sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

A Paz é possível

Encontramo-nos num período de reflexão, em que se trocam palavras muito animadoras que defendem os melhores valores contributivos para a Paz, a harmonia global, o bom relacionamento entre pessoas e Estados, com diálogo franco e procura de soluções pacíficas, abolindo as situações doentias que giram à volta de ambições, invejas, desconfianças, vinganças , arrogâncias, apetites selvagens de destruição.

Parece não haver dúvidas sobre a possibilidade de se instalar um clima de confiança, colaboração, entendimento e PAZ, pois quando se raciocina com serenidade, assim se conclui. Logo as situações de conflito nascem da imponderação, de caprichos, de ausência de raciocínio bem intencionado. O ser humano gosta da paz e de viver em harmonia com os outros e com o ambiente. É preciso que se habitue a não agir sem antes pensar.

O meu voto para 2011 é que nada seja feito sem usar da melhor intenção em relação aos outros. Respeitar os outros e a Natureza. Os governantes e os políticos em geral devem esforçar-se por evitar casos como o Iraque, o Afeganistão, os actos anti-democráticos como os da Birmânia, da Costa do Marfim , etc.

Recordo novamente alguns títulos de textos aqui colocados

- Pensar antes de decidir
- Guerra a pior forma de resolver conflitos
- Relações internacionais são interesseiras
- Relações internacionais entre amor e medo
- Guerra de civilizações ou guerra de tradições?
- A Democratização nuclear é previsível
- Negociação em vez de guerra
- A Paz pelas conversações
- Qualquer guerra é uma tragédia evitável
- A Paz como valor supremo

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quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Incúria em vez de segurança

A degradação da nossa sociedade é notória em muitos e variados aspectos, mas um dos mais graves é a ausência de sentido da segurança, da necessidade de precauções para evitar acidentes em casa, no trabalho, nas estradas, na praia, etc e as preocupações de segurança devem contribuir para a eliminação de situações causadoras de acidente, antes que eles ocorram. Foi essa a intenção do post «Segurança votada ao desprezo» aqui colocado.

Mas é preciso bater muito neste assunto para alertar as autoridades desleixadas, preguiçosas e pouco conscientes dos perigos e sem verdadeiro sentido de responsabilidade. E por ser assim, vêem hoje a público duas notícias gritantes, que podem sewr lidas, abrindo os seguintes links: «Poste preso por fios na Caniçada» e «Muro de escola ameaça cair sobre a via pública».

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Conhecer as causas da crise

Tem-se falado muito das origens da crise, de uma forma geral mas, a pouco e pouco, surgem pormenores mais rigorosos.

Segundo notícia do PÚBLICO, este diário teve acesso ao relatório final da auditoria do Tribunal de Contas (TC) ao Serviço de Utilização Comum dos Hospitais (SUCH), o qual volta a ser muito crítico da gestão presidida por Paula Nanita, que foi demitida no final de Junho.

Segundo o relatório, o (SUCH) pagou, só a três empresas privadas de consultoria e gestão, mais de 21 milhões de euros até ao final de 2009, um montante quatro vezes superior ao total do prejuízo registado nesse ano por este organismo tutelado pelo Ministério da Saúde.

Para conhecer melhor o problema leia toda a notícia «Saúde gastou 21 milhões de euros em consultoria que não serviu para nada»

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quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

A Educação no Brasil com problemas semelhantes aos de Portugal

Transcrição, sem comentários. Deve ser lido cuidadosamente até ao fim

DESAGRAVO DO PROF. IGOR P. WILDMANN

Amigos,

Embora há muito tempo desligado daquela instituição, como ex-professor do Instituto Metodista Izabela Hendrix, fiquei profundamente consternado com o caso do universitário que, revoltado com suas notas baixas, cravou uma faca no coração de seu professor, na cantina, em pleno horário escolar, à frente de todos.

Escrevi um desagravo e, em minha opinião, a pérfida ilusão vendida a muitos alunos despreparados, sobre a escola (e a vida) como lugares supostamente cheios de direitos e pobres em deveres, acaba por contribuir para ambientes propensos à violência moral e física.

Espero que, se concordarem com os termos, repassem adiante, sem moderação. A divulgação é livre.
Abs
Igor

J’ACUSE !!! (Eu acuso !)
(Tributo ao professor Kássio Vinícius Castro Gomes)

«Mon devoir est de parler, je ne veux pas être complice.»(Émile Zola)
Meu dever é falar, não quero ser cúmplice. (...) (Émile Zola)

Foi uma tragédia fartamente anunciada. Em milhares de casos, desrespeito. Em outros tantos, escárnio. Em Belo Horizonte, um estudante processa a escola e o professor que lhe deu notas baixas, alegando que teve danos morais ao ter que virar noites estudando para a prova subsequente. (Notem bem: o alegado “dano moral” do estudante foi ter que... estudar!).

A coisa não fica apenas por aí. Pelo Brasil afora, ameaças constantes. Ainda neste ano, uma professora brutalmente espancada por um aluno. O ápice desta escalada macabra não poderia ser outro.

O professor Kássio Vinícius Castro Gomes pagou com sua vida, com seu futuro, com o futuro de sua esposa e filhas, com as lágrimas eternas de sua mãe, pela irresponsabilidade que há muito vem tomando conta dos ambientes escolares.

Há uma lógica perversa por trás dessa asquerosa escalada. A promoção do desrespeito aos valores, ao bom senso, às regras de bem viver e à autoridade foi elevada a método de ensino e imperativo de convivência supostamente democrática.

No início, foi o Maio de 68, em Paris: gritava-se nas ruas que “era proibido proibir”. Depois, a geração do “não bate, que traumatiza”. A coisa continuou: “Não reprove, que atrapalha”. Não dê provas difíceis, pois “temos que respeitar o perfil dos nossos alunos”.

Aliás, “prova não prova nada”. Deixe o aluno “construir seu conhecimento.” Não vamos avaliar o aluno. Pensando bem, “é o aluno que vai avaliar o professor”. Afinal de contas, ele está pagando...

E como a estupidez humana não tem limite, a avacalhação geral epidêmica, travestida de “novo paradigma” (Irc!), prosseguiu a todo vapor, em vários setores: “o bandido é vítima da sociedade”, “temos que mudar ‘tudo isso que está aí’; “mais importante que ter conhecimento é ser ‘crítico’.”

Claro que a intelectualidade rasa de pedagogos de panfleto e burocratas carreiristas ganhou um imenso impulso com a mercantilização desabrida do ensino: agora, o discurso anti-disciplina é anabolizado pela lógica doentia e desonesta da paparicação ao aluno – cliente...

Estamos criando gerações em que uma parcela considerável de nossos cidadãos é composta de adultos mimados, despreparados para os problemas, decepções e desafios da vida, incapazes de lidar com conflitos e, pior, dotados de uma delirante certeza de que “o mundo lhes deve algo”.

Um desses jovens, revoltado com suas notas baixas, cravou uma faca com dezoito centímetros de lâmina, bem no coração de um professor. Tirou-lhe tudo o que tinha e tudo o que poderia vir a ter, sentir, amar.

Ao assassino, corretamente, deverão ser concedidos todos os direitos que a lei prevê: o direito ao tratamento humano, o direito à ampla defesa, o direito de não ser condenado em pena maior do que a prevista em lei. Tudo isso, e muito mais, fará parte do devido processo legal, que se iniciará com a denúncia, a ser apresentada pelo Ministério Público. A acusação penal ao autor do homicídio covarde virá do promotor de justiça. Mas, com a licença devida ao célebre texto de Emile Zola, EU ACUSO tantos outros que estão por trás do cabo da faca:

EU ACUSO a pedagogia ideologizada, que pretende relativizar tudo e todos, equiparando certo ao errado e vice-versa;

EU ACUSO os pseudo-intelectuais de panfleto, que romantizam a “revolta dos oprimidos”e justificam a violência por parte daqueles que se sentem vítimas;

EU ACUSO os burocratas da educação e suas cartilhas do politicamente correto, que impedem a escola de constar faltas graves no histórico escolar, mesmo de alunos criminosos, deixando-os livres para tumultuar e cometer crimes em outras escolas;

EU ACUSO a hipocrisia de exigir professores com mestrado e doutorado, muitos dos quais, no dia a dia, serão pressionados a dar provas bem tranqüilas, provas de mentirinha, para “adequar a avaliação ao perfil dos alunos”;

EU ACUSO os últimos tantos Ministros da Educação, que em nome de estatísticas hipócritas e interesses privados, permitiram a proliferação de cursos superiores completamente sem condições, frequentados por alunos igualmente sem condições de ali estar;

EU ACUSO a mercantilização cretina do ensino, a venda de diplomas e títulos sem o mínimo de interesse e de responsabilidade com o conteúdo e formação dos alunos, bem como de suas futuras missões na sociedade;

