as cidades uma festa permanente, entre o coktail party e a rave. Houve quem pensasse até que um dia os Serviços seriam o único emprego futuro ou com futuro.

O país que produzia o que comíamos ficou para os labregos dos pais e primos parolos, de quem os citadinos se envergonhavam, salvo quando regressavam à cidade dos fins de semana com a mala do carro atulhada do que não lhes custara a cavar e às vezes nem obrigado.

O país que produzia o que se podia transaccionar, esse, ficou com o operariado da ferrugem, empacotados como gado em dormitórios, e que os víamos chegar mortos de sono logo à hora de acordarem, as casas verdadeiras bombas-relógio de raiva contida, descarregada nos cônjuges, nos filhos, na idiotização que a TV tornou negócio.

Sob o oásis dos edifícios em vidro, miragem de cristal, vivia o mundo subterrâneo de quantos aguentaram isto enquanto puderam, a sub-gente. Os intelectuais burgueses teorizavam, ganzados de alucinação, que o conceito de classes sociais tinha desaparecido. A teoria geral dos sistemas supunha que o real era apenas uma noção, a teoria da informação substituía os cavalos-força da maquinaria pelos megabytes de RAM da computação universal. Um dia os computadores tudo fariam, o Ser-Humano tornava-se um acidente no barro de um oleiro velho e tresloucado que, caído do Céu, morrera pregado a dois paus, e que julgava chamar-se Deus, confundindo-se com o seu filho e mais uma trinitária pomba.

Às tantas, os da cidade começaram a notar que não havia portugueses a servir à mesa, porque estávamos a importar brasileiros, que não havia portugueses nas obras, porque estávamos a importar negros e eslavos.

A chegada das lojas-dos-trezentos já era alarme de que se estava a viver de pexibeque, mas a folia continuava. A essas sucedeu a vaga das lojas chinesas, porque já só havia para comprar «balato». Mas o festim prosseguia e à sexta-feira as filas de trânsito em Lisboa eram o caos e até ao dia quinze os táxis não tinham mãos a medir.

Fora disto, os ricos, os muito ricos, viram chegar os novos ricos. O ganhão alentejano viu sumir o velho latifundário absentista pelo novo turista absentista com o mesmo monte mais a piscina e seus amigos, intelectuais, claro, e sempre pela reforma agrária, e vai um uísque de malte, sempre ao lado do povo, e já leu o New Yorker?

A agiotagem financeira, essa, ululava. Viviam do tempo, exploravam o tempo, do tempo que só ao tal Deus pertencia, mas, esse, Nietzsche encontrara-o morto em Auschwitz. Veio o crédito ao consumo, a Conta-Ordenado, veio tudo quanto pudesse ser o ter sem pagar. Porque nenhum Banco quer que lhe devolvam o capital mutuado, quer é esticar ao máximo o lucro que esse capital rende.

Aguilhoando pela publicidade enganosa os bois que somos nós todos, os Bancos instigavam à compra, ao leasing, ao renting, ao seja como for desde que tenha e já, ao cartão, ao descoberto-autorizado.

Tudo quanto era vedeta deu a cara, sendo actor, as pernas, sendo futebolista, ou o que vocês sabem, sendo o que vocês adivinham, para aconselhar-nos a ir àquele Balcão bancário buscar dinheiro, vendermos-nos ao dinheiro, enforcarmos-nos na figueira infernal do dinheiro. Satanás ria. O Inferno começava na terra.

Claro que os da política do poder, que vivem no pau de sebo perpétuo do fazer arrear, puxando-os pelos fundilhos, quantos treparam para o poder, querem a canalha contente. E o circo do consumo, a palhaçada do crédito servia-os. Com isso comprávamos os plasmas mamutes onde eles vendiam à noite propaganda governamental e, nos intervalos, imbelicidades e telefofocadas, que entre a oligofrenia e a debilidade mental a diferença é nula. E, contentes, cretinamente contentinhos, os portugueses tinham como tema de conversa a telenovela da noite, o jogo de futebol do dia e da noite e os comentários políticos dos "analistas" que poupavam os nossos miolos de pensarem, pensando por nós.

Estamos nisto.

Este fim-de-semana a Grécia pode cair. Com ela a Europa.

Que interessa? O Império Romano já caiu também e o mundo não acabou. Nessa altura, em Bizâncio, discutia-se o sexo dos anjos. Talvez porque Deus se tivesse distraído com a questão teológica, talvez porque o Diabo tenha ganho aos dados a alma do pobre Job na sua trapeira. O Job que somos grande parte de nós.

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Otelo, qual Nostradamus!!!

Otelo Saraiva de Carvalho disse há tempos qualquer coisa que chocou os políticos mas, olhando bem à nossa volta vemos que a «força de expressão» que usou, de forma simbólica, parece que não passou de um oráculo ou de uma profecia do astrólogo Nostradamus, para servir de alerta e solicitar a atenção dos altos responsáveis pela condução da vida nacional.