EU ACUSO a lógica doentia e hipócrita do aluno-cliente, cada vez menos exigido e cada vez mais paparicado e enganado, o qual, finge que não sabe que, para a escola que lhe paparica, seu boleto hoje vale muito mais do que seu sucesso e sua felicidade amanhã;

EU ACUSO a hipocrisia das escolas que jamais reprovam seus alunos, as quais formam analfabetos funcionais só para maquiar estatísticas do IDH e dizer ao mundo que o número de alunos com segundo grau completo cresceu “tantos por cento”;

EU ACUSO os que aplaudem tais escolas e ainda trabalham pela massificação do ensino superior, sem entender que o aluno que ali chega deve ter o mínimo de preparo civilizacional, intelectual e moral, pois estamos chegando ao tempo no qual o aluno “terá direito” de se tornar médico ou advogado sem sequer saber escrever, tudo para o desespero de seus futuros clientes-cobaia;

EU ACUSO os que agora falam em promover um “novo paradigma”, uma “ nova cultura de paz”, pois o que se deve promover é a boa e VELHA cultura da “vergonha na cara”, do respeito às normas, à autoridade e do respeito ao ambiente universitário como um ambiente de busca do conhecimento; 


EU ACUSO os “cabeça – boa” que acham e ensinam que disciplina é “careta”, que respeito às normas é coisa de velho decrépito,

EU ACUSO os métodos de avaliação de professores, que se tornaram templos de vendilhões, nos quais votos são comprados e vendidos em troca de piadinhas, sorrisos e notas fáceis;

EU ACUSO os alunos que protestam contra a impunidade dos políticos, mas gabam-se de colar nas provas, assim como ACUSO os professores que, vendo tais alunos colarem, não têm coragem de aplicar a devida punição.

EU VEEMENTEMENTE ACUSO os diretores e coordenadores que impedem os professores de punir os alunos que colam, ou pretendem que os professores sejam “promoters” de seus cursos;

EU ACUSO os diretores e coordenadores que toleram condutas desrespeitosas de alunos contra professores e funcionários, pois sua omissão quanto aos pequenos incidentes é diretamente responsável pela ocorrência dos incidentes maiores;

Uma multidão de filhos tiranos que se tornam alunos -clientes, serão despejados na vida como adultos eternamente infantilizados e totalmente despreparados, tanto tecnicamente para o exercício da profissão, quanto pessoalmente para os conflitos, desafios e decepções do dia a dia.  


Ensimesmados em seus delírios de perseguição ou de grandeza, estes jovens mostram cada vez menos preparo na delicada e essencial arte que é lidar com aquele ser complexo e imprevisível que podemos chamar de “o outro”.

A infantilização eterna cria a seguinte e horrenda lógica, hoje na cabeça de muitas crianças em corpo de adulto: “Se eu tiro nota baixa, a culpa é do professor. Se não tenho dinheiro, a culpa é do patrão. Se me drogo, a culpa é dos meus pais. Se furto, roubo, mato, a culpa é do sistema.

Eu, sou apenas uma vítima. Uma eterna vítima. O opressor é você, que trabalha, paga suas contas em dia e vive sua vida. Minhas coisas não saíram como eu queria. Estou com muita raiva. Quando eu era criança, eu batia os pés no chão. Mas agora, fisicamente, eu cresci. Portanto, você pode ser o próximo.”

Qualquer um de nós pode ser o próximo, por qualquer motivo. Em qualquer lugar, dentro ou fora das escolas. A facada ignóbil no professor Kássio dói no peito de todos nós. Que a sua morte não seja em vão. É hora de repensarmos a educação brasileira e abrirmos mão dos modismos e invencionices. A melhor “nova cultura de paz” que podemos adotar nas escolas e universidades é fazermos as pazes com os bons e velhos conceitos de seriedade, responsabilidade, disciplina e estudo de verdade.

Igor Pantuzza Wildmann
Advogado – Doutor em Direito. Professor universitário.

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Saber manifestar-se

Dois ciclistas iranianos passaram por Lisboa, depois de terem atravessado a Turquia, Grécia, Itália e Espanha e seguem agora para França e daí para a Bélgica, Dinamarca, Noruega, Suécia e Holanda e, se conseguirem os vistos necessários, pretendem ainda pedalar no Canadá, Estados Unidos, América Latina, Japão e China antes de regressar ao Irão.

Segundo as suas palavras, "o objectivo desta viagem é a amizade e as relações cordiais entre todos os países. Queremos que o mundo preste atenção a estes valores". Querem alertar pessoas e instituições dos países por onde passam para a necessidade de valorizar a paz, a amizade, um estilo de vida saudável e a defesa do ambiente.

Esta é uma forma civilizada para divulgar uma ideia ou reclamar de uma medida injusta ou de uma situação desagradável. Entre nós, seriam convenientes manifestações deste género a fim de alertar para a necessidade de medidas que evitem a anunciada «explosão social espontânea», descontrolada e com o perigo de muitos prejuízo para inocentes, sem serem lesados os reais inimigos públicos.

Não consta que Portugal tenha sido atravessado por indivíduos a reclamar do aumento do IVA, dos transportes, do PÃO, da corrupção, dos bancos, etc. Esperam que outros lhes resolvam os problemas e que lhes levem os resultados numa bandeja. Limitamo-nos a desabafar no café ou no banco do jardim entre amigos. Onde está a coragem e o dever de cidadania? A regra parece ser ainda o medo, a resignação, a sujeição.

Falta aos portugueses a sabedoria de reclamar, de saber reclamar com visibilidade e oportunidade sem cair na alçada da polícia, embora o professor João César das Neves diga que «o mais irónico é que os nossos intelectuais costumam desprezar o povo e a cultura nacional, quando o único grande defeito do País está na mediocridade das elites».

O exemplo destes dois iranianos faz pensar.

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Carvalho da Silva tinha acreditado !!!

O Dr. Carvalho da Silva, Secretário-geral da CGTP, disse que Ano Europeu contra a Pobreza foi um "falhanço total" porque levou a sério o título da campanha (desculpe a ironia). O falhanço não foi assim tão total, pois apenas se traduz numa palavra trocada. O Ano Europeu não foi CONTRA a pobreza, como prometia, mas, sim, PELA pobreza, pois ela aumentou escandalosamente nos seus efectivos. Hoje há muito mais pobres do que havia antes.

E há quem diga, com humor negro, que o Governo Português vai ganhar o prémio Nobel, dentro em breve, por a pobreza reduzir drasticamente, por muitos dos pobres existentes morrerem à fome e por falta de cuidados de saúde.

Seria uma boa anedota se não fosse trágico!!!

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terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Evitar a «explosão» social ???

O desenvolvimento do descontentamento referido no post anterior, segundo algumas opiniões será notório, com sinais de indesejável gravidade, nos fins de Janeiro, quando as famílias se aperceberem claramente que os salários recebidos são inferiores ao habitual, tornando-se difícil fazer face ao aumento de preços dos transportes, do PÃO e de outros produtos essenciais para a alimentação do agregado familiar.


Para o agravamento do descontentamento também contribuem notícias como a Doze gestores públicos levam 1,6 milhões só em salários.O mal não está na publicação da notícia mas, sim, na situação de injustiça social que ela relata e, só peca por não traduzir os valores em quantidades correspondentes de salários mínimos, o que facilitaria aos trabalhadores aperceberem-se das disparidades.

Porém, ao mesmo tempo, aparecem sugestões sensatas e construtivas tendentes a evitar a referida «explosão social espontânea» como, por exemplo, o artigo que a seguir se transcreve, as quais só terão algum efeito se a «mediocridade das elites» o permitir:

Dez sugestões de mudança
 Correio da Manhã. 27-12-2010. Por: Luís Marques Mendes, Ex-líder do PSD

Cada português trabalha metade do mês para pagar impostos ao Estado. Temos de o emagrecer.

Portugal passou a última década a estagnar. Para que isto não se repita, urge mudar de vida. Neste fim de ano, eis dez sugestões de mudança.

1. Poder político. Esta é a primeira mudança essencial. Só um governo maioritário cria condições para uma governação eficaz. Um governo que não se preocupe em agradar para ganhar eleições.

2. Competência. Precisamos de escolher governantes e deputados em função da competência e não da fidelidade partidária. Recorrendo mesmo a cidadãos independentes. Só com os melhores podemos vencer.

3. Combate à corrupção. O combate de que os políticos pouco falam mas que deve ser a grande prioridade nacional. É essencial dotar as autoridades judiciais de poderes e meios para investigarem e julgarem de forma exemplar.

4. Justiça. Está um caos. Muitas mudanças urgem, mas há duas essenciais – que o poder político respeite a independência dos magistrados e que os magistrados observem exigências de produtividade. A produtividade tem de chegar à Justiça.

5. Máquina do Estado. Cada português trabalha metade do mês para pagar impostos ao Estado. Às suas empresas, institutos, serviços e mordomias. Temos de o emagrecer e acabar com o regabofe. Libertando recursos para as pessoas e para as empresas. Só elas criam riqueza.

6. Competitividade fiscal. Temos hoje impostos altos de mais. Não há condições para poupar e investir. No prazo de uma legislatura, reduzindo a despesa pública, lograremos baixar a carga fiscal, tornando-a atractiva para as pessoas e investidores.

7. Investimento e exportações. É chegada a hora de ter uma ‘obsessão’ saudável. A obsessão por investir e exportar mais. É aqui que os incentivos do Estado se devem concentrar.

8. Estado social. Foi uma conquista essencial. Para o manter há que o reformar. Os mais ricos têm de pagar alguma coisa – sobretudo na saúde – para que os mais carenciados nada paguem e o investimento na saúde não abrande.

9. Pensões de reforma. Criar riqueza não chega. É preciso distribuí-la melhor. A prioridade deve ir para a melhoria de milhares de pensões e reformas de miséria. Há que reduzir o fosso entre os que têm muito e os que não têm quase nada.

10. Educação. É a ferramenta das ferramentas. Só uma educação exigente, competição entre escolas e investimento nas profissões técnicas garantem o futuro. É o código postal do sucesso.

Aqui ficam dez sugestões prioritárias. Veremos se há vontade de mudar.

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Perigo de «explosão» social espontânea

Transcrição:

"Explosão" social poderá suceder à estupefação
Expresso. 9:51 Segunda feira, 27 de Dezembro de 2010. Lusa. Por Tiago Miranda

O ano 2010 é um ano de susto, em que os portugueses foram apanhados de surpresa, considera Boaventura Sousa Santos

A chegada da crise foi recebida com estupefação pelos portugueses, mas a "explosão" poderá rebentar espontaneamente ou por contágio europeu, alertam os sociólogos Boaventura Sousa Santos e António Barreto.

A crise foi-se instalando e apanhando os portugueses de surpresa. Primeiro é a estupefação e a inação ditadas pelo medo instaurado por um passado recente sem democracia, depois é a "explosão", que rebentará espontaneamente ou por contágio europeu.

A opinião é dos sociólogos António Barreto e Boaventura Sousa Santos, que justificam a aparente calma da sociedade portuguesa, num contexto de agravamento de crise e de escalada de violência em manifestações pela Europa, com falta de tradição organizativa e excessiva dependência do Estado.

"O ano 2010 é um ano de susto, em que os portugueses foram apanhados de surpresa. Um ano de medidas de austeridade aplicadas gradualmente e que não tiveram um efeito pleno na vida dos portugueses, como tiveram em países como a Grécia, onde as medidas foram particularmente drásticas", afirmou Boaventura Sousa Santos.

País sem tradição organizativa

Além disso, Portugal não tem tradição organizativa, considera o sociólogo, lembrando que o país viveu metade do século XX sem democracia e que, por isso, as pessoas continuam a ter medo e a viver como num regime de ditadura.

"É natural que algo aconteça a partir do momento em que estas medidas possam entrar não só no bolso, mas na cabeça das pessoas e estas percebam que estão a ser roubados para que o sistema financeiro e os bancos continuem a ganhar rios de dinheiro e a fazer disparar o consumo ostentatório que tem neste Natal um dos pontos mais altos desde 2008", afirmou.

Boaventura Sousa Santos acredita que as "coisas vão piorar" e que "se não houver inflexão vai-se assistir a uma situação explosiva nos próximos anos".

Na opinião do sociólogo, Portugal não é dos países que "mais se ofendem, pois viveu muito tempo com a mediocridade escondida do salazarismo", e "não tem tanta perceção de justiça", mas pode ser contagiado pelas mobilizações sociais na Europa, perante o desgaste dos direitos sociais.
Dependência do Estado

Para António Barreto, o problema de Portugal é a dependência do Estado e das organizações públicas. "Quanto maior a dependência, mais o receio de expressão livre e independente, sobretudo da expressão de contestação.

Mas também este facto tem particularidades: recalcar a expressão crítica por causa de dependência pode conduzir a verdadeiras explosões, mais tardias, mas mais cruas ou violentas", considera o sociólogo.

A capacidade organizativa e de contestação social - que em Portugal é diminuta - é mais eficaz, mais rápida e mais visível, mas também mais controlável.


Em contrapartida, "a contestação espontânea é mais difícil, mais lenta, mais longa de desenvolver, mas também mais profunda e ameaçadora para a ordem estabelecida", referiu.


Clima de contestação em 2010

Durante este ano, o clima de contestação foi elevado, mas sob formas pacíficas e institucionais, considerou o sociólogo, lembrando, contudo, que a situação se pode alterar.

"Nem sempre a contestação é proporcional à dificuldade. Por exemplo, taxas elevadas de desemprego e até situações de fome ou carência podem coexistir com graus igualmente elevados de resignação", afirmou, manifestando-se convicto de que no próximo ano se "desenvolverá muito significativamente o descontentamento".

Na opinião do sociólogo, se o poder político não souber responder com clareza e se revelar instável e incoerente, as coisas podem agravar-se.

"E se o poder político persistir em não reconhecer os problemas, em não esclarecer, em mentir, em enganar os cidadãos e em, pior de tudo, enganar-se a si próprio, poderemos recear uma crescente tensão social", acrescentou

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Virtudes portuguesas segundo ex-embaixador britânico

É com muito prazer que publico este texto que me tem chegado pela mão de vários amigos. Nem tudo é mau cá pelo rectângulo.

Coisas que nunca deverão mudar em Portugal
Artigo do Embaixador da GB ao deixar Portugal: Expresso 18 Dez 2010

Portugueses: 2010 tem sido um ano difícil para muitos; incerteza, mudanças, ansiedade sobre o futuro. O espírito do momento é de pessimismo, não de alegria. Mas o ânimo certo para entrar na época natalícia deve ser diferente. Por isso permitam-me, em vésperas da minha partida pela segunda vez deste pequeno jardim, eleger dez coisas que espero bem que nunca mudem em Portugal.
Embaixador da Grã Bretanha

1. A ligação intergeracional. Portugal é um país em que os jovens e os velhos conversam - normalmente dentro do contexto familiar. O estatuto de avô é altíssimo na sociedade portuguesa - e ainda bem. Os portugueses respeitam a primeira e a terceira idade, para benefício de todos.

2. O lugar central da comida na vida diária. O almoço conta - não uma sandes comida com pressa e mal digerida, mas uma sopa, um prato quente etc, tudo comido à mesa e em companhia. Também aqui se reforça uma ligação com a família.

3. A variedade da paisagem. Não conheço outro pais onde seja possível ver tanta coisa num dia só, desde a imponência do rio Douro até à beleza das planícies do Alentejo, passando pelos planaltos e pela serra da Beira Interior.

4. A tolerância. Nunca vivi num país que aceita tão bem os estrangeiros. Não é por acaso que Portugal é considerado um dos países mais abertos aos emigrantes pelo estudo internacional MIPEX.

5. O café e os cafés. Os lugares são simples, acolhedores e agradáveis; a bebida é um pequeno prazer diário, especialmente quando acompanhado por um pastel de nata quente.

6. A inocência. É difícil descrever esta ideia em poucas palavras sem parecer paternalista; mas vi no meu primeiro fim de semana em Portugal, numa festa popular em Vila Real, adolescentes a dançar danças tradicionais com uma alegria e abertura que têm, na sua raiz, uma certa inocência.

7. Um profundo espírito de independência. Olhando para o mapa ibérico parece estranho que Portugal continue a ser um país independente. Mas é e não é por acaso. No fundo de cada português há um espírito profundamente autónomo e independentista.

8. As mulheres. O Adido de Defesa na Embaixada há quinze anos deu-me um conselho precioso: "Jovem, se quiser uma coisa para ser mesmo bem feita neste país, dê a tarefa a uma mulher". Concordei tanto que me casei com uma portuguesa.

9. A curiosidade sobre, e o conhecimento, do mundo. A influência de "lá" é evidente cá, na comida, nas artes, nos nomes. Portugal é um pais ligado, e que quer continuar ligado, aos outros continentes do mundo.

10. Que o dinheiro não é a coisa mais importante no mundo. As coisas boas de Portugal não são caras. Antes pelo contrário: não há nada melhor do que sair da praia ao fim da tarde e comer um peixe grelhado, acompanhado por um simples copo de vinho.

Então, terminaremos a contemplação do país não com miséria, mas com brindes e abraços. Feliz Natal.

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segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

É preciso esforço, seriedade e criatividade

Transcrição de artigo oportuno e que bem pode servir de lema para as decisões - micro e macro – que levantarão o nome de Portugal para cotas prestigiantes. Cada um deve esmerar-se no seu comportamento e na exigência de reciprocidade da parte dos outros.

Oportunidade histórica
Diário de Notícias. 27-12-2010. Por João César das Neves

Os homens crescem mais nas tormentas que na bonança. Por isso vivemos hoje uma ímpar oportunidade histórica: podemos finalmente dar o salto que falta para nos confirmar no ritmo do futuro.