Dizia há dias um amigo que, quando quis fazer uma reparação na fachada de uma casa antiga na aldeia, o construtor disse que qualquer remendo fica sempre feio e que o melhor seria reparar toda a fachada. Também um primo muito dado a bricolage, ao pedir-lhe para baixar a altura de uma mesa decorativa, disse que o trabalho é fácil mas um pouco demorado porque tem que haver muito rigor para que as quatro pernas fiquem todas rigorosamente iguais a fim de o móvel ficar estável sem hesitações de equilíbrio.

Também a evolução de uma sociedade com reformas e medidas de mudança tem de ser muito bem «pensada» e, depois de analisadas as alterações anteriores e os resultados com elas obtidos, definir concretamente o que se pretende para a finalidade fundamental (em benefício dos portugueses), abrangendo equilibradamente todos os factores interactivos. Não deve haver decisões por capricho ou em resultado de ideias oníricas, nem teimar nos palpites «custe o que custar».

E, se foi citado o nome de Otelo, foi porque ele saltou à memória ao ler a notícia que a seguir se transcreve:

Oficiais avisam que "nada os obriga a serem submissos"
 Por PÚBLICO. 08-02-2012 - 08:30
Carta ao Governo

A Associação de Oficiais das Forças Armadas (AOFA) avisa o Governo de que "nada os obriga a serem submissos, acomodados, ignorantes e apolíticos". "Pelos vistos daria jeito ao poder político que assim fosse", afirma a mesma entidade, numa carta aberta enviada ao ministro da Defesa, José Pedro Aguiar-Branco, que é criticado no mesmo documento revelado nesta quarta-feira pelo jornal Diário de Notícias

De acordo com o mesmo jornal, a missiva é uma resposta a recentes declarações de Aguiar Branco sobre as Forças Armadas e que terão caído mal entre os militares. "As Forças Armadas são insustentáveis, senhor ministro? Não são! Estão!", argumenta a AOFA, que contesta também os cortes orçamentais e a equiparação dos militares aos funcionários públicos. Outras queixas têm a ver directamente com a carreira, como o congelamento das promoções. O ministro da Defesa estará nesta quarta-feira na cerimónia militar comemorativa dos 50 anos do navio-escola Sagres, pelas 10h45, no cais de Alcântara em Lisboa.

O responsável por esta pasta no Governo é acusado pela AOFA de cometer "uma insanável contradição": reconhece "existirem razões de descontentamento" nas fileiras, mas recusa receber as associações o que é "ignorar [o] quadro legal", escreve o Diário de Notícias.

Recentemente, Aguiar-Branco afirmou que os militares que "não sentem vocação, estão no sítio errado. Se não sentem, antes de protestar precisam de mudar de carreira. Sem drama, sem ressentimento". Para a AOFA, o direito ao protesto, à denúncia, existe e não pode ser confundido com fazer política. "Denunciar perante a opinião pública as medidas lesivas e (...) carregadas de falta de respeito pela dignidade de quem jurou e serve abnegadamente (sem se servir) a pátria é fazer política?", interroga a AOFA. "Será portanto política alertar para (...) a penalização dos militares e das Forças Armadas, dando a conhecer, a título de exemplo, a forma como (...) os militares vêem o modo como tem vindo a ser tratado o dossier BPN, obrigando uma significativa parcela do orçamento a ser desviada para dar cobertura, tudo leva a crer, às consequências de criminosos desmandos?"

Não consideramos política e, muito menos, política partidária, tal postura. Trata-se, isso sim, do uso de um direito que a própria cidadania impõe", escreve o DN, atribuindo estas declarações ao líder da AOFA, coronel Manuel Cracel.

Foto de Nuno Ferreira Santos.

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terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Má gestão. Esbanjamento

Assim vai o «Carnaval» nos serviços públicos pagos com os nossos impostos.

Custos evitáveis nos centros de saúde podem atingir os 900 milhões de euros

Temos que acabar com isto seguindo os sábios conselhos do PM, quando «apelou, esta segunda-feira, aos portugueses para serem "mais exigentes", "menos complacentes" e "menos piegas" e disse "Temos de ser ambiciosos e exigentes com o ensino, com a investigação e o saber, com as empresas".., "hoje, mais do que nunca", é preciso "enfatizar a relevância" de os portugueses serem "totalmente exigentes e nada complacentes com a facilidade", apelando à "transformação de velhas estruturas e velhos comportamentos muito preguiçosos ou, às vezes, demasiado autocentrados", por outros "descomplexados, mais abertos, mais competitivos".»

Exijamos, «custe o que custar», que os políticos cumpram rigorosamente o seu dever de zelar pelos interesses da população portuguesa, dos cidadãos, dos eleitores.

Imagem de arquivo

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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

A crise não tem melhorado

Depara-se hoje com a notícia de que a Dívida pública passa 110% do PIB e é a terceira maior da UE, São dados referentes ao fim de Setembro, mas não há notícia de melhoras, antes pelo contrário, como dizem as agências de ‘rating’ e o crescimento dos juros da dívida.

Por isso surge outra notícia, Zorrinho diz que “receita” do Governo “não está a dar resultado”, e que estamos num «processo de espiral recessiva em que as políticas, como temos vindo a dizer, sem crescimento, sem criação de riqueza, sem emprego, sem aposta na mobilização das pessoas” são apenas “de flagelação permanente”.

Será desejável que a esta observação não surja uma reacção como a que é referida na notícia Governo não aceita lições de moral da esquerda onde sobressaía arrogância e vaidade injustificada, porque não fica mal a ninguém aprender com a experiência própria e alheia, bem como com qualquer reparo ou sugestão.

E, para recuperar da crise, não basta proibir a tolerância de ponto do Carnaval no dia de Entrudo, sendo preferível acabar com o «carnaval» permanente na gestão pública, nos serviços e empresas públicas, incluindo autarquias, a fim de desenvolver o País, em vez de o atrofiar com a crescente austeridade aritmética, asfixiante.

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Estratégia para sair da crise

Transcrição de artigo que explica uma estratégia optimista para ultrapassar as dificuldades geradas por erros governamentais e comportamentos desajustados da população. Oxalá políticos e cidadãos compreendam e passem a ajustar-se às realidades do mundo moderno em evolução.

O espírito de Abril
Por João César das Neves, no Diário de Notícias de 2012-02-06.

O acordo de concertação social assinado no dia 18 é um documento decisivo da nossa história recente. Isto só se entende considerando a essência desta crise.

Muitos tomam a recessão mundial como financeira, acusando dela bancos e agências de rating. Têm razão, mas esquecem que países com crescimento sólido, como Irlanda, Bélgica e Reino Unido, não são incomodados apesar de dívidas maiores que a nossa. O fundo do problema é pois económico e social.

O desenvolvimento que o mundo vive desde a revolução industrial tem tido várias fases. Esta é dominada por dois choques principais, a expansão da China e Índia e a revolução informática. Estes avanços criaram um dos momentos mais maravilhosos da humanidade, com enorme progresso e redução espantosa da pobreza mundial. Como não há almoços grátis, este desenvolvimento tem custos, alargando o fosso de rendimentos no Ocidente, de onde sai a recessão e a dívida.

Os mecanismos são evidentes Os trabalhadores chineses concorrem com o trabalho não especializado na Europa e EUA, enquanto a sociedade da informação elimina empregos de escritório e beneficia efusivamente o talento na gestão, arte, finanças, desporto, computação, etc. Isto espreme os salários baixos, reduz os lugares intermédios e premeia alguns ricos. As dificuldades de crescimento vêm da reestruturação económica imposta pelo mercado global, enquanto o endividamento surge de políticas e expedientes para amaciar a vida dos mais atingidos. Foi o incentivo político à aquisição de casa pelos pobres que criou o subprime nos EUA.

A questão decisiva deste tempo é, portanto, social. Portugal é um caso paradigmático. Na "década perdida", além da estagnação ser disfarçada pela dívida externa que agora nos arruína, íamos caindo numa das maiores desigualdades europeias, como mostram estudos recentes. Mas é preciso ver que esses estudos têm dados anteriores à troika, que está cá só há dez meses. O fosso entre ricos e pobres só pode resultar de quinze anos de políticas socialistas, que diziam defender os trabalhadores, combater a pobreza e construir a sociedade justa. Este aparente paradoxo é compreensível ao notar que as tais políticas bem intencionadas acabavam por usar os impostos de todos (sobretudo pobres) para beneficiar certos grupos, próximos do Estado. Os últimos anos reforçaram o processo, pois a crise começou em 2008, com falências e desemprego, mas funcionários e pensionistas estiveram incólumes três anos, até à chegada da troika.

O terrível choque no Ocidente, como em Portugal, impõe difícil ajustamento para recuperar uma sociedade justa e dinâmica, adaptada ao novo mundo global. Isso exige medidas sérias e equilibradas das elites e governos, para eliminar privilégios, combater a corrupção, apoiar os pobres, flexibilizar a economia. Mas exige também da sociedade serenidade e solidariedade, suportando os inevitáveis sacrifícios sem perder o rumo.

Percebe-se perfeitamente a irritação das populações pela austeridade e perda de direitos exigida na flexibilização. Revoltas, greves e subida dos radicalismos, bom como sonhos de revoluções e sociedade ideal, são compreensíveis. Robespierre, Marx e Lenine viveram tempos destes e hoje a Grécia envereda pelo mesmo rumo violento. Mas a reacção brutal trouxe sempre o desastre.

Existem alternativas, como a serena "revolução dos cravos". Comparada com casos paralelos, nacionais e estrangeiros, o 25 de Abril destaca-se pela sensatez. Em particular, na confusão revolucionária de 1974-75 os salários reais subiram 10% acumulados, estrangulando a economia. Em seguida aconteceu algo único na história: um país democrático, com sindicatos livres, teve o patriotismo de suportar uma queda acumulada de 12% nos salários reais de 1976-79, recuperando o equilíbrio.

O choque social destes anos será terrível. O nosso futuro depende de Portugal cair na revolta, como Marx sugeria e a Grécia mostra, ou enfrentar as dificuldades com força e serenidade. O acordo de dia 18 prova que ainda está vivo o espírito de Abril.

Imagem de arquivo

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