Depois de ser líder cultural no Renascimento, lançando e conduzindo a gesta da globalização marítima, o pequeno Portugal deu-se mal na época civilizacional seguinte. Não foi por os ideais iluministas terem chegado tarde ou demorado a estabelecer-se. A penetração começou em meados de setecentos com o marquês de Pombal e, após dura guerra civil, estavam definitiva e triunfantemente implantados a partir de 1834. A maioria dos países europeus sofreu um reaccionarismo mais longo, demorando a adquirir estavelmente um regime aberto.

Ao contrário do que se diz, o problema nunca esteve no atraso da modernização. Aliás, o País antecipou várias ideias que a Europa viria a aplicar, como a abolição da pena de morte ou a criação do banco central. O mal sempre foi a qualidade dos nossos modernistas. A podridão do Liberalismo e a canalhice da República mostram bem o fiasco da variante lusitana de progresso. O mais irónico é que os nossos intelectuais costumam desprezar o povo e a cultura nacional, quando o único grande defeito do País está na mediocridade das elites.

A inversão desse fiasco deu-se porque comparativamente os fascistas portugueses foram melhores que as alternativas. Ao contrário dos outros regimes autoritários europeus (e das tentativas democráticas nacionais), o resultado do salazarismo foi um país seguro, estável e progressivo. Assim, a revolução de 1974 pode trazer a grande oportunidade para Portugal, finalmente, conseguir um regime aberto, pacífico, dinâmico.

E correu muito bem! O nosso país ocupou enfim uma posição digna e respeitável junto das nações avançadas. Mas, após vinte anos de sucesso, surgiu há quinze a terrível tentação da facilidade. A Europa afinal não era um desafio, uma concorrência, mas um hipermercado que fornecia fartura em doze suaves prestações mensais. A sociedade pensou que a prosperidade estava em promoção. Promessas, direitos adquiridos, justas reivindicações, garantias, exigências e obras públicas faziam o País acreditar que o bem-estar era rápido e barato. A dívida crescente foi o truque que suportou a ilusão.

Hoje somos um país europeu, livre e desenvolvido, que enfrenta o último desafio, dominar a tentação oportunista. Se aprendermos que o sucesso nunca está adquirido e exige sempre esforço, seriedade e criatividade, ultrapassaremos o obstáculo e chegaremos ao grupo de países na frente do progresso. Nas últimas décadas aprendemos tanto e conquistámos posições. Falta apenas dominar a última falácia para chegar ao destino. Vencendo a ilusão, atingiremos enfim a condição de país próspero. Os próximos anos determinarão se conseguimos ou não.

O obstáculo não são só os suspeitos do costume, corrupção dos políticos, defeitos da administração, educação, justiça e cultura. O obstáculo está também nos que bramam contra os suspeitos do costume. O inimigo que temos de vencer são as raivas, os insultos, as lamúrias, os resmungos e as imprecações ociosas. É preciso deixar-nos de tretas, apertar o cinto, trabalhar mais e melhor. Cada um no seu sítio tem de procurar a solução para a migalha da crise que lhe compete, sem desculpas, zangas ou teorias. Simplesmente subir ao nível europeu a pulso, carregando às costas a mochila dos disparates recentes. No cimo do penhasco está a modernidade. A distância já não é longa.

Temos a democracia e a economia. Precisamos apenas de realismo, serenidade, imaginação. Há que vencer as fraudes e boçalidade dos dirigentes, mas também os extremismos e insultos dos que desconfiam dos dirigentes. Tal como a mentira da facilidade que levou à crise foi a mesma que apodreceu o império em meados do século XVI, também o inimigo actual é a mesma tolice intelectual que paralisou o liberalismo de oitocentos. A nossa geração tem à vista a realidade de um novo Portugal, moderado, inteligente, capaz. Esse pode vencer a crise.


naohaalmocosgratis@fcee.ucp.pt

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Carta aberta para Chico Buarque

Recebi este texto por e-mail, mas estava indeciso em colocá-lo aqui, embora se aplique aos muitos chicos que, por cá, têm mudado de camisola ou, simplesmente, de opinião e desprezado a coerência de pensamento. Mas decidi depois de ver os artigos «A suprema hipocrisia», «Gnomos e fadas» e «João Salgueiro: "Precisamos de investir em actividades directamente produtivas"», por o julgar propício a uma meditação positiva para melhores comportamentos no Ano que vai começar.

 Carta aberta para Chico Buarque do seu vizinho do lado.

Chico,

Confesso que fiquei chocado ao vê-lo desfilar na passarela da Dilma, cantarolando como se estivesse a defender uma causa justa, honesta e patriótica.

Logo você, Chico, que ganhou tanto dinheiro encantando a juventude da década de 1970 com parolas em prosa e verso sobre liberdade e moralidade. Percebo que aquilo que você chamava de ditadura foi, na verdade, o grande negócio da sua vida. Afinal, você estava à toa na vida. Você deveria agradecer aos militares por tudo o que te fizeram, porque poucos, muito poucos, ganharam tanto dinheiro vendendo ilusões em forma de música e poesia como você.

Estou agora fazendo essa regressão, após vê-lo claudicante como A Mulher de Aníbal no palanque do Lula e da Dilma. Claro que deu para perceber o seu constrangimento, a sua voz trêmula e pusilânime, certamente sendo acusado pela sua consciência de que estava naquele momento avalizando, endossando todas as condutas deste governo trêfego e corrupto.

Nunca, jamais imaginei, Chico, que você pudesse se prestar a isso algum dia. Mas é possível antever que apesar de todos vocês, amanhã há de ser outro dia. Quando chegar o momento, esse nosso sofrimento, vamos cobrar com juros. Juro ! Você, como avalista, vai acabar tendo que pagar dobrado cada lágrima rolada. Você vai se amargar, Chico, e esse dia há de vir antes do que você pensa. Não sei como você vai se explicar vendo o céu clarear, de repente, impunemente. Não sei como você vai abafar o nosso coro a cantar, na sua frente. Apesar de vocês, Chico, amanhã há de ser outro dia.

Estamos sofrendo por ter que beber essa bebida amarga, dura de tragar. Temos pedido ao Pai que afaste de nós esse cálice, mas quando vemos você, logo você, brindando e festejando com todos eles, só nos resta ficar cantando coisas de amor e olhando essa banda passar. E pedir que passe logo, porque apesar de vocês amanhã há de ser outro dia.

Estamos todos cada qual no seu canto, e em cada canto há uma dor, por conta daquela cachaça de graça que a gente tem que engolir (lembra ?), ou a fumaça e a desgraça que a gente tem que tossir.

Só espero, Chico, que as músicas que você venha a compor em parceria com os seus amigos prosélitos de palanque não falem mais de amor, liberdade, moralidade e ética - essas coisas que você embutia disfarçadamente nas suas letras agora mortas de tristeza e dor.

Não fale mais disso - não ficará bem no seu figurino agora desnudo. Componha, iluda, dance e se alegre com todos eles, ganhe lá o seu dinheiro, entre na roda e coloque tudo na sua cueca - ou onde preferir - mas não iluda mais os nossos jovens com suas músicas, simbolizadas hoje apenas na sua gloriosa A Volta do Malandro.

(assinado) Seu Vizinho ao Lado.....


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domingo, 26 de dezembro de 2010

Corrupção com «protecção legal»???

Depois do «belo» discurso de Natal do PM, custa acreditar nesta notícia, que a seguir se transcreve, mas a lógica da estória antiga diz que não se deve matar a galinha dos ovos de ouro!!! E, segundo as palavras de Maria José Morgado, os políticos não são tão incultos e ignorantes como por aí querem fazer crer, pois sabem essas lendas antigas e querem defender os seus interesses, por qualquer preço.

Corrupção em Portugal tem «protecção legal»
TSF 26-12-2010. às 09:52

Maria José Morgado diz que a corrupção em Portugal tem «protecção legal», considerando que, a cada ano que passa, há menos vontade política para combater este problema.

Em entrevista ao jornal Correio da Manhã, Maria José Morgado fala num Estado «capturado por interesses obscuros, incapaz de os combater e paralisados pelos maus interesses».

Maria José Morgado mantém a convicção de que «não há vontade política» para combater a corrupção, considerando mesmo que esta não só se mantém como goza de uma «protecção legal».

A corrupção é um problema que está mais na esfera política do que na jurídica, considera ainda a coordenadora do Departamento de Investigação e Acção Penal de Lisboa.

Por outro lado, defende, o combate ao crime económico em Portugal, quer na corrupção quer no branqueamento de capitais, nunca foi uma prioridade de política criminal.

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Amai-vos uns aos outros...

«Ou vivemos todos juntos como irmãos ou morremos todos juntos como idiotas»

(Dr. Martin Luther King)

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Pobreza e cinismo vergonhoso dos ricos

Do artigo de Zita Seabra «O fato usado do presidente» retiro, resumindo, o facto que mais me impressionou.

«A RTP, Telejornal à hora nobre, filmou o comovente gesto do presidente da EDP, a maior empresa pública portuguesa, a levar dois saquinhos de papel com roupa usada e um brinquedinho (usado) para uns caixotes de cartão, cheios de coisas usadas para oferecer no Natal. Fiquei comovida. Que imagem de boa pessoa, que gesto bonito: pegar num fatinho usado do seu guarda-vestidos que deve ter uns 200 e num pequeno brinquedo de peluche, e depositar tudo no caixote de cartão para posteriormente ser redistribuído? À administração da empresa? Não, a notícia explica que é para oferecer aos pobrezinhos, que estão a aumentar com a crise.»

«Alguém vai ter no sapatinho um fato de marca. Olhando para os sacos de papel, percebe-se que esse alguém também receberá umas meias usadas e talvez mesmo uma camisa de marca usada.» «Para os pobres os fatos em segunda mão de marca assentam como uma luva. Um velhinho num lar de Vila Real vestido Rosa & Teixeira sempre é outra coisa. Ou o homeless na sopa dos pobres com Boss faz outra figura, ou o desempregado com Armani numa entrevista do fundo de desemprego»...

«Os que recebem prémios de milhões em empresas públicas e ordenados escandalosos e que puseram o mundo e o país como se vê»…

Depois de ler o artigo, não resisti à tentação de ir procurar um e-mail recebido há dias e que por acaso ainda não tinha ido para o lixo

Recebido por e-mail (Data: Thu, 23 Dec 2010 14:54:52 +0300)

O Presidente da República considerou que os portugueses têm de se sentir "envergonhados" por existirem em Portugal pessoas com fome, um "flagelo" que se tem propagado pelos mais desfavorecidos de forma "envergonhada e silenciosa".

Se há alguém que se deva sentir envergonhado por haver quem passe fome em Portugal não são os portugueses, mas sim aqueles que nos últimos anos tiveram a responsabilidade de estar à frente do Estado e nada fizeram para o evitar. Pior, impuseram políticas e soluções económicas que não só não evitaram a fome e a pobreza como contribuíram para o seu aumento. Quem lutou por menos direitos, menores salários e maior precariedade no emprego é que se deve sentir envergonhado pelas culpas que tem no cartório. Eu, não é vergonha que sinto por haver quem passe fome, mas uma vontade enorme de contribuir para o fim das causas que a criaram, ou seja correr com a corja que se tem alimentado e engordado à custo do que devia ser distribuído por todos. Certamente que o Sr. Silva não se lembra dos que passam fome quando oferece os grandes banquetes com copos de cristal e talheres de prata, nem quando mostra satisfação pela realização de grandes cimeiras, como a da NATO que custou muitos milhões a Portugal. Certamente não era no problema dos que passam fome que pensa quando abraça os Dias Loureiros deste país. Vergonha devia ter quando recebe as confederações patronais e lhes sorri quando estes afirmam que as empresas não podem pagar mais 80 cêntimos por dia a quem recebe o ordenado mínimo.

Mas, realmente há uma coisa de que nós portugueses podemos e devemos ter vergonha, é a de termos como Presidente da Republica uma pessoa como o Sr. Silva. Disso tenho vergonha, muita vergonha.

O e-mail trazia como comentário:

«Como o «Sr Silva» é muito cuidadoso naquilo que diz quando não está sob o efeito do TABU, isto leva a crer que para ele portugueses são apenas os governantes e demais eleitos. Ora isto é que é muito grave e vergonhoso. Além desses «portugueses» que recebem salários vergonhosamente milionários e reformas acumuladas, como é o caso de Sua Excelência, além desses vergonhosos, há mais de metade dos portugueses a passar fome e a contarem os cêntimos para que não sobre mês, que não deixam de ser portugueses e que não são culpados da injustiça social que nos oprime.»

Haja justiça social, haja bom senso e dignidade e procure-se reduzir o fosso entre os mais ricos e os mais pobres. Como diz o Patriarca de Lisboa «não é mau ser rico», mas muitos deviam ter vergonha da forma como conseguiram a riqueza.

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O Estado social está em colapso???

Do artigo de Helena Teixeira da Silva «2010, o ano da montanha-russa» retiro a frase da ministra Gabriela Canavilhas "O Estado social está em colapso iminente."

Ele transporta-me a uma reflexão a propósito do artigo de Glória Rebelo de há dias, «Do combate à informalidade» acerca da economia paralela que, além de não contribuir para o erário público, gera situações de injustiça social.

Tal «economia», como actividade informal, deve ser combatida em todos os seus múltiplos aspectos. Não é moralmente justo que ,através de actividades à margem da lei, empobreçam o Estado e contribuam para alargar e aprofundar o fosso entre os mais ricos e os mais pobres. Tal combate deve partir não só da observação a olho nu mas ser também baseado na análise da fortuna adquirida sem explicação legal e clara, que poderá evidenciar casos como os praticados por políticos, com «robalos», atenções e tráfico de influências, e outros praticados por cidadãos com certos produtos muito referidos pela Comunicação Social e que não têm sido eficazmente combatidos…

As actividades informais que geram tais enriquecimentos não são declaradas, não possuem alvará, não pagam impostos mas, directa ou indirectamente, causam prejuízo aos cidadãos honestos e cumpridores no pagamento das suas obrigações fiscais.

Parece que este combate deveria estar integrado no tal «Estado social», mas não se vê em acção, o que poderá dar justificação e credibilidade à frase de Canavilhas.

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sábado, 25 de dezembro de 2010

Jovens aderem a conselhos da ANEBE

Neste espaço, tem havido a preocupação de realçar casos que contrariam a ideia de que os jovens pertencem a uma «geração rasca». Não há regra sem excepção e, com vista a fomentar um futuro melhor para as gerações mais jovens, convém sublinhar os casos positivos.

Há muitos meses a ANEBE - Associação Nacional de Empresas de Bebidas Espirituosas – criou um incentivo para os jovens cultivarem o espírito da «taxa zero de alcoolemia». Trata-se de uma iniciativa muito interessante por contrariar o vulgar espírito de lucro através de maior consumo, sobrepondo-lhe a função social de uma empresa, neste caso, zelando pela saúde e pela segurança dos consumidores.

A ANEBE, presidida pelo ainda Jovem Mário Moniz Barreto, promotora da iniciativa "100%Cool", desenvolve acções para promover o consumo moderado de álcool e colabora com a GNR em operações de controlo de taxa de alcoolemia, com fins didácticos nas noites das grandes cidades em locais onde o perigo de excessos pode ser mais provável.

Na noite da passada quinta-feira foram fiscalizados em Lisboa 160 condutores, com idades entre os 18 e os 30 anos, dos quais 144 apresentaram uma taxa de zero gramas de álcool por litro de sangue. De entre os 160 testes realizados apenas um estava em infracção legal, acima dos 0,5 gramas por litro de sangue. A seis dos condutores fiscalizados foi detectada uma taxa de alcoolemia entre os zero e os 0,5 gramas.

É positivo que os jovens se desloquem em grupo para os locais nocturnos e que um deles se comprometa a não ingerir álcool a fim de conduzir os amigos a casa em segurança.

O presidente da ANEBE faz um balanço «extremamente positivo» desta acção e realça que «90 por cento dos jovens fiscalizados tinham conhecimento da campanha e começam a alterar os seus comportamentos».

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sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Sair da crise exige esforço de todos

Não espere que o País faça tudo por si; faça o que puder. Quanto mais dificuldades tivermos mais temos que redobrar esforços, imaginação e criatividade.

Não se deve desanimar. Mas manter optimismo, porque nada é definitivo, e os momentos difíceis hão-de ser ultrapassados. Com o próprio esforço e com a solidariedade de toda a gente, melhores tempos aparecerão. Estas palavras são uma adaptação das proferidas pelo Bispo de Viana do Castelo, Anacleto Oliveira.

É necessário que cada um procure aproveitar da melhor forma as oportunidades mesmo que pequenas para melhorar a vida. Grão a grão, a galinha enche o papo.

Faço votos para que o Natal seja festejado da melhor forma e que o futuro, construído com esforço, imaginação e criatividade traga horas melhores.

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quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Coelho, candidato com ideias claras

José Manuel Coelho candidata-se a Belém. Provavelmente, sondagens e analistas não lhe augurarão um resultado brilhante, pois até ele se queixa do esquecimento dos órgãos da Comunicação Social.

Mas merecem realce as suas ideias que transparecem de três pontos muito expressivos e que devem ser tidos em consideração por qualquer governante responsável e com sentido de Estado:

Primeiro objectivo: Combate e denúncia da corrupção. Assegura que, "sem um combate eficaz à corrupção, não há medidas de austeridade que resistam e que salvem o país".

Segundo objectivo: Eliminação das regalias e privilégios da classe política portuguesa, denunciando e corrigindo os salários dos 'boys' políticos, dado que os dois grandes partidos do bloco central - PSD e PS - vão-se alternando no poder e distribuindo entre si esses cargos com remunerações imorais".

Terceiro objectivo: moralização dos tribunais e do sistema de justiça. Alega que «a justiça portuguesa, em vez de defender o interesse do país, está ao serviço das máfias que roubam o povo português». E isso vê-se quando «todas as grandes investigações em casos de corrupção acabaram em arquivamento».

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Decisões urgentes estão demoradas

Ao aproximar-se o fim do ano, recorda-se o título do livro de Pedroso Marques «Tempos difíceis – Decisões urgentes», pois continuamos, após muitos meses de promessas eivadas de falso optimismo, a fazer a contagem de repetidos PECs, sem vislumbrarmos a luz ao fundo do túnel, sem vermos resultados do sacrifício a que nos têm obrigado.

E como diz Diogo Feio no seu artigo de hoje no Jornal de Notícias, «quanto mais tarde resolvermos os nossos problemas estruturais - educação, justiça, condições de investimento, mundo laboral, e forma de funcionamento da Administração Pública - pior será.»

Entretanto, chegam palavras com pouca consistência assente na realidade sentida pelos portugueses mais lesados pela austeridade , vindas do PM que «pediu “empenhamento na defesa do interesse nacional” e garantiu ao Presidente da República “a fidelidade do Governo aos valores da lealdade e da cooperação institucional, que são tão necessários nesta fase que o país atravessa”. E do PR chega o desejo de que «os ministros e secretários de Estado tenham “energia e determinação para enfrentar os problemas que, com certeza, se colocarão sobre as vossas secretárias”. Mas nada nos indica que destas palavras possam resultar medidas urgentes e eficazes para curar os males do sistema doente que nos esmaga.

Há sérios motivos de preocupação por não se verem aparecer decisões urgentes tendentes a eliminar ou reestruturar os sorvedouros de dinheiro público referidos em Onde se cortam as despesas públicas??? e Dezenas de institutos públicos a extinguir. Não se vê nada além de paliativos, medidas sem estratégia, que curem as causas da crise interna e evitem que ela se prolongue além do limite crítico e depois não venha a repetir-se.

Usando as ideias atrás citadas, quanto mais tarde se aplicar a terapia eficaz, pior será!!! É indispensável o respeito pelo interesse nacional, a fidelidade e a lealdade ao País (aos portugueses) e a energia e determinação para tomar medidas eficientes para bem dos mais de 80% que estão a ser mais sacrificados pela austeridade e dos quais só se fala durante campanhas eleitorais.

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O Estado social no seu melhor !!!

A pobreza aumenta, o desemprego atingiu taxa preocupante, as pequenas e médias empresas têm fechado, as exportações estão em baixo, mas os bancos continuam a ter bons lucros. Trata-se dos lares em que se acolhem os políticos «jubilados»! Esta é uma faceta muito curiosa do tão propalado «Estado social»!


O artigo a seguir transcrito mostra números.

Dois terços da ajuda anticrise foram parar ao sector bancário
 Público. 23.12.2010 - 07:41 Por João Ramos de Almeida


Tribunal de Contas critica atrasos na aplicação do POCP.

As ajudas aprovadas em 2009 pelo Governo para combater os efeitos da crise internacional em Portugal foram absorvidas pelos bancos e pelas empresas.

Segundo o parecer do Tribunal de Contas sobre a Conta Geral do Estado desse ano, ontem divulgado, 61 por cento dos 2,2 mil milhões de euros foram para a banca, 36 por cento para as empresas e um por cento para o apoio ao emprego.

Contra a expectativa do Governo de que a crise na Europa - desencadeada em Setembro de 2008 com a falência da firma Lehman Brothers - não tocaria Portugal, a crise marcou o exercício orçamental de 2009.

O défice saltou de 2,9 por cento do PIB em 2008 para 9,3 por cento no final de 2009. Mas, desse agravamento de 6,4 pontos percentuais, apenas 22,4 por cento se deveram à aplicação das ajudas. O maior contributo veio da quebra das receitas, em resultado de uma travagem da actividade económica às quatro rodas.

Mas o Tribunal assinala, ainda assim, um conjunto de medidas com impacto na despesa e na receita. Foi o caso, entre outras, do aumento do funcionalismo em 2,9 por cento, a criação da taxa de 12,5 por cento em IRC para todas as empresas, a descida dos pagamentos por conta para as pequenas e médias empresas, o aumento de capital da CGD (mil milhões), incentivos às empresas (460 milhões), o empréstimo para as Estradas de Portugal (130 milhões) e o programa e-escolas (180 milhões).

O parecer assinala que, "embora as consequências da crise financeira internacional fossem já previsíveis no segundo semestre de 2008, o OE de 2009 perspectivou para este ano um crescimento económico de 0,6 por cento", ou seja, "apenas uma ligeira desaceleração face ao valor estimado para 2008 e um desvio muito acentuado de 3,2 pontos percentuais face ao crescimento do PIB efectivamente verificado". Sublinha ainda que, das duas alterações ao OE feitas ao longo de 2009, apenas a realizada em Dezembro - após as eleições legislativas de Setembro - assumiu os valores mais reais da quebra das receitas.

Números pouco rigorosos

Neste parecer, o TC reitera recomendações já apresentadas em pareceres anteriores, relacionadas com a falta de rigor dos números da Direcção-Geral de Orçamento.

"Não é possível confirmar o valor da receita inscrito na Conta Geral do Estado de 2009 como sendo o da receita efectivamente obtida", refere entre as principais conclusões do parecer. "A despesa fiscal continua a não ser integralmente quantificada e discriminada devido a limitações das fontes e dos sistemas de informação, pelo que o Tribunal mantém reservas quanto aos valores inscritos na Conta Geral do Estado". No final do ano, a dívida do Estado por fornecimentos de bens e serviços ascendia a 2.239,4 milhões de euros", dos quais 85 por cento no sector da Saúde.

O extenso relatório revela ainda várias situações que são sintomáticas de uma gestão menos criteriosa dos dinheiros públicos (ver caixa).

Mas a principal crítica foi para os atrasos na aplicação do Plano Oficial de Contabilidade Pública (POCP). "Em 2009, doze anos após a sua aprovação, o POCP continuou a não ser aplicado pela generalidade dos serviços integrados do Estado e por uma parte dos serviços e fundos autónomos, embora tenham continuado a ser dados alguns passos nesse sentido", escreve-se no relatório publicado ontem.

A crítica é de tal forma recorrente que o presidente do Tribunal, Guilherme d"Oliveira Martins, afirmou ontem ao presidente do Parlamento, Jaime Gama, na entrega do parecer, que, "se necessário", o TC usará dos seus poderes legais "para contribuir para acelerar o processo de aplicação do POCP" e pressionar os serviços a aplicar aquele que é tido como um instrumento "indispensável" do controlo plurianual das despesas públicas. Ou seja, vai multar os serviços.

Na verdade, o Tribunal tem condescendido com os serviços que aleguem falta de recursos ou de pessoal, como o reconheceu Oliveira Martins em conferência de imprensa. Por outro lado, a responsabilidade última dos atrasos é da empresa pública responsável pelos serviços partilhados do Estado, a GERAP, sobre a qual o Tribunal não possui qualquer jurisdição.

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Passado significa mais do que promessas

Em confronto com Fernando Nobre, o candidato Manuel Alegre, não gostou que fosse referido o passado, porque segundo ele, o que interessa são as promessas para o futuro. Mas «palavras leva-as o vento» e as promessas não são mais do que palavras, principalmente se o passado do seu autor não lhes der credibilidade.

O candidato, na sua cultura poética, certamente, não ignora o ditado popular «cesteiro que faz um cesto faz um cento». Assim, na decisão do voto, há que fazer a avaliação dos candidatos e essa, como qualquer avaliação, recai sempre sobre o passado.

Mas, dadas as referências que circulam por e-mails, Alegre deve estar, realmente, interessado em que não seja recordado o seu passado. Pois… cesteiro que faz um cesto…

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quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Pobreza fruto de obscenidade do Estado social

O texto que a seguir se transcreve obriga a meditar sobre a incapacidade para ser concretizada a intenção de se criar um Estado social e, em vez disse, se deixar alastrar a pobreza e a transformar numa obscenidade geral e institucionalizada. Em vez de serem criadas medidas de justiça social, de tetos para os salários e as reformas, de limitações de instituições inúteis só interessando aos «boys», de redução de assessores dispensáveis, acabou por serem aumentadas inutilmente as despesas públicas, dilatadas as dimensões do fosso entre os mais ricos e os mais pobres, aumentada a quantidade de pobres, para o que contribuíram também os cortes em apoios sociais. Por cima de tudo isto, como diz o texto, os detentores do Poder ou a eles candidatos não têm tido escrúpulos de se servirem da miséria de grande parte dos cidadãos, eleitores, consumidores, clientes ou beneficiários, para fins eleitorais. Durante todo o tempo, ignoram e evitam procurar soluções para os carenciados mas, quando lhes convém, misturam-se com eles com ar paternal e excessiva dose de cinismo.

Eis o texto referido:

Pobres é o que está a dar
http://jn.sapo.pt/Opiniao/default.aspx?content_id=1740411&opiniao=Manuel%20Ant%F3nio%20Pina
Jornal de Notícias. 22-12-2010. Por Manuel António Pina

De repente (a caça ao voto abriu este ano em época natalícia), os políticos descobriram os pobres. Assim, nos últimos dias, Cavaco organizou nada menos que duas expedições aos pobres levando consigo um batalhão de jornalistas e câmaras de TV que o mostraram ao Mundo destemidamente no meio deles a dizer frases sobre a pobreza.

Sócrates é que não gostou pois, afinal de contas, os pobres, ou boa parte deles, são seus e dos seus governos.

De facto, ainda há dias o jovem "boy" encarregado, na Secretaria de Estado da Segurança Social, das exéquias do falecido "Estado Social" se gabava de ter conseguido, em poucos meses, tirar o Subsídio Social de Desemprego a 10 291 desempregados e o Rendimento Social de Inserção a mais 8 321.

E ontem o Ministério das Finanças anunciava festivamente, conta o DN, "uma luz ao fundo do túnel", com "os cortes nos apoios sociais aos desempregados e crianças (...) a ser decisivos para a contenção nos gastos e, logo, para o alívio no défice".

Anda o Governo a fazer pobres para Cavaco vir aproveitar-se desse esforço!

Também os candidatos Francisco Lopes e Fernando Nobre se engalfinharam um destes dias na TV cada um reivindicando para si a glória de conhecer mais pobres (e pobres mais pobres) do que o outro.
Não há dúvida de que os pobres é que estão a dar. Não só para o Governo poder ajudar bancos e grandes empresas mas também para os políticos exibirem na lapela.

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terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Pobreza e fome visível nas escolas

Têm aparecido notícias de apoios municipais a alunos pobres, do género de abrir as cantinas durante as férias para dar almoço aos que o não podem comer em casa. São medidas louváveis mas destinam-se a remediar um dos sintomas das carências que afectam grande parte da população, eleitora, contribuinte, consumidora, cliente, que está a ser o foco que concentra os grandes sacrifícios da «austeridade» de que os ricos e poderosos nada sentem, pois continuam na sua ostentação e arrogância habitual.

Sobre o tema saliento, por serem mais recentes as notícias Inspecção aponta resultados fracos em 45% das escolas, Mais constrangimentos do que oportunidades de melhoria e Consumo privado entra em queda em Novembro. Estes links permitem abris as respectivas notícias. Mas além disto, recebi por e-mail de uma professora um texto seu e outro de um colega que evidenciam as dificuldades que existem nas famílias mais desfavorecidas e que os políticos se esforçam por ignorar, ocultando-a na sombra de números e estatísticas. Conviria que os eleitos e os responsáveis pelos diversos sectores não se esquecessem de que em primeiro lugar devem estar as pessoas para as quais os números poderão ser uma ferramenta de apoio de menor importância e não como habitualmente fazem de dar prioridade aos números e, para eles serem o que desejam, sacrificarem as pessoas sem o mínimo escrúpulo ou moral.

Vejamos as opiniões de dois professores:

O Diário do Professor Arnaldo – A fome nas escolas
Publicado em 19 de Novembro de 2010 por Arnaldo Antunes

Ontem, uma mãe lavada em lágrimas veio ter comigo à porta da escola. Que não tinha um tostão em casa, ela e o marido estão desempregados e, até ao fim do mês, tem 2 litros de leite e meia dúzia de batatas para dar aos dois filhos.

Acontece que o mais velho é meu aluno. Anda no 7.º ano, tem 12 anos mas, pela estrutura física, dir-se-ia que não tem mais de 10. Como é óbvio, fiquei chocado. Ainda lhe disse que não sou o Director de Turma do miúdo e que não podia fazer nada, a não ser alertar quem de direito, mas ela também não queria nada a não ser desabafar.

De vez em quando, dão-lhe dois ou três pães na padaria lá da beira, que ela distribui conforme pode para que os miúdos não vão de estômago vazio para a escola. Quando está completamente desesperada, como nos últimos dias, ganha coragem e recorre à instituição daqui da vila – oferecem refeições quentes aos mais necessitados. De resto, não conta a ninguém a situação em que vive, nem mesmo aos vizinhos, porque tem vergonha. Se existe pobreza envergonhada, aqui está ela em toda a sua plenitude.

Sabe que pode contar com a escola. Os miúdos têm ambos Escalão A, porque o desemprego já se prolonga há mais de um ano (quem quer duas pessoas com 45 anos de idade e habilitações ao nível da 4ª classe?). Dão-lhes o pequeno-almoço na escola e dão-lhes o almoço e o lanche.

O pior é à noite e sobretudo ao fim-de-semana. Quantas vezes aquelas duas crianças foram para a cama com meio copo de leite no estômago, misturado com o sal das suas lágrimas…

Sem saber o que dizer, segureia-a pela mão e meti-lhe 10 euros no bolso. Começou por recusar, mas aceitou emocionada. Despediu-se a chorar, dizendo que tinha vindo ter comigo apenas por causa da mensagem que eu enviara na caderneta.

Onde eu dizia, de forma dura, que «o seu educando não está minimamente concentrado nas aulas e, não raras vezes, deita a cabeça no tampo da mesma como se estivesse a dormir».

Aí, já não respondi. Senti-me culpado. Muito culpado por nunca ter reparado nesta situação dramática. Mas com 8 turmas e quase 200 alunos, como podia ter reparado?

É este o Portugal de sucesso dos nossos governantes. É este o Portugal dos nossos filhos.


Um caso real relatado por Maria João F

Hoje uma funcionária da minha escola, já de alguma idade, estava a limpar o chão da sala para onde eu ia passar a manhã com os meus alunos de um 10º ano/Curso Profissional e veio perguntar-me como vai o neto, meu aluno dessa turma.

Respondi que no início do ano trabalhava muito mais e que ultimamente não prestava atenção nas aulas e , até, tinha adormecido em duas delas pelo que lhe tinha chamado a atenção. É um rapaz correcto, pediu desculpa, pensei que tivesse andado na borga...

Hoje soube pela senhora que é o mais velho de 3 irmãos (tem 16 anos e os irmãozitos 5 e 2, do 2º casamento da mãe, uma jovem mulher de 35 anos, que vive sozinha com os filhos, abandonada de novo). A mãe do meu aluno anda todos os dias 5 km a pé para ir para o emprego e 5 km de volta a casa, é ele que recolhe os irmãos pequenos do infantário onde estão, chega mais cedo que a mãe. Almoçam mas muitas vezes não jantam e a mãe, sobretudo, não janta quase nunca para deixar para os filhos o pouco que há. Foram-lhes retirados apoios a nível de abonos de família e mais não sei o quê , confesso que já não conseguia ter atenção ao que a senhora me dizia - vou falar com ela um destes dias (amanhã já ou no outro).

Com os alunos fiz o planeado : projectei-lhes o filme "Stand and Deliver", baseado na história verídica do Professor Jaime Escalante, professor de matemática na John Garfield School em East L.A. Queria ver se os incentivava. Afinal, as condições de vida daqueles jovens não eram muito diferentes das dos meus alunos no presente, neste Portugal onde a miséria ronda muitas casas e onde professores, também eles, vivem pobrezas envergonhadas.

Jaime escalante faleceu este ano.

A Sala de Matemática do Museu da Ciência de Los Angeles tem o nome dele.

Não sei se adianta muito a partilha destas histórias que são mais que isso: são factos Históricos. O Portugal de hoje é um país miserável, a muitos níveis.

Há responsáveis e têm nomes.

Desde logo, o actual PR - recuemos à década de 80 e analisemo-la.

Continuemos com este PM que, pela 1ª vez, considero um caso clínico. Pensei durante este tempo todo que simplesmente andava a gozar connosco mas com o seu último discurso sobre a pobreza e o seu jeito de catequista (fui educada num colégio católico, conheço os truques todos, o paleio, os trejeitos; gramei muitas "ultreias" no Estoril - não me apetece explicar o que isto é ) começo a pensar que o homem é doido - mas não inimputável. Falo apenas do PM porque é ele o responsável pelos outros membros do (des)governo. Com os do PSD só alguém tão insensato como o PM, poderá contar para melhorar o que quer que seja: lembrem de novo o PR e, por exemplo, Durão Barroso.

Não vale a pena falar de mais nada nem ninguém. Este polvo não é um octópode, é um "alien" de um gugol de tentáculos. Que podemos fazer para os cortar, um a um ? Não sei.

Só sei que um dos meus alunos dorme nas aulas com fome e cansaço. E será que muitos não estão agitados também com fome e cansaço ? Há consumos de drogas, há álcool, há muitos á deriva. Os Cursos Profissionais são uma fraude, estou lá, estou metida nessa fraude.

A única coisa que posso é levantar a voz e dar a conhecer na escola este - e outros casos - e dar-vos este meu relato que junto ao recebido.

Há muitos, muitos anos, no meu 4º ano de ensino (1980), fui colocada na Escola Secundária de Santa Maria, em Sintra. Esta tinha, na altura, uma secção para o Ensino Básico ( 7º/9º ano) que apanhava os miúdos da Várzea de Sintra que se estendia até Fontanelas, Assafora, etc. e eu tinha turmas de 7º e 8º. Um dia falei grosso a um miúdo que sistematicamente não trazia feitos os trabalhos de casa. Ele olhou-me de alto e disse-me calmamente "Tenho 4 irmãos e o meu pai morreu. Sou o mais velho e, para ajudar a minha mãe, trabalho como ajudante de padeiro. Quando saio da escola durmo um bocado, levanto-me pela meia noite, vou trabalhar e venho directamente para a escola. Não tenho tempo de fazer os trabalhos de casa".

Pensei que não me tinha esquecido disto, mas, afinal, tinha. Se não tivesse, não teria feito juízos imbecis sobre um aluno que dormiu nas minhas aulas e diminuiu o rendimento escolar.

Estou triste. Sei que não posso ficar parada e triste: não leva a lado nenhum. Que fazer ? Aceito todas as sugestões que puderem dar-me.

Entretanto, porque não publicar as mil e uma histórias que cada um de nós, professores, encontra no seu quotidiano (tantas vezes constituído por péssimas refeições ao longo do dia mas que, ao menos, ainda temos em casa comida para o jantar ) ?
Maria João

Profª de Matemática, no corrente ano a leccionar uma turma de 10º - Matemática A e duas de 10º - Cursos Profissionais ( de Gestão e Informática de Gesão). Bastantes alunos destas últimas turmas têm dificuldade em ler e escrever, um deles tem dificuldade em escrever o seu apelido. Urge acabar com a FRAUDE e dar efectivamente a mão a estes jovens não para as fraudulentas estatísticas de "sucesso" mas para lhes darmos os meios de vierem a ser Cidadãos Livres.
Ou alguém deseja voltar às práticas do "vamos brincar à caridadezinha" (podem encontrar música e letra da canção... a net tem muitas vantagens...) ? Vamos dar esmolinhas ? NÃO ! Vamos exigir para nós e para os nossos concidadãos a Dignidade a que temos direito.
Escola Secundária Padre Alberto Neto, Queluz


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segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Chuvas intensas e urbanismo

Depois dos estragos provocados no Funchal pelas chuvas e enxurradas de Fevereiro último, os funchalenses apanharam novo susto, felizmente menos grave porque Chuvas intensas de madrugada provocaram inundações na baixa da cidade. Convém que se passe a olhar para perigos deste género que estão a repetir-se em vários locais. A urbanização deve contar com os leitos de cheia, sempre que se trate de encosta propícia à formação de enxurradas. À água deve ser dado o direito de passar sem nada que a impeça ou demore, pois se assim não for, ela causará estragos.

Por altura das enxurradas de Fevereiro foram aqui publicados os seguintes posts, que se aplicam a todas as localidades, conforme as respectivas circunstâncias:

Tragédia que faz pensar
Tragédia da Madeira foi prevista há mais de 25 anos
Tragédia evitável na Madeira???

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Transportes também vão subir de preço

De notícia do PÚBLICO extrai-se: «O ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, António Mendonça confirmou hoje que haverá um “aumento de cerca de 3,5 por cento para os passes sociais e de 4,5 por cento para as tarifas, no seu conjunto”

É mais um sinal que deve suscitar as maiores preocupações da parte de cerca de 90% da população e levá-la a meditar sobre a situação em que foi colocado o País.

Neste dito «Estado social», a «austeridade», consequência de má gestão pública durante anos, constitui um roubo multifacetado ao bolso vazio dos pobres, que se vêm lesados ou mesmo privados de benefícios sociais, de salários e, por outro lado, vêm as suas despesas acrescidas para serem mantidos os lucros de empresas de serviços públicos, desde bancos a transportes, e as benesses dos seus administradores, consultores, accionistas, etc. Isto não dá boa imagem a tal estilo de «Estado social» de que os governantes se gabam e em que o fosso entre os mais ricos e os mais pobres, em vez de ser reduzido, se torna maia largo e mais profundo.

Mas os defensores do sistema não convém se esquecerem de que, quando a justificada ira do povo atingir um grau insustentável, não há muralhas nem fossos que o impeçam de conquistar a fortaleza e aniquilar o inimigo público. Pelo caminho que as decisões superiores estão a tomar, esse momento está cada vez mais próximo. Tenham cuidado. Pensem antes de decidir. Pensem mais nas pessoas do que nos euros dos ricaços.  Libertem-se um pouco das grandes pressões dos detentores do poder do dinheiro que os dominam puxando os cordelinhos, e pensem nos 90% de cidadãos, eleitores, clientes, consumidores e nas condições em que está a viver a maioria da população que tão desprezada e sacrificada tem sido. 



Não esqueçam que o voto de cada pobre vale tanto como o de cada rico.

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domingo, 19 de dezembro de 2010

Como escolher um Presidente???

No seu artigo Um deserto de ideias, José Leite Pereira resume os debates dos candidatos a PR na seguinte passagem:

«O início dos debates presidenciais veio confirmar as piores perspectivas: nenhum dos candidatos tem garra para motivar o eleitorado e o que se pode esperar é, infelizmente, uma enorme abstenção, condizente com o deserto de ideias que é oferecido aos eleitores. O que os eleitores querem saber é o que os espera, mas os candidatos pouco ou nada lhe podem dizer porque nada disso depende da função a que se candidatam e porque nenhum deles é capaz de um golpe de asa mobilizador.»

Parece, porém, que se tal deserto de ideias levar à abstenção, estaremos perante uma péssima imagem do exercício do direito de cidadania democrática, por ser interpretada como apatia, desinteresse e comodismo de não ir às urnas. No caso de se discordar de cada um dos candidatos, será mais lógico optar pelo VOTO BRANCO, que significa participação cívica nas eleições, com a ideia de que nenhum candidato serve os interesses do povo, nenhum merece ser escolhido. Não deve votar-se no «menos mau» mas apenas naquele que for bom e, se houver mais do que um bom, votar no melhor deles.

Se, como se depreende do artigo, as funções definidas na Constituição não permitem ao PR influenciar a vida do País e impedir crises graves, então qualquer português serve, mesmo que seja um arrumador de carros de um qualquer parque de estacionamento. Há, pois, que dar ao PR responsabilidades e poderes, em benefício da gestão do País, que justifiquem os custos que a sua existência representa para os contribuintes. Para esse efeito, convém que se altere a Constituição de forma profunda e cabal para Bem da Nação.

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quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Melhor fora que pedissem ajuda

ANotícia do PÚBLICO transmite a arrogância pouco esclarecida, como se deduz do título, Ministro das Finanças nega interferência do FMI nas decisões do Executivo, e é explicada na frase “Não há nestas medidas qualquer imposição ou condicionalismo externo. O Governo tem consciência de que tem de fazer bem o nosso trabalho de casa”.

Mas a cruel realidade mostra que o ministro não merece confiança nem no que diz nem no que decide, bastando olhar para as repetidas promessas e basófias de falso optimismo, para os sucessivos PECs e para a situação de «austeridade» e de fome e pobreza crescentes, para ver que não tem sabido fazer os trabalhos de casa. Por isso, racionalmente, não se pode crer que agora saiba ou possa fazê-lo. Portanto a recusa em pedir ajuda estrangeira, é mais uma basófia, inconsciente e irresponsável, mostrando que não se preocupa, não tem repulsa, em destruir totalmente o País, os portugueses. Melhor fora que, para o País não ficar completamente exangue devido aos sucessivos erros e incapacidade de os reparar com eficácia e oportunidade, fosse pedida ajuda onde ela possa ser concedida.

Iremos continuar a aprender a contar com ajuda dos PEC, PEC um, PEC dois, PEC três, PEC quatro, etc. E o juro da dívida continua nas proximidades de sete, e havemos de passar a pedir dinheiro para pagar os juros da dívida, vender e privatizar tudo o que ainda tem algum valor, ao mesmo tempo que se mantêm fundações e outros tipo de «dezenas institutos públicos a extinguir» que vão servindo apenas para dar asilo a «boys» incapazes de sobreviver sem as muletas do erário. A quantidade de assessores (que não impediram os erros que levaram à crise) mantém-se, ou aumenta, assim como o compadrio.

O que se torna cada vez mais evidente é que, muitas vezes, os governantes tomam decisões que não foram devidamente preparadas e fundamentadas e se basearam apenas em palpites e intuições. Depois, sem a mínima sombra de vergonha, acabam por vezes por, com a mesma leviandade e irresponsabilidade, recuar anulando a decisão anterior, ou alterar, sem critério ou consciência do resultado para o País e sempre sem uma visão estratégica dos efeitos a longo prazo. Seria bom que seguissem a metodologia de pensar antes de tomar decisões.

